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Nasce o mais novo país do mundo: o Sudão do Sul

Nação surgida da divisão do Sudão, após décadas de guerra civil, é o 193º membro da Organização das Nações Unidas

Por Da Redação 8 jul 2011, 22h09

Nascido da divisão do Sudão, após décadas de guerra civil, o Sudão do Sul é desde a 0h local (18h desta sexta-feira de Brasília) o mais novo país do mundo, o 54º da África e o 193º membro da Organização das Nações Unidas (ONU). A criação do país já é comemorada na madrugada deste sábado na capital Juba. “Somos livres! Adeus ao norte, bem-vinda a felicidade!”, gritava Mary Okach, uma cidadã da nova nação.

O ditador sudanês Omar al Bashir reconheceu nesta sexta a República do Sudão do Sul como estado independente e prometeu participar da comemoração. A celebração também deve contar neste sábado com a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a ser recepcionado pelo presidente interino do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit.

Com o surgimento do novo país, termina automaticamente o mandato da missão da ONU no Sudão, criada em 2005. Será iniciada, como definido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta sexta-feira, uma nova missão de paz, formada por 7.000 “capacetes azuis” para consolidar a paz.

Guerras – A independência da nova nação é bastante simbólica, visto o histórico de conflitos entre Sudão do Norte e do Sul, que já se enfrentaram em duas guerras civis. A primeira começou em 1955 e durou até 1972, movida pela revolta do sul, de maioria cristã, contra a imposição de uma identidade islâmica ao país e só chegou ao fim quando o norte concordou em dar uma medida de autonomia ao sul.

A segunda começou em 1983 e durou 22 anos, devido à suspensão da autonomia do sul. Pelo menos 1,5 milhão de pessoas morreram e mais de quatro milhões foram deslocadas no conflito, que só terminou após um acordo de paz firmado em 2005 pelo chefe dos rebeldes do sul, John Garang – alguns meses antes de sua morte num acidente de helicóptero – e o então presidente do Sudão, Ali Osman Taha.

O acordo histórico garantiu certa autonomia ao sul e a realização de um referendo para decidir sobre a independência da região. O pleito foi realizado em janeiro deste ano e 99% dos sudaneses do sul votaram pela separação do Sudão.

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Desafios – Entretanto, a nova nação deve enfrentar grandes desafios políticos, econômicos e sociais. Um dos mais graves é a questão dos confrontos na fronteira com o Sudão, na região de Abyei, que já provocou 1.800 mortes este ano. A tensão aumentou em maio, quando os nortistas invadiram o local, violando um acordo de paz pré-existente e obrigando a fuga de 146.000 sulistas. Para resolver as tensões, foi fechado um acordo em 20 de junho para desmilitarizar Abyei, mas seu cumprimento ainda é incerto.

Além disso, há a questão econômica. Cerca de 85% de todas as reservas de petróleo do Sudão estão localizadas no sul, mas as refinarias estão no norte. A economia do Sudão do Sul é extremamente dependente do petróleo, a única riqueza na região, o que tornará necessária uma cooperação econômica entre os dois países e deve virar um conflito armado prejudicial para ambos os lados.

As décadas de conflitos na região arrasaram a infraestrutura do Sudão do Sul, o que obrigará uma reconstrução urgente do país, inclusive da capital Juba, que precisa de reformas em suas fontes de água e energia, além de sistemas de esgoto. A taxa de mortalidade no país também é a pior do mundo, e o índice de HIV é alto.

Mapa Sudão do Sul
Mapa Sudão do Sul VEJA

Consolidação – Existem também outras necessidades, menos urgentes, como a criação de uma moeda específica, selos para correio e até domínio na internet – as autoridades sudanesas do sul tentarão “.ss”, mas a associação à tropa nazista deve dificultar sua aprovação.

O Sudão do Sul tem times não oficiais de futebol e de basquete no Sudão do Sul, mas ainda não seleções. E como os estádios estão em reforma, não há um local adequado para treinamento. Mesmo com muitas ambições no que se refere aos esportes, como participar das Olimpíadas de Londres em 2012, os sudaneses do sul ainda precisarão de um bom tempo para poder marcar um jogo amistoso contra os seus vizinhos do norte.

(Com agências EFE e France-Presse)

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