Blogs e Colunistas

medidas de austeridade

01/04/2013

às 15:00 \ Vasto Mundo

CHINA: novo presidente fala contra “vadiagem e roubo” dentro do governo e adota medidas contra abusos — até para o Exército. Outros já fizeram isso antes e os resultados foram modestos

O presidente Xi Jinping cumprimenta altos oficiais das Forças Armadas da China: nem os militares escapam das medidas duras (Foto: xinhuanet.com)

Como sempre, em se tratando da China, o puxão de orelhas começou com uma metáfora: “As coisas precisam apodrecer muito até crescerem os insetos”, advertiu a quadros importantes do Partido Comunista Chinês o presidente Xi Jinping.

Ele estava prestes a tomar posse – o que ocorreu no dia 13 passado –, mas já era o chefão do PC chinês e o mando efetivo passara do então presidente Hu Jintao a suas mãos.

Xi falou sobre um câncer que corrói o gigante chinês: a corrupção.

Sua fala foi pouquíssimo divulgada fora da China, e achei interessante trazê-la aos leitores do blog.

O presidente, falando agora uma linguagem dura e clara, recordou que, ao longo dos séculos e milênios da existência do país, dinastias caíram “quando sua diligência e austeridade” transformaram-se em “vadiagem e roubo”.

A seguir, vieram providências: medidas de austeridade que não pouparam nem um ícone do comunismo chinês – o Exército Popular de Libertação, que mantém o nome que carregou durante os quase 20 anos que durou a Guerra Civil que levou Mao Tsé-tung e o Partido ao poder, em 1949.

Ao Exército e à cúpula do Partido Comunista e do governo estão vedados os banquetes de luxo, drinques antes ou durante as reuniões, tapetes vermelhos, custosos arranjos florais e apresentação de artistas em grandes eventos. Pede-se – o que, na China, significa uma ordem – que se restrinja o uso de sirenes nos carros oficiais.

Está cortada também a farta distribuição de presentes em eventos comemorativos, bem como limitadas as viagens ao estrangeiro e o tamanho das comitivas, que teoricamente não mais poderão hospedar-se em hotéis de luxo, como fez a delegação do Brasil que foi à posse do papa Francisco, em Roma.

Funcionários só poderão participar de seminários e outros eventos no exterior desde que aprovados pela Comissão Militar Central – espécie de co-governo da China, comandado também por Xi Jiping.

Xi, ele próprio, desde que foi alçado à cúpula do PC, em novembro do ano passado, vem procurando dar exemplo.

Em uma visita à gigantesca Shenzhen, 11 milhões de habitantes, na costa oriental, por exemplo, surpreendeu moradores ao caminhar pelas ruas acompanhado de poucos seguranças. Em seus deslocamentos pela cidade, sua comitiva não ordenou o bloqueio de ruas e avenidas nem estava acompanhada, como reza a tradição do país para os manda-chuvas, por dezenas de carros de polícia e batedores de motocicleta.

Numa visita recente a um quartel, sentou-se à mesa e comeu do mesmo “rancho” dos soldados.

Essas atitudes de combate à corrupção e aos gastos desnecessários, bem como de aproximação com os cidadãos comuns, já vinha sendo desenvolvida desde a presidência de Jiang Zemin (1993-2003) e seu sucessor e predecessor de Xi, Hu Jintao. Os resultados foram modestos.

07/09/2012

às 12:00 \ Vasto Mundo

Boa leitura para o feriadão (1) — O primeiro-ministro de Portugal: “Nosso objetivo é tirar o Estado da economia, acabar com o Estado patrão, dono de empresas. Pretendemos atrair capital novo e deixar atuar a livre iniciativa”

pedro-passos-coelho

Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal: "As medidas de austeridade que estamos adotando não são a origem do problema. São parte da solução" (Foto: Mario Proença / Bloomberg / Getty Images)

O ESTADO NO SEU DEVIDO LUGAR

 

(Entrevista a Duda Teixeira, publicada na edição impressa de VEJA)

 

O primeiro-ministro de Portugal vê na crise a oportunidade para fazer reformas. Ele vai cortar os benefícios sociais de quem não precisa, privatizar estatais e abrir a economia

Para muitos economistas, Portugal está a caminho de se tornar, depois da Grécia, a próxima nação da zona do euro a afundar. A taxa de desemprego é de 15%, superior à média europeia, e o PIB deve encolher 3% em 2012.

O desafio de Pedro Passos Coelho, de 47 anos, primeiro-ministro português, no cargo desde junho de 2011, é reduzir a dívida e os gastos públicos e, ao mesmo tempo, tirar o país da recessão.

