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Zé Dirceu recorre ao Supremo para evitar prisão

Defesa do ex-ministro da Casa Civil alega que prisão após recurso no TRF4 desrespeitaria o princípio da presunção da inocência

Por Estadão Conteúdo Atualizado em 18 abr 2018, 15h52 - Publicado em 18 abr 2018, 15h02

Fora da prisão por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro José Dirceu entrou com pedido na Suprema Corte para evitar que seja preso após seu processo ser finalizado na segunda instância da Justiça. O requerimento foi feito por meio de uma reclamação ao STF, mesma ação em que ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou evitar a prisão, e agora espera uma nova decisão. O relator da ação de Dirceu no STF é o ministro Dias Toffoli.

Dirceu aguarda em liberdade o julgamento de seu último recurso no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), marcado para esta quinta-feira, 19. O TRF4 aumentou a pena de Dirceu de vinte anos e dez meses para trinta anos e nove meses pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A defesa do ex-ministro da Casa Civil alega que, quando a Corte, em maio do ano passado, revogou a sua prisão preventiva e a substituiu por medidas cautelares, fez prevalecer, em seu caso, o princípio da presunção da inocência. De acordo os advogados de Dirceu, uma decretação de prisão após julgamento no TRF4 estará desrespeitando a decisão da Corte, proferida pela Segunda Turma, que analisou seu habeas corpus.

  • “Quanto ao mérito, há que se considerar, primeiramente, que no julgamento do referido habeas corpus nº 137.728, em que paciente o ora reclamante, foram afastados todos os motivos utilizados pelo juízo de origem para justificar a decretação da prisão cautelar de José Dirceu”, argumenta a defesa.

    Os advogados também dizem que a decretação da prisão de forma “automática e genérica” vai contra a jurisprudência do STF, que autorizou a execução antecipada da pena, mas não a tornou obrigatória, na visão dos advogados.

    “É certo que a decisão dessa Segunda Turma fez referências à “possibilidade” de prisão quando esgotado segundo grau de jurisdição, ou que esta estaria “autorizada” após o julgamento dos recursos no tribunal. Todavia, nem de longe, determinou que a prisão do paciente, ora reclamante, se desse de forma obrigatória, muito menos de forma automática e genérica, sem sequer se dispender uma linha que fosse para justificar a necessidade de seu encarceramento”, diz a defesa de Dirceu.

    Os advogados ainda argumentam que, solto, Dirceu não oferece riscos. Ele atualmente mora em Brasília e usa tornozeleira eletrônica. O ex-ministro havia sido preso por determinação do juiz Sergio Moro em agosto de 2015.

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