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Leonardo DiCaprio

21/04/2013

às 16:00 \ Vasto Mundo

A visão de mundo de Bill Clinton — e seu trabalho em prol de um mundo melhor

"Em qualquer tempo e em qualquer país, a política é território dos que praticam a divisão, mas o futuro pertence aos que praticam a cooperação" (Foto: AP)

Bill Clinton, o 42º presidente dos Estados Unidos> "Em qualquer tempo e em qualquer país, a política é território dos que praticam a divisão, mas o futuro pertence aos que praticam a cooperação" (Foto: AP)

Reportagem de Carolina Melo, publicada em edição impressa de VEJA

A VISÃO DE MUNDO DE CLINTON

O ex-presidente americano prega que a cooperação vai triunfar sobre as rivalidades políticas, econômicas e étnicas na solução dos problemas globais

 

Quando deixou a Presidência dos Estados Unidos, em 2001, após oito anos no cargo, e se mudou para uma casa nos arredores de Nova York, Bill Clinton brincou com um grupo de jornalistas: “agora sou como a maioria dos americanos. Acordo, dou uma olhada nos jornais e tomo café da manhã”.

Embora a declaração fosse verdadeira no âmbito das situações comezinhas, nos anos seguintes Clinton se dedicou à atividade mais comum aos ex-presidentes daquele país — rodar o mundo dando palestras sobre os temas mais relevantes do cenário internacional.

Logo, porém, Clinton deu um salto à frente de seus pares que ocuparam o cargo de homem mais poderoso do mundo, um salto que hoje o qualifica como o melhor dos ex-presidentes americanos vivos. 

O grande salto de Clinton foi fundar, em 2005, a Clinton Global Initiativeuma ONG de alcance internacional que se dedica a encontrar soluções para grandes problemas mundiais, desde a desigualdade econômica até as mudanças climáticas, da reconstrução de regiões arrasadas por fenômenos naturais à obesidade infantil.

A entidade pratica um modelo de filantropia que só é possível tendo como base o carisma e a rede de simpatizantes que Clinton reuniu em seus anos de governo — do qual saiu com notáveis 65% de aprovação popular. A Clinton Global Initiative, ao contrário de outras  entidades filantrópicas notáveis, como a de Bill Gates e sua mulher, Melindanão distribui verbas.

Dos encontros que ele organiza, já passaram 150 presidentes, 20 Prêmios Nobel, centenas de empresários e celebridades ricas que vão de Brad Pitt a Mick Jagger

Sua estratégia funciona assim: todos os anos, em setembro, Clinton promove em Nova York um encontro de líderes globais, empresários, CEOs de grandes empresas e notáveis das mais diversas áreas. Após discutirem as melhores soluções para os problemas colocados em pauta, os participantes se comprometem a investir verbas — ou conhecimento — para solucioná-los.

Clinton acredita que só com a cooperação entre governos, ONGs e iniciativa privada se poderá fazer frente aos grandes desafios do mundo de hoje.

Nesses oito anos de existência da Clinton Global Initiative, já passaram pelos encontros 150 presidentes de países, vinte ganhadores do Prêmio Nobel, centenas de empresários e CEOs e diretores de ONGs, além de celebridades endinheiradas — como Brad Pitt, Leonardo DiCaprio e Mick Jagger — dispostas a abrir o cofre em prol de causas com que simpatizem.

As doações com as quais os chefes de Estado, empresas ou pessoas físicas se comprometem são aplicadas diretamente nos respectivos projetos. Os encontros promovidos por Clinton já estabeleceram 2.300 compromissos de investimento em projetos beneficentes em 180 países. Quando estiverem inteiramente implementados, esses projetos terão consumido 73 bilhões de dólares.

Os projetos nascidos nos encontros da Clinton global Initiative já beneficiaram 400 milhões de pessoas. Muitas outras deverão ser beneficiadas indiretamente por meio de uma das prioridades da ONG — a melhoria das condições ambientais nas maiores metrópoles do planeta. Um exemplo vistoso dessa frente de atuação é a reforma do Empire State Building, um dos prédios-símbolo de Nova York, inaugurado em 1931.

Obras para tornar verde o Empire State Building (Foto: Gilberto Tadday)

Obras para tornar verde o Empire State Building (Foto: Gilberto Tadday)

Em 2009, a Clinton Climate Initiative, juntamente com parceiros, iniciou um projeto de ampla modernização no Empire State que tornou quatro vezes mais eficiente o isolamento térmico das 6 514 janelas duplas e dos 26 056 painéis de vidro do edifício. O controle de temperatura e os elevadores receberam sistemas mais eficazes.

