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Pedro Simon

25/08/2014

às 18:04 \ Política & Cia

Boa notícia para os brasileiros de bem, que têm esperanças num Congresso decente: o senador Pedro Simon, referência moral no Senado, volta atrás e decide candidatar-se à reeleição

Simon: aos 84 anos, uma das derradeiras consciências morais do Congresso decide não desistir (Foto: Agência Senado)

Simon: aos 84 anos, uma das derradeiras consciências morais do Congresso decide não desistir (Foto: Agência Senado)

É uma grande notícia para os brasileiros que, como eu, ainda acreditam na possibilidade de o Congresso recuperar sua péssima imagem perante o público, voltar a ter respeitabilidade e independência em relação ao governo e cumprir seus deveres – sobretudo os de ser o grande agente fiscalizador do Executivo e a caixa de ressonância dos anseios da sociedade: o senador Pedro Simon (PMDB-RS) voltou atrás em sua decisão de deixar a vida pública e voltará a concorrer às eleições.

Não está em questão, para mim, se Simon, 84 anos, é do PMDB ou não, se concordo ou não com suas posturas e pontos de vista: o que sei é que o velho senador é uma das derradeiras consciências morais do Congresso, é um homem de bem, decente e corajoso, que diz o que pensa e que não tem medo de meter o dedo nas feridas que infernizam a vida pública brasileira.

Um Dom Quixote, muitas vezes solitário e isolado — é parte daquela parcela ínfima do PMDB que não se alinha automaticamente com o Palácio do Planalto e que vota de acordo com sua consciência –, Simon  faria uma enorme falta se estivesse fora da eleição.

Lamentei sua decisão de deixar a vida pública, agora felizmente revertida, como lamentei  profundamente a morte, em 2008, de outra referência de dignidade e honra no Congresso, o senador Jefferson Peres (PDT-AM), a despeito de discordar de algumas de suas opiniões e de não ver com bons olhos o partido para o qual ele se transferiu, após deixar o PSDB pelo qual foi eleito.

O entusiasmo pela decisão do senador, para mim, é multiplicado pelo fato de ele concorrer para a vaga com uma das estrelas do lulopetismo, o ex-governador Olívio Dutra, que espero ardentemente seja derrotado por Simon.

Leiam agora mais informações a respeito da decisão do senador:

Do site de VEJA

Senador gaúcho cedeu aos apelos das lideranças do PMDB no Estado após a escolha de Beto Albuquerque (PSB) para ser o vice de Marina Silva

O senador Pedro Simon (PMDB) desistiu da aposentadoria e vai concorrer à reeleição. Mesmo tendo dito que, aos 84 anos, por recomendação médica, não participaria diretamente de mais uma campanha política, Simon rendeu-se aos apelos das lideranças gaúchas do partido na noite do domingo, e vai tentar conquistar seu quinto mandato no Senado.

Leia também: PT quer esmagar o PMDB, diz Pedro Simon

A decisão é consequência da morte do candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, que contava com apoio do PMDB gaúcho. O deputado federal Beto Albuquerque (PSB), que concorria ao Senado pela aliança regional, tornou-se candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva. A vaga ficou aberta para o PMDB e Simon virou nome preferencial.

Leia também: Quão sustentável é Marina Silva?

A presença de Simon pode manter a unidade da coligação, formada pelo PMDB, PSB, PSD, PPS, PHS, PTdoB, PSL e PSDC em torno do apoio a Marina Silva para a Presidência. A coligação tem como candidato ao governo do Estado o ex-prefeito de Caxias do Sul José Ivo Sartori (PMDB). Os principais concorrentes de Simon na disputa pela vaga do Senado são o ex-governador Olívio Dutra (PT) e o jornalista Lasier Martins (PDT).

(Com Estadão Conteúdo)

21/08/2014

às 12:00 \ Disseram

Quantos anos?

“Perdi a conta… Da última vez, contei 85.”

Pedro Simon, senador, quando questionado sobre a sua idade; o gaúcho (de 84 anos) disse que seu médico o proibiu de disputar outro mandato devido a problemas de saúde

13/08/2014

às 17:12 \ Política & Cia

A MORTE DE EDUARDO CAMPOS: O pesar de Dilma, Aécio Neves, FHC, Michel Temer e vários outros políticos e autoridades

Eduardo Campos (PSB), candidato à Presidência da República, durante entrevista ao 'Jornal Nacional' (Foto: Reprodução/TV Globo/VEJA)

Eduardo Campos (PSB), candidato à Presidência da República, durante entrevista ao ‘Jornal Nacional’ (Foto: Reprodução/TV Globo/VEJA)

Após a notícia do falecimento do candidato à Presidência Eduardo Campos, decorrente de um acidente aéreo, nesta quarta-feira, várias figuras públicas se pronunciaram em solidariedade à família e lamentaram a perda do político. Vejam algumas das declarações:

“Quero pedir a Deus que sustente a Renata, ao Zé, ao João, a Duda, o Pedro, o pequenino Miguel e a todos os familiares e companheiros de Eduardo Campos. Essa é, sem sombra de dúvidas, uma tragédia, que nos impõe uma profunda tristeza. Sei que todos os brasileiros estão compartilhando com cada um de nós. Durante esses dez meses de convivência, aprendi a admirá-lo, a respeitá-lo e a confiar em seus ideais de vida. (…) A imagem que quero guardar dele foi da nossa despedida de ontem. Cheio de alegria, cheio de sonhos, cheio de compromissos. É com esse espírito que peço a Deus que possa sustentar sua família, consolar sua família e também a todos nós”, disse.  - Marina Silva, candidata a vice-presidente na chapa de Eduardo Campos

