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petróleo

12/11/2014

às 14:30 \ Vasto Mundo

Estado Islâmico: como os assassinos decapitadores se tornaram o grupo terrorista mais rico do mundo

(Foto: Daily Mail)

Militantes do Estado Islâmico: esquemas de crime organizado e extorsão garantem a riqueza inestimável do grupo (Foto: Daily Mail)

Por Tamara Fisch

O chamado Estado Islâmico, grupo terrorista do qual o mundo ouve falar incessantemente desde agosto, quando foi iniciada uma sequência de decapitações grotescas de reféns estrangeiros, tem um mistério por trás de sua organização: como, afinal, é financiada sua luta?

Existem várias teorias e poucas certezas a esse respeito. Um fato conhecido, no entanto, é que o Estado Islâmico é, atualmente, a organização terrorista mais rica do mundo.

O pouco que se sabe sobre as finanças da facção já garante uma quantia enorme no bolso de seus líderes. Em junho, quando a cidade de Mosul, no norte do Iraque, foi capturada pelos guerrilheiros, eles promoveram um assalto de proporções extraordinárias à sede local do Banco Central. Só com esta ação isolada, o Estado Islâmico saiu com o equivalente a 429 milhões de dólares em dinheiro.

A região de Mosul também é responsável por um fluxo constante de verbas ao grupo terrorista. Foi montado um esquema de contrabando de petróleo de áreas ocupadas pelos terroristas no norte do Iraque e da Síria para a Turquia, onde a entrada é fácil e o produto de origem legal é extremamente caro (um litro de gasolina chega a custar o equivalente a 5 reais). O petróleo vem de refinarias e poços sob o controle do Estado Islâmico. O Departamento do Tesouro americano estima que apenas esse esquema renda entre 1 e 2 milhões de dólares – por dia.

Muita gente se perguntará: e os ataques aéreos arrasadores dos Estados Unidos e aliados? Não tiveram resultado algum, nem para abalar as fontes de renda dos assassinos? Na verdade, sim: especialistas estimam que a destruição de poços de petróleo, refinarias de porte médio e oleodutos nas áreas ocupadas reduziram em dois terços a produção que os terroristas conseguiam obter.

O problema é que, além de a facção financiar sua expansão dessa forma, há suspeitas de que alguns governos tenham participação nas injeções de dinheiro da jihad. Os países que atraem maior atenção de especialistas são os do Golfo, em especial a Arábia Saudita, Qatar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Teoricamente, esses governos, embora aliados do Ocidente que os assassinos decapitadores odeiam e juram destruir, teriam interesse em ajudar o Estado Islâmico para combater o regime de Bashar Al-Assad, na Síria, dentro do jogo duro das eternas rivalidades étnicas e de facções religiosas entre países islâmicos.

O próprio Iraque acusa a Arábia Saudita de financiar o terrorismo do grupo. Essa tese se sustenta pelo fato de os sauditas formarem o maior contingente de militantes estrangeiros dentro do Estado Islâmico, mas os Estados Unidos, aliados do reino multibilionário em petróleo, rejeitam a acusação.

A grande questão é que, apesar de já ter uma reserva substancial, o Estado Islâmico tem muitos gastos. Nas cidades capturadas, o grupo funciona como um Estado real — fornece comida, água e combustível, além de subsidiar custos de manutenção e operação de serviços públicos. Para isso, são cobrados impostos em qualquer oportunidade, e os militantes fazem sua parte, “colaborando” com a arrecadação de fundos ao extorquir negócios locais e até representantes do governo. Quem não paga, morre de forma horrível, tem pessoas da família mortas ou as mulheres estupradas — às vezes, tudo isso junto.

O projeto de funcionar como um Estado funciona de forma inédita por causa do nível de controle e da quantidade de territórios tomados pelo grupo, algo que nenhuma outra organização conseguiu antes, nem mesmo a Al Qaeda.

É importante lembrar que os gastos dos terroristas não são apenas proporcionando serviços às pessoas sob seu domínio, de modo a obter formas de adesão. Não se sabe ao certo com que é gasto todo o dinheiro, mas especialistas acreditam que pelo menos parte dele é destinada à compra de equipamento militar em mercados internacionais. Também é certo que alguns recursos sejam destinados à produção metódica dos assustadores vídeos em que os militantes aparecem executando de forma brutal seus reféns.

Da mesma forma que vários outros detalhes do grupo, é difícil ter qualquer conhecimento preciso sobre as finanças do Estado Islâmico, mas uma coisa é certa: após ter atingido o posto de mais rico do mundo, o grupo terrorista não deve parar por aí.

15/10/2014

às 0:15 \ Política & Cia

TEMA DO DEBATE DA BAND — O PORTO QUE O BRASIL FINANCIOU EM CUBA: se é bom, por que é secreto?

