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Dilma Rousseff

22/01/2015

às 19:30 \ Política & Cia

AÉCIO NEVES, em entrevista: “A candidata Dilma escolheu o caminho da mentira. Mentiu aos brasileiros sobre o que disse que faria”

(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Com o governo fazendo o oposto do que prometeu em campanha, quem vai pagar a conta são os trabalhadores (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Entrevista a Marcelo Sakate publicada em edição impressa de VEJA

Aécio Neves foi atacado pela candidata à reeleição Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral de 2014. O senador, que alertava para a necessidade de correção de distorções na política econômica, foi acusado de planejar uma receita de aumento de impostos e de juros para reequilibrar as contas públicas e combater a inflação – receita, agora, seguida por Dilma.

A VEJA, Aécio diz que a presidente está fazendo o oposto do que prometeu, como a decisão de promover mudanças nas regras para a concessão de alguns benefícios sociais. “Isso explica o grande sentimento de frustração e perplexidade que se percebe hoje no país”, diz o senador.

A presidente Dilma Rousseff tem adotado ou sinalizado medidas que atacou na eleição, como corte de gastos do governo e aumento de impostos e de juros. As circunstâncias mudaram?

As contradições são enormes. As circunstâncias não mudaram. Há muito tempo o PSDB alerta sobre as medidas equivocadas do governo Dilma na área econômica, que se traduziram em baixo crescimento, desequilíbrio fiscal, perda de competitividade da indústria e desequilíbrio externo.

Na campanha, falei diversas vezes da necessidade de ajustes para que a economia voltasse a crescer e pudéssemos continuar com a melhoria da renda e a redução das desigualdades e da pobreza, que, agora, estão em risco.

A candidata Dilma, mesmo conhecendo a gravidade do quadro econômico, não apenas negava a necessidade de ajuste como atacava aqueles que faziam o alerta.

Assistimos agora a um estelionato eleitoral sem precedentes, pois o governo terá de fazer um ajuste fiscal muito mais duro do que seria necessário no caso do PSDB, porque o mercado sabe que foi a própria presidente Dilma que, deliberadamente, entregou ao seu segundo mandato uma herança maldita.

Apesar dos alertas, a presidente deixou de tomar uma série de medidas e não hesitou em permitir que os problemas do país se agravassem, pensando apenas em vencer as eleições.

Quais as consequências de a presidente ter prometido uma política econômica e agora adotar outra?

Existe uma grande questão que, acredito, deve preocupar muitos dos aliados do governo: refiro­me à perda de credibilidade. E credibilidade é um ativo essencial a qualquer governo.

Na campanha, a candidata tinha dois caminhos: respeitar o povo, o que significa respeitar a verdade, ou mentir sobre a realidade e sobre as suas reais intenções.

A candidata escolheu o caminho da mentira. Mentiu aos brasileiros sobre o que disse que faria.

Vejo três grandes problemas. Primeiro, o estelionato eleitoral. O governo prometeu uma série de medidas que não vai cumprir e está agora elaborando, às pressas, um novo plano de governo que não discutiu com os eleitores.

Segundo, como o governo não se preparou para uma agenda de reformas, as providências estão sendo tomadas por meio de medidas provisórias, sem o debate com a sociedade e, principalmente, com os trabalhadores. O que se anunciou até agora são medidas isoladas que não fazem parte de uma agenda estrutural. Mudanças de tributos deveriam integrar uma reforma tributária, e não medidas isoladas com o único propósito de aumentar a arrecadação.

Terceiro, as medidas de ajuste estão sendo anunciadas pela equipe econômica, e não pela presidente, que deveria ter a responsabilidade de fazê-lo. Tem-se a impressão de que ela não está muito convicta das propostas e que, a qualquer momento, pode desautorizá-las.

Há quem argumente que campanha é uma situação e que o dia a dia do governo é outra.

Esse é o discurso de quem não respeita a população, de quem acredita que vale tudo, que se pode fazer o diabo para vencer uma eleição, até enganar o próprio povo.

Compromissos de campanha devem ser compromissos de governo. Se não for assim, as campanhas serão transformadas em concursos para ver quem mente mais e melhor.

