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petróleo

05/12/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Lula mente descaradamente ao enxergar “pensamento único” da imprensa, a favor, durante o governo FHC — e omite que ele próprio foi “blindado” de críticas por longo período

Lula durante a entrevista com veículos amigos: reescrevendo a história — inclusive a dele mesmo (Foto: Instituto Lula)

Post publicado originalmente a 25 de setembro de 2013

campeões de audiência 02Como ele só fala para a companheirada, encontra sempre ouvidos amigos e aplausos. Com jornalistas minimamente independentes, de quem foge como o diabo na cruz, ele não se encontra há séculos.

Ontem, Lula concedeu uma entrevista a jornalistas de publicações sindicais ou ligados ao movimento sindical. Veículos amigos, portanto.

Disse que não haveria “perguntas proibidas”, mas nada respondeu de concreto sobre o mensalão, uma vez mais — embora alegue estar com “cócegas na garganta” e ter “muito a contar” –, alegando que espera o final do julgamento.

Nada disse, nem lhe foi perguntado, sobre o escândalo de sua amiga do peito Rosemary Noronha, que fez do escritório da Presidência em São Paulo um balcão espúrio de tráfico de influências.

O blog de Augusto Nunes lembrou esta semana que Lula ultrapassou a vergonhosa barreira dos 300 dias de absoluto silêncio sobre um caso no qual tem a irrecusável responsabilidade de haver colocado “Rose” — a Rose de tantas viagens no jato presidencial sem qualquer função definida — no cargo desde o início de seu governo e, depois de seus oito anos no Planalto, ter pedido à presidente Dilma que a mantivesse.

Entre outros pontos escandalosos de sua entrevista, há a crítica — inevitável, em se tratando do grão-senhor do lulalato — à imprensa. Fantasiosa, como sempre, e, no caso específico, mentirosa.

Vejam só:

“Muita coisa evoluiu no Brasil, mas os meios de comunicação não quiseram evoluir. Saíram de um momento de pensamento único em defesa do governo anterior ao nosso e passaram a um pensamento único contrário. Até hoje continua assim”.

Pensamento único em defesa do “governo anterior”? (Ele agora deu de não mais citar sua obsessão freudiana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.)

Como assim, cara-pálida? Lula está querendo reescrever a história recente! Mas ela foi vivida por milhões de brasileiros!

Tudo bem que Lula não gosta de ler, mas, durante o governo FHC (1995-2003), para qualquer pessoa que haja acompanhado com um mínimo de sentido comum o período, o presidente não passou uma semana sem levar bordoada.

FHC não teve sequer os tais 100 dias de lua de mel.

Mal sentado na poltrona de seu novo gabinete no Planalto, para começar, FHC já enfrentou uma enorme barragem de críticas — corretas, aliás — por não ter peitado o Congresso e vetado lei que anistiou o então senador Humberto Lucena (PMDB-PB) de condenação por crime eleitoral.

A partir daí, jornais como a Folha de S. Paulo encontravam alguma razão para criticar o presidente dia sim, dia não.

Qualquer pessoa com um mínimo de equilíbrio que consultar a coleção de VEJA desde seu lançamento, em 1968, disponível neste link, constatará que a revista publicou no mínimo uma centena de reportagens que não agradaram ao Planalto durante o governo FHC, e dezena e meia de reportagens de capa.

FHC foi criticado — em jornais, revistas, sites noticiosos, blogs, emissoras de rádio e TV por gente de esquerda e de direita, por intelectuais, por colunistas, por sindicalistas,  – por sua aliança com o então PFL (hoje DEM), por ser apoiado pelos fisiológicos do PMDB (os mesmos que foram depois, correndo, para o colo de Lula), por privatizar estatais, pela forma como privatizou, por privatizar muito, por privatizar pouco, por ter iniciado a reforma da Previdência (veja-se o que se diz, até hoje, do fator previdenciário, instituído por lei proposta por seu governo), por não ter ido fundo na reforma da Previdência, por haver conseguido quebrar o monopólio estatal sobre o petróleo, por não ter aprofundado a quebra de monopólio, por criar o Ministério da Defesa — sempre ocupado por um civil, com a extinção dos ministérios militares –, por não haver reformado mais ainda as Forças Armadas, por ter criado uma “rede de proteção social” (origem do Bolsa Família do lulalato), por não ter ampliado suficientemente a rede…

A coisa não acaba mais. E a metralha de críticas sobre a REELEIÇÃO? Já esqueceram?

E as críticas por não ter recusado o apoio de Maluf em 1998? E por haver abrigado ministros como Renan Calheiros ou Íris Rezende?

FHC foi tão criticado como qualquer outro presidente.

Achar que houve “blindagem” a ele e seu governo pela “mídia” — como se a grande imprensa fosse algo compacto, unívoco, de pensamento único, posicionamento e interesses únicos, e de teor invariavelmente conspiratório — é simplesmente trombar escandalosamente com os fatos.

Blindagem houve, sim, a ele, Lula, por parte da maior parte dos veículos de imprensa, e sobretudo dos repórteres encarregados de cobrir suas atividades desde os primórdios de sua atuação sindical, nos anos 70. O fato de Lula nunca admitir esse fato notório também integra sua tendência a querer reescrever a história — no caso, a sua própria.

