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Venezuela: protestos em quartéis convocados por Guaidó têm baixa adesão

Presidente autoproclamado do país tenta ganhar o apoio dos militares, que dão sustentação à ditadura de Maduro

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, convocou para este sábado, 4, protestos na frente de quartéis. O político desejava fazer pressão para ganhar o apoio dos militares, que dão sustentação ao ditador Nicolás Maduro. Os atos, porém, tiveram pouca adesão.

Durante o dia, enquanto Guaidó tentava convencer os militares a apoiá-lo, a TV estatal mostrava o presidente Nicolás Maduro em um ato com cadetes do Exército. “Lealdade sempre”, gritou Maduro para uma multidão de cadetes com uniformes verdes.

Nas ruas de Caracas, os militares também deram uma demonstração do apoio a Maduro. Em uma das cenas, um manifestante pró-Guaidó entregou a um policial um bilhete pedindo apoio à queda do presidente. O agente de segurança acabou queimando o documento, deixando as cinzas caírem no chão.

“As forças armadas não serão chantageadas ou compradas”, disse um segundo policial que assistia à cena, que ocorreu perto do palácio presidencial.

Um manifestante manifestou sua irritação. “É uma humilhação”, disse Benito Rodriguez, que integrava um grupo de cerca de 150 pessoas.

Quando os ânimos começaram a ficar acirrados, a líder do protesto, Maria Suarez, pediu calma. “Por favor, muita disciplina”, disse.

“Eles acham que é uma piada. Eles não nos levam a sério. Eles não estão escutando”, queixou-se o manifestante Andrea Palma.

Os protestos ocorrem quatro dias depois de Guaidó clamar pelo apoio dos militares para tirar Maduro do poder.

A Venezuela enfrenta uma crise sem precedentes: há hiperinflação, recuo do Produto Interno Bruto (PIB), debandada de migrantes para os países vizinhos, desabastecimento e acusações de violência por parte das forças do Estado.

Carta

Na tentativa de convencer o alto comando militar a deixar Maduro, Guaidó enviou uma carta aos quartéis. No texto, o presidente interino promete que as Forças Armadas serão remodeladas e afirma que os militares devem estar ao lado da Constituição para auxiliar na transição do regime. Diz, ainda, que não haverá “retaliação política” contra os membros do regime.

(Com Estadão Conteúdo)