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petróleo

29/03/2014

às 18:00 \ Política & Cia

NEIL FERREIRA: Pequenos acionistas, grandes otários. E lá vai o Brasil descendo a ladeira

Neil Ferreira: "É a refinaria das Mãos Sujas; 'sujas do petróleo do Pré-Sal', emprestado de outro poço antigo, do tempo do FHC, marcando 'a nossa autossuficiência em petróleo'. Hoje, autossuficientes, importamos petróleo, gasolina e etanol" (Foto: Agência Brasil)

Neil Ferreira: “É a refinaria das Mãos Sujas; ‘sujas do petróleo do Pré-Sal’, emprestado de outro poço antigo, do tempo do FHC, marcando ‘a nossa autossuficiência em petróleo’. Hoje, autossuficientes, importamos petróleo, gasolina e etanol” (Foto: Agência Brasil)

Por Neil a Petrobras é deles Ferreira

Os grandes otários somos nós, pequenos possuidores do papel pintado que são as ações da Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil, Nossa Caixa (Deles) e mais um monte de estatais e do Brasil, rebaixados pela Standard & Poor’s.

Lá vai o Brasi descendo a ladeira.

Digressão:

Peço vários minutos de silêncio em respeito ao gênio de Nelson Rodrigues, torturado e assassinado quase diariamente pela Miss Piggy, a quem peço vênia para ter respeito à memória de tão importante autor que ela nunca deve ter lido.

Suas, do Rodrigues, deliciosas hipérboles beiravam os exageros operísticos da língua italiana.

O jornalista Ruy Castro escreveu uma biografia, O Anjo Pornográfico, que recomendo a quem é apaixonado por textos bem escritos, eu sou, tanto os do biógrafo como os do biografado.

Você encontra Nelson Rodrigues no teatro, no cinema, nos jornais, rádio e TV e, pobre dele, em citações constantes na boca da Miss Piggy. Ruy Castro, você encontra como colunista da Falha de S.Paulo.

Certa vez fui a um cinema em Roma ver um filme do Pasolini, 120 dias de Sodoma, proibido no Brasil. Pedi um bom lugar e o bilheteiro me disse:

Habiamo poltrona e poltronissima.

Perguntei a diferença:

– C`è la stessa roba [algo como "é a mesma droga], e completou com indiferença:

Poltronissima c`è piu (meu italiano acaba aqui) caro.

Fim da digressão:

Digo eu: como pode entender de futebol quem gasta 30 bilhões em 12 arenas da Copa, padrão Fifa, se somos incapazes de ter hospitais, escolas, estradas, aeroportos, saneamento também padrão Fifa ?

O ministro Marco Aurélio Mello é flamenguista roxo. Sei disso porque vi e ouvi seu celular tocar o hino do Flamengo a 200 decibéis a cada chamada, em diversas reuniões que fiz com ele, quando era ministro Presidente do TSE, que ao tomar posse pronunciou o histórico discurso denunciando o Brasil como o “país do faz de conta”.

Quando ia votar no Julgamento do Mensalão eu ficava gelado, não sabendo o que viria da sua cabeça. Eu, sabe-se, com toda isenção bisinidem, torcia pra que toda quadrilha mensaleira pegasse prisão perpétua, como punição pelo assalto aos cofres públicos, de antemão atacados com mãos amplas pela rataiada da corrupção.

Gosto dele como pessoa; como ministro do STF estranhei quando se dizia “maioria de um” no julgamento do Mensalão, rindo de situações tão sérias.

Miss Piggy deve também ser flamenguista doente pois nomeou a filha do ministro para um altíssimo cargo no Judiciário federal, o que, segundo a minha paranoia, dá pra sonhar com uma futura cadeira nepotista no STFF. “Passar açúcar nos beiços dos filhos adoça o bico dos pais”. 100% de acordo.

Aquele “fim da digressão” que falei lá atrás era propaganda enganosa, agora é que é mesmo o fim digressão:

Já escrevi um texto aqui publicado com o título “Bebo pra escrever. Escrevo pra esquecer”.

Nada é mais cabotino e com falta de respeito ao leitor do que um autor citar a si mesmo. Se não escrever não esqueço o que está e o que vem por aí. Vai piorar muito antes de melhorar um pouquinho.

Careta não dá pra encarar o que estão nos fazendo engolir. Papa Hemingwey só bebia seu bourbon depois que escrevia. Derrubava seis doses duplas a partir do meio-dia, quando encerrava sua jornada de trabalho, escrevendo em pé, à mão, numa prancheta.

Terminava um trecho com satisfação ou amassava e jogava no lixo as páginas por ele escritas e por ele recusadas. Escrevo com uma dose dupla de chá gelado ao meu lado.

Depois da minha temporada de UTI no Einstein, voltei pra casa com Resoluções Pós UTI e uma delas é trocar o café pelo chá.

Não que tenha alguma coisa conta o café. É que no Einstein só me davam chá, então acostumei, como o letrista francês Chiquê Buarquê du Holandá vota no Lula “porque está acostumado”.

De maus hábitos o chão do inferno está calçado.

Uma lenda urbana diz: os avestruzes enfiam a cabeça na areia quando percebem perigo iminente (é assim que estou).

O perigo iminente chegou em 1º de janeiro de 2003, quando a Petrobras passou para as mãos cumpanheras que veloz e vorazmente aparelharam a “Jóia da Coroa”, então a maior empresa brasileira e a 12º maior do mundo, hoje lá nas profundezas dos inexistentes poços do Pré Sal; fala-se em 22º lugar e descendo.

É a refinaria das Mãos Sujas; “sujas do petróleo do Pré Sal”, emprestado de outro poço antigo, do tempo do FHC, marcando “a nossa autossuficiência em petróleo”. Hoje, autossuficientes, importamos petróleo, gasolina e etanol.

Estou no time dos pequenos acionistas grandes otários, que caí no conto do vigário aplicado pelo governo, que nos convenceu a enfiar nossos fundos de garantia em ações da Petrobras e de outras estatais.

O ferro na boneca que levamos chega em torno de 50% de desvalorização, neste momento em que escrevo. Se você investiu 10, agora tem 5. Os pequenos acionistas também têm que engolir e digerir um prejuízo de 220 Bilhões de Dólares.