Ao todo, o projeto reduziu o uso de energia do Empire State em 38%, o que significa uma redução de 4,4 milhões de dólares por ano nas contas de energia de seus ocupantes. A redução também evitará que 105 000 toneladas de emissões de gases do efeito estufa sejam produzidas nos próximos quinze anos. Isso equivale à poluição produzida em um ano por 22 000 carros.

Na frente de auxílio às populações mais pobres do globo, a ONG de Clinton tem ampla atuação em países como o Haiti, onde foi fundado um braço especial da entidade, que arrecadou 16,4 milhões de dólares para auxílio imediato às vítimas do terremoto. Posteriormente, foi investido 1,25 milhão de dólares para subsidiar os estudos de 400 000 crianças. “Com a união de forças, temos mais poder do que nunca para construir um mundo de valores e oportunidades compartilhadas”, diz Clinton. As ações da ONG do ex-presidente mostram que essa teoria tem dado certo na prática.

 

A ESTRATÉGIA É JUNTAR FORÇAS

Há oito anos Clinton fundou a Clinton Global Initiative, que promove encontros anuais entre governos, empresas privadas e ONGs. Em entrevista a VEJA, ele explica por que avalia que a união entre os três setores é o melhor caminho para enfrentar questões como a desigualdade social e as mazelas ambientais 

Como o senhor vê o papel dos cidadãos diante dos desafios do século XXI?

Vivemos um período da história inédito em termos de interdependência entre as nações. A riqueza e o talento, hoje, cruzam fronteiras rapidamente, numa grande rede internacional, mas o mesmo acontece com as forças negativas. A crise financeira que começou nos Estados Unidos e varreu o globo provou como as condições sociais e econômicas das nações estão interligadas.

Não podemos mais ignorar o que acontece em outros países.  » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

05/01/2013

às 14:00 \ Tema Livre

Um seio nu, num vídeo, uma foto discreta — e a atriz iraniana é banida de seu país pelos aiatolás. Confira o absurdo

A atriz iraniana Golshifteh Farahani: primeiro, proibida de deixar o país -- depois, de voltar a ele. Esta foto em sua página do Facebook pareceu aos olhos dos aiatolás um crime hediondo (Foto: Figaro Madame)

Publicado originalmente em 27 de abril de 2012.

Durou menos de um segundo, e mal aparece seu seio direito no vídeo, feito pela revista Figaro Madame para anunciar os candidatos a melhores promessas masculina e feminina do cinema francês de 2012 , no âmbito do César, o Oscar da França, entregue há menos de dois meses.

Pronto. Foi o bastante para a atriz iraniana radicada em Paris Golshifteh Farahani, 29 anos, ser proibida de voltar a seu país.

Provavelmente por essa razão absurda do governo dos aiatolás fanáticos foi que ela acabou decidindo, posteriormente, participar do vídeo em que várias mulheres iranianas no exílio se desnudam, em alguns casos de maneira quase casta, para protestar contra a discriminação e os maus tratos que sofrem suas compatriotas no Irã – e de que já tratamos em post anterior.

Mas Golshifteh está calejada em matéria de repressão em seu país natal.

Vejam vocês a ironia: pelo simples fato de ter participado de um filme americano de espionagem – Rede de Mentiras (Body of Lies), de 2008, dirigido pelo consagrado Ridley Scott, em que faz o papel de uma enfermeira e contracena com Leonardo DiCaprio e em que atua ainda Russel Crowe –, rodado na Jordânia, ela recebera punição inversa. Voltando a seu país depois das filmagens, poibiram-na de sair do Irã. Com o tempo, a arbitrariedade deixou de valer e ela decidiu morar em Paris.

A atriz com Leonadro DiCaprio em "Rede de Mentiras" (2008): por ter atuado no filme, ela já fora proibida de deixar o país (Foto: reprodução)

O vídeo que causou horror ao regime dos turbantes, intitulado Corps et âmes (Corpos e Almas) não tem absolutamente nada demais.

Em preto e branco, com fundo musical, aparecem vários jovens atores, homens e mulheres, num rápido gesto de começar a tirar a roupa – criando imagens para um texto poético que serve de narrativa, e que fala em “veja-me / neste instante / nu(a) / livre de corpo e de espírito / (…) / eu entro na dança / esquecido de mim mesmo / minha arte será a de brincar” (“jouer”, em francês, tem o sentido tanto de brincar como de representar).

Confira o vídeo:

Mais horrorizados ainda ficaram os clérigos hipócritas iranianos – vários deles riquíssimos à custa do dinheiro público – com o fato de a atriz ter postado em sua página no Facebook a foto de abertura deste post, foto feita na mesma ocasião do vídeo, em que aparece cobrindo os seios com as mãos. Uma foto que, em qualquer país civilizado, poderia estar até em outdoors gigantes.

