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Constituição

29/09/2014

às 18:43 \ Política & Cia

Tiririca faz campanha debochando do Congresso ao qual pertence. Em país sério, poderia estar até na cadeia. Aqui, o MP eleitoral, a Comissão de Ética e o corregedor da Câmara não tomaram conhecimento de nada

Reprodução TV

Tiririca imita Roberto Carlos em sua propaganda no horário eleitoral. O bife no prato é uma referência à publicidade que o músico fez para a marca de carnes Friboi (Foto: Reprodução TV)

Num país mais sério do que o nosso, em que houvesse respeito aos cidadãos e às instituições criadas pela Constituição, alguém que fizesse uma campanha pela reeleição no horário eleitoral do nível de deboche pelo Congresso a que pertence, como faz o deputado Tiririca (PR-SP), poderia até estar preso.

No mínimo, mereceria ter sua campanha examinada pela Comissão de Ética da Câmara dos Deputados ou, pelo menos, que o corregedor da Câmara, deputado Átila Lins (PSD-AM), no momento envolvido em sua própria reeleição. Sem contar alguma iniciativa — pelo menos chamar para uma conversa! — do Ministério Público eleitoral, a quem também cabe zelar pela lisura e pela decência das campanhas.

Tiririca, que é cearense mas se elegeu por São Paulo em 2010 com 1,2 milhão de votos, já usou e abusou do deboche em sua campanha anterior, quando envergou o lema “Vote em Tiririca, pior do que está não fica”.

As coisas agora estão muito piores, e não vou reproduzir nada aqui, nem exibir videos dos candidatos, para não contribuir para a desmoralização de um Legislativo já com a reputação tão abalada. Independentemente de quem ocupa os postos de senador e deputado no momento, é um dever cívico procurar melhorar a representação parlamentar e lutar para que o Congresso, que representa o povo em uma democracia, seja respeitado.

Tiririca ainda faz paródias, imitando Pelé ou o cantor Roberto Carlos e sugerindo que eles votarão nele. No caso de Roberto, vestiu trajes semelhantes e uma peruca para entoar a canção O Portão — cuja estrofe inicial ele mudou para “eu votei/de novo eu vou votar/Tiririca/Brasília é o seu lugar”.

A paródia da canção lhe valeu processo da gravadora EMI na Justiça Eleitoral. Roberto e Erasmo Carlos, autores, também ameaçaram levá-lo à Justiça.

O pior de tudo é que Tiririca não precisava apelar dessa forma para ganhar votos. Poderia, por exemplo, jactar-se de algo que realmente é mérito seu: em quatro anos de mandato, jamais faltou a uma única sessão da Câmara.

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02/09/2014

às 19:30 \ Política & Cia

Dúvidas sobre a democracia de Marina Silva

(Foto: Agência Brasil)

Marina quer a “democratização da democracia”, mas ainda deve explicações sobre o que isso significa (Foto: Agência Brasil)

Ao contrário das propostas no campo econômico, as ideias da candidata sobre a política são vagas e permitem interpretações preocupantes

Editorial publicado no jornal O Globo

Pelas próprias características do tema, propostas econômicas tendem a ser mais objetivas. A candidata Marina Silva (PSB) não poderia ser mais clara em pontos básicos de seu programa de governo, neste campo: restaurará o chamado “tripé” — metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante —, para estabilizar a economia; formalizará a autonomia operacional do Banco Central, com mandato fixo para diretores; metas fiscais para a União e instituição do Conselho de Responsabilidade Fiscal para auditá-las, entre outros itens.

Já no campo político, o texto do programa de Marina não tem a mesma objetividade, é perigosamente vago. Admita-se que também o tema contribui para algum devaneio. Mas não necessariamente.

É óbvio que todos os partidos e candidatos se autointitulam democratas. E não há por que duvidar deles. O xis da questão é saber o entendimento do candidato sobre os mecanismos de funcionamento do regime de democracia representativa, estabelecido na Constituição.

Reconhece-se, e não apenas no Brasil, que este tipo de regime — o melhor já criado até hoje — deve passar por aperfeiçoamentos, para aproximar as ruas dos centros de decisão, mas sem abalar o sistema de representação.

Nos Estados Unidos, por exemplo, estados decidem por plebiscitos uma série de questões objetivas locais, em que cabem respostas binárias — sim ou não. (Daí ter sido um equívoco da candidata Dilma Rousseff, no debate da Bandeirantes, citar os plebiscitos americanos para justificar consultas populares no Brasil sobre temas intrincados como a reforma política).

