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turismo

08/03/2014

às 16:00 \ Vasto Mundo

Os países mais (e os menos) visitados do mundo

Publicado no site de VEJA

OS PAÍSES MAIS (E MENOS) VISITADOS DO MUNDO

A revista americana Time divulgou nesta semana um ranking dos países mais populares do mundo em quantidade de visitantes, tomando como base o número de chegadas internacionais.

Sem surpresa, a França encabeça a lista, com mais de 80 milhões de visitantes anuais.

Os Estados Unidos vêm em seguida, com mais de 62 milhões de chegadas.

Já o Brasil aparece em 44º, com 5,67 milhões.

No fim da lista, na 165º posição, está Tuvalu, um arquipélago da Polinésia formado por atóis e recifes que tem apenas 12 habitantes. Em 2011, apenas 1200 pessoas visitaram essa nação minúscula.

Os números, que reúnem estatísticas disponíveis de 2011 e 2012, são da Organização Mundial de Turismo, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), e do Banco Mundial.

 

FRANÇA

França (Foto: Getty Images)

França (Foto: Getty Images)

Campeoníssimo, o país da Torre Eiffel, da comida extraordinária, dos grandes vinhos e de paisagens variadas e belíssimas, mantém há anos o posto de destino mais popular do mundo. Recebeu 83 milhões de visitantes em 2012, um número superior ao da população do país, de 65 milhões.

 

ESTADOS UNIDOS

Estados Unidos (Foto: Spencer Platt / Getty Images)

Estados Unidos (Foto: Spencer Platt / Getty Images)

A maior potência econômica do mundo é o segundo destino mais popular do mundo, tendo registrado 62,7 milhões de chegadas internacionais em 2012.

 

CHINA

China (Foto: Getty Images)

China (Foto: Getty Images)

A segunda maior potência do mundo registrou 57,7 milhões de chegadas internacionais em 2012. Os números são maiores ainda se considerados as regiões administrativas especiais de Macau e Hong Kong.

 

ESPANHA

Espanha (Foto: Getty Images)

Espanha (Foto: Getty Images)

Com crise e tudo, o multifacetado país ibérico, de cultura variada e riquíssima, é o segundo destino mais popular da Europa e o quarto do mundo, com 57,1 milhões de visitantes.

 

ITÁLIA

Itália (Foto: Getty Images)

Itália (Foto: Getty Images)

O país mediterrâneo de que descendem dezenas de milhões de pessoas nas Américas, repleto de história e cultura, paisagens extroardinárias, povo acolhedor e comida campeã é o terceiro destino europeu mais procurado e o quinto mais popular do mundo, com 46,3 milhões de visitantes.

 

TURQUIA

Turquia (Foto: Getty Images)

Turquia (Foto: Getty Images)

Dividia entre Europa e Ásia, a Turquia é o sexto destino mais procurado do mundo, com 35,7 milhões de visitantes em 2012.

 

ALEMANHA

Alemanha (Foto: Getty Images)

Alemanha (Foto: Getty Images)

Grande exportador de turistas, a Alemanha aparece também como grande destino, sendo o sétimo país mais visitado do mundo, com 30,4 milhões de turistas. Um crescimento de 7% em relação ao ano anterior.

 

GRÃ-BRETANHA

Grã-Bretanha (Foto: Getty Images)

Grã-Bretanha (Foto: Getty Images)

A ilha europeia caiu uma posição no ranking de países mais visitados entre 2011 e 2012. Neste último ano, em oitavo lugar, registrou a chegada de 29,2 milhões de pessoas.

 

RÚSSIA

 

Rússia (Foto: Getty Images)

Rússia (Foto: Getty Images)

Maior país do mundo em extensão territorial, a Federação Russa é também o nono mais visitado, tendo registrado 25,7 milhões de chegadas em 2012.

 

MALÁSIA

Malásia (Foto: Getty Images)

Malásia (Foto: Getty Images)

O país do sudeste asiático é o décimo mais visitado do mundo. Em 2012 registrou 25 milhões de chegadas internacionais.

 

BRASIL

Brasil (Foto: Getty Images)

Brasil (Foto: Getty Images)

País continental com grande potencial turístico, o Brasil registrou 5,67 milhões de chegadas internacionais em 2012, aparecendo na frente dos seus vizinhos sul-americanos, mas bem atrás de outros países das Américas, como os EUA, Canadá e México, que receberam mais de 15 milhões de visitantes naquele ano. Em 2011, foi listado como 44º destino mais popular do mundo, segundo dados do Banco Mundial.

 

ILHAS SALOMÃO

Ilhas Salomão (Foto: Getty Images)

Ilhas Salomão (Foto: Getty Images)

Entre os países com dados estatísticos recentes, as Ilhas Salomão, um arquipélago na Melanésia com meio milhão de habitantes, é um dos destinos menos visitados do mundo, aparecendo na 161º posição. Em 2011, o país recebeu apenas 23 000 visitantes.

 

MOLDOVA

 

Moldova (Foto: Getty Images)

Moldova (Foto: Getty Images)

País mais pobre da Europa e espremido entre Romênia e a Ucrânia – com parte do território ocupado por tropas russas – essa ex-república soviética ocupa a 162º posição na lista de países mais visitados do mundo. Em 2011, só 11 000 visitantes se aventuraram no país.

 

KIRIBATI

Kiribati (Foto: Getty Images)

Kiribati (Foto: Getty Images)

Arquipélago do Oceano Pacífico com pouco mais de 100 000 habitantes, Kiribati ocupou a 163º posição entre os países mais visitados do mundo em 2011. Só houve registro de 5 300 chegadas internacionais no país.

