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São Paulo e Rio cedem, reduzem tarifa de transporte e pedem diálogo

Pressionados, governantes recuaram do reajuste das passagens após enfrentarem uma onda de protestos

Por Da Redação
19 jun 2013, 18h57

Depois de uma inédita onda de protestos que tomou as ruas do país, as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro anunciaram na tarde desta quarta-feira a redução das tarifas de metrô, ônibus e trens, revogando o reajuste em vigor desde o início do mês. Nesta semana, outras quatro capitais – Cuiabá (MT), Porto Alegre (RS), Recife (PE) e João Pessoa (PB) – também recuaram do reajuste das passagens.

Na capital paulista, as tarifas recuarão de 3,20 centavos para 3 reais a partir de segunda-feira. No Rio, o preço cairá de 2,95 reais para 2,75 reais a partir desta quinta-feira.

O anúncio em São Paulo foi feito em conjunto pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e pelo prefeito Fernando Haddad (PT) após uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O pronunciamento foi feito simultaneamente à fala do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). Todos eles resistiam em recuar, mas acabaram cedendo devido ao crescimento dos protestos – foram seis na capital paulista e três no Rio -, que deixaram um rastro de destruição nas ruas e um custo político de dimensões ainda incertas. Também pesou a avaliação de que novas reivindicações estavam sendo agregadas ao cardápio dos manifestantes – e que as passeatas estavam ganhando adesões a cada dia.

Em pronunciamento conjunto, tanto Alckmin quanto Haddad frisaram que o ajuste dos preços nas catracas causará impacto nos investimentos. “É um sacrifício grande. Vamos ter de cortar investimentos”, disse o governador paulista. “Precisamos abrir a discussão sobre as consequências. O investimento fica comprometido por causa dessa medida”, afirmou o prefeito.

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Haddad afirmou que apesar de o aumento das tarifas em São Paulo e no Rio de Janeiro ter sido feito em porcentagem abaixo da inflação, graças a desonerações de tributos negociadas com o governo federal, o recuo visava “favorecer o diálogo com a cidade”.

Sintonia – Eduardo Paes e Fernando Haddad estão em contato permanente desde terça-feira. Ao longo desta quarta-feira, os dois conversaram e acertaram a estratégia de divulgação simultânea das revogações dos aumentos. Durante a entrevista na sede da prefeitura, Paes avisou que o governador Sérgio Cabral (PMDB) também determinou a redução de tarifas de transporte urbano.

A suspensão do aumento representa, segundo Paes, impacto de 200 milhões de reais por ano no orçamento do município.

“Venho hoje, depois de refletir muito, e mostrando que os 20 centavos de aumento não foram por desejo do município, anunciar que vamos suspender o aumento”, disse Paes. Segundo o prefeito do Rio, o reajuste estava previsto em contrato. “O aumento, concedido dezoito meses depois do último, é fruto de contrato e planilha pública que acontece pela segunda ou terceira vez no Rio de Janeiro e leva em conta o aumento do custo de vida na cidade. Não é algo concedido aleatoriamente”, defendeu.

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“Destaco que temos dado muito ouvido àqueles que fazem manifestação colocando seus pontos como devem ser colocados. Jamais daremos ouvidos a quem de utiliza pleitos legítimos para praticar atos de vandalismo e violência. Essas pessoas não sabem conviver em ambiente democrático e de respeito”, disse Paes, marcando posição contra a violência nas manifestações.

Rio – O governo do estado do Rio informou, em nota, que será publicado no Diário Oficial desta quinta-feira a medida que anula os reajustes de trens, barcas e metrô. Voltarão a valer, a partir de sexta-feira, os valores praticados antes do reajuste. O metrô, que havia subido para 3,50 reais, voltará a custar 3,20 reais; os trens recuam de 3,10 reais para 2,90 reais; as barcas, com bilhete único, passam de 3,30 reais para 3,10 reais. Já sem o bilhete único, a travessia de barcas, que havia passado para 4,80 reais, voltará a ser de 4,50 reais.

(Com reportagem de Jean-Philip Struck, Felipe Frazão, João Marcello Erthal e Cecília Ritto)

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