Como você viu o vídeo, pode estar curioso em saber quem, afinal, dos atores que ali aparecem venceu o César de “melhor esperança” do cinema francês em 2012. Pois foram Clotilde Hesme e Pierre Niney, que estão nas fotos abaixo.

Pierre Niney e Clotilde Hesme

Clotilde Hesme e Pierre Niney (Fotos: elle.fr / AFP)

 

13/05/2012

às 12:05 \ Livros & Filmes

Livro: os dilemas de uma família americana aos pedaços

“Uma Providência Especial”

Uma-Providência-Especial
 

Uma Providência Especialde Richard Yates (tradução de Cássio de Arantes Leite; Alfaguara; 301 páginas; 39,90 reais)

Na linha de Ernest Hemingway e Norman Mailer, o americano Richard Yates (1926-1992) sempre apresentava como protagonista um homem viril e, ao mesmo tempo, debilitado por alguma circunstância além de seu controle.

Foi Apenas um Sonho, seu primeiro romance, publicado em 1961 (e levado ao cinema em 2008, numa adaptação com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet), abordava o cotidiano de um homem que, sufocado no trabalho, faz planos – os quais nunca pretende cumprir – de se mudar com a mulher igualmente insatisfeita para Paris.

Uma Providência Especial, o segundo livro de Yates, de 1969, evidencia outra constante do autor: o retrato dos subúrbios americanos. Pela primeira vez traduzida no Brasil, a história é protagonizada por dois personagens – Robert Prentice, jovem soldado que adora arranjar problemas com seus companheiros, e sua mãe, Alice, artista plástica que só amarga fracassos na carreira.

A junção de ambos ilustra os dilemas de uma família americana aos pedaços.

(Resenha publicada na seção VEJA Recomanda da versão impressa da revista)

06/05/2012

às 12:05 \ Livros & Filmes

Hoje é domingo, dia sossegado. Aceite um convite: conheça a seção “Filmes & Livros” do blog, com várias dezenas de boas dicas

Meryl Streep

Leonardo DiCaprio, Meryl Streep, Mario Vargas Lhosa, Francis Ford Coppola, Pedro Almodóvar, Gore Vidal: na nova seção, o leitor encontrará personagens como essas e muitas dicas, resenhas, entrevistas e reportagens

Amigos, já há algum tempo está no ar, de forma discreta, a seção “Livros & Filmes” do blog. Digo de forma discreta porque boa parte do que se pode encontrar lá não chegou a ser postado na home page.

Então, hoje, que é um dia mais sossegado, você está convidado a visitar e conhecer uma seção que, a esta altura, está riquíssima, com dezenas e dezenas de posts interessantes: há ali reportagens sobre cinema e literatura, entrevistas com escritores (como Mario Vargas Llosa ou Gore Vidal), atores (Leonardo DiCaprio, por exemplo) e diretores (que tal Pedro Almodóvar ou Francis Ford Coppola?), resenhas e dicas de bons livros e bons filmes.

A maior parte dos posts não foi produzida por mim — embora haja vários textos de minha autoria. A riqueza da seção está no farto material de qualidade elaborado por diferentes colegas de VEJA que, aos poucos, eu vinha injetando em “Livros & Filmes” para, finalmente, declarar inaugurada — digamos assim — a seção e convidá-los a percorrê-la.

É só olhar na barra de navegação da home do blog, onde estão as seções como “Política & Cia”, “Vasto Mundo”, “Bytes de Memória” e as demais para encontrar “Filmes & Livros”.

Sigam em frente. Acredito que irão gostar.

14/09/2010

às 7:45 \ Livros & Filmes

Leonardo DiCaprio, em entrevista a VEJA: “Fama não é sofrimento”

DiCaprio em Gangs de Nova York

Leonardo DiCaprio em "Gangues de Nova York" (2002): a partir daí, filmes bons que também dão lucro (Foto: Divulgação)

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“Fama não é sofrimento”

 

Leonardo DiCaprio diz que sofrer é não ter escolha nem oportunidades – e que o sucesso deu a ele o oposto: controle total sobre sua carreira

 

Popularidade demais pode tragar um talento – e não faltou quem vaticinasse que o sucesso de Titanic afundaria a carreira de Leo­nardo DiCaprio. O ator, porém, virou a maré a seu favor.

Desde que, em 2002, fez Gangues de Nova York com o diretor Martin Scorsese, tem assumido cada vez mais controle sobre seu trabalho e acertado quase sem falhar em suas escolhas: faz filmes bons e que dão também dinheiro.