 

ILHAS MARSHALL

Ilhas Marshall (Foto: Getty Images)

Ilhas Marshall (Foto: Getty Images)

Antiga colônia dos Estados Unidos, que serviu de área de testes para bombas nucleares nos anos 40 e 50, esse arquipélago da Micronésia conta com apenas 68 000 habitantes. Em 2011, somente 5 000 visitantes chegaram ao país, que ocupa a 164º lugar no ranking de destinos mais populares.

 

TUVALU

Tuvalu (Foto: Getty Images)

Tuvalu (Foto: Getty Images)

Belo arquipélago da Polinésia formado por atóis e recifes que tem apenas mil 10 habitantes e que corre o risco de desaparecer por causa das mudanças climáticas, Tuvalu ocupa o último lugar (165º) entre as nações com mais chegadas registradas em 2011, ano que conta com dados mais completos. Nesse ano, apenas 1 200 pessoas se deslocaram até essa minúscula nação.

 

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04/03/2014

às 20:00 \ Política & Cia

Custo total da Copa pode chegar a 30 bilhões de reais

Obras do entorno do Beira-Rio, em Porto Alegre: um dos muitos pontos de preocupação com a Copa (Foro: Jornal do Comércio)

Obras do entorno do Beira-Rio, em Porto Alegre: um dos muitos pontos de preocupação com a Copa (Foro: Jornal do Comércio)

Não entraram no cálculo total de 26 bi até agora despesas como as com as estruturas temporárias, exigência da Fifa para todas as arenas. Em média, são 40 milhões de reais por estádio

Do site de VEJA

Vinte e seis bilhões de reais. Esse é o custo da Copa de 2014, de acordo com a última atualização da Matriz de Responsabilidades, documento que reúne todas as intervenções relacionadas com o Mundial a cargo do governo federal, dos governos estaduais e cidades-sede.

A lista tem de obras em estádios a projetos na área de turismo, passando por telecomunicações, portos e segurança, entre outros.

Esse valor, no entanto, está defasado: há estimativas de que, no final, a conta baterá nos 30 bilhões de reais.

Isso porque a última atualização da Matriz foi feita em setembro do ano passado. Desde então, houve apenas mais uma intervenção no documento, basicamente para a exclusão de obras que não ficarão prontas até a Copa.

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Assim, não entraram no cálculo total despesas como as com as estruturas temporárias, exigência da FIFA para todas as arenas do Mundial. Em média, o custo vai ser 40 milhões de reais por estádio, a serem gastos com itens diversos, entre eles aluguel de tendas, aparelhos de raio-x e implantação do sistema de tecnologia de informação. Essa é uma das principais pendências na preparação para a Copa.

A 100 dias da abertura, a maior parte das cidades ainda não viabilizou a aquisição de materiais e equipamentos que compõem o aparato das temporárias. Pior: em alguns casos, ainda há discussão para definir quem vai pagar a conta. É o caso de São Paulo, palco da abertura.

Por contrato, as despesas seriam bancadas pelo Corinthians. O clube, porém, quer ajuda de parceiros privados ou do poder público (que já ajudou a conseguir patrocinadores para as arquibancadas provisórias). O problema é que o tempo está passando.

No caso do Itaquerão e de várias outras arenas, o atraso pode comprometer a qualidade de alguns sistemas e equipamentos que serão instalados, além de tornar os serviços mais caros. Há obras complexas por fazer, mas até intervenções simples estão atrasadas.

É o caso das obras no entorno do Beira-Rio, em Porto Alegre. Basicamente, é preciso fazer a pavimentação das vias, pequenas, mas ainda não foi feita sequer a licitação – o primeiro edital não teve interessados.

10/09/2013

às 18:20 \ Tema Livre

EM VÍDEO HD e time-lapse, no Rio de Janeiro até as favelas ficaram lindas — parecendo obras de arte coloridas. Imperdível

Vista extasiante do Rio de Janeiro

Vista extasiante do Rio de Janeiro

Dos 5,67 milhões de estrangeiros que visitaram o Brasil em 2012, 29,6% foram ao Rio de Janeiro, o destino campeão entre as cidades brasileiras — dez pontos à frente de Florianópolis.

Naturalmente, é porque o Rio é o Rio, a Cidade Maravilhosa, e com isso se disse tudo. Agora, estando com destaque no calendário da Copa do Mundo no ano que vem e sendo sede das Olimpíadas de 2016, os olhos do mundo estão voltados para a cidade que, a despeito dos problemas que todos conhecemos, continua encantadora.

Pensando nisso, um grande fabricante de eletrônicos encomendou ao cineasta de Los Angeles Joe Capra, da empresa Scientifantastic, imagens da cidade em time-lapse e HD. O vídeo que vocês verão, espetacular, é apenas o que sobrou das imagens entregues ao cliente.

O impressionado Capra aproveitou para incluir algumas cenas das Cataratas do Iguaçu, na fronteira do Paraná com a província argentina de Missiones — que, naturalmente, nada têm a ver com o Rio. Mas esse samba do crioulo doido geográfico funcionou e tornou o vídeo ainda mais belo.

02/09/2013

às 15:21 \ Vasto Mundo

Explosão recorde de turismo dá um respiro à Espanha em crise econômica

Praias lotadas em Palma de Mallorca, nas paradisíacas Ilhas Baleares: 145 mil turistas por dia na Espanha (Foto: El Mundo)

As expectativas da Exceltur, o lobby que agrupa as empresas espanholas do setor de turismo, eram otimistas: a Espanha deveria receber 726 mil turistas mais do que no ano passado até o final da temporada de verão (31 de agosto). O número foi superado de longe: ainda sem contar agosto, o mês mais forte, o mês de férias por excelência dos europeus, visitaram o país quase 2 milhões de turistas mais do que em 2012, atingindo um número recorde de 30,2 milhões de viajantes em oito meses.

