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Moro suspende por duas semanas ação contra Odebrecht e Santana

Juiz federal tomou decisão baseado nas notícias de que marqueteiro e executivos da empreiteira negociam delações premiadas com a Lava Jato

Por João Pedroso de Campos Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 12 ago 2016, 21h02 - Publicado em 12 ago 2016, 20h44

O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância em Curitiba, suspendeu nesta sexta-feira a ação penal correspondente à 26ª fase da operação, batizada de Xepa, que tem como réus, entre outros, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e o marqueteiro João Santana. Moro justificou sua decisão, contrária à manifestação prévia do Ministério Público Federal (MPF), a partir das informações de que “todos os presos por este processo” estão negociando delações premiadas com a força-tarefa da Lava Jato.

O magistrado escreveu que “há notícia de que alguns acusados, inclusive todos os presos por este processo, estariam negociando alguma espécie de acordo de colaboração, que pode ser determinante para posição que adotarão em seus interrogatórios nesta ação penal. Nesta condição, com concordância das defesas, resolvo suspender Ação Penal por duas semanas”.

O despacho foi dado no termo de audiência de três testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público e ouvidas hoje por Sergio Moro: Vinícius Veiga Borin, Marco Pereira de Sousa Bilinski e Luís Augusto França. O processo, sobre cuja continuação o juiz decidirá após as duas semanas, diz respeito às investigações que escancararam um setor de pagamento de propina instalado na Odebrecht, eufemisticamente denominado “Setor de Operações Estruturadas”.

Revelado pela ex-secretária da Odebrecht Maria Lúcia Tavares, o sistema era de tal maneira organizado que altos executivos da empresa eram os responsáveis por liberar os pagamentos ilícitos – incluindo o herdeiro da empreiteira, Marcelo Odebrecht.

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Delações de Odebrecht e Santana – A edição de VEJA desta semana mostra que as explosivas delações premiadas de Marcelo Odebrecht e João Santana implicam diretamente o presidente interino, Michel Temer (PMDB), e a presidente afastada, Dilma Rousseff (PT).

Segundo os termos do anexo a que VEJA teve acesso, Temer pediu “apoio financeiro” ao empresário, um campeão de contratos com o governo federal e generoso financiador de campanhas eleitorais, durante um jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial do então vice-presidente. Segundo a empreiteira pretende provar, o tal “apoio” foi de 10 milhões de reais em dinheiro vivo ao PMDB, entre agosto e setembro de 2014.

Já a principal revelação de Santana, mago das vitoriosas campanhas petistas em 2006, 2010 e 2014, e sua mulher, Monica Moura, também ré na Lava Jato, é a de que Dilma autorizou ela mesma as operações de caixa dois de sua campanha. Ou seja: não se trata de dizer que a presidente afastada sabia do que acontecia nos bastidores clandestinos de suas finanças eleitorais, mas sim que ela própria comandava o jogo.

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