A lua-de-mel longuíssima somente começou a acabar no dia em que um repórter da Folha de S. Paulo — para espanto absoluto de Lula e de seu séquito — ousou contar que o já então ex-deputado constituinte e ex-candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva havia se referido ao Presidente Itamar Franco (1992-1995), numa rodinha com jornalistas supostamente “amigos”. como sendo um “filho da puta”.

Este foi o ponto fora da curva na cobertura de um Lula de que até então, de forma esmagadora, ressaltava sobretudo o carisma, a liderança, a capacidade de mobilização, a astúcia nas negociações, a energia e disposição com que o pobre migrante nordestino subiu na vida até fundar e colocar de pé um partido político – deixando de fora seu lado escuro e criticável.

Lula mente descaradamente quando afirma que não houve críticas a FHC e torna a tapar o sol com a peneira ao fingir que não existe um monumental esquema de sustentação à presidente Dilma e ao lulopetismo nos meios de comunicação, sobretudo na internet, mas que abrange também revistas e um sem-número de colunistas, inclusive na grande imprensa “burguesa”.

O fato de que parte desse esquema se assente sobre espaços alugados e pagos não exclui a realidade de que eles não apenas sustentam ideias e ações do lulopetismo, como metralham de forma incessante e frequentemente vil os adversários, especialmente do PSDB, e mais ainda se próximos a FHC.

O Lula que pediu desculpas aos brasileiros pela TV pelo mensalão em 2005, sem contudo explicar nada nem admitir nada, e nem esclarecer quem supostamente o “traiu”, continua o mesmo.

04/12/2014

às 17:08 \ Política & Cia

SARDENBERG: A situação da Petrobras já é complicada por causa do mercado mundial de petróleo; o petrolão é apenas a cereja no topo das preocupações da estatal

(Foto: Wilson Junior/Agência Estado)

“O futuro da Petrobras é a exportação de óleo. O ambiente econômico global, de baixo crescimento, e a descoberta e uso cada vez maior de energia alternativa indicam que o preço do óleo pode permanecer baixo por um bom tempo”, diz Sardenberg (Foto: Wilson Junior/Agência Estado)

TEMPESTADE PERFEITA

Artigo de Carlos Alberto Sardenberg publicado no jornal O Globo

Carlos-Alberto-Sardenberg1A Arábia Saudita é a maior exportadora de petróleo, dona das maiores reservas. Logo, deve ser de seu interesse o maior preço possível para o óleo, certo?

Errado, neste momento ao menos.

Acontece que tem o petróleo naturalmente barato — aquele fácil de extrair, que brota da terra, como o saudita — e o caro, aquele só encontrado nas profundezas do mar, como o nosso do pré-sal, nas rochas de xisto ou nas areias betuminosas. Pois a produção desse petróleo caro e difícil está em alta no mundo todo, favorecida, economicamente, pelo elevado preço do barril verificado nos últimos anos.

Nos EUA, por exemplo, ocorre o boom na exploração de óleo de xisto. A produção cresceu tanto que o país reduziu as compras externas, deixando o posto de maior importador global para a China. O Canadá, também dependente de importações, acelera a extração de óleo de areias. E a Petrobras deu a partida na exploração do pré-sal.

Pois justamente agora o preço do barril está em queda — e queda forte. De mais de 100 dólares dos últimos tempos, a cotação nos EUA e em outros mercados internacionais caiu para a faixa dos 70 dólares, ficando até abaixo disso em diversos momentos.

Com a economia mundial em marcha lenta, o consumo de energia cresce abaixo da produção, que havia sido estimulada pela forte expansão global do início deste século e, especialmente, pelo crescimento dos emergentes.

Demanda em baixa, oferta em alta, lá se vão as cotações.

Vai daí, alguns membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), como Venezuela e Irã, começaram a pressionar o grupo para reduzir a produção e, assim, forçar uma alta de preços. A Opep coloca no mercado cerca de 30 milhões de barris/dia, mais ou menos um terço do consumo global. Tem, pois, o poder de calibrar as cotações.

Mas, surpresa, a Arábia Saudita, que lidera o grupo e tem capacidade de aumentar sua produção quase imediatamente, derrubou a proposta.

Tem lógica. O preço baixo reduz a rentabilidade do petróleo “difícil” e inviabiliza muitos projetos. Por exemplo: o óleo das areias do Canadá só é rentável se puder ser vendido a 80 dólares o barril. No pré-sal brasileiro, segundo avaliação de consultorias locais e internacionais, o custo de produção vai de 40 a 70 dólares, conforme o campo e o contrato de exploração. Nos EUA, algumas companhias dizem que 60 dólares é o limite para muitas áreas.

Para registrar: no seu ambicioso programa de investimentos no pré-sal, até 2020, a Petrobras considerou o barril de óleo a 105 dólares hoje, caindo para 100 e depois para 95. Também considerou o dólar numa média futura de R$ 1,95.

