07/06/2013
às 15:00 \ Vasto MundoMalvada vodca: expectativa de vida diminui na Rússia por excesso de consumo de bebidas alcoólicas

EXAGERO -- Moscovitas bebem na comemoração do Dia do Guarda de Fronteira (Foto: Alexander Nemeno VAFP)
Reportagem de Tatiana Gianini, publicada em edição impressa de VEJA
MALVADA VODCA
A Rússia foi o único dos grandes países emergentes em que a expectativa de vida diminuiu em 2012, como consequência do consumo excessivo de álcool
Poucas coisas são tão associadas à Rússia quanto a vodca. Diminutivo da palavra voda, o termo russo para água, a bebida é consumida à tarde ou à noite, em especial durante o inverno. O consumo excessivo do destilado é um estereótipo nacional que se tornou um grave problema de saúde pública.
O governo estima que cada russo beba 18 litros de álcool por ano, mais do que o dobro do máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Uma em cada cinco mortes no país está relacionada ao álcool. No ano passado, o vício foi o principal responsável pela queda na expectativa de vida russa, o primeiro retrocesso desde 2003.
Um russo nascido em 2012 viverá, em média, 69,7 anos em vez dos 69,8 anos calculados em 2011. Apesar de pequena, a queda no índice surpreende porque segue uma tendência oposta ao que se espera de uma nação emergente. Em meio às conquistas recentes da medicina e ao crescimento da riqueza no país, era de esperar um aumento na expectativa de vida.
Em comparação, estima-se que os brasileiros e os chineses nascidos em 2012 vivam até os 73,8 anos, e o índice só melhora ano após ano. A ONU prevê que, em 2050, haverá 116 milhões de pessoas na Rússia, 30 milhões a menos do que hoje, em parte como consequência da redução da expectativa de vida.
O famoso destilado é apenas um dos vilões. Pela garganta dos russos também descem cerveja, vinho e uísque em quantidades recordes. Os óbitos relacionados ao alcoolismo são causados principalmente por doenças e por suicídio. Além disso, sob a influência do álcool, 30000 russos morrem anualmente em acidentes de trânsito. Dos 12000 assassinatos ocorridos em 2010, 75% foram cometidos por bêbados.
O problema é antigo. No século XVI, o primeiro czar russo, Ivan, o Terrível, abriu tavernas estatais, chamadas de kabaks. Em 1648, um terço da população masculina do país estava em dívida com as kabaks. Nos tempos da União Soviética, a mesma proporção da força de trabalho se ausentava do serviço por embriaguez.
Em 1985, o dirigente Mikhail Gorbachev lançou uma campanha para reduzir o alcoolismo, com o objetivo de aumentar a produtividade no país. Ele restringiu a venda de álcool e destruiu destilarias caseiras. Seu erro foi acreditar que o alcoolismo era a causa, e não o sintoma, das mazelas sociais do comunismo. Inicialmente, a expectativa de vida teve um pequeno aumento, mas a produtividade dos russos, não. Os prejuízos de 28 bilhões de rublos provocados pela redução do comércio de bebidas apenas acentuaram o declínio econômico da União Soviética.
O presidente Vladimir Putin agora tem o desafio de combater o problema de forma duradoura.
Tags: acidentes de trânsito, alcoolismo, comunismo, consumo excessivo de álcool, expectativa de vida, Ivan - o Terrível, kabaks, Mikhail Gorbachev, OMS, ONU, Rússia, União Soviética, Vladimir Putin














































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