19/05/2012
às 15:00 \ Tema LivreFotos: conheça 12 oásis, de aparências diferentes, em países diferentes
(Texto sobre oásis publicado na Revista Mundo Estranho, por Rodrigo Ratier)
Um oásis é uma região, em meio ao deserto, com água e vegetação – um dos poucos lugares em que a sobrevivência do homem nas areias escaldantes é possível.
“Em todo o planeta, duas em cada mil pessoas – algo em torno de 15 milhões de habitantes – vivem em oásis. Em alguns deles, há mais de mil moradores por quilômetro quadrado”, diz o geógrafo Roberto Verdum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), especialista em desertificação, para a revista Mundo Estranho.
Os tipos tradicionais de oásis aparecem em áreas escavadas pelo vento, onde o lençol d’água subterrâneo fica próximo do solo. Pelas fendas nas rochas, o líquido dos reservatórios encontra um caminho até a superfície, jorrando em fontes que hidratam homens e animais, fazem surgir uma faixa de palmeiras ao redor das lagoas e irrigam pequenas plantações.
Isso porque as impressionantes ventanias do deserto movem até 260 milhões de toneladas de areia por ano. Quando as tempestades de areia são fortes e constantes, a erosão provocada por elas deixa o lençol freático próximo da superfície. No norte da África, eles aparecem em depressões de até 100 metros abaixo do nível do mar.
Dependendo do tipo de rocha por onde passam os depósitos subterrâneos de água, o líquido pode chegar à superfície contendo sal. Por isso, em boa parte dos oásis a água precisa ser purificada antes de matar a sede. Outra curiosidade dessas fontes no deserto é que em algumas delas as comunidades povoam os lagos com peixes para variar a alimentação.
Contendo poucos minerais, os solos arenosos são pobres em nutrientes. A agricultura só é possível em solos de argila, capazes de reter mais água e material orgânico. Para garantir a colheita, os nômades costumam usar os excrementos de seus rebanhos como adubo.
A vida que se desenvolve nos oásis é matéria-prima para as casas dos povos nômades. Os tuaregues erguem suas zeribas com troncos de árvores e folhas de palmeiras. Já os beduínos preferem as tradicionais tendas, feitas de peles de cabra armadas em estacas
CONFIRA AGORA ALGUNS DO OÁSIS MAIS INTERESSANTES DO MUNDO
Algum ponto do Saara, África
O deserto do Saara é quase inimaginavelmente grande, atingindo uma faixa pouco abaixo do extremo norte da África que vai do Atlântico ao Oceano Índico, lambendo, ainda por cima, trechos do Mar Mediterrâneo.
São 9,4 milhões de quilômetros quadrados de areia avermelhada, montanhas e pedras, uma área maior do que a do Brasil. Mas ali a natureza operou o milagre de haver muitos oásis, como o da foto acima.
Oasis Ubari, Líbia
Os lagos de água salgada do oásis Ubari, no deserto do Saara, a algumas dezenas de quilômetros de Germa, na Líbia, são um ponto de comércio central para muitos moradores, que se reúnem nas bordas para vender artesanatos e outros bens.
Por falta dos necessários cuidados e excesso de utilização, a água dos lagos têm hoje níveis salinos similares aos do Mar Morto, em Israel. Mesmo assim, há verde por ali.
Oásis Garbroun, Líbia
Umm Al-Maa, que significa Mãe de Água, é um dos maiores lagos desse oásis, mas, infelizmente, como acontece em muitos outros oásis, o lençol freático fica a distância tão pequena do solo arenoso que ele está secando.
Oásis Huacachina, Peru
Huacachina é uma cidade-oásis na região do sudoeste de Ica, no Peru. Este oásis, chamado Oásis das Americas, é um resort popular entre as famílias locais e turistas.
Uma lenda diz que a a grande lagoa do oásis foi criada quando um caçador jovem e curioso perturbou o banho de uma princesa. Ela fugiu, deixando a banheira que deu origem à lagoa.
Oásis Turpan, China

O Oásis Turpan, a 8 km de uma cidade destruída por Genghis Khan, é exuberante e seu verde chama a atenção em meio à paisagem pétrea (Foto: EnvironmentalGraffiti.com)
Turpan, ou Tulufan, como também é conhecido, é uma cidade-oásis na região autônoma Uigur de Xinjiang, na China. Fica a apenas 8 quilômetros a oeste das ruínas de Jiaohe, cidade-guarnição de fronteira destruída pelo imperador e guerreiro mongol Genghis Khan (1162-1227).