Tudo considerado, há uma perda de rentabilidade se as cotações continuarem nos níveis atuais e inviabilidade econômica de algumas áreas se os preços caírem ainda mais. Ou seja, será difícil atrair capital privado, nacional e estrangeiro, para os novos projetos. Mesmo porque o atual regime de partilha cobra pesados pagamentos das companhias que explorem os poços.

A Petrobras já tem campos adquiridos, mas, de qualquer modo, precisará se financiar no mercado global — e isso estará mais difícil.

É certo que a queda dos preços de gasolina e diesel ajuda bastante o caixa da Petrobras, importadora líquida de combustíveis. Neste momento, por exemplo, a estatal vende os produtos aqui dentro a preços 20% superiores aos que paga lá fora. Inverte, assim, a relação dos últimos quatro anos.

Mas esse ganho é insuficiente para levantar o capital necessário. O futuro da Petrobras é a exportação de óleo. O ambiente econômico global, de baixo crescimento, e a descoberta e uso cada vez maior de energia alternativa indicam que o preço do óleo pode permanecer baixo por um bom tempo.

Coloque no cenário a crise do petrolão e se entende por que a Petrobras se aproxima de uma tempestade perfeita.

Em qualquer caso, e considerando a confusão armada pelo governo no setor elétrico, mais as perdas impostas ao etanol, parece que o país precisa rever suas políticas de energia.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

27/11/2014

às 20:17 \ Vasto Mundo

VER PARA CRER: Angola imita a China e também cria cidade fantasma novinha em folha — cabem lá meio milhão de pessoas, mas não tem ninguém

Angola novinha em folha, e vazia, vazia (Foto: m.publico.pt)

A cidade de Kilamba, projetada para 500 mil habitantes: 3,5 bilhões de dólares de gastos, e praticamente sem moradores (Foto: m.publico.pt)

Post publicado originalmente a 23 de agosto de 2012

Com a crise financeira, as atenções do mundo neste aspecto estão invariavelmente voltadas para as enormes dificuldades da Europa, o papel central jogado pela China ou se é firme e vai continuar a recuperação do gigante norte-americano.

Pouca, pouquíssima gente presta atenção em Angola, a ex-colônia que Portugal sugou durante cinco séculos, até 1975, e que desde sua independência até 2002 esteve envolta numa guerra civil que reduziu o país a escombros.

Pois bem, Angola, país de 1,2 milhão de quiômetros quadrados e 18 milhões de habitantes, está literalmente explodindo de crescimento. E a dinheirama proveniente do petróleo — é um dos 20 maiores produtores mundiais, com quase 2 milhões de barris diários — nem sempre está sendo bem gasta. Vejam o caso da cidade de Kilamba, a 30 quilômetros da capital, Luanda, construída para abrigar meio milhão de pessoas mas na qual só vivem… algumas centenas de habitantes!

Angola novinha em folha, e vazia, vazia (Foto: m.publico.pt)

Kilamba vista de outro ângulo: o preço dos apartamentos os torna inacessíveis à maioria esmagadora da população (Foto: m.publico.pt)

Posta em pé em menos de três anos com dinheiro público pelo governo corrupto do ditador José Eduardo dos Santos, foi programada para abrigar mais de 20 mil apartamentos, numa primeira fase, e cinco mil casas populares. Seus imóveis, porém, que custam entre 150 mil e 200 mil dólares, são inacessíveis para a esmagadora maioria da população, que vive com entre 2 e 3 dólares por dia.

Erguida pela estatal chinesa China International Trust and Investment Corporation a um custo de 3,5 bilhões de dólares, Kilamba é uma cidade fantasma — tais como tantas que existem na própria China, já mostradas pelo blog.

Em Angola, as ruas vazias

Ruas e avenidas, meio-fios, iluminação pública, sinais de trânsito — mas nada de movimento (Foto: bbc.com)

Com 750 edifícios já prontinhos, a maioria de oito andares, dotados de acesso à internet e ar condicionado, Kilamba possui 24 creches, nove escolas primárias, oito secundárias e cinquenta quilómetros de vias de acesso, ruas e avenidas — mas não tem gente. Nas ruas, praticamente não há carros, nem caminhões, nem ônibus.

Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos (Foto: Já Imagens)

O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, lança a pedra fundamental das 5 mil casas “sociais” que pretende entregar em Kilanga (Foto: jaimagens.com)

A abundância de petróleo permite que o governo de José Eduardo dos Santos, ex-dirigente comunista transformado em entusiasta do capitalismo de Estado, possa apresentar números de crescimento rigorosamente espantosos: do ano 2000 – ainda com a guerra civil em curso – até o ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu a uma inacreditável média de 11,52% anuais.

A partir de 2005, já sobre uma economia mais sólida e com o país parcialmente reconstruído, o PIB bateu por duas vezes o índice de 20%!!! O prognóstico para este ano, com boa parte do mundo desenvolvido em recessão ou estagnado, é de que cresça 8%.

A economia vai bem, o povo nem tanto, e a verdade dos fatos muito menos. O vídeo abaixo mostra uma Kilanga que não existe, repleta de gente feliz, com as escolas cheias de alunos etc etc. Segundo a BBC de Londres, os supostos moradores mostrados são atores contratados.

