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Joaquim Barbosa

18/07/2014

às 16:00 \ Política & Cia

A habilidade que políticos — como Arruda, do DF — têm de driblar leis é de fazer inveja a qualquer jogador de futebol

(Foto: Agência Estado)

José Roberto Arruda: a arte de passar por cima de condenações (Foto: Agência Estado)

CRAQUES EM SE SAFAR

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo na segunda-feira, 14

Ah, se os jogadores da seleção conseguissem driblar os adversários como os políticos driblam as leis e a Justiça.

O artista da hora nessa categoria é o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, principal protagonista do chamado “mensalão do DEM”, detonado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, em novembro de 2009.

Quando senador — chegou a ser líder do governo Fernando Henrique na Casa —, tinha construído uma imagem de Catão do Congresso, pela contundência com que denunciava os malfeitos da política local e nacional. Era, como se diz no futebol, uma promessa.

Mesmo depois de ter renunciado ao mandato para não ser cassado por sua participação no escândalo da quebra do sigilo do painel de deliberações do Senado, elegeu-se deputado em 2002 com a maior votação do país em termos proporcionais: 1 em cada 4 eleitores do Distrito Federal sufragou o seu nome.

No pleito seguinte, confirmou a escrita ao se eleger governador já no primeiro turno. Delatado por desvio de dinheiro público, foi parar na cadeia. Entrou para o folclore por ter alegado que o dinheiro se destinava a comprar panetones para os pobres.

Na quarta-feira, já tendo pedido à Justiça Eleitoral o registro de sua candidatura a um novo mandato, desta vez pelo PR, foi condenado em segunda instância, no caso pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJ), por improbidade administrativa. Segundo a lei da ficha limpa, é o necessário e o suficiente para removê-lo da vida pública.

Mas o bom político de mãos sujas precisa mais do que ser descarado: precisa conhecer a letra miúda da legislação para se escafeder entre as suas frestas. De fato, o texto da ficha limpa veda a participação eleitoral dos réus condenados duas vezes (a segunda por um colegiado) só quando a sentença fatal for promulgada antes do registro das respectivas candidaturas.

Arruda e os seus advogados fizeram então o óbvio: trataram de retardar o julgamento que o fulminaria. Recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para sustar o processo no TJ, já com data marcada, e obtiveram a liminar que pleiteavam.

Quando, na semana passada, o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, derrubou a decisão, era tarde — ou assim poderá ser. A esperança de que a legislação moralizadora não acabe virada de ponta-cabeça é o recurso do Ministério Público.

Os procuradores argumentam, cobertos de razão, que a condenação de Arruda, embora posterior ao pedido de registro da candidatura, precedeu a análise da solicitação, que ainda nem sequer ocorreu. Eles pretendem ir até o Supremo Tribunal, se for preciso.

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16/07/2014

às 17:46 \ Política & Cia

No Supremo, continua a pinimba Joaquim Barbosa x Ricardo Lewandowski

(Foto: Agência Brasil)

O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo, com seu sucessor, o ministro Ricardo Lewandowski (Foto: Agência Brasil)

Nota publicada na coluna do jornalista Ilimar Franco em O Globo

BURLANDO O RITUAL BUROCRÁTICO

Ao contrário do costume, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, não nomeou uma equipe de transição para passar o bastão para o ministro Ricardo Lewandowski [que o sucederá no cargo, uma vez que Barbosa pediu aposentadoria.].

Ele baixou resolução para que isso seja feito via um relatório de 60 páginas

 

08/07/2014

às 6:00 \ Disseram

Política não é tudo

“A política não tem na minha vida essa importância toda.”

Joaquim Barbosa, ao se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF), que presidia

03/07/2014

às 15:12 \ Política & Cia

Buscado por motorista particular, Dirceu deixa a cadeia pela primeira vez para trabalhar fora

José Dirceu deixa a cadeia e se prepara para subir em sua caminhonete Hilux, rumo ao escritório do advogado em que vai receber 2,1 mil reais por mês (Foto: Jorge William/O Globo)

O ex-ministro José Dirceu deixa a cadeia e se prepara para subir em sua caminhonete Hilux, rumo ao escritório do advogado de Brasília em que vai receber 2,1 mil reais mensais (Foto: Jorge William/O Globo)

Reportagem de Eduardo Bresciani, do jornal O Globo

O ex-ministro José Dirceu deixou o Centro de Progressão Penitenciária do Distrito Federal na manhã desta quinta-feira para o seu primeiro dia de trabalho, após a prisão pela condenação no processo do mensalão. Dirceu deixou o prédio sozinho, às 7h25m, e entrou em sua caminhonente Hilux, dirigida por um motorista que atende o petista em Brasília.