Antes de Coelho assumir, Portugal só se salvou da quebra por receber um pacote de ajuda externa no valor de 78 bilhões de euros, um terço do que foi obtido pela Grécia. Com voz de barítono, que usava para cantar fados em ocasiões privadas, Passos Coelho falou a VEJA na residência oficial do chefe de governo, o Palácio São Bento, em Lisboa.

 

O governo brasileiro quer encarecer e dificultar a importação de vinhos, incluindo os portugueses, para beneficiar os produtores da Serra Gaúcha. Qual sua opinião sobre isso?

O protecionismo, por mais que pareça dar oportunidades imediatas aos grupos nacionais, é pouco eficiente a médio e longo prazo. Quando se diminui a exposição do país à competição externa, os consumidores são obrigados a pagar um preço mais elevado por um determinado nível de consumo ou de realização de serviços.

Ora, se uma parte desse gasto for liberada para a compra de outro produto ou para investimentos, a economia no seu conjunto ganhará mais. Portanto, mais vale privilegiar a competição internacional do que proteger os nossos campeões internos.

 

O que o senhor diz aos portugueses que culpam a chanceler alemã Angela Merkel e o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy pela crise europeia?

Esse é um clichê muito difundido na imprensa. O fato de Alemanha e França procurarem soluções para a crise resultou na ideia errônea de que eles eram de certa forma responsáveis ou até beneficiários dessa situação.

Nada mais exagerado.

Primeiro porque, apesar de serem os líderes de duas das principais economias europeias, as decisões finais sobre os rumos do bloco são tomadas por um comitê mais amplo de chefes de governo e de Estado. Segundo, a situação adversa que Portugal vive hoje não veio em consequência das decisões de Merkel ou de Sarkozy.

Os desequilíbrios existentes em Portugal são resultado de más decisões tomadas por nós mesmos. Usamos mal o dinheiro, selecionamos mal os projetos de obras públicas, aumentamos os impostos para gastar em serviços de pouco valor, não flexibilizamos suficientemente o mercado de trabalho, não abrimos a economia…

Os líderes europeus não agravaram nossos problemas. Ao contrário, eles nos ajudaram a encontrar uma saída para eles.

 

Sarkozy e Merkel se reúnem em Bruxelas para conversar sobre a crise na UE (Fabrizio Bensch/Reuters)

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel: "os líderes europeus não causaram nem agravaram os problemas de Portugal. Os responsáveis foram nós mesmo, os portugueses" (Foto: Fabrizio Bensch / Reuters)

 

A Grécia está imersa no caos social e ainda negocia para não pagar uma parte de sua dívida. Toda a ajuda em dinheiro vinda de fora parece não ser suficiente para equilibrar as contas e superar a recessão. Alguns analistas dizem que Portugal será a próxima Grécia. Qual o risco de isso ocorrer?

Nosso país tem adotado medidas que a comunidade internacional e a União Europeia consideram bem-sucedidas. Corrigimos algumas deficiências em tempo recorde. Internamente, fizemos um acerto duro nos gastos públicos.

Apesar de a crise econômica ter reduzido a nossa receita tributária e aumentado as nossas despesas com benefícios sociais para os desempregados, conseguimos cortar o déficit estrutural em 4 pontos porcentuais.

Externamente, reduzimos o déficit na balança de pagamentos. Nesse quesito, alcançamos em dezembro de 2011 uma meta que todos esperavam ser possível atingir apenas em dezembro de 2012. Essa conquista ocorreu não apenas por causa da nossa política de austeridade, mas sobretudo porque os setores exportadores, como o têxtil e o automotivo, tiveram um desempenho superior ao previsto.

O turismo, que representa 10% do PIB, também foi muito bem. Até 2013 vamos atingir o equilíbrio nas contas externas. Isso dá aos mercados uma sensação de estabilidade e de confiança em relação a nós. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

27/08/2012

às 17:30 \ Vasto Mundo

Espanha: recessão leva 8 de cada 10 espanhóis a mudar seus hábitos de consumo

JUVENTUDE NA RUA -- Frequentar bares e restaurantes, só em ocasiões especiais. Para Laura González e Joaquin Rodrígues (na foto, a segunda pessoa à esq. e no centro), o botellón, tradicional costume espanhol de se reunir com os amigos nas ruas para conversar e beber, popular entre os mais jovens, tornou-se o principal entretenimento. Outro ponto de encontro cada vez mais frequente é a casa dos amigos. Em tempo de crise severa, a ordem é economizar. "Ninguém que eu conheça acha que a crise vai acabar em pouco tempo. Na verdade, a única certeza é que o pior ainda está por vir", diz Joaquin, 39 anos, técnico de som, ao lado de seus amigos no boêmio bairro La Latina, em Madri  (Foto: Emiliano Capozoli / VEJA)

