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Os relatos de vizinhos sobre família morta por filho adolescente no Rio: ‘Ficamos sem chão’

VEJA conversou com moradores do pequeno distrito de Comendador Venâncio, em Itaperuna

Por Anita Prado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jul 2025, 16h57 • Atualizado em 7 jul 2025, 15h56
  • Com cerca de 2.800 habitantes, Comendador Venâncio é um dos maiores distritos de Itaperuna, cidade do Noroeste Fluminense com pouco mais de 100 mil moradores. A comunidade, formada em sua maioria por famílias simples, ainda vive sob o impacto do crime bárbaro que tirou a vida de três moradores. Era ali que vivia a família Teixeira Aldebaran: Inaila, Antonio Carlos, o pequeno Antonio Filho, de 3 anos, e o adolescente de 14 anos que, no último sábado, 21, matou os pais e o irmão a tiros enquanto eles dormiam.

    A tragédia abalou o senso de segurança de uma vizinhança conhecida pela convivência próxima entre os moradores. Inaila mantinha um salão de beleza improvisado dentro de casa e atendia mulheres do bairro com frequência. Conhecida pela generosidade, costumava cobrar menos das clientes que enfrentavam dificuldades financeiras. A casa, sem portão, estava sempre cheia. “Estamos desligando os celulares para parar de receber notícias do caso. Tem feito mal para a gente”, contou uma moradora.

    “Comendador Venâncio sempre foi um lugar tranquilo. Por isso estamos apavorados com o que aconteceu”, disse Creuza Dias, de 73 anos, vizinha e cliente de Inaila. Segundo ela, o casal era afetuoso, frequentava a igreja e mantinha boa relação com todos: “Inaila era linda por fora e por dentro. Tinha um sorriso maravilhoso. Vai ser difícil esquecê-la.”

    O casal Inaila e Antônio eram queridos por vizinhos.
    O casal Inaila e Antônio: queridos por vizinhos. (Reprodução/.)

    Creuza, que é revendedora de cosméticos, aponta que os filhos eram bem cuidados: “Eles tinham tudo do bom e do melhor. A mãe levava e buscava eles na escola, de carro, todos os dias”. O caçula, Antonio, de apenas 3 anos, é descrito como uma criança alegre e carismática. “Uma gracinha, encantava a todos”, revela a vizinha.

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    Sobre o adolescente, os vizinhos já notavam a sua personalidade introspectiva. “Era calado, gostava de ficar no canto dele”, contou Creuza. “Ele sempre foi uma criança muito estranha, mesmo recebendo tudo de melhor”, acrescentou Maria Luiza, de 78 anos, que também conhecia a família. Ainda assim, a relação entre pai e filho parecia próxima. Em uma rede social, no aniversário de 11 anos do garoto, Antonio Carlos escreveu: “Filho amado, irmão cuidadoso, aluno exemplar. És meu amor.”

    Em uma rede social, no aniversário de 11 anos do adolescente, Antonio Carlos escreveu: “Filho amado, irmão cuidado, aluno exemplar. És meu amor.”
    Em uma rede social, no aniversário de 11 anos do adolescente, Antonio Carlos escreveu: “Filho amado, irmão cuidadoso, aluno exemplar. És meu amor.” (Reprodução/.)

    A brutalidade do crime mergulhou o distrito em estado de choque. “Aqui os crimes geralmente estão ligados a facções. Nunca vimos nada assim”, afirmou Fernanda Malafaia, outra moradora. “Foi o caso mais chocante de que me lembro. Venâncio é um lugar onde todo mundo se conhece. Estamos todos perplexos”, desabafa.

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    A investigação foi concluída na manhã da última terça-feira, 1º, quando a Polícia Civil detalhou o envolvimento da namorada virtual do adolescente, moradora de uma pequena cidade no Mato Grosso. Segundo os investigadores, os dois teriam planejado a fuga após o triplo homicídio e pretendiam se encontrar no estado dela.

    Durante a apuração, a polícia encontrou indícios de que o adolescente era fascinado por conteúdos violentos. Em uma rede social, ele mantinha um perfil falso com o nome “John Wick”, personagem interpretado por Keanu Reeves no cinema — um assassino de aluguel frio e implacável. Em outra conta, chegou a publicar um vídeo em homenagem ao personagem Kevin, do filme Precisamos Falar Sobre Kevin, que narra a história de um adolescente que comete um massacre. A jovem também compartilhava conteúdos com temáticas semelhantes. “É possível perceber a exposição a conteúdos violentos na rotina dos dois”, disse o delegado responsável pelo caso, que reforçou a importância da atenção das famílias sobre o ambiente virtual dos filhos.

    A vizinha Maria Luiza disse que faltam palavras para descrever o sentimento coletivo no distrito: “Ficamos sem chão. Eu tenho 78 anos e nunca vi uma desgraça tão grande, uma coisa tão horrível como essa.”

    Os dois adolescentes estão internados. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o tempo máximo de internação para menores infratores no Brasil é de três anos.

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