Vale a pena conferir:

LEIAM TAMBÉM:

Vídeo ESPANTOSO: na China, cidades inteiras, novinhas em folha, construídas para ninguém morar. Há 64 milhões de imóveis vazios, e centenas de milhões de pessoas sem ter onde morar

O paradoxo de haver 64 milhões de imóveis vazios na China

12/11/2014

às 14:30 \ Vasto Mundo

Estado Islâmico: como os assassinos decapitadores se tornaram o grupo terrorista mais rico do mundo

(Foto: Daily Mail)

Militantes do Estado Islâmico: esquemas de crime organizado e extorsão garantem a riqueza inestimável do grupo (Foto: Daily Mail)

Por Tamara Fisch

O chamado Estado Islâmico, grupo terrorista do qual o mundo ouve falar incessantemente desde agosto, quando foi iniciada uma sequência de decapitações grotescas de reféns estrangeiros, tem um mistério por trás de sua organização: como, afinal, é financiada sua luta?

Existem várias teorias e poucas certezas a esse respeito. Um fato conhecido, no entanto, é que o Estado Islâmico é, atualmente, a organização terrorista mais rica do mundo.

O pouco que se sabe sobre as finanças da facção já garante uma quantia enorme no bolso de seus líderes. Em junho, quando a cidade de Mosul, no norte do Iraque, foi capturada pelos guerrilheiros, eles promoveram um assalto de proporções extraordinárias à sede local do Banco Central. Só com esta ação isolada, o Estado Islâmico saiu com o equivalente a 429 milhões de dólares em dinheiro.

A região de Mosul também é responsável por um fluxo constante de verbas ao grupo terrorista. Foi montado um esquema de contrabando de petróleo de áreas ocupadas pelos terroristas no norte do Iraque e da Síria para a Turquia, onde a entrada é fácil e o produto de origem legal é extremamente caro (um litro de gasolina chega a custar o equivalente a 5 reais). O petróleo vem de refinarias e poços sob o controle do Estado Islâmico. O Departamento do Tesouro americano estima que apenas esse esquema renda entre 1 e 2 milhões de dólares – por dia.

Muita gente se perguntará: e os ataques aéreos arrasadores dos Estados Unidos e aliados? Não tiveram resultado algum, nem para abalar as fontes de renda dos assassinos? Na verdade, sim: especialistas estimam que a destruição de poços de petróleo, refinarias de porte médio e oleodutos nas áreas ocupadas reduziram em dois terços a produção que os terroristas conseguiam obter.

O problema é que, além de a facção financiar sua expansão dessa forma, há suspeitas de que alguns governos tenham participação nas injeções de dinheiro da jihad. Os países que atraem maior atenção de especialistas são os do Golfo, em especial a Arábia Saudita, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Teoricamente, esses governos, embora aliados do Ocidente que os assassinos decapitadores odeiam e juram destruir, teriam interesse em ajudar o Estado Islâmico para combater o regime de Bashar Al-Assad, na Síria, dentro do jogo duro das eternas rivalidades étnicas e de facções religiosas entre países islâmicos.

O próprio Iraque acusa a Arábia Saudita de financiar o terrorismo do grupo. Essa tese se sustenta pelo fato de os sauditas formarem o maior contingente de militantes estrangeiros dentro do Estado Islâmico, mas os Estados Unidos, aliados do reino multibilionário em petróleo, rejeitam a acusação.

A grande questão é que, apesar de já ter uma reserva substancial, o Estado Islâmico tem muitos gastos. Nas cidades capturadas, o grupo funciona como um Estado real — fornece comida, água e combustível, além de subsidiar custos de manutenção e operação de serviços públicos. Para isso, são cobrados impostos em qualquer oportunidade, e os militantes fazem sua parte, “colaborando” com a arrecadação de fundos ao extorquir negócios locais e até representantes do governo. Quem não paga, morre de forma horrível, tem pessoas da família mortas ou as mulheres estupradas — às vezes, tudo isso junto.

O projeto de funcionar como um Estado funciona de forma inédita por causa do nível de controle e da quantidade de territórios tomados pelo grupo, algo que nenhuma outra organização conseguiu antes, nem mesmo a Al Qaeda.

É importante lembrar que os gastos dos terroristas não são apenas proporcionando serviços às pessoas sob seu domínio, de modo a obter formas de adesão. Não se sabe ao certo com que é gasto todo o dinheiro, mas especialistas acreditam que pelo menos parte dele é destinada à compra de equipamento militar em mercados internacionais. Também é certo que alguns recursos sejam destinados à produção metódica dos assustadores vídeos em que os militantes aparecem executando de forma brutal seus reféns.

Da mesma forma que vários outros detalhes do grupo, é difícil ter qualquer conhecimento preciso sobre as finanças do Estado Islâmico, mas uma coisa é certa: após ter atingido o posto de mais rico do mundo, o grupo terrorista não deve parar por aí.

15/10/2014

às 0:15 \ Política & Cia

TEMA DO DEBATE DA BAND — O PORTO QUE O BRASIL FINANCIOU EM CUBA: se é bom, por que é secreto?