“Nesse momento de dor profunda, meus sentimentos estão com Renata, companheira de toda uma vida, e com os seus amados filhos. Estou tristíssima. Estivemos juntos, pela última vez, no enterro do nosso querido Ariano Suassuna. Conversamos como amigos. Sempre tivemos claro que nossas eventuais divergências políticas sempre seriam menores que o respeito mútuo característico de nossa convivência” - Dilma Rousseff, presidente da República

“O Brasil perde um dos seus mais talentosos políticos, que sempre lutou com idealismo por aquilo em que acreditava. A perda é irreparável e incompreensível. Nesse momento, minha família e eu nos unimos em oração à família de Eduardo, seus amigos e a milhões de brasileiros que, com certeza, partilham a mesma perplexidade e pesar. (…)

O acidente que nos levou Eduardo Campos causou perdas irreparáveis a outras seis famílias: meu amigo e ex-colega de Câmara, Pedrinho Valadares, o jornalista Carlos Augusto Leal Filho, o fotógrafo Alexandre Severo Gomes e Silva, o cinegrafista Marcelo de Oliveira Lyra e os pilotos Geraldo Magela Barbosa da Cunha e Marcos Martins. Todos estavam trabalhando e lutando por um Brasil melhor. Minhas orações e solidariedade aos familiares, nessa hora tão difícil.” - Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República

“Diante dos fatos que arrancaram a vida de Eduardo Campos, de alguns de seus colaboradores e dos pilotos, minha primeira reação é simplesmente emocional: que tragédia. Volto-me para os familiares: não há palavras que amenizem as perdas. Ainda assim, expresso minhas condolências, meus sentimentos de tristeza e de pesar.

Quanto ao Eduardo, por quem sempre manifestei respeito, a perda maior é do país. No momento em que nós precisamos de líderes jovens e competentes, perdemos um dos melhores. Sua carreira nacional apenas se iniciava. Fosse ou não eleito, seria um líder para a renovação política que tanto necessitamos. É uma perda irreparável” - Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República

“Como todos os brasileiros, estou profundamente entristecido com a trágica morte de Eduardo Campos. Um grande amigo e companheiro. Conheci Eduardo através de seu avô, Miguel Arraes, um memorável líder das causas populares de Pernambuco e do Brasil. O país perde um homem público de rara e extraordinária qualidade. Tive a alegria de contar com sua inteligência e dedicação nos anos em que foi nosso ministro de Ciência e Tecnologia.

Ao longo de toda sua vida, Eduardo lutou para tornar o Brasil um país mais justo e digno. O carinho, o respeito e a admiração mútua sempre estiveram presentes em nossa convivência. Nesse momento de dor, eu e Marisa nos solidarizamos com sua mãe, Ana Arraes, sua esposa, Renata, seus filhos e toda a sua família, amigos e companheiros. Também prestamos solidariedade às famílias dos integrantes da sua equipe e dos tripulantes que falecerem nesse terrível acidente” - Lula, ex-presidente da República

“Não há palavras para descrever a tragédia que hoje se abateu sobre a política brasileira. Eduardo Campos era um político de princípios e valores herdados de sua família e levados com dignidade e honra por toda sua trajetória no Parlamento e no Executivo. Assim como todo o país, estou chocado com esse acidente e com as perdas para amigos e familiares. Que Deus dê conforto a seus filhos, a sua mãe, familiares e a tantos admiradores que deixou órfãos neste triste dia” - Michel Temer, vice-presidente da República

“Uma tragédia que entristeceu todo o nosso país. Em nome da população de São Paulo, eu gostaria de transmitir os nossos sentimentos a todos os familiares de todas as pessoas que perderam a vida neste acidente. O Brasil, com Eduardo Campos, infelizmente perdeu uma liderança, um jovem promissor e que tinha muito a contribuir com o nosso país. E eu perco um amigo” - Geraldo Alckmin, governador de São Paulo

“O Partido dos Trabalhadores está de luto. Lamentamos profundamente a trágica morte do ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, e dos outros ocupantes do avião que se acidentou hoje em Santos. Campos deixa um grande vazio na política brasileira. Seu partido, o PSB, sempre foi um aliado do PT e, juntos, construímos um país melhor e socialmente mais justo” - Rui Falcão, presidente do PT

“É um dos momentos mais difíceis da minha vida. Perdi um amigo e um líder. Quero levar minha palavra de solidariedade. É um momento de muita tristeza. Construímos uma amizade firme e de muita solidariedade e cumplicidade. A vida de Eduardo Campos é um exemplo de coragem e de compromisso com Pernambuco e principalmente com os mais pobres. Coincidentemente nesta mesma data também perdemos o seu avô e grande amigo, Miguel Arraes. Acima de tudo, Eduardo Campos lutou em defesa do povo brasileiro e de Pernambuco, principalmente os mais necessitados” - João Lyra Neto, governador de Pernambuco

“O Brasil perdeu um grande político. Peço que os recifenses e os pernambucanos mantenham a paz e tragam fé e orações para a família dele neste momento. É uma perda irreparável. Um grande líder que fez tanto por todos os brasileiros e pernambucanos. É um dia de muita dor. Uma dor que não tem como expressar nem como medir” - Geraldo Júlio, prefeito de Recife

“É um momento de muita dor. Eduardo Campos doi uma pessoa que me ensinou muito. Foi meu amigo. Um companheiro de tanto tempo. Vamos agora busca-lo. Trazer para Pernambuco para que o pernambucano possa também homenagear uma pessoa que importante para seu estado, tão importante para todos nós. Falei com ele pela ultima vez no domingo. Estivemos juntos, vamos continuar juntos” - Paulo Câmara, candidato de Eduardo Campos ao governo de Pernambuco