O grande acionista é o tesouro nacional, com 51%; esse tesouro não é o tesouro do Ali Babá, nem faz dinheiro, só gasta.

As maiores obras da Petrobras são o Porto de Cuba, a renovação da frota de ônibus de Havana, o metrô de Caracas, a doação à Bolívia de uma refinaria de petróleo de 1 Bilhão e 500 Milhões de dólares tomada por eles à força, a Estrada da Coca, que liga a região cocaleira à fronteira com o Brasil.

Descobriu-se que o PAC, de quem a Miss Piggy foi chamada de “Mãe”, entregou apenas 10,6% das obras prometidas.

E o exemplo de investimento foi a compra por aproximados 1 Bilhão e 200 Milhões de dólares da “refinaria” Pasadena, sucata que não vale quase nada.

A compra foi feita com a aprovação da Miss Piggy, então “presidenta” do Conselho.

Não estou inventando nem aumentando. É a isso, a Mãe de Todos os Postes, que o “país dos mais de 80%” nos ameaça de reeleger.

Um novo Ibope diz que sua popularidade caiu, mas as bolsas isso e aquilo estão aí pra serem redes pra que a madame não se estatele no chão. Continuo temendo que isso aí só vai parar nos 70% do PRI mexicano.

12/03/2014

às 18:31 \ Política & Cia

Governo precisa reconhecer problema de energia, diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (Foto: Paula Sholl / Agência PSDB)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (Foto: Paula Sholl / Agência PSDB)

Publicado no site de VEJA

GOVERNO PRECISA RECONHECER PROBLEMA DE ENERGIA, DIZ FHC

Em evento sobre o Plano Real, ex-presidente afirmou que mudanças equivocadas no setor criaram situação ruim

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse há pouco, em evento sobre os 20 anos do Plano Real, em São Paulo, que o Brasil pode enfrentar o problema da energia e “tem que reconhecer que ele existe”.

“Na questão da energia, estamos mal porque fizemos mudanças equivocadas na lei de petróleo, na questão de energia elétrica, mudanças equivocadas que paralisaram a alternativa à nossa disposição, que era o álcool da cana”, disse FHC. “Estamos numa situação difícil. O governo tem que reconhecer isso e dizer ‘olha, nós vamos enfrentar’.”

O ex-presidente disse não ter condições técnicas de avaliar se já deveria ser feito algum tipo de racionamento. “Quando eu decretei (o racionamento), não tinha ligação das redes e nem as termoelétricas”, lembrou. De acordo com ele, o que pode acontecer é que o preço da energia fique mais caro.

Ele citou a medida do governo de São Paulo sobre incentivo à economia de água pelos consumidores como uma providência correta e, a respeito do governo federal, disse que houve um “descuido, inteiramente”, de programas para poupar o uso de energia.

 

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28/02/2014

às 14:00 \ Política & Cia

SARDENBERG: A pior petrolífera

"A Petrobras entrou com R$ 650 mil em patrocínios para o congresso nacional do MST - aquele em que os congressistas tentaram invadir o Supremo Tribunal Federal -- por uma 'produção inclusiva e sustentável'"(Foto: Fernanda Calgaro)

“A Petrobras entrou com R$ 650 mil em patrocínios para o congresso nacional do MST – aquele em que os congressistas tentaram invadir o Supremo Tribunal Federal — por uma ‘produção inclusiva e sustentável’”(Foto: Fernanda Calgaro)

Artigo publicado no jornal O Globo

A PIOR PETROLÍFERA

Carlos Alberto Sardenberg

O melhor negócio do mundo é uma companhia de petróleo bem administrada; o segundo, dizia Nelson Rockefeller, é uma petrolífera mal administrada. E o terceiro, acrescentou um gaiato brasileiro, é a Petrobras.

Seria a venezuelana PDVSA a quarta?

A gestão do negócio é um desastre. Na era chavista, num momento de alta demanda pelo óleo, a empresa conseguiu perder produção e reservas. Isso foi consequência de incapacidade gerencial, na medida em que os postos de comando da estatal foram preenchidos por políticos e militantes. Menos engenheiros, mais companheiros.

Mas como petróleo dá dinheiro mesmo com ofensas, o segundo grande desastre venezuelano foi na utilização das receitas da PDVSA. O que seria o certo? Investir primeiro na própria companhia, de modo a torná-la mais produtiva e mais rica – quando, então, pagaria mais dividendos e mais impostos para o caixa do governo. Com esse bom financiamento, o governo poderia fazer as políticas sociais que quisesse.

Chávez, porém, avançou no caixa da empresa. Convenhamos que era uma tentação irresistível para um político populista: todo mês, aquela montanha de dinheiro ali, dando sopa…. Precisa comprar fogão para distribuir nas favelas? Manda a PDVSA comprar. Quem precisa de petróleo e faz fogão barato? A China. Negócio fechado.

Para Cuba e outros amigos, a PDVSA passou a entregar petróleo quase de graça e, ainda assim, pago com o trabalho de médicos e agentes do serviço secreto. Verdade que os médicos também são muito mal remunerados e os agentes, muito úteis para reprimir protestos. Mas o óleo continua saindo barato para os amigos e caro para a PDVSA.

Com tudo isso, não espanta que um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo tenha conseguido ficar sem dólares . O caos econômico em que o chavismo meteu a Venezuela é o desastre da PDVSA em escala nacional.

"A Petrobras não é a PDVSA - qualquer um percebe isso. Mas olhando no detalhe, parece que tem muita gente do governo querendo imitar os companheiros venezuelanos"

“A Petrobras não é a PDVSA – qualquer um percebe isso. Mas olhando no detalhe, parece que tem muita gente do governo querendo imitar os companheiros venezuelanos”

A Petrobras não é a PDVSA – qualquer um percebe isso. Mas olhando no detalhe, parece que tem muita gente do governo querendo imitar os companheiros venezuelanos.

A estatal brasileira divulgou lucro em seu balanço na última terça. Ontem, as ações da companhia despencaram na bolsa. As ordinárias caíram abaixo dos R$ 13,00. Valiam mais de R$ 50 há apenas cinco anos.