Ele vestia paletó cinza escuro, calça jeans e camisa azul.

O petista vai trabalhar no escritório do advogado José Gerardo Grossi.

Pelo contrato de trabalho, Dirceu deverá trabalhar das 9 às 18 horas, com direito a duas horas de almoço.

O ex-ministro terá como atribuição organizar a biblioteca do escritório que, segundo Grossi, está bagunçada.

Dirceu, que foi o principal ministro da primeira fase do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, terá salário de R$ 2,1 mil por mês.

— Minha biblioteca está uma bagunça. Se ele quiser trabalhar, terá muito trabalho. Se não quiser, será mandado embora como qualquer outro funcionário — disse Grossi.

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01/07/2014

às 22:10 \ Política & Cia

A charge de SPONHOLZ e a última sessão do ministro Joaquim

a charge joaquim

23/06/2014

às 18:00 \ Disseram

Sobre a criação de cotas no STF

“Não estou nem aí.”

Joaquim Barbosa, presidente do STF, ao ser indagado se o resultado do Censo Judiciário, que mostra que apenas 1,4% dos magistrados são afrodescendentes, iria abrir um debate no órgão sobre a adoção de cotas; Barbosa vai se aposentar neste mês

17/06/2014

às 20:00 \ Política & Cia

Barbosa deixa mensalão e Barroso assume relatoria; ao justificar decisão, presidente do STF atribui a advogados de mensaleiros ‘manifestos’ e ‘insultos pessoais’

O ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa durante sessão  (Foto: Celso Júnior/AE)

O ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa durante sessão (Foto: Celso Júnior/AE)

BARBOSA DEIXA RELATORIA DO MENSALÃO; BARROSO ASSUME

Presidente da Corte, que deve se aposentar até o final do mês, tomou a decisão após ter sido alvo de “insultos pessoais” de advogados dos mensaleiros

Por Laryssa Borges, de Brasília, para o site de VEJA

Prestes a se aposentar, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, anunciou nesta terça-feira que não será mais o responsável pela relatoria dos processos de execução penal dos condenados no mensalão.

A decisão do magistrado ocorre após ele ter sido alvo do que classifica como “manifestos” e “insultos pessoais” por parte de advogados dos mensaleiros. Com a saída de Barbosa, o processo foi redistribuído e passa agora a ser de responsabilidade do novo relator, o ministro Luís Roberto Barroso.

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Caberá a Barroso decidir questões como a possibilidade ou não do ex-presidente do PT José Genoino ser beneficiado com prisão domiciliar, além de analisar recursos contra o impedimento, definido por Barbosa, de os mensaleiros trabalharem fora do presídio onde cumprem pena.

A escolha, por sorteio, de Barroso tende a ser benéfica para os condenados no maior julgamento político realizado pelo STF desde a redemocratização. Na análise dos embargos infringentes, por exemplo, o ministro livrou oito mensaleiros condenados por formação de quadrilha, entre eles o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, Genoino e o próprio operador da trama criminosa, Marcos Valério.

Em seu voto, Barroso chegou a acusar a Corte de ter definido altas penas para os quadrilheiros apenas para evitar a prescrição do crime. “Considero que houve uma exacerbação inconsistente das penas aplicadas no crime de quadrilha, com a adoção de critério inteiramente discrepante do princípio da razoabilidade e proporcionalidade. A causa da discrepância foi o impulso de superar a prescrição do crime de quadrilha”, disse na ocasião.

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Bate-boca - Ao anunciar que deixava a relatoria do mensalão e o acompanhamento da execução das penas dos condenados, o ministro Joaquim Barbosa criticou a conduta dos advogados dos mensaleiros. Na última semana, Luiz Fernando Pacheco, defensor de José Genoino, foi retirado do STF por seguranças após exigir que um processo relacionado ao petista fosse pautado pela Corte.