FIDEL COM DILMA -- "Cultivo una rosa bianca / en junio como enero / para el amigo sincero / que me da su mano franca" (Foto: Alex Castro / AP)

FIDEL COM DILMA — “Cultivo una rosa bianca / en junio como enero / para el amigo sincero / que me da su mano franca” (Foto: Alex Castro / AP)

Reportagem de Duda Teixeira, publicada em edição impressa de VEJA

Post originalmente publicado a 4 de fevereiro de 2014

SE É BOM, POR QUE É SECRETO?

Nos detalhes do empréstimo do BNDES para um porto em Cuba, protegidos por sigilo, está a resposta para saber se foi mesmo um bom negócio ou a sobrevida para a ditadura

Em visita a Cuba na semana passada, a presidente Dilma Rousseff inaugurou o Porto de Mariel, reformado em sua maior parte com dinheiro brasileiro, participou de uma reunião de cúpula latino-americana e teve um encontro particular com Fidel Castro, que segue mandando no país mesmo tendo passado a bengala para o irmão Raúl.

Com a Venezuela reduzindo o envio de petróleo a aliados, o amparo brasileiro tornou-se essencial para a ditadura cubana. De Dilma, o enfraquecido Fidel ganhou suporte não apenas econômico como político. A presidente até ecoou a desculpa do “injusto embargo” dos americanos a Cuba, usada largamente pelos irmãos Castro para podar os direitos de sua população.

Na tentativa de justificarem ao público brasileiro o empréstimo de 682 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao porto dos gerontocratas, Dilma e seus subordinados apresentaram uma lista pronta de argumentos. Nenhum explica a razão da confidencialidade do acordo entre governos.

Uma das condições do empréstimo concedido pelo BNDES é que a ditadura só poderia gastá-lo na compra de bens e serviços brasileiros. Os capacetes de proteção, o cimento e até um carro Gol foram levados do Brasil. A maior parte das exportações foram serviços.

Os projetos de engenharia, por exemplo, foram traçados por escritórios brasileiros. Dos 233 milhões de dólares exportados para a ilha no ano passado para atender à obra, 201 milhões de dólares foram em serviços. O governo diz que 156.000 empregos foram gerados no Brasil.

Tudo muito bonito, não fosse o alto risco de calote. O Brasil aceitou conceder o empréstimo ancorado em garantia soberana, balizada pelos bancos centrais. Essa modalidade é segura quando há um mecanismo de compensação de exportações entre os países, o que não ocorre com Cuba.

O argumento do governo federal de que a modernização do porto caribenho ajudou a economia brasileira não se sustenta no campo do pensamento lógico. Se investir em uma ilha do Caribe submetida há mais de meio século a uma ditadura comunista tem efeito positivo na economia no Brasil, imagine, então, os ganhos se o dinheiro do contribuinte brasileiro tivesse sido investido diretamente na melhoria dos atulhados e obsoletos portos do Brasil.

É difícil para Brasília explicitar os motivos reais da generosidade na reforma do Porto de Mariel. O que a indigente economia cubana tem para exportar que justifica o investimento brasileiro? Nada. O Porto de Mariel ficou mundialmente conhecido em 1980 pela exportação em massa de… gente.

Em apenas duas semanas cerca de 125 000 cubanos escaparam da ditadura castrista, que, pressionada pela miséria, suspendeu a proibição de abandonar o país. O episódio ficou conhecido como o Êxodo de Mariel.

Na impossibilidade de justificar o empréstimo a Cuba, a saída para o governo brasileiro foi classificá-lo como “secreto”. Os detalhes do projeto, portanto, só poderão ser conhecidos em 2027, dois anos antes do prazo final para Cuba quitar a dívida. É estranho que os negócios do governo do PT com Cuba e também com Angola sejam fechados em segredo.

Nem o Congresso Nacional tem acesso aos termos dessas transações. Dessa forma, até que esse conteúdo seja exposto à luz do sol, os brasileiros têm todo o direito de desconfiar das intenções desses projetos. Têm todo o direito de achar, por exemplo, que o que o Brasil fez foi simplesmente uma doação aos irmãos Castro. Ou coisa pior. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

28/09/2014

às 19:30 \ Vasto Mundo

Terroristas decapitadores atacam fronteira da Turquia – que agora cogita entrar na coalização contra jihadistas. Mas precisa, antes, deter o contrabando do petróleo que os terroristas vendem no mercado negro

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Caças F-15E dos Estados Unidos sobrevoam o norte do Iraque após ataques aos terroristas, antes de retornar ao porta-aviões nuclear “USS George H.W. Bush” (Foto: USAF/Reuters)

De VEJA.com

Pelo menos sete membros do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) morreram neste sábado em confronto com milicianos curdos perto da cidade de Kobani, no norte da Síria, junto à fronteira com a Turquia. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, os jihadistas haviam atacado as Unidades de Proteção do Povo Curdo na região. Também há vítimas entre os curdos e islamitas, mas os números ainda não foram divulgados.

O EI iniciou uma ofensiva para tomar o controle de Kobani no dia 16 de setembro e, desde então, tomou o controle de várias povoações nas imediações, o que gerou um êxodo de refugiados curdos sírios à Turquia.