Marina Silva e o PSB se propõem a fazer uma “democratização da democracia”. A candidata precisa esclarecer o que é isso. Até porque seu berço ideológico é o mesmo de frações do PT que namoram métodos de “democracia direta” desenvolvidos nos laboratórios do bolivarianismo chavista — arranjo de poder em grave crise na América Latina.

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23/08/2014

às 19:10 \ Política & Cia

Dilema urgente da presidente Dilma: ou demite o general comandante do Exército ou extingue a Comissão da Verdade

 

Dilma precisa decidir o que fazer com a CNV, após o comandante do Exército dificultar o acesso a documentos da repressão

Dilma criou a Comissão da Verdade, o ministro Celso Amorim alega ter misteriosas “limitações” quanto a informações das Forças Armadas sobre o período 1964-1985, e o general Enzo Peri, comandante do Exército, decidiu dificultar o acesso a documentos da repressão: agora, a presidente precisa decidir o que fazer (Fotos: Agência Brasil)

Enzo Peri cria obstáculos à colaboração do Exército para apurar crimes da ditadura

Por Luiz Cláudio Cunha, publicado originalmente no site Diário do Poder

A presidente Dilma Rousseff acordou estarrecida nesta sexta-feira, 22, como qualquer brasileiro que se respeita. E diante de um dilema inadiável, indelegável, inquestionável:

Ou Dilma demite o Comandante do Exército ou Dilma extingue a Comissão Nacional da Verdade (CNV).

Não há mais clima de convivência possível entre o general Enzo Peri, chefe do Exército, e os seis comissários da CNV, diante da espantosa manchete de ontem do jornal O Globo: “Anos de chumbo: comandante impõe silêncio ao Exército.”

O repórter Chico Otávio recebeu do procurador Sérgio Suiama, da Procuradoria da República do Rio de Janeiro, um inacreditável ofício enviado em 25 de fevereiro passado aos quartéis de todo o País pelo comandante do Exército, general Enzo Peri, proibindo qualquer colaboração para apurar crimes da ditadura que derrubou o presidente João Goulart.

O general Peri chega ao requinte de mandar um modelo de ofício, em branco, instruindo cada quartel a rebater pedidos do Procurador-Geral da República para o seu gabinete em Brasília, no quarto andar do Bloco A do QG do Exército.

O cala-boca nacional do general Peri abrange qualquer pedido ou requisição de documentos feitos pelo “Poder Executivo (federal, estadual e municipal), Poder Legislativo (federal, estadual e municipal), Ministério Público, Defensoria Pública e missivistas que tenham relação ao período de 1964 a 1985”).

Dilma com Comissão da Verdade ABr

Dilma instalando a Comissão da Verdade, em maio de 2012, com a presença dos quatro ex-presidentes da República e outras autoridades: a presidente é ou não a comandante suprema? (Foto: Agência Brasil)

Só quem pode responder a tudo isso, esclarece o ofício, é o Gabinete do Comandante do Exército, ou seja, o próprio general Peri, erigido agora com uma autoridade que transborda todas as esferas de poder.

É útil lembrar que os desmandos e abusos cometidos entre 1964 e 1985 constituem o foco principal da investigação da CNV, que apresentará ao país em dezembro próximo o seu relatório final.

A solução do impasse agora revelado cabe exclusivamente à Comandante Suprema das Forças Armadas (FFAA), a quem o general se subordina nos termos da Constituição, e à Presidente da República, que criou a CNV em 2011 e a instalou no ano seguinte justamente para apurar graves violações dos direitos humanos no país.

Dilma acumula as duas funções e a dupla responsabilidade.

Cabe a ela, e a mais ninguém, repor a autoridade de seu comando e o prestígio de seu cargo. Se nada fizer, Dilma perderá ambos — a autoridade e o prestígio. Tudo isso em meio a uma brava campanha eleitoral, que não permite hesitações ou fraquezas. À esquerda ou à direita.

É útil lembrar que o ofício do general Peri foi remetido a todas OM (organizações militares) e com difusão para todos os Comandantes de OM e Estado-Maior, ou seja, todos os 108 generais da tropa – os 14 generais de Exército, os 32 generais de Divisão e os 62 generais de Brigada que integram a maior e mais poderosa força militar terrestre da América Latina, com 220 mil homens e a maior concentração de blindados do continente, com 2.000 tanques, 500 deles pesados.