Para Barbosa, vários advogados que atuam no mensalão “deixaram de se valer de argumentos jurídicos destinados a produzir efeitos nos autos e passaram a atuar politicamente na esfera pública através de manifestos e até mesmo partindo para os insultos pessoais”.

Nesta segunda-feira, Joaquim Barbosa protocolou representação na Procuradoria da República do Distrito Federal contra o advogado Luiz Fernando Pacheco. O presidente do STF acusa o defensor de desacato, calúnia, difamação e injúria.

17/06/2014

às 18:00 \ Disseram

O que fazia o advogado de Genoino?

“Vossa excelência veio pautar?”

Joaquim Barbosa, presidente do STF, ao solicitar a retirada do plenário do advogado do mensaleiro José Genoino, que tentava pressioná-lo a pôr em votação o recurso que concede prisão domiciliar ao petista

12/06/2014

às 1:46 \ Política & Cia

MENSALÃO: Advogado de Genoino é expulso do plenário do Supremo depois de desacatar presidente Joaquim Barbosa

Momento em que seguranças Senado retiram à força do plenário do Supremo o advogado de Genoino,    (Reprodução TV Justiça)

Momento em que seguranças Senado retiram à força do plenário do Supremo o advogado de Genoino, (Reprodução TV Justiça)

BARRACO NO STF: BARBOSA EXPULSA DO PLENÁRIO ADVOGADO DE GENOINO

Presidente da Corte bateu boca com o defensor do mensaleiro, que cobrava análise de pedido de prisão domiciliar

Por Laryssa Borges, do site de VEJA em Brasília

O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira que seguranças da Corte retirassem do plenário o advogado do ex-presidente do PT, José Genoino.

Quando os ministros se preparavam para julgar três processos que questionam o tamanho das bancadas de treze estados na Câmara dos Deputados, o advogado Luiz Fernando Pacheco pediu a palavra para questionar por que não havia sido pautada a análise do pedido de Genoino para cumprir a pena a que foi condenado no julgamento do mensalão em prisão domiciliar.

Barbosa e Pacheco, então, começaram um bate-boca.

Da tribuna, Pacheco afirmou que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já dera parecer favorável a Genoino por considerar que o quadro de saúde do mensaleiro permite que a pena seja cumprida fora do presídio da Papuda.

A despeito da manifestação do Ministério Público, porém, o presidente do STF e relator do mensalão, Joaquim Barbosa, não pautou o caso para análise em plenário.

Barbosa deve permanecer no Supremo apenas até o final do mês, quando pretende se aposentar.

– Há parecer do procurador-geral favorável [à prisão domiciliar] e Vossa Excelência deve honrar esta casa e trazer a seu parecer — bradou Pacheco.

– Vossa Excelência vai pautar? — ironizou Barbosa.

Na sequência, o presidente do STF tentou encerrar a manifestação do advogado, e ambos acabaram se exaltando.

– Pode cortar a palavra que eu vou continuar falando — disse o defensor de José Genoino, que ainda ameaçou, genericamente, que iria “pegar” o presidente do Supremo.

Barbosa:

– Eu vou pedir à segurança para tirar este homem. Segurança, tira — determinou o ministro, sob protestos de Pacheco de que estaria havendo “abuso de autoridade”.

– Quem está abusando de autoridade é Vossa Excelência. A República não pertence à Vossa Excelência e nem a sua grei (grupo, partido). Saiba disso — rebateu Joaquim Barbosa.

Confira a cena no vídeo a seguir:

Entenda o caso 

Condenado a quatro anos e oito meses por corrupção ativa, Genoino alega que o sistema prisional não tem condições de oferecer garantias de tratamento a ele, que passou por cirurgia para corrigir uma dissecção na aorta, em 2012. Depois de o STF confirmar sua condenação, Genoino chegou a cumprir parte da pena em prisão domiciliar em uma casa alugada em um bairro nobre de Brasília.