“O Brasil perde um grande líder, um homem público sensível,  uma esperança para os que seguem acreditando no exercício da Política como instrumento de fortalecimento democrático. (…) Aprendi muito com ele. Dividíamos projetos, ideias e lembranças da política. Eduardo deixa o exemplo de correção, de caráter e sensibilidade que o Brasil não esquecerá. Meus sentimentos à sua mulher, à sua família e aos pernambucanos que tiveram a oportunidade a honra de tê-lo como deputado, secretário de estado e governador. Um homem público vencedor, que pensava sempre em ajudar as pessoas.” - Gilberto Kassab, presidente do PSD, ex-prefeito da cidade de São Paulo e candidato ao Senado por São Paulo

“Eu sofro muito neste momento. Era um rapaz de grande valor. Fui muito amigo do avô dele. O Miguel Arraes falava muito do neto, que ele era muito inteligente e capaz. Quando formamos amizade, eu verifiquei a grandeza do Campos. Ele não tinha radicalismo nem ódio nem mágoa. Ele praticamente uniu Pernambuco em torno do nome dele. Campos era um nome que aparecia no cenário político com uma posição nova, independente, era a perspectiva do ano. O Brasil ficou paralisado com a morte dele. No fundo tinha alguns a favor de ‘a’ ou ‘b’, mas todo mundo estava na expectativa de que os rumos do país iam mudar. Com a morte dele, voltamos à estaca zera. Na cabeça de todo mundo há um ponto de interrogação” - Pedro Simon, senador e apoiador da campanha de Eduardo Campos

“É com profundo pesar que lamento a morte tão precoce e trágica do candidato do PSB à presidência da República, Eduardo Campos. Uma tragédia que deixa o Brasil chocado e surpreso. O país sofre a dor coletiva da perda de uma das mais promissoras lideranças da política brasileira. Eduardo Campos foi um homem respeitável em todos os aspectos de sua personalidade, um pai exemplar e uma referência como homem público nos cargos que exerceu. Em nome do Congresso Nacional e em meu próprio envio condolências à família, ao PSB e ao governo do Estado de Pernambuco” - Renan Calheiros, presidente do Senado

“Lamento profundamente o falecimento de Eduardo Campos, O Brasil perde um grande valor em defesa da democracia e da realização de justiça” - Eduardo Suplicy, senador

“Nós estamos chocados. Não esperávamos nunca um acontecimento desta natureza. Nem sabemos ainda das reais causas, mas temos a triste informação de que perdemos nosso grande timoneiro nesse processo eleitoral” - Beto Albuquerque, deputado federal do PSB

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26/06/2014

às 18:00 \ Disseram

84 é a idade de sair da política

“Pessoalmente, acredito que também agi bem. Se o Sarney decidiu cair fora, pensando que seria um bom momento, penso igualmente que era a hora de cair fora.”

Pedro Simon, senador pelo Rio Grande do Sul, que, também aos 84 anos, decidiu não se candidatar à reeleição, assim como José Sarney; o peemedebista está em seu quarto mandato

30/04/2014

às 18:58 \ Política & Cia

Tribunal de Contas vai investigar contratos sem licitação na gestão de Alexandre Padilha — candidato do PT ao governo de São Paulo — no Ministério da Saúde

Os contratos para a compra de marcapassos assinados durante a gestão de Alexandre Padilha (à esq.) serão investigados a pedido do senador Pedro Simon (PMDB-RS) (Fotos: Cristiano Mariz)

TCU vai investigar contratos sem licitação da Saúde para compra de marca-passo

Os corações do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha e de mais de 300 mil portadores de marca-passo no país vão bater mais rápido a partir de agora.

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai fazer uma auditoria no Ministério da Saúde para investigar a legalidade de um contrato de R$ 80,6 milhões firmado em dezembro de 2013 com duas empresas multinacionais dos Estados Unidos, a Medtronic e a Scitech.

O plenário do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira, 30, o requerimento 276/2014 do senador Pedro Simon (PMDB-RS) pedindo que o TCU investigue os contratos de Parceria Público Privada (PPP) firmadas entre a Fundação para o Remédio Popular (FURP), do Ministério da Saúde, e as duas empresas multinacionais para fornecimento de marca-passos e stents coronários e arteriais ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Os contratos, com validade de cinco anos, foram firmados com dispensa de licitação ainda na gestão de Alexandre Padilha, candidato do PT a governador de São Paulo. Um detalhe do processo, que chamou a atenção do senador Pedro Simon, é que não houve convite público para apresentação de projetos e nem licitação para seleção de empresas privadas, nacionais ou não.

As duas multinacionais, de origem norte-americana, atuam em mais de 120 países.

Uma delas, a Scitech, possui uma fábrica de montagem em Goiás, na cidade de Aparecida de Goiânia, cidade de 500 mil habitantes na região metropolitana da capital goiana. A matriz brasileira da Scitech fica no polo empresarial da cidade, na esquina das ruas 6 e 18, quadra 21, lote 1 a 44.

Transferência improvável

Especialistas do setor farmacêutico estranham que empresas privadas foram escolhidas antes que existisse o próprio processo administrativo relativo ao Projeto Executivo da Parceria Público Privada.

Contudo, as PPPs dessa natureza somente podem ocorrer quando precedidas de estudos técnicos de viabilidade e licitação pública lançada por iniciativa de órgão, via Chamamento Público para apresentação e escolha de projetos.