Existe aqui uma clara confrontação da estrela máxima da República, segundo a Constituição — a da presidente Dilma –, com o firmamento das 276 estrelas que comandam a tropa — 14 generais de exército (quatro estrelas), 32 de divisão (três estrelas) e 62 de brigada (duas estrelas).

A estrela maior deve brilhar sobre todas as outras, nos termos da Constituição e da hierarquia militar, ou então se apaga irremediavelmente.

O grave tom de insubordinação do general Peri se constata pela data em que enviou o ofício cala-boca a seus subordinados de todo o País: 25 de fevereiro de 2014, exatamente uma semana após a entrega pela CNV de seu relatório ao ministro Celso Amorim pedindo informações às Forças Armadas.

Quatro meses depois a CNV recebeu um insolente, imprestável conjunto de 455 páginas de relatórios das FFAA que não investigam, não relatam e não respondem às perguntas objetivas e documentadas da Comissão da Verdade.

Uma nota oficial assinada pelos seis comissários da CNV definiu, em junho passado, a qualidade da maçaroca de papel sem serventia recolhida pelos oficiais-generais: “Deplorável, lamentável”, acusou a CNV.

O relatório minucioso da Comissão da Verdade relacionava, com nomes e datas, graves violações aos direitos humanos nos sete endereços mais notórios da repressão coordenada pelos militares, situados no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.

São cinco quartéis do Exército — incluindo os DO-CODI do Rio e São Paulo, os endereços mais letais da repressão, onde morreram pelo menos 81 pessoas, segundo levantamento da CNV —, uma base da Marinha e outra da Aeronáutica, com os nomes, sobrenomes, datas, depoimentos e horrores sobre nove casos de mortes sob tortura e de outros 17 presos políticos torturados. O relatório do Exército de Peri tinha 42 páginas e, como constatou o procurador Suiama, cobria uma encenação.

O Exército, descobriu o procurador, fingiu que trabalhou durante quatro meses para atender ao pedido da CNV, mas uma semana após a solicitação já cumpria uma determinação exatamente oposta de seu comandante em chefe, o general Enzo Peri.

O dúplice comportamento do comandante da corporação, de um lado chefiando uma investigação e de outro lado impondo o silêncio aos quartéis, lança um manto de dúvida sobre o objetivo real do Exército.

Na prática, o ofício cala-boca de Peri submete a CNV à zombaria pública de militares insubmissos e de generais refratários ao interesse nacional, à hierarquia e à verdade, escancarando um deboche corporativo que tripudia sobre a inteligência dos cidadãos e a própria democracia.

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23/08/2014

às 19:00 \ Política & Cia

MARCOS FAVA NEVES: É necessário reinventar o sistema de ensino superior público no Brasil

(Foto: Christian von Ameln/Folhapress)

Na USP, a ideia de privatização não faria sentido, mas cobrar mensalidades poderia ser a saída da crise financeira (Foto: Christian von Ameln/Folhapress)

UMA CONTRIBUIÇÃO AO CONSTANTE REPENSAR DA UNIVERSIDADE PÚBLICA

Por Marcos Fava Neves, professor titular de planejamento estratégico e cadeias alimentares da FEA-RP/USP

marcos-fava-nevesNeste momento, quando repensamos a universidade pública e os debates estão mais intensos, principalmente na USP, que se encontra em grave crise financeira e com perda de posições em rankings internacionais, gostaria de contribuir com esse debate com algumas sugestões, baseadas em experiências nacionais e internacionais com os setores público, privado e universidades.

Compartilho com o leitor, que receio que esteja acontecendo no ensino superior brasileiro, o mesmo que ocorreu no ensino fundamental e médio, que foi a deterioração do público e a substituição pelo sistema privado. Precisamos impedir isto.

Como o debate fica sempre muito centrado na questão da administração e do poder na universidade, em temas como eleição de reitor e representatividade das categorias em colegiados, entendo que esse tema está sendo bem coberto.

Portanto, o intuito aqui é apenas o de contribuir com ideias para somarem no debate que está acontecendo em três áreas que, às vezes, não recebem a mesma atenção: a busca pela excelência, a gestão de custos e o financiamento do sistema universitário.

1 – A busca constante pela excelência e pelos anseios da demanda pelos estudantes formados. Entendo que muitas vezes o sistema universitário necessita fortalecer e criar novas pontes com o mundo externo e com a sociedade que financia a universidade.

