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Dilma Rousseff

20/04/2014

às 23:45 \ Uncategorized

A charge de SPONHOLZ: a Páscoa de Dilma, e um coelho de Páscoa barbudo

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20/04/2014

às 19:00 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN e o caso Pasadena: “Todo suspeito é culpado até provar que é influente”

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Cerveró: salva a própria pele, mas não entrega ninguém. (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Notas da coluna do jornalista Carlos Brickmann publicada hoje em vários jornais

carlos_brickmannE vai ter Copa 

O depoimento de Nestor Cerveró, o ex-diretor da Petrobras que sabia tudo sobre a compra da Refinaria de Pasadena (e que elaborou o documento, criticadíssimo por Dilma, lido pelo Conselho de Administração), deixou o jogo empatado. Cerveró manteve todas as saídas abertas, defendeu-se sem incriminar ninguém.

Extrair dele algo diferente exigirá convocá-lo para uma CPI; exigirá, antes, que a CPI seja instalada e funcione, o que leva tempo.

A Copa está aí.

As empreiteiras e consórcios acusados são grandes, poderosos, têm bons amigos. E, como não disse Laurence Peter, todo suspeito é culpado até provar que é influente.

Vargas, lucros e perdas 

Surpresa pela decisão do deputado André Vargas, do PT do Paraná, de desistir da renúncia ao mandato?

Vargas fez o que foi melhor para ele: imaginou inicialmente que a renúncia faria com que seu julgamento na Comissão de Ética da Câmara Federal fosse cancelado – afinal, como cassar o mandato de quem já não teria mandato?

A vantagem seria escapar da proibição de exercer mandatos eletivos nos próximos oito anos.

Mas, ao saber que a Comissão de Ética o julgaria de qualquer jeito, e que não teria benefício nenhum se renunciasse, decidiu ficar na Câmara e defender-se exercendo o mandato (e recebendo).

Para o partido, é ruim; ou decide expulsá-lo (e, ninguém se iluda, Vargas tem aliados, silenciosos no momento, mas poderosos), ou não o expulsa, e arca com o desgaste de mantê-lo.

Vargas até topa renunciar, mas o PT precisará oferecer-lhe uma saída honrosa.

20/04/2014

às 18:00 \ Política & Cia

Post do Leitor: “Lendo o que os investidores estão escrevendo sobre o Brasil lá fora, a gente fica roxo de vergonha”

Foram-se os tempos em que o Brasil era o destino dos sonhos para investidores. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Post do leitor e amigo do blog Moacir 1

POST DO LEITORNeste país continental e de tantas e tão profundas diferenças, concordam gregos, troianos, petistas e oposicionistas numa questão: o Brasil precisa de investimentos!

Os road-shows do nosso Mantega Adivinho, o megaotimista – e com direito a escala lusitana! – discurso da Dona Dilma em Davos, a ida de Lula em fevereiro à Big Apple e as tentativas mais recentes do Temer de convencer os investidores estrangeiros de que a economia de Banãnia vai muito bem, obrigado, evidenciam tal necessidade.

O problema é que nossos desgovernantes, mesmo desesperados para fazer o país caminhar, mesmo precisando que a presidenta diga na campanha “o que é que vai fazer na economia”, ao fazer tudo que não deveriam parecem delirar por seus malfeitos não estarem sendo vistos, lidos e compreendidos por aqueles que detêm o tão vital capital no planeta azulzinho. Petistas, estou quase convencido, são suicidas a longo prazo.

Petistas fazem uma espécie de leitura seletiva: só leem determinados blogueiros e publicações, e por aí vai. E só acreditam nos aplausos das Bolsas Brasil e dos militontos que já passaram pela lavagem cerebral.

Investidor, porém, prefere leitura mais diversificada e especializada. “Be aware the man of one book!” (Cuidado com o homem de um só livro). Grande Aquino.

E lendo o que os investidores estão escrevendo sobre o coitado do “Brazil”, ultimamente, a gente fica roxo de vergonha de ser brasileiro. Aliás, este é um dado científico. Em recente pesquisa, o assombroso percentual de 75% de brasileiros verbalizaram vergonha de sê-lo. Pudera!