As previsões da Exceltur levavam em conta que o movimento no verão de países como a Espanha, Portugal, a França, a Itália e a Grécia seriam engordado pela fuga de visitantes do Egito sob os efeitos do golpe militar e da violência contra manifestantes, da Turquia em agitação política e da Tunísia em contínua instabilidade — três destinos no Mediterrâneo que absorvem milhões de europeus.

A Espanha teve seu melhor mês de junho de todos os tempos, com 6,3 milhões de turistas.

Como sempre ocorreu, o Reino Unido e a Alemanha continuam sendo os principais mercados para o turismo espanhol, somando mais de 40% dos viajantes. O maior de visitantes por região, porém, veio dos países nórdicos, cuja onda turística aumentou 26% em relação ao ano passado — e há 14 anos seguidos cresce ano a ano o fluxo vindo de Suécia, Dinamarca e Noruega.

O turismo é responsável por 10% do PIB espanhol e, no quadro da brutal crise por que passa a Espanha desde 2008, mantém-se como o único setor da economia que continua pujante. Em 2012, o país recebeu 57,9 milhões de turistas, 3% mais do que em 2011, com média de gastos per capita próximo a 1.000 euros — o que significou a entrada de algo como 56 bilhões de euros (pouco mais de 176 bilhões de reais) na economia.

A Espanha é o terceiro país mais visitado do mundo, em empate com a China e atrás da campeã França (83 milhões de turistas em 2012) e dos Estados Unidos (67 milhões).

23/08/2013

às 16:45 \ Política & Cia

CVC quer se tornar a primeira empresa brasileira do setor de turismo a abrir o capital

Luiz Eduardo Falco: estreia do setor de turismo na bolsa de valores (Foto: Julio Bittencourt / Valor)

Luiz Eduardo Falco: estreia do setor de turismo na bolsa de valores (Foto: Julio Bittencourt / Valor)

Nota de Otávio Cabral, publicada em edição impressa de VEJA

MOCHILA DE VALORES

Maior operadora de turismo do país, a CVC decidiu fazer sua oferta inicial de ações na Bolsa de Valores ainda neste ano.

Apesar do mau humor do mercado, a estratégia da empresa presidida por Luiz Eduardo Falco é aumentar o faturamento com a abertura de novas lojas e a criação de pacotes de fim de semana antes de partir para o IPO.

O setor de turismo, que movimenta 4% do PIB, ainda não tem nenhuma empresa de capital aberto.

Será também o primeiro grande teste no mercado de ações brasileiro do fundo americano Carlyle, dono de 60% da operadora.

22/06/2013

às 16:00 \ Tema Livre

VIDA BOA: Castelos, mansões e palacetes onde viveram famílias nobres viram hotéis de luxo. Até o palácio do sultão otomano

Casa do Czar, em São Petersburgo, na Rússia

Casa do Czar, em São Petersburgo, na Rússia -- agora, Hotel Four Seasons

Reportagem de Rachel Verano, publicada em edição impressa de VEJA Luxo

COMO UM REI

Castelos e palacetes que serviram de residência a famílias nobres abrem, em forma de hotéis, para plebeus materializarem nas férias os sonhos dignos de contos de fadas

 

NA CASA DO CZAR – São Petersburgo, na Rússia

Novíssimo Four Seasons, que está abrindo agora: restauro do palacete que serviu de residência a um dos integrantes da família imperial russa

Novíssimo Four Seasons, que está abrindo agora: restauro do palacete que serviu de residência a um dos integrantes da família imperial russa

O coração de São Petersburgo, a capital cultural da Rússia, a cerca de 700 quilômetros de Moscou, narra um importante trecho da história imperial do país. Estão concentradas na mesma região joias dos séculos XVIII e XIX, como o Palácio de Inverno, que abriga o Museu Hermitage (dono de um dos mais ricos acervos de arte ocidental do mundo), e a Catedral de Santo Isaac, o grande postal da cidade.

Em maio, outro edifício significativo do período abriu ao público suas portas, flanqueadas por duas estátuas seculares de mármore em forma de leão. A diferença é que agora é possível passar a noite dentro da nova atração. Trata-se do palacete erguido para servir de residência ao príncipe Alexey Lobanov-Rostovsky, escritor, colecionador de arte e figura próxima ao czar Alexander I, então líder do país.

Quarto do Four Seasons

Quarto do Four Seasons

O nobre Rostovsky contratou Auguste de Montferrand, o mesmo arquiteto francês que desenhava as primeiras linhas daquela que viria a ser a Catedral de Santo Isaac, logo em frente, para projetar o seu edifício de apartamentos. Mais tarde, entre 1827 e 1917, o palacete abrigou o Ministério da Guerra e, na era soviética, funcionou como albergue e escola.

Ícone da arquitetura clássica do fim do século XIX, o Lion Palace acaba de passar por uma longa reforma que trouxe de volta seus tempos de glória. O projeto de restauração seguiu à risca o que previam os desenhos de Montferrand – assim, detalhes originais vieram à tona, caso da grande escadaria de mármore, que havia passado algumas décadas ladeada por madeira em substituição à pedra.

Recém-inaugurado, o hotel, de 177 quartos, recriou a atmosfera da época em seu interior. Na decoração, predominam os tons pastel, antiguidades e objetos raros, caso da banheira da suíte presidencial, esculpida a mão em um monólito.

