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A incrível reviravolta de Maria Bruaca, o biscoito fino de ‘Pantanal’

Isabel Teixeira diz a VEJA se espera que sua personagem vire uma ‘femme fatale’

Por Valmir Moratelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 2 ago 2022, 16h30 - Publicado em 2 ago 2022, 11h04

Nas cenas que vão ao ar nesta terça-feira, 2, finalmente Maria Bruaca (Isabel Teixera) fica cara a cara com a outra mulher do seu marido, Tenório (Murilo Benício), a empoderada Zuleica (Aline Borges). É o marco de virada de sua doce personagem, que se tornou o grande trunfo de Pantanal. Impossível não ficar paralisado com suas cenas (veja uma delas abaixo e tente não se encantar). O desafio de Isabel Teixeira, 48 anos, exige se despedir de todo tipo de preconceito, vaidade e feminismo. Ao dar vida a Maria Bruaca, a atriz comemora o sucesso retumbante de uma personagem que caiu nas graças do público e se tornou o centro da narrativa de maior sucesso no horário nobre da TV Globo. Em conversa exclusiva com a coluna, Isabel discorre sobre as bandeiras levantadas nesta sua segunda novela. Confira a seguir:

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Você disse que há várias Marias Bruacas por aí. Por que, na sua visão, o machismo não sai de moda no país? O machismo não saiu de moda, mas está passando por mudanças. Avanços e retrocessos através do tempo. Isso ainda é atual, arraigado na nossa cultura. E é muito difícil mudar os paradigmas de uma sociedade de uma hora para outra. Mas a gente tem avançado muito. A situação da Maria Bruaca está para além disso, tanto é que muita gente tem se identificado com ela. A torcida dela não vem só das mulheres. A questão é mais geral: é uma mulher que acha normal viver sendo maltratada, sendo chamada de Bruaca, cuidar daquela casa, passar pano naquela fazenda. No Pantanal, as fazendas são muito distantes umas das outras. E quando descobre que ele tem outra família, vai vendo que talvez ser tratada assim não é normal.

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Torce por uma mudança radical de Bruaca? Olha, ela não vai mudar totalmente de uma hora para outra, não vai colocar um salto alto e virar uma femme fatale, virar dona de seus direitos e das fazendas que vai reconquistar com divisão de bens do casamento. É mais complexo e humano. Ela aprende com a queda, mas depois tem suas recaídas de querer voltar para a rotina de antes.

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Como a novela pode alertar as mulheres sobre relações abusivas? Fico muito feliz que a história da Maria esteja mexendo com as pessoas, porque essa é a função primordial de qualquer narrativa. Isso é cultura pura! As pessoas se inspiram ao ver de fora uma situação de uma mulher oprimida que se descobre e se arrisca em outra coisa. E através dessa personagem, as pessoas devem encontrar chaves para mudar a própria vida. Olha como é importante a cultura de um país! Esse país tem um tesouro, que estou descobrindo agora, que se chama novela.

O que mais tem ouvido e lido sobre a Bruaca? Eu não sou uma pessoa das redes sociais, mas estou encantada com a repercussão, essa torcida por um ponto de virada do relacionamento dela. O que mais tenho ouvido é: “Reage, coloca um cropped!”.

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O ‘deboche’ na camisa de um dos personagens mais complexos de ‘Pantanal’

Aos 48 anos, e sólida carreira no teatro, é apenas sua segunda novela. Por que demorou tanto? Sou uma mulher de teatro, com grande devoção ao ofício que escolhi. Sou apaixonada, obsessiva pelo trabalho. E trabalho desde os 10 anos, uma operária da vida, da arte. E a TV nunca tinha aparecido nesse caminho, e eu nunca busquei também. Quando aconteceu, foi natural (fez Desalma e Amor de Mãe). A partir daí um caminho se abriu e estou sentindo uma paixão grande pelo meu trabalho, aos 50 anos, que é a mesma que eu sentia quando estava cursando Artes Dramáticas na USP. Estou encantada com essa engrenagem gigantesca da novela.

É fácil para você fazer as cenas de sexo? Quando a gente gravou a cena da fivela, a gente não sabia que iria virar um meme, que ia ter esse impacto. Os espectadores também são dramaturgos. Para mim, não existe essa divisão entre humor e drama. No meu trabalho, me guio pelas questões da personagem. As cenas de sexo são como quaisquer outras. É mais uma coreografia do que sexo, tem uma equipe envolvida. É técnica, composição, uma energia diferente que a gente ativa, se encaixa, mas é técnica.

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Como você trabalha sua autoestima fazendo uma personagem que se sente indesejada pelo marido? É vaidosa no dia a dia? A gente confunde, nessa identificação com o personagem, mas fui aprendendo a separar a minha autoestima da Bruaca. A minha autoestima não tem nada a ver com a dela. Sou bem vaidosa, gosto de me cuidar, de viver bem. E isso às vezes é só se dar um tempo, sentar, tomar um chá, dar um respirar. Estou numa fase muito boa da vida pessoal. Tenho dois filhos: o Diego, de 18 anos, e a Flora, de 11. Eu e meu ex-marido somos parceiros.

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Como é a relação com seu pai, o cantor Renato Teixeira? Meu pai é minha referência artística. Não fui criada no convívio diário com ele, mas a gente se falava todo dia por telefone. Falo que fui criada pela palavra dele diariamente no meu ouvido. Eu fui criada pela minha mãe, Alexandra Correa, a primeira esposa do meu pai. Ela era atriz, faleceu aos 56 anos, em 2006. Minha casa também era um lugar de criação artística. Fiz faculdade de letras e tenho certeza que essa devoção pela palavra também veio dele, que me ensinou a ler Manuel Bandeira, Brecht, (Pablo) Neruda. Sou filha de poeta, amo a palavra.

Ele comenta as suas cenas mais sensuais? Meu pai tem dificuldade de ver as cenas mais quentes, mas ele comenta algumas, sim. Ele comenta minha carreira no geral, tem um olhar que vê minha trajetória, meu trabalho todo. É muito dele ser um poeta e ver minha vida como uma composição única, e a gente tem que ter essa coerência, de compor a trajetória com o coração.

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Isabel Teixeira
Isabel Teixeira, a Maria Bruaca de Pantanal (João Miguel Jr./TV Globo)
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