No final de novembro, um laudo médico elaborado a pedido do ministro Joaquim Barbosa constatou que a prisão domiciliar não era “imprescindível” para o ex-presidente do PT, mas ainda assim o magistrado estendeu o benefício ao mensaleiro até o início deste ano, quando determinou o retorno do mensaleiro para o presídio da Papuda.

José Genoino já havia sofrido novo revés quando a Câmara dos Deputados negou a ele aposentadoria por invalidez. Sem a aposentadoria integral, Genoino mantém os vencimentos de cerca de 20.000 reais por tempo de serviço. Se conseguisse o benefício, ele teria direito ao salário integral e vitalício de deputado, hoje no valor de 26.700 reais.

 

 

05/06/2014

às 20:00 \ Política & Cia

O MINISTRO JOAQUIM BARBOSA É UM DOS MOTIVOS PELOS QUAIS O BRASIL TEM ESPERANÇA. O que ele deixa para trás no STF vai muito além do mensalão

Mérito — Joaquim Barbosa chegou ao topo de uma bem-sucedida carreira jurídica sem precisar percorrer os conhecidos atalhos, lançar mão dos tradicionais jeitinhos ou recorrer a padrinhos influentes (Foto: Sergio Dutti)

MÉRITO — Joaquim Barbosa chegou ao topo de uma bem-sucedida carreira jurídica sem precisar percorrer os conhecidos atalhos, lançar mão dos tradicionais jeitinhos ou recorrer a padrinhos influentes (Foto: Sergio Dutti)

O BRASIL PRECISA DE EXEMPLOS

O legado do ministro Joaquim Barbosa transcende a prisão de um bando de corruptos poderosos. Ele mostrou que é possível fazer a coisa certa sem precisar transigir ou flertar com o que existe de errado

Texto de Daniel Pereira, com reportagem de Robson BoninHugo Marques, publicado em edição impressa de VEJA

O mineiro Joaquim Barbosa sempre acreditou no esforço pessoal. Filho de um pedreiro e uma dona de casa, estudou em escola pública, formou-se numa universidade federal e assumiu importantes cargos depois de ser aprovado em concurso. À carreira no Ministério Público, acrescentou uma sólida história acadêmica, com passagens, como estudante e professor, por renomadas instituições de ensino do Brasil e do exterior.

Barbosa construiu sua trajetória sem a ajuda de padrinhos influentes e sem pedir favores. Numa sociedade acostumada a atalhos duvidosos e ao jeitinho, preferiu o árduo caminho da meritocracia. Essa biografia chamou a atenção do presidente Lula. Em 2003, ele indicou Barbosa para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

O objetivo de Lula era nomear pela primeira vez um negro para a mais alta corte do Judiciário e, assim, tirar do papel a agenda de políticas afirmativas do governo. O que Lula não sabia é que a escolha renderia frutos bem maiores. Ele escalara o homem certo, na hora certa, para desferir o mais duro golpe contra a corrupção na história recente do país. Sorte dos brasileiros de bem, azar do PT.

Em 2012 e 2013, durante mais de sessenta sessões plenárias, Barbosa comandou o julgamento do mensalão, como relator do processo e, depois, também como presidente do STF. O resultado criminal é conhecido: o Supremo concluiu que o PT subornou parlamentares para se perpetuar no poder, durante o primeiro mandato de Lula, e condenou a antiga cúpula do partido à prisão.a charge joaquim barbosa  indo emboraO resultado simbólico também é conhecido: a Justiça finalmente se fez valer para todos, sem distinção, o que foi considerado um divisor de águas na luta contra a impunidade que há séculos privilegia os poderosos no Brasil. Anunciadas as penas e decretadas as prisões, Barbosa se tornou uma espécie de herói nacional, o cavaleiro vingador da capa preta, aplaudido nas ruas e assediado para disputar as eleições.

Mas esse era apenas um dos lados da moeda. A outra face, menos evidente, levou o ministro a anunciar, na quin­ta-feira, que deixará o Supremo em junho, onze anos antes do prazo fixado para sua aposentadoria compulsória. “Minha missão está cumprida”, disse Barbosa.

