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Barragem de Brumadinho era considerada de ‘baixo risco’ pelo governo

Coordenador de projeto que monitora bacias hidrográficas em Minas Gerais vê tragédia anunciada

Por Giovanna Romano Atualizado em 25 jan 2019, 19h17 - Publicado em 25 jan 2019, 18h24

A barragem de Brumadinho (MG), controlada pela Vale, que se rompeu nesta sexta-feira (25) está classificada pela Agência Nacional de Mineração (AMN) como uma estrutura de “baixo risco”. A categoria refere-se à possibilidade de haver algum desastre e rompimento da estrutura.

Por outro lado, segundo informações do Cadastro Anual de Barragens, o dano potencial que seu rompimento poderia causar é classificado como alto. A barragem da Vale está localizada em um complexo de minas e barragens de rejeitos. A Vale detém outras estruturas para armazenamento de materiais no mesmo local.

Coordenador do projeto Manuelzão, vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais e que monitora os impactos ambientais nas bacias hidrográficas do estado, Marcus Polignano afirma que a estrutura da barragem como a que rompeu não é seguro. “A medida que a própria água se infiltra na barragem, ela pode romper com a base”, explica.

“Não houve nem precipitação pluviométrica significativa nesse momento. Nós estamos sem chuva. Isso prova que a insegurança da barragem foi total. Ela rompeu por si mesma, não houve nenhum fenômeno externo para alavancar o processo”, analisa. “Depois de Mariana, não mudamos uma vírgula do processo de mineração e fiscalização. Isso não é um acidente, é uma tragédia anunciada.”

  • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que a barragem VI no Córrego do Feijão tem volume de 1 milhão de metros cúbicos de rejeito de mineração. A título de comparação, o órgão destacou que, no desastre de Mariana, também no estado mineiro, ocorrido em novembro de 2015, o volume era de 50 milhões de metros cúbicos.

    As principais preocupações dos órgãos no momento, entre eles a Defesa Civil, é com resgate de vítimas e proteção de pontos de captação de água. O Corpo de Bombeiros estima que cerca de 200 pessoas estejam desaparecidas. Segundo a mineradora, a barragem armazenava rejeitos de minério de ferro.

    (com Estadão Conteúdo)

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