No contrato firmado entre as empresas e a FURP alega-se que haverá transferência de tecnologia. Um executivo do setor observa, porém, que “é improvável que uma empresa estrangeira transfira a tecnologia do núcleo do marca-passo para atender apenas à demanda de cerca de 20 mil unidades de produto disponibilizadas anualmente.

O normal é haver apenas a importação de componentes prontos, como o microcircuito, a carcaça e outros componentes, realizando no Brasil o que se chama de ‘assembly’, ou simples montagem do equipamento no Brasil, com poucos componentes locais”.

As parcerias deixam sobressaltados aos mais de 300 mil portadores de marca-passo no País.

A preocupação transmitida ao senador Pedro Simon é saber como o SUS, cujo atendimento é notoriamente falho e dá assistência precária aos portadores de marca-passo, lidará com estes dois fornecedores exclusivos.

“Daí a importância e necessidade imperiosa de uma investigação e auditoria urgente sobre esses contratos pelos técnicos do TCU”, acentua o senador Pedro Simon.

 Fonte:  Gabinete Senador Pedro Simon — Senado Federal, Brasília, DF

24/03/2014

às 12:08 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Dilma está sob ameaça de ver seu candidato a governador derrotado no Rio Grande do Sul, seu berço político

Tarso Genro (PT) com Dilma e Lula na vitoriosa campanha de 2010 para governador do RS: desta vez, o panorama é bem diferente (Foto: Zero Hora)

Tarso Genro (PT) com Dilma e Lula na vitoriosa campanha de 2010 para governador do RS: desta vez, o panorama é bem diferente (Foto: Zero Hora)

Pesquisas de intenção de voto indicam que o governador Tarso Genro (PT) terá dificuldades para buscar a reeleição contra adversários ligados à base de Dilma no plano federal. A favorita, por ora, é a senadora Ana Amélia (PP)

Laryssa Borges, de Brasília, para o site de VEJA

A sete meses das eleições, a presidente Dilma Rousseff decidiu se dedicar pessoalmente à montagem de palanques regionais para sua candidatura à reeleição.

A presença de Dilma à mesa é parte da estratégia da direção do PT para tentar destravar conflitos entre partidos que compõem sua base em Brasília, mas que poderão se enfrentar nas disputas locais.

Nas últimas semanas, ao analisar o xadrez eleitoral, conselheiros da presidente chegaram a um diagnóstico nada favorável: Dilma poderá enfrentar dificuldades em seu berço político, o Rio Grande do Sul.

Ali, porém, ao contrário dos embates entre aliados pelo país, é o próprio PT quem causará dor de cabeça para Dilma.

Isolado na Assembleia Legislativa gaúcha, onde apenas PTB, PCdoB e o nanico PPL ainda se mantêm fiéis à sua gestão, o governador Tarso Genro (PT) aparece [num distante] segundo lugar em pesquisas encomendadas por partidos.

Em ambas, é [amplamente] superado pela senadora Ana Amélia (PP) – 41% a 27% em levantamento feito a pedido do PSB, e 39% a 29% em sondagem realizada pelo PP.

Tarso anda às turras com os professores da rede estadual, que não recebem o piso nacional do magistério. Em Brasília, a situação tampouco é das mais confortáveis desde que ele passou a liderar uma frente de governadores cobrando um novo indexador para a dívida dos Estados com a União.

Mais: é alvo frequente de “fogo amigo” no PT, que ressalta as declarações de sua filha, a barulhenta ex-deputada Luciana Genro (PSOL), contra o governo Dilma.

Ex-ministro da Justiça e presidente do PT após o estouro do escândalo do mensalão, Tarso não tem a simpatia da ala do PT ligada aos próceres petistas condenados no julgamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O governador gaúcho já defendeu publicamente a refundação do partido depois do escândalo dos mensaleiros e, antes do veredicto do STF, afirmou que altas autoridades da República deveriam ser levadas para o banco dos réus.

As declarações foram mal recebidas pela antiga cúpula petista e até hoje causam retaliações internas de aliados do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

 

O presidenciável tucano Aécio Neves deverá apoiar a senadora Ana Amélia (PP) e terá seu palanque no RS (Foto: Agência Senado)

O presidenciável tucano Aécio Neves deverá apoiar a senadora Ana Amélia (PP) e terá seu palanque no RS (Foto: Agência Senado)

Paralelamente ao enfraquecimento do governador, candidato à reeleição, PP e PMDB, ambos aliados de Dilma na esfera federal, articulam candidaturas próprias, o que deverá fazer do Estado um campo minado para a presidente na campanha.

O PP apresentou o nome da senadora Ana Amélia Lemos, enquanto o PMDB formalizou a candidatura do ex-prefeito de Caxias do Sul José Ivo Sartori ao Palácio Piratini. Sartori é ligado ao senador Pedro Simon (PMDB).

Também são candidatos ao governo gaúcho o deputado federal Vieira da Cunha (PDT), o empresário José Paulo Dornelles Cairoli (PSD) e o professor Roberto Robaina (PSOL).

Diante do cenário embaraçoso para Dilma, os adversários na corrida pelo Palácio do Planalto, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), já negociam o apoio de Ana Amélia, cujo palanque poderá servir a ambos. [O acerto de Aécio com Ana Amélia está praticamente feito.]

O PSB de Campos poderá estar representado em sua chapa, indicando o vice-governador. O nome mais cotado é do deputado federal José Stédile (PSB), irmão de João Pedro Stédile, dirigente do Movimento dos Sem Terra (MST), [mas político bem mais moderado].

Como o PP gaúcho é ligado a grandes produtores rurais, a aliança seria uma forma de dobrar a resistência de pequenos agricultores. O PSDB também seria contemplado: a eventual vitória de Ana Amélia abriria espaço para que o tucano Alberto Wenzel, ex-prefeito de Santa Cruz do Sul, suplente dela, herdasse uma cadeira no Senado Federal.

