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“Não tenho medo de Nicolás Maduro”, diz oposicionista Leopoldo López

Líder do Vontade Popular relata ter conversado com militares de alto escalão enquanto estava em prisão domiciliar

O líder oposicionista da Venezuela Leopoldo López não se entregará às autoridades do país. Em discurso na porta da residência do embaixador da Espanha, onde está abrigado desde a terça-feira 30, quando deixou a prisão domiciliar, Lopéz disse que o processo de deposição de Nicolás Maduro é “irreversível” e que ele não tem medo“ do cárcere, de Nicolás Maduro e de suas armas repressivas”.

“A Operação Liberdade envolve todos os venezuelanos, dentro e fora do país. Queremos terminar com o governo do usurpador Maduro. No dia 30 de abril, se abriu uma fissura no governo. Quem hoje duvida que nas Forças Armadas há pessoas que estão comprometidas com a liberdade?”, afirmou Lopéz.

O líder do partido Vontade Popular deixou a prisão domiciliar na terça-feira 30, auxiliado por militares alinhados ao autoproclamado presidente interino do país, Juan Guaidó, que milita na mesma legenda. A expectativa era de que o movimento capitaneado por Guaidó, que anunciará contar com apoio militar, fosse catalisador da saída de Maduro do poder. Mas não foi o que aconteceu.

Nesta quinta-feira 2, o Tribunal Supremo da Venezuela emitiu um mandado de reclusão em presídio contra Leopoldo López por ter violado a prisão domiciliar, além das proibições impostas de “pronunciamentos políticos por meios convencionais e não convencionais, nacionais e internacionais”. O Tribunal é o braço do Poder Executivo do país desde o governo de Hugo Chávez, morto em 2013.

López conduzira as grandes manifestações de 2014 contra o regime de Maduro. Acabou preso e, posteriormente, condenado por ter incitado a violência que resultou na morte de um militante da oposição. Ele cumpriu pena no Presídio de Ramo Verde até o ano passado, quando conseguiu autorização para continuar em prisão domiciliar.

Como prova da fraqueza do regime de Maduro, Lopéz informou que se reuniu com membros do alto escalão das Forças Armadas venezuelanas enquanto estava em prisão domiciliar, além de líderes de países, como os Estados Unidos e outros que compõem o grupo de Lima.

“Eu conheço o mundo militar e sei dos seus sentimentos. Sei que eles se sentem impotentes e que estão comendo arroz com larvas, não têm dinheiro para comprar remédios. Na Venezuela, falar de liberdade é falar de vida ou morte. Não vamos descansar”, declarou.

Lopez, sua mulher, Lilian Tintori, e seus filhos estão protegidos na residência diplomática da Espanha, em uma região nobre de Caracas. Trata-se de território inviolável pelas forças de segurança da Venezuela. A família deverá pedir asilo político ao governo do socialista Pedro Sánchez. Mas, para seguirem para o Aeroporto Internacional de Maiquetia, terão de obter um salvo-conduto das autoridades venezuelanas.