Graça Foster e Dilma: as presidentas do macacão laranja (Foto: Agência Petrobras)

No dia 27 de março, The Economist já tinha explicado ao mundo alienado sobre a presença petista nas páginas policiais tupiniquins. Lava-jato, you know! Apresentaram ao mundo o ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas, e o ex-diretor da Petrossauro Paulo Roberto Costa Preso da Silva, apesar de ser afilhado de Renan Calheiros, o poderosíssimo presidente do Senado brasileiro.

Graças a Deus os britânicos ainda não sabiam do doleiro, do Labogem e da fracassada tentativa de vender o princípio ativo do Viagra para o Ministério da Saúde escravo do candidato petista ao governo de São Paulo, Mr. Padilha.

A mensagem de The Economist foi clara: Hello Earth! A fama da gerentona já era! She has blown it, folks!

Ontem, foi a vez do The New York Times – aquele para quem o Lula é articulista desde que foi alfabetizado em ingrêis. A reportagem capitalista golpista começa lembrando ao vasto mundo que, em 2006, todo lambuzado de petróleo e com as mãos sujas do ouro negro, o então presidente prometeu-nos uma Petrobras maior até mesmo que a Apple, além da nossa independência energética. Viva o pré-sal!

Em vez disso – diz o jornal, e não a oposição – a produção estagnou, a Petrossauro encontra-se mergulhada em investigações de corrupção, a incompetência gerencial tornou-se dona da maior dívida empresarial do mundo e totalmente dependente de fundos de investimento estrangeiros para financiar seus ambiciosos planos de investimento: situação em que quer queira, quer não queira, tem que comparecer com 30%, mesmo para perder dinheiro.

A reportagem nos mostra fotos de uma Dilma vociferante, discursando na refinaria de Abreu e Lima: ”eles querem acabar com a Petrobras”, e esquecendo, no entanto, de explicar por que Abreu e Lima, cujo custo estimado por petistas foi de R$ 2,5 bilhões, já nos custou R$ 18,5 bilhões. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

19/04/2014

às 16:30 \ Política & Cia

MERVAL PEREIRA: Pesquisa Ibope pode ter, como principal dado, queda na aprovação da maneira petista de governar

Dilma com Lula: é surpreendente que, perdendo popularidade, Lula já esteja quase no mesmo patamar de Dilma (Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil)

Dilma com Lula: é surpreendente que, com ambos perdendo popularidade, Lula já esteja quase no mesmo patamar de Dilma (Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil)

MUDANÇA DE VENTOS

Artigo de Merval Pereira publicado no jornal O Globo

Há dois pontos novos a se destacar na mais recente pesquisa Ibope.

O mais relevante para a disputa presidencial é que pela primeira vez a soma de “nulos e brancos” com “não sabe” empata com as intenções de votos de Dilma ou fica ligeiramente abaixo, a depender do cenário. A presidente continua líder e vencendo no primeiro turno.

Outro destaque da pesquisa é que não apenas a presidente Dilma está caindo na preferência dos eleitores — de 40% para 37% —, mas também o ex-presidente Lula, quando apresentado como opção a ela, cai para 42%, quando já teve até 55% dos votos.

A má notícia para Dilma é compensada por essa má notícia para Lula.

Embora se mantenha como franco favorito quando surge como candidato, Lula já está praticamente empatado tecnicamente com a presidente Dilma, o que pode indicar que o que está decaindo no gosto popular é a maneira petista de governar.

Certamente terá contribuído para o desgaste do PT o acúmulo de notícias ruins dos últimos dias, como a crise na Petrobras e o caso da ligação do deputado André Vargas com um doleiro preso.

O mensalão continua sendo um processo desgastante para o partido, e as denúncias de novas corrupções só reforçam essa faceta, doze anos depois de o PT chegar ao poder.

Mas a insatisfação com a situação econômica também está refletida na pesquisa. A desaprovação ao governo já é maior que a aprovação (48% a 47%), um indicador clássico de tendência de queda de votação.

A avaliação negativa subiu de 27% para 30%, aproximando-se do nível de julho de 2013, durante as manifestações populares, quando o índice foi de 31%.