É antiético prometer uma coisa e fazer algo totalmente diferente depois de eleito. A candidata prometeu que não iria mudar direitos sociais e, agora, propõe dificultar o acesso ao seguro-desemprego.

Falei na campanha da necessidade de reduzir os subsídios dos bancos públicos e de o governo cortar despesas, preservando investimentos sociais. A candidata Dilma prometia aumentar os subsídios e agora quer fazer um corte radical, prejudicando os trabalhadores.

Assistimos a um governo fazendo o oposto do que prometeu. Isso explica o grande sentimento de frustração e perplexidade que se percebe no país. Muita gente se sente enganada.

Dilma terá apoio político para levar adiante um programa econômico que ela e o PT tanto criticaram?

Há uma imensa confusão quando se fala que as medidas do governo são as mesmas que seriam adotadas pela oposição.

Não são. As medidas em um governo do PSDB seriam previamente discutidas com a sociedade, feitas de forma gradual e negociadas no Congresso. O governo terá problemas para aprovar algumas propostas.

O PT escolheu fazer o ajuste fiscal pela via simplista de aumento de impostos e redução de direitos trabalhistas, por meio de medidas provisórias, sem nenhuma discussão com a sociedade e sem enfrentar as questões estruturais.

Para usar uma expressão cara à presidente, trata-se de uma solução “rudimentar”. E injusta com os brasileiros.

Qual a avaliação do senhor em relação às medidas anunciadas?

Há um equívoco com relação ao instrumento utilizado. As medidas deveriam passar por amplo debate na sociedade e no Congresso. E eu não dificultaria o acesso ao seguro-desemprego em um período de baixo crescimento, em que o desemprego tende a aumentar. Isso é injusto com o trabalhador.

No caso do abono salarial, por que retirar totalmente o direito a esse benefício de quem trabalhou por menos de seis meses?

O correto não é tirar o benefício, mas sim torná-lo proporcionalmente maior para quem trabalhou por mais tempo.

O governo não quer o debate e repete, cada vez com menos constrangimento, a velha e carcomida fórmula de garantir apoio às suas propostas por meio da distribuição de cargos e espaços de poder aos aliados.

Infelizmente, quem vai pagar a conta serão, mais uma vez, os brasileiros e, em especial, os trabalhadores.

22/01/2015

às 17:00 \ Política & Cia

Lula e Dirceu se desentendem por causa dos envolvidos no petrolão

(Foto: Joel Rodrigues/Frame)

Intriga dentro do PT: armistício foi selado até a eleição do ano passado (Foto: Joel Rodrigues/Frame)

TESTE DE PATERNIDADE

O ex-presidente Lula e o mensaleiro José Dirceu se desentendem por causa do envolvimento de petistas no escândalo do petrolão

Reportagem de Daniel Pereira publicada em edição impressa de VEJA

Faz tempo que o escândalo de corrupção na Petrobras serve de combustível para o fogo amigo dentro do PT. No ano passado, petistas que comandavam o movimento “Volta, Lula” criticaram a presidente Dilma Rousseff por admitir que aprovara a compra da refinaria de Pasadena com base num relatório falho.

Com o gesto de sinceridade, Dilma teria levado a crise para dentro do Palácio do Planalto, segundo seus adversários internos, e demonstrado uma ingenuidade e um amadorismo capazes de pôr em risco a permanência do partido no poder. No afã de tirá-la da corrida eleitoral, aliados de Lula também acusaram a presidente de traição ao responsabilizar a antiga diretoria da Petrobras, nomeada pelo antecessor, pelos desfalques bilionários nos cofres da companhia.

Como o “Volta, Lula” não decolava e a sucessão presidencial se anunciava acirrada, os petistas selaram um armistício até a eleição. Mas, com Dilma reeleita, retomaram a disputa fratricida. O motivo é simples: estrelas do PT serão punidas novamente – agora no petrolão. Resta saber quem pagará a conta. Com as prisões do mensalão ainda frescas na memória, ninguém está disposto a ir para o sacrifício.