– Na formação de alianças políticas não pode haver radicalismo. Precisamos de uma ação mais criativa e menos preconceituosa — diz a senadora Ana Amélia.

– A vitória do PP depende muito mais de nós não errarmos do que do risco de concorrência de Tarso Genro — afirma [por sua vez] o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS).

Por enquanto, a frase deve ser vista tão somente como uma provocação. Mas, se os rumos não se alterarem nos próximos meses, não é exagero afirmar que Dilma terá de cabalar votos para Tarso.

23/03/2014

às 20:05 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Não é só a disputa presidencial, não. Pleitos estaduais trarão também muita emoção

Eleições (Foto: Sérgio Dutti)

Eleições: 2014 promete também emoção e surpresas em disputas estaduais — e algumas figuras marcantes deixarão a vida pública  (Foto: Sérgio Dutti)

Publicado originalmente a 20 de março de 2014

A tendência inexorável de que, no regime presidencialista, a escolha da figura imperial do presidente da República predomine sobre todas as demais em ano eleitoral é um fato.

Mas 2014 trará muitas emoções eleitorais, além, naturalmente, da disputa pelo Palácio do Planalto, envolvendo principalmente a presidente Dilma Rousseff, pelo PT e aliados, o senador Aécio Neves (PSDB, DEM e um ou outro partido ainda em negociação política) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que disputará o cargo tendo a ex-senadora Marina Silva de vice pelo PSB.

Confiram os sete casos abaixo:

A BATALHA PELO GOVERNO DE SÃO PAULO

geraldo-alckminA mais importante disputa estadual se dará pelo governo de São Paulo, Estado que concentra 22% da população e do eleitorado brasileiros.

Lula considera essa batalha quase tão importante quanto a que Dilma travará com Aécio Neves: desalojar os tucanos de um posto que ocupam, pelo voto, há quase 20 anos.

O governador tucano Geraldo Alckmin, bom de voto nas duas vitórias muito folgadas que já obteve pelo Palácio dos Bandeirantes — em 2002 e em 2010 (sua primeira passagem pelo cargo, entre 2001 e 2003, foi como vice que assumiu com a morte do governador Mário Covas) –, perdeu feio, no entanto, a disputa pela Prefeitura da capital em 2008, quando o então prefeito José Serra, também do PSDB, apoiou seu vice, Gilberto Kassab (DEM), que venceu a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) no segundo turno.

Este ano, Alckmin não só enfrentará todo o peso do governo federal colocado na candidatura do até recentemente desconhecido ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha como terá o ex-prefeito Kassab, agora pelo PSD, e o presidente da Federação das Indústrias, Paulo Skaf, pelo PMDB, pescando em suas águas eleitorais.

(LEIA MAIS SOBRE KASSAB CLICANDO AQUI)

SERÁ MESMO O OCASO DE SARNEY?

Na política há 59 anos — começou como suplente de deputado federal que assumiu o mandato em 1955 — e um dos homens mais poderosos do país há décadas, o senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), 84 anos, prometeu deixar a atividade pública no final de seu mandato, em fevereiro do próximo ano, e está trabalhando para eleger o neto, Adriano Sarney, filho do deputado federal Sarney

jose_sarneyFilho, deputado estadual pelo PV do Maranhão. Sarney jura que suas pretensões agora limitam-se a eleger o neto e tornar-se presidente da Academia Brasileira de Letras. A saída do Congresso, porém, não impedirá que suas influências políticas tentaculares — que vão de ministérios a cargos em bancos estatais e agências reguladoras e até na CBF — prossigam.

Como já escreveu Roberto Pompeu de Toledo, não estamos nem estivemos em uma “era Lula” — a verdadeira era vivida ainda hoje pelo Brasil é a era Sarney. Ou alguém tem dúvida de que o veterano cacique continuará dando as cartas no PMDB e, portanto, tendo peso específico fundamental na vida política do país?

FERNANDO COLLOR CONSEGUIRÁ MANTER-SE NO SENADO POR MAIS 8 ANOS?

Fernando-Collor-de-MelloSua impressionante ascensão até a Presidência da República, em 1989, só foi proporcional em impacto à sua queda espetacular, renunciando para não ser objeto de impeachment por acusações de corrupção.

Depois da queda, em 1992, Fernando Collor fez uma tentativa canhestra de candidatar-se à Prefeitura de São Paulo e perdeu em 2002 uma disputa pelo Estado de Alagoas, que governara de 1987 a 1989.

Elegeu-se em 2006 em uma disputa muito apertada contra o mesmo adversário que o derrotara em 2002, o então ex-governador Ronaldo Lessa (PSB), contra o qual fez uma campanha não isenta de ataques pessoais e baixarias. Caminhando para os 65 anos de idade, uma derrota agora o alijará da política por um longo período e poderá significar seu fim de carreira.

FIM DE LINHA PARA UMA GRANDE REFERÊNCIA MORAL

pedro simon _ Agência SenadoNão apenas por estar com 84 anos, como Sarney, mas por desencanto com o andar das coisas no Brasil, deixará o Senado e a vida pública um político que tem sido uma referência moral no Congresso — o senador Pedro Simon (PMDB-RS), com seus discursos emocionais e voz trovejante.

Eterno dissidente da fisiologia que tomou conta de seu partido, Simon começou a carreira como vereador em Caxias do Sul pelo antigo PTB, em 1958, elegendo-se em 1962 deputado estadual e, a partir da extinção dos antigos partidos pela ditadura, em 1965, jamais afastou-se do MDB e, depois, do PMDB. Foi ministro da Agricultura (1985-1986), governador do Rio Grande do Sul (1987-1990) e líder do governo do presidente Itamar Franco no Senado.