Há ainda um dado preocupante a mais: já são maioria (51%) os que não confiam na presidente Dilma. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

19/04/2014

às 4:14 \ Política & Cia

PASADENA, UM MAU NEGÓCIO PARA A PETROBRAS? Não. Na verdade, foi um PÉSSIMO negócio. Confiram

Vista aérea da refinaria Pasadena, no Texas, EUA, pertencente à Petrobras e pivô do enorme escândalo em andamento (Foto:Gilberto Tadday)

Vista aérea da refinaria Pasadena, no Texas, EUA, pertencente à Petrobras e pivô do enorme escândalo em andamento (Foto:Gilberto Tadday)

Por Ana Clara Costa, de Pasadena, Texas, EUA, para VEJAA presidente da Petrobras, Graça Foster, e o ex-diretor da área internacional Nestor Cerveró foram ao Congresso prestar esclarecimentos sobre a contestada compra da refinaria de Pasadena (PRSI) no Texas — foco de uma virtual CPI.

Antes da sabatina, eles se encontraram para alinhar o discurso. Graça alertou Cerveró de que nenhuma afirmação que aumentasse a crise seria tolerada. A tática era apresentar o caso tão somente como um investimento fracassado — nada mais que isso. Sabatinada por seis horas na terça-feira, a executiva seguiu à risca esse roteiro. Reconheceu que a compra “não foi um bom negócio”. Mais ainda, afirmou que não há chance de que o dinheiro despejado na refinaria seja recuperado.

Quando chegou seu dia de falar, Cerveró reafirmou que em 2006, quando a compra de uma participação de 50% em Pasadena foi decidida, o negócio estava em consonância com a estratégia de internacionalização da Petrobras.

Corroborou aquilo que Dilma Rousseff afirmara um mês antes: as cláusulas que obrigaram a Petrobras a comprar a parte da belga Astra Oil no empreendimento, elevando o valor total do negócio a 1,25 bilhão de dólares, não constavam do resumo executivo apresentado ao Conselho de Administração, que ela presidia à época.

Anteriormente, Cerveró havia dito que o conselho dispunha de todas as informações necessárias — daí o alerta de Graça. Desta vez, baixou o tom. “Não tive a intenção de enganar Dilma”, disse ele, acrescentando que não mencionou as cláusulas por julgar que elas “não eram relevantes”.

Ao fim de cinco horas, os governistas se apressaram em dizer que os esclarecimentos eram suficientes. O fato, porém, é que o discurso alinhado de Graça e Cerveró não bastou para afastar da oposição o objetivo de que se faça uma investigação aprofundada.

Há outros esqueletos no armário da Petrobras: as refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e de San Lorenzo, na Argentina, estão igualmente cercadas por dúvidas. Quem conhece de perto a questão diz que, se Pasadena foi um mau negócio, Abreu e Lima é um negócio da China.

A ovelha negra da região

Cidades com refinarias não são lugares aprazíveis. Pasadena, onde estão instaladas dezenas de plantas, não se desvia um milímetro dessa regra. Seu apelido é Stinkadenae, por causa das emissões de gases, o céu tem uma permanente coloração cinzenta.

Para minimizarem o ônus de viver em um lugar assim, autoridades e moradores fazem pressão constante sobre as refinarias, apontando aquelas que se qualificam como boas e más “corporações-cidadãs”. A PRSI é hoje a ovelha negra entre as empresas locais. “É a pior refinaria da região em todos os sentidos”, afirma Rock Owens, procurador do condado.

Segundo a agência de proteção ambiental do governo americano, a refinaria teve o maior número de violações ambientais graves nos últimos cinco anos em Pasadena. Em 2013, do total de 1,8 milhão de dólares em penalidades aplicadas no Texas, a maior fatia coube a ela: 757.000 dólares. “O Estado é leniente em relação às políticas ambientais. Mesmo assim, ela conseguiu levar a multa”, diz Owens.

Sem modernização há… 50 anos

O estado de conservação da refinaria é a origem de todos esses problemas. A planta foi construída em 1920, pela Crown Central Petroleum, e não passou por nenhuma grande modernização nos últimos cinquenta anos.

