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Denunciados pela morte de cinegrafista deixam prisão

Dupla saiu da cadeia mesmo sem tornozeleiras eletrônicas. Caio de Souza e Fábio Raposo estavam presos desde fevereiro do ano passado

Denunciados pela morte do cinegrafista Santiago de Andrade, Caio de Souza e Fábio Raposo, ambos de 23 anos, deixaram nesta sexta-feira o Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio. Eles estavam presos desde fevereiro do ano passado. Agora, a dupla responderá pelo crime em liberdade. Na quarta-feira, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro considerou inadequada a acusação de homicídio triplamente qualificado contra os réus – e determinou que fossem libertados.

Souza e Raposo deveriam ter sido soltos na quinta-feira, mas não havia tornozeleiras eletrônicas para que pudessem ser monitorados – o governo do Estado não pagou a empresa que fornece os equipamentos. A crise por causa das tornozeleiras acabou por derrubar o secretário de Administração Penitenciária do Estado, num reflexo das dificuldades financeiras da pasta. O novo secretário, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, disse que “vai tentar negociar com esse fornecedor para ver se ele nos adianta as tornozeleiras, e tentar diminuir as dívidas da secretaria”.

A decisão de acatar ao recurso da defesa da dupla foi tomada por dois votos a um pelos desembargadores da 8ª Câmara Criminal do tribunal. Os dois jovens respondiam ao processo por terem acendido e lançado o rojão que atingiu a nuca do cinegrafista, enquanto ela gravava imagens do protesto de fevereiro do ano passado – quatro dias depois, ele teve morte cerebral causada por fratura craniana. Com a decisão, o Ministério Público, que denunciou Barbosa e Souza por homicídio triplamente qualificado – motivo torpe, com uso de explosivo e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima -, terá que oferecer uma nova denúncia. Os desembargadores também determinaram que a dupla está proibida de participar de manifestações e deverá comparecer em juízo nas datas fixadas pela Justiça.

(Com Estadão Conteúdo)