Não é especulação de mercado. Reflete, por exemplo, a queda na produção nacional, embora existindo muito petróleo para ser explorado. Uma queda tão expressiva que se a produção subir 7% neste ano – conforme promessa da empresa – voltaria ao nível de 2010. Ou seja, a empresa está fazendo muito menos do que poderia. Por isso, vale menos. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

26/02/2014

às 15:00 \ Política & Cia

MARCUS GUEDES: A insanidade tributária no Brasil. Só de tributos, pagamos mais do que o PIB da Arábia Saudita, da Suécia…

Evolução da carga tributária (Charge: Jornal do Comércio)

Evolução da carga tributária (Charge: Jornal do Comércio)

Artigo do economista e professor universitário Marcus Guedes

INSANIDADE TRIBUTÁRIA

Estudos preliminares apontam que a carga tributária do Brasil, em 2013, atingiu a marca recordista dos 36,42% (em 1986, primeiro ano do governo Sarney, ela era de apenas 22,39%).

Cambiando pelo dólar de 31 de dezembro passado (US$ 1.00 = R$ 2,358), nós teremos fechado o PIB de 2013 em US$ 2,049 trilhões, com uma carga tributária equivalente a US$ 746,222 bilhões. Um número superlativo em termos de carga tributária!

EVOLUÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA NO BRASIL

Evolução da carga tributária no Brasil (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Somos os campeões da tributação dentre os BRICS (Rússia, 23,00%; China, 20,00%, Índia, 13,00%; e, África do Sul, agora integrada ao grupo, com 18,00%). Se contarmos com o Brasil, a média da tributação no bloco fica em 22,08%. Se subtrairmos o Brasil do ranking, a média cai para 18,50%.

Na América Latina, só perdemos para a Argentina, ora vivendo uma forte crise econômica (que fechou com uma carga tributária de 37,30%, um pouco superior à nossa, de 36,42%). O Uruguai, que tem o terceiro maior nível de tributação, fechou com 26,30%; o México, com 19,60%, mesmo percentual da Colômbia. Na moribunda Venezuela, a carga chega a meros 13,70%; e, na Guatemala, temos a menor carga tributária, equivalente a 12,30%.

Carga tributária brasileira (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Carga tributária brasileira (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Talvez, o mais doloroso nesse confronto de números é constatar que somente 18 (dezoito) economias mundiais têm um Produto Interno Bruto (PIB) maior do que o montante de tributos que os brasileiros pagaram em 2013.

O valor dos tributos que recolhemos só é menor do que o PIB (pela ordem) de Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França, Brasil, Inglaterra, Itália, Rússia, Índia, Canadá, Austrália, Espanha, México, Coreia do Sul, Indonésia, Turquia e Holanda. As demais economias do mundo não produzem, individualmente, volume de riquezas suficiente para pagar os impostos brasileiros. Isso mesmo!

Carga tributária dos Brics (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Carga tributária dos Brics, em % (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Para que se tenha uma ideia do peso dessa insanidade tributária, a nossa carga de impostos é superior ao PIB de países como a Arábia Saudita (grande produtora de petróleo), Suíça, Suécia, Noruega, Áustria…

Nós pagamos duas vezes mais tributos do que o PIB de países como a Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Chile, Singapura, Hong Kong, Egito e Grécia.

Carga tributária dos países da América Latina, em % (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Carga tributária dos países da América Latina, em % (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

 

Produzimos três vezes mais impostos do que riquezas em países como a Finlândia, Israel, Portugal, Irlanda e Peru. Para chegar ao patamar do que pagamos de tributos, Vietnã, Iraque e Hungria terão de fazer crescer as suas riquezas em mais de cinco vezes.

Ah, não vamos infernizar a vida do presidente José (Pepe) Mujica, do Uruguai: para ter em seu país a produção de riquezas compatível com o nosso insano poder de tributar, ele terá de fazer crescer o PIB de sua economia quinze vezes mais do que os US$ 49,7 bilhões alcançados em 2013.

A fictícia Belíndia (nação com impostos da Bélgica e prestação de serviços da Índia que se assemelharia ao Brasil), criação primorosa do economista Edmar Bacha, avançou para pior: em 2013, a carga tributária brasileira equivaleu a uma vez e meia o PIB da Bélgica (cotado pelo FMI, para 2013, em US$ 476,8 bilhões).

Carga tributária Brasil X países escolhidos, em  US$ bilhões X PIB (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Carga tributária Brasil X países escolhidos, em US$ bilhões X PIB (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

 

Na verdade, pagamos muito para receber serviços públicos ainda piores, típicos de Bangladesh, Etiópia, Uganda ou Afeganistão.

Desde 1988 (advento da Constituição Cidadã) foram publicadas 4,7 milhões de normas legais voltadas ao ordenamento jurídico do País, nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal).

Dessas, 309.147 se referem à legislação tributária. Isso significa a emissão de 31 (trinta e uma) normas tributárias/dia ou 1,29 norma/hora!

Países com PIB maior do que a carga tributária brasileira, em  US$ bilhões (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Países com PIB maior do que a carga tributária brasileira, em US$ bilhões (CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

 

Ou seja, vivemos num ambiente de insanidade legal que obriga o contribuinte brasileiro a trabalhar mais de quatro meses por ano somente para pagar tributos, sem merecer justa contrapartida de um estado que segue escandalosamente perdulário e submetido a uma gestão de botequim.

Diante disso, parece que “Basta!” soa cada vez mais como boa palavra de ordem.

Fontes: Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, Fundo Monetário Internacional e sites de diversas economias mundiais.

19/02/2014

às 15:00 \ Vasto Mundo

VENEZUELA e um lembrete a Maduro: atirar no povo levou à queda de alguém muito mais poderoso, o xá do Irã, após 37 anos de reinar absoluto

Praçaç Esfand, em Tererã, 27 de dezembro de 1978: multidão tenta desesperada escapar dos tiros do Exército do Xá do Irã (Foto: David Burnett)

Praça Esfand, em Teerã, 27 de dezembro de 1978: multidão tenta desesperada escapar dos tiros do Exército do Xá do Irã. A repressão só engrossou as manifestações…

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não aprendeu lições da história. Atirar no povo derruba regimes — muito mais fortes do que o dele.

