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TCU investiga ‘propaganda’ de Bolsonaro sobre uso da cloroquina

Representação argumenta que medicamento carece de respaldo científico sobre sua eficácia contra o coronavírus

Por Mariana Zylberkan 22 jul 2020, 15h03

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai investigar se as declarações do presidente Jair Bolsonaro têm estimulado o uso da cloroquina em estágios iniciais da infecção por coronavírus. A representação feita pelo subprocurador Lucas Rocha Furtado foi distribuída e terá como relator o ministro Vital do Rêgo. 

A representação foi feita logo após vídeo divulgado nas redes sociais em que Bolsonaro afirmou ter tido melhoras após o uso de cloroquina dias depois de ter sido diagnosticado com a doença. “Estou tomando aqui a terceira dose de hidroxicloroquina. Estou me sentindo muito bem. Estava mais ou menos no domingo, mal na segunda-feira… Mas hoje, terça, estou muito melhor do que sábado. Então… Com toda certeza está dando certo”, disse o presidente no vídeo.

O subprocurador argumentou que o medicamento não tem respaldo científico que comprove a eficácia no tratamento contra o coronavírus e pode agravar quadros de doenças cardíacas.

O tribunal de contas também investiga se o Laboratório do Exército cometeu superfaturamento ao comprar insumos com preço superior ao praticado pelo mercado ao atender à demanda do presidente para aumentar a produção de cloroquina.

  • De acordo com o Exército, nos últimos três anos, foram produzidos 265.000 comprimidos de cloroquina 150 mg. Em 2020, de março até abril, foram produzidos 1.245.000 comprimidos, ou quase cinco vezes mais do que nos três anos anteriores. Para produzir os medicamentos em 2020, o Laboratório do Exército gastou 84 vezes mais do que o valor dispendido no período entre 2017 a 2019.

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