As universidades devem observar as oportunidades que se abrem globalmente em termos dos grandes temas de ensino, pesquisa e extensão, repensar e perguntar à demanda externa pelos estudantes formados, seja em organizações públicas ou privadas, se seus anseios estão sendo satisfeitos com a formação de nossos graduandos. Não é o que sinto hoje de nossas universidades interagindo com o mundo externo.

Cada unidade de nossas universidades deve ter seus objetivos de excelência e identificar quais as universidades mundiais que são fontes de inspiração, de busca de boas ideias, conteúdos e projetos. Nossas universidades precisam buscar inserção internacional.

Em 2013 lecionei numa grande universidade pública dos EUA, onde um terço dos estudantes era asiático, trazendo, além de recursos, o ambiente de discussão internacional.

2 – Controle de custos. Há ainda muitas atividades redundantes na universidade e certa acomodação no controle de custos. A pergunta a ser feita é: que ativos podem ser mais utilizados, quais sistemas digitais para compartilhamento, o que pode ser terceirizado, entre outros. Buscar otimização na questão de deslocamentos, gestão de frotas, de compras, etc.

Será que todas as unidades precisam ter áreas de compras, ou bastaria uma área qualificada por cada campus, licitando e comprando em conjunto, em grandes volumes? Cada unidade precisa ter carros, ou bastaria um sistema de locação por uso, baseado numa grande e bem negociada licitação? São algumas dúvidas que merecem estudo na questão dos custos.

3 – Financiamento e internacionalização. No caso da USP, a sociedade paulista delegou a autonomia na gestão de seus recursos. Dedica importante parte do orçamento de seu ICMS para as universidades públicas. Reza a boa administração que nunca deveríamos ultrapassar 80% do comprometimento deste recurso com pessoal.

A USP chegou a 105%, de maneira quase que irresponsável. Somos todos culpados, uns pela omissão, outros pela tomada de decisões que levaram a tal quadro. Na minha visão, agora não é o momento de afrontar a sociedade paulista com uma greve; afinal, a sociedade tem todo ano nos dado mais recursos em termos reais. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

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05/08/2014

às 17:00 \ Política & Cia

RICARDO NOBLAT: Retratos do autoritarismo

(Foto: Reuters)

Entre a quase expulsão de um correspondente americano do país e a demissão de uma analista por causa de um relatório que não o agradou, Lula é a face do autoritarismo (Foto: Reuters)

Publicado no excelente blog do jornalista Ricardo Noblat

Ricardo-NoblatO que tem a ver o caso da analista do banco Santander demitida na semana passada por exercer direito o seu ofício, com o caso do correspondente do The New York Times ameaçado de expulsão do Brasil em maio de 2004?

Os dois aconteceram no começo e no que poderá ser o fim do período de 12 anos de governos do PT. Foram protagonizados por Lula. E são casos exemplares da prepotência dele e de sua turma.

De volta ao futuro… Na época, pensei: o cara pirou. Só pode ser. Ou está de porre. Compreensível que tenha se sentido ofendido pela reportagem do The New York Times sobre seu gosto por bebidas alcoólicas.

Mas daí a determinar a expulsão do país de Larry Rother, correspondente do jornal mais importante do mundo? Sinto muito, era um flagrante exagero. Uma escandalosa arbitrariedade.

Foi isso o que Lula ouviu dos poucos assessores com coragem para confrontá-lo.

Um deles, durante reunião no gabinete presidencial do terceiro andar do Palácio do Planalto, sacara de um exemplar da Constituição e apontara o artigo que garantia ao jornalista o direito de permanecer no Brasil.

Então Lula cometeu a frase que postei em meu blog às 15h16 do dia 12 de maio de 2004, poucas horas depois de ela ter sido pronunciada.

Ele disse:

– Fod… a Constituição.

Foi mais ou menos isso que você leu. Um ministro que ouvira a frase reproduziu-a para um assessor. E o assessor, que trabalhara comigo durante vários anos, me telefonou contando.

Esperei durante o resto do dia o desmentido que não veio. Ainda espero. Prevaleceu a opinião sensata de Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça, que desaconselhou a expulsão por ilegal.

Impedido de consumar sua vontade, Lula tentou tirar proveito político do episódio se comportando como vítima. A Presidência da República fora ultrajada por um irresponsável jornalista estrangeiro.