A tensão decorrente das investigações e do julgamento do esquema de corrupção na Petrobras colocou em trincheiras opostas as duas mais importantes lideranças históricas do PT: Lula e seu ex-ministro José Dirceu. Tão logo os delatores do petrolão disseram que o ex­diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque recolhia propina para o partido, Dirceu, o padrinho político de Duque, ligou para o Instituto Lula e pediu uma conversa com o ex-presidente. O objetivo era se dizer à disposição para ajudar os companheiros a rebater as acusações e azeitar a estratégia de defesa.

DIGITAIS: Dirceu, apontado como padrinho do diretor da Petrobras envolvido no esquema, queria combinar com Lula uma estratégia de defesa (Foto: Joel Rodrigues/Folhapress)

DIGITAIS: Dirceu, apontado como padrinho do diretor da Petrobras envolvido no esquema, queria combinar com Lula uma estratégia de defesa (Foto: Joel Rodrigues/Folhapress)

Conhecido por deixar soldados feridos pelo caminho, Lula não ligou de volta. Em vez disso, mandou Paulo Okamotto, seu fiel escudeiro, telefonar para Dirceu. Assim foi feito. “Do que você está precisando, Zé?”, questionou Okamotto. Dirceu interpretou a pergunta como uma tentativa do interlocutor de mercadejar o seu silêncio.

À mágoa com Lula, que o teria abandonado durante o ano em que passou na cadeia, Dirceu acrescentou pitadas de ira: “Você acha que vou ligar para pedir alguma coisa? Vocês me abandonaram há tempos”, respondeu. E fim de papo.

Diretor do Instituto Lula, Okamotto é frequentemente convocado pelo ex­presidente para cumprir missões espinhosas. Ele atuou, por exemplo, para impedir que as investigações sobre o mensalão chegassem ao chefe. Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), o empresário Marcos Valério disse ter sido ameaçado de morte por Okamotto. O recado foi claro: ou Valério se mantinha em silêncio ou pagaria caro por enredar Lula na trama.

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Valério, o operador do mensalão, a 37 anos e cinco meses de prisão. Logo depois de as primeiras penas serem anunciadas, Valério declarou ao MPF que Lula se beneficiara pessoalmente do esquema. No mesmo processo, Dirceu foi condenado por corrupção a sete anos e onze meses de prisão.

O petista já deixou a cadeia e, por decisão da Justiça, cumpre o resto da pena em regime domiciliar. Ao telefonar a Lula, ele quis deixar claro a necessidade de o governo e o PT organizarem uma sólida estratégia de defesa no petrolão. A preocupação tem razão de ser.

DNA SUSPEITO: O ex-presidente destacou Paulo Okamotto, seu mais fiel assessor, para saber exatamente o que o mensaleiro pretendia (Foto: Michel Filho/Agência O Globo)

DNA SUSPEITO: O ex-presidente destacou Paulo Okamotto, seu mais fiel assessor, para saber exatamente o que o mensaleiro pretendia (Foto: Michel Filho/Agência O Globo)

Delatores do petrolão disseram às autoridades que Renato Duque recolhia 3% dos contratos da diretoria de Serviços da Petrobras para o PT. No âmbito de um acordo de delação premiada, Pedro Barusco, que era o adjunto de Duque, disse que o ex-diretor recolheu propina em pelo menos sessenta contratos. Barusco também implicou o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, na coleta de dinheiro roubado dos cofres da Petrobras.

Outros delatores, como empreiteiros, afirmaram que a dinheirama surrupiada financiou campanhas petistas. Há provas fartas contra o partido. É certo que haverá punições. E é justamente isso que faz a briga interna arder em fogo alto.

Dilma mantém o discurso de que nada tem a ver com a roubalheira. Executivos nomeados por Lula e demitidos por sua sucessora, como o ex­presidente da Petrobras Sergio Gabrielli e o ex-diretor Nestor Cerveró, não aceitam ser responsabilizados. O mesmo vale para Dirceu, que não quer correr o risco de voltar à Papuda.

