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Parlamento britânico proíbe terceira votação do acordo de May sobre Brexit

Governo trabalhava em negociações para tentar reverter a segunda derrota da proposta da primeira-ministra sobre saída da União Europeia

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, não poderá propor ao Parlamento uma terceira votação de seu acordo para o Brexit, o processo de saída da União Europeia. O anúncio foi feito na tarde desta segunda-feira, 18, pelo presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow.

Citando uma convenção criada em 1604, Bercow afirmou que o governo não pode insistir em uma moção que já foi rejeitada mais de uma vez pelos parlamentares. Os termos negociados por May ao longo dos últimos 17 meses sofreram sua segunda derrota na última semana, com uma margem de 149 votos contrários.

“O que o governo não pode legitimamente fazer é ressubmeter a mesma proposição à Casa, como a da última semana, que foi rejeitada por 149 votos”, disse o antigo membro do Partido Conservador em um pronunciamento extraordinário.

    Ainda na última semana, depois de rejeitar uma série de emendas, o Parlamento aprovou uma medida para que a primeira-ministra busque uma extensão do prazo para o Brexit, que estava previsto para o próximo dia 29 de março.
    O governo de May trabalhou durante todo o domingo 17 para conseguir o apoio necessário a seu acordo, almejando a terceira tentativa de aprovação. Distribuindo ameaças e promessas aos indecisos, a líder tentava evitar qualquer medida para derrubá-la e estimava que 75 parlamentares precisavam mudar de lado para que ela revertesse a decisão de 12 de março. 

    Com a decisão de Bercow, May viaja enfraquecida para sua próxima reunião com líderes da União Europeia, marcada para quinta-feira, 21. Quase três anos após o Reino Unido aprovar em referendo a saída do bloco, ainda não está claro para o país como e quando isso irá ocorrer, com cenários que vão desde uma saída sem acordo a uma reversão total da decisão.

    (com Reuters)