Mas, generoso e obediente à lei, o presidente desculpara o malfeitor depois que ele divulgou uma nota dizendo que não tivera a intenção de ofendê-lo. Quanto ao jornal… Recusou-se a desmentir o que publicara.

A coragem que sobrou à direção do jornal faltou à direção do Santander.

Em discurso para sindicalistas em São Paulo, Lula cobrou do banco a demissão imediata da analista, autora do boletim enviado para clientes de alta renda relacionando a queda de Dilma nas pesquisas de intenção de voto com a eventual melhoria do câmbio e valorização de ações de grandes companhias.

E a cabeça da analista foi oferecida de presente a Lula.

Um ato de subserviência. Que nem de longe parece ter envergonhado Emílio Botín, presidente mundial do Santander, amigo de Lula e admirador declarado de Dilma.

“O que aconteceu é proibido, pois não se pode fazer manifestações que interfiram na decisão de voto”, cobrou Rui Falcão, presidente do PT. Botín aquiesceu: “O boletim não representa a posição do banco”.

E se o boletim tivesse afirmado o contrário?

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22/07/2014

às 18:01 \ Política & Cia

É um espanto que juristas invistam contra o Judiciário e a polícia por causa da prisão de baderneiros violentos. É um INSULTO aos democratas brasileiros que arruaceiros acusados de crimes sejam considerados “presos políticos”!

(Foto: Ernesto Rodrigues/Folhapress)

Em São Paulo, um bando de idiotas despreza as conquistas democráticas do povo brasileiro e pede a libertação de “presos políticos” inexistentes — o que há são pessoas violentas acusadas de crimes capitulados no Código Penal (Foto: Ernesto Rodrigues/Folhapress)

Estou perplexo e revoltado, como brasileiro e como democrata.

Quer dizer que uma advogada de baderneiros, ela própria baderneira e sob acusação de prática de crimes aceita PELA JUSTIÇA, se considera uma “perseguida política” e pede asilo ao consulado do Uruguai no Rio?

E o mesmo fazem dois jovens que a acompanhavam?

“Asilo político” como, cara pálida???

“Libertem nossos ‘presos políticos’ como, caras-pálidas — os palhaços que vêm se reunindo em São Paulo, portando faixas e cartazes, para “exigir” a soltura de baderneiros envolvidos em atividades criminosas, capituladas no Código Penal.

Como se o Brasil não fosse uma democracia, um Estado de Direito, com uma Constituição votada por representantes do povo, um Ministério Público que age em defesa do cumprimento da lei e um Judiciário independente e soberano?

Como se o Brasil fosse uma Cuba, uma Coreia do Norte, uma Síria?

Como se toda a luta dos brasileiros para colocar um fim a uma ditadura de 21 anos não tivesse valido nada?

Isso é uma OFENSA contra incontáveis brasileiros que lutaram pela democracia. Uma ofensa e um INSULTO!

E quem são os que inventaram ser perseguidos políticos”, santo Deus?

No Rio, essa advogada — nem vou citar o nome dela!!! — se considera uma “ativista de direitos humanos”, mas há contra elas provas levantadas pela Polícia, sustentadas pelo Ministério Público e ACEITAS PELA JUSTIÇA segundo as quais, junto a outros 22 réus, se associaram para a prática de crimes em protestos públicos, INCLUINDO DEPREDAÇÕES DE BENS PÚBLICOS E PARTICULARES E AGRESSÕES A POLICIAIS.

O grupo, conforme a denúncia que a Justiça aceitou, fabricava coquetéis molotov e outros artefatos explosivos para uso em manifestações, inclusive contra a Copa do Mundo.

Baderneiros mascarados (Foto Estadão)

Baderneiros mascarados: gente que sai à rua mascarada pode ter boa intenção? É um “manifestante” quem fabrica coquetéis molotov, depreda bens públicos e privados e investe contra agentes da lei? (Foto: Estadão)

Para espanto dos brasileiros democratas, um esquadrão de quase 100 advogados, desta vez em São Paulo, estão investindo contra a Polícia, o Ministério Público e a Justiça devido à prisão — decretada com base NA LEI — de dois “manifestantes”, integrantes dos arruaceiros violentos black blocs, por acusações inocentes e leves como as de “associação criminosa, porte ilegal de armas e incitação ao crime”, entre outros delitos.

Os advogados signatários acham que as autoridades, inclusive o Judiciário, estão “criminalizando” ativistas, “em claro vilipêndio ao direito constitucional de se reunir e de se manifestar”.