22/01/2015

às 14:00 \ Política & Cia

DOCUMENTO: Leia a íntegra do artigo de José Dirceu criticando a condução da economia pelo governo Dilma

Caminhamos para uma recessão. Com o governo consciente disso, esperamos

Texto publicado a 20 de janeiro de 2015 no Blog do Zé, do ex-ministro José Dirceu

Que 2ª feira! Calor, aumento de impostos num pacotaço anunciado pelo ministro da Fazenda, de juros e queda de energia em importantes cidades do país causada pela onda de calor inédita no pais…Ontem nem parecia uma 2ª feira, estava mais para uma 6ª feira 13. Só noticias ruins.

O aumento de impostos e dos juros são apenas consequências, desdobramentos da busca de um superavit de 1,2% do PIB este ano. A elevação dos juros visa derrubar a demanda e vem casada com o aumento do IOF – Imposto sobre Operações Financeiras para os empréstimos às pessoas físicas. Aí, também refreando o consumo.

Caminhamos assim – conscientemente, espero, por parte do governo – para uma recessão com todas as suas implicações sociais  e políticas. Fica evidente, empiricamente, pela prática, que o aumento dos juros não refreou a inflação cujas causas estão fora do alcance da politica monetária do Banco Central (BC), mas nos preços administrados, serviços e alimentos.

Quando a inflação cair…se cair…

Assim, quando a inflação cair – se cair… – será pela queda violenta da demanda e não pela alta dos juros. O que espanta é o silêncio de nossas autoridades sobre os efeitos da atual taxa Selic de 11,75% – o sonho de consumo do mercado financeiro – e sobre o serviço da divida interna de R$ 250 bi ao ano, ou o correspondente a 6% do PIB nacional. É a maior concentração de renda do mundo no período de um ano e para uma minoria detentora dos títulos públicos de nossa divida interna.

[Atualização: o Conselho de Política Monetária (Copom) aumentou nesta quarta-feira ara 12,25%.]

Como a arrecadação cairá com a recessão é preciso de novo que nossas autoridades expliquem como farão o superávit e manterão os investimentos públicos e os gastos sociais.  Têm de explicar: como o pais voltará a crescer?

Fora o fato que as autoridades da área econômica diariamente criticam abertamente os bancos públicos e seu papel de vanguarda no financiamento subsidiado (porque necessário) de nossa indústria, agricultura, infraestrutura social e econômica.

A pergunta que não cala é: quem os substituirá, quem continuará a desempenhar esse papel dos bancos oficiais?

Semana começa com muita apreensão sobre os rumos do país

Sobre o efeito maléfico e daninho dos juros altos na valorização do real e nas contas externas também nada, nem uma palavra… Nossa indústria que se vire. A semana começa, assim, com muita apreensão pelos caminhos do país. Mas podem ter certeza, com muita festa no mercado financeiro e nas redações de nossa mídia.

Mesmo que haja algum choro e ranger de dentes pelo aumento dos impostos, no fundo dirão, melhor assim que uma reforma tributária que taxe os ricos, o patrimônio e a renda, as fortunas e heranças e os fantásticos lucros financeiros. Isso, talvez, explique o silêncio dos responsáveis pela política econômica e pelo governo sobre a volta da CPMF ou de algum outro imposto ou tributo equivalente e que cumpra seu papel.

21/01/2015

às 17:01 \ Política & Cia

EXCLUSIVO: O jantar de Dilma com o médico que cuida de seu emagrecimento, com a foto de ambos e a dedicatória da presidente

A presidente fotografada ao lado do médico diante do Alvorada:  (Foto: Reprodução Facebook Centro Terapeutico Dr. Máximo Ravenna - Paraguay)

A presidente fotografada ao lado do médico diante do Alvorada: (Foto: Reprodução Facebook Centro Terapeutico Dr. Máximo Ravenna – Paraguay)

A presidente Dilma Rousseff realmente está feliz com os resultados do regime de emagrecimento a que vem se submetendo sob a supervisão do médico e psicanalista argentino Maximo Ravenna, titular de uma rede de clínicas que leva seu nome em diferentes países e em três cidades brasileiras.

