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Restos de prédio que desabou em Miami serão demolidos

Processo foi adiantado por conta de tempestade tropical que deve chegar à cidade no inicio da próxima semana e ameaça a estrutura

Por Redação Atualizado em 3 jul 2021, 17h33 - Publicado em 3 jul 2021, 17h23

A parte do prédio que permaneceu em pé após o desabamento parcial que deixou 24 mortos e 124 desaparecidos em Surfside, no condado de Miami-Dade, no dia 24 de junho será demolida no próximo domingo, 4. Conforme divulgado pela Associated Press, a demolição foi antecipada por causa da tempestade tropical Elsa, que pode atingir a cidade na próxima terça-feira.

“Se ele for demolido, protegerá as equipes de busca e resgate, porque não sabemos quando ele pode cair e as rajadas de vento criam um risco muito alto”, disse o governador Ron DeSantis durante entrevista à imprensa.

Inicialmente, especialistas disseram que poderia levar semanas para que a demolição fosse feita, mas a provável chegada da tempestade tropical mudou o cenário.

“O medo era que [Elsa] pudesse derrubar o prédio por nós e levá-lo na direção errada”, disse o prefeito de Surfside, Charles Burkett. A estrutura instável poderia ceder aos ventos, colocando as forças de resgate em risco e lançando escombros em áreas onde pode haver desaparecidos.

Por motivos ainda não determinados, a ala nordeste do edifício Champlain Towers, inaugurada em 1981 e com um total de 136 apartamentos, desabou em poucos segundos na madrugada da última quinta-feira, quando seus moradores dormiam. Os apartamentos disponíveis no prédio são considerados de alto padrão, tem vista para o mar e podem custar até 700.000 dólares (cerca de 3,5 milhões de reais).

Durante uma reunião matinal com parentes dos desaparecidos, o chefe de resgate Raide Jadallah informou a eles que o prédio será demolido “o mais rápido possível. Amanhã [domingo] cedo”, mas reuniões durante essa tarde devem definir os detalhes do processo.

Para isso, as buscas, já suspensas por movimentos na estrutura, terão que ser interrompidas totalmente. Autoridades projetam, no entanto, que será por um curto período de tempo.

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Depois da demolição, os destroços serão removidos imediatamente para dar aos socorristas acesso à área da garagem. Segundo Jadallah, a região pode oferecer uma imagem mais clara de bolsões nos escombros que podem estar abrigando sobreviventes. 

Alguns moradores que conseguiram deixar o prédio a tempo pediram para retirar os pertences antes da demolição, mas o pedido foi negado por questão de segurança.

“Eu sei que tem muita gente que, felizmente,  conseguiu sair e tem coisas lá dentro. Nos sensibilizamos com isso, mas não acho que haja nenhuma maneira de deixar alguém subir naquele prédio, dada a forma que está agora”, disse DeSantis.

Construído em 1981, o Champlain Towers é composto de dois prédios gêmeos. Uma inspeção em 2018 constatou desgastes na estrutura da face sul, especialmente no concreto sob a piscina e no acesso à entrada do condomínio, em decorrência de drenagem deficiente.

Em março passado, Jean Wodnicki, presidente da associação de condôminos, alertou em carta sobre a “piora significativa” dos danos, que eram visíveis nos pilares da garagem e tendiam a “se multiplicar”. A carta orçava a reforma necessária em 20 milhões de dólares e previa seu início em alguns meses. Não deu tempo.

  • A tempestade

    O Elsa se formou na América Central e foi rebaixado no sábado de furacão de categoria 1 para tempestade tropical, com ventos máximos de 110 km/h, ao passar pela ilha de Hispaniola, área que abriga a República Dominicana e o Haiti.

    A previsão de longo prazo mostra que ele se dirige para a Flórida como uma tempestade tropical que deve chegar aos estado na manhã de terça-feira, embora alguns modelos indique que ele possa se desviar para o Golfo ou para a costa do Atlântico. Mesmo assim, o governador declarou estado de emergência para a chegada da tempestade, e os meteorologistas alertam para chuvas e ventos fortes na área de Miami.

    “Estamos certos de que vamos vamos experimentar pelo menos uma tempestade tropical que vai impactar muitas comunidades na Flórida”, disse DeSantis na coletiva de imprensa em Surfside. “Estamos olhando para uma rota que provavelmente passa pela porção oeste de Cuba, vai para o Estreito da Flórida e, em seguida, começa a impactar a Flórida com o olho da tempestade posicionado no lado oeste.”

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