Como ocorreu com a ditadura do xá do Irã, Mohammed Reza Pahlevi. Tudo começou com uma coisa ínfima, em outubro de 1977, quando algumas centenas de pessoas saíram às ruas protestando contra o xá, que desde o distante 1941 ocupava o Trono do Pavão, com poderes absolutos e incontestáveis e sólido apoio dos Estados Unidos e de boa parte dos principais países do Ocidente.

Usando os incontáveis bilhões de dólares do petróleo, o xá vinha impondo um programa de modernização industrial e de ocidentalização forçada ao país, deixando de levar na devida conta a fé e a militância da esmagadora maioria dos iranianos, muçulmanos xiitas, e a influência sobre eles exercida pelo líder espiritual então exilado na França, o aiatolá Ruhollah Khomeini.

... até levar a protestos colossais como este, diante da Universidade de Teerã, a 13 de janeiro. Seis dias depois, o xá abdicaria e amargaria o exílio, onde morreu (Fotos: David Burnett)

… que progressivamente levaram a proporções colossais, como esta, diante da Universidade de Teerã, a 13 de janeiro. Três dias depois, o fim: depois de mais de 37 anos de poder absoluto, o xá abdicou e deixou para sempre o país (Fotos: David Burnett)

Quando os protestos cresceram de proporção, em 1978, em vez de liberalizar o regime, libertar presos políticos, reprimir a prática disseminada da tortura, afrouxar a vigilância feroz exercida por sua polícia secreta, a Savak, e permitir canais à oposição, o xá achou-se forte o suficiente para mandar o Exército reprimir, à bala, os protestos.

A cada leva de mortos, os protestos engrossavam e se tornavam mais violentos. No final de 1978, milhões de pessoas já saíam às ruas por todo o Irã, o xá foi perdendo o controle da situação e acabou abdicando no dia 16 de janeiro de 1979, para a seguir vagar, como um pária, de país em país, até conseguir asilar-se, doente de câncer, no Egito, onde morreu em julho de 1980.

O regime semiditatorial da Venezuela começou a trilhar esse caminho. Ele não conduz a um final feliz.

 

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16/02/2014

às 16:00 \ Vasto Mundo

Vocês sabiam que o cortiço mais alto do planeta fica na Venezuela?

Torre de Davi, no centro de Caracas: 45 andares em construção inacabada, ocupada por cercad e 1.500 pessoas (Foto: Alejandro Cegarra)

Torre de Davi, no centro de Caracas: 45 andares em construção inacabada, ocupada por cerca de 1.500 pessoas (Foto: Alejandro Cegarra)

Reportagem de João Vito Cinquepalmi, publicada na revista Superinteressante

A FAVELA MAIS ALTA DO PLANETA

Era para ser um prédio de escritórios supermoderno, com 45 andares. Mas acabou virando um enorme cortiço

Pegue um projeto megalomaníaco e, no meio das obras, decrete a falência do principal investidor. Foi assim que nasceu a Torre de David: um prédio em Caracas, capital da Venezuela, que se transformou na maior favela vertical do mundo.

(Foto: Alejandro Cegarra)

(Foto: Alejandro Cegarra)

O edifício, com 45 andares, abriga hoje cerca de 1.500 pessoas, que invadiram o local depois que a obra foi interrompida.

(Foto: Alejandro Cegarra)

(Foto: Alejandro Cegarra)

O prédio foi idealizado para ser o centro financeiro de Caracas por David Brillembourg, um empresário que fez fortuna explorando petróleo. Mas Brillembourg morreu em 1993, sua empresa quebrou, e a obra parou – com apenas 60% do prédio concluído.

(Foto: Alejandro Cegarra)

(Foto: Alejandro Cegarra)

As famílias começaram a chegar em 2007 e não saíram mais. A invasão foi liderada por um grupo de ex-presidiários evangélicos. Seu diretor é Alexander “El Niño” Daza, que comanda uma equipe de seguranças e virou a autoridade máxima do prédio.

(Foto: Alejandro Cegarra)

(Foto: Alejandro Cegarra)

Água e luz faltam com frequência. Mas o maior problema é que não há elevadores, algo obviamente crítico num prédio desse tamanho.

(Foto: Alejandro Cegarra)

(Foto: Alejandro Cegarra)

Os primeiros dez andares, que foram projetados para servirem de estacionamento, podem ser subidos de mototáxi. Mas dali para cima, só mesmo usando as pernas.

(Foto: Alejandro Cegarra)

(Foto: Alejandro Cegarra)

“Alguns moradores têm de vencer até 28 andares de escada para chegar em casa”, conta o fotógrafo Alejandro Cegarra, que passou quatro meses registrando imagens na Torre.

(Foto: Alejandro Cegarra)

(Foto: Alejandro Cegarra)

Os últimos andares não têm nem as paredes externas, e por isso não foram ocupados.

(Foto: Alejandro Cegarra)

(Foto: Alejandro Cegarra)

O edifício tem padaria, cabeleireiro, açougue, bar e uma igreja, e cobra um condomínio mensal de 150 bolívares (R$ 55). O resto da cidade tem medo do prédio – onde a polícia costuma entrar para procurar fugitivos.

(Foto: Alejandro Cegarra)

(Foto: Alejandro Cegarra)

Mas a fama de local perigoso é questionada por moradores e visitantes. “Ninguém nunca tentou fazer nada comigo lá”, diz Cegarra.

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10/02/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Os 15 políticos mais ricos do mundo. (Atenção: esta lista não inclui políticos ladravazes do Brasil)

Sonia Gandhi, presidente do partido do congresso na Índia, com o rei e a rainha da Bélgica (Foto: Mark Renders / Getty Images)

Sonia Gandhi (centro), presidente do Partido do Congresso na Índia, com o ex-rei Albert e a ex-rainha Paola, da Bélgica, está na lista dos políticos mais ricos (Foto: Mark Renders / Getty Images)

Publicado por Guilherme Dearo, no site da revista Exame

OS 15 POLÍTICOS MAIS RICOS DO MUNDO

Veja quem são os bilionários da política e como eles ganharam as suas fortunas

Os salários de presidentes, governantes e demais representantes do povo não costumam ser uma fortuna – pelo menos se comparado com os ganhos de grandes empresários.

Muitos dos políticos até doam os seus salários e outros vivem humildemente – o caso, por exemplo, do presidente uruguaio José Mujica.