Em fevereiro, VEJA revelou que o ministro cogitava antecipar a aposentadoria. Essa possibilidade ganhou força depois de o plenário derrubar a condenação por formação de quadrilha imposta aos mensaleiros. Barbosa, que se acostumara a formar a maioria, acabou derrotado na votação.

Ele suspeitava que dali para a frente, devido à nova composição do tribunal, tenderia a ser sempre derrotado nos embates criminais mais polêmicos. “Essa é uma tarde triste para o Supremo. Com argumentos pífios, foi reformada, jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida e extremamente bem fundamentada”, lamentou o ministro.

O poder na prisão — Apesar das pressões e ameaças, inclusive de morte, Barbosa foi implacável com os mensaleiros. José Dirceu foi condenado a sete anos e onze meses e José Genoino a quatro anos e oito meses de cadeia por crime de corrupção (Fotos: Ailton de Freitas/Ag. O Globo :: Marlene Bergamo/Folhapress)

O PODER NA PRISÃO — Apesar das pressões e ameaças, inclusive de morte, Barbosa foi implacável com os mensaleiros. José Dirceu foi condenado a sete anos e onze meses e José Genoino a quatro anos e oito meses de cadeia por crime de corrupção (Fotos: Ailton de Freitas/Agência O Globo :: Marlene Bergamo/Folhapress)

A reação estava diretamente relacionada às dificuldades presentes no caso. Lula e o PT jogaram pesado para adiar o início do julgamento, numa tentativa de facilitar a prescrição de certos crimes. Também procuraram ministros para convencê-los a reduzir as penas da companheirada e suavizar o enredo criminoso.

Quando o julgamento finalmente começou, Barbosa teve de comprar uma série de brigas para tirar o tribunal de uma espécie de zona de conforto. Uma zona de conforto que, registre-se, sempre contribuiu para dificultar a condenação de políticos, empresários e banqueiros.

Barbosa bateu de frente com os próprios colegas para garantir e acelerar as votações. Chegou a agredi-los verbalmente, acusá-los de cumplicidade com chicanas e acabou isolado dentro do tribunal. Pagou um custo pessoal que, segundo seus assessores, foi compensado pelo benefício proporcionado à sociedade.

O ministro também partiu para um duelo aberto com os maiores criminalistas do país. Recu­sou-se a recebê-los para conversas informais. Parece irrelevante, mas não é. Não são poucos os magistrados que fazem questão de agradar aos grandes nomes da advocacia nacional, mesmo que por meio de pequenos gestos.

De origem humilde, Barbosa teve coragem de romper com esses “rapapés aristocráticos”, conforme expressão lapidar cunhada pelo antropólogo Roberto DaMatta. O custo pessoal, novamente, não foi pequeno.

“As grandes marcas dele, infelizmente, são a truculência no trato e a intolerância com os pontos de vista que não convergiam com os dele”, afirma Alberto Toron, advogado do petista João Paulo Cunha, o ex-presidente da Câmara encarcerado na Papuda. Barbosa, de fato, nem sempre lida bem com a divergência.

Muitas vezes, mostrou-se iracundo e autoritário. Certa vez, mandou um jornalista “chafurdar na lama” porque ele ousou lhe fazer uma pergunta. Para o ministro aposentado do STF Carlos Velloso, Barbosa pecou na forma, mas, no caso do mensalão, acertou em cheio no conteúdo. “As instituições valem por si, mas a grandeza depende das pessoas que fazem funcionar as instituições.

Barbosa conduziu com firmeza um julgamento exemplar de um processo tormentoso, com muitos réus, e não eram réus quaisquer”, diz Velloso. Se não tivesse coragem de enfrentar tantas trincheiras, talvez o STF estivesse até hoje às voltas com requerimentos, petições, questões de ordem…

Depois do mensalão, Barbosa definiu duas prioridades. Uma delas era participar do julgamento sobre as perdas decorrentes dos planos econômicos. Trata-se de um processo bilionário que opõe correntistas a instituições financeiras. No STF, especulava-se que o ministro, após mandar políticos e empresários para a cadeia, votaria contra os bancos.

Com a análise desse caso econômico adiada novamente, Barbosa decidiu antecipar a aposentadoria. A outra prioridade era garantir a eficácia das penas aplicadas aos mensaleiros.