FIDEL COM DILMA -- "Cultivo una rosa bianca / en junio como enero / para el amigo sincero / que me da su mano franca" (Foto: Alex Castro / AP)

FIDEL COM DILMA — “Cultivo una rosa bianca / en junio como enero / para el amigo sincero / que me da su mano franca” (Foto: Alex Castro / AP)

Reportagem de Duda Teixeira, publicada em edição impressa de VEJA

Post originalmente publicado a 4 de fevereiro de 2014

SE É BOM, POR QUE É SECRETO?

Nos detalhes do empréstimo do BNDES para um porto em Cuba, protegidos por sigilo, está a resposta para saber se foi mesmo um bom negócio ou a sobrevida para a ditadura

Em visita a Cuba na semana passada, a presidente Dilma Rousseff inaugurou o Porto de Mariel, reformado em sua maior parte com dinheiro brasileiro, participou de uma reunião de cúpula latino-americana e teve um encontro particular com Fidel Castro, que segue mandando no país mesmo tendo passado a bengala para o irmão Raúl.

Com a Venezuela reduzindo o envio de petróleo a aliados, o amparo brasileiro tornou-se essencial para a ditadura cubana. De Dilma, o enfraquecido Fidel ganhou suporte não apenas econômico como político. A presidente até ecoou a desculpa do “injusto embargo” dos americanos a Cuba, usada largamente pelos irmãos Castro para podar os direitos de sua população.

Na tentativa de justificarem ao público brasileiro o empréstimo de 682 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao porto dos gerontocratas, Dilma e seus subordinados apresentaram uma lista pronta de argumentos. Nenhum explica a razão da confidencialidade do acordo entre governos.

Uma das condições do empréstimo concedido pelo BNDES é que a ditadura só poderia gastá-lo na compra de bens e serviços brasileiros. Os capacetes de proteção, o cimento e até um carro Gol foram levados do Brasil. A maior parte das exportações foram serviços.

Os projetos de engenharia, por exemplo, foram traçados por escritórios brasileiros. Dos 233 milhões de dólares exportados para a ilha no ano passado para atender à obra, 201 milhões de dólares foram em serviços. O governo diz que 156.000 empregos foram gerados no Brasil.

Tudo muito bonito, não fosse o alto risco de calote. O Brasil aceitou conceder o empréstimo ancorado em garantia soberana, balizada pelos bancos centrais. Essa modalidade é segura quando há um mecanismo de compensação de exportações entre os países, o que não ocorre com Cuba.

O argumento do governo federal de que a modernização do porto caribenho ajudou a economia brasileira não se sustenta no campo do pensamento lógico. Se investir em uma ilha do Caribe submetida há mais de meio século a uma ditadura comunista tem efeito positivo na economia no Brasil, imagine, então, os ganhos se o dinheiro do contribuinte brasileiro tivesse sido investido diretamente na melhoria dos atulhados e obsoletos portos do Brasil.

É difícil para Brasília explicitar os motivos reais da generosidade na reforma do Porto de Mariel. O que a indigente economia cubana tem para exportar que justifica o investimento brasileiro? Nada. O Porto de Mariel ficou mundialmente conhecido em 1980 pela exportação em massa de… gente.

Em apenas duas semanas cerca de 125 000 cubanos escaparam da ditadura castrista, que, pressionada pela miséria, suspendeu a proibição de abandonar o país. O episódio ficou conhecido como o Êxodo de Mariel.

Na impossibilidade de justificar o empréstimo a Cuba, a saída para o governo brasileiro foi classificá-lo como “secreto”. Os detalhes do projeto, portanto, só poderão ser conhecidos em 2027, dois anos antes do prazo final para Cuba quitar a dívida. É estranho que os negócios do governo do PT com Cuba e também com Angola sejam fechados em segredo.

Nem o Congresso Nacional tem acesso aos termos dessas transações. Dessa forma, até que esse conteúdo seja exposto à luz do sol, os brasileiros têm todo o direito de desconfiar das intenções desses projetos. Têm todo o direito de achar, por exemplo, que o que o Brasil fez foi simplesmente uma doação aos irmãos Castro. Ou coisa pior. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

28/09/2014

às 19:30 \ Vasto Mundo

Terroristas decapitadores atacam fronteira da Turquia – que agora cogita entrar na coalização contra jihadistas. Mas precisa, antes, deter o contrabando do petróleo que os terroristas vendem no mercado negro

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Caças F-15E dos Estados Unidos sobrevoam o norte do Iraque após ataques aos terroristas, antes de retornar ao porta-aviões nuclear “USS George H.W. Bush” (Foto: USAF/Reuters)

De VEJA.com

Pelo menos sete membros do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) morreram neste sábado em confronto com milicianos curdos perto da cidade de Kobani, no norte da Síria, junto à fronteira com a Turquia. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, os jihadistas haviam atacado as Unidades de Proteção do Povo Curdo na região. Também há vítimas entre os curdos e islamitas, mas os números ainda não foram divulgados.