Para todos que navegam pelo Houston Ship Channel, a principal via de escoamento dos derivados de petróleo produzidos na região, o cartão de visita da PRSI é uma instalação queimada, caindo aos pedaços. Trata-se de uma estrutura que explodiu em 2011. Os escombros nunca foram removidos.

Como em qual­quer indústria, quanto mais antigas as instalações, mais cara é a manutenção e maior o seu passivo ambiental — um fator importante em Pasadena, uma vez que a legislação do Texas exige que qualquer reforma contemple também o tratamento do solo, da água e dos resíduos produzidos pelas obras.

Recentemente, a gigante petroleira americana Chevron anunciou que gastará 1 bilhão de dólares na modernização de sua planta em Richmond, no Estado da Califórnia. Tr­ata-se de uma das maiores e mais antigas refinarias dos Estados Unidos. Mas, ao contrário de Pasadena, reformas no local são empreendidas há décadas e o plano de engenharia vem sendo discutido abertamente com os acionistas e os moradores.

Edifício deteriorado

Construída em 1920 e sem nenhuma grande modernização há inacreditáveis 50 anos, a refinaria em que a Petrobras gastou uma fortuna tem equipamentos e instalações deteriorados e abandonados (Foto: Gilberto Tadday)

Estimativas em poder da Petrobras indicam que a modernização de Pasadena custaria ao menos 1,5 bilhão de dólares. Segundo o procurador Rock Owens, o valor é maior. “Acredito que apenas para lidar com o passivo ambiental seja preciso desembolsar cerca de 1 bilhão de dólares”, diz.

O país perdeu (por ora) 1,9 bilhão de dólares

Isso explica por que Graça Foster afirmou ao Senado que dificilmente o dinheiro já gasto em Pasadena será recuperado.

Pelas contas apresentadas por ela, o montante é hoje de quase 1,9 bilhão de dólares. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

15/04/2014

às 12:33 \ Política & Cia

AÉCIO NEVES BATE DURO:”Está na hora de a presidente Dilma devolver limpo o macacão da Petrobras”

 

Aécio afirmou também que Dilma precisa pedir desculpas aos brasileiros pelos desmandos Petrobras (Foto: Evaristo Sá / AFP)

Aécio afirmou também que Dilma precisa pedir desculpas aos brasileiros pelos desmandos Petrobras (Foto: Evaristo Sá / AFP)

O presidenciável tucano disse que o PT sujou a imagem da empresa

Por Daniel Aidar, do Rio de Janeiro para o site de VEJA

O senador Aécio Neves, pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, cobrou nesta segunda-feira que a presidente Dilma Roussef “devolva limpo” o macacão da Petrobras.

O tucano responsabilizou o aparelhamento do governo petista pelos episódios de má gestão da estatal. “Vi uma declaração dada pela senhora presidente da República em Pernambuco, acusando a oposição de ferir a imagem da Petrobras. Quem está sujando a imagem da Petrobras é o aparelhamento que o PT estabeleceu na empresa”, disse, momentos antes de uma reunião com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

afirmou.

O senador respondeu à tentativa da presidente de menosprezar as suspeitas de irregularidades na estatal, e de tratar como “pontuais” os problemas das gestões durante os governos do PT.

“Se ela considera que um diretor da empresa reconhecido como muito poderoso esteja hoje preso e com relações com doleiros para arrecadar recursos com fornecedores, vamos continuar defendendo a Petrobras. Isso não é pouco. A Petrobras é um patrimônio dos brasileiros”, disse Aécio.

Ele é o segundo pré-candidato à Presidência recebido na Firjan por empresários. O primeiro foi o ex-governador Eduardo Campos (PSB).

O tucano disse que pretende receber contribuições e apresentar diagnósticos sobre a economia e questões sociais.

Ele defendeu iniciar uma guerra ao “custo Brasil”, que encarece o custo de vida no país e afasta investimentos.

Possível apoio do PPMDB

Aécio tem, ainda esta noite, um compromisso com líderes peemedebistas no Estado.

Um jantar organizado pelo presidente regional do partido, Jorge Picciani, deve anunciar o apoio do PMDB fluminense à candidatura tucana.

O movimento – uma reação à decisão do PT de manter a candidatura do senador petista Lindbergh Farias ao Guanabara – enfraqueceu a candidatura de Luiz Fernando Pezão, atual governador, depois da renúncia de Sérgio Cabral.