Barbosa se insurgiu contra os privilégios concedidos a eles na cadeia. Recentemente, suspendeu a autorização de trabalho externo. Com base num laudo médico, revogou a prisão domiciliar de José Genoi­no. O ex-ministro José Dirceu nunca recebeu aval para trabalhar fora do presídio.

Os advogados dos mensaleiros recorreram dessas decisões ao plenário do STF. Não está certo se o julgamento do recurso ocorrerá antes ou depois da aposentadoria de Barbosa.

Se a saída tiver acontecido, será sorteado um novo relator, e a presidência já estará sob a responsabilidade de Ricardo Lewandowski. Afilhado político da ex-primeira-dama Marisa Letícia, Lewandowski é lhano no trato, tem boas relações com os colegas e os advogados e defendeu a absolvição de Dirceu e Genoino no processo. Especialista nos “rapapés aristocráticos”, ele é a antítese de Barbosa.

O PT não vê a hora de seu algoz sair de cena. De certa forma, também se cansou da briga. “A postura dele não foi de um estadista do Poder Judiciário. Constatamos uma postura carregada de ódio que não caberia a um juiz”, disse o deputado Vicentinho, líder do PT na Câmara, ao comentar a aposentadoria.

Sucessor — Ricardo Lewandowski, um crítico ferrenho de Joaquim Barbosa, vai assumir a presidência (Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF)

SUCESSOR — Ricardo Lewandowski, um crítico ferrenho de Joaquim Barbosa, vai assumir a presidência (Foto: Fellipe Sampaio/Supremo Tribunal Federal)

Essa declaração é legítima e faz parte do jogo democrático. Pena que o PT não pare por aí. Militantes do partido na internet, como VEJA mostrou, chegaram a ameaçar Barbosa de morte. “Contra Joaquim Barbosa toda violência é permitida, porque não se trata de um ser humano, mas de um monstro e de uma aberração moral das mais pavorosas. Joaquim Barbosa deve ser morto”, escreveu um deles.

Extenuado, o ministro quer se afastar da artilharia petista e, mais importante, virar a página do mensalão. Para ele, o assunto está encerrado, pacificado.

Não é à toa. Sob sua batuta, o Supremo deu aos brasileiros uma lição de moralidade e intransigência com as roubalheiras. Uma lição que até desafetos, como o ministro Marco Aurélio, fizeram questão de ressaltar: “O Supremo, como colegiado, acabou por reafirmar que a lei é lei para todos indistintamente e que não se agradece a esse ou aquele ato a partir da ocupação da cadeira no Supremo”.

Barbosa não agradeceu a Lula, o que permitiu ao país dar um passo importante em sua escalada civilizatória. Eis aí um grande legado.

A meritocracia do esforço

Muito pobre na infância, Joaquim Barbosa estudou, trabalhou, foi aprovado em concurso público e chegou à mais alta corte de Justiça do país sem precisar de amigos influentes, favores ou uma mãozinha de políticos

1. Nascido em uma família humilde de Paracatu (MG), Joaquim Barbosa teve de trabalhar desde cedo para sustentar a casa. Filho de um pedreiro e uma dona de casa, ajudava o pai a fabricar tijolos e a entregar lenha

2. Aos 16 anos, Barbosa foi sozinho para Brasília, arrumou emprego em uma gráfica, e terminou o ensino médio, sempre estudando em colégio público

(Foto: Reprodução/VEJA)

Em 1976, com a beca de formado em Direito, já oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (Foto: Reprodução/VEJA)

3. Aos 22 anos, tornou-se oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores. Depois acabou reprovado num concurso para diplomatas devido, diz ele, a preconceito racial

4. Formado em direito, foi aprovado no concurso para procurador da República. Fez doutorado na Sorbonne, em Paris, foi professor visitante na Universidade Colúmbia, em Nova York, e na Universidade da Califórnia

(Foto: Reprodução/VEJA)

Barbosa foi aprovado em concurso para procurador da República, cargo que exerceu entre 1984 e 2003 (Foto: Reprodução/VEJA)

5. Em 2003, Joaquim Barbosa estava nos Estados Unidos quando foi convidado pelo ex-presidente Lula a assumir a vaga no STF

 

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