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Daniel Alves

27/07/2014

às 16:00 \ Tema Livre

HERALDO PALMEIRA: Com a nova era do futebol brasileiro, continuaremos deprimidos de quatro em quatro anos

(Foto: Jamie McDonald/Getty Images)

O alemão Schürrle comemora seu segundo gol contra o Brasil, nos 7 a 1 da Alemanha, com Júlio César caído. Segundo Heraldo Palmeira, “a morte por corpo mole da Seleção Brasileira, assassinada pela Geração Tóis” (Foto: Jamie McDonald/Getty Images)

DEPRESSÃO PÓS-PARTO

Por Heraldo Palmeira*

A Copa do Mundo de 2014 ofereceu ao mundo o estilo de acolhimento dos brasileiros. Não restou espaço para ninguém se meter a dono da festa, para nenhum pateta comer superamendoim e tirar onda de superpateta.

O cartunista Ziraldo, eterno menino maluquinho, encheu o pé: “Está tudo num verso mínimo de Manuel Bandeira, nosso grande poeta: ‘Tão Brasil!’. Tudo que ia dar errado (merda) deu certo! Existe coisa mais brasileira que isso?”.

Pelo visto, o oposto também foi fato. Muito do que ia dar certo deu merda. A julgar pelas reclamações de hoteleiros, taxistas, comerciantes e até representantes de grandes shoppings, que viram o faturamento encolher. A julgar pela quantidade de obras de mobilidade urbana que ficaram incompletas, desmoronaram ou sequer saíram do papel.

Já se vibrou o suficiente com a vitória germânica. Também se tentou diminuir com argumentos risíveis a conquista dos campeões. Muitas viúvas ainda choramingam à míngua os quase gols hermanos de uma quase vitória que não veio.

Para falar de quase gol, melhor lembrar a pintura de Pelé contra o Uruguai na Copa de 1970. Um drible de corpo no goleiro Ladislao Mazurkiewicz passou à história da bola, por justíssima licença poética, como um dos gols mais bonitos de todos os tempos. Só ficou faltando a bola entrar trave adentro e beijar a rede.

Sem contar que na súmula do jogo consta Brasil 3 x 1 Uruguai. Algo muito além de um reles Gonzalo Higuaín atordoado jogando fora um gol feito para um time que não fez nenhum outro. Portanto, esse papo de quase gol argentino já deu preguiça.

E nem devemos começar a conversa de campeão moral, porque o assunto morre na Seleção Brasileira na Copa de 1982. Que foi assassinada por um bonde chamado Cerezo. Não adianta: justo ou não, resultado é aquele que consta na súmula do jogo.

Já se disse tudo o que podia ser dito a respeito da morte por corpo mole da Seleção Brasileira, assassinada pela Geração Tóis, definitivamente amaldiçoada pelos deuses da bola e merecidamente execrada na história do nosso futebol. Foi um parto de ouriço atravessado que massacrou uma pátria-mãe subtraída de um sonho possível: o sexto filho.

Neymar, o Tóis-mor, deverá seguir seu rumo de Robinho passado a limpo pela turma do marketing – ou a ridícula entrevista ao Fantástico teve outra função a não ser tentar salvar o mascate da falência da loja de horrores de Felipão?

O Tóis-histriônico Dani Alves, filósofo da internet nas horas vagas, foi informado de que o novo técnico Luis Enrique está curiosíssimo para “conhecer suas aspirações” no Barcelona. Precisa apresentar correndo algo além do fashion-ridículo que adora ostentar.

O resto dos canarinhos sem penas seguirá arrastando pela vida a pena do silêncio de quem não sabe cantar. Nem voar.

A anunciada renovação do futebol brasileiro é a depressão pós-parto. Gilmar Rinaldi?! Dunga?!

O jornalista Raphael Gomide escreveu: “Após o vexame brasileiro na Copa do Mundo, a CBF anuncia um agente de jogadores sem experiência internacional como coordenador de seleções”. O jornalista Reinaldo Azevedo completa a jogada balançando a rede: “Dunga é a contramão da modernidade; é o atraso orgulhoso, machão e, lamento muito, meio abestado”.

O próprio Gilmar, depois da derrota para a Holanda e ainda defendendo a permanência de Felipão e sua “família” de chorões, deixou no Twitter uma boa pista do estilo que poderá pontuar a Era Dunga II: “…direcionar as coisas na direção certa”.

Agora, temos dois caminhos: contar com um milagre para ninguém direcionar as coisas na direção errada, ou escolher uma segunda seleção para torcer depois dos nossos apagões. E não custa lembrar que, antes de sonhar com técnicos estrangeiros de primeira linha, é bom ter em mente que eles sabem perfeitamente a roubada que é treinar a Canarinho. Ainda mais porque o ninho dela é essa CBF repleta de falcões.

O jornalista Fernando Gabeira liquida a fatura: “Podemos ser um país melhor. Antes teremos de perder esse espírito de fodões de que com tóis ninguém pode, vem quente que estou fervendo. Ele favorece os apagões, nas semifinais da Copa ou na noite de núpcias. Foi-se o tempo em que pensávamos que os alemães eram limitados porque eram apenas organizados e bem treinados. São tudo isso e têm talento. É a única combinação que leva à vitória ou, ao menos, a uma derrota honrosa”.

No mais, a seguir como está, ficaremos desfiando tangos e tragédias, apostando em milongas e jeitinhos, transformando jogos de futebol em partos de ouriços atravessados. E sofrendo de depressão pós-parto por quatro anos, de quatro em quatro anos.

*Heraldo Palmeira é documentarista e produtor musical.