LEIAM TAMBÉM:

J. R. Guzzo e o caso Pasadena, da Petrobras: “A presidente Dilma cometeu um desatino que ficará registrado na história nacional da incompetência”.

Planalto não quer parlamentares do “volta, Lula” na CPI da Petrobras

13/04/2014

às 18:30 \ Política & Cia

J. R. Guzzo e o caso Pasadena, da Petrobras: “A presidente Dilma cometeu um desatino que ficará registrado na história nacional da incompetência”.

 

A sede da Petrobras, no Rio de Janeiro: caso Pasadena é um escândalo  (Foto: O Globo)

A sede da Petrobras, no Rio de Janeiro: caso Pasadena é um escândalo, e a atual presidente da República confessou que, com sua compra — lesiva à empresa estatal e ao país –, ela não sabia o que estava fazendo (Foto: O Globo)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

CAIXINHA MÁGICA

Fatos. O que eu quero que me deem é isto: fatos. Não me venham com outra coisa; fatos, apenas fatos, são necessários na vida. Você só pode formar a mente de animais racionais através de fatos. Fatos: fora os fatos, nada será de utilidade alguma para ninguém, jamais.

Nos tempos duros da Inglaterra de 1850, esse era o evangelho do professor Thomas Gradgrind, personagem do romance Hard Times e destaque na prodigiosa galeria de tipos humanos criados pelo gênio de Charles Dickens.

O professor Gradgrind, punido com um desses nomes que só o humor travesso de Dickens sabia inventar, é um personagem cômico ─ caricatura de uma Inglaterra que começava a se encantar com as estatísticas e com os esforços para explicar o mundo através de números, sem o contágio da imaginação nem emoções individuais, essas grandes criadoras de desordem na existência humana.

Tudo bem. Mas a verdade é que às vezes faz falta “um homem de realidades” como Mr. Gradgrind. Sua presença talvez fosse útil para colocar um mínimo de ordem na babilônia mental que desorganiza o debate público no Brasil de hoje.

Sem os fatos, insistia o professor, não é possível definir as diversas coisas que existem neste mundo ─ requisito indispensável para separar o verdadeiro do falso.

Essa trágica história da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras é um exemplo perfeito do descaso pelos fatos. Desde que o escândalo veio a público, assiste-se a um embate em que tudo é dissecado, menos o que, no fim das contas, realmente interessa; é como a leitura de um prefácio maior que o livro.

A presidente Dilma Rousseff estava certa ou errada em sua conduta quando presidia o Conselho de Administração da Petrobras, em 2006, ocasião em que a empresa comprou por 360 milhões de dólares a metade de uma refinaria que, no ano anterior, havia sido adquirida por cerca de 40 milhões pelos vendedores?

Estava meio certa? Meio errada? Certa e errada ao mesmo tempo? De quanto é a sua culpa nesse desastre ─ 10%, 25%, 50%? E por aí se vai, com questões e mais questões, numa conversa inútil que talvez só acabe no dia do Juízo Universal.

A conversa é inútil porque não é preciso gastar um único neurônio com toda essa metafísica; basta ficar nos fatos e tudo se resolve em menos de um minuto.

Com os fatos se chega à definição mais clara do que realmente aconteceu: aconteceu, em português corrente, a transferência de 360 milhões de dólares pertencentes à população brasileira para o bolso de uns vagos belgas, donos de uma certa Astra Oil, em troca de um ativo que um ano antes fora negociado por uma soma nove vezes menor.

Com a definição, tornou-se possível separar num instante o verdadeiro do falso. Os fatos mostram que é verdadeiro afirmar: “A presidente Dilma Rousseff cometeu um desatino que ficará registrado na história nacional da incompetência”. Os mesmos fatos mostram que é falso afirmar qualquer outra coisa.

É tudo muito simples. Dilma, após oito anos de um silêncio de cemitério, afirmou ao público brasileiro que não recebeu, na ocasião da compra, dados certos e completos por parte da direção executiva da estatal, o grupo que realmente cuida de suas operações ─ e que não teria dado sua aprovação ao negócio se soubesse direito as condições reais em que ele fora realizado.

