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Trump é vaiado ao prestar homenagem a Ruth Bader Ginsburg na Suprema Corte

O último desejo da juíza era que seu sucessor no tribunal fosse nomeado apenas pelo vencedor das eleições deste ano, pedido ignorado pelo republicano

Por Da Redação 24 set 2020, 19h30

Um grupo de manifestantes vaiou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira, 24, durante sua ida à Suprema Corte, em Washington, para homenagear a falecida juíza Ruth Bader Ginsburg. O republicano é criticado por querer nomear o sucessor dela no tribunal a poucas semanas das eleições presidenciais, marcadas para 3 de novembro.

Trump chegou ao tribunal por volta das 10h (11h00 em Brasília) acompanhado pela primeira-dama, Melania, ambos usando máscaras pretas. Ele participou de um ato de um minuto de silêncio, e, alguns minutos depois, já estava de volta à Casa Branca.

O presidente foi recebido com vaias e gritos de “votem para tirá-lo” e “honre seu desejo”, em referência ao último pedido de Ginsburg em vida, que, segundo sua neta, era que o próximo juiz da Suprema Corte fosse nomeado apenas pelo presidente eleito neste ano.

“Eu não sei se ela disse isso ou se foi escrito [pelos congressistas democratas] Adam Schiff, [Charles] Schumer e [Nancy] Pelosi… Eu quero dizer, talvez [Ginsburg] pediu isso, talvez não”, disse Trump, descreditando a neta da juíza e supondo que a oposição fabricou esse último pedido.

Segundo o Washington Post, é “eminentemente crível” que Ginsburg tenha desejado aquilo pelo seu forte posicionamento político contra o magnata novaiorquino.

Em contraste, em 2016, quando o Senado controlado pelos republicanos impediu que o então presidente Barack Obama nomeasse um juiz para a Suprema Corte, Ginsburg saiu em defesa do democrata.

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“É a função deles [senadores]… Não há nada na Constituição que diga que o presidente deixa de ser presidente no seu último ano de mandato”, disse a juíza em entrevista na época ao New York Times.

Nomeação para o Supremo

Trump anunciou que nomeará seu candidato para preencher a vaga de Ginsburg antes das eleições, e não deve encontrar dificuldades para formalizá-lo no Senado, ainda dominado pelos republicanos.

“Acho que tudo vai correr muito bem, que vai muito rápido”, disse Trump à Fox Radio na quinta-feira. “Temos cinco mulheres na lista e gosto de todas”, acrescentou o presidente. Ele planeja anunciar a indicação no sábado às 17h (18h em Brasília).

Até a morte de Ginsburg, juízes apontados por presidentes republicanos, mais conservadores, compunham uma maioria de cinco a quatro na Suprema Corte, que decide sobre questões da vida americana, como o porte de armas e o direito ao aborto.

Se Trump preencher a vaga para esta cadeira vitalícia, o supremo poderá ficar atrelado ao conservadorismo por décadas, especialmente se ele nomear um juiz mais jovem.

O presidente busca fazer a indicação rapidamente devido à importância de ampliar sua influência na Suprema Corte (Trump já nomeou dois juízes desde sua posse), especialmente caso as eleições gerem polêmicas que acabem no tribunal.

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