16/07/2014

às 18:44 \ Tema Livre

Técnico do Barça cogita ter juntos, no ataque, Messi, Neymar e “Luisito” Suárez (o mordedor)

Luis Enrique, de 44 anos, foi jogador do Barcelona entre 1996 e 2004 (Foto: Denis Doyle/Getty Images)

Luis Enrique, de 44 anos, foi meia do Barcelona entre 1996 e 2004. Antes, jogara cinco anos no arquirrival Real Madrid. Defendeu 62 vezes a seleção da Espanha e, diferentemente de vários outros treinadores do clube, não é catalão, mas espanhol das Astúrias (Foto: Denis Doyle/Getty Images)

Luis Enrique, no entanto, não garantiu a permanência de Xavi e Daniel Alves

Do site de VEJA

O novo técnico do Barcelona, Luis Enrique, minimizou nesta quarta-feira as críticas feitas por parte da imprensa espanhola sobre o desempenho de Lionel Messi na temporada passada e cogitou a hipótese de escalar seu ataque com o argentino, o brasileiro Neymar e o uruguaio Luis Suárez, recém-contratado pelo clube catalão.

“Os técnicos querem ter os melhores jogadores. Quanto mais, melhor. É preciso montar uma equipe, e para isso conto com a ajuda de todos”, afirmou o treinador em entrevista coletiva na sede do Barcelona.

Suárez, no entanto, só poderá estrear no fim de outubro, pois está suspenso pela FIFA.

Luis Enrique deixou em aberto as situações de Xavi e Daniel Alves, dois dos atletas mais experientes do elenco e que ainda não têm permanência confirmada.

O técnico disse que pretende conversar com o lateral brasileiro para “conhecer suas aspirações”.

Daniel Alves tem proposta do Paris Saint-Germain, da França.

Barcelona divulgou imagens de Suárez com a camisa do novo clube (Foto: FC Barcelona)

Barcelona divulgou imagens de Suárez com a camisa do novo clube (Foto: FC Barcelona)

O treinador de 44 anos afirmou que ainda vê Messi como o melhor jogador do mundo e confia em uma grande temporada do argentino. “Os jogadores sempre passam por altos e baixos, não só Messi. Seu rendimento e seus números, no entanto, me dão tranquilidade.”

Além de Suárez, o Barcelona contratou para esta temporada os goleiros Claudio Bravo (da seleção do Chile) e Ter Stegen (do Borussia Monchëngladbach alemão) e o meio-campista Ivan Raktic, que atuava no Sevilla e disputou o Mundial do Brasil pela seleção da Croácia. O brasileiro Rafinha e o atacante Gerard Deulofeu retornaram de empréstimos.

O time, no entanto, perdeu jogadores importantes: o capitão Carles Puyol se aposentou, o goleiro Victor Valdés não renovou contrato, o atacante Alexis Sánchez foi vendido ao Arsenal e o meio-campista Cesc Fàbregas fechou com o Chelsea.

28/06/2014

às 13:58 \ Tema Livre

Brasil joga bem no primeiro tempo e empate de 1 a 1 com o Chile é castigo

A Seleção Brasileira teve sua melhor atuação na Copa até agora neste primeiro tempo contra o Chile pelas oitavas de final, no Mineirão.

A entrada de Fernandinho desde o início da partida, no lugar de Paulinho, que não vinha bem, de novo foi o eixo dos acertos da Seleção. Com Fernandinho incansável no meio de campo, Luís Gustavo pôde se lançar à frente e auxiliar o ataque, enquanto funcionaram muito bem as instruções de Felipão para que Oscar ficasse de olho em Daniel Alves quando o Chile avançasse e para que Hulk fizesse o mesmo com o outro lateral, Marcelo.

O empate de 1 a 1 terminou sendo um castigo para a Seleção, que atuou com um meio de campo compacto e ágil, que finalizou 10 vezes, contra 2 do Chile, e que mostrou forte disposição de luta desde os primeiros minutos. Acabou sendo um castigo também para Hulk, que atacou com perigo e defendeu com denodo mas que, num lance isolado, quando tentava devolver uma bola a Marcelo, bateu curto e permitiu aos chilenos recuperá-la para o sempre perigoso Alexis Sánchez fazer o gol de empate.

Algumas falhas individuais da Seleção, plenamente aceitáveis em jogo tão decisivo, não comprometeram seu desempenho. O Brasil joga melhor. Preocupa a pancada que Neymar, novamente muito importante ao time, levou perto do joelho esquerdo.

27/06/2014

às 19:57 \ Tema Livre

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO: imaginamos tanto que, na verdade, esquecemos o que é a Copa

(Foto: Getty Images)

O fantasma do “imagina na Copa”: e se o Mundial continuar sem o Brasil? (Foto: Getty Images)

IMAGINA NA COPA

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

Roberto-Pompeu-de-Toledo1. Imagina na Copa. De tanto imaginarmos, esquecemos do principal: que Copa é um congregado-monstro de estrangeiros em férias, e, como tal, com o compromisso primeiro de divertir-se.

O bom humor dos estrangeiros sufocou o mau humor nacional. Não há desorganização ou falta de infraestrutura que derrube o ímpeto de quem vem para festejar.

O clima entre os estrangeiros contagiou os nacionais e, pelo menos até agora, o que se teve foi o Brasil em suspenso, flutuando no ar entre um outono de todos os descontentamentos e uma campanha eleitoral que se anuncia sangrenta.

2. O maior gol contra do jogo de abertura não foi o do lateral Marcelo. Foi o da turma do xingamento contra Dilma. A presidente, que entrara em campo derrotada de goleada pelos desenganos nos preparativos para o evento, ali virou o jogo. Saiu como a mártir da selvageria vip. O PT ainda terá muito a aproveitar do inglório episódio.

3. Considerado todo o elenco da atual seleção brasileira, apenas um jogador tem apelido – Hulk. Nota-se ao mesmo tempo a tendência para a identificação com nome e sobrenome (Daniel Alves, Thiago Silva) ou nomes duplos (Luiz Gustavo, David Luiz).