Tons pasteis dão uma atmosfera de época

Tons pasteis dão uma atmosfera de época

O salão de chá contará com um belo jardim de inverno com espécies raras de palmeira, hera e filodendro. O spa ocupará quatro andares. E por todo canto reinarão mordomias mil: de lençóis da grife italiana Rivolta Carmignani e amenities Hermès e Bulgari a pisos aquecidos na varanda das suítes. Para viver dias dignos dos grandes czares.

Four Seasons Hotel Lion Palace. I Voznesensky Prospekt, 1 (416) 441-4373, fourseasons.com/stpetersburg. Diárias a partir de 420 dólares

LAZER DE LORDE – Ballantrae, na Escócia

Castelo que pertenceu ao conde de Inchcape: modo de vida aristocrático do século XIX.

Castelo que pertenceu ao conde de Inchcape: modo de vida aristocrático do século XIX.

Nos idos de 1800, cavalgar era um dos meios de locomoção mais apreciados pelos nobres escoceses, assim como a caça e a falcoaria eram suas predileções nas horas vagas. Completamente restaurado ao longo de seis anos na década de 90, o antigo castelo vitoriano que pertenceu a James Hunter, lorde de Ayrshire, e posteriormente a James Lyle Mackay, primeiro conde de Inchcape, tornou possível os mesmos prazeres nos dias de hoje, ao lado de atividades, digamos, mais modernas (como o golfe e o tênis).

Erguida em 1870 no alto de um penhasco no sudoeste escocês, com vista para o mar, a propriedade de torres dignas de contos de fadas está recheada de antiguidades e cercada por 150 000 metros quadrados de belos jardins, que incluem uma rara coleção de rododendros.

Uma das suítes vitorianas

Uma das suítes vitorianas

É possível reservar o quarto que pertenceu ao conde, onde a sua história é recontada através de móveis originais – como a cama com seu próprio lustre de cristal – e entre papéis de parede Cole and Sons, tecidos Nina Campbell e amenities Penhaligon’s.

Glenapp Castle. Ballantrae, Ayrshire KA26 0NZ, 44 (1) 465 83-1212, glenappcastle.com. Diárias a partir de 430 euros

NAS SUÍTES DO SULTÃO – Istambul, na Turquia

Vista do Çiragan Palace, todo de mármore: às margens do Estreito de Bósforo

Vista do Çiragan Palace, todo de mármore: às margens do Estreito de Bósforo

A localização escolhida pelo sultão Abdulaziz, soberano do Império Otomano no fim do século XIX, para erguer sua residência foi estratégica: as margens europeias do Estreito de Bósforo (o canal que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara), com o continente asiático logo em frente.

O palacete, que custou, na época, o equivalente a 2,5 milhões de moedas de ouro, para satisfazer o califado nos mínimos detalhes, foi todo construído de mármore e cercado por portões colossais e belos jardins. Com a declaração da República nos anos 20, a mansão foi abandonada e, décadas mais tarde, reabriu como hotel.

Ali, as suítes estão entre as maiores da Europa e chegam a ter uma área de 458 metros quadrados. Recheado de obras de arte, móveis do século XIX e tradicionais hammams esculpidos a mão, o Çiragan Palace trouxe todas as mordomias dos velhos tempos para os dias de hoje – ainda que o complexo do hotel inclua um moderno edifício e uma piscina com vista infinita logo ao lado.

Çiraan Palace. Çiraan Caddesi, 32, 90 (212) 3264-646, kempinski.com/istanbul. Diárias a partir de 1 600 euros no palácio

RETIRO DA DINASTIA MING – Pequim, na China

Um dos endereços do Aman Resorts: complexo de palacetes em 290 hectares isolados por bosques de bambu

Um dos endereços do Aman Resorts: complexo de palacetes em 290 hectares isolados por bosques de bambu

No século XVIII, o imperador Qianlong mandou construir um complexo de palacetes numa área de 290 hectares a nordeste de Pequim, onde pudessem passar o verão. Às margens do Lago de Kunming e em meio a bosques de bambu, o clima era mais ameno e a vida mais tranquila (o agito se concentrava nos arredores da Cidade Proibida, a cerca de 15 quilômetros de distância).

No século seguinte, o Palácio de Verão, como ficou conhecido, foi a casa de uma das mulheres mais poderosas que a China já viu: Cixi, a imperatriz viúva. Os aposentos onde seus hóspedes eram acomodados enquanto aguardavam por audiências importantes foram transformados, nos últimos anos, em um dos mais exclusivos hotéis do país.

Uma das 33 suítes do Aman

Uma das 33 suítes do Aman

Ali, o restaurante, com móveis inspirados na dinastia Ming, serve receitas dos tempos do império e a biblioteca tem no acervo livros raros sobre o complexo, declarado patrimônio da humanidade em 1998. O Cigar Room está debruçado sobre um lago de flores de lótus, e o spa inclui tratamentos especializados na tradicional medicina chinesa.

Detalhe do banheiro

Detalhe do banheiro

Mas o melhor é que os seletos hóspedes dos dezoito quartos e 33 suítes têm acesso direto, por uma porta secreta, aos quintais do que é hoje uma das principais atrações turísticas da capital chinesa.

Aman at Summer Palace. 1 Gongmenqian Street, 86 (10) 5987-9999, amanresorts.com/amanatsummerpalace. Diárias a partir de 850 dólares

OCIDENTE À INDIANA – Hyderabad, na Índia

Palácio Falaknuma, de 1894: tentativa de reproduzir a pompa ocidental

Palácio Falaknuma, de 1894: tentativa de reproduzir a pompa ocidental

No período de dominação inglesa, entre meados do século XVIII e o XIX, nobres orientais e ocidentais não pouparam esforços para levar à Índia a pompa dos mais sofisticados salões europeus. O Palácio Falaknuma, feito de mármore italiano sobre uma colina 600 metros em Hyderabad, a capital da região de Andhra Pradesh, é um dos mais impressionantes exemplares.