Como se dizia nos Estados Unidos nos anos 60, um liberal é um conservador que ainda não foi assaltado.

Aqui no Brasil, espero em Deus que certas pessoas — defensoras de suposto “direito à livre associação” de criminosos e arruaceiros, que desprezam o Estado de Direito e a democracia e zombam da lei e de seus agentes — não precisem perder um filho atingido por um coquetel molotov, um tiro ou um rojão (como ocorreu com o cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, morto assim em fevereiro, no Rio) para rever sua posição absurda e espantosa.

Para nenhuma surpresa, está do lado dos que criticam a repressão a criminosos travestidos de manifestantes o advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos — o mesmo que defendeu a concessão de asilo ao terrorista assassino italiano Cesare Battisti e disse que “o mensalão não existiu”.

Em compensação, o jurista Ives Gandra Martins disse o que o bom senso dita ao afirmar, sobre o caso todo:

– A polícia não está violando a Constituição, está buscando proteger a sociedade.

Mas quem de fato encerrou o assunto não foi um brasileiro — foi a cônsul do Uruguai no Rio, Myriam Fraschini Chalar.

Ela recusou receber a advogada e os dois jovens que buscavam “asilo político” informando-os que seu país reconhece o Brasil como um Estado democrático — e, por isso, não poderia conceder a medida.

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22/07/2014

às 15:00 \ Política & Cia

OLIVEIROS FERREIRA: O governo negocia com baderneiros — mas deveria saber que o Estado não recua

(Foto: VEJA.com)

Ao negociar com os baderneiros black blocs como os da foto, que deveriam ter sido autuadas pela Polícia Civil e processados pela Justiça, Gilberto Carvalho não apenas deixou claro que o poder recuou, mas que o crime pode compensar (Foto: VEJA.com)

O GOVERNO DEVERIA SABER QUE O ESTADO NÃO RECUA

Texto de Oliveiros S. Ferreira

A crise do Estado, a que me refiro com frequência, pode dar-se como explosão. Na França, o pavio foi aceso na greve da Gendarmaria sob o governo Guy Mollet. A bomba explodiu na ação dos paraquedistas na Argélia, em 1958. Depois, enfrentando outra revolta, o General De Gaulle proclamou: “O poder não recua!” ─ e venceu!

A crise pode também dar-se silenciosamente, como no Brasil de hoje, ainda que o pavio tenha sido aceso na renúncia de Jânio em 1961 e um petardo haja explodido em 1964 sem grandes efeitos: o velho edifício social e político permaneceu intocado, afora pequenas emendas para tornar sua fachada mais bonita.

Hoje, a crise, silenciosa, corrói lentamente não apenas as instituições, mas também ─ o que é mais grave ─ as mentalidades.

Muito bem. Foi um general quem disse que o poder não recua. Mas De Gaulle não era só um general; era, sim, presidente da República, eleito pelo voto popular. Sufragado para manter o Estado uno e indivisível — soberano!

No Brasil não se pensa no Estado; cuida-se do governo e de como conservar o pequeno poder que ele dá a qualquer presidente que se instale no Planalto.

Tomemos dois casos que, aparentemente desconexos, traduzem idêntica realidade.

O secretário-geral da Presidência da República resolveu parlamentar com os black blocs para tentar evitar outras manifestações no estilo que esse grupo adota. O resultado ─ afora o rolo de papel higiênico que lhe jogaram para que entrasse no Itaquerão ─ foi nulo. Mas, se somos o governo, aplaudiremos que se tenha evidenciado que respeitamos as manifestações populares, somos contra a repressão da PM de São Paulo e queremos resolver o problema com negociação civilizada.

Os black blocs pensarão diferente: o poder recuou, e podemos continuar nossa atividade, pois contaremos sempre com boa vontade!

(Foto: AFP/Getty Images)

General De Gaulle: “O poder não recua!”(Foto: AFP/Getty Images)

O fato em si, teorias à parte, é que o Poder Executivo negociou com particulares que violaram a lei e provocaram, com sua organização, não só a perturbação da ordem e do sossego públicos como danos ao patrimônio privado e público.

Ao negociar com particulares que deveriam ter sido autuados pela Polícia Civil e processados pela Justiça, o secretário-geral não apenas deixou claro que o poder recuou, mas que o crime pode compensar. Ou as ações dos black blocs não estão capituladas como crime no Código Penal?