O fenômeno talvez reflita a influência do modo europeu de chamar os craques (e as pessoas em geral) ou talvez consista numa tentativa de nobilização, contra os nomes com origem na vida de moleques, mal saída do ambiente da senzala, como Didi, Pelé ou Garrincha.

4. Já os nomes da seleção de Portugal, do goleiro Rui Patrício ao meio-campo João Moutinho, conduzem aos romances portugueses do século XIX. O insuperável Fábio Coentrão podia ser um cunhado do padre Amaro ou um dos pretendentes à morgadinha dos Canaviais.

Duas Copas atrás Portugal contava com um jogador que, sem medo de ser feliz, se chamava Luís Boa Morte.

5. Arena era o local em que os romanos assistiam aos gladiadores estriparem-se entre si ou ser estripados pelas feras.

Estádio era onde os gregos encenavam as competições esportivas, entremeadas de danças e torneios de poesia.

O local em que se jogava futebol era estádio; agora é arena, uma moda que não nasceu no Brasil – foi importada e aqui oficializada pela poderosa Fifa. A truculência romana venceu a graça grega, um espelho dos nossos tempos.

6. Jogador careca já entra em campo perdendo. Não tem penteado moicano, fios pintados de amarelo nem espanador a coroar-lhe o cocuruto. Poderia quem sabe arriscar uma tatuagem na careca, mas isso, salvo engano, ninguém ainda tentou. Acresce que parece velho e que infelizmente seja mentira que elas gostem mais deles.

O holandês Robben tinha contra si esse rol de improbabilidades, ao abraçar a carreira de futebolista. No entanto, é o homem-flecha da Copa, o orgulho da classe e prova de que há futuro mesmo para craques que jamais seriam convidados para anúncios de cuecas.

7. Mestres-escolas implacáveis mostram-se os avaliadores da atuação dos jogadores nos jornais. Robben acabou com a Espanha, e recebeu 9 da Folha de S. Paulo. Outro holandês, Van Persie, fez gol candidato a mais bonito da Copa e ganhou também 9. Um avaliador convidado, o publicitário Washington Olivetto, deu também 9 a Robben e rebaixou Van Persie a 8,5.

Ô Was­h­ington, que mais será preciso fazer para ganhar 10? O goleiro Ochoa, do México, que fez milagres contra o Brasil, também ganhou 9 da Folha e do convidado, dessa vez Serginho Groisman. Parece que precisaria caprichar mais.

8. A Espanha dos últimos anos caracterizou-se por um jogo morrinha, o mesmo que antigamente no Brasil se chamava de “jogar de lado”. Foi campeã em 2010 ganhando quatro dos sete jogos por 1 a 0, perdendo um (Suíça, por 0 a 1), e aplicando contra a inofensiva Honduras seu maior placar (2 a 0).

No Barcelona, do qual foi importado, o estilo funciona porque uma hora a bola sobra para Messi, que, ao contrário, joga em direção ao gol. Agora, junto com a eliminação da Espanha, caem de quebra, para o bem do futebol, o injustificado prestígio do jogo sonolento e o fetiche da “posse de bola”.

9. O mau desempenho do Brasil contra o México ressuscitou o fantasma do “imagina na Copa”. Imagina na próxima etapa da Copa, se o Brasil for logo eliminado. Imagina a Copa no Brasil sem o Brasil.

12/06/2014

às 19:57 \ Tema Livre

COPA 2014: 3 a 1 foi placar largo demais para um Brasil ajudado pelo juiz e que jogou muito aquém do que sabe

comemoram a vitória do Brasil sobre a Croácia (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

David Luiz, Marcelo, Hernanes, Fred, Daniel Alves, Luiz Gustavo e outros jogadores comemoram a vitória do Brasil sobre a Croácia: o time vai precisar melhorar muito (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Para dizer a verdade, amigas e amigos do blog, nem sei se o Brasil mereceu vencer a Croácia.

Por 3 a 1, não mereceu, mesmo. Contagem larga demais, injusta para com o adversário.

Claro que o gol croata foi um acidente, embora um avanço estabanado de Daniel Alves tenha deixado descoberto o flanco por onde se construiria a jogada que acabaria com a primeira bola no fundo das redes da Copa 2014, desviada pelo pé de Marcelo.

Mas talvez — talvez — o goleirão croata Pletikoza pudesse ter defendido o chute mascado de Neymar que decretou o empate. E, é claro, o pênalti cavado por Fred foi escandalosamente inexistente.

O principal, dizem todos os integrantes da Seleção, é que vencemos. Para mim, porém, o principal foi a oportunidade de Felipão verificar que nem tudo o que se treina, mesmo incontáveis vezes, acaba se reproduzindo no terreno de jogo. E correr para corrigir o que não funcionou, pois o time jogou muito abaixo do que se esperava.

Vimos um Brasil errando muitos passes, esticando sucessivamente bolas difíceis para o domínio do ataque, as chamadas bolas “rifadas”, sem conseguir abafar a saída de bola do bom time croata — defesa forte, meio-campo habilidoso, onde se destaca o craque Modric, do Real Madrid, boa capacidade de contra-ataque — e com pouca ousadia para a jogada individual desequilibradora.

Quando aconteceu, como no primeiro gol de Neymar ou, sobretudo, no gol de bico do excelente Oscar, as coisas mudaram para muito melhor.

Peças importantes do time de Felipão não estiveram bem.

Paulinho, jogador cada vez mais respeitado internacionalmente, poucas vezes foi o fator surpresa que vem de trás para se apresentar, com perigo, na área.

Marcelo, estabanado e evidentemente abalado pelo gol contra, não se encontrou — marcou mal, errou passes, deu chutões.

Na outra lateral, Daniel Alves fez uma de suas piores partidas pela Seleção.

Luiz Gustavo, uma parede difícil de ultrapassar, bom no desarme e na entrega da bola, não repetiu suas boas atuações.