Residência do nizam (equivalente a príncipe) Asaf Jah VI Mir Mahboob Ali Khan Siddiq, à época um dos homens mais ricos do planeta, a construção do arquiteto britânico William Mard Marret em forma de escorpião demorou uma década para ser concluída, em 1894. Antes de ela virar hotel, em 2010, descendentes da família real acompanharam as reformas para garantir que tudo saísse exatamente como era.

Escadaria de mármore italiano

Escadaria de mármore italiano

Hoje, os hóspedes podem circular pelos salões de festa com afrescos nas paredes e lustres de cristal veneziano e jantar na maior mesa do mundo, encomendada para os banquetes nababescos da corte, para exatos 101 comensais.

Taj Falaknuma Palace. Engine Bowli, 91 (40) 6629-8585, tajhotels.com. Diárias a partir de 360 dólares

 

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20/04/2013

às 17:00 \ Tema Livre

VÍDEO INTRIGANTE: a massagem feita por elefantes atrai turistas à Tailândia

Relaxa, esse animal tem só 3 toneladas!

Relaxa, esse animal tem só 3 toneladas!

Apesar de suas 3 toneladas, os magníficos elefantes indianos conseguem ser delicados, como se pode ver no vídeo abaixo. A massagem paquidérmica é cada vez mais uma modalidade que atrai os turistas que visitam a Tailândia, mais especificamente a cidade de Chiang Mai. (Os elefantes indianos são diferentes dos africanos sobretudo no tamanho das orelhas, muito menores do que as de seus primos de países como a África do Sul, a Tanzânia ou o Quênia).

Em Chiang Mai, além dos mais de 300 templos budistas e os muito parques floridos, a massagem feita por elefantes — que juram ser relaxante — é um dos chamarizes para os 100 mil visitantes anuais.

Quem oferece esse exótico serviço é o Maesa Elephant Camp, um parque conhecido por dispor ainda de várias atividades envolvendo elefantes, como pintura, futebol e jogo de dardos.

A massagem — ufff… — é feita com a supervisão de um treinador.

Confiram no vídeo:

09/03/2013

às 15:00 \ Tema Livre

VÍDEO ELETRIZANTE: as razões para escolher Barcelona, uma das melhores cidades do mundo para se viver

Pode escolher uma razão para conhecer Barcelona

É difícil escolher uma entre as muitas razões para conhecer Barcelona

Em vídeo eletrizante, vejam um pouco das cores, dos sabores, dos ritmos, da beleza urbana e da diversidade de Barcelona, uma cidade única: como já escrevi, duas vezes milenar, mas moderníssima; relativamente pequena (1,6 milhão de habitantes), mas cosmopolita em alto grau; com um certo toque parisiense — e à beira do Mediterrâneo.

É difícil escolher em que terreno Barcelona é mais rica: qualidade geral de vida? Arquitetura? Cultura? Lazer? Negócios? Gastronomia? Futebol?…

O vídeo Algumas razões para escolher Barcelona (Some reasons to choose Barcelona) recebeu menção especial na categoria de Turismo Comercial no Festival de Filme Turístico de Riga, na Letônia. 

A trilha sonora é da banda barcelonesa Fufü-Ai, que compõe em espanhol, inglês e francês, e às vezes mistura tudo – é a mesma canção que vocês vão reconhecer porque foi usada por Woody Allen em seu delicioso filme Vicky Cristina Barcelona.

 

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27/08/2012

às 17:30 \ Vasto Mundo

Espanha: recessão leva 8 de cada 10 espanhóis a mudar seus hábitos de consumo

JUVENTUDE NA RUA -- Frequentar bares e restaurantes, só em ocasiões especiais. Para Laura González e Joaquin Rodrígues (na foto, a segunda pessoa à esq. e no centro), o botellón, tradicional costume espanhol de se reunir com os amigos nas ruas para conversar e beber, popular entre os mais jovens, tornou-se o principal entretenimento. Outro ponto de encontro cada vez mais frequente é a casa dos amigos. Em tempo de crise severa, a ordem é economizar. "Ninguém que eu conheça acha que a crise vai acabar em pouco tempo. Na verdade, a única certeza é que o pior ainda está por vir", diz Joaquin, 39 anos, técnico de som, ao lado de seus amigos no boêmio bairro La Latina, em Madri  (Foto: Emiliano Capozoli / VEJA)

JUVENTUDE NA RUA -- Frequentar bares e restaurantes, só em ocasiões muito especiais. Para Laura González e Joaquín Rodrígues (na foto, a segunda pessoa à esq. e no centro), o "botellón", tradicional costume espanhol de se reunir com os amigos nas ruas para conversar e beber, popular entre os mais jovens -- que não raro se transforma em baderna e motivo de intervenção da polícia --, tornou-se o principal entretenimento. Outro ponto de encontro cada vez mais frequente é a casa dos amigos. Em tempo de crise severa, a ordem é economizar. "Ninguém que eu conheça acha que a crise vai acabar em pouco tempo. Na verdade, a única certeza é que o pior ainda está por vir", diz Joaquín, 39 anos, técnico de som, ao lado de seus amigos no boêmio bairro La Latina, em Madri (Foto: Emiliano Capozoli / VEJA)

 

Reportagem de Marcelo Sakate, de Madri, publicada em edição impressa de VEJA

 

O DIA A DIA DE UMA RECESSÃO

Os espanhóis se ajustam à realidade de cinco anos de declínio econômico cortando despesas e substituindo os bares pelas ruas

Em uma noite abafada de verão, a Praça Puerta de Moros, no bairro La Latina, em Madri, está tomada por grupos de amigos. Com latinhas de cerveja e pacotes de batatas fritas nas mãos, eles cultivam o hábito espanhol do botellón. A crise econômica mais grave em décadas, no entanto, fez do hábito social de encontrar os colegas na rua a principal forma de entretenimento dos jovens espanhóis. “Não me lembro da última vez em que nos vimos em um bar. Para economizar, só nos encontramos nas praças”, conta a atriz Laura González, 34 anos, ao lado de quatro amigos.