O EI iniciou uma ofensiva para tomar o controle de Kobani no dia 16 de setembro e, desde então, tomou o controle de várias povoações nas imediações, o que gerou um êxodo de refugiados curdos sírios à Turquia.

Leia também:
Jihadistas do EI adotam novos estratagemas após ataques
Parlamento britânico aprova ataques contra o EI no Iraque​

Também neste sábado, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, mostrou disposição em unir-se à coalizão internacional contra o Estado Islâmico (EI). Em conversa com jornalista durante voo de Nova York, onde participou de uma reunião das Nações Unidas, a Istambul, o turco considerou que é necessário lançar uma operação terrestre para combater o grupo terrorista. “Não pode haver um resultado permanente em lugares em que não chegam forças terrestres”, afirmou.

Segundo ele, a Turquia participará de uma operação terrestre caso o parlamento do país aprove envio de tropas – a decisão deve acontecer em 2 de outubro. Erdogan ainda afirmou que a Turquia e outros países da coalizão já estudam como cada um atuará nos ataques.

Caças russos chegam a Bagdá para auxiliar o Iraque no combate aos assassinos decapitadores (Foto: Reuters)

Caças russos chegam a Bagdá para auxiliar o Iraque no combate aos assassinos decapitadores (Foto: Reuters)

A Turquia mudou sua postura com relação a envolver-se em uma operação militar internacional contra o EI desde a libertação, em 20 de setembro, dos reféns turcos que estiveram há quase três meses em mãos dos jihadistas. “A Turquia fará o necessário no que envolve sua parte de responsabilidade. Dizer que a Turquia nunca tomará uma posição militar é errôneo. Protegerão outros países nossas fronteiras? Não, nós mesmos protegeremos nossas fronteiras”, afirmou o presidente turco.

Comentários do blog

O eventual ingresso da Turquia na coalizão que vem atacando os terroristas responsáveis por uma espantosa onda de barbárie em territórios que controlam no Iraque na Síria será um reforço considerável — sobretudo se se dispuser a fazer o que o Ocidente até agora não quis, ou seja, colocar forças terrestres no combate aos assassinos.

Um reforço considerável, porque a Turquia é, simplesmente, a oitava maior potência militar do mundo, atrás apenas de gigantes como os EUA, a China, a Rússia, a Índia (que é potência nuclear), a França, o Reino Unido e a Alemanha. A classificação é do site especializado Global Firepower.

Com uma população superior a 80 milhões de habitantes e capacidade de mobilizar 700 mil homens, não dá para brincar com os turcos. Mas, antes disso, seria fundamental que o governo de Ankara cortasse a jugular financeira dos terroristas, que se apossaram de campos de petróleo e de refinarias nas áreas que controlam e, por meio de caminhões-tanque, fazem chegar o petróleo a preço de banana em territórios vizinhos, principalmente turco.

Refinaria em mãos dos terroristas no Iraque antes e depois de ataques da coalizão liderada pelos Estados Unidos (Foto: The Pentagon/USA)

Refinaria em mãos dos terroristas no Iraque antes e depois de ataques da coalizão liderada pelos Estados Unidos (Foto: The Pentagon/USA)

Os aviões de combate da coalizão já destruíram pelo menos uma grande refinaria, e vêm bombardeando outras instalações.

Mas os terroristas improvisam refinarias pequenas e rudimentares para processar o petróleo, principalmente em território síro ocupado, embora na maior parte do tempo vendem o próprio óleo cru a dinheiro ou trocam por gasolina ou diesel por meio de rotas de contrabando que, entre outros percursos, ingressam na Jordânia pela província de Anbar, no Irã por meio do Kurdistão iraniano, e na Turquia via Mossul, no norte do Iraque.

É daí que vem o combustível propriamente dito para acionar os veículos que utilizam e o combustível financeiro para bancar dezenas de milhares de homens em armas. Sem estancar essa sangria, o Ocidente e seus aliados vão enxugar gelo.

 

26/09/2014

às 0:00 \ Disseram

Nosso produto, mas não nossa empresa

“O petróleo pode até ser nosso, mas a Petrobras não é mais.”

Pastor Everaldo, candidato do PSC à Presidência da República

20/09/2014

às 18:00 \ Política & Cia

MARCOS FAVA NEVES: O conto da fazenda experimental bolivariana

(Foto: mmg.com.au)

Dentro da Fazenda Experimental Bolivariana, viveriam todos os adeptos do comunismo e os inimigos da agroindústria (Foto: mmg.com.au)

Por Marcos Fava Neves, professor titular de planejamento estratégico e cadeias alimentares da FEA-RP/USP

Este conto teve uma inspiração interessante. Passando pelos canais da TV num sábado à tarde para achar algo que captasse minha atenção, eis que encontrei para rever, o filme A Praia, que tem Leonardo Di Caprio como ator principal.