Fred, sempre valente e brigador, sumiu do jogo, e sua grande proeza foi conseguir um pênalti que não honra as cores da Seleção. Hulk lutou muito, mas pareceu ter esquecido o que treinou e, como assinalou o leitor Carlos Nascimento, deixou de ser atacante para tornar-se marcador.

Em compensação, senti firmeza nas poucas intervenções do contestado Júlio César. David Luiz justificou plenamente a fortuna que o Paris Saint Germain gastou para tirá-lo do Chelsea. Neymar foi corajoso e disputou uma excelente partida. E Oscar, depois de um começo apagado, cresceu e se tornou uma ameaça constante para os croatas.

Muito além dos acertos individuais, porém, Felipão vai precisar fazer o time voltar a ter um padrão de jogo — idealmente, caminhar firme para aquele tipo de atuação inesquecível da vitória contra a Espanha, na final da Copa das Confederações, no ano passado.

Não tenham dúvida: esta Copa não será moleza, de forma alguma.

09/06/2014

às 15:00 \ Tema Livre

VÍDEOS IMPERDÍVEIS: 5 maneiras de explicar porque o grande Puyol, novo membro da direção esportiva do Barça, fará falta como jogador; emotiva despedida juntou adversários e foi exemplo de civilidade. Ele fará falta na Copa

Assim é que se faz: todos os setores do chamado "Barcelonismo" deixaram as diferenças de lado para homenagear Carles Puyol, em sua despedida do futebol no último dia 15 (Foto:Miguel Ruiz - FC Barcelona)

Assim é que se faz: todos os setores do chamado “barcelonismo” deixaram as diferenças de lado para homenagear o grande capitão Carles Puyol, em sua despedida do futebol  (Foto:Miguel Ruiz/FC Barcelona)

O evento aconteceu no dia 15 de maio. Mas ainda repercute e me chama especialmente a atenção.

Estou falando da despedida futebolística de Carles Puyol, um dos jogadores que melhor vi representarem valores como raça e lealdade dentro de um campo, além de ter sido um belíssimo zagueiro, desses que não desistem da bola até o último centésimo de segundo. Se tiverem tempo, assistam na íntegra neste link.

Após 19 anos de carreira inteiramente dedicados ao F. C. Barcelona, dez dos quais como capitão do time principal, o grande becão da cabeleira inconfundível decidiu não apenas abandonar os quadros do clube – conforme anunciara em março, ainda considerando a possibilidade de vestir outra camisa – como também encerrar a carreira, que incluiu longos anos como titular da seleção da Espanha.

O motivo principal foi o histórico de lesões que Puyi enfrentou nas últimas temporadas. “Este ano, por causa dos problemas físicos, quase não pude jogar, e dificilmente poderei jogar futuramente em outro lugar”, afirmou no dia do adeus.

Quinze dias depois, Puyol foi anunciado como novo membro da direção de futebol da entidade, comandada por outro ex-ídolo, o ex-goleiro do Barça e da Seleção espanhola Andoni Zubizarreta.

Futebol e civilidade

Na segunda fileira, da esquerda para a direita: Camacho (ex-Real Madrid), o ídolo Cruyff e Hierro (também ex-Real Madrid) (Foto: EFE)

Na segunda fileira, da esquerda para a direita: Camacho (ex-Real Madrid), o ídolo Cruyff e Hierro (também ex-Real Madrid) (Foto: EFE)

À parte de aludir diretamente ao fato de que o mundo da bola perde um jogador vencedor – nada menos que 21 títulos pelo Barça, uma Copa do Mundo e duas Eurocopas pela seleção espanhola – e de caráter exemplar, o evento que celebrou o pendurar de chuteiras do ídolo também se destacou por outras razões, que transcendem o futebol.

Em amostra de que os grandes clubes europeus estão, sim, a anos-luz dos brasileiros em matéria de civilidade e respeito aos esportistas, compareceram ao ato e se cumprimentaram adversários políticos de longa data, como os ex-presidentes da entidade Josep Lluis Núñez (1978-2000) e Joan Laporta (2003-2008).

O grande Johan Cruyff, ex-jogador, treinador e presidente de honra do clube, foi visto conversando amigavelmente com Zubizarreta. As desavenças entre o mítico holandês e a atual direção – da qual faz parte o ex-goleiro – vêm de anos atrás.

A estas figuras políticas se juntaram a família de Puyol, todo o elenco atual e inclusive ídolos do arquirrival Real Madrid, como o ex-zagueiro Fernando Hierro e o ex-lateral esquerdo José Antonio Camacho. Até Jordi Rios, o ator que imita o homenageado no bom programa de humor Crackòvia, da rede televisiva catalã TV3, marcou presença.

Além do próprio Puyol, falaram durante a solenidade Zubizarreta e o presidente Josep Maria Bartomeu, que leu texto definindo o jogador como “fiel, sincero, pontual, sensato, afetuoso e de uma bondade extraordinária”.

Em depoimentos gravados, prestaram seus tributos, falando e agitando a faixa de capitão com as cores da Catalunha, diversos companheiros, como Andrés Iniesta, Gerard Piqué e Daniel Alves.

Também colaboraram ex-treinadores, como o holandês Louis Van Gaal e o recém-demitido argentino Gerardo Martino, e ex-companheiros de vestiário, tal qual o holandês Patrick Kluivert. Falaram às câmeras ainda figuras que conviveram com Carles em ambas as situações: Pep Guardiola e Luis Enrique, que dias depois seria anunciado como o novo técnico do Barça.

Discurso de Xavi

Gesto carinhoso de Xavi a Puyol: quinze anos de convivência e muitos títulos (Foto: Eduard Omedes - Mundo Deportivo)

Gesto carinhoso de Xavi a Puyol: quinze anos de convivência e muitos títulos (Foto: Eduard Omedes – Mundo Deportivo)

Um dos momentos mais emocionantes, porém, foi o discurso proferido por Xavi Hernández, craque também veterano, que agora assume oficialmente a faixa de capitão.