(LEIA ENTREVISTA DO SENADOR SIMON AO SITE DE VEJA CLICANDO AQUI)

EX-BRAÇO DIREITO JOGA PRESTÍGIO DE DILMA NO PARANÁ

Gleisi-HoffmannSenadora com ainda quatro anos de mandato pela frente (PT-PR), Gleisi Hoffman deixou a Casa Civil da Presidência, onde era a mais importante auxiliar da presidente Dilma Rousseff, para enfrentar uma parada difícil que é disputar o governo de seu Estado com a poderosa máquina montada pelo governador tucano José Richa.

Mulher do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo (ex-ministro do Planejamento de Lula), não tem como uma derrota de Gleisi não significar um baque para a presidente Dilma, mesmo se reeleita.

CABRAL TENTA FAZER O SUCESSOR E, COM PRESTÍGIO EM BAIXA, QUER O SENADO

sergio_cabralEleito e reeleito governador do Rio de Janeiro com certa facilidade em 2006 e 2010, quando, em aliança com o PT de Lula, surfou na popularidade do ex-presidente, o governador Sérgio Cabral despencou nas profundezas do inferno em matéria de popularidade com as manifestações de protesto de 2013 no Rio.

Teve sua residência particular acossada por baderneiros, viu sua família sofrer constrangimentos e agora, com o ibope baixíssimo, dedica-se a uma dupla tarefa hercúlea: eleger-se senador e ajudar o vice-governador Luiz Fernando de Souza, o Pezão, a sucedê-lo no Palácio Guanabara, após a ruptura de oito anos de alianças com o PT, por obra e graça da insistência (legítima) do senador Lindbergh Farias em concorrer ao cargo.

O ENIGMA DE SEMPRE, SERRA NÃO QUER O SENADO E NÃO SE SABE SE AJUDARÁ AÉCIO

José_SerraSerá interessante, no correr do ano, observar as ações do duas vezes ex-presidenciável José Serra. Depois de, amuado, desistir de sua pretensão ao Palácio do Planalto pelas redes sociais — nem entrevista concedeu sobre o tema –, muita gente no PSDB esperava que Serra, ainda com bom cacife, disputasse o Senado e tentasse arrebatar o posto ocupado há 24 longos anos pelo senador Eduardo Suplicy (PT).

Serra, porém, segundo tudo indica, concorrerá à Câmara dos Deputados, e sua votação poderá aumentar a bancada tucana paulista. Aos 72 anos de idade, um mandato de quatro anos tem a vantagem adicional de deixa-lo mirar, como uma espécie de prêmio de consolação eleitoral, a batalha pelo governo de São Paulo em 2018.

O mais interessante será observar seu comportamento na campanha de Aécio Neves, a quem os serristas acusam de ter “traído” o candidato na eleição de 2010, quando, apesar de vencer as eleições para o Senado e fazer com facilidade seu sucessor, o hoje presidenciável tucano não impediu uma estrepitosa vitória de Dilma em Minas Gerais.

11/12/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Congresso faz devolução simbólica do mandato presidencial a Jango nesta quarta

João Goulart, presidente ainda sob o regime parlamentarista que se encerraria em 1963, com o então primeiro-ministro Tancredo Neves (Foto: frame do documentário "Jango em 3 Atos", produzido pela TV Senado)

João Goulart, presidente ainda sob o regime parlamentarista que se encerraria em 1963, com o então primeiro-ministro Tancredo Neves. O general que bate continência não foi identificado (Foto: frame do documentário “Jango em 3 Atos”, produzido pela TV Senado)

Da Agência Senado

A presidente da República, Dilma Rousseff, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, além de ministros de Estado e dos tribunais superiores estão entre os convidados para a sessão solene do Congresso Nacional em que o mandato presidencial de João Goulart será simbolicamente devolvido.

A sessão está marcada para esta quarta-feira (11), às 12h30. Também deve participar da homenagem o filho de João Goulart, João Vicente Goulart.

João Goulart vai receber de volta o mandato de presidente da República, porque senadores e deputados aprovaram, no fim de novembro, um projeto (PRN 4/2013) que tornou nula a sessão de 2 de abril de 1964, quando o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, presidindo a Mesa Congresso Nacional, declarou vaga a Presidência da República.

O senador informou que João Goulart havia deixado o país sem permissão do Congresso.

[Observação do blog: a Agência Senado comete, aqui, um monumental erro de informação. O senador Moura Andrade NÃO disse que Goulart "havia deixado o país sem permissão do Congresso". Os leitores do blog que não tiverem lido post em que mostro o áudio da seção do Congresso de 2 de abril de 1964 poderão verificar o que o então presidente do Senado e do Congresso realmente declarou neste link./

Ao apresentar o projeto que tornou nula a sessão de 2 de abril de 1964, os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Simon (PMDB-RS) argumentaram que Jango não estava no exterior naquela data, mas em Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul, onde foi se encontrar com forças contrárias ao golpe militar.

Os dois senadores afirmaram também que ao devolver o mandato de presidente da República a João Goulart, o Congresso Nacional corrige, “ainda que tardiamente, uma vergonha histórica para o Poder Legislativo brasileiro”.

Com a deposição de João Goulart, a Presidência da República passou a ser ocupada, provisoriamente, pelo presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli. No dia 11 de abril, o Congresso Nacional ratificou a indicação do chefe do Estado-Maior do Exército, Humberto de Alencar Castello Branco, como novo presidente do Brasil.