Tanto é que se deixou fotografar, sorridente, ao lado de Ravenna diante da residência oficial, o Palácio da Alvorada, e apôs à foto uma dedicatória significativa: “Para Máximo, com meus agradecimentos por uma ‘delgada linea’ [silhueta mais delgada]”

Na dedicatória da foto, os agradecimentos pela "delgada linea" (Foto: Reprodução

Na dedicatória da foto, os agradecimentos pela “delgada linea” (Foto: Reprodução Facebook Centro Terapeutico Dr. Máximo Ravenna – Paraguay)

Dilma, cujo excesso de peso ficou mais evidente com o vestido que escolheu para a cerimônia de posse na Presidência, a 1º de janeiro, ganhou quilos a mais com a campanha eleitoral: alimentação irregular, de má qualidade, sem horário certo, tudo aliado ao stress. Ao procurar o dr. Ravenna, seu desejo era perder 13 quilos, dos quais cinco já teriam ido.

O método de emagrecimento engendrado pelo dr. Maximo Ravenna consiste, como explica o próprio site da clínica, em “uma terapia interdisciplinar de emagrecimento que trabalha o vínculo alimentar, modificando a maneira do paciente  relacionar-se com a comida”. Ou seja, o método inclui, sim, uma dieta, mas os pacientes são assistidos por uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, psicólogos, nutricionistas, professores de educação física e outros especialistas.

Os pacientes passam por todos os membros da equipe, com periodicidade variada, e são submetidos periodicamente a exames, especialmente de sangue.

As clínicas são equipadas com instalações para psicoterapia de grupo, sala para atividades físicas ou dança, restaurante e outras. Os pacientes podem almoçar e jantar ali, se quiserem, ou levar para casa alimentos adequados a seu programa de redução de peso.

O núcleo central do que o médico denomina “terapia” não se cinge, portanto, a calorias, embora elas naturalmente importem. Trata-se, sobretudo, da abordagem psicológica do problema, feita em grupos e que o paciente deve frequentar pelo menos três vezes por semana. Isto porque “modificar a maneira do paciente relacionar-se coma comida” é entendido como tratar a compulsão — a qual estaria no âmago da questão de comer em demasia.

Ou seja, o ideal, o quase indispensável para o método funcionar — e o êxito tem sido comprovadamente muito grande, com pessoas perdendo até 70 0u 80 quilos, sem remédios, sem cirurgia e, melhor do que isso, mantendo-se no peso adequado — é a FREQUÊNCIA à clínica.

Embora haja uma clínica Ravenna em Brasília, de alguma forma o dr. Máximo está conseguindo contornar este ponto, difícil de encaixar na agenda da presidente, sem contar a questão da privacidade decorrente da ocupante de um cargo desta envergadura frequentar uma terapia de grupo.

Que Dilma está satisfeita, parece não haver dúvida. O site da filial da Ravenna em Assunção, no Paraguai, que publicou a foto e a dedicatória da presidente ao médico, traz também texto em que, sob o título “Um maravilhoso encontro: Rousseff-Ravenna”, conta que a imagem foi feita após “um encantador jantar” no dia 16 passado no Alvorada, durante o qual a presidente manifestou “um profundo agradecimento” ao visitante. Diz ainda o texto que Ravenna compartilhou “mais de quatro horas com uma das líderes mais importantes da atualidade.”

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O regime de Dilma para perder peso e as dúvidas a respeito

21/01/2015

às 15:15 \ Política & Cia

TVEJA: Comento os apagões-recorde de Dilma e o apagão diplomático de não ir à reunião dos ricos em Davos, na Suíça

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Joice e eu: apagão elétrico, de um lado, e diplomático, de outro (Foto: Reprodução TVEJA)

Em tempo de duração e em número, os nove grandes apagões ocorridos desde o primeiro governo da presidente Dilma já superam os ocorridos nos governos FHC (1995-2003) e Lula (2003-2011).

Comento isso em TVEJA com Joice Hasselmann e falo também de um apagão diplomático: em vez de fazer presença importante na reunião dos países e investidores mais ricos do mundo em Davos, na Suíça — cujo Fórum Econômico Mundial começa hoje –, Dilma resolveu prestigiar a posse do cumpanhêro Evo Morales, que assume pela terceira vez consecutiva o governo da Bolívia.