Segundo setores da imprensa catalã, a amizade entre os dois, que dura quinze anos, vinha estremecida nos últimos tempos supostamente por causa da ausência de Puyi no casamento de Xavi no ano passado.

“Estou muito orgulhoso de compartilhar todas nossas carreiras juntos”, disse o meio-campista. “Você é patrimônio do Barça”, continuou, aproveitando para convidar o parceiro a realizar algum projeto juntos no Barça futuramente. O próprio Puyol, aliás, declarou que gostaria de trabalhar com as divisões de base da entidade.

Apenas Sandro Rosell, o presidente que se viu obrigado a pedir demissão em janeiro diante de sua incapacidade de explicar os gastos na contratação de Neymar, não compareceu.

Como afirmei no post de março, existem várias maneiras possíveis de celebrar a trajetória de Puyol. Mas, aproveitando que sua camisa é a 5, separei cinco vídeos publicados no YouTube que ilustram diferentes facetas da grandeza do jogador:

-O raçudo

Em jogada válida pela Champions League 2002-2003 contra o Lokomotiv russo, o goleiro já estava vendido quando Puyol se atirou com o corpo (e a alma) para salvar um gol já dado como certo. A bola bateu no escudo do Barça e não entrou.

-O capitão

Nos grandes clubes europeus, a figura do capitão do time ainda tem muito valor. Eles representam a equipe em eventos, proferem discursos em estádios lotados e ajudam a orientar os demais dentro e fora de campo. Neste episódio ocorrido em jogo contra o Rayo Vallecano pelo Campeonato Espanhol 2011-2012, Puyol correu para chamar a atenção dos brasileiros Daniel Alves e Thiago Alcântara que, após um gol do segundo, celebravam com uma de suas polêmicas dancinhas. Puyi fazia assim o papel de voz do treinador – no caso, Pep Guardiola, que não suportava as coreografias.

-O catalão

Orgulhosíssimo de suas origens  – nasceu na cidadezinha de Pobla de Segur – Puyol integra o grupo de jogadores que, embora defendam com afinco a seleção espanhola, o fariam ainda com maior intensidade caso a Catalunha se tornasse um país independente e tivesse sua própria seleção oficial.

O auge de sua demonstração de amor catalão ocorreu na goleada por 6 a 2 aplicada pelo imbatível Barça de Guardiola no Espanhol de 2009. Ao anotar um gol, Carles tirou a faixa de capitão com as cores da senyera, a bandeira da Catalunha, a beijou e a exibiu, com satisfação mas sem desrespeito, aos quase 100 mil torcedores do espanholíssimo Real Madrid no estádio Santiago Bernabéu.

-O espanhol

Na seleção espanhola, Puyol é quase tão lendário. Disputou três copas – 2002, 2006 e 2010 -, acompanhando, portanto, o surgimento a e consolidação desta geração de ouro da Roja. E não só: quem se esquece que foi dele um dos gols mais decisivos da conquista do caneco na África do Sul, o da semifinal contra a Alemanha? O golaço emocionante e espetacular levou a Espanha à finalíssima (e à vitória) contra a Holanda.

-O ser humano

Carles Puyol foi o capitão do Barça em três conquistas da cobiçadíssima Champions League Europeia.

Em 2006 e 2009, ergueu com sua típica bravura os pesados troféus. Em 2011 em Wembley, porém, fez algo muito maior: na hora H, sem avisar a ninguém, entregou a faixa ao companheiro Eric Abidal, que enfrentava uma luta contra um câncer, e lhe concedeu a honra.

O mundo se emocionou. Abidal agradeceu novamente o gesto em vídeo exibido na cerimônia de despedida, e Xavi também mencionou o episódio em seu discurso. (vejam a partir do tempo 1’33” do vídeo).

04/05/2014

às 17:30 \ Política & Cia

NEIL FERREIRA: eu não sou macaco não

De um eleitorado total de 135 milhões de pessoas, 80 milhões não votaram em Dilma -- e isso não é algo que se possa ignorar (Foto: Celso Junior / Reuters)

A presidenta abusou do populismo… (Foto: Celso Junior / Reuters)

Por Neil Ferreira

neil-ferreiraAntes Poste Escriptum:

1º de Maio:

apenas um dia

(só um dia !)

depois do dia 30 de abril, em que todo mundo produtivo

(todo mundo !)

Foi forçado a pagar o dízimo ao Lula

(o dinheiro do imposto que o otariado nacional pagou foi pro Lula, sim senhor, e seu quadrilheiros; se não foi, foi pro Delúbio; se não foi, fica sendo).

Miss Piggy anunciou em cadeia nacional de rádio e TV, um minúsculo desconto na tabela do IR, em descarada campanha eleitoral contra a lei, fora do prazo legal; todos nós ouvimos o silêncio cúmplice do TSE e o parvo silêncio da oposicinha.

Veja que sapiência da homa sapienta (se temos “presidenta” , temos “homa sapienta”): a cuja marcou o desconto só para daqui um ano, na próxima declaração; se ela não for reeleita, a conta fica para quem for eleito.

E, ishperrta, deu aumento pra Bolsa Família, este pra vigorar agora e começar a pagar os votos a serem comprados no feirão do “país dos mais de 80%”.

Até o Financial Times, sério, responsável e respeitado (dizem que frequenta todas as mesas de todos os presidentes de todos os países deste mundo e do Paraguai) disse que a Miss Piggy abusou do populismo.

Eu não sou macaco não

Neil yes nós temos banana Ferreira

O macaco tá certo; faz questão de não ter mais nada a ver com seus alegados descendentes, se é que algum dia teve. Não adianta uma campanha de propaganda enganosa dizer que “Somos todos macacos”; não somos. Eu não sou macaco não.