Para quem não viu, o filme relata as experiências de uma comunidade sonhadora de um novo mundo, que vai para uma praia deserta na Tailândia, e tenta se organizar coletivamente. O filme tem um cenário maravilhoso, e uma interpretação soberba deste ator. Vale, sem dúvida assistir. Mas o que teria a ver este filme com nosso conto, nossa ideia?

Ao perceber no Brasil um crescente movimento ideológico contra a empresa, contra o lucro, da demonização do empresário, pois hoje quem quer produzir é quase que um criminoso ambiental, trabalhista, social e assim por diante, depois de escutar tanta bobagem destes micropartidos na propaganda eleitoral gratuita e também estar cansado de gente alienada, pendurada e que só reclama, vendo “A Praia”, tive uma ideia que pode até ser interessante.

A ideia seria a de criarmos, nos mesmos moldes do filme A Praia, uma fazenda experimental, servindo a diversos propósitos secundários, elencados ao final deste texto, mas com o propósito principal de mostrar a importância da agricultura e do trabalho no dia a dia de todas as pessoas, pois até que algo futurista aconteça, nossos organismos são “movidos à alimentos”.

Uma área abençoada em termos de solos, incidência de sol, regime hídrico, seria escolhida em fronteiras do Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, enfim, numa destas bênçãos divinas recebidas pelos moradores do Brasil. Cercaríamos e colocaríamos em marcha o projeto.

Mas quem iria para a Fazenda? Para lá seriam levados para um estágio as pessoas críticas à agricultura, ao produtor rural, ao agronegócio e as que têm visão deturpada ou parcial sobre o setor.

Iriam desde os que pregam a socialização dos meios de produção, os que são ideologicamente contra a empresa, contra o lucro, contra a ordem e o progresso, os radicais de diversos setores, os invasores (ou “ocupadores”), os anti-produção, os que desejam transformar o Brasil numa mega-aldeia, ativistas, representantes de algumas ONG’s confinados no sempre refrigerado ambiente Brasília/cidades internacionais, filósofos de gabinete, alguns artistas globais do eixo Ipanema, Leblon, Butantã, Pompéia, que pensam que seu baby beef nasceu na cozinha do restaurante da Vieira Souto e seu chopinho foi gerado dentro da chopeira dos maravilhosos bares da Ataulfo de Paiva ou dos arredores de Pompéia.

Levaríamos também gente que acredita nos modelos da Coreia do Norte, Cuba e Venezuela, entre outros. Selecionaríamos parte dos 61 milhões de brasileiros em idade de trabalho, mas que não trabalham, não procuram trabalho e não estudam, entre eles os dependentes de bolsas governamentais que tem habilidade, capacidade e ofertas de trabalho e os usuários do auxílio desemprego que forçaram suas demissões.

Ou seja, a geração “nem-nem” também iria, os jovenzinhos ativistas ainda pendurados nas bolsas paternas e os outros não tão jovens, em idade de trabalho, mas que esticam até os 30, 40 anos sua permanência na universidade pública, normalmente em cursos sem demanda.

Para poupar um esforço inicial dos habitantes desta fazenda, já entregaríamos a área com todo o cipoal de licenças e burocracia necessárias para se trabalhar e produzir. Teríamos uma infra-estrutura coletiva de hospedagem na fazenda, com bons banheiros, porém, todos coletivos. Haveria telefones coletivos e uma sala de informática coletiva, com os softwares de domínio social. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

07/09/2014

às 19:00 \ Vasto Mundo

Problemas de Primeiro Mundo: na Noruega, as ruas sofrem com o excesso de carros elétricos

(Foto: Pierre-Henry Deshayes/AFP)

Já que podem rodar nas faixas de ônibus, os carros elétricos atravancam o trânsito e prejudicam a eficiência do transporte público na Noruega (Foto: Pierre-Henry Deshayes/AFP)

Por Tamara Fisch

A questão pode parecer irônica, já que ocorre em um país cuja produção de petróleo é uma das maiores do mundo, mas é um fato: há tantos carros elétricos na Noruega que começa a existir um problema.

Para incentivar a compra de veículos não poluentes, a Noruega instituiu vários benefícios – entre eles, a isenção da maior parte dos impostos sobre a compra do carro, taxas baratas de licenciamento, zonas de estacionamento exclusivas e gratuitas, e permissão para trafegar em faixas reservadas para ônibus. Já estão espalhadas pelas cidades norueguesas milhares de estações onde se podem carregar os veículos sem custo algum.

O objetivo por trás da implantação dos benefícios era reduzir a liberação de gases estufa, já que o trânsito é responsável por 10% das emissões do país.

O governo, no entanto, aparentemente não contava que suas medidas pró-elétricos causasse a explosão nas vendas de que causou. E não se preparou para uma situação como a atual.

Os carros elétricos já são 85% dos veículos que trafegam em faixas de ônibus nos horários de pico, o que gera trânsito e torna o transporte público menos eficiente. Além disso, as isenções de impostos já custaram ao país 500 milhões de euros (quase 1,5 bilhão de reais).

