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Facebook: vaza fotos íntimas e vasculha conversas com familiares e amigos

Na última semana surgiram mais provas de como a rede social adota táticas imorais para lucrar com dados pessoais. Por que a maioria dos usuários tá nem aí?

Parece que faz tempo. Mas foi neste ano, em março, que se provou que o Facebook repassava dados pessoais de usuários para que a consultoria inglesa Cambridge Analytica os usassem para tentar manipular eleitores para votar em Donald Trump em 2016 e em favor do Brexit, a medida que visa tirar a Inglaterra da União Europeia (pensava-se em se fazer algo parecido nas eleições brasileiras de 2018). Desde então, muito se revelou do jogo sujo da rede social de Mark Zuckerberg, a exemplo do uso de informações privadas para prejudicar rivais, como o Twitter, e a forma como a empresa investigou, por baixo dos panos, o bilionário George Soros, justamente um conhecido crítico do Facebook, no esforço de queimá-lo publicamente. Na última semana, porém, as revelações foram ainda mais assustadoras.

Primeiro, um bug no site (ou é o que justifica o time de Zuckerberg) liberou o acesso a fotos privadas, não publicadas nos perfis (bastava tirar a foto enquanto se estava logado na ferramenta Stories), a variadas empresas que pagam para anunciar ou publicar apps e games no site. Hoje, a bomba foi ainda mais estrondosa. O Facebook, conforme revelou o The New York Times (por meio de documentos vazados e entrevistas com funcionários e ex-funcionários da empresa-rainha do Vale do Silício), privilegiava alguns parceiros, escolhidos à dedo, na coleta de informações dos usuários. Em palavras mais fáceis, quer dizer que, sem você saber, o Facebook pegava mensagens trocadas de forma privada com familiares, amigos, ou amantes, e as concedia a quem lhe ofertasse um melhor acordo; ou ainda permitia que alguns, só uns poucos, soubessem para quem você ligou usando seu celular, com quem se relaciona em sua vida, por onda tem andado na cidade etc.

Dentre as empresas privilegiadas por tais ações, destacam-se, por exemplo, Amazon, Microsoft e Apple. Mas tem também a chinesa Huawei – considerada pelo governo dos EUA como uma ameaça à segurança nacional –, ou ainda a Yandex, o Google da Rússia, que é investigada por fornecer informações ao Kremlin. Todas essas empresas-parceiras deram desculpas, disseram nada saber, “tiraram da reta” etc.

Para muitas pessoas parece haver dificuldade de compreender a gravidade da situação por tudo ocorrer de forma virtual, na internet, e ser explicado por um linguajar não tão fácil de ser compreendido por parte da audiência. Então, valem algumas comparações na tentativa de elucidar melhor o cenário.

Isso tudo seria como se o Facebook tivesse rastreado para onde você vai, durante as 24 horas do dia (seja uma ida ao supermercado, ou uma passada numa casa de prostituição, ou uma visita ao terapeuta, ou uma parada no motel), e exposto esse mapeamento a políticos, executivos, a alguém que pode ser seu vizinho. Ou ainda como se capturasse sua agenda de contatos, suas ligações telefônicas, o conteúdo de suas conversas, sem ter aval judicial para isso.

Assim o Facebook parece querer ser a NSA (a Agência de Segurança Nacional dos EUA), esta denunciada há anos pelo polêmico (herói pra alguns, vilão a outros) Edward Snowden, mas que ao menos jogava nas regras do próprio governo em uma peleja de espiões do tipo manjada por todos. O Facebook chega próximo disso, mas sendo uma companhia privada que visa o interesse de uns poucos bilionários.

Por que a grande maioria dos usuários parece não ligar para esse escândalo todo e jamais cogitaria cobrar medidas reais do Facebook diante de tais revelações?

Com um mundo de memes, de discussões polarizadas calcadas em fake news, chuvas de virais, lives de youtubers etc., o Facebook, junto com outras redes sociais, anestesiou o público. Criou cordeirinhos virtuais e reais no modelo de Admirável Mundo Novo (o clássico de Aldous Huxley). Muitos dos quais parecem não se informar para além das paredes do próprio Facebook. Controlados e anestesiados, não se informam, nem reagem.

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