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Égua Juriti, montada por Bolsonaro, foi levada por grupo pró-vaquejada

‘Os seguranças não deixaram, mas mesmo assim ele montou e saiu do protocolo’, diz Marcony Soares Siqueira, que fez lobby por lei a favor de prática polêmica

Por Mariana Zylberkan - Atualizado em 30 jul 2020, 17h18 - Publicado em 30 jul 2020, 17h07

Um grupo de agropecuaristas aproveitou a passagem do presidente Jair Bolsonaro pela cidade de São Raimundo Nonato (PI), nesta quinta-feira, 30, para pedir apoio para transformar a vaquejada, prática que já chegou a ser proibida no país após denúncias de maus-tratos a animais, em lei.

Montado a cavalo logo na saída do aeroporto onde o presidente desembarcou, o grupo foi surpreendido quando Bolsonaro se aproximou e pediu para dar uma volta com Juriti, a égua de José Marcony Soares Siqueira, 46. “Os seguranças não deixaram, mas mesmo assim ele montou e saiu do protocolo”, conta Siqueira. “Ainda seguraram a rédea para não deixar ele sair do lugar”, continuou.

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A comitiva presidencial desembarcou no Aeroporto Internacional Serra da Capivara de São Raimundo Nonato antes de seguir para a cidade baiana de Campo Alegre de Lurdes, onde inaugurou uma adutora que faz parte da obra de transposição do rio São Francisco. A agenda estava prevista para o início do mês, mas Bolsonaro foi diagnosticado com Covid-19 e a visita precisou ser adiada. A viagem é mais uma da série que visa aproximar o presidente da região do país onde foi mais rejeitado nas últimas eleições. Políticos aliados têm identificado que a aprovação do governo anda aumentando na região desde o início da distribuição do auxílio emergencial.

Além de montar a égua, Bolsonaro usou um chapéu de couro típico de vaqueiro nordestino para ser recebido pela população em São Raimundo Nonato, que causou aglomeração e reagiu a gritos de “mito”. A imagem lembra bastante a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é nordestino de Garanhuns, em suas viagens pela região.

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Dono do Parque de Vaquejada Hipólito Ribeiro Soares, localizado nos arredores da cidade piauiense, Siqueira acredita que a vaquejada só poderá ser legalizada com uma lei assinada por Bolsonaro. O presidente regulamentou a prática em texto sancionado em setembro do ano passado como expressões esportivo-culturais pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro de natureza imaterial. No documento, foi sancionado também o rodeio e o laço. “Não é mais proibido, mas só uma lei vai assegurar de fato”, disse Siqueira.

Eleitor de Bolsonaro, Siqueira conta que fez campanha na cidade onde há maioria petista e, atualmente, tem encontrado mais apoiadores do presidente. “Ele não mexeu no Bolsa Família e ainda deu o auxílio emergencial, as pessoas estão gostando mais dele agora”, disse.

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