[O botellón volta e meia se transforma em baderna, causando brigas e levando moradores a chamar a polícia. Em algumas cidades, é alvo de atenção especial das autoridades.]

É um padrão de comportamento que se alastra. Oito em cada dez espanhóis dizem ter mudado seus hábitos de consumo por causa da recessão e do aumento do desemprego, que atinge um em cada quatro trabalhadores. A rotineira ida ao supermercado é outro exemplo.

As marcas próprias das redes ganharam apelo graças aos preços baixos, em detrimento de mercadorias de fabricantes tradicionais. Já representam quase a metade da cesta de compras.

FUTURO NO BRASIL -- Recém-formada em artes dramáticas, Marina Lledó, 22 anos, planeja viver seus próximos anos fora da Espanha. "Muitos dos meus amigos já se mudaram para outros países." Ela trabalha meio período em uma loja de instrumentos musicais e guarda dinheiro para se mudar no ano que vem para São Paulo, onde pretende fazer carreira como cantora e pianista. Conta com as dicas de seu pai, um músico espanhol que viveu no Brasil nos anos 70 e 80. "Meus pais me apoiam porque sabem que, além da experiência de vida no exterior, terei mais oportunidades profissionais." (Foto: Emiliano Capozoli / VEJA)

FUTURO NO BRASIL -- Recém-formada em artes dramáticas, Marina Lledó, 22 anos, planeja viver seus próximos anos fora da Espanha. "Muitos dos meus amigos já se mudaram para outros países." Ela trabalha meio período em uma loja de instrumentos musicais e guarda dinheiro para se mudar no ano que vem para São Paulo, onde pretende fazer carreira como cantora e pianista. Conta com as dicas de seu pai, um músico espanhol que viveu no Brasil nos anos 70 e 80. "Meus pais me apoiam porque sabem que, além da experiência de vida no exterior, terei mais oportunidades profissionais." (Foto: Emiliano Capozoli / VEJA)

A economia encolhe há 9 meses. Desaba a venda de automóveis

É um comportamento similar ao dos brasileiros no passado, em tempos de colapso econômico. Produtos de valor mais elevado, cujas vendas dependem da confiança dos consumidores no futuro do país, sofrem mais. No ano passado, foram vendidos na Espanha 787 000 carros novos, a metade da quantidade de 2006.

A economia espanhola encolhe há nove meses. Números divulgados na semana passada mostram que boa parte das maiores potências europeias voltou a entrar em recessão, ao acumular dois trimestres consecutivos de queda na atividade. O PIB da Espanha deverá encerrar este ano com o mesmo tamanho que tinha em 2007 – ou seja, terá acumulado meia década perdida. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

28/07/2012

às 19:00 \ Vasto Mundo

Entrevista: Conheça o candidato da oposição na Venezuela que quer derrotar o caudilho Chávez na eleição de outubro

"As pessoas estão cansadas de sentir medo e ter de falar o que não pensam apenas para agradar ao governo" (Foto: Eduardo Mayorca / AFP)

"As pessoas estão cansadas de sentir medo e ter de falar o que não pensam apenas para agradar ao governo" (Foto: Eduardo Mayorca / AFP)

 

(Entrevista publicada na edição de impressa de VEJA e realizada por Duda Teixeira em Maturín, no leste da Venezuela)

 

Henrique Capriles Radonski

O Davi contra o Golias

O candidato da oposição à Presidência da Venezuela conta como é enfrentar a máquina eleitoral de Chávez e explica por que não é um bom momento para o país entrar no Mercosul

Em contraste com a monotonia vermelha dos comícios em apoio ao presidente venezuelano Hugo Chávez, as passeatas do candidato único da oposição às eleições de outubro, Henrique Capriles Radonski, são uma profusão de cores. Elas representam os mais de vinte partidos que apoiam seu nome para presidente. Nos eventos de Capriles, conhecido como “o Magro”, também não há ônibus fretados pelo governo ou bonés e bandeiras com o logotipo da petrolífera estatal PDVSA, alguns dos sinais óbvios do escandaloso uso de dinheiro público a serviço da reeleição de Chávez.

Capriles, advogado, governador do estado de Miranda, tem quase três meses para reverter o favoritismo de Chávez. Sua esperança é tornar-se conhecido pelos 23% de eleitores indecisos. Para apoiá-lo, é preciso coragem. Em um único dia de campanha testemunhado por VEJA, a caravana de Capriles furou três barricadas de chavistas que batiam nos carros e faziam ameaças aos passageiros. Dentro de um ônibus na cidade de Maturín, no leste da Venezuela, e com os braços arranhados pelas mulheres (ele é solteiro e acaba de fazer 40 anos), Capriles concedeu a seguinte entrevista:

 

Os governos do Brasil e da Argentina aproveitaram a suspensão do Paraguai, no mês passado, para acelerar a adesão da Venezuela ao Mercosul. Apesar do subterfúgio usado para aprová-la, a entrada no bloco será boa para os venezuelanos?

Depende do cenário. Se o modelo econômico vigente em nosso país for mantido, não teremos nada a ganhar. As expropriações de empresas e de fazendas, os confiscos, os blecautes de energia, as estradas malconservadas e os assaltos destruíram o aparato produtivo em todas as áreas. A Venezuela hoje não exporta nada além de petróleo, e até esse setor está em declínio, por causa da falta de investimentos. A produção, que já esteve acima de 3 milhões de barris, caiu para 2,4 milhões de barris por dia.