Isso não impede que haja muitos bilionários ocupando cargos representativos mundo afora. Investidores, donos de negócios privados, verdadeiros homens de negócios: uma fortuna construída antes (ou durante) a ocupção na vida pública.

Veja a seguir os 15 políticos mais ricos do mundo e como eles fizeram fortuna. O ranking exclui políticos bilionários que não estão ocupando algum cargo no momento, como Silvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro italiano, e Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York.

1. Abdullah Bin Abdul Aziz

Abdullah Bin Abdul Aziz, rei da Arábia Saudita (Foto: Courtney Kealy / Getty Images)

Abdullah Bin Abdul Aziz, rei da Arábia Saudita (Foto: Courtney Kealy / Getty Images)

Fortuna: US$ 21 bilhões

País de origem: Arábia Saudita

Cargo: rei.

Ele se tornou rei da Arábia Saudita em 2005, substituindo seu irmão Fahd.

Abdullah dispõe de 20% das reservas de petróleo do país, já que controla a empresa estatal Saudi Aramco.

Aliado do ex-presidente americano George W. Bush, Abdullah tem algumas extravagâncias, como possuir uma fazenda com mil cavalos nos estábulos.

2. Hassanal Bolkiah

Hassanal Bolkiah, sultão de Brunei (Foto: Christopher Furlong / Getty Images)

Hassanal Bolkiah, sultão de Brunei (Foto: Christopher Furlong / Getty Images)

Fortuna: US$ 20 bilhões.

País de origem: Brunei.

Cargo: sultão.

Bolkiah está à frente de Brunei desde 1967.

Ele construiu sua fortuna a partir de empresas de gás e petróleo.

O sultão tem uma coleção de 7 mil carros esportivos e sua residência oficial é um dos maiores palácios do mundo: 200 mil metros quadrados. 

3. Sonia Gandhi

Sonia Gandhi, presidente do Partido do Congresso na Índia (Foto: Mark Renders / Getty Images)

Sonia Gandhi, presidente do Partido do Congresso na Índia (Foto: Mark Renders / Getty Images)

Fortuna: entre US$ 2 bilhões e US$ 19 bilhões.

País de origem: Índia, onde está radicada desde 1968, após casar-se com Rajiv Gandhi, filho da falecida primeira-ministra Indira Gandhi e, no futuro, ele próprio primeiro-ministro. Nasceu na Itália.

Cargo: presidente do governante Partido do Congresso.

Não se sabe ao certo quanto realmente tem Sonia Gandhi, mas sua fortuna é herança da família Gandhi [sem relação com o Mahatma Gandhi, herói da independência da Índia], que governou o país durante a maior parte do tempo após a independência do Reino Unido, em 1947.

O site que monitora as contas declaradas dos políticos indianos, porém, informa que o patrimônio de Sonia é de apenas 200 mil dólares. 

4. Khalifa Bin Zayed Al Nahyan

Khalifa Bin Zayed Al Nahyan, Presidente e emir de Abu Dhabi (Foto: David Cannon / Getty Images)

Khalifa Bin Zayed Al Nahyan, presidente e emir de Abu Dhabi (Foto: David Cannon / Getty Images)

Fortuna: US$ 18 bilhões.

País de origem: Emirados Árabes Unidos.

Cargo: Presidente dos Emirados  e emir de um dos sete emirados que formam a entidade, Abu Dhabi.

Khalifa controla o Abu Dhabi Investment Authority, o maior fundo soberano do mundo.

Segundo a revista Forbes, ele também controla 97,8 bilhões de dólares em reservas de petróleo. 

5. Vladimir Putin

Vladimir Putin, presidente da Rússia (Foto: Carsten Koall / Getty Images)

Vladimir Putin, presidente da Rússia (Foto: Carsten Koall / Getty Images)

Fortuna: entre US$ 180 mil e US$ 40 bilhões.

País de origem: Rússia.

Cargo: presidente.

Outro político com uma fortuna controversa – e acusado de corrupção.

O governo russo garante que ele possui apenas 180 mil dólares.

Mas o mais provável é que ele tenha até 40 bilhões. E não faltam afirmações de setores da oposição, garantindo que Putin vale mais de 70 bilhões de dólares. 

6. Savitri Jindal

Savitri Jindal, Membro da Assembleia Legislativa em Haryana (Foto: Reprodução / IndiaTV)

Savitri Jindal, deputada estadual na Índia (Foto: Reprodução / IndiaTV)

Fortuna: US$ 13,2 bilhões.

País de origem: Índia.

Cargo: Deputada à Assembleia Legislativa do Estado de Haryana. no norte do país.

Ela se tornou uma das mulheres mais ricas da Índia ao comandar a O.P. Jindal, conglomerado de aço da família. Hoje, seu filho está à frente da empresa. 

7. Zong Qinghou

Zong Qinghou, Membro do PC e do Conselho nacional do Povo Chinês (Foto: China Photos / Getty Images)

Zong Qinghou, Membro do PC e do Conselho nacional do Povo Chinês (Foto: China Photos / Getty Images)

Fortuna: US$ 10,8 bilhões.

País de origem: China.

Cargo: Membro do Partido Comunista Chinês e do Conselho Nacional do Povo.

Zong é presidente do império de bebidas Wahaha Group.

A CNN já o considerou um dos 15 empresários mais influentes da China.

8. Serge Dassault

Serge Dassault, senador na França (Foto: Franck Prevel / Getty Images)

Serge Dassault, senador e industrial francês, e a mulher, Nicole (Foto: Franck Prevel / Getty Images)

Fortuna: US$ 8 bilhões.

País de origem: França.

Cargo: senador.

É presidente do Groupe Dassault [aeronáutica, setor aeroespacial, armamentos] e dono do Le Figaro, um [prestigioso] jornal diário francês.

Seu pai, Marcel Dassault, é fundador da empresa de aviação que leva o nome da família. 

9. Hans-Adam II

Hans-Adam II, príncipe de Liechtenstein (Foto: Sean Gallup / Getty Images)

Hans-Adam II, príncipe de Liechtenstein (Foto: Sean Gallup / Getty Images)

Fortuna: entre US$ 4 bilhões e US$ e US$ 7,6 bilhões.