Leia também:
Jihadistas do EI adotam novos estratagemas após ataques
Parlamento britânico aprova ataques contra o EI no Iraque​

Também neste sábado, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, mostrou disposição em unir-se à coalizão internacional contra o Estado Islâmico (EI). Em conversa com jornalista durante voo de Nova York, onde participou de uma reunião das Nações Unidas, a Istambul, o turco considerou que é necessário lançar uma operação terrestre para combater o grupo terrorista. “Não pode haver um resultado permanente em lugares em que não chegam forças terrestres”, afirmou.

Segundo ele, a Turquia participará de uma operação terrestre caso o parlamento do país aprove envio de tropas – a decisão deve acontecer em 2 de outubro. Erdogan ainda afirmou que a Turquia e outros países da coalizão já estudam como cada um atuará nos ataques.

Caças russos chegam a Bagdá para auxiliar o Iraque no combate aos assassinos decapitadores (Foto: Reuters)

Caças russos chegam a Bagdá para auxiliar o Iraque no combate aos assassinos decapitadores (Foto: Reuters)

A Turquia mudou sua postura com relação a envolver-se em uma operação militar internacional contra o EI desde a libertação, em 20 de setembro, dos reféns turcos que estiveram há quase três meses em mãos dos jihadistas. “A Turquia fará o necessário no que envolve sua parte de responsabilidade. Dizer que a Turquia nunca tomará uma posição militar é errôneo. Protegerão outros países nossas fronteiras? Não, nós mesmos protegeremos nossas fronteiras”, afirmou o presidente turco.

Comentários do blog

O eventual ingresso da Turquia na coalizão que vem atacando os terroristas responsáveis por uma espantosa onda de barbárie em territórios que controlam no Iraque na Síria será um reforço considerável — sobretudo se se dispuser a fazer o que o Ocidente até agora não quis, ou seja, colocar forças terrestres no combate aos assassinos.

Um reforço considerável, porque a Turquia é, simplesmente, a oitava maior potência militar do mundo, atrás apenas de gigantes como os EUA, a China, a Rússia, a Índia (que é potência nuclear), a França, o Reino Unido e a Alemanha. A classificação é do site especializado Global Firepower.

Com uma população superior a 80 milhões de habitantes e capacidade de mobilizar 700 mil homens, não dá para brincar com os turcos. Mas, antes disso, seria fundamental que o governo de Ankara cortasse a jugular financeira dos terroristas, que se apossaram de campos de petróleo e de refinarias nas áreas que controlam e, por meio de caminhões-tanque, fazem chegar o petróleo a preço de banana em territórios vizinhos, principalmente turco.

Refinaria em mãos dos terroristas no Iraque antes e depois de ataques da coalizão liderada pelos Estados Unidos (Foto: The Pentagon/USA)

Refinaria em mãos dos terroristas no Iraque antes e depois de ataques da coalizão liderada pelos Estados Unidos (Foto: The Pentagon/USA)

Os aviões de combate da coalizão já destruíram pelo menos uma grande refinaria, e vêm bombardeando outras instalações.

Mas os terroristas improvisam refinarias pequenas e rudimentares para processar o petróleo, principalmente em território síro ocupado, embora na maior parte do tempo vendem o próprio óleo cru a dinheiro ou trocam por gasolina ou diesel por meio de rotas de contrabando que, entre outros percursos, ingressam na Jordânia pela província de Anbar, no Irã por meio do Kurdistão iraniano, e na Turquia via Mossul, no norte do Iraque.

É daí que vem o combustível propriamente dito para acionar os veículos que utilizam e o combustível financeiro para bancar dezenas de milhares de homens em armas. Sem estancar essa sangria, o Ocidente e seus aliados vão enxugar gelo.

 

26/09/2014

às 0:00 \ Disseram

Nosso produto, mas não nossa empresa

“O petróleo pode até ser nosso, mas a Petrobras não é mais.”

Pastor Everaldo, candidato do PSC à Presidência da República

20/09/2014

às 18:00 \ Política & Cia

MARCOS FAVA NEVES: O conto da fazenda experimental bolivariana

(Foto: mmg.com.au)

Dentro da Fazenda Experimental Bolivariana, viveriam todos os adeptos do comunismo e os inimigos da agroindústria (Foto: mmg.com.au)

Por Marcos Fava Neves, professor titular de planejamento estratégico e cadeias alimentares da FEA-RP/USP

Este conto teve uma inspiração interessante. Passando pelos canais da TV num sábado à tarde para achar algo que captasse minha atenção, eis que encontrei para rever, o filme A Praia, que tem Leonardo Di Caprio como ator principal.

Para quem não viu, o filme relata as experiências de uma comunidade sonhadora de um novo mundo, que vai para uma praia deserta na Tailândia, e tenta se organizar coletivamente. O filme tem um cenário maravilhoso, e uma interpretação soberba deste ator. Vale, sem dúvida assistir. Mas o que teria a ver este filme com nosso conto, nossa ideia?