JUVENTUDE NA RUA -- Frequentar bares e restaurantes, só em ocasiões muito especiais. Para Laura González e Joaquín Rodrígues (na foto, a segunda pessoa à esq. e no centro), o "botellón", tradicional costume espanhol de se reunir com os amigos nas ruas para conversar e beber, popular entre os mais jovens -- que não raro se transforma em baderna e motivo de intervenção da polícia --, tornou-se o principal entretenimento. Outro ponto de encontro cada vez mais frequente é a casa dos amigos. Em tempo de crise severa, a ordem é economizar. "Ninguém que eu conheça acha que a crise vai acabar em pouco tempo. Na verdade, a única certeza é que o pior ainda está por vir", diz Joaquín, 39 anos, técnico de som, ao lado de seus amigos no boêmio bairro La Latina, em Madri (Foto: Emiliano Capozoli / VEJA)

 

Reportagem de Marcelo Sakate, de Madri, publicada em edição impressa de VEJA

 

O DIA A DIA DE UMA RECESSÃO

Os espanhóis se ajustam à realidade de cinco anos de declínio econômico cortando despesas e substituindo os bares pelas ruas

Em uma noite abafada de verão, a Praça Puerta de Moros, no bairro La Latina, em Madri, está tomada por grupos de amigos. Com latinhas de cerveja e pacotes de batatas fritas nas mãos, eles cultivam o hábito espanhol do botellón. A crise econômica mais grave em décadas, no entanto, fez do hábito social de encontrar os colegas na rua a principal forma de entretenimento dos jovens espanhóis. “Não me lembro da última vez em que nos vimos em um bar. Para economizar, só nos encontramos nas praças”, conta a atriz Laura González, 34 anos, ao lado de quatro amigos.

[O botellón volta e meia se transforma em baderna, causando brigas e levando moradores a chamar a polícia. Em algumas cidades, é alvo de atenção especial das autoridades.]

É um padrão de comportamento que se alastra. Oito em cada dez espanhóis dizem ter mudado seus hábitos de consumo por causa da recessão e do aumento do desemprego, que atinge um em cada quatro trabalhadores. A rotineira ida ao supermercado é outro exemplo.

As marcas próprias das redes ganharam apelo graças aos preços baixos, em detrimento de mercadorias de fabricantes tradicionais. Já representam quase a metade da cesta de compras.

FUTURO NO BRASIL -- Recém-formada em artes dramáticas, Marina Lledó, 22 anos, planeja viver seus próximos anos fora da Espanha. "Muitos dos meus amigos já se mudaram para outros países." Ela trabalha meio período em uma loja de instrumentos musicais e guarda dinheiro para se mudar no ano que vem para São Paulo, onde pretende fazer carreira como cantora e pianista. Conta com as dicas de seu pai, um músico espanhol que viveu no Brasil nos anos 70 e 80. "Meus pais me apoiam porque sabem que, além da experiência de vida no exterior, terei mais oportunidades profissionais." (Foto: Emiliano Capozoli / VEJA)

FUTURO NO BRASIL -- Recém-formada em artes dramáticas, Marina Lledó, 22 anos, planeja viver seus próximos anos fora da Espanha. "Muitos dos meus amigos já se mudaram para outros países." Ela trabalha meio período em uma loja de instrumentos musicais e guarda dinheiro para se mudar no ano que vem para São Paulo, onde pretende fazer carreira como cantora e pianista. Conta com as dicas de seu pai, um músico espanhol que viveu no Brasil nos anos 70 e 80. "Meus pais me apoiam porque sabem que, além da experiência de vida no exterior, terei mais oportunidades profissionais." (Foto: Emiliano Capozoli / VEJA)

A economia encolhe há 9 meses. Desaba a venda de automóveis

É um comportamento similar ao dos brasileiros no passado, em tempos de colapso econômico. Produtos de valor mais elevado, cujas vendas dependem da confiança dos consumidores no futuro do país, sofrem mais. No ano passado, foram vendidos na Espanha 787 000 carros novos, a metade da quantidade de 2006.

A economia espanhola encolhe há nove meses. Números divulgados na semana passada mostram que boa parte das maiores potências europeias voltou a entrar em recessão, ao acumular dois trimestres consecutivos de queda na atividade. O PIB da Espanha deverá encerrar este ano com o mesmo tamanho que tinha em 2007 – ou seja, terá acumulado meia década perdida. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

25/05/2012

às 16:00 \ Vasto Mundo

Corrigindo um erro que cometi: sim, o novo governo italiano, pela primeira vez, está taxando as propriedades da Igreja

O primeiro-ministro Mario Monti com o papa Benedito XVI: taxação inédita dos imóveis da igreja (Foto: mwnews.it)

Errei ao publicar um post há algumas semanas dizendo que o arrocho fiscal e as medidas de austeridade promovidas pelo primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, imitaram governos anteriores e deixaram fora de taxação os milhares de imóveis pertencentes à igreja católica e não dedicados ao culto – cujo número, conforme estimativas de diferentes fontes, varia de 50 mil a 100 mil propriedades.