Não é para menos. Este ano, os carros elétricos foram responsáveis por 13% das vendas de veículos no país. Hoje, rodam pelas estradas norueguesas mais de 30 mil exemplares dos veículos amigáveis ao meio ambiente, o que é um número surpreendente em um país de pouco mais de 5 milhões de habitantes. A Noruega já tem mais carros elétricos per capita do que qualquer outra nação.

O governo norueguês se comprometeu a manter os incentivos até 2017 ou até que haja 50 mil veículos elétricos nas ruas. No ritmo de crescimento das vendas, é possível que esse número seja atingido no início de 2015, e então as medidas terão de ser repensadas. Erna Solberg, primeira-ministra da Noruega, admitiu que existe a possibilidade de as vantagens serem reduzidas no futuro, mas garantiu que elas continuarão presentes.

06/08/2014

às 19:18 \ Política & Cia

NINGUÉM ENTENDEU NADA: Dilma se irrita (e se enrola) ao explicar relação do Planalto com farsa da CPI

Dilma Rousseff participa do encontro na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília  (Foto: Ichiro Guerra/Divulgação/VEJA)

Dilma Rousseff participa do encontro na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília (Foto: Ichiro Guerra/Divulgação/VEJA)

Presidente se perde no dilmês ao tratar do tema: ‘Acho estarrecedor alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela’

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges, de Brasília, para o site de VEJA

A presidente Dilma Rousseff ficou extremamente irritada nesta quarta-feira ao ser questionada sobre a participação do Planalto na farsa montada por governistas e pelo PT para impedir investigações na CPI da Petrobras no Senado – revelada por VEJA nesta semana.

Ao deixar a sabatina promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, a petista negou-se a esclarecer a ligação de servidores do Planalto com o caso: nesta quarta, o jornal Folha de S. Paulo informou que Luiz Azevedo, secretário-executivo das Relações Institucionais, ajudou a elaborar o plano de trabalho apresentado pela comissão em maio.

Já Paulo Argenta, outro assessor da pasta, foi um dos responsáveis pela preparação das questões antecipadas aos depoentes, como mostra vídeo obtido por VEJA.

Dilma também não explicou porque servidores do governo e da liderança governista no Senado participaram da formulação de um gabarito para depoentes. E foi além: ignorando o fato de que a elaboração das perguntas feitas em uma CPI seja tarefa exclusiva dos integrantes da comissão e do relator dos trabalhos, Dilma afirmou ser “estarrecedor o fato de que seja necessário alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela”.

Em um raciocínio confuso, a presidente-candidata disse que o setor de petróleo seria complexo demais para que pessoas de fora da área questionassem a Petrobras a respeito – e ainda ensaiou a tese de que apenas técnicos especializados em combustíveis teriam condições de elaborar perguntas à estatal.

– Vou te falar uma coisa. Acho extraordinário. Primeiro porque o Palácio do Planalto não é expert em petróleo e gás. O expert em petróleo e gás é a Petrobras. Eu queria saber se você pode me informar quem elabora perguntas sobre petróleo e gás para a oposição também. Muito obrigada.

Alguém entendeu? Pois ela continuou:

– Não é o Palácio do Planalto nem nenhuma sede de nenhum partido. Quem sabe das perguntas sobre petróleo e gás só tem um lugar. Pergunta só tem um lugar no Brasil. Eu diria vários lugares no Brasil: a Petrobras e todas as empresas de petróleo e gás”, disse, sem disfarçar o nervosismo – que tornou a fala da presidente ainda mais difícil de ser compreendida.

Leiam também: 

Gravações comprovam: CPI da Petrobras foi uma grande farsa
Farsa na CPI: oposição pede anulação de depoimentos e promete acionar PGR

“Você sabe que há uma simetria (sic) de informação entre nós, mortais, e o setor de petróleo. É um setor altamente oligopolizado, extremamente complexo tecnicamente. Acho estarrecedor que seja necessário alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela”, completou, sem esclarecer o episódio.

VEJA revelou nesta semana que governistas engendraram esquema para treinar os principais depoentes à comissão de inquérito, repassando a eles previamente as perguntas que seriam feita na CPI e indicando as respostas que deveriam ser dadas. Paulo Argenta; Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado; e Carlos Hetzel, secretário parlamentar do PT na Casa, formularam perguntas aos depoentes e atuaram para que as respostas, tal qual um gabarito de prova, fossem entregue às pessoas que falariam à comissão.

O kit de perguntas e respostas foi distribuído ao ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli e ao ex-diretor Nestor Cerveró, apontado como o autor do “parecer falho” que levou a estatal do petróleo a aprovar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, um negócio que causou prejuízo de quase 1 bilhão de dólares à empresa. A atual presidente da companhia Graça Foster também recebeu as perguntas da CPI por meio do chefe do escritório da empresa em Brasília, José Eduardo Barrocas.

Até o momento a oposição identificou que o teatro na CPI da Petrobras pode ter envolvido os crimes de obstrução da Justiça, fraude, improbidade por uso de servidores para fins privados, falso testemunho de depoentes, advocacia administrativa e possível violação do sigilo funcional se servidores tiverem repassado documentos sigilosos da CPI para o Poder Executivo.

Sem deixar que questionamentos sobre a Petrobras fossem apresentados a ela, a presidente ainda se recusou a responder sobre os possíveis impactos da inclusão de Graça Foster entre os responsáveis por Pasadena, em decisão a ser tomada pelo TCU nesta quarta-feira. Graça, que era diretora de gás e energia quando se desenvolviam as negociações de Pasadena, deve ter seus bens declarados indisponíveis, a exemplo dos demais.

“Você já julgou, querida? Se você julgou, eu te agradeço por não fazer isso”, afirmou Dilma, interrompendo a pergunta. “Acho que se não houve julgamento não se gera constrangimento nenhum. Peço para você não me fazer uma pergunta sobre um julgamento de uma corte, que não foi feito. Não é correto”, disse.

06/07/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Os 15 políticos mais ricos do mundo. (Atenção: esta lista não inclui políticos ladravazes do Brasil)

Sonia Gandhi, presidente do partido do congresso na Índia, com o rei e a rainha da Bélgica (Foto: Mark Renders / Getty Images)

Sonia Gandhi (centro), presidente do Partido do Congresso na Índia, com o ex-rei Albert e a ex-rainha Paola, da Bélgica, está na lista dos políticos mais ricos (Foto: Mark Renders / Getty Images)

Campeões-de-audiênciaOriginalmente publicado a 10 de fevereiro de 2014

Publicado por Guilherme Dearo, no site da revista Exame

OS 15 POLÍTICOS MAIS RICOS DO MUNDO

Veja quem são os bilionários da política e como eles ganharam as suas fortunas

Os salários de presidentes, governantes e demais representantes do povo não costumam ser uma fortuna – pelo menos se comparado com os ganhos de grandes empresários.

Muitos dos políticos até doam os seus salários e outros vivem humildemente – o caso, por exemplo, do presidente uruguaio José Mujica.

Isso não impede que haja muitos bilionários ocupando cargos representativos mundo afora. Investidores, donos de negócios privados, verdadeiros homens de negócios: uma fortuna construída antes (ou durante) a ocupção na vida pública.

Veja a seguir os 15 políticos mais ricos do mundo e como eles fizeram fortuna. O ranking exclui políticos bilionários que não estão ocupando algum cargo no momento, como Silvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro italiano, e Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York.

1. Abdullah Bin Abdul Aziz

Abdullah Bin Abdul Aziz, rei da Arábia Saudita (Foto: Courtney Kealy / Getty Images)

Abdullah Bin Abdul Aziz, rei da Arábia Saudita (Foto: Courtney Kealy / Getty Images)

Fortuna: US$ 21 bilhões

País de origem: Arábia Saudita

Cargo: rei.

Ele se tornou rei da Arábia Saudita em 2005, substituindo seu irmão Fahd.

Abdullah dispõe de 20% das reservas de petróleo do país, já que controla a empresa estatal Saudi Aramco.

Aliado do ex-presidente americano George W. Bush, Abdullah tem algumas extravagâncias, como possuir uma fazenda com mil cavalos nos estábulos.

2. Hassanal Bolkiah

Hassanal Bolkiah, sultão de Brunei (Foto: Christopher Furlong / Getty Images)

Hassanal Bolkiah, sultão de Brunei (Foto: Christopher Furlong / Getty Images)

Fortuna: US$ 20 bilhões.

País de origem: Brunei.

Cargo: sultão.

Bolkiah está à frente de Brunei desde 1967.

Ele construiu sua fortuna a partir de empresas de gás e petróleo.

O sultão tem uma coleção de 7 mil carros esportivos e sua residência oficial é um dos maiores palácios do mundo: 200 mil metros quadrados.

3. Sonia Gandhi

Sonia Gandhi, presidente do Partido do Congresso na Índia (Foto: Mark Renders / Getty Images)

Sonia Gandhi, presidente do Partido do Congresso na Índia (Foto: Mark Renders / Getty Images)

Fortuna: entre US$ 2 bilhões e US$ 19 bilhões.

País de origem: Índia, onde está radicada desde 1968, após casar-se com Rajiv Gandhi, filho da falecida primeira-ministra Indira Gandhi e, no futuro, ele próprio primeiro-ministro. Nasceu na Itália.

Cargo: presidente do governante Partido do Congresso.

Não se sabe ao certo quanto realmente tem Sonia Gandhi, mas sua fortuna é herança da família Gandhi [sem relação com o Mahatma Gandhi, herói da independência da Índia], que governou o país durante a maior parte do tempo após a independência do Reino Unido, em 1947.

