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Dilma Rousseff

24/07/2014

às 16:22 \ Política & Cia

Carta ao Leitor de VEJA: Se os integrantes do grupo dos Brics — Dilma, inclusive — fingirem que não viram o crime do avião da Malásia e passarem a mão na cabeça do companheiro Putin, estarão se condenando ao fracasso ético e moral

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

No encontro dos Brics, um grande problema: Putin e sua atuação na Ucrânia (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O PRIMEIRO DESAFIO

Carta ao leitor da edição impressa de VEJA de 23 de julho de 2014

Uma reportagem da edição de VEJA que está nas bancas relata o que ocorreu em Fortaleza na VI Cúpula dos Brics, o grupo de países emergentes cujas iniciais deram forma à sigla – Brasil, Rússia, Índia e China, acrescidos posteriormente da África do Sul.

Dilma Rousseff e seus colegas chefes de Estado e de governo, o russo Vladimir Putin, o chinês Xi Jinping, o indiano Narendra Modi e o sul-africano Jacob Zuma, falaram bem de si próprios pela frente e, pelas costas, mal da União Europeia, do Japão e, principalmente, dos Estados Unidos.

De concreto, mesmo, emergiu da reunião a decisão de criar o que batizaram de Novo Banco de Desenvolvimento, cuja sigla em inglês é NDB, que terá como primeiro presidente um indiano e sede permanente em Xangai, o centro financeiro da China.

O NDB disporá de 100 bilhões de dólares em fundos destinados a salvar da quebra qualquer um dos cinco sócios que se meter em grossa encrenca financeira. É um FMI dos pobres ou, para quem acredita na solidez e no futuro de um grupo tão heterogêneo, um FMI dos novos ricos do mundo.

VEJA considera altamente positiva a formação de grupos econômicos destinados a aumentar o volume de intercâmbio e de comércio entre os países-membros, desde que montados com o espírito de uniformização compartilhada das qualidades de cada povo e também de contenção ou amortecimento dos arroubos destrutivos de cada um dos membros, cujas estratégias de defesa dos interesses nacionais imediatos passariam a levar em conta os objetivos permanentes do conjunto.

Isso significa que enxergamos benefícios em grupos cujos membros adeptos da democracia representativa influenciam positivamente os demais a aderir a essa consagrada forma de organização política, social e econômica – modelo que pode não ser perfeito, mas é melhor do que todas as outras opções.

Entre tantas características desejáveis desse modelo está garantir a paz, já que nunca se registrou na história nenhuma guerra entre dois países democráticos.

O que se tem até agora com os Brics, porém, é um ajuntamento de países díspares organizados em uma hierarquia, com um membro dominante na política, a Rússia de Putin, e outro na economia, a China de Jinping. Os demais são coadjuvantes com papéis secundários e destinados a seguir a liderança.

Não se ouviu em Fortaleza uma única condenação à perseguição sistemática e violenta de opositores na China ou um alerta inequívoco sobre a beligerante política externa de Putin na vizinha Ucrânia.

Mal terminou a reunião de cúpula dos Brics, o grupo já tem pela frente seu maior desafio: como reagir à derrubada de um avião comercial com 298 pessoas a bordo que cruzava o espaço aéreo da Ucrânia? O jato foi abatido por uma bateria de mísseis de fabricação russa operada por milicianos separatistas financiados, treinados e obedientes a Moscou.

Se os integrantes do grupo dos Brics fingirem que não viram o crime e passarem a mão na cabeça do companheiro Putin, estarão se condenando ao fracasso ético e moral, justamente o que destrói as chances de sucesso em todos os outros campos.