A Venezuela se tornou essencialmente um país importador. Há filas de barcos ao longo do litoral esperando para desembarcar contêineres cheios de produtos vindos do exterior. Depois, voltam todos vazios para os países de origem. O ingresso no bloco regional só será positivo se mudarmos o modelo econômico, valorizando as exportações.

A Venezuela é uma terra bendita, que pode diversificar a economia, desenvolvendo o potencial agrícola, o turismo, a indústria e a mineração de ouro e de ferro. Os outros integrantes do Mercosul poderiam comprar nossos produtos com tarifas de importação reduzidas, o que beneficiaria os trabalhadores venezuelanos. É nesse cenário que eu aposto. Não quero que a Venezuela seja uma economia de portos.

 

Marcha em Caracas, em 10 de junho de 2012, do movimento de Henrique Capriles Radonski em oposição ao governo Chávez (Foto: David Fernández / EFE)

Caracas, 10 de junho passado: marcha dos partidários de Henrique Capriles Radonski, o candidato da oposição unida que vai enfrentar Hugo Chávez na eleição presidencial de outubro próximo (Foto: David Fernández / EFE)

 

Se não há vantagens comerciais, por que Chávez se empenhou tanto para o país entrar no Mercosul?

Seu interesse é puramente político. O presidente quer estender sua influência. Ele não está preocupado com o desenvolvimento da Venezuela. Um de seus argumentos foi que os produtos importados ficarão mais baratos. Não há nenhuma preocupação com a produção nacional. Vivemos um momento de bonança petrolífera, com o preço do barril de petróleo cotado a preços altíssimos. Quando se olha ao redor, porém, parece que estamos exatamente como há quarenta anos. As estradas não têm asfalto e os hospitais estão em ruínas. Na última década de governo Chávez, a Venezuela perdeu uma gigantesca oportunidade de se desenvolver.

 

No início da campanha, o senhor dizia inspirar-se em Lula. Recentemente, ele declarou apoio a Hugo Chávez. Foi uma má ideia associar-se à imagem do ex-presidente brasileiro?

Isso não importa. Não sou do tipo que personaliza as coisas. Lula foi o capitão da equipe, mas o time é o Brasil. O capitão mudou, e o Brasil continuou produzindo. Desde o Plano Real, os brasileiros entenderam que tanto o estado como a iniciativa privada têm um papel a cumprir. Quando esses dois trabalham juntos, os mais pobres se beneficiam. No fim, a saída da pobreza é ter um emprego que permita às pessoas se superar. O Brasil compreendeu isso e mantém um modelo de sucesso.

 

Muitos eleitores de Chávez são benefi­ciários das misiones, como são chamados os programas sociais do governo. Elas reduziram a pobreza na Venezuela?

Os cidadãos só saem da pobreza quando conquistam condições de vida dignas. Não basta ter recursos para comprar comida. Sair da pobreza é ter um emprego estável, ter oportunidades para que os filhos estudem em uma escola de qualidade, morar em uma casa em bom estado e poder ser atendido decentemente em um hospital.

O governo criou programas sociais que ajudam, mas não resolvem o problema. Os recursos do estado são insuficientes para que todos possam desfrutar do bem-estar a que aspiram. É preciso contar com a ajuda da iniciativa privada, e isso não aconteceu na Venezuela.

Como governador do estado de Miranda, eu também criei programas sociais. Eles têm um objetivo final, pois apontam para uma porta de saída. Quem vive na pobreza deve ter um sustento digno até que se capacite para encontrar um emprego formal. Ocorre que, na Venezuela, não se criaram novos empregos. Eles foram reduzidos. O único empregador que aumentou sua folha de pagamento foi o estado, e ainda assim são postos de trabalho mal remunerados.

 

O senhor faria alguma mudança nas misiones chavistas?

Eu proponho que elas não sejam partidarizadas e que a escolha dos beneficiários não obedeça a critérios políticos. Se o cidadão não pertence ao partido do governo, não ganha nada. Isso é uma chantagem, uma maneira de comprar apoio para o presidente. Não importa quem seja o governante, os programas precisam estar bem regulamentados para que cheguem até onde devem chegar, ou seja, a todos os venezuelanos que de fato necessitam.

 

Venezuela: oitavo maior produtor de petróleo tem dificuldade para financiar desenvolvimento

Venezuela: o oitavo maior produtor de petróleo do mundo tem dificuldade para financiar seu desenvolvimento - "Os recursos do estado são insuficientes para que todos possam desfrutar do bem-estar a que aspiram" (Foto: Arquivo / VEJA.com)

 

Chávez está no comando da Venezuela há treze anos e, nesse período, as expropriações de empresas, os apagões de eletricidade e os homicídios se tornaram mais frequentes. Apesar disso, ele lidera as pesquisas eleitorais. Como explicar isso?

A alta no preço do petróleo permitiu a ele repartir os lucros desse recurso com os mais pobres, uma parcela da população antes ignorada pelos governos nacionais. Eu não reivindico o passado. Chávez é a consequência de um sistema que implodiu, e se apresentou como um salvador. O problema é que ele não salvou o país.

 

Como Caracas se transformou na capital com a maior taxa de homicídios do mundo?

Governos como o de Chávez se sustentam na anarquia. Quando há uma situação como a atual, de insegurança, quem são os fortes? São dois, o estado e o delinquente. O fraco é o cidadão. O que ele faz? Esconde-se. Nessas condições, é mais fácil para Chávez manter os cidadãos sob controle, porque eles estão amedrontados. O medo e o terror estão presentes na vida dos venezuelanos, isso é uma realidade.

