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Onyx diz que ‘não há condição’ de governo intervir na Vale

Hamilton Mourão, presidente da República em exercício, afirmou na última segunda que o governo estudava afastar a diretoria da empresa durante investigações

Por Da Redação - Atualizado em 29 jan 2019, 15h51 - Publicado em 29 jan 2019, 14h31

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou nesta terça-feira 29 que o governo federal não vai intervir na diretoria da Vale. “Não há condição de haver qualquer grau de intervenção até porque essa não seria uma sinalização desejada ao mercado”, disse.

“Essa posição não permite interferência na gestão propriamente dita. Essa é uma decisão do Conselho de Administração [da empresa]”, disse, após a reunião do Conselho de Governo sobre a tragédia ocorrida há quatro dias. Desde que a Vale foi privatizada, a união é detentora de uma golden share da empresa. De um modo geral, “ações de ouro” dão a seus donos o poder de vetar decisões que influam estrategicamente nas empresas, como mudanças de controle acionário e de atividade-fim. No entanto, segundo Onyx, isso não possibilita que o governo troque a direção da Vale.

O ministro Onyx, ao ser perguntado se o governo apoia a atual diretoria da Vale, afirmou que é necessário aguardar o andamento das investigações. “Não cabe ao governo federal apoiar nenhuma empresa ou diretoria que não seja da sua administração”, disse Onyx.

Hamilton Mourão, presidente da República em exercício, afirmou na última segunda-feira 28, que o gabinete de crise do governo estava estudando a possibilidade de a diretoria da Vale ser afastada de suas funções durante as investigações. “Essa questão da diretoria da Vale está sendo estudada pelo grupo de crise. Vamos aguardar quais são as linhas de atuação que eles estão levantando”, disse Mourão a jornalistas ao deixar o Palácio do Planalto.

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O secretário-geral de privatizações, Salim Mattar, disse que a Vale não pode ser sacrificada pela sociedade e, sim, os responsáveis pela tragédia. “Neste desastre terrível, estou vendo a sociedade sacrificando a companhia, quando deveriam ser sacrificadas as pessoas que tomaram as atitudes”, disse Mattar, durante abertura de conferência do Credit Suisse na capital paulista.

“A companhia não fez mal a ninguém, o CNPJ não fez mal a ninguém”, afirmou o executivo. “Os erros foram cometidos por seres humanos e essas pessoas é que devem pagar, e não a companhia”, disse ele, destacando que é favor das empresas, que são grandes geradoras de emprego.

Dois engenheiros terceirizados da Vale, ligados ao projeto da barragem, foram presos nesta terça-feira 29 em São Paulo. Eles são suspeitos de fraudar laudos técnicos da empresa relacionados a operações na barragem da Mina Córrego do Feijão. As ordens de prisão foram expedidas pela Justiça de Minas Gerais.

Também foram presos outros três funcionários da Vale ligados à operação. Os mandados de prisão temporária têm validade de 30 dias. Outros sete mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em Belo Horizonte e em São Paulo, na sede de uma empresa que prestou serviços de consultoria para a mineradora.

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(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)

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