Os amigos da minha geração, ou até alguns mais novos, talvez se lembrem de uma marchinha que fez enorme sucesso em um dos nossos carnavais do passado: “Yes nós temos banana, Banana pra dar e vendeeeer…”

A dita cuja banana foi beneficiada por uma marqueteragem que atingiu nível mundial e recolocou Darwin e sua Teoria da Evolução na mídia: “Somos todos macacos”. Eu não sou macaco não.

Vamos e venhamos, o jogador Dani Alves, que fez um gesto dramático e bem humorado contra o racismo, ao comer a banana que atiraram nele num jogo de futebol, detonou reações favoráveis nos clubes de futebol, imprensa e redes sociais politicamente corretas, em todas as línguas e sotaques, só não lembro da China nem da Coréia do Norte, reino daquele gordinho gozado mas perigoso, ambas repúblicas populares do povo chinês e coreano, respectivamente.

Até Neymar Jr, que não dá ponto sem nó na costura da sua imagem, apareceu no mesmo dia com uma foto dele e do seu filho com um cacho de bananas. Não perdoa nem seu filho nas marqueteragens.

Haveria de plantão, como dizem que há todos os dias, prontos pra registrar seus mergulhos e expressões de dor de fratura exposta, na beira de serem inscritas candidatas ao “Oscar”, produtores(as), fotógrafos(as), iluminadores(as), figurinistas, maquiadores(as) e cacho de bananas disponível em Barcelona, onde é mergulhador titular da equipe olímpica de mergulhos ornamentais do Barcelona FC.

Pode me xingar de zelite (sou), direitista (não sei se isso ainda existe) e conservador (sou), caindo aos pedaços de tanto preconceito e merecendo apanhar até na cova do dente, como se diz na pequena e simpática cidade em que nasci.

Meu avô Alexandre e seu irmão, Tio Gué (de Miguel), deram seus nomes à Praça da Igreja, a principal da cidade. Isso não é vantagem porque doaram para a cidade e para a Igreja o terreno bem no centro e o largo foi construído em volta Igreja, ficou uma beleza.

Chamo em meu socorro outra musiquinha pra explicar o que preciso dizer e as palavras me faltam: “Pode me bater, Pode me prender” — aqui dou uma contribuiçãozinha pra melhorar a musiquinha — “ Pode me bater, Pode me prender, Mas macaco eu não sou não”.

Não somos todos macacos, não (Foto: Reprodução Instagram)

Não somos todos macacos, não (Foto: Reprodução Instagram)

De tanto repetir, você vai acabar acreditando que eu não sou macaco não. Disse Goebbels, guru do Duda Mendonça: “– Repita a mentira mil vezes e ela vira verdade”.

Mendonça repetiu zilhões de vezes a mentira “Lulinha paz e amor”, o maior estelionato político de todos os tempos,que virou verdade.

O “país dos mais de 80%” acreditou e votou. Você não queria Democracia? Pois Democracia é isso aí; foi com o voto que o puseram e aos Postes lá; será com o voto que os tiraremos de lá.

Meus ancestrais de milhões de anos atrás podem ter sido macacos, sou evolucionista e acredito no Darwin, mas hoje não sou mais, já fui promovido a um espécime piorado e destruidor do que há de mais rico e belo na natureza, o homo sapiens. A Amazônia está ficando careca, vítima da nossa sapiência.

Apelidado de “câncer da Terra” por alguma inteligência superior, quem sabe um alien, que Darwin não era mas dele recebeu o dom do saber e de ser um sábio da humanidade, que a Ciência e a História transformaram em imortal.

Vamos devagar com essa história de “homo”, que quando um sai do armário é tratado como “sapiens” e herói da raça pela mídia e pelos “entendidos” de grande parte da sociedade bem pensante e politicamente correta, que se juntam em multidões na Parada Gay de São Pulo, sejam eles praticantes, e/ou simpatizantes, e/ou “entendidos”.

Depois de tanto tempo, os macacos nada têm a ver com nosotros; e nem querem. Tanto quanto sei, são incapazes de produzir um macaco-Hitler e o holocausto; um macaco-Stálin e os milhões de mortos da grande fome da estatização das propriedades e da produção agrícolas; o macaco-Truman e as bombas atômicas despejadas sobre Hiroshima e Nagasaki; o macaco-Pol Pot, que destruiu o Camboja também com milhões de mortos; o macaco-Mao Tsé-tung, que já foi o farol da humanidade para os então jovens enxutos e cabeludos, hoje barrigudos e carecas esquerdopatas, que desfilavam gritando Maô Maô Maô, imitando o “sutaque” da turminha da Sorbona — é nóis us mano; nóis fala “Sorbone” mas é “Sorbona”, tá lá no Aurélio, pode conferir, sou mais o Aurélio do que uns e outros.

E nem um macaco-Tião Viana, que despachou 500 haitianos sem nada pra sobreviverem até mesmo com indignidade, serem despejados em São Paulo, como se fossem seu lixo humano.

Quando o macaco-Alckmin, esse sim um macaco de responsa que orgulharia seus ancestrais macacais, quis conversar sobre o assunto, certamente com o livrinho do macaco- Lenin dentro da algibeira, “Que fazer” — pra mim o macaco-Lenin não respondia e sim perguntava — o macaco Tião veio com as quatro patas em riste (macaco tem patas ou mãos ?, acho que tem mãos), ofendendo e xingando toda a macacada pólista de zelite preconceituosa, o absurdo dos absurdos: Sumpólo é a maior cidade nordestina do universo e todos os brasileiros nordestinos que aqui vivem e trabalham, nunca sofreram preconceito. Preconceituosa é a macaca- M(S)inistra dus Dereitos dus Mano, qui num levantô nem uma patinha em defesa da pobre macacada-haitiana.