Ao perceber no Brasil um crescente movimento ideológico contra a empresa, contra o lucro, da demonização do empresário, pois hoje quem quer produzir é quase que um criminoso ambiental, trabalhista, social e assim por diante, depois de escutar tanta bobagem destes micropartidos na propaganda eleitoral gratuita e também estar cansado de gente alienada, pendurada e que só reclama, vendo “A Praia”, tive uma ideia que pode até ser interessante.

A ideia seria a de criarmos, nos mesmos moldes do filme A Praia, uma fazenda experimental, servindo a diversos propósitos secundários, elencados ao final deste texto, mas com o propósito principal de mostrar a importância da agricultura e do trabalho no dia a dia de todas as pessoas, pois até que algo futurista aconteça, nossos organismos são “movidos à alimentos”.

Uma área abençoada em termos de solos, incidência de sol, regime hídrico, seria escolhida em fronteiras do Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, enfim, numa destas bênçãos divinas recebidas pelos moradores do Brasil. Cercaríamos e colocaríamos em marcha o projeto.

Mas quem iria para a Fazenda? Para lá seriam levados para um estágio as pessoas críticas à agricultura, ao produtor rural, ao agronegócio e as que têm visão deturpada ou parcial sobre o setor.

Iriam desde os que pregam a socialização dos meios de produção, os que são ideologicamente contra a empresa, contra o lucro, contra a ordem e o progresso, os radicais de diversos setores, os invasores (ou “ocupadores”), os anti-produção, os que desejam transformar o Brasil numa mega-aldeia, ativistas, representantes de algumas ONG’s confinados no sempre refrigerado ambiente Brasília/cidades internacionais, filósofos de gabinete, alguns artistas globais do eixo Ipanema, Leblon, Butantã, Pompéia, que pensam que seu baby beef nasceu na cozinha do restaurante da Vieira Souto e seu chopinho foi gerado dentro da chopeira dos maravilhosos bares da Ataulfo de Paiva ou dos arredores de Pompéia.

Levaríamos também gente que acredita nos modelos da Coreia do Norte, Cuba e Venezuela, entre outros. Selecionaríamos parte dos 61 milhões de brasileiros em idade de trabalho, mas que não trabalham, não procuram trabalho e não estudam, entre eles os dependentes de bolsas governamentais que tem habilidade, capacidade e ofertas de trabalho e os usuários do auxílio desemprego que forçaram suas demissões.

Ou seja, a geração “nem-nem” também iria, os jovenzinhos ativistas ainda pendurados nas bolsas paternas e os outros não tão jovens, em idade de trabalho, mas que esticam até os 30, 40 anos sua permanência na universidade pública, normalmente em cursos sem demanda.

Para poupar um esforço inicial dos habitantes desta fazenda, já entregaríamos a área com todo o cipoal de licenças e burocracia necessárias para se trabalhar e produzir. Teríamos uma infra-estrutura coletiva de hospedagem na fazenda, com bons banheiros, porém, todos coletivos. Haveria telefones coletivos e uma sala de informática coletiva, com os softwares de domínio social. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

07/09/2014

às 19:00 \ Vasto Mundo

Problemas de Primeiro Mundo: na Noruega, as ruas sofrem com o excesso de carros elétricos

(Foto: Pierre-Henry Deshayes/AFP)

Já que podem rodar nas faixas de ônibus, os carros elétricos atravancam o trânsito e prejudicam a eficiência do transporte público na Noruega (Foto: Pierre-Henry Deshayes/AFP)

Por Tamara Fisch

A questão pode parecer irônica, já que ocorre em um país cuja produção de petróleo é uma das maiores do mundo, mas é um fato: há tantos carros elétricos na Noruega que começa a existir um problema.

Para incentivar a compra de veículos não poluentes, a Noruega instituiu vários benefícios – entre eles, a isenção da maior parte dos impostos sobre a compra do carro, taxas baratas de licenciamento, zonas de estacionamento exclusivas e gratuitas, e permissão para trafegar em faixas reservadas para ônibus. Já estão espalhadas pelas cidades norueguesas milhares de estações onde se podem carregar os veículos sem custo algum.

O objetivo por trás da implantação dos benefícios era reduzir a liberação de gases estufa, já que o trânsito é responsável por 10% das emissões do país.

O governo, no entanto, aparentemente não contava que suas medidas pró-elétricos causasse a explosão nas vendas de que causou. E não se preparou para uma situação como a atual.

Os carros elétricos já são 85% dos veículos que trafegam em faixas de ônibus nos horários de pico, o que gera trânsito e torna o transporte público menos eficiente. Além disso, as isenções de impostos já custaram ao país 500 milhões de euros (quase 1,5 bilhão de reais).

Não é para menos. Este ano, os carros elétricos foram responsáveis por 13% das vendas de veículos no país. Hoje, rodam pelas estradas norueguesas mais de 30 mil exemplares dos veículos amigáveis ao meio ambiente, o que é um número surpreendente em um país de pouco mais de 5 milhões de habitantes. A Noruega já tem mais carros elétricos per capita do que qualquer outra nação.

O governo norueguês se comprometeu a manter os incentivos até 2017 ou até que haja 50 mil veículos elétricos nas ruas. No ritmo de crescimento das vendas, é possível que esse número seja atingido no início de 2015, e então as medidas terão de ser repensadas. Erna Solberg, primeira-ministra da Noruega, admitiu que existe a possibilidade de as vantagens serem reduzidas no futuro, mas garantiu que elas continuarão presentes.

