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PF investigará somente vazamento de dados

Por Ricardo Gomez
7 abr 2008, 18h59

O ministro da Justiça, Tarso Genro, confirmou nesta segunda-feira que a Polícia Federal vai investigar somente o vazamento do conteúdo do dossiê sobre o uso de cartões corporativos no governo Fernando Henrique. As investigações não terão qualquer foco na apuração do responsável pela montagem do documento – feito para chantagear a oposição na CPI que investiga o uso dos cartões corporativos do governo Lula.

Segundo Genro, só existe um delito: a invasão dos computadores da Casa Civil para levantamentos das informações e a posterior publicação de dados sigilosos do ex-presidente, da ex-primeira-dama, Ruth Cardoso, e de ex-ministros da gestão tucana. Os mandantes do levantamento de dados ficarão imunes. “A PF vai investigar delitos e não situações políticas – estas quem investiga é a CPI. É o debate político entre oposição e governo. Não é essa a função da PF”, afirmou. Ele admitiu que a entrega do documento à imprensa sugere que tenha havido finalidade política na ação.

Abertura de Inquérito – Na manhã desta segunda-feira, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, j[á havia revelado a fórmula de investigação, definida pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em entrevistas na semana passada. “O foco é o vazamento, o que constitui um crime flagrante”, disse Corrêa.

Nova CPI – O caso também deve movimentar o Congresso nesta semana. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), afirmou que não será obstáculo à instalação de nova CPI sobre o escândalo dos cartões só para senadores. A comissão mista, com maioria governista, bloqueia todas as tentativas de apuração. “Vou ler o requerimento e colaborar para instalar a comissão. Não se deve segurar CPI. Quem tiver de morrer de inanição que morra. E quem tiver o destino fatal que termine de se acabar.” O requerimento deve ser lido nesta terça. Garibaldi disse que ficaria “desmoralizado” se impedisse a abertura da CPI pela oposição. A base aliada ao governo tentava manobrar para impedir a segunda CPI.

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