Um dia antes, a junta militar responsável pelo golpe divulgou o Ato do Comando Revolucionário, que trazia uma lista de pessoas acusadas de serem comunistas e que por isso teriam os direitos políticos suspensos.

Na relação estavam João Goulart, o ex-presidente Jânio Quadros, os ex-governadores de Pernambuco, Miguel Arraes e do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola.

João Goulart morreu em 6 de dezembro de 1976, na cidade de Corrientes, na Argentina.

Oficialmente, a causa da morte foi um ataque cardíaco, mas há uma investigação em curso para apurar se o ex-presidente da República foi assassinado.

Para que se procedesse essa apuração, os restos mortais do ex-presidente João Goulart foram exumados em São Borja no dia 13 de novembro e enviados a Brasília no dia seguinte para exames no Instituto Nacional de Criminalística (INC).

Na Base Aérea de Brasília, o corpo foi recebido com honras de chefe de Estado, em cerimônia que contou com a participação de Dilma Rousseff; dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Collor de Melo e José Sarney; do presidente do Senado, Renan Calheiros, e de vários outros senadores, além de deputados e ministros.

A urna foi recebida com uma salva de tiros e a execução do Hino Nacional. De lá, foi conduzida, numa van sob escolta, ao INC.

Na tarde do dia 6 de dezembro, os restos mortais do ex-presidente foram finalmente devolvidos ao jazigo da família em São Borja, em cerimônia que contou com a presença de familiares de Jango, da população e da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

15/11/2013

às 16:25 \ Política & Cia

RESULTADO DA ENQUETE: leitores do blog acham que a políca deve ser dura no trato com black blocs. E há outra enquete no ar

Ação de black blocs em "manifestações" (Foto: Cristophe Simon / AFP)

Ação de black blocs em “manifestações” (Foto: Cristophe Simon / AFP)

Diante do comportamento obscenamente violento dos autodenominados black blocs nas chamadas “manifestações”, amplos setores da população, que têm muito o que reivindicar, deixaram os espaços democráticos que recém haviam descoberto com os protestos de junho deste ano.

É que baderneiros e vândalos encapuzados, armados de coquetéis molotov, pedras, porretes e outras armas improvisadas, invadiram as ruas, quebrando o que se via pela frente: bancos, lojas, veículos da imprensa e da política, criando cenários de guerra, no que o Senador Pedro Simon comparou, em discurso proferido em 1 de novembro, com o terrorismo da Al Qaeda.

“O que mais assusta, tanto quanto a violência ativa de um bando de celerados, é a presença passiva das autoridades diante dos atos e fatos de ostensiva agressão à ordem pública e à paz das comunidades”, bradou o veterano senador.

Em enquete, perguntamos aos leitores: “Vocês acham que, para conter a violência dos black blocs nas ruas, a polícia deve usar recursos como blindados que lançam jatos d’água, balas de borracha, gás lacrimogênio e bombas de efeito moral?”

77% (1.677 votos) dos leitores do blog responderam que sim, a polícia deve endurecer. Notem que este número só não foi maior porque uma considerável quantidade de leitores disseram nos comentários que votaram “não” por defender a tese de que a polícia deve usar armas letais, como faz no embate com criminosos armados.

22% ( 478 votos) disseram que não; e 1% dos leitores, com 21 votos, registrou não ter opinião formada sobre isso. Foram, ao todo, 2.176 votos.

Agora queremos saber: O corpo do ex-presidente João Goulart, morto em 1976, foi exumado para que o Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal determine se sua morte foi natural ou se ele foi assassinado. Você concorda com esse procedimento?

A nova enquete está disponível ali do lado. Votem e deixem seus comentários.

01/11/2013

às 16:32 \ Política & Cia

BLACK BLOCS: Senador Pedro Simon compara-os aos terroristas da Al Qaeda, chama-os de “bandoleiros” e diz que reprimir os vândalos é defender a democracia e a sociedade

Simon: baderneiros mascarados são terroristas e "celerados" e devem ser reprimidos com firmeza (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

Simon: baderneiros mascarados são terroristas e “bandoleiros” e devem ser reprimidos com firmeza (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

O venerando senador Pedro Simon (PMDB-RS), já perto de seus 84 anos de idade e uma das referências morais do Congresso — tão necessitado de políticos assim — pronunciou hoje um duríssimo ataque aos vândalos que se autodenominam “black blocs”, comparando-os aos terroristas da Al Qaeda, chamando-os de “celerados”, de “mascarados da estupidez” e dizendo que “reprimir a violência absurda e sem sentido do grupo bandoleiro dos Black Blocs é um ato claro do Estado para a proteção e segurança da sociedade”.

Vale a pena conferir o discurso de Simon:

Senhor Presidente, senhoras e senhores senadores,

Imaginem a seguinte cena, por mais absurda que seja:

Uma dúzia de mascarados dos Black Blocs invade dois aviões Boeing, decolam, sobrevoam Brasília e jogam deliberadamente os aviões sobre dois alvos preferenciais:

Um, sobre o Congresso Nacional, símbolo do poder do povo;

Outro, sobre o Palácio do Planalto, sede executiva do principal governante do país.

Já imaginaram esta cena?

Pois algo parecido acaba de acontecer aqui mesmo no Brasil, dias atrás, em São Paulo.

Na tarde de segunda-feira (28), manifestantes, muitos deles mascarados, todos eles exaltados, decidiram protestar contra a morte de um estudante pela polícia.

Bloquearam na capital paulista a saída norte da Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Minas Gerais.

