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Americano morre por se automedicar com cloroquina

A mulher dele está internada em estado grave; Donald Trump defende uso de remédio para malária em casos de contaminação por coronavírus

Por Da Redação - Atualizado em 24 mar 2020, 16h32 - Publicado em 24 mar 2020, 16h03

Um casal sexagenário do estado americano do Arizona passou mal após ingerir cloroquina como meio de prevenir a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), na segunda-feira 23. O marido morreu, e a mulher está internada em estado grave. O presidente americano, Donald Trump, havia anunciado na semana passada as pesquisas sobre o possível uso da substância em pessoas contaminadas em estado grave.

A cloroquina até o momento é recomendada por médicos para o tratamento de pessoas com malári, artrite, problemas de pele e lupus.

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A Banner Health, empresa responsável pelo hospital que atendeu o caso, afirmou na segunda-feira que o casal se sentiu mal meia hora após ter ingerido a cloroquina. Eles tinham acesso a uma variação da droga, que usavam para cuidar de seus peixes de estimação. Essa versão de cloroquina, porém, não é a mesma usada para tratar pacientes humanos adoecidos com malária.

“Trump disse que [a cloroquina] era basicamente uma cura”, afirmou a mulher, referindo-se a uma coletiva de imprensa do presidente americano na quinta-feira 19.  O presidente havia dito que a cloroquina “não matará ninguém”, que havia apresentado “resultados iniciais muito, muito encorajadores” nas pesquisas já realizadas e que poderia ser disponibilizada no mercado “imediatamente”.

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A Administração para Alimentos e Drogas (FDA), órgão do governo americano responsável pela fiscalização de medicamentos, ainda não reduziu as restrições para a comercialização da cloroquina e não reconhece nenhuma substância ou tratamento para “tratar, curar ou prevenir a Covid-19”.

“Dada a incerteza em torno do Covid-19, entendemos que as pessoas estão tentando encontrar novas maneiras de prevenir ou tratar esse vírus, mas a automedicação não é a maneira de fazê-lo”, aconselha Daniel Brooks, da Banner Health. “A última coisa que queremos agora é inundar nossos departamentos de emergência com pacientes que acreditam ter encontrado uma solução vaga e arriscada”, conclui.

No Brasil, que conta com pelo menos 1.891 casos e 34 mortes, de acordo com o Ministério da Saúde, o governo federal avalia a possibilidade de autorizar o uso da cloroquina para pacientes com o novo coronavírus em estado grave. A recomendação deverá ser para os cinco primeiros dias da infecção. A decisão deverá ser tomada ainda esta semana.

Atrás apenas da China e da Itália, os Estados Unidos são o terceiro país mais atingido pela pandemia do novo coronavírus em número de casos confirmados. São cerca de 49.619 enfermos e 615 mortos até o início da tarde desta terça-feira, 24, segundo estimativa do jornal americano The New York Times.

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