 

O que o senhor mudaria na política externa da Venezuela?

A Venezuela prioriza as relações com países cujo governo é uma vergonha para todos, como a Bielorrússia e o Irã. Veja os amigos que temos. A política exterior deve fortalecer as relações com países em que há democracia, que respeitam os direitos humanos e com os quais temos interesses em comum: Brasil, Colômbia e Estados Unidos, por exemplo.

Chávez fala em não ingerência e em respeitar a soberania de outros países, mas ficou numa situação complicada no Paraguai. Menos por causa da reunião do chanceler Nicolás Maduro com militares paraguaios (em que o venezuelano insuflou um golpe militar para evitar o golpe militar do presidente Fernando Lugo), e mais pela ameaça de Chávez de suspender a venda de petróleo a Assunção.

Como alguém que se opõe ao embargo econômico a Cuba pode defender o mesmo tipo de sanção ao Paraguai? Isso prova que a diplomacia da Venezuela obedece apenas às preferências políticas e pessoais de Chávez. Ele se relaciona com quem sente afinidade ideológica, e se distancia de todos os outros.

 

O que Cuba, cujo regime Chávez patrocina, pode esperar do futuro se o senhor se tornar presidente?

Não pretendo suspender as relações diplomáticas com a ilha. Cuba e Venezuela podem ter uma relação ainda mais proveitosa. Atualmente, o que existe é uma admiração de Chávez por Fidel Castro, e uma tentativa do governo venezuelano de manter de pé o modelo cubano. Este, contudo, é insustentável. O processo de abertura de Cuba vem sendo adiado há muitos anos, mas é inevitável.

 

Fidel e Chávez, afinidades: "O que existe é uma admiração de Chávez por Fidel Castro, e uma tentativa do governo venezuelano de manter de pé o modelo cubano" (Foto: Adalberto Roque / AFP)

Fidel e Chávez, afinidades: "O que existe é uma admiração de Chávez por Fidel Castro, e uma tentativa do governo venezuelano de manter de pé o modelo cubano" (Foto: Adalberto Roque / AFP)

O senhor disputa as eleições em igualdade de condições com Chávez?

Qualquer pessoa que ficar uma semana na Venezuela perceberá que não. Ao ligar a televisão, verá todos os canais públicos dedicados a fazer campanha para o presidente. Mais do que isso, verá como esses programas pagos com o dinheiro dos contribuintes se esmeram em me desprestigiar.

Também verá as publicidades do governo que todos os jornais e canais são obrigados a divulgar, de graça. Em compensação, as visitas que tenho feito pessoalmente aos povoados do país são inéditas. O governo até tentou impedir que eu fizesse a campanha dessa forma.

Chávez nunca se empenhou em um corpo a corpo como esse. Assim vencerei essas eleições, não colando cartazes por todos os lados ou falando o tempo todo na televisão.

 

O senhor se considera de direita, como afirma Chávez?

Não, e esse não é o debate da minha geração. Essas etiquetas não servem mais. A China é comunista? É um debate do passado, assim como as ideias de Chávez. O atual governo, que se diz de esquerda, na realidade é apenas retrógrado. Chávez nunca quis que eu fosse candidato, por isso tenta me desqualificar inventando um rótulo qualquer.

Ele queria enfrentar um candidato que representasse o passado. Lamentavelmente para ele, não foi o que aconteceu. Quem comparece aos meus atos de campanha são, em sua maioria, jovens. Entre eles, a taxa de desemprego chega a 20%. As mensagens ideológicas de Chávez não fazem o menor sentido para eles.

 

Chávez diz que há um plano da oposição para não reconhecer o resultado das eleições. Por outro lado, alguns militares chavistas deram a entender que não aceitarão uma derrota do presidente. Que credibilidade terão essas eleições?

Eu propus a Chávez a assinatura de um acordo formal em que nos comprometeremos a respeitar a decisão das urnas. Esse documento, contudo, deve incluir o compromisso de não usar os recursos da petrolífera estatal na campanha, de não transmitir discursos políticos em cadeias de televisão, de não obrigar os funcionários públicos a ir aos comícios do presidente e de não usar a polícia para impedir nossas passeatas. Essas violações das leis eleitorais ocorrem diariamente. (O acordo foi assinado após a entrevista, sem os compromissos adicionais propostos por Capriles.)

 

Quais são os outros métodos usados pelo governo para intimidar a oposição?

Houve a criação das milícias fiéis ao presidente, que não obedecem às Forças Armadas. Todo país tem o seu contingente de reservistas. Chávez transformou civis em um braço político armado de seu governo. O objetivo é amedrontar a população. Em Caracas, também existem os coletivos armados, que atacam os opositores do governo e controlam territórios inteiros da capital. É preciso desarmá-los totalmente.

 

Milícia chavista, que o acompanha nos comícios: "É preciso desarmá-los totalmente" (Foto: Juan Barreto / AFP / Getty Images)

Milícia que acompanha Hugo Chávez nos comícios: "É preciso desarmá-los totalmente" (Foto: Juan Barreto / AFP / Getty Images)

Chávez passou o último ano recebendo tratamento contra um câncer, sobre o qual o governo faz muito mistério. A doença pode influenciar no resultado das eleições?

Não acho que a enfermidade possa ajudar ou atrapalhar. O debate é outro. As pessoas estão cansadas de sentir medo e de ter de falar o que não pensam apenas para agradar ao governo e não perder o pouco que ganham do estado. A maioria quer mudar o governo e viver em paz. Estou convencido de que a partir de 8 de outubro, após a votação, haverá uma nova realidade política no país.

 

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