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Como se dar bem no quesito que vale ouro no Enem

Conheça em detalhes os critérios de avaliação da prova de redação

Por Ana Beatriz Magno 27 set 2016, 16h39

Corrigir mais de 8 milhões de redações não é só um enorme esforço físico. É preciso também encontrar um método objetivo de avaliação. Para isso o Enem criou as chamadas cinco competências, definidas no edital da prova, que o candidato deve cumprir ao longo do texto. A pedido do site de Veja, o professor e experiente avaliador de redações Rafael Pina, do Colégio A a Z, explica cada uma das competências e ensina como usá-las para que um texto se destaque entre milhões de concorrentes.

Competência I – Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita
O quesito não mede apenas se o aluno escreveu exceção com “ss”. Avalia-se também a regência, o uso adequado dos plurais e dos tempos verbais, a riqueza e a correção do vocabulário e o domínio da norma culta, sem gírias, sem contrações de palavras, sem lugares comuns. “Escrever bem é escrever com clareza. Com objetividade, mas sem vulgaridade. O Enem não quer redações complexas, rebuscadas. Quer bons argumentos, escritos com fluência e respeito à língua portuguesa”, ensina Pina.
No que o avaliador vai ficar de olho:
. na diferença entre linguagem oral e escrita;
. na atenção à ortografia e às regras gramaticais;
. na estética do texto e respeito ao número de linhas;
. na ausência de expressões coloquiais;
. na precisão do vocabulário
. no uso de letras maiúsculas e minúsculas;
. na divisão de sílabas na mudança de linha (translineação).

Competência II: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo
O propósito aqui é impedir o clássico “fugir do assunto”, um erro grave e comum nas redações. O candidato tem que ler com atenção o tema proposto e se concentrar nele. “É um equívoco típico de quem zera a redação, porque mostra que o aluno sequer entendeu o enunciado”, alerta Pina.
No que o avaliador vai ficar de olho:
. na compreensão do tema. Vale se inspirar nos textos motivadores, mas sem se limitar a eles;
. na interdisciplinaridade, ou seja, a capacidade de relacionar um assunto com várias áreas do conhecimento
. se o aluno sabe estruturar um texto dissertativo.

Competência III – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista
Este é o quesito mais subjetivo, em que se avalia a coerência e o poder de argumentação. “Alguém que escreva que a base do problema da violência no Brasil é a educação deficiente, por exemplo, não pode mais adiante dizer que a solução é aumentar o policiamento”, explica o professor Pina. Ele recomenda que os candidatos fundamentem seus pontos de vistas com números, dados, citações, comparações e nunca percam de vista a relação entre causa e consequência. Boa parte dos dados estarão nos textos motivadores que apresentam o tema e contribuem para a reflexão. “Os avaliadores verificam se o candidato usou e interpretou estas informações de forma adequada para sustentar seus pontos de vista”, adianta Pina.
No que o avaliador vai ficar de olho:
. na progressão qualitativa (interligação entre as partes do texto);
. na ordem lógica entre as ideias apresentadas;
. no encadeamento de ideias. Cada parágrafo deve apresentar informações novas, coerentes com as anteriores, sem repetições ou saltos temáticos;
Na adequação entre o conteúdo do texto e o mundo real.

Competência 4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação
A redação precisa apresentar ideias consistentes, fundamentadas e bem articuladas. O texto deve obedecer ao formato dissertativo-argumentativo. Os parágrafos têm que ser encadeados sem tropeços. “A forma como se conectam é essencial. Textos que não conseguem amarrar um parágrafo no outro nunca são bem avaliados”, diz Pina.
No que o avaliador vai ficar de olho:
. na estruturação dos parágrafos e na ligação entre a ideia principal e as ideias secundárias;
. na composição dos períodos em duas ou mais orações, com relações de causa-efeito, contradição, temporalidade, comparações;
. no cuidado para não repetir palavras;
. na coesão argumentativa;

Competência 5 – Elaborar proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural
É a mais complicada e também a mais crucial. Avalia-se se o candidato tem soluções coerentes e exequíveis para resolver o problema tratado. Ele tem que explicar o que fazer, como fazer e quem será o agente social responsável pela ação. “Minha orientação é que o candidato apresente duas propostas, com soluções concretas e coerentes com seus argumentos, indicando dois atores sociais para executá-las”, sugere Pina. Sobre a exigência de que as propostas sugeridas respeitem os direitos humanos e valorizem o exercício da cidadania, ele alerta: “Os alunos ficam muito perdidos. Temos que treinar sistematicamente esta competência”.

No que o avaliador vai ficar de olho:
. nas três respostas obrigatórias – o quê, como e quem;
. se a solução apresentada é viável e coerente com o problema;
. se a proposta respeita direitos humanos, diversidade cultural e liberdade.

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