21/01/2015

às 14:00 \ Política & Cia

LEONEL KAZ: É estarrecedor que a presidente não fique estarrecida

A sede do Ministério da Cultura da França

O edifício-sede do Museu Nacional, no Rio de Janeiro

Post publicado no blog de Leonel Kaz

Jack Lang foi ministro da Cultura da França e hoje preside o Instituto do Mundo Árabe, em Paris. Eu o conheci, na década de 80, quando ele veio ao Rio para o projeto da Casa França-Brasil, do qual participei com Darcy Ribeiro e Italo Campofiorito.

Lang criticou esta semana o fracasso da educação francesa por não saber lidar com o tema da intolerância religiosa: “É inútil acrescentar mais horas de instrução cívica, já há muita, e é muito mal feita. É preciso retornar ao essencial. Se eliminou o ensino das artes e da cultura na escola francesa, e este é um dos melhores remédios contra a violência.”

Lá se eliminam aulas; aqui se eliminam museus. É estarrecedor que a presidente não se sinta estarrecida com o fechamento do museu mais visitado por escolas, o Museu Nacional do Rio, por falta de verbas que dependem dela mesma.

1. Que a presidente fique estarrecida com a morte de um brasileiro, traficante de drogas, após esgotada uma década de defesa judicial, faz parte de um ato diplomático.

2. Mas é estarrecedor que a mesma presidente não fique estarrecida com os outros brasileiros que foram executados, em 2013, à razão de um a cada 10 minutos, na violência cotidiana aqui dentro de nosso território.

3. Vento que venta lá, venta cá. Imaginar que uma charge pode causar a destruição de vida é de um simplismo estarrecedor. Ora, o ataque ao Charlie Hebdo foi muito “bem bolado” visando contrapor, na superficialidade e asneiras do mundo eletrônico, o velho maniqueísmo de uns contra outros. O alvo foi “bem” escolhido para promover exatamente esta polêmica inútil e sem fim que dê razão à retrógrada assertiva: “Ah, alguma coisa de errado eles fizeram para merecer morrer.”

3. Ninguém merece morrer. Nem a dúzia de seres então vivos do Charlie Hebdo nem os seis milhões de judeus que também foram executados pelos alemães do período hitlerista (que voltam a colocar suas manguinhas de fora…) sem publicar charge alguma.

4. O que há na cabeça de quem faz terrorismo, aqui ou acolá, é a ideia de que a vida do outro não vale nada. Isto serve para o Jihad Islâmico, isto serve para os traficantes que comandam batalhões de exércitos de malfeitores nas grandes cidades brasileiras. Lá atacaram uma revista; aqui, 200 deles atacaram o Depósito Público de motos roubadas, no Rio, e com metralhadoras em punho levaram 193 delas, periguetes na garupa.

5. O que tem havido é indiferença e incompetência. Daí, lá, a frase de Jack Lang sobre “os sucessivos governos que fizeram muito mal à escola nos últimos anos”; daí, aqui, o estarrecedor de que os alunos abandonem o ensino médio, frequentem a sala de aula por mero protocolo e passem de ano, literalmente, no grito, impondo medo aos professores. Repetimos um modelo anacrônico de ensino que faz a escola se transformar em cárcere, destituído da realidade da sociedade, salvo boas e raras exceções.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

20/01/2015

às 18:21 \ Política & Cia

Foi um apagão dos brabos, o de ontem — e vejam as lorotas que Dilma dizia quando era candidata, pelo Twitter e no YouTube

(Foto: Reprodução/Twitter)

(Foto: Reprodução/Twitter)

Em 2014 a então candidata à reeleição Dilma Rousseff, esquecendo de propósito que um fator essencial para o racionamento de energia ocorrido durante um curto período do governo FHC se deu por uma brutal escassez de chuvas que afetou os reservatórios das grandes hidrelétricas, ela apontou o dedo para os tucanos dizendo que “eles” foram responsáveis pelo maior choque [de energia elétrica] de todos os tempos”.