O site que monitora as contas declaradas dos políticos indianos, porém, informa que o patrimônio de Sonia é de apenas 200 mil dólares.

4. Khalifa Bin Zayed Al Nahyan

Khalifa Bin Zayed Al Nahyan, Presidente e emir de Abu Dhabi (Foto: David Cannon / Getty Images)

Khalifa Bin Zayed Al Nahyan, presidente e emir de Abu Dhabi (Foto: David Cannon / Getty Images)

Fortuna: US$ 18 bilhões.

País de origem: Emirados Árabes Unidos.

Cargo: Presidente dos Emirados  e emir de um dos sete emirados que formam a entidade, Abu Dhabi.

Khalifa controla o Abu Dhabi Investment Authority, o maior fundo soberano do mundo.

Segundo a revista Forbes, ele também controla 97,8 bilhões de dólares em reservas de petróleo.

5. Vladimir Putin

Vladimir Putin, presidente da Rússia (Foto: Carsten Koall / Getty Images)

Vladimir Putin, presidente da Rússia (Foto: Carsten Koall / Getty Images)

Fortuna: entre US$ 180 mil e US$ 40 bilhões.

País de origem: Rússia.

Cargo: presidente.

Outro político com uma fortuna controversa – e acusado de corrupção.

O governo russo garante que ele possui apenas 180 mil dólares.

Mas o mais provável é que ele tenha até 40 bilhões. E não faltam afirmações de setores da oposição, garantindo que Putin vale mais de 70 bilhões de dólares.

6. Savitri Jindal

Savitri Jindal, Membro da Assembleia Legislativa em Haryana (Foto: Reprodução / IndiaTV)

Savitri Jindal, deputada estadual na Índia (Foto: Reprodução / IndiaTV)

Fortuna: US$ 13,2 bilhões.

País de origem: Índia.

Cargo: Deputada à Assembleia Legislativa do Estado de Haryana. no norte do país.

Ela se tornou uma das mulheres mais ricas da Índia ao comandar a O.P. Jindal, conglomerado de aço da família. Hoje, seu filho está à frente da empresa.

7. Zong Qinghou

Zong Qinghou, Membro do PC e do Conselho nacional do Povo Chinês (Foto: China Photos / Getty Images)

Zong Qinghou, Membro do PC e do Conselho nacional do Povo Chinês (Foto: China Photos / Getty Images)

Fortuna: US$ 10,8 bilhões.

País de origem: China.

Cargo: Membro do Partido Comunista Chinês e do Conselho Nacional do Povo.

Zong é presidente do império de bebidas Wahaha Group.

A CNN já o considerou um dos 15 empresários mais influentes da China.

8. Serge Dassault

Serge Dassault, senador na França (Foto: Franck Prevel / Getty Images)

Serge Dassault, senador e industrial francês, e a mulher, Nicole (Foto: Franck Prevel / Getty Images)

Fortuna: US$ 8 bilhões.

País de origem: França.

Cargo: senador.

É presidente do Groupe Dassault [aeronáutica, setor aeroespacial, armamentos] e dono do Le Figaro, um [prestigioso] jornal diário francês.

Seu pai, Marcel Dassault, é fundador da empresa de aviação que leva o nome da família.

9. Hans-Adam II

Hans-Adam II, príncipe de Liechtenstein (Foto: Sean Gallup / Getty Images)

Hans-Adam II, príncipe de Liechtenstein (Foto: Sean Gallup / Getty Images)

Fortuna: entre US$ 4 bilhões e US$ e US$ 7,6 bilhões.

País de origem: Liechtenstein.

Cargo: príncipe e chefe de Estado.

Ele é dono do grupo bancário LGT e um grande colecionar de arte, que expõe no Museu Liechtenstein.

Hans é considerado o monarca mais rico da Europa e comanda uma família que já tem 900 anos de história.

10. Wu Yajun

Wu Yajun, Membro do PC Chinês e do Conselho Nacional do Povo (Foto: Reprodução)

Wu Yajun, Membro do PC Chinês e do Conselho Nacional do Povo (Foto: Reprodução)

Fortuna: US$ 6,7 bilhões.

País de origem: China.

Cargo: Membro do PC Chinês e do Conselho Nacional do Povo.

Ex-jornalista, Wu é presidente do Longfor Properties, holding de um poderoso grupo de empresas, inclusive do setor financeiro, onde sua família tem 70% de participação.

Em 2011, ela foi considerada a mulher mais rica da China.

11. Suleiman Kerimov

Suleiman Kerimov, membro do Parlamento na Rússia (Foto: Reprodução)

Suleiman Kerimov, membro do Parlamento na Rússia (Foto: Reprodução)

Fortuna: US$ 5,5 bilhões

País de origem: Rússia

Cargo: membro do Parlamento

Kerimov é um grande investidor em bancos, mineradoras e imobiliárias. Recentemente, comprou participação na maior empresa de fertilizante da Rússia.