Oásis Lago Crescente, China
O Lago Crescente, no deserto de Gobi, na China, fica à beira de uma antiga cidade que uma vez viu os comerciantes embarcarem em sua jornada ao longo da Rota da Seda para o Ocidente. Existente há milhares de anos, o lago está secando e perdeu 25 metros de profundidade nos últimos 30 anos, em parte devido ao aumento da população da área, que se serve de suas águas, e ao excesso de uso para irrigação.
Oásis no Deserto de Chebika, Tunísia
O belo Oásis Chebika, na Tunísia, é provavelmente aquele que muitas pessoas conhece sobre sem perceber. É onde foi filmado Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança. É oásis luxuriante, a ponto de ter até uma cachoeira de bom porte.
Oásis no Deserto de Nahal David, Israel
Nahal David, poucos quilômetros a oeste do Mar Morto, é o maior oásis de Israel, com 100 quilômetros quadrados. É um frequentado ponto turístico..
Oásis Tinerhir, Marrocos
Localizado no sopé das Montanhas Atlas, no Marrocos, este oásis deu origem à aldeia de Tinherhir.
Oásis Ghardaia, Argélia

O Oásis Ghardaia: hoje, adjacente a uma cidade de mais de 100 mil habitantes, e Patrimônio Cultural da Humanidade (Foto: EnvironmentalGraffiti.com)
Ghardaia é a principal cidade da região de M’Zab no norte da Argélia. Fundada no século XI junto a um oásis, o que era então uma aldeia no Deserto do Saara foi aos poucos sendo dotada por seus moradores de um engenhoso sistema de captação e distribuição subterrânea de água da chuva e dos rios temporários.
Hoje, o oásis ainda existe — e, adjacente, uma importante cidade de mais de 100 mil habitantes. Ghardaia oferece alguns belos exemplos de arquitetura árabe medieval original e é considerada pela Unesco como parte do Patrimônio Cultural da Humanidade.
Oásis Qatif, Arábia Saudita
Este castelo é parte de um oásis na costa ocidental do Golfo Pérsico, na Arábia Saudita, chamado Qatif. A cidade remonta a 3.500 aC e foi durante muitos anos a principal cidade e porto no Golfo ocidental, o que significava que era um local propício a invasões e aventuras militares ao longo dos tempos.
Isso resultou numa arquitetura que revela uma mistura eclética de estilos. A região possui alguns dos mais importantes sítios arqueológicos do país.
Oásis no deserto de Omã
Este oásis está escondido nas profundezas do deserto de Omã, onde uma série de oásis verdes marca a paisagem. Os oásis nesse canto da Península Arábica são hotspots para estudos botânicos em agro-biodiversidade, porque muitos dos mais antigos estão em rápido declínio. Os pesquisadores querem descobrir por quê.
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Tags: África, Arábia Saudita, China, deserto, fotos, Israel, Líbia, Marrocos, miragem, oásis, Omã, patrimônio da Humanidade, Peru, Saara, Tunísia, Unesco






































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13 Comentários
Angèlìka
-02/06/2013 às 19:16
Pois é! Não conhecia este seu lado. Agora entendo de onde vc tira forças para o seu trabalho. Não é fácil ficar cara a cara com o lado feio da nossa podre política, todos os dias.
Obrigada por sua coragem, parabéns pelo seu talento e zelo por este BRASIL de todos nós.
Uma ótima semana!
Quem agredece sou eu, Angèlika. E uma ótima semana pra você também.
