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Rio-2016: Rússia acusa EUA de conspiração sobre doping

Chanceler russo disse que agência americana está pressionando o COI por punição e vê 'reputação duvidosa' do delator do escândalo

O presidente Vladimir Putin já havia reclamado de “interferência política” ao falar sobre o escândalo de doping que pode tirar a Rússia da Rio-2016 e, nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, aumentou o clima de “Guerra Fria” no esporte. Em comunicado, Lavrov acusou os Estados Unidos de trabalhar nos bastidores para impedir que a Rússia participe dos Jogos Olímpicos no Brasil.

Em conversa por telefone com o secretário de Estado americano, John Kerry, o russo afirmou que a Usada (Agência Antidoping dos EUA, na sigla em inglês) está pressionando o Comitê Olímpico Internacional para punir a Rússia. “Lavrov disse tudo o que pensava sobre as exigências anti-russas da Usada, dirigidas ao COI”, informou a chancelaria do país europeu. Segundo a nota oficial, “Kerry concordou com a necessidade de se evitar a politização do esporte”.

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Na terça-feira, os diretores das agências antidoping dos EUA e do Canadá, Travis Tygart e Paul Melia, respectivamente, pediram a exclusão da Rússia da Olimpíada, a partir das denúncias de doping sistemático e organizado pelo governo russo, contidas em relatório independente feito a pedido da Agência Mundial Antidoping (Wada).

O esquema permitia transformar um exame antidoping com resultado positivo em negativo e funcionava sob a supervisão do Ministério dos Esportes do país e do Serviço Federal de Segurança, a antiga KGB, relatou o autor do documento, o advogado canadense Richard McLaren.

Antes mesmo da denúncia da Wada, já havia vazado um e-mail das federações americana e canadense sugerindo a outras federações que pedissem pela exclusão da Rússia. Na segunda-feira, o presidente Vladimir Putin alertou sobre o possível retorno ao período dos boicotes aos Jogos Olímpicos, se referindo as edições de Moscou, em 1980, e Los Angeles, em 1984.

O Comitê Olímpico e governo da Rússia alegam que é duvidosa a reputação do principal delator da Wada, Grigori Rodchenkov, antigo diretor do laboratório antidoping de Moscou, que está exilado nos Estados Unidos.

Por enquanto, a Rússia está suspensa apenas do atletismo da Rio-2016 e há a chance de que os atletas “limpos” (que não foram flagrados em exames, como a estrela Yelene Isinbayeva) possam competir. No entanto, o COI aguadará julgamento no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS, na sigla em francês) para depois decidir se irá ou não excluir a Rússia de todas as modalidades.