Ele possui três aviões e dois iates.

12. Mohammed Bin Rashid Al Maktoum

Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, primeiro-ministro, vice-presidente e monarca de Dubai (Foto: David Cannon / Getty Images)

Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, primeiro-ministro, vice-presidente e monarca de Dubai (Foto: David Cannon / Getty Images)

Fortuna: US$ 4,5 bilhões.

País de origem: Emirados Árabes Unidos.

Cargo: primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados, e emir de um deles, Dubai.

Mohammed começou sua carreira pública nos anos 1970. Ao mesmo tempo, começou a se envolver com empresas de aviação, turismo e petróleo.

Seu site pessoal o descreve como poeta e admirador de cavalos.

É dono da Darley Stud, uma das maiores empresas de criação de cavalos do mundo.

13. Sebastián Piñera

Sebastián Piñera, presidente do Chile (Foto: Sean Gallup / Getty Images)

Sebastián Piñera, presidente do Chile (Foto: Sean Gallup / Getty Images)

Fortuna: US$ 21 bilhões.

País de origem: Chile.

Cargo: presidente [seu mandato expira a 11 de março].

Ele fez fortuna criando companhias como a Las Américas Real State Company [setor imobiliário] e tem participações na [empresa aérea] Lan Chile e na rede de TV Chilevisión.

14. Lu Guanqiu

Lu Guanqiu, membro do PC chinês (Foto: Aly Song / Reuters)

Lu Guanqiu, membro do PC chinês (Foto: Aly Song / Reuters)

Fortuna: US$ 2,4 bilhões.

País de origem: China.

Cargo: Membro do PC chinês.

Ele é presidente do conglomerado Wanxiang Group, multinacional de componentes automotivos.

15. Andrei Molchanov

Andrei Molchanov, membro do Parlamento na Rússia (Foto: Reprodução)

Andrei Molchanov, membro do Parlamento na Rússia (Foto: Reprodução)

Fortuna: US$ 1,8 bilhão.

País de origem: Rússia.

Cargo: membro do Parlamento.

Ele é um dos maiores acionistas da LSR Group, uma das maiores empresas de construção do país.

29/06/2014

às 6:00 \ Disseram

O mercado não vota em ninguém

“Pelo que eu sei, esse tal de mercado nunca votou em você e nunca votou em mim.”

Lula, ex-presidento, em discurso para militantes do PT; durante o evento, ele criticou a cobertura que a imprensa fez da decisão do governo de contratar a Petrobras para produzir petróleo em quatro campos do pré-sal sem licitação

10/06/2014

às 18:45 \ Política & Cia

Brasil perdoa dívida de ditador africano que tem fortuna de bilhões de dólares, mansões na Europa, iates e coleção de carros de luxo

Mansão em Nice, na Côte d'Azur francesa: um dos 66 imóveis do ditador do Congo Brazzaville na Europa (Foto

Mansão em Nice, na Côte d’Azur francesa: um dos 66 imóveis do ditador do Congo Brazzaville na Europa (Foto: skirocket.net)

LUCROS NA ÁFRICA

Por José Casado, texto publicado no jornal O Globo

Numa tarde de quarta-feira de um ano atrás, 22 de maio, Dilma Rousseff pediu e o Senado concedeu, sem debate, perdão sobre 79% da dívida que o Congo-Brazzaville mantinha pendente com o Brasil há quatro décadas.

O débito somava US$ 353 milhões. O governo brasileiro renunciou a US$ 278 milhões. Aceitou receber US$ 68,8 milhões — em até 20 parcelas trimestrais até 2019 —, do país que é o quarto maior produtor de petróleo da África.

O perdão de Dilma foi o desfecho de uma operação iniciada em 2005 no Ministério da Fazenda, sob o comando de Antonio Palocci. O objetivo era abrir caminho para empreitadas privadas brasileiras no Congo-Brazzaville.

Cravado no coração africano, tem o tamanho de Goiás. É referência no mapa de produção de petróleo e se destaca na rota dos diamantes “de sangue” — sem origem —, moeda corrente no submundo de armas e do narcotráfico.

O ditador Denis Sassou-Nguesso e a esposa, sentados como que num trono: no poder, direta ou indiretamente, há 35 anos (Foto: AFP)

O ditador Denis Sassou-Nguesso e a esposa, sentados como que num trono: no poder, direta ou indiretamente, há 35 anos (Foto: AFP)

Seus quatro milhões de habitantes sobrevivem com renda per capita (US$ 2.700) semelhante à do Paraguai. O poder local está concentrado no clã de Denis Sassou Nguesso, de 71 anos, que se tornou um dos mais longevos cleptocratas africanos.

Ex-pobres, os Nguesso detêm bilionário patrimônio no qual constam 66 imóveis de luxo na França, em áreas nobres do eixo Paris-Provence-Riviera — segundo documentos de tribunais de Londres e Paris.

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