Abração
Rogerio Ruschel
-03/06/2012 às 9:46
Ricardo,
O comentário do Ismael (dia 21/05 ~as 11:18)fornece o link de uma entrevista que fiz com Paolo Saturnini, ex-prefeito de Greve in Chianti e criador do Movimento Cittaslow. Foi a primeira entrevista dele no Brasil e foi publicada aqui em duas revistas e 4 portais, como no link http://www.ruscheleassociados.com.br/2012/05/cittaslow-a-revolucao-urbana-que-respeita-a-alma/
Considero oportuno divulgar o Cittaslow neste momento porque, conforme dados do IBGE, 5.017 municipios brasileiros têm menos de 50.000 habitantes – o foco do Cittaslow; apenas 547 cidades brasileiras têm mais de de 50.000 habitantes, embora concentrem 118,7 milhões de habitantes. Quer dizer: podemos criar centenas de Cidades Lentas e salvar do caos urbano 65,2 milhões de brasileiros que moram nelas, preservando-as de se transformarem em Cidades inadministráveis e problemáticas. E como este é um ano de eleições municipais, divulgando idéias como Cittaslow talvez possamos alertar eleitores para o fato de que existem opções éticas e saudáveis de gestão municipal.
Abs, Rogerio Ruschel
Ismael
-21/05/2012 às 16:29
Setti, obrigado você pela qualidade do seu trabalho. Na verdade sou Arquiteto e os assuntos urbanísticos são fascinantes pois permeiam quase todas as profissões. Abraços.
De novo, sou eu quem agradece, caro Ismael.
Um grande abraço
Ismael
-21/05/2012 às 11:18
Caro Setti, como parte do seu bloco de leitores assíduos e admirador da ampla gama de ofertas culturais, ofereço uma dica, que provavelmente você se não conheçe, achará interessante.
Aí vai o link e um trecho da entrevista do fundador desse movimento, Paolo Saturnini, prefeito da pequena cidade de Greve, na Italia.
http://www.cittaslow.org
No fim de abril em um jantar deliciosamente “lento” de quase 3 horas no restaurante La Piazza Del Vino, em Florença, na Itália, acompanhado da mulher Marisa e rodeado por mais de 3.000 garrafas de vinho, Paolo Saturnini me concedeu esta entrevista exclusiva sobre a gênese e o desenvolvimento do Movimento Cittaslow.
Ruschel:
Como nasceu a proposta de Cittaslow?
Saturnini:
A idéia nasceu em 1999, logo após o Congresso Mundial do Slow Food em Orvieto, na Itália, do qual eu havia participado. Como prefeito estava preocupado para resolver um dilema: como permitir que Greve in Chianti pudesse continuar a receber cada vez mais turistas sem perder a identidade e seus valores culturais..
Ruschel:
Qual a ideia básica do Movimento Cittaslow?
Saturnini:
O objetivo é melhorar a qualidade de vida dos cidadãos a partir de propostas vinculadas ao território, ao meio ambiente, ao protagonismo comunitário e ao uso de novas tecnologias. O inimigo é o estresse, a pressão de valores não naturais, a perda de referências, a pressa. Tudo isto gera má qualidade de vida. ….
Em pequenas comunidades como Greve in Chianti as pessoas estão vinculadas ao território: elas nascem, crescem, moram e trabalham em fazendas, casas, ruas e bairros. Conhecem cada árvore, cada casa. Vivem no território do município, um espaço que deve ser seu e que deve ser fonte de harmonia e prosperidade. E este ambiente deve ser respeitado e valorizado, e não envenenado como é a tendência no que se refere ao meio ambiente. Queremos valorizar o território e não apenas ocupá-lo.
A comunidade e seu território, valores fundamentais na Toscana
Ruschel:
E como esta “valorização do território” se manifesta na prática?
Saturnini:
Para aderir à rede, os municípios candidatos devem ter até 50.000 habitantes e atender a diversos compromissos, entre os quais:
• A política de planejamento deve servir para melhorar o território, e não apenas para ocupá-lo
• Devem implementar uma política ambiental baseada na promoção da recuperação e reciclagem de resíduos, quando não for possível evitá-los
• Devem usar os avanços tecnológicos para melhorar a qualidade ambiental e de áreas urbanas
• Devem promover a produção e utilização de produtos alimentícios obtidos de maneira natural e ambientalmente respeitosos, excluindo os produtos transgênicos
• Devem entender que o fortalecimento da produção local deve estar ligada ao território: agricultores e moradores tradicionais devem preservar suas mais antigas tradições, mesmo quando é incentivado o relacionamento entre consumidores e produtores
• Devem implementar, quando necessário, políticas e serviços públicos de defesa de grupos geralmente excluídos
• Devem promover a hospitalidade respeitosa e a convivência harmoniosa entre os moradores e turistas, sem exploração, mas com valorização
• Devem mobilizar e educar a consciência dos residentes e dos operadores turísticos sobre o que significa viver em uma cidade lenta e suas implicações, com especial atenção para a sensibilização dos jovens, através de planos de formação específicos.