O outro fato, talvez mais grave, pois denota quem deveria, para sua segurança, cuidar da ordem deixou-se levar pelo que hoje parece ser a moda politicamente correta: se a livre manifestação é livre, a PM que se recolha aos quartéis até que seja fundida com a Polícia Civil (e seria fundida sem hierarquia?).

Trata-se de folheto que editado por Protestos.org sob a chancela da FGV ─ veementemente repudiado por esta instituição ─ ensina aos manifestantes em geral como proceder para evitar ser identificados pela repressão e processados ─ que usem máscaras! » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

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02/07/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Vejam porque, em pleno século XXI, o Estado de Tocantins é uma capitania hereditária

"Siqueirinha" (ao microfone) em manifestação: quer ser governador, como o pai foi quatro vezes, sem ser eleito para o cargo. Coisas que acontecem em uma capitania hereditária (Foto: Jornal do Tocantins)

“Siqueirinha” (ao microfone) em manifestação: quer ser governador, como o pai foi quatro vezes, sem ser eleito para o cargo. Coisas que acontecem em uma capitania hereditária (Foto: Jornal do Tocantins)

CAPITANIA HEREDITÁRIA

Nota publicada na seção Holofote da edição impressa de VEJA

Com medo de perder, o ex-senador Eduardo Siqueira Campos (PTB) desistiu de concorrer ao governo do Tocantins, mas não de ocupar o cargo.

Ele fechou um acordo que prevê apoio à reeleição do atual governador Sandoval Cardoso (SD), que, em contrapartida, promete renunciar junto com o vice em 2018.

Quando isso acontecer, o Tocantins passará a ser comandado pelo presidente da Assembleia Legislativa. E quem será o presidente da Assembleia?

Se tudo der certo, o próprio Siqueirinha, que tentará um mandato de deputado estadual agora em outubro.

Todo o arranjo para torná-lo governador daqui a quatro anos no mandato-tampão, sem a necessidade de receber um voto sequer para o posto, foi costurado por outro Siqueira Campos, que vem a ser o pai do ex-senador e ex-governador do Tocantins.

COMENTÁRIO DO BLOG:

Até quando esse tipo de safadeza política vai poder continuar existindo impunemente “neztepaiz”? Até quando o povo continuará sendo feito de bobo, manobrado e manipulado dessa forma vil?

Tocantins parece literalmente uma capitania hereditária.

O Estado foi desmembrado de Goiás pela Constituição de 1988, por meio de uma emenda sustentada pelo então deputado goiano José Wilson Siqueira Campos, do falecido PDS, sucessor da Arena do regime militar. Ele militava há anos no movimento separatista existente no norte de Goiás e, depois de criado o Estado, tornou-se uma espécie de dono do território.

Passando por cinco diferentes partidos, foi governador QUATRO VEZES, criou do nada a capital do Estado, Palmas — despesa fabulosa, fonte de negociatas e algo inteiramente desnecessário, já que cidades era o que não faltava no novo Estado para instalar a capital –, e elegeu o filho, Eduardo, duas vezes deputado federal, prefeito de Palmas e senador.

Encerrado o mandato de Siqueirinha, o pai, na quarta passagem pelo governo, tornou-o seu secretário de Relações Institucionais, até que renunciou para candidatar-se a deputado ou senador nas eleições de outubro.

Depois de percorrer todos esses cargos, Eduardo quer se sentar na cadeira por tantos anos ocupada pelo pai — sem ser eleito para isso.

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14/05/2014

às 18:00 \ Disseram

O que faz um bom governo?

“Muito da força e eficiência de um governo, para assegurar a felicidade de um povo, depende de opinião, da opinião geral benevolente daquele governo, como também da sabedoria e integridade dos seus governantes.”

Benjamin Franklin, diplomata e autor americano, na sessão da Convenção Constitucional, em 1787

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16/04/2014

às 19:45 \ Política & Cia

Post do Leitor: FHC, no governo, foi estadista; Lula, chefe de facção

O que diferencia os dois ex-presidentes? (Fotos: Ana Araujo//Tasso Marcelo)

Fazia tempo que não acontecia, mas hoje tenho o prazer de publicar mais um Post do Leitor do amigo do blog Mauro Pereira, representante comercial em Itapeva (SP)

FHC É O FLAGELO DO LULOPETISMO

POST DO LEITORPor esses dias, tive o prazer de reler excelente artigo assinado por Carlos Alberto Sardenberg estabelecendo um comparativo entre os ex-presidentes do Brasil, General Ernesto Geisel e Luiz Inácio Lula da Silva. Com texto predominantemente didático e absoluto conhecimento do tema proposto, Sardenberg nos brindou com uma aula sobre as diferenças que tornaram Geisel e Lula iguais.