Meu avô era árabe e nem por isso ainda sou quibe cru; chamava-se Scandara Haddad, lindo e forte nome sírio, nada a ver com Haddad, o mais recente poste do Lula, que o elegeu brefeito de Sum Baulo pelo “país dos mais de 80%”, que elegeu a Primeira Poste de todos, Miss Piggy, e que agora quer eleger governador de São Paulo mais um poste, Padilha. Todo cuidado é pouco.

Padilha só é flor que se cheire pra cumpanherada; foi aprovado Summa Cum Laude no vestiba da corrupa , cotista que é na Universidade Doleira do PhD Youssef.

Ministro Alexandre Padilha, com um golpe novinho para desvendar (Foto: Givaldo Barbosa / Ag. O Globo)

O “poste” Padilha: cotista na Universidade Doleira (Foto: Givaldo Barbosa / Ag. O Globo)

É dos que têm tudo pra ser aprovado logo na primeira chamada. É um daqueles postes que Lula quer enfiar na goela do Estado de São Paulo, pra ser mais um dos que ele falou com toda cara de pau: “De poste em poste vou iluminar o Brasil”; é bebé, mamá na gata ocê num qué né” (ouvido passagem na minha cidadezinha do interior e que se ajusta perfeitamente ao que quero expressar).

O poste Padilha não vai ser fincado em São Paulo se depender de mim e dos meus amigos, ativistas voluntários na internet; não são militantes pagos, da blogosfera chapa-branca suja e malcheirosa, sustentada pelo governo, descaradamente, com uma massa inaudita de anúncios do governo e das estatais.

Miss Piggy bateu recordes de dinheiro jogado fora, anunciando obras que não existem. Não sujo as mãos com petróleo das verdades veiculadas nesses anúncios impressos e comerciais de tv

Os federais já apontaram as ligações do Padilha com Youssef, em número suficiente e comprovado pela “Operação Lava-Jato”, pra tacar-lhe uma bela acusação pela pelo PGR, Procurador Geral da República, que também me parece ser cego, surdo e mudo.

Os macacos-macacos se recusariam a aceitar que o DNA da sua raça estivesse contaminado por semelhante indivíduo, como o macaco-Padilha.

Quanto mais passo os olhos pelas manchetes dos jornais, mais acho que os macacos-macacos se recusam a aceitar que parentes deles são é nóis; o macaco-macaco num é nóis não. Nisso empatamos, eu não sou macaco não e o macaco num é nóis não.

O macaco-Lula, guinchou (macaco guincha ? também não sei) com o mais macacal de todos os seus guinchos: — “O julgamento do mensalão foi 80% político e só 20% jurídico”.

Concordo: se fosse 100% jurídico ele também já estaria na Papuda, cujos pensionistas, do macaco-Dirceu pra baixo, o macaco-Lula disse que não são macacos da sua confiança; mas quem os pariu que os embale (hoje to bão de Vox populi Vox Dei, sorry periferia).

A Petrobras d’O Petróleo é Nosso (nosso nada, é deles), o Bando do Brasil (é bando mesmo), a Nossa Caixa Deles, o BNDESDeles, os Fundões de Pensões Deles afundados nos fundos das fossas que o digam.

Se você achou muito confuso o que o macaco aqui escreveu, o macaco aí está certo. Cito o macaco-Picasso:

“– Se o mundo é incompreensível, a minha pintura também pode ser”.

Mesma coisa com os meus escritos.

01/05/2014

às 17:00 \ Tema Livre

Para a revista “Time”, estratégia de marketing de Neymar com antirracismo foi “brilhante”

O jogador brasileiro Neymar, do Barcelona: reação controversa após campanha antirracismo ( Pierre-Philippe Marcou/AFP)

O craque Neymar, do Barcelona: reação controversa após campanha antirracismo a partir do episódio com Daniel Alves ( Pierre-Philippe Marcou/AFP)

PARA REVISTA “TIME”, ESTRATÉGIA DE MARKETING DE NEYMAR FOI “BRILHANTE”

Segundo a publicação, a FIFA deveria se inspirar na ação de Neymar para tentar combater o racismo no futebol

A campanha antirracismo iniciada pelo jogador Neymar nas redes sociais sob a marcação #somostodosmacacos no último domingo tem suscitado opiniões controversas.

Logo após seu colega do Barcelona, Daniel Alves, comer uma banana que havia sido atirada no campo por um torcedor na intenção de comparar o jogador a um macaco, Neymar deu início a uma campanha no Instagram e no Twitter para descaracterizar a atitude preconceituosa.

Soube-se, no dia seguinte, que o movimento havia sido pensado semanas antes, com o auxílio da agência de propaganda Loducca.

Com isso, a opinião pública se dividiu e muitos se frustraram pelo fato de o movimento não ter uma origem espontânea — e sim ter sido orquestrado por profissionais. Mas, oportunista ou não, para a revista americana Time, a mais influente do mundo, a estratégia de Neymar e de sua equipe de marqueteiros foi “brilhante”.

Segundo a Time, Neymar e Daniel Alves “são garotos-propaganda perfeitos para uma campanha antirracismo” pelo fato de ambos terem projeção internacional e milhares de seguidores em redes sociais.

A revista ainda aproveita para lançar uma crítica à FIFA, cuja atuação para reduzir o racismo no futebol não tem surtido resultados — sobretudo pelo fato de não haver punição para investidas preconceituosas no estádio, como foi o caso do torcedor que jogou a banana.

“Marquem isso como uma lição para a FIFA, o órgão poderoso do futebol, que vem enfrentado dificuldades para encontrar formas de extinguir gritos racistas e abusos por parte de seus fãs ao redor do mundo. Fazer outra campanha inteligente executada pelos próprios jogadores e direcionada aos fãs mais novos pode render frutos similares”, diz a reportagem.

Ao site de VEJA, o publicitário Guga Ketzer, da Loducca, afirmou que a ação foi preparada duas semanas antes, depois que Neymar e Daniel Alves foram alvo de outra investida racista durante o jogo do Barça contra o Espanyol.