Interromperam o trânsito, invadiram os veículos paralisados no trânsito, evacuaram os ônibus, retiraram os motoristas dos caminhões retidos pelo movimento.

Fizeram mais. Fizeram pior.

Queimaram cinco ônibus e três caminhões.

A cena mais terrível, contudo, ficou por conta de um caminhão-tanque capturado pelos manifestantes.

Retiraram o motorista da cabine, tomaram o controle do veículo, manobraram, deram marcha à ré e começaram a rodar em alta velocidade pela rodovia paralisada.

Parecia uma travessura de criança.

Três manifestantes se penduraram no para-choque traseiro, outros dois se agarraram à carroceria, enquanto um terceiro se equilibrava perigosamente sobre o vagão de carga.

Outro viajava na boleia do lado direito, enquanto o oitavo manifestante dirigia o veículo sem destino.

Era muito mais do que uma travessura.

Era uma perigosa, letal imprudência cometida a bordo de um veículo com tanque para transporte de 30 mil litros de combustível.

Simon: "O que mais assusta, tanto quanto a violência ativa de um bando de celerados, é a presença passiva das autoridades diante dos atos e fatos de ostensiva agressão à ordem pública e à paz das comunidades" (Foto: Gabriela Batista)

Black blocks: segundo o senador,  “o que mais assusta, tanto quanto a violência ativa de um bando de celerados, é a presença passiva das autoridades diante dos atos e fatos de ostensiva agressão à ordem pública e à paz das comunidades” (Foto: Gabriela Batista)

Se não tivesse sido parado por policiais, mais adiante, e apeado de lá, o grupo do caminhão-tanque poderia ter continuado sua rota ameaçadora em direção ao imponderável, ao impensável.

Poderia ter jogado o caminhão e sua carga inflamável sobre uma barreira policial, sobre um grupo de residências, sobre o prédio do MASP, sobre o Palácio dos Bandeirantes, sobre a Catedral da Sé, sobre qualquer coisa que pudesse imaginar a cabeça insensata daqueles insanos.

Isso poderia ter acontecido no Rio de Janeiro, em Brasília, em qualquer lugar.

Pois isso, senhores senadores, já aconteceu em Nova York, em 2001.

Em 11 de setembro, 19 Black Blocs sem máscara da Al-Qaeda tomaram quatro Boeing e cometeram o mais devastador ataque terrorista da História.

Um Boeing 767, o voo 175 da United Airlines, com 56 passageiros e nove tripulantes, decolou de Boston às 7h59m.

O Boeing decolou naquela manhã ensolarada com destino a Los Angeles, a 4.190 km de distância.

Cheios de combustível, seus tanques com capacidade para 70 mil litros têm autonomia para um voo de até 10.600 km.

Como Los Angeles está a menos da metade disso, o Boeing voava com meia carga nos seus tanques, pouco mais de 35 mil litros.

O voo 175 deveria durar 6 horas e 35 minutos, mas acabou apenas uma hora e quatro minutos depois.

Tomado pelos Black Blocs da Al Qaeda, o Boeing foi desviado para Nova York até se chocar com a Torre Sul do World Trade Center, às 9h3m.

Isso aconteceu 17 minutos após a Torre Norte ser atingida por outro Boeing sequestrado.

O voo 175 caiu a 545 km por hora, atingindo o prédio entre os andares 77 e 85 e produzindo, com seus milhares de litros de combustível, um furor de fogo e calor intenso que chegou próximo aos 1.000 graus Celsius.

Apenas 56 minutos e 10 segundos após o impacto, a enorme torre de 110 andares desmoronou.

Senhoras e senhores senadores, repito e lembro aqui uma perturbadora semelhança entre a tragédia de Nova York e a quase tragédia de São Paulo.

O Boeing das Torres Gêmeas caiu sobre o prédio como uma bomba incendiária carregada com pouco mais de 30 mil litros de combustível.

Repito: 30 mil litros de combustível.

Os mesmos 30 mil litros do caminhão-tanque de São Paulo que rodava, desatinado, sob o controle ou o descontrole dos terroristas que corriam, sem destino, por uma rodovia federal cercada por civis e inocentes.

Devemos festejar que os nossos terroristas de São Paulo não estivessem tripulando um Boeing?

É menos grave que tivessem tomado apenas um caminhão-tanque com o mesmo potencial de morte inflamável que matou mais de três mil pessoas em Nova York no alvorecer do século 21?

Quantas mortes, quantos incêndios, quanto vandalismo e quanta destruição ainda precisamos aguardar para que se adotem as medidas necessárias para conter a onda de violência crescente que domina nossas rodovias, nossas avenidas, nossas praças, nossos noticiários de TV?

Qual a tragédia anunciada que estamos esperando, sem fazer nada?

O que mais assusta, tanto quanto a violência ativa de um bando de celerados, é a presença passiva das autoridades diante dos atos e fatos de ostensiva agressão à ordem pública e à paz das comunidades.

O que dá medo, o que intriga, o que não se explica, é a imagem de policiais e batalhões em forma, alinhados, enfileirados, apenas assistindo aos atos de violência, depredação e destruição do patrimônio privado e público, como se fossem meros transeuntes casualmente passando por perto.

As forças de segurança passivas disseminam a insegurança, estimulando ainda mais violência com sua inexplicável inação.

Um país traumatizado por 21 anos de violência de um regime autoritário parece, de repente, incapaz de discernir o que é um ato de mera e inaceitável repressão e o que é uma atitude de justa e inatacável defesa da ordem democrática.

Reprimir a violência absurda e sem sentido do grupo bandoleiro dos Black Blocs é um ato claro do Estado para a proteção e segurança da sociedade, acuada por quem só tem a violência como argumento. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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