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Integrantes do governo e políticos se manifestam sobre massacre em Suzano

Discussão sobre posse de armas, uma das bandeiras da campanha de Bolsonaro, se intensificou pelo fato do crime ter sido cometido por atiradores

O porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, afirmou que o massacre de Suzano, que vitimou 8 pessoas e deixou pelo menos 11 feridas, não tem relação direta com os projetos propostos pelo presidente Jair Bolsonaro em seu programa de governo, entre eles a flexibilização da posse de armas. Uma das bandeiras da campanha de Bolsonaro, a discussão sobre o tema se intensificou pelo fato do crime ter sido cometido por atiradores.

Questionado sobre eventuais ações do governo para melhorar a segurança nas escolas após a tragédia, o porta-voz disse que o governo ainda não teve tempo para pensar sobre o assunto.

“Naturalmente nós estamos muito tocados pelo evento, naturalmente nós estamos a imaginar onde nós podemos colaborar para que coisas semelhantes a essa jamais retornem a acontecer no nosso país. Mas no momento, o governo não tem como adiantar e sequer teve tempo de pensar sobre eventuais campanhas ou coisas semelhantes”, disse Rêgo Barros.

Após quase seis horas do ataque, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou. Em sua conta no Twitter, Bolsonaro classificou o caso como “monstruosidade” e “covardia sem tamanho”. “Presto minhas condolências aos familiares das vítimas do desumano atendado [sic] ocorrido hoje na Escola Professor Raul Brasil, em Suzano, São Paulo. Uma monstruosidade e covardia sem tamanho. Que Deus conforte o coração de todos!”.

Enquanto o presidente ainda não havia se manifestado, outros membros do governo vieram a público comentar o caso. O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) manifestou preocupação com o aumento de ocorrências do tipo no Brasil e pregou que “tem que chegar a conclusão do porquê essas coisas estão acontecendo”.

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, anunciou que irá pessoalmente a Suzano acompanhar o caso. Ele também manifestou seu repúdio sobre o ocorrido. Já o titular da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, colocou a pasta à disposição do governador João Doria (PSDB).

O ministro da Cidadania, Osmar Terra, afirmou que os autores do massacre em Suzano (SP) muito provavelmente estavam sob efeito de drogas ou tinham algum transtorno mental. “Os homicidas de Suzano tinham um evidente transtorno mental e/ou estavam sob efeito de drogas (muito provável). Não ha outra explicação para tamanha barbárie!”, escreveu o ministro em sua conta oficial no Twitter.

O massacre também dividiu a opinião de senadores a respeito da política de flexibilização da posse e do porte de armas.

Pelo Twitter, senador Flávio Bolsonaro, um dos filhos do presidente, expressou seus sentimentos aos familiares das vítimas assassinadas e afirmou que o ataque é “mais uma tragédia protagonizada por menor de idade e que atesta o fracasso do malfadado estatuto do desarmamento, ainda em vigor”.

Na mesma rede social, o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), escreveu que é preciso que as autoridades reflitam sobre se a solução de facilitar o acesso a armas “é sensato e oportuno”. Para ele, não é. “A cultura belicista estimula atos violentos e não é solução para nosso grave problema de segurança pública. Devemos sim, cultivar e trabalhar por uma cultura de paz.”

O senador Humberto Costa (PT-PE) escreveu nas redes sociais que a facilitação de acesso a armas gera mais tragédias. “Armar a sociedade não vai nos trazer paz. Somente mais violência. E quem, além de tudo, estimula o uso de armas por crianças e adolescentes comete um ato criminoso contra a infância e a juventude, contra a sociedade.”

Na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado na manhã desta quarta-feira, o senador Major Olimpio (PSL-SP) disse que, se algum funcionário da escola portasse arma de fogo, a tragédia que aconteceu nesta manhã em uma escola de Suzano, na Grande São Paulo, seria minimizada.

“Se tivesse um cidadão com uma arma regular dentro da escola, professor, servente, policial aposentado trabalhando lá, ele poderia ter minimizado o tamanho da tragédia”, discursou. O senador atacou fortemente o Estatuto do Desarmamento e os críticos do decreto assinado por Bolsonaro. Para ele, apesar do decreto presidencial, a legislação continua muito restritiva e peca por omissão.

“Vamos, sem hipocrisia, chorar os mortos, vamos discutir a legislação: onde nós estamos sendo omissos?”, disse o senador, que argumentou pelo direito do cidadão comum ter maior acesso a armas dizendo que “a população botou Bolsonaro como presidente da República para ser um impulsionador de garantias para o cidadão, para que não tenhamos tragédias desta natureza”.

Já o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou nesta quarta-feira, 13, que as armas de fogo fazem tão mal quanto um carro porque dependem da ação humana. Ele rebateu também o argumento de que os homicídios diminuiriam com menos armas nas ruas porque, de acordo com ele, o Estatuto do Desarmamento não reduziu o número de mortes no País.

“A minha crítica é que no Brasil deveria existir também um estudo sobre o uso defensivo da arma de fogo, e não apenas o uso agressivo. E a gente sempre vai na argumentação que a arma é um pedaço de metal. Faz tão mal quanto um carro. Ou seja, para fazer mal, precisa de uma pessoa por trás dela. Armas não matam ninguém, o que matam são pessoas. Pode usar pistolas, facas, pedras”, disse.

Para Eduardo Bolsonaro, as armas não servem apenas para matar, mas também para defender. “Quem é do meio policial sabe, e eu mesmo já passei por uma situação dessas, em que apenas exibindo uma arma de fogo você evita um roubo ou até algo pior, uma morte. Só que isso não é registrado em local nenhum. Agora se eu reajo armado a um assalto e venho a falecer, isso aí entra em estatística, porque é aberto inquérito, vai para dados oficiais”, disse.

(Com Estadão Conteúdo)