A Origem, que entrou em cartaz no país em outubro de 2010, é seu maior êxito nesta década – uma ficção científica que tem estimulado discussões acaloradas nas redes sociais e já acrescentou quase 500 milhões de dólares aos 4 bilhões de bilheteria que o ator acumulava até aqui.

A seguir, trechos da entrevista que DiCaprio concedeu à editora Isabela Boscov em Los Angeles.

 

Você tem feito filmes elogiados pela crítica e populares na bilheteria. Essa conjunção é resultado de sorte ou de trabalho?

Cresci nesta cidade, Los Angeles, e desde a adolescência estou neste meio, o do cinema – mas, junto comigo, havia centenas de outros jovens buscando a mesma coisa que eu: uma chance. Para a imensa maioria deles, essa chance não veio.

Poder escolher, como posso hoje, é uma bênção. Sorte, portanto. Mas um ator nessa situação tem o dever de aproveitar ao máximo cada oportunidade, buscar o novo e arriscar sempre mais. Ou seja, trabalho é indispensável.

 

Um ator nessa situação privilegiada tem também o dever de criar oportunidades? Sua influência foi decisiva, por exemplo, para que O Aviador, de Martin Scorsese, saísse do papel.

Quando eu tinha 16 ou 17 anos, não compreendia que um ator pudesse influenciar um projeto – desde reclamar de um diálogo que soe falso até colaborar com um diretor. Eu fazia meu trabalho, e pronto. Concentrar minhas energias no personagem é, ainda, o meu dever primeiro.

Mas aprendi, nos últimos anos, que esse trabalho pode ter ramificações mais criativas.

 

a-origem

"A Origem": segundo DiCaprio, "o trabalho de ator pode ter ramificações criativas"

Você pensa em dirigir?

De jeito nenhum. Gosto é de ser ator.

 

Em todos os seus últimos filmes – Gangues de Nova York, O Aviador, Diamante de Sangue, Os Infiltrados, Foi Apenas um Sonho, A Origem – você interpreta homens que repentinamente se veem sob o peso da responsabilidade. É coincidência?

Pode até ser que exista aí um padrão. O que não existe é um plano.

Aprendi a não questionar os motivos que me atraem a um personagem. Sigo o instinto. E, já que posso escolher, escolho papéis que dizem algo ao meu íntimo. Todas as vezes que aceitei um papel sem ter com ele esse vínculo, saí insatisfeito.

 

O público detecta essa insatisfação?

É uma ironia, mas alguns desses trabalhos foram muito bem recebidos. Outras vezes, você mergulha no personagem, dá o sangue, e a plateia mal reage.

Está aí mais um motivo pelo qual seguir as escolhas instintivas: é impossível prever o que vai ou não funcionar num filme.

É um mistério – para mim, para qualquer ator e para qualquer diretor.

 

Se sua carreira viesse a depender disso, você faria um filme apenas por razões comerciais ou de popularidade?

Foi uma sorte eu ter feito um sucesso inqualificável como Titanic ainda tão jovem.

Uma sorte pelas oportunidades que ele trouxe e também pela visão que ele me deu do sucesso. Que eu resumiria assim: espero não ter de vir a correr atrás dele.

 

Você ainda sente os efeitos da fama estratosférica a que Titanic o alçou?

Nem quero imaginar como seria atravessar uma situação como aquela nos dias de hoje, com a internet e o Twitter. Foi uma fase surreal. Fiz a única coisa que me pareceu razoável: esperei passar.

Mas não me entenda mal. Detesto gente que reclama do sucesso, e odeio soar queixoso a respeito de Titanic.

Fazer sucesso, e enfrentar a fama que decorre dele, não tem nada a ver com sofrer – sofrimento é o que milhões de pessoas vivem a cada dia por causa da absoluta falta de oportunidades.

Titanic me deu o contrário disso: controle total sobre o meu destino.

 

titanic

DiCaprio, com Kate Winslet em "Titanic": "o filme me deu controle total sobre o meu destino"

Você capitaliza sua celebridade em favor de causas ambientais. É dever de um artista dar ao sucesso um uso social?

Quando eu era adolescente, pretendia estudar biologia marinha caso minha carreira como ator não desse certo.

Daí para o interesse pelo ambiente foi um passo curto. Com ou sem razão, as pessoas ouvem as celebridades. E o aquecimento global era uma questão à qual não se dava atenção suficiente. Portanto, comecei a falar dela.

Mas celebridades não vão salvar o planeta. Só a legislação pode fazê-lo.

 

(Publicada na edição impressa de VEJA de 18 de agosto de 2010)

 

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