23/07/2014

às 15:04 \ Política & Cia

PT pede que PGR investigue aeroporto construído no governo de Aécio

(Foto: Alex de Jesus/Futura Press)

Divulgado por reportagem do jornal Folha de S. Paulo, aeroporto construído na gestão de Aécio deve ser investigado (Foto: Alex de Jesus/Futura Press)

Campanha de Dilma deve protocolar um pedido de investigação no MP de Minas nesta quarta

Do jornal O Globo

O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu nesta terça-feira à Procuradoria Geral da República (PGR) que instaure inquéritos civil, público e criminal para investigar se o senador Aécio Neves (MG), candidato do PSDB à presidência, usou irregularmente recursos públicos para construir um aeródromo em propriedade que pertenceu a seu tio-avô Múcio Guimarães Tolentino.

O pedido cita uma reportagem da Folha de S. Paulo do último dia 20, e pede mais explicações sobre o aeroporto construído na gestão de Aécio enquanto governador de Minas Gerais. É pedido ainda que a PGR verifique se o aeroporto opera com autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Em outra frente, a campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição deve protocolar nesta quarta-feira um pedido de investigação sobre o mesmo assunto no Ministério Público de Minas Gerais.

O PT argumenta que irregularidades na construção e administração do aeródromo seriam “ato de improbidade administrativa, desrespeito ao Código Brasileiro da Aeronáutica e crimes de peculato, emprego irregular de verbas públicas e de prevaricação”.

Além disso, o pedido afirma que o aeródromo, “se não for privado”, está sendo administrado “de forma absolutamente irregular”. Também foi pedida apuração sobre a escolha do local para o aeródromo, bem como informações da empresa que executou as obras.

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23/07/2014

às 6:00 \ Disseram

A queda de Dilma nas pesquisas

“O definhamento de Dilma aponta o fim da era em que o país foi dirigido por um partido que não honrou a confiança que o povo lhe deu.”

Alberto Goldman, filiado ao PSDB, ex-deputado federal, ex-ministro e ex-governador de São Paulo, comentando o desempenho da presidente nas últimas pesquisas de intenção de voto

22/07/2014

às 16:00 \ Tema Livre

J. R. GUZZO: O futebol, a Seleção e a imensa resistência do Brasil em ser adulto

(Foto: facho.br)

A obsessão com o “país do futebol” não nos deixa ver que, pelo menos agora, não somos os melhores do mundo (Foto: facho.br)

COM MUITO ORGULHO

Artigo de J. R. Guzzo publicado em edição impressa de VEJA

J. R. GuzzoNunca antes na história deste país tinha acontecido nada igual. Não só na história deste país: o que se viu no 8 de julho de 2014, um dia que viverá para sempre, jamais tinha ocorrido em 100 anos de existência da seleção nacional de futebol. Também não havia acontecido em toda a história da Copa do Mundo desde a sua criação, em 1930 – não num jogo de semifinal, disputa privativa de gigantes da bola.

Pois aconteceu: a Alemanha enfiou 7 a 1 no Brasil, comprovando uma vez mais que tudo o que não é impossível pelas leis da natureza é, por definição, possível de acontecer um dia qualquer.

Quem poderia imaginar um resultado desses? Seria mais fácil o velho camelo da Bíblia passar pelo buraco de uma agulha. Mas os camelos do futebol, como se vê no mundo das realidades, são bichos capazes de fazer as coisas mais incríveis. Fizeram de novo, no Estádio de Minas Gerais.

Fim de linha para a seleção e para o “hexa”, por falência de múltiplos órgãos.

E daí? E daí nada, realmente – apenas uma derrota esportiva, risco que existe em toda competição e do qual está livre só quem não compete.

Numa sociedade razoavelmente adulta, capaz de separar futebol de honra nacional, felicidade do povo, “vergonha na cara” e outros valores, reais ou imaginários, o massacre que o time do Brasil viveu no Mineirão seria uma derrota horrenda, constrangedora e francamente exótica – mas uma derrota num jogo de bola, só isso, sem nenhum prejuízo material para ninguém, para o país ou para o equilíbrio psicológico de quem quer que seja.