Pelo Twitter, atacou, como faria incontáveis vezes em comícios e em seu programa eleitoral pela TV: “O povo brasileiro não quer de volta aqueles que trouxeram o racionamento de energia”, disparava, tentando atingir seu adversário na eleição de outubro, o tucano Aécio Neves.

Pois bem, “aqueles” não chegaram (por pouco) ao poder e, mesmo com as usinas termelétricas em boa parte planejadas no governo FHC funcionando hoje a todo vapor, está aí, à vista de todos, o apagão.

E este é só o começo! Leiam abaixo a reportagem do site de VEJA.

De VEJA.com

Foram mais de três horas desde que um apagão atingiu oito estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país até o governo divulgar uma nota – pouco explicativa – sobre os motivos da falta de energia. As concessionárias informaram que receberam ordem do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para cortar a carga de eletricidade distribuída.  As empresas afirmaram que não sabiam os motivos para a medida.

Depois de um longo silêncio, o ONS disse que adotou “medidas operativas” por causa da “elevação da demanda no horário de pico”. O Ministério de Minas e Energia não se manifestou. Em alguns estados, como São Paulo, a queda atingiu linhas do Metrô, que teve o funcionamento paralisado – alguns usuários passaram mal e relataram confusão nas estações.

Enquanto isso, nas redes sociais não se falou em outra coisa: circularam declarações da presidente Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral assegurando que o país não enfrentaria nem apagões nem racionamento de energia.

20/01/2015

às 16:30 \ Política & Cia

Veto de Dilma ao reajuste de 6,5% da tabela do Imposto de Renda é um retrocesso

(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Prejuízo: ao vetar o reajuste da tabela do Imposto de Renda, a presidente Dilma pune o contribuinte (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Avaliação é de Cláudio Damasceno, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal. Prejuízo do contribuinte ante o IPCA já é de 64,28%

O veto da presidente Dilma Rousseff ao reajuste de 6,5% para a tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física este ano – como previa emenda do deputado Mendonça Filho (DEM-PE) ao Projeto de Lei de Conversão 018/2015 – é um retrocesso e mais uma pesada punição imposta ao contribuinte.

A avaliação é de Cláudio Damasceno, presidente do Sindifisco Nacional (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), ao comentar a decisão presidencial, publicada hoje no “Diário Oficial da União”.

Com o fechamento do IPCA de 2014 em 6,41%, a defasagem da tabela do IRPF acumulada desde 1996 chega a 64,28%. Pelo índice oficial de inflação e reajustes salariais que superam os 8%, muitos contribuintes passaram a descontar IRPF – ou mudam de faixa de alíquota, e com isso são mais tributados – pelo simples fato de terem melhorado seus ganhos nas datas-base.

A ideia do Governo Federal seria o reajuste de 4,5%, como já deu a entender o ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais) – restabelecendo aquilo já anunciado por Dilma em 30 de abril passado, cuja medida provisória perdeu a validade no final de 2014. Se o Palácio do Planalto enviar MP ao Congresso com esse percentual, no final de 2015 a defasagem (mantida a projeção para o IPCA em 6,79%) estará em 67,88%.

Prejuízo de 75% – Porém, pode ser pior. Basta que o Governo Federal, por conta do ajuste fiscal que pretende impor, dê reajuste zero à tabela. Assim, a defasagem pode chegar ao final deste ano em 75,43% – caso o IPCA feche nos previstos 6,79%. Estudo elaborado pelo Sindifisco Nacional, com base em informações da Receita Federal e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), chega a essa conclusão.

“O contribuinte mais uma vez é o maior sacrificado. E a situação preocupa, porque não há regra prevista. Há somente acenos da parte do Governo”, lamentou Damasceno.

20/01/2015

às 15:25 \ Política & Cia

Ronaldo Caiado, senador eleito com grande votação: “A vaca do PT está tossindo por decreto”

O deputado e agora senador eleito Ronaldo Caiado (GO), que assumirá liderança do DEM no Senado, considera que “as promessas de campanha de Dilma são risíveis em comparação com a realidade”.