País de origem: Liechtenstein.

Cargo: príncipe e chefe de Estado.

Ele é dono do grupo bancário LGT e um grande colecionar de arte, que expõe no Museu Liechtenstein.

Hans é considerado o monarca mais rico da Europa e comanda uma família que já tem 900 anos de história. 

10. Wu Yajun

Wu Yajun, Membro do PC Chinês e do Conselho Nacional do Povo (Foto: Reprodução)

Wu Yajun, Membro do PC Chinês e do Conselho Nacional do Povo (Foto: Reprodução)

Fortuna: US$ 6,7 bilhões.

País de origem: China.

Cargo: Membro do PC Chinês e do Conselho Nacional do Povo.

Ex-jornalista, Wu é presidente do Longfor Properties, holding de um poderoso grupo de empresas, inclusive do setor financeiro, onde sua família tem 70% de participação.

Em 2011, ela foi considerada a mulher mais rica da China. 

11. Suleiman Kerimov

Suleiman Kerimov, membro do Parlamento na Rússia (Foto: Reprodução)

Suleiman Kerimov, membro do Parlamento na Rússia (Foto: Reprodução)

Fortuna: US$ 5,5 bilhões

País de origem: Rússia

Cargo: membro do Parlamento

Kerimov é um grande investidor em bancos, mineradoras e imobiliárias. Recentemente, comprou participação na maior empresa de fertilizante da Rússia.

Ele possui três aviões e dois iates. 

12. Mohammed Bin Rashid Al Maktoum

Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, primeiro-ministro, vice-presidente e monarca de Dubai (Foto: David Cannon / Getty Images)

Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, primeiro-ministro, vice-presidente e monarca de Dubai (Foto: David Cannon / Getty Images)

Fortuna: US$ 4,5 bilhões.

País de origem: Emirados Árabes Unidos.

Cargo: primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados, e emir de um deles, Dubai.

Mohammed começou sua carreira pública nos anos 1970. Ao mesmo tempo, começou a se envolver com empresas de aviação, turismo e petróleo.

Seu site pessoal o descreve como poeta e admirador de cavalos.

É dono da Darley Stud, uma das maiores empresas de criação de cavalos do mundo. 

13. Sebastián Piñera

Sebastián Piñera, presidente do Chile (Foto: Sean Gallup / Getty Images)

Sebastián Piñera, presidente do Chile (Foto: Sean Gallup / Getty Images)

Fortuna: US$ 21 bilhões.

País de origem: Chile.

Cargo: presidente [seu mandato expira a 11 de março].

Ele fez fortuna criando companhias como a Las Américas Real State Company [setor imobiliário] e tem participações na [empresa aérea] Lan Chile e na rede de TV Chilevisión. 

14. Lu Guanqiu

Lu Guanqiu, membro do PC chinês (Foto: Aly Song / Reuters)

Lu Guanqiu, membro do PC chinês (Foto: Aly Song / Reuters)

Fortuna: US$ 2,4 bilhões.

País de origem: China.

Cargo: Membro do PC chinês.

Ele é presidente do conglomerado Wanxiang Group, multinacional de componentes automotivos. 

15. Andrei Molchanov

Andrei Molchanov, membro do Parlamento na Rússia (Foto: Reprodução)

Andrei Molchanov, membro do Parlamento na Rússia (Foto: Reprodução)

Fortuna: US$ 1,8 bilhão.

País de origem: Rússia.

Cargo: membro do Parlamento.

Ele é um dos maiores acionistas da LSR Group, uma das maiores empresas de construção do país.

04/02/2014

às 16:30 \ Política & Cia

O PORTO QUE O BRASIL FINANCIOU EM CUBA: Se é bom, por que é secreto?

FIDEL COM DILMA -- "Cultivo una rosa bianca / en junio como enero / para el amigo sincero / que me da su mano franca" (Foto: Alex Castro / AP)

FIDEL COM DILMA — “Cultivo una rosa bianca / en junio como enero / para el amigo sincero / que me da su mano franca” (Foto: Alex Castro / AP)

Reportagem de Duda Teixeira, publicada em edição impressa de VEJA

SE É BOM, POR QUE É SECRETO?

Nos detalhes do empréstimo do BNDES para um porto em Cuba, protegidos por sigilo, está a resposta para saber se foi mesmo um bom negócio ou a sobrevida para a ditadura

Em visita a Cuba na semana passada, a presidente Dilma Rousseff inaugurou o Porto de Mariel, reformado em sua maior parte com dinheiro brasileiro, participou de uma reunião de cúpula latino-americana e teve um encontro particular com Fidel Castro, que segue mandando no país mesmo tendo passado a bengala para o irmão Raúl.

Com a Venezuela reduzindo o envio de petróleo a aliados, o amparo brasileiro tornou-se essencial para a ditadura cubana. De Dilma, o enfraquecido Fidel ganhou suporte não apenas econômico como político. A presidente até ecoou a desculpa do “injusto embargo” dos americanos a Cuba, usada largamente pelos irmãos Castro para podar os direitos de sua população.

Na tentativa de justificarem ao público brasileiro o empréstimo de 682 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao porto dos gerontocratas, Dilma e seus subordinados apresentaram uma lista pronta de argumentos. Nenhum explica a razão da confidencialidade do acordo entre governos.

Uma das condições do empréstimo concedido pelo BNDES é que a ditadura só poderia gastá-lo na compra de bens e serviços brasileiros. Os capacetes de proteção, o cimento e até um carro Gol foram levados do Brasil. A maior parte das exportações foram serviços.

Os projetos de engenharia, por exemplo, foram traçados por escritórios brasileiros. Dos 233 milhões de dólares exportados para a ilha no ano passado para atender à obra, 201 milhões de dólares foram em serviços. O governo diz que 156.000 empregos foram gerados no Brasil.

Tudo muito bonito, não fosse o alto risco de calote. O Brasil aceitou conceder o empréstimo ancorado em garantia soberana, balizada pelos bancos centrais. Essa modalidade é segura quando há um mecanismo de compensação de exportações entre os países, o que não ocorre com Cuba.