Acontece que o Brasil tem uma imensa resistência em ser adulto, e aí a coisa complica. Como resultado da pressão neurótica aplicada ao futebol pelos meios de comunicação e pelo noticiário esportivo, autoridades públicas, políticos em geral, departamentos de marketing de grandes empresas, agências de publicidade e interesses econômicos que envolvem bilhões de dólares, constrói-se sistematicamente no Brasil um ambiente artificial de histeria que contamina a sociedade quase inteira, quando se trata de futebol e de Copa do Mundo.

Assim ficam estabelecidas exclusivamente duas possibilidades, ambas falsas: a vitória que transforma a nação num paraíso de coragem, competência e superioridade sobre todos os demais povos do mundo; ou, então, a derrota que nos reduz ao pó, com vergonha, choro e ranger de dentes.

É assim que se criou, entre outras invenções cultivadas com obsessão, a extraordinária lenda segundo a qual o Brasil sofreu um “trauma” sem limites ao perder no jogo final contra o Uruguai no Maracanã, em 1950, na primeira Copa aqui disputada.

A derrota é vendida como uma “tragédia” sem igual na história brasileira, um momento de desgraça que jamais poderíamos viver de novo e que clamava aos céus por redenção e vingança – a ser providenciadas, enfim, em 2014, pela graça dos 23 rapazes convocados para a seleção do técnico Luiz Felipe Scolari e dos cartolas da CBF.

Mas não existe trauma nenhum – como poderia existir, se apenas os brasileiros hoje com mais de 70 anos estavam vivos em 1950, em idade para entender minimamente o que aconteceu? Ninguém sofre, na vida real, por contrariedades que jamais experimentou.

Mas aí está: impõe-se ao país o disparate segundo o qual uma partida de futebol disputada 64 anos atrás, o “Maracanazo”, foi uma bomba atômica jogada no Rio de Janeiro, e que “jamais o Brasil iria permitir” que a calamidade se repetisse nesta segunda Copa sediada pelo Brasil. No jogo contra a Alemanha aconteceu muito pior do que uma repetição: um “Mineirazo”, com inéditos 7 a 1 no lombo.

Essa mesma lavagem cerebral nos força a ficar repetindo que o Brasil é “o país do futebol”, que nenhuma outra nação chega perto da nossa habilidade sobrenatural com a bola e que vamos ganhar sempre por causa da ginga, do jogo de cintura, da malandragem etc., pois amarramos “o coração na chuteira”, somos “brasileiros com muito orgulho” e outras tolices. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

22/07/2014

às 12:00 \ Disseram

O modelo russo não deve ser motivo de inveja para o Brasil

“A aprovação do presidente russo [Vladimir Putin] passou dos 80% neste ano. Dilma provavelmente inveja isso, mas Putin só consegue esse índice porque na Rússia não há liberdade de expressão. Não é, portanto, um modelo que possa ser copiado.”

Tanya Lokshina, diretora da ONG Human Rights Watch em Moscou

21/07/2014

às 19:00 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Palocci desembarca da arrecadação de fundos para a campanha de Dilma — e os primeiros resultados negativos já aparecem

(Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)

Não tão bons amigos: Palocci se ressente da falta de apoio de Dilma e de dirigentes petistas no episódio que o levou a deixar a Casa Civil da presidente (Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)

DE BRAÇOS CRUZADOS

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

O PT disputará a corrida presidencial desfalcado de um de seus principais articuladores — e não se trata de José Dirceu, que cumpre pena de prisão no processo do mensalão.

Ministro da Fazenda no governo Lula e chefe da Casa Civil na gestão Dilma Rousseff, Antonio Palocci não comandará, nem nos bastidores, a arrecadação de contribuições para a campanha.

A amigos, disse que quer continuar fora de cena e se preservar.

Ele também revelou mágoa da presidente da República e de alguns dirigentes petistas, que não teriam lhe dado o apoio necessário para continuar no Planalto depois da revelação de que seu patrimônio crescera vinte vezes entre 2006 e 2010.

O governo já sentiu os efeitos do desembarque de Palocci.