Segundo o publicitário, Neymar havia planejado comer a banana em campo quando surgisse a oportunidade — e então lançar a campanha.

Questionado se o lateral baiano havia atropelado a estratégia de Neymar, Ketzer negou. “De forma alguma. O conjunto de ele comendo uma banana e o Neymar se manifestando, criando um movimento, fez a discussão atingir um patamar absurdo, com repercussão até mesmo na Presidência da República. As pessoas espontaneamente se envolveram e isso é o que importa”, disse.

Contudo, segundo reportagem do site da PLACAR, do grupo Abril, que edita VEJA, Neymar e Daniel Alves já haviam conversado semanas antes sobre as atitudes racistas de alguns torcedores — e o atacante havia confessado que, se visse a banana sendo arremessada ao campo, a comeria.

Nesta quarta-feira, a agência Loducca enviou um comunicado à imprensa rechaçando críticas de que #somostodosmacacos também é um manifesto racista, justamente por manter a ideia da comparação entre negros e macacos.

“Colocado como foi, ironicamente, na situação (logo após a maravilhosa atitude do Daniel Alves), a hashtag, mais a imagem de Neymar com seu filho, não chama os negros de macacos, mas lembra ou alerta os brancos que somos todos iguais, vindos ‘do mesmo macaco’. Este é um fato científico provado e comprovado (salvo alguns fanáticos que ainda questionam Darwin), não uma opinião”, informou a agência.

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29/04/2014

às 15:00 \ Tema Livre

VÍDEOS: DANIEL ALVES não foi o primeiro a reagir no gramado contra o racismo de torcedores; relembremos outros casos

O alemão naturalizado Kevin-Prince Boateng em ação antirracista: em jogo pelo Milan ocorrido no ano passado, ele chutou a bola para longe e convocou o time a deixar o campo (Foto: AP)

O alemão naturalizado ganês Kevin-Prince Boateng em ação antirracista: em jogo pelo Milan ocorrido no ano passado, ele chutou a bola para longe e convocou o time a deixar o campo (Foto: AP)

Pelo fator surpresa e irreverência, a atitude do jogador Daniel Alves na partida do último sábado de seu Barcelona contra o Villarreal, de comer uma banana atirada em sua direção por racistas, foi sem dúvida a reação a ofensas do gênero que obteve mais repercussão até hoje.

Mas o celebrado ato do lateral direito brasileiro, que surgiu a partir de ideia de Neymar, não foi a primeira demonstração de rebeldia antirracista de atletas em pleno gramado.

Como sabemos, o histórico de ódio racial remonta a décadas atrás e, por mais incrível e repugnante que pareça, e a despeito de campanhas promovidas por jogadores, entidades, marcas de artigos esportivos e governos, vem aumentando nos últimos anos.

Sobretudo na Europa – com especial incidência na Itália -, embora a moda esteja pegando até no Brasil, com episódios como os de ataques ao árbitro Márcio Chagas da Silva, ocorrido em março em Bento Gonçalves (RS), e no vizinho Peru, que um mês antes foi cenário de tenebrosos insultos ao cruzeirense Tinga.

A seguir, vídeos do YouTube que repassam alguns dos episódios em que os jogadores não apenas lamentaram a situação, cabisbaixos, mas resolveram tomar alguma providência:

* Marco Zoro (Messina, novembro de 2005)

Segundo o atleta marfinense Marco Zoro, em praticamente cada um dos jogos que disputou nos quatro anos que defendeu o time siciliano do Messina, chegaram a seus ouvidos xingamentos e provocações racistas.

Sua paciência esgotou em enfrentamento contra a Inter de Milão, cujos torcedores, que eram visitantes, não paravam de lhe ofender. “Não pude aguentar mais”, conta Zoro, hoje defendendo uma equipe grega, na entrevista do vídeo abaixo. “O que fiz foi instintivo, não podia me concentrar, e tive que pegar a bola”.

Acabou persuadido por jogadores rivais, entre os quais o brasileiro Adriano, da tentativa de paralisar a partida. Mas o barulho em torno do ocorrido foi tremendo.

* Samuel Eto’o (Barcelona, fevereiro de 2006)

¡No más, no más!”, gritou repetidamente o grande centroavante camaronês Samuel Eto’o ao árbitro de confronto entre o Barça, time que então defendia, e o Zaragoza, que jogava em casa.

A seguir, a TV mostra imagens do craque, atualmente no Chelsea, exibindo com orgulho a cor de sua pele aos torcedores adversários, e os xingando de hijos de puta.

* Kevin-Prince Boateng (Milan, janeiro de 2013)

Foi a primeira vez que a rebeldia se concretizou em fim de jogo. Cansado do que ele e outros companheiros negros ou mulatos do Milan ouviam de apoiadores do minúsculo Pro Patria, da Itália, Boateng, que nasceu na Alemanha mas é naturalizado ganense, “isolou” a bola para longe e conclamou sua equipe a se retirar de campo.

O hoje contratado do Shalke 04 alemão foi atendido, e posteriormente apoiado pela classe futebolística.

* Kévin Constant (Milan, julho de 2013)

Após escutar cantos racistas vindos da torcida do Sassuolo, da Itália, o jogador, nascido na República da Guiné, chuta uma bola em direção às arquibancadas e simplesmente se dirige para fora do gramado.

Tecnicamente, ele foi apenas substituído e tudo voltou ao normal, mas o árbitro da partida ordenou ao locutor do estádio que avisasse que o evento seria suspendido se as ofensas persistissem.

29/04/2014

às 0:00 \ Disseram

Apenas rindo

“Estou há 11 anos na Espanha, e são 11 anos iguais. Tenho que rir desses retardados.”

Daniel Alves, jogador do FC Barcelona, sobre a atitude deplorável de um torcedor do Villarreal que jogou uma banana em direção a ele durante um jogo

 

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