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Pela segunda vez, Trump ameaça não respeitar resultado de eleições

Membros do Partido Republicano tentam minimizar sua fala, prometendo uma 'transição ordenada', mas sem críticas diretas ao presidente

Por Amanda Péchy Atualizado em 25 set 2020, 15h16 - Publicado em 25 set 2020, 15h14

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse novamente que não se comprometerá com uma transferência pacífica de poder se perder a eleição à Presidência americana, que será disputada em 3 de novembro. Na quinta-feira 24, ele repetiu que a votação seria uma “grande fraude”. Enquanto isso, membros do Partido Republicano tentaram minimizar sua fala, prometendo uma “transição ordenada”, respeitando a Constituição.

“Queremos ter certeza de que a eleição seja honesta e não tenho certeza de que possa ser”, disse Trump em coletiva de imprensa na Casa Branca. Ele já havia feito uma fala similar na quarta-feira 23.

Sem repreendê-lo diretamente, republicanos proeminentes deixaram claro que estavam comprometidos com a transferência pacífica do poder. Mitch McConnell, líder da maioria no Senado, publicou no Twitter que “haverá uma transição ordenada, assim como ocorre a cada quatro anos desde 1792.”

Outros seguiram seu exemplo, como os senadores Susan Collins e Marco Rubio e a deputada Liz Cheney. “Os líderes dos Estados Unidos fazem um juramento à Constituição. Vamos manter esse juramento”, escreveu Cheney no Twitter.

Democratas, por sua vez, foram mais incisivos, comparando Trump a um líder autoritário: “Você não está na Coreia do Norte; você não está na Turquia; o senhor não está na Rússia, nem na Arábia Saudita“, disse Nancy Pelosi, presidente da Câmara. “Você está nos Estados Unidos da América. É uma democracia, então por que não tenta por um momento honrar seu juramento de posse à Constituição dos Estados Unidos?”

Os comentários de Trump sucedem uma série de pesquisas de opinião que o mostram atrás do ex-vice-presidente democrata Joe Biden, seu adversário. O líder americano não se recuperou desde o início da pandemia de coronavírus, apesar de seus esforços para desviar a atenção para economia, os protestos violentos que tomaram o país e a nova vaga na Suprema Corte.

Questionado sobre uma transição pacífica na quarta-feira, Trump disse que “vamos ter que ver o que acontece”. Como já fez muitas vezes, questionou a integridade do sistema eleitoral, especialmente o método de votação pelos correios, e repetiu o ceticismo na quinta-feira, dizendo: “Temos que ter muito cuidado com as cédulas. Você sabe, isso é um grande golpe.”

Não há evidências de que o envio de cédulas aos eleitores aumente a fraude no processo de votação, embora haja poucos casos de falha na entrega de cédulas pelo Serviço Postal. É esperado que a votação por correio seja muito mais utilizada que habitualmente este ano devido à pandemia de Covid-19.

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Assessores republicanos tentaram justificar a fala de Trump, dizendo que o partido age de acordo com amplos princípios constitucionais. Além disso, acusaram os adversários devido a um comentário recente de Hillary Clinton, que afirmou que os democratas “não deveriam conceder a eleição” até que todas as opções legais tivessem se esgotado.

A senadora Susan Collins, do Maine – estado que está se tornando mais favorável aos democratas –, foi a rara republicana a se referir diretamente a Trump.

“Não sei o que ele pensa, mas sempre tivemos uma transição pacífica entre as administrações”, disse Collins. “A transferência pacífica de poder é um princípio fundamental de nossa democracia e estou confiante de que veremos isso ocorrer novamente.”

Segundo o jornal americano The New York Times, senadores republicanos têm limites para criticar o presidente, que continua extremamente popular com a base do partido.

  • Na quarta-feira, Trump também misturou a sua indicação para a vaga na Suprema Corte e a legitimidade da eleição. Ele disse esperar que as disputas eleitorais sejam decididas pelo órgão e pediu uma confirmação rápida para a sucessora da juíza Ruth Bader Ginsburg. Dois importantes senadores republicanos, Ted Cruz, do Texas, e Lindsey Graham, da Carolina do Sul, ecoaram o apelo do presidente.

    Trump não parece importar com todas as críticas, reporta o Times, e semear dúvidas sobre a legitimidade da eleição parece intencional.

    Apesar do presidente ser apoiado por diversos membros do partido, o debate expôs uma divisão entre os republicanos.

    “Esta não é a típica indignação contra Trump que vem e vai”, disse Brendan Buck, ex-conselheiro do presidente da Câmara, Paul Ryan, que deixou o cargo em 2019. “Xingá-lo não vai impedi-lo [de contestar a eleição], mas os senadores estão tentando se poupar de alguns problemas mais tarde, deixando claro que não vão flertar com conspirações malucas que zombam de nossa democracia”.

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