Os produtores de álcool sediados em Ribeirão Preto (SP), cidade que foi administrada duas vezes por Palocci, abandonaram a campanha de Dilma à reeleição.

21/07/2014

às 17:38 \ Política & Cia

“Presidenta, adeus.” (…) “É o fim da aventura petista (…)”. Vídeo divertido comemora queda de Dilma nas pesquisas

Está no canal de vídeos de Hanna Louis no YouTube um vídeo com imagens divertidas e uma canção que celebra a queda das intenções de voto na presidente Dilma nas pesquisas dos institutos especializados.

O título do vídeo é “Dilma em queda desvairada!”

Confiram:

19/07/2014

às 19:15 \ Política & Cia

O “POSTE” DE LULA DESABA: após um ano e meio de mandato, só 17% dos paulistanos aplaudem a gestão do prefeito Fernando Haddad

Desgaste com o PT: Haddad é acusado internamente de agir contra os interesses do partido (Ilustração: Studio Abacate)

Desgaste com o PT: Haddad tem ínfimo apoio popular e, dentro do PT, ainda é acusado de agir contra os interesses do partido (Ilustração: Studio Abacate)

 

Como o prefeito Fernando Haddad enfrenta nos bastidores a baixa popularidade entre os paulistanos e os atritos com vereadores e seu próprio partido

Reportagem de Daniel Bergamasco Mauricio Xavier, com colaboração de Silas ColomboJoão Batista Jr., publicada em edição impressa de VEJA SÃO PAULO

Ao assumir a principal cadeira do Edifício Matarazzo, a imponente sede da Prefeitura de São Paulo revestida de mármore travertino, em janeiro de 2013, Fernando Haddad frustrou a maior sanha dos vereadores: indicar subprefeitos. Aos poucos, acabou cedendo a pressões para a indicação de chefes de gabinete e de ocupantes de outros cargos, mas não dava brecha nas nomeações para as vagas mais cobiçadas.

Nos últimos tempos, esse muro caiu. Sob forte pressão dos parlamentares famintos de influência em órgãos recheados de poder e bons contratos, trocou, desde maio, doze desses chefes. Entre outros recompensados, Antonio Goulart (PSD) emplacou o titular da Vila Mariana, Orlando Silva (PCdoB), o do Jabaquara, Arselino Tatto (PT) e Milton Leite (DEM), o do M’Boi Mirim.

Dar um passo para trás foi crucial na governabilidade do petista, que viu sua base rachar na Câmara, está escanteado por boa parte do PT, tem problemas sérios de orçamento e recebeu, na última semana, mais um golpe. Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada na segunda (30) manteve praticamente inalterado seu baixo índice de aprovação popular, o que representou uma péssima notícia para Haddad.

Após um ano e meio de mandato, apenas 17% dos paulistanos consideram sua gestão boa ou ótima. Na comparação do mesmo período com prefeitos das últimas três décadas, o número só é superior ao de Jânio Quadros (1986-1988), com 9%, e ao de Celso Pitta (1997-2000), com 11%.

Haddad bem que tentou minimizar a história. “Todo governo de mudança passa por isso. É preciso esperar um pouco até que as pessoas assimilem uma nova cultura”, afirmou. Nos bastidores, sua reação é dúbia. Se tem tomado providências para manter algum diálogo com vereadores, ele tenta não demonstrar grande apego ao cargo – costuma dizer aos aliados que o importante é implantar as medidas necessárias para a cidade.

Ao mesmo tempo, põe na ponta do lápis a conta da reeleição: se elevar a aprovação de 17% para 25% ao fim do mandato e conquistar um terço dos que o consideram regular (44%), teria fôlego para continuar na poltrona. Para isso ser possível, porém, avalia que precisa de empenho de Dilma Rousseff. Por questões políticas, a presidente pediu ao Senado que travasse um projeto de lei que aliviaria muito a sufocante dívida do município.