Caro Ismael, obrigado pela dica e pelo link. Excelente assunto!
Esse prefeito deveria ser primeiro-ministro da Itália!
Uma pergunta: você é jornalista?
E obrigado pelas boas palavras a respeito do blog.
Abraços
Abílio Santos
-20/05/2012 às 19:52
Oi Ricardo Setti,
Você tem uma sensibilidade especial,
produz um blog especial,
me proporciona leituras especiais
Belas imagens e belo texto.
Obrigado
Agradeço muito seu comentário tão generoso e simpático, caro Abílio.
Volte sempre ao blog!
ze do matogrosso
-19/05/2012 às 23:01
valeu setti… é sempre um colírio para os olhos, estes posts…transmitem mansidão, paz, intimidade, amor, natureza… Acho que cachoeiras é só por aqui. acho que cada povo tem águas que merecem, e governantes também…bom fim de semana….
Obrigado, Zé. Pra você também!
Abraços
carlos nascimento
-19/05/2012 às 23:00
Ricardo,
Não posso e nem devo deixar sua pergunta sem uma resposta : o futebol é fascinante justamente por ser imprevisível, são onze atletas, contra outros onze, nem sempre os melhores tecnicamente vencem, pois são necessários uma soma de fatores, o Chelsea venceu merecidamente, jogaram com o coração na ponta da chuteira, não apelaram em momento algum, os amantes do futebol técnico podem estar frustados, porém, creio eu, para o bem do futebol a vitória dos “blues ” trará um pouco de humildade aos catalães, a soberba era excessiva.
Só há um esporte em que os superiores tecnicamente jamais perderão, falo do BASQUETE, imagine um Nicks, Lakers, perder para qualquer outro time comum, é impossível, por isso é que nós amamos o futebol, pena que vc sofra pelo “Timão” e eu viva feliz com o todo Glorioso SANTOS.
abração.
Carlos Nascimento.
Franco
-19/05/2012 às 20:01
Sempre associei desertos a vegetação rasteira. Me surpreendeu a presença de árvores nos oásis. A água faz milagres.
NélsonX
-19/05/2012 às 19:28
Acho este teu site, sensacional. Os oásis, são belos. Pena que onde homem se instala começa a deteriorização do meio ambiente.
Muito obrigado pelo elogio à coluna. Fico feliz por meu trabalho estar agradando a leitores como você.
Um grande abraço
Teresinha
-19/05/2012 às 19:27
Em fotos, tudo é tão lindo!
Jeremias-no-deserto
-19/05/2012 às 18:54
Conheci verdadeiros oásis em Israel.Não naturais, como os mostrados aqui em terras árabes, mas fruto do engenho humano e da vontade indômita do povo judeu em transformar em produtiva a terra árida que constitue a sua nação.No norte do país, percorri extensas regiões abundantes de frutas as mais variadas e, para o meu espanto, fiquei sabendo que esse verdadeiro oásis foi criado sobre solo desértico.Um técnico que nos acompanhava, disse-me que se houver interrupção da irrigação por apenas uma semana, a região será coberta de areia e o solo desértico voltará a tomar conta da região. Soube também que há anos uma comissão de técnicos israelenses ofereceu ao governo brasileiro um projeto de irrigação de uma região no nordeste e que nosso governo não se interessou pelo projeto.Dois povos, duas cabeças.
carlos nascimento
-19/05/2012 às 18:36
Ricardo,
Hoje o nome do homem é D I D I E R “DROGBA”.
A Costa do Marfim está de PARABÉNS.
abração
Carlos Nascimento.
Mas o jogo foi chatíssimo, quase sem emoção alguma. A verdadeira final da Champions teria que ter sido Real Madrid x Barcelona, você não acha?
Um abração
Tuco
-19/05/2012 às 16:55
.
No Brasil temos o oásis de Brasília.
Local muito seco, invadido pelo que
de pior existe na espécie humana, com
a peculiaridade de que tudo que não
presta, abunda.
.