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‘The Final Table’: competição culinária da Netflix é ‘MasterChef’ de luxo

Programa é superprodução com chefs renomados do mundo todo, mas não se arrisca a entregar algo novo para o espectador

Quem conhece e gosta de programas como MasterChef e Bake Off vai se sentir em casa ao acompanhar The Final Table – Que Vença o Melhor, competição culinária da Netflix que o serviço de streaming lançou nesta terça-feira. A atração vem embalada em modo de superprodução ao reunir celebridades, críticos e alguns dos melhores chefs do mundo para julgar os pratos dos participantes, eles mesmos com sólida carreira na gastronomia.

A série começa com doze duplas, formadas por cozinheiros do mundo todo. Um país é escolhido como tema de cada episódio. Na primeira prova do dia, os competidores preparam um prato típico daquele país, como a paella espanhola ou o taco mexicano, que é julgado depois por um trio formado por dois famosos e um crítico gastronômico dessa mesma nação. As piores duplas se enfrentam em novo desafio, eliminatório, que consiste em preparar um prato com um ingrediente tradicional do país, escolhido por um grande chef local, que depois decide o vencedor da prova e o eliminado.

O Brasil está representado no programa pelo competidor Rafa Gil, sul-mato-grossense que já trabalhou na Espanha e em Hong Kong e atualmente é diretor culinário do restaurante de um hotel em Jacarta, na Indonésia. Além disso, um dos episódios tem como tema a culinária brasileira: na primeira prova, julgada pela modelo Alessandra Ambrosio, a cantora Bebel Gilberto e o crítico gastronômico Josimar Melo, os cozinheiros devem preparar uma feijoada; já na segunda, Helena Rizzo, do restaurante paulistano Maní, escolhe a mandioca como ingrediente principal.

Tanto em mecânica quanto em tom, o programa não inova em relação a outros representantes das competições culinárias: é bem fácil de entender como funcionam as provas, que são sempre as mesmas em todos os episódios, e a atração está sempre buscando dar emoção às atividades, com trilha sonora impactante, jogos de luzes, suspense etc. Isso não é necessariamente ruim, mas não deixa de ser um pouco decepcionante – parece ser uma oportunidade perdida atrair tantos chefs renomados, como Helena, Enrique Olvera e Grant Achatz, para serem jurados de uma atração bonita – os pratos são lindos, dignos de restaurantes estrelados mesmo – e bem produzida, mas que não traz quase nada de novo.

Uma novidade que o programa traz, na verdade, causa estranhamento. Ao contrário de outras competições, os participantes não estão brigando por dinheiro, carros, cursos de gastronomia ou outra recompensa. O prêmio é a consagração de se sentar à mesma mesa que os grandes chefs convidados. Reconhecimento é sempre importante, mas esse prêmio não parece ser o suficiente para os competidores em questão, alguns dos quais são ou já foram donos de restaurantes com estrelas no guia Michelin e que estiveram na lista dos 50 melhores do mundo.