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Crise não assusta Gay Talese

Por Da Redação
Atualizado em 5 jun 2024, 22h18 - Publicado em 12 jun 2009, 20h49

O jornalista e escritor Gay Talese, 77 anos, é uma lenda viva. Consagrou-se como um dos mais festejados criadores do “novo jornalismo” – que investiga com as ferramentas de repórter e relata com os recursos literários de escritor. Em julho, Talese planeja visitar a Feira Literária de Paraty, para promover Vida de Escritor, lançado há pouco no Brasil. Talese recebeu VEJA em sua casa para uma conversa que se estendeu por quase três horas. A seguir, um resumo:

A LOROTA DO IRAQUE

“A imprensa americana caiu na lorota de que havia armas de destruição em massa no Iraque por algumas razões. Primeiro: os atentados de 11 de setembro criaram um clima de espanto. Uma coisa é falar de guerra lá longe, na Normandia, no norte da África, falar do general Erwin Rommel, de Mussolini, Hitler. Outra é sofrer hostilidades de forças estrangeiras dentro de Nova York. Era inacreditável, e George Bush capitalizou sobre isso. Ganhou enorme poder. Era o nosso defensor contra futuros ataques e o árbitro sobre o que era bom para nós. Fomos induzidos a acreditar que o governo tinha informações que nem o público, nem o Congresso, conheciam. A imprensa, muito crédula e um pouco ingênua, entrou no clima. Segunda razão: havia um fervor patriótico. A imprensa se sustenta com publicidade, e o pessoal tinha receio de ser percebido como antipatriótico – o que naqueles dias era o mesmo que ser anti-Bush – e acabar financeiramente punido, com os anunciantes debandando. O comediante Bill Maher fez uma brincadeira em seu programa na rede ABC, dizendo que os terroristas podiam ser chamados de tudo menos de covardes, e foi retirado do ar. Essa atmosfera durou uns dois anos. Terceiro: os jornais, Washington Post, New York Times, efetivamente acreditavam no governo e, por último, os repórteres que cobriam Washington eram muito diferentes dos repórteres do meu tempo, que cobriram a guerra no Vietnã nos anos 60. Não eram céticos.”

O FUTURO DO JORNALISMO

“A crise dos jornais americanos não é uma crise do jornalismo americano. Moro em Nova York há 50 anos. Já vi muitos jornais fecharem as portas. Nos anos 60, acabou The New York Herald Tribune, que era um grande jornal, mas grande mesmo. Antes, fechou o tablóide New York Daily Mirror. Eu cresci lendo revistas como Life, Saturday Evening Post, Look, e nenhuma delas existe mais. Em Nova York, havia quinze jornais. Quando cheguei aqui em 1959, eram sete. As pessoas esquecem que os jornais vão e vêm. O jornalismo, não. As pessoas vão sempre precisar de notícia e informação. Sem informação não se administra um negócio, não se vende ingresso para o teatro, não se divulga uma política externa. Todos os dias, nos jornais das cidades grandes ou pequenas, repórteres vão à rua para fazer o que não é feito por mais ninguém. De todas as profissões, se um jovem estiver interessado em honestidade e não estiver interessado em ganhar muito dinheiro, eu aconselharia o jornalismo, que lida com a verdade e tenta disseminar a verdade. Há mentirosos em todas as profissões, inclusive no jornalismo, mas nós não os protegemos. Os militares acobertam mentirosos. Os políticos, os partidos, o governo, todos fazem isso. O escândalo do Watergate é uma crônica de acobertamento. Os jornalistas não agem assim, não toleram o mentiroso entre eles. Acho uma profissão honrosa, honesta. Tenho orgulho de ser jornalista.”

Leia a reportagem completa em VEJA desta semana (na íntegra exclusivo para assinantes).

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