06/08/2014

às 19:18 \ Política & Cia

NINGUÉM ENTENDEU NADA: Dilma se irrita (e se enrola) ao explicar relação do Planalto com farsa da CPI

Dilma Rousseff participa do encontro na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília  (Foto: Ichiro Guerra/Divulgação/VEJA)

Dilma Rousseff participa do encontro na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília (Foto: Ichiro Guerra/Divulgação/VEJA)

Presidente se perde no dilmês ao tratar do tema: ‘Acho estarrecedor alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela’

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges, de Brasília, para o site de VEJA

A presidente Dilma Rousseff ficou extremamente irritada nesta quarta-feira ao ser questionada sobre a participação do Planalto na farsa montada por governistas e pelo PT para impedir investigações na CPI da Petrobras no Senado – revelada por VEJA nesta semana.

Ao deixar a sabatina promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, a petista negou-se a esclarecer a ligação de servidores do Planalto com o caso: nesta quarta, o jornal Folha de S. Paulo informou que Luiz Azevedo, secretário-executivo das Relações Institucionais, ajudou a elaborar o plano de trabalho apresentado pela comissão em maio.

Já Paulo Argenta, outro assessor da pasta, foi um dos responsáveis pela preparação das questões antecipadas aos depoentes, como mostra vídeo obtido por VEJA.

Dilma também não explicou porque servidores do governo e da liderança governista no Senado participaram da formulação de um gabarito para depoentes. E foi além: ignorando o fato de que a elaboração das perguntas feitas em uma CPI seja tarefa exclusiva dos integrantes da comissão e do relator dos trabalhos, Dilma afirmou ser “estarrecedor o fato de que seja necessário alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela”.

Em um raciocínio confuso, a presidente-candidata disse que o setor de petróleo seria complexo demais para que pessoas de fora da área questionassem a Petrobras a respeito – e ainda ensaiou a tese de que apenas técnicos especializados em combustíveis teriam condições de elaborar perguntas à estatal.

– Vou te falar uma coisa. Acho extraordinário. Primeiro porque o Palácio do Planalto não é expert em petróleo e gás. O expert em petróleo e gás é a Petrobras. Eu queria saber se você pode me informar quem elabora perguntas sobre petróleo e gás para a oposição também. Muito obrigada.

Alguém entendeu? Pois ela continuou:

– Não é o Palácio do Planalto nem nenhuma sede de nenhum partido. Quem sabe das perguntas sobre petróleo e gás só tem um lugar. Pergunta só tem um lugar no Brasil. Eu diria vários lugares no Brasil: a Petrobras e todas as empresas de petróleo e gás”, disse, sem disfarçar o nervosismo – que tornou a fala da presidente ainda mais difícil de ser compreendida.

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“Você sabe que há uma simetria (sic) de informação entre nós, mortais, e o setor de petróleo. É um setor altamente oligopolizado, extremamente complexo tecnicamente. Acho estarrecedor que seja necessário alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela”, completou, sem esclarecer o episódio.

VEJA revelou nesta semana que governistas engendraram esquema para treinar os principais depoentes à comissão de inquérito, repassando a eles previamente as perguntas que seriam feita na CPI e indicando as respostas que deveriam ser dadas. Paulo Argenta; Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado; e Carlos Hetzel, secretário parlamentar do PT na Casa, formularam perguntas aos depoentes e atuaram para que as respostas, tal qual um gabarito de prova, fossem entregue às pessoas que falariam à comissão.

O kit de perguntas e respostas foi distribuído ao ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli e ao ex-diretor Nestor Cerveró, apontado como o autor do “parecer falho” que levou a estatal do petróleo a aprovar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, um negócio que causou prejuízo de quase 1 bilhão de dólares à empresa. A atual presidente da companhia Graça Foster também recebeu as perguntas da CPI por meio do chefe do escritório da empresa em Brasília, José Eduardo Barrocas.

Até o momento a oposição identificou que o teatro na CPI da Petrobras pode ter envolvido os crimes de obstrução da Justiça, fraude, improbidade por uso de servidores para fins privados, falso testemunho de depoentes, advocacia administrativa e possível violação do sigilo funcional se servidores tiverem repassado documentos sigilosos da CPI para o Poder Executivo.

Sem deixar que questionamentos sobre a Petrobras fossem apresentados a ela, a presidente ainda se recusou a responder sobre os possíveis impactos da inclusão de Graça Foster entre os responsáveis por Pasadena, em decisão a ser tomada pelo TCU nesta quarta-feira. Graça, que era diretora de gás e energia quando se desenvolviam as negociações de Pasadena, deve ter seus bens declarados indisponíveis, a exemplo dos demais.

“Você já julgou, querida? Se você julgou, eu te agradeço por não fazer isso”, afirmou Dilma, interrompendo a pergunta. “Acho que se não houve julgamento não se gera constrangimento nenhum. Peço para você não me fazer uma pergunta sobre um julgamento de uma corte, que não foi feito. Não é correto”, disse.

 

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