Fim da história: a presidente confessou que não sabia o que estava fazendo.

Discutir mais o quê, depois disso? » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

11/04/2014

às 17:00 \ Política & Cia

No pior dos mundos: o governo cortou a Selic imaginando que juros baixos não trariam inflação. Agora há preços represados, juros altos e incertezas

TUDO PARA CIMA -- Sobem os juros, a inflação continua em alta, o déficit público aumenta... Só o crescimento continua medíocre

TUDO PARA CIMA — Sobem os juros, a inflação continua em alta, o déficit público aumenta… Só o crescimento econômico continua medíocre

Reportagem publicada em edição impressa de VEJA

O governo de Dilma Rousseff prestou uma inestimável contribuição para os estudos econômicos. Usou o país de cobaia e o submeteu a um experimento destinado a comprovar a hipótese segundo a qual uma redução abrupta na taxa de juros não teria efeitos sobre a inflação.

Julgava, dessa maneira, colocar contra a parede todo o conhecimento sobre política monetária acumulado nos últimos quarenta anos. Resultado do teste de laboratório: a hipótese é completamente furada.

Na concepção da equipe econômica e de seus colaboradores, a economia brasileira estaria preparada para funcionar em um ambiente de juros mais baixos, similares aos de países desenvolvidos.

Sob essa premissa, a taxa básica, a Selic, foi derrubada rapidamente no fim de 2011 e em 2012, chegando a 7,25%, o menor valor já registrado. Mas a inflação começou a subir ainda mais, distanciando-se do centro da meta de 4,5% ao ano. O governo custou a dar o braço a torcer e tentou conter a escalada dos preços lançando mão de expedientes tão antiquados quanto ineficientes, entre eles o controle dos preços dos combustíveis e a manipulação de tarifas.

A inflação, apesar do represamento de reajustes, permaneceu teimosamente elevada. Só então o Banco Central voltou a subir os juros. Na semana passada, a taxa Selic foi elevada para 11% ao ano – acima, portanto, dos 10,75% herdados por Dilma.

Juros mais altos, subsídios, contas públicas sendo arruinadas…

O país acabou no pior dos mundos. O governo desestruturou o arcabouço que dava base à estabilidade econômica sem com isso ter alcançado o seu objetivo de reduzir, de maneira duradoura, a Selic. O novo ciclo de alta deixou a taxa básica maior do que era no fim de 2010, carregando para cima os juros bancários cobrados dos consumidores e das empresas.

A inflação, nos anos Dilma, não ficou em nenhum momento no centro da meta oficial de 4,5% e ameaça estourar mais uma vez o limite superior, de 6,5%. Isso mesmo com o adiamento nos reajustes dos combustíveis e da eletricidade. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

09/04/2014

às 17:20 \ Política & Cia

ILIMAR FRANCO e o “entusiasmo” de Ciro Gomes por Dilma

Dilma com Ciro Gomes em tempos mais risonhos:

Dilma com Ciro Gomes em tempos mais risonhos: agora, ele apoiará a presidente, apesar do governo “que ela infelizmente está fazendo” (Foto: Agência Brasil)

Da coluna do jornalista Ilimar Franco no jornal O Globo:

– Somos bastante afinados. Vou ajudar muito a (presidente) Dilma embora não seja o maior entusiasta do governo que ela infelizmente está fazendo. 

De Ciro Gomes, ex-ministro do governo Lula, sobre a reeleição, em jantar com o PCdoB na noite de segunda-feira, em Fortaleza.

08/04/2014

às 16:30 \ Política & Cia

POST DO LEITOR sobre a disputa Dilma x Lula: “Ao afirmar que só aprovou a compra de Pasadena porque o contrato foi ‘falho’ , a Ex-Gerentona apontou o dedo presidencial para a um rosto barbudo

O movimento "Volta, Lula":

O movimento “Volta, Lula”: quanto mais Dilma cair nas pesquisas de intenção de voto, mais terá curso. Mas se ela renunciar a ser candidata, o que vai dizer? “Que o Criador errou feio ao escolher e eleger a Criatura DELE?” (Foto: Estadão Conteúdo)

Post do Leitor e amigo do blog Moacir 1

Essa conversa do “volta Lula” vai aumentar de tom, na proporção em que a presidente-poste (a invenção foi dos próprios petistas, jactando-se de que Lula era e é capaz de eleger um) for diminuindo nas pesquisas e Aécio Neves e Eduardo Campos a forem arrochando, segundo as palavras do Rui Falcão para a Folha de S. Paulo.