O leitor Daniel Peccini Correa, a quem agradeço o toque, me advertiu para o erro.

Se errei, preciso corrigir. É minha obrigação.

O post foi publicado no dia 2 de abril. Deixei de levar em conta que dias antes, a 24 de março, o Parlamento aprovou a chamada “lei de conversão” nº 27/2012, que modifica uma lei de 1992, na qual se elencam os casos de isenção do IMU (imposto municipal único, equivalente ao nosso IPTU).

Só não estão suscetíveis ao imposto os imóveis “utilizados por entidades não-comerciais destinadas exclusivamente ao desenvolvimento sem objetivo de lucro de atividades assistenciais, previdenciárias, sanitárias, didáticas, culturais, recreativas, esportivas e de religião ou culto”.

A lei chega a detalhar sobre como proceder no caso, que não é raro, de uso misto (comercial e não comercial).

O percentual básico do IMU é de 0,76% sobre o valor do imóvel, podendo variar conforme uma série de situações.

O novo imposto estará em fase experimental de arrecadação até o final de 2014, e entrará em vigor em caráter definitivo a partir de 2015.

Diferentemente do que se passou com seus antecessores, o primeiro-ministro Mario Monti (um economista sem partido, ex-comissário da União Europeia — espécie de ministro da UE –, chefe de um governo de técnicos que tenta debelar a crise econômica até as eleições de abril de 2013) quebrou o tabu de não tocar no patrimônio da igreja católica.

16/12/2011

às 20:08 \ Vasto Mundo

O primeiro-ministro da Itália renunciou a dois salários dos cofres públicos para dar exemplo. Você acha que isto aconteceria “neste país”?

Monti (à direita) com o presidente Napolitano (à esquerda) e outros ministros na cerimônia de compromisso, no Palazzo Quirinale, sede da Presidência (Foto: AFP)

Convocado pelo presidente da República, Giorgio Napolitano, para assumir o governo da Itália à beira da catástrofe financeira, após a renúncia a contragosto do desastroso primeiro-ministro Silvio Berlusconi, o ex-alto dirigente da União Europeia Mario Monti não tem brincado em serviço.

Seu plano de austeridade e, simultaneamente, de investimentos públicos para reativar a economia incluem uma alta do imposto sobre consumo, a elevação do tempo de contribuição e da idade para os trabalhadores se aposentarem, a reintrodução de imposto predial, extinto por Beslucsoni, um aperto nas regiões e provínciais para que reduzam cargos públicos, pesados impostos sobre a propriedade de carros de luxo, aviões privados e helicópteros e até a possibilidade de diminuir o tamanho das Forças Armadas.

Ah, também cortou sete dos 24 ministérios então existentes.

Monti ainda tomou uma atitude rara, raríssima em políticos de todo naipe e de qualquer país: renunciou aos dois salários dos cargos que acumula – os de primeiro-ministro e ministro da Economia, muitíssimo bem pagos na Itália. Não é nada, não é nada, são cerca de 30 mil euros por mês (73.500 reais).

Ao explicar o gesto, Monti disse que “no momento em que exigimos sacrifícios de todos os cidadãos”, esse pareceu-lhe ser seu “dever”.

Senador vitalício, como outros italianos ilustres

Como não pode viver de brisa, e precisou abandonar atividades privadas para assumir o cargo – é professor e exercia funções de conselheiro do conclomerado financeiro Goldman Sachs –, Monti ainda recebe confortabilíssimos 15 mil euros (36,7 mil reais) mensais como senador vitalício, senatore a vita, como se diz na Itália, para o qual foi designado pelo presidente Napolitano.

A Constituição da Itália prevê que os ex-presidentes da República têm direito ao cargo de senador vitalício, com gabinete, tribuna e salário, mas não a voto. E, no artigo 69, concede ao presidente a prerrogativa de designar para a função, numa espécie de reconhecimento nacional, a grandes figuras do país nos cenários social, científico, artístico ou literário.

Italianos notáveis de todos os campos já ocuparam o cargo honorário, como o maestro Arturo Toscanini, Eugênio Montale, Prêmio Nobel de Literatura de 1975, e o forjador da Fiat, Giovanni Agnelli. Monti, além dos méritos próprios, viu-se guindado à honraria para poder ser primeiro-ministro, já que o cargo só pode ser ocupado por integrantes do Parlamento.

Está certo que Monti recebeu esse prêmio, mas diga lá: você acha que no Brasil algum ministro renunciaria a salário?

 

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados