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Cruzeiro atraca em porto da Califórnia após dias ancorado por coronavírus

Complexo processo de desembarque das mais de 3.500 pessoas se estenderá entre dois e três dias, avaliaram as autoridades locais

Por AFP - 10 mar 2020, 01h12

As autoridades dos Estados Unidos começaram a evacuar o navio de cruzeiro com mais de 3.500 pessoas a bordo e 21 casos de coronavírus, que atracou nesta segunda-feira, 9, em um porto da Califórnia depois de cinco dias ancorado na costa.

Várias ambulâncias no porto de Oakland, cidade vizinha a San Francisco, levaram as pessoas que demandavam cuidados médicos urgentes, constataram jornalistas da AFP.

O navio atracou às 12h15 locais (16h15, horário de Brasília), depois de percorrer a baía de San Francisco, um cartão postal com a ponte Golden Gate no fundo. O complexo processo de desembarque se estenderá entre dois e três dias, avaliaram as autoridades.

“O presidente [Donald Trump] deu como prioridade trazer os americanos para terra e estamos no processo de fazê-lo, assim como garantir o retorno dos estrangeiros”, disse o vice-presidente, Mike Pence, em coletiva de imprensa na Casa Branca, confirmando que o processo de avaliação tinha começado.

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Pence acrescentou que os doentes são “tratados no isolamento adequado” e que os 25 menores a bordo do Grand Princess “estão sadios”.

Os Estados Unidos têm 26 mortes por coronavírus com mais de 600 casos, segundo uma contagem da AFP.

Quarentena

O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, explicou que as pessoas “serão conduzidas para fora da embarcação em pequenos grupos para permitir um distanciamento social apropriado”.

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Além disso, esclareceu que “qualquer um que esteja assintomático usará uma máscara cirúrgica e desembarcará por uma passarela separada” para evitar a propagação do vírus.

A prioridade é desembarcar os passageiros com necessidades mais urgentes, inclusive os tripulantes. O pessoal que não exigir cuidados imediatos fará sua quarentena a bordo, fora do porto de Oakland, informou o governo federal.

Uma vez retirados os casos mais urgentes, será a vez de o restante dos passageiros, que voltarão a ser examinados e postos em quarentena por 14 dias.

Os 962 residentes da Califórnia serão o segundo grupo a desembarcar. Serão levados para a base da Força Aérea Travis. Este processo tomará a maior parte do dia.

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Os seguirão o restante dos moradores nos Estados Unidos, que serão alojados em instalações militares no Texas e na Geórgia, além da Califórnia.

“Terão um quarto individual particular com acesso a um banheiro”, disse Jonathan Hoffman, porta-voz do Pentágono.

Os não residentes dos Estados Unidos “serão levados de ônibus a North Field, uma zona remota do aeroporto internacional de Oakland, que é inaceitável para passageiros comerciais e serão postos em voos charter de volta” a seus países, assistidos por pessoal de saúde.

Pence disse que trabalham com o Canadá – que tem 240 cidadãos a bordo do Grand Princess – e a Grã-Bretanha para o processo de repartição.

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Dança no convés

Carolyn Wright, uma fotógrafa de 63 anos do Novo México, disse à AFP que viu do convés vários barcos seguindo a embarcação uma vez que entrou na baía de San Francisco e que no cais “os passageiros gritavam e acenavam aos trabalhadores do cais em terra”.

Wright contou que nesta segunda de manhã o ambiente se tornava mais leve à medida que se aproximava o fim desse cruzeiro que tinha como destino o Hawaii e que teve a viagem interrompida depois que um homem, de 71 anos, que esteve em uma viagem anterior ao México, morreu por causa do coronavírus ao desembarcar.

Os passageiros puderam sair e tomar um ar fresco depois de horas presos em suas cabines. Alguns caminharam no convés e outros até mesmo dançaram.

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Autoridades médicas embarcaram no cruzeiro do domingo à noite para adiantar o processo de evacuação que o governador da Califórnia, Gavin Newsom, espera que dure “de dois a três dias”.

A operadora Princess Cruises informou em comunicado que “reembolsará a tarifa completa do cruzeiro para todos os hóspedes, incluindo as passagens aéreas, hotel, transporte terrestre, excursões pagas de forma adiantada e outros custos”.

“Os hóspedes não serão cobrados por nenhum gasto a bordo durante o tempo adicional” que estiveram no cruzeiro e receberão um crédito pela tarifa paga para essa viagem.

O presidente Donald Trump disse na sexta-feira que preferia manter os passageiros confinados no cruzeiro porque deixá-los sair aumentaria o número de infecções no país.

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