Com o ex-presidente Lula, a relação é melhor: os dois se falam sempre e almoçam uma vez por semana. Enquanto continua bem na foto com o padrinho político, está desgastado com o restante do PT.

José Américo (ao microfone), no dia em que os vereadores rejeitaram a criação de feriado em dia de jogo: o prefeito sente falta de apoio mais enfático (Foto: Rafael Arbex/Estadão Conteúdo)

José Américo (ao microfone), no dia em que os vereadores rejeitaram a criação de feriado em dia de jogo: o prefeito sente falta de apoio mais enfático (Foto: Rafael Arbex/Estadão Conteúdo)

Internamente, é acusado de agir contra os interesses do partido, ao ter criado, por exemplo, a Controlado­ria-Geral do Município, cujas investigações da máfia do ISS culminaram na saída do secretário de Governo, Antonio Donato, após um dos denunciados ter declarado que pagava mesada a ele para manter o esquema. Donato pediu afastamento jurando inocência e reclamando da falta de uma defesa enfática por parte do chefe.

Esse clima, somado à impopularidade, fará com que Haddad tenha participação discreta na campanha de Alexandre Padilha para o governo estadual. O partido elegeu não a ele, mas a senadora Marta Suplicy para circular com o candidato ao redor da capital.

Para piorar, a relação com o também petista José Américo, presidente da Câmara dos Vereadores, não é das melhores. Nos bastidores, ele costuma criticar o prefeito e um de seus nomes mais próximos, o secretário de Comunicação, Nunzio Briguglio, a quem chama de “Nunzio Bagulho”, pela dificuldade em ter seus pleitos atendidos.

Uma das últimas desavenças envolveu a recusa dos quinze convites para a abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão, enviados pela administração. Américo queria embarcar todos os membros do plenário no evento.

O pior estaria por vir. Haddad avaliou que não houve empenho do suposto aliado na aprovação na Câmara de um feriado em 23 de junho, planejado para evitar o caos nos congestionamentos nesse dia: a metrópole receberia Holanda x Chile e o Brasil enfrentaria Camarões em Brasília.

Não ficou barato. Uma propaganda de rádio criada pela equipe de Haddad cravava: “A Prefeitura de São Paulo está buscando alternativas para minimizar os problemas de trânsito (…), uma vez que a Câmara Municipal não aprovou o feriado para esse dia”. Américo ligou furioso e, após dois dias no ar, a peça teve a provocação suprimida – segundo a Secretaria de Comunicação, a mudança do conteúdo estava planejada desde o princípio.

Em março, o prefeito havia revoltado os vereadores ao subir em carro de som do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e incitar os militantes a pressionar os políticos para a votação do Plano Diretor, o conjunto de diretrizes de longo prazo do desenvolvimento da cidade.

Em paralelo, o tom sereno do prefeito tem mudado desde a derrocada da popularidade. Em um gesto considerado como de desespero pelos opositores, teria feito acenos amigáveis a alguns deles. “Ele me chamou há algumas semanas em sua sala durante um evento e propôs uma trégua”, relata o tucano Floriano Pesaro. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

18/07/2014

às 17:30 \ Política & Cia

Coordenadores de campanha acham que Eduardo Campos empatará com Aécio em intenções de voto com o início da propaganda eleitoral pela TV

(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Em teoria, os 20 milhões de votos que Marina Silva conseguiu em 2010 seriam transferidos para Eduardo Campos (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

A ESTRATÉGIA SOCIALISTA

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

Os coordenadores da campanha do ex-governador Eduardo Campos dizem que, com o início da propaganda eleitoral, ele chegará a pelo menos 18% das intenções de voto. Esse percentual seria alcançado com a transferência de votos de Marina Silva para o candidato do PSB.

Em 2010, a ex-ministra recebeu 20 milhões de votos no primeiro turno da corrida presidencial. Segundo as pesquisas internas do PSB, esse patrimônio será repassado a Eduardo tão logo o eleitor seja informado de que Marina será sua vice.

A prioridade da propaganda eleitoral será ressaltar essa parceria.