Por óbvio que, para Lula tentar salvar a pátria petista, a CriaturA do Lula teria que ser convencida a jogar a toalha.

Eu duvido – d -o – dó que isto venha a ser fácil.

A presidentA mandou hoje um recado para os lulopetistas xiitas lá das Gerais, onde hoje, como sempre vem acontecendo, esteve distribuindo escavadeiras:

– Não nos afastaremos um milímetro do combate político.

O que os brasileiros têm lido, porém – e escutado nas vozes da Patrícia Poeta e do William Bonner plim plim antes da novela de todos os dias — é –c-o-m-p-l-i-c-a-d-o!

O Petrogate fará estragos republicanos se depender da imprensa. O que está chegando ao ventilador atinge Dilma por má gestão , omissão e uso político da Petrobras.

As impressões digitais, no entanto, são claras: os eventuais crimes foram cometidos no governo Lula. DilmA os continuou apenas e segundo a cartilha do ParTido.

E ao afirmar que só aprovou a compra de Pasadena porque o contrato foi “falho” , a Ex-Gerentona apontou o dedo presidencial para a um rosto barbudo.

E afinal o André Vargas tem a cara do PT!

Mas suponhamos que elA renuncie à canditadura.

Neste caso, o marqueteiro João Santana inventaria qual enredo para elA nos soletrar, penteada pelo Kamura, na televisão?

Que o Criador errou feio ao escolher e eleger a Criatura DELE?

Que elA afinal nem dominava os Ctrl C e V daquele laptop nem tinha mestrado em Economia como ELE acreditava?

Que a forma mega heterodoxa delA conduzir as questões econômicas, apesar dos conselhos DELE, foi um fracasso?

Que elA não deveria ter descuidado da inflação, a qual ELE defende que não deveria ser baixa, e se intrometido no setor elétrico com a autorização DELE?

Que elA não cuidou do (12% apenas concluídos!) PAC 2 como o ELE jurou que elA faria?

Que elA não sabia que os cumpanheiros DELE superfaturam a CopA?

Dilma não pode renunciar a quem a elegeu.

Não tem como se desvencilhar do PT.

Não é santa milagreira para conseguir que Lula fique bem nessa foto.

Peloamordedeus! Dilma é Lula. Ela pede a benção ao Oráculo toda vez que precisa governar.

Eu acho que o desgoverno e o PT não tem saída.

Vão se fechar e fazer o diabo, pagar qualquer moeda, abrir mão de qualquer reduto eleitoral, de qualquer resquício de decência e bom-senso para reelegê-lA.

É isto o que vão tentar fazer:

* “Virar a agenda do governo, pacificar o Congresso, acabar com qualquer tipo de CPI da Petrobras, fazer a presidente viajar mais e colocar os ministros para defenderem a administração Dilma”.

* O problema é que virar inflação, os preços administrados, o pessimismo generalizado no mercado, a indexação que já se pratica adoidado no país, a falta de confiança do empresariado, um racionamento elétrico como possibilidade, os protestos já anunciados durante a Copa, uma CPI da Petrobras que não se sabe como pode terminar…vai ser uma parada hercúlea!

De todo jeito o Lula só vai começar a se perguntar se vai encarar essa lambança petista e se vai candidatar-se quando sua PostA chegar aos 30%. Até lá, se as oposições souberem trabalhar, até mesmo a candidatura do Iluminado poderá tremeluzir.

Por enquanto eu não escuto Aécio e Campos batendo em Lula.

Talvez, ao pouparem o co-presidentO, estejam pensando nos votos de um segundo turno.

Antes do segundo, os prezados candidatos têm que evitar suas derrotas no primeiro.

Quem pretende mudar o Brasil tem que apear Lula e o PT do poder — e não só Dilma.

O resto é cantiga pra boi dormir.

 

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