O argumento do governo federal de que a modernização do porto caribenho ajudou a economia brasileira não se sustenta no campo do pensamento lógico. Se investir em uma ilha do Caribe submetida há mais de meio século a uma ditadura comunista tem efeito positivo na economia no Brasil, imagine, então, os ganhos se o dinheiro do contribuinte brasileiro tivesse sido investido diretamente na melhoria dos atulhados e obsoletos portos do Brasil.

É difícil para Brasília explicitar os motivos reais da generosidade na reforma do Porto de Mariel. O que a indigente economia cubana tem para exportar que justifica o investimento brasileiro? Nada. O Porto de Mariel ficou mundialmente conhecido em 1980 pela exportação em massa de… gente.

Em apenas duas semanas cerca de 125 000 cubanos escaparam da ditadura castrista, que, pressionada pela miséria, suspendeu a proibição de abandonar o país. O episódio ficou conhecido como o Êxodo de Mariel.

Na impossibilidade de justificar o empréstimo a Cuba, a saída para o governo brasileiro foi classificá-lo como “secreto”. Os detalhes do projeto, portanto, só poderão ser conhecidos em 2027, dois anos antes do prazo final para Cuba quitar a dívida. É estranho que os negócios do governo do PT com Cuba e também com Angola sejam fechados em segredo.

Nem o Congresso Nacional tem acesso aos termos dessas transações. Dessa forma, até que esse conteúdo seja exposto à luz do sol, os brasileiros têm todo o direito de desconfiar das intenções desses projetos. Têm todo o direito de achar, por exemplo, que o que o Brasil fez foi simplesmente uma doação aos irmãos Castro. Ou coisa pior.

“Os técnicos do BNDES trabalham bem e são meticulosos com as garantias, mas, no final, o banco faz o que o governo manda”, diz Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Ministério do Desenvolvimento informa que o sigilo estava previsto no protocolo de entendimento assinado entre Brasil e Cuba — e só.

Propagou-se também a versão de que o porto cubano será útil às empresas brasileiras com a criação de uma zona especial de desenvolvimento (ZED). A construção dessa área industrial demanda um novo financiamento do BNDES, de 290 milhões de dólares.

Diz o professor Sérgio Lazzarini, da escola de negócios Insper: “É difícil perceber qual seria o interesse brasileiro no projeto. Os chineses fazem portos na África porque cobiçam as matérias-primas locais. Qual será o objetivo do Brasil em um mercado insignificante como o de Cuba?”.

Dilma falou que há várias empresas nacionais interessadas em se instalar na ZED, mas a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex) não é capaz de citar uma única sequer. É arriscado instalar fábricas em Cuba, país que desconhece os conceitos de propriedade privada, lucro e respeito a contratos.

Os defensores do investimento em Mariel acreditam que fixar bandeira agora colocará o Brasil em posição privilegiada quando a economia cubana se abrir. Por esse ângulo também pode ter sido um tiro no pé, como prevê o historiador cubano Manuel Cuesta Morúa: “O modelo de Mariel dará fôlego novo à ditadura porque continuará impedindo o nascimento de um empresariado nacional, ao mesmo tempo que permitirá o enriquecimento ainda maior dos militares”.

Não se sustenta, ainda, a tese de que o porto se pagaria servindo de entreposto logístico, onde os grandes navios redistribuiriam sua carga para embarcações menores. “Se isso ocorrer, o Brasil terá favorecido os exportadores chineses”, diz Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP).

Até que o segredo sobre o projeto seja aberto, a melhor explicação é que se trata de um novo PAC: Programa de Amparo a Cuba.

29/01/2014

às 16:00 \ Política & Cia

J.R. GUZZO: “Não fui eu”

"A presidente Dilma daria um enorme passo adiante se deixasse entrar na própria cabeça a ideia de que um fracasso é apenas um fato, e não um julgamento moral" (Foto: Dida Sampaio / AE)

“A presidente Dilma daria um enorme passo adiante se deixasse entrar na própria cabeça a ideia de que um fracasso é apenas um fato, e não um julgamento moral” (Foto: Dida Sampaio / AE)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

NÃO FUI EU

J. R. GuzzoNada como o fracasso para trazer à luz do sol alguns dos defeitos mais desagradáveis que o ser humano esconde nos subúrbios distantes da sua alma.

Diz-me como lidas com teus fracassos, e eu te direi quem és — eis aí o resumo da ópera, numa adaptação do velho provérbio sobre as más companhias. De fato, é quando as coisas complicam que fica mais fácil dividir o bom do mau caráter.

Personalidades construídas com material de primeira qualidade sabem que o fracasso, em si, não é fatal; é apenas o resultado dos erros de julgamento de todos os dias, e, portanto, deve ser enfrentado com a disposição de fazer mudanças, adquirir mais conhecimento, ouvir mais gente e assim por diante.

Mas sabem, também, que o fracasso pode ser um pecado mortal quando o seu autor não admite que fracassou, ou nega que tenha havido realmente um fracasso, ou, pior que tudo, põe a culpa do fracasso nos outros. Seu mandamento principal é uma frase muito ouvida nas salas de aula infantis: “Não fui eu”. São pessoas fáceis de encontrar. Um dos seus habitats é o governo.

A presidente Dilma Rousseff, por exemplo, não perde nenhuma oportunidade de dizer “não fui eu”. O ano de 2013, para ir direto ao assunto, foi uma droga. O PIB cresceu abaixo de 2,5% — quase metade do que o governo tinha prometido no começo do ano.

O saldo da balança comercial teve o pior resultado desde 2000, com uma queda de quase 90% em relação a 2012. Num tipo de molecagem contábil cada vez mais comum, registrou-se como “exportação” a venda de equipamento que nunca saiu do território nacional.

Em dólar, mesmo, não entrou um centavo no Brasil. Mas no papelório oficial consta o ingresso de quase 8 bilhões, sem os quais, aliás, teria havido déficit na balança de 2013. Outros truques parecidos fazem do Brasil um aluno promissor da Escola de Contabilidade Cristina Kirchner.

Pela primeira vez em dez anos, caíram as vendas de carros. O contribuinte pagou 1,7 trilhão de reais em impostos — a maior soma de todos os tempos. Os brasileiros gastaram cerca de 25 bilhões de dólares no exterior, quatro vezes mais do que os estrangeiros gastaram aqui — e qual a surpresa, quando ficou mais barato comprar um enxoval em Miami do que em Botucatu?

