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Trump não promete transferência pacífica de poder em caso de derrota

Democrata Joe Biden e até membros do Partido Republicano criticaram declaração do presidente americano

Por Da Redação - Atualizado em 24 set 2020, 10h02 - Publicado em 24 set 2020, 09h54

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se negou na quarta-feira 23 a assumir o compromisso de uma transferência pacífica de poder em caso de derrota nas eleições de 3 de novembro. A insinuação provocou reações indignadas de seu rival democrata, Joe Biden, e até entre os republicanos.

“Teremos que ver o que acontece em novembro”, respondeu Trump em uma entrevista coletiva na Casa Branca ao ser questionado se estava comprometido a garantir uma transferência não violenta de poder, independente do resultado das eleições.

Biden reagiu de maneira imediata aos comentários do republicano, que menciona regularmente a ideia de não reconhecer os resultados das eleições. “Em que país vivemos? É uma piada. Quero dizer, em que país estamos? Ele fala as coisas mais irracionais. Eu não sei o que dizer”, declarou o candidato democrata.

O senador republicano Mitt Romney, um crítico excepcional de Trump na ala conservadora, também criticou a declaração do presidente. “A transferência pacífica do poder é fundamental para nossa democracia; sem ela há Belarus. Qualquer sugestão de um presidente que pode evitar esta garantia constitucional é impensável e inaceitável”, escreveu no Twitter.

Atrás nas pesquisas de intenção de voto, o presidente republicano reclama com frequência das condições de organização das eleições e afirma que o voto por correio é uma fonte potencial de fraude.  A denúncia não foi comprovada, mas se espera que a votação por correio seja muito mais utilizada que habitualmente este ano devido à pandemia de Covid-19.

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Trump pareceu na quarta-feira pedir a anulação dos votos pelo correio.  “Livrem-se destas cédulas e será muito pacífico, não haverá transferência de poder, realmente, será uma continuação”, disse.

As declarações ambíguas de Donald Trump integram um contexto de tensão nos Estados Unidos. A morte na sexta-feira passada da juíza da Suprema Corte Ruth Bader Ginsburg oferece ao presidente a oportunidade de nomear um novo magistrado em uma instituição que decide questões sociais cruciais, como direito ao aborto ou ao porte de armas.

O alto tribunal, que também arbitra nas disputas durante as eleições presidenciais, pode ser dominado de maneira duradoura pelo campo conservador.

(Com AFP)

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