Caiado teve votação expressiva, com 47,5% dos votos válidos do eleitorado goiano, e se sente à vontade para aumentar o tom das críticas que costuma fazer ao lulopetismo.

Segundo o novo senador goiano, a presidente Dilma, reinstalada no Planalto, vem fazendo tudo ao contrário do que prometia na campanha eleitoral, com determinações como o endurecimento de regras para a concessão de benefícios aos trabalhadores, inclusive o seguro-desemprego — nem a pensão para viúvas escapou –, o aumento dos e já os primeiros cortes em gastos gastos sociais.

Acompanhe a primeira parte da entrevista no ‘Direto ao Ponto’, com Joice Hasselmann.

19/01/2015

às 19:21 \ Política & Cia

Dilma não vai aparecer na reunião dos países e investidores ricos, na Suíça, onde o Brasil precisa fazer boa figura. Em vez disso, irá à posse do bolivariano Evo Morales. Pensando bem, talvez seja até melhor

(Foto: weforum.org)

O encontro de Davos: 2.500 participantes, a nata do poder político e do dinheiro do mundo. Dilma esnobou a reunião, mas o ministro Levy será um bom substituto — melhor do que o original (Foto: weforum.org)

Começa depois de amanhã, dia 21, na pequena cidade de Davos, nos Alpes suíços, mais uma reunião anual do World Economic Forum — o maior encontro, no planeta, de governantes de países ricos, banqueiros, comandantes de empresas gigantescas, grandes economistas, representantes das empresas de análise de riscos e de tudo o mais que possa interessar a um país necessitado de investimentos estrangeiro e de bons contatos com os poderosos do mundo.

A reunião irá de 21 a 25 deste janeiro, e o programa é riquíssimo — abordará desde a crise econômica até se faltam ou não líderes à altura dos desafios do mundo, da biomecatrônica a mudanças climáticas, da segurança internacional e do impacto da China no mundo neste século XXI até a questão islâmica ou à situação e as perspectivas da produção e consumo do petróleo. Haverá palestrantes vencedores de Nobel e executivos poderosos, como os CEOs da General Motors ou da Yahoo!, além de campeões em seus terrenos, como agricultura, tecnologia, terrorismo.

Entre os 2.500 participantes, políticos de peso — a começar pela chanceler alemã Angela Merkel, o presidente da França, François Hollande, o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, o ex-candidato à Presidência John Kerry –, sem contar presidentes de bancos centrais importantes, como os da Europa, do Reino Unido e do Japão.

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Em vez de se encontrar com os poderosos do mundo e com investidores que poderiam ser convencidos a vir para o Brasil, Dilma preferiu ir a mais uma posse — a terceira consecutiva — do presidente da Bolívia, Evo Morales (Foto: abc.com.py)

A chefe de um governo de de um país do porte do Brasil deveria se interessar por tudo isso, não? Deveria se interessar por apresentar alguma imagem positiva de um país mergulhado em roubalheira, em estagnação econômica e em paralisia política.

O que, entretanto, fará Dilma nesse período? Em vez de comparecer a Davos, ela irá… à Bolívia. Para a terceira posse consecutivo do companheiro bolivariano Evo Morales, aquele mesmo que mandou tropas do Exército ocupar instalações da Petrobras, em 2006, depois “nacionalizadas” na marra, recebendo em troca afagos de “compreensão” do então presidento Lula.

Para não deixar dúvidas de que descartou mesmo Davos, Dilma viaja para a Bolívia no mesmo 21, depois de amanhã, em que se reúnem os poderosos do capitalismo na Suíça, embora vá participar de solenidades em La Paz apenas no dia 22, quarta-feira.

Pensando bem, é até melhor Dilma não ir. O principal representante do Brasil no evento será o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que a presidente teve que ir buscar entre quadros simpáticos ao PSDB e que trabalhava num alto posto no grupo Bradesco.

Levy tem mais condições de fazer boa figura em Davos do que a atabalhoada e desacreditada Dilma. Que ela aproveite bem sua estada na Bolívia.

(Para conferir o programa completo do Fórum de Davos, clicar aqui).

 

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