Ainda que louvando o fértil saber do articulista renomado, me permito a licenciosidade de percorrer a contramão do seu raciocínio e apontar algumas das diferenças que mantiveram Fernando Henrique Cardoso e Lula diferentes.

Talvez a única semelhança entre eles se expresse no fato de ambos terem desfrutado de dois períodos de quatro anos à frente do Executivo Federal, mas até essa igualdade, beneficiada pelo princípio da naturalidade, se esvai na decisão do então ministro da Educação, e atual prefeito de São Paulo inventado por Lula, proclamando que nem sempre o resultado de quatro mais quatro é oito.

Baseado nesse inovador conceito matemático, entendo ser perfeitamente honesto presumir que os próprios petistas se incumbiram de mantê-los diferentes, o que pode ser creditado como uma das maiores contribuições de Fernando Haddad para o enriquecimento da biografia de FHC.

As diferenças

Vou passar o mais distante possível de qualquer avaliação individualizando a produção intelectual ou a formação acadêmica, pois seria pura perda de tempo. Uma eternidade os separa. Acho menos acachapante iniciar este breve paralelo a que me propus invocando o respeito que devotaram à instituição Presidência da República.

Se FHC restituiu a esse símbolo nacional sua importância e sua dignidade depauperadas pelas passagens devastadoras de Geisel, Sarney e Collor com a postura de chefe de Estado, Lula, no entanto, o remeteu de volta àquele período sombrio vulgarizando-o com o comportamento de chefe de facção. As desigualdades poderiam muito bem ser sintetizadas apenas nesse episódio específico que por si só já seria cabal, mas o exemplo utilizado, como poderemos constatar, é só uma pequena amostragem.

Se FHC revolucionou as comunicações abrindo o caminho para a popularização do telefone, até então privilégio reservado aos ricos, e estruturou o país para ingressar na modernidade da internet que batia à porta, Lula, por sua vez, acenou com uma bolsa-banda larga que não saiu do papel e, em nome de uma estranha democratização da informação, buscou o tempo todo censurar a imprensa.

Se FHC deixou como legado os fundamentos de uma política econômica vitoriosa que derrotou a inflação estratosférica que prejudicava somente os mais pobres e cuja estabilidade propiciou a reintegração do Brasil ao convívio das nações desenvolvidas, além de garantir o retorno dos investimentos internacionais em praticamente todos os setores da produção, Lula, como contrapartida, legou à sua sucessora um buraco enorme nas contas federais que está inviabilizando a administração da presidente Dilma Rousseff e desacelerando as obras do PAC, festejadas, ressalte-se, somente nas propagandas oficiais e nos confins do Brasil Maravilha registrado em cartório, território este habitado apenas pelo lulopetismo delirante.

Se FHC, apesar de algumas derrapadas infelizes, destacando-se o advento da reeleição, que na minha opinião não deveria ter acontecido, registre-se, e a infeliz declaração de apoio à liberação do consumo da maconha, ainda assim é reconhecido até hoje por sua preocupação com os ditames constitucionais e pelo relacionamento respeitoso com os outros dois Poderes, Lula, por sua vez, ganhou notoriedade pelo pouco apego à Constituição, pelo descarado aparelhamento do Judiciário e pela determinação de suprimir o Legislativo. Se não conseguiu, andou bem próximo disso.

Se FHC se empenhou em criar uma malha de proteção social, Lula se incumbiu de instalar uma rede de servidão eleitoral.

Do comportamento humano à lisura no desempenho político

Concluindo, a diferença entre Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva se revela contundente em todos os aspectos passíveis de análise, desde o comportamento humano à lisura no desempenho político, passando pela celebração da ética até ao exercício da competência, culminando no estadista que FHC foi sem nunca ter reivindicado e que Lula, descartando-se a vassalagem, sempre quis ser sem jamais ser reconhecido.

Se FHC é criticado por seu muito ter sido pouco, Lula o contrapõe por seu pouco ter sido muito. Simplificando, é mais edificante saudar o pouco concreto e realizado do que recorrer à exuberância manipulada do muito, abstrato e malandro, que se materializa apenas no inferno improdutivo das boas intenções. Simples. Não para os petistas, é óbvio.

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