A maior empresa do Brasil, a Petrobras, teve um desempenho calamitoso: em apenas um ano, de 2012 a 2013, foram destruídos 40 bilhões de reais do seu valor de mercado. O Brasil (que Lula, em 2006, proclamou “autônomo” em petróleo, e já pronto para “entrar na Opep”) importou 40 bilhões de dólares em petróleo e derivados em 2013.

A presidente, cada vez mais, dá a a impressão de estar passeando num outro planeta. Segundo Dilma, 2013 até que foi um ano bem bonzinho, e o que pode ter acontecido de ruim não foi culpa dela, e sim da “guerra psicológica” que teria sofrido.

Foram condenados, também, os “nervosinhos” — gente que, segundo o ministro Guido Mantega, fez cálculos pessimistas para as contas públicas de 2013. Veio, então, com uns miseráveis decimais acima das tais previsões — que, de qualquer forma, ficaram muito abaixo da meta prometida. Os juros foram a 10,5% ao ano, a inflação voltou a roncar e o Brasil pode perder o seu sagrado “grau de investimento” em 2014.

A estratégia econômica resume-se hoje a repetir a ladainha de sempre sobre o desemprego de “apenas 4,6%”, que na verdade parece ser de 7%, e o aumento de renda que levou “milhões de brasileiros” a sair da miséria e subir à “classe média”.

Chega a ser piada de humor negro misturar dados de desemprego no Brasil e em países do Primeiro Mundo, para vender a ilusão de que “estamos melhor que eles”. O que adianta isso, quando o abismo entre nosso bem-estar e o do mundo desenvolvido continua igual?

Da “subida social” dos brasileiros, então, é melhor nem falar. Falaro quê, quando o governo decidiu que faz parte da classe média todo cidadão que ganha de 291 reais por mês a 1019? A presidente quer que acreditemos no seguinte disparate: a pessoa entra na classe média se ganhar menos da metade do salário mínimo por mês; se ganhar 1020 reais, já fica rica.

A presidente Dilma daria um enorme passo adiante se deixasse entrar na própria cabeça a ideia de que um fracasso é apenas um fato, e não um julgamento moral. Ninguém se torna um ser humano melhor porque acerta, ou pior porque erra.

Mas no Brasil o que vale não é enfrentar o fracasso lutando pelo sucesso. Melancolicamente, o que funciona é negar a derrota e chamar a marquetagem para dar um jeito nas coisas. O resultado são anos como 2013.

12/01/2014

às 16:00 \ Vasto Mundo

Como o México quebrou um tabu e abriu a exploração de petróleo aos investimentos privados

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A EFICIÊNCIA VENCEU: Os parlamentares da oposição protestaram (à esq.), mas o Senado aprovou a reforma energética. À direita, torre de perfuração da Pemex (Fotos: Henry Romero/Reuters e Omar Torres/AFP)

Reportagem publicada em edição impressa de VEJA

Por Tatiana Gianini

Das plataformas marítimas aos postos de gasolina, toda a indústria petrolífera mexicana é controlada pela estatal Pe­tró­leos Mexicanos (Pemex) desde que a empresa foi nacionalizada, em 1938. Sem nenhuma concorrência, o sistema mexicano era considerado até mais restritivo e atrasado que o da fechada Coreia do Norte, que há pelo menos três décadas já conta com a participação de empresas estrangeiras em suas atividades.

Com investimentos insuficientes, a produção mexicana espelhou a da Venezuela e minguou de 3,4 milhões de barris diários em 2004 para 2,5 milhões em 2012.

Dias atrás, porém, foi dado um passo para acabar com a ineficiência no setor e transformar o México em um concorrente do Brasil na busca por investimentos das petrolíferas mundiais. O Senado mexicano aprovou, com 95 votos a favor e 28 contra, um projeto de lei para abrir o setor de energia a investimentos de empresas privadas nacionais e estrangeiras. Em seguida, a Câmara dos Deputados referendou o texto. Até 2025, a reforma tem potencial para elevar a produção de petróleo para 4 milhões de barris diários e alçar o país do nono para o quinto lugar entre os maiores do mundo no setor.

A extração de petróleo é mais barata no México do que no Brasil por motivos geológicos.”Perfurar em águas profundas por lá custa em torno de 25 a 40 dólares por barril, enquanto no Brasil esse valor está entre 45 e 55 dólares”, diz o economista Marco Oviedo, do banco inglês Barclays.

O México se beneficia, ainda, da vizinhança com os Estados Unidos, o maior consumidor mundial. Como os dois países contam com boa infraestrutura, o custo logístico é reduzido.

Modelo mais atraente

O modelo mexicano também será mais atraente para os investidores, enquanto o Brasil vem criando regras mais restritivas. Entre nós, em 2010, a mudança no marco regulatório aumentou o intervencionismo do governo brasileiro ao obrigar a Petrobras a ter uma participação mínima de 30% na operação de qualquer campo do petróleo do pré-sal, situado a 7 000 metros da superfície do mar.

“Essa mudança de certa forma foi a reinstalação do monopólio. Se o Brasil continuar com esse ambiente de negócios, a tendência é perder capital para o México”, explica o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Em outubro, no maior leilão do pré-sal brasileiro, o do campo de Libra, apenas um único consórcio apareceu para dar seu lance. Uma decepção e tanto para Brasília, que esperava a participação de quarenta empresas. Os próximos leilões devem ocorrer a partir de 2015.

A reforma mexicana é ainda mais ambiciosa do que a proposta pelo presidente Enrique Peña Nieto, que assumiu o posto em dezembro de 2012. O texto prevê diversos modelos de contrato, incluindo divisão de lucros entre as empresas privadas e a estatal, partilha de produção e concessão de licenças de exploração.

Apesar de as reservas comprovadas de petróleo do México serem um pouco menores que as do Brasil, 12 bilhões e 16 bilhões de barris, respectivamente, estima-se que haja muito mais a ser descoberto. O campo ainda inexplorado de Chicontepec, no Estado de Veracruz, por exemplo, pode ter até 139 bilhões de barris. Com essa concorrência, o desafiador pré-sal pode ficar por mais algum tempo intocado.

 

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