Caso atinja 18%, Campos estará em situação de empate técnico com o tucano Aécio Neves.

Para superá-lo, a ideia é apresentar o PSB como única alternativa viável à polarização entre PT e PSDB — ou como a novidade capaz de realizar as mudanças reclamadas pelos eleitores.

[Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, à noite, mostra que Aécio Neves tem 20% das intenções de voto, enquanto Eduardo Campos ostenta 8%.]

18/07/2014

às 15:00 \ Política & Cia

TSE não fará teste público das urnas eletrônicas antes das eleições

Estudantes de Computação da UnB fizeram testes públicos em 2009 (Foto: Givaldo Barbosa/O Globo)

Estudantes de Computação da Universidade de Brasília fizeram testes públicos em 2009 (Foto: Givaldo Barbosa/O Globo)

Especialistas condenam a atitude e criticam falta de transparência

Por Cristina Tardáguila, do jornal O Globo

Apesar de reconhecer que “os testes de segurança das urnas eletrônicas fazem parte do conjunto de atividades que garantem a melhoria contínua deste projeto”, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não fará nenhum antes das eleições de outubro.

Desde 2012, aliás, quando uma equipe de técnicos da Universidade de Brasília (UnB) simulou uma eleição com 475 votos na urna eletrônica e conseguiu colocá-los na ordem em que foram digitados, o tribunal não expõe seus sistemas e aparelhos à prova de técnicos independentes. Mesmo assim, continua a afirmar que eles são seguros e invioláveis.

Para especialistas em computação, o TSE se arrisca ao dispensar as contribuições e os ajustes que poderiam florescer em testes públicos independentes e erra ao adotar uma postura de extrema confiança em relação a seus sistemas de registro, transmissão e contagem de votos.

Muitos lembram que, recentemente, até mesmo as comunicações da presidente Dilma Rousseff foram rastreadas pela Agência de Segurança Nacional (NSA) americana.

— Eu aguardava ansiosamente os testes de 2014 para verificar pelo menos se os problemas de segurança que descobrimos (em 2012) haviam sido corrigidos — disse ao GLOBO o professor de computação Diego Aranha, hoje trabalhando na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). — Mas isso não vai acontecer e lamento por isso. Eu realmente acredito que as urnas eletrônicas brasileiras seriam viradas pelo avesso se pudéssemos fazer testes realistas e sem restrições nelas. Mas o TSE nos impede.

Em 2012, Diego e três técnicos da UnB se cadastraram no TSE para participar de um teste público das urnas e, segundo contam, conseguiram provar a vulnerabilidade delas sem precisar abri-las.

— No teste, o TSE abriu o código de programação do software da urna e nos deu cinco horas para analisar mais de 10 milhões de linhas de programação. Em menos de uma hora descobrimos a equação usada pelas urnas para embaralhar os votos que ela registra e, para provar isso, simulamos uma eleição com 475 votos e, em seguida, ordenamos os votos que foram registrados nela. Resumindo: achamos um erro banal do sistema — afirmou Aranha.

Desde então o TSE não realiza testes desse tipo. E afirma, via assessoria de imprensa, que não tem previsão para fazê-los.

— A ausência de testes públicos, livres, sem controle sobre o que será testado, per se, já é um dano. Independentemente de eventuais riscos técnicos — o professor da FGV Direito Rio, Pablo Cerdeira.

— É direito nosso, de todos os cidadãos, não apenas saber dos resultados mas também como foi todo o processo para se chegar a ele. Imagine se a apuração de uma eleição feita em papel fosse realizada a portas fechadas, de forma secreta, sem que ninguém pudesse acompanhar. O sistema não seria confiável. É a mesma coisa com a votação eletrônica. Se a sociedade não puder acompanhar, sem restrições, como funcionam as urnas, podemos dizer que temos dois danos: não estão respeitando nosso direito à transparência e estamos corremos o risco de ter alguma falha no sistema que permita a violação das eleições.

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