Blogs e Colunistas

Caetano Veloso

07/07/2014

às 21:30 \ Tema Livre

COPA 2014: Ao som de ‘Tieta’, seleção da Alemanha divulga vídeo de bastidores

Vídeo mostrou atletas na praia e em contato com torcedores brasileiros (Foto: DFB)

Vídeo mostrou atletas na praia e em contato com torcedores brasileiros, como é o caso do zagueiro Hummels (centro) e do meia Schweinsteiger (dir.) (Foto: DFB)

Adversária da seleção brasileira na semifinal está concentrada no litoral baiano

Do site de VEJA

A seleção alemã, adversária do Brasil na semifinal desta terça-feira em Belo Horizonte, divulgou em seu site um vídeo dos bastidores da equipe na concentração em Santa Cruz Cabrália, na Bahia.

A música escolhida como tema foi Luz de Tieta, de Caetano Veloso. Nas imagens, os jogadores alemães aparecem em clima descontraído. Em uma delas, Bastian Schweinsteiger e Lukas Podolski celebram a vitória do Brasil contra o Chile nas quartas de final com funcionários brasileiros da concentração.

Desde o início do torneio, os jogadores da equipe vêm demonstrando imensa simpatia pelo país anfitrião da Copa – alguns chegaram a posar com camisas de clubes brasileiros e escrever mensagens em português nas redes sociais.

05/03/2014

às 20:00 \ Política & Cia

J.R. GUZZO: Chegamos a um tão espantoso patamar de tolerância com a baderna que a culpa da morte do repórter cinematográfico acaba sendo dele mesmo

Santiago Andrade é culpado pelo seu assassinato, afinal, não fosse vítima, não teria crime (Foto: AFP)

Santiago Andrade, assassinado por um vândalo criminoso, no país que temos hoje acaba sendo  culpado pelo seu próprio assassinato. Afinal, se ele não fosse vítima, não teria havido crime (Foto: AFP)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

ISSO É LINDO

J. R. GuzzoA tolerância é sem dúvida uma das mais belas virtudes do ser humano e, também, uma das mais úteis — sua aplicação já salvou este mundo de uma infinidade de sofrimento, guerras e toda a coleção de misérias que só o homem tem talento suficiente para inventar.

Seu problema, como ocorre com tantas outras virtudes, é que está disponível ao público em duas versões, a legítima e a falsa. A tolerância, quando falsificada, pode passar muito rapidamente de coisa do bem a coisa do mal, ao se transformar em covardia, apatia moral e cumplicidade com o erro.

Nesses casos, em vez de agir em favor da paz, apenas serve de estímulo a quem age em favor da guerra. Poucas vezes o Brasil teve a oportunidade de viver com tanta clareza esse tipo de situação como nos dias de hoje, quando muita gente capaz dos melhores sentimentos permitiu que uma atitude legítima — a de aceitar tumultos de rua em nome do direito de expressão — degenerasse na aprovação geral de condutas doentias.

Da “compreensão” passaram para a simpatia, da simpatia para o apoio e do apoio para o incentivo aberto a ações descritas como criminosas pelo Código Penal — incluindo, ao fim da linha, o homicídio.

Os responsáveis são os de sempre — intelectuais, cidadãos apresentados como pensadores, essa nebulosa chamada “esquerda”, artistas, funcionários da área de telenovelas da Rede Globo etc. Embora a baderna só lhe cause prejuízo, o governo também fica a favor dos “manifestantes”, por oportunismo compulsivo.

A imprensa, rádio e televisão, em grande parte, se aliaram à manada: há oito meses, desde que a violência explodiu nas ruas, repetem que a grande culpada por tudo é a “brutalidade policial”, e que os atos de destruição durante as arruaças são “episódios isolados”.

Até o recente assassinato de um colega no Rio de Janeiro, o cinegrafista Santiago Andrade, a maioria dos jornalistas tinha o cuidado de chamar os agressores de “ativistas”, “militantes” etc. e nunca daquilo que realmente são.

O assassinato de Andrade, cometido por dois marginais a serviço da “nossa luta”, desarrumou a cabeça de quem tinha optado pela complacência diante da atividade criminosa praticada nas ruas contra a democracia. O que vão dizer agora?

O que já disseram é bem sabido. “O anarquismo é lindo”, opinou o compositor Caetano Veloso. A ministra Luiza Bairros, titular da área de Igualdade Racial da Presidência, falou em “agenda libertadora”.

O senador Eduardo Suplicy, do PT, disse que a violência cometida por bandos de delinquentes era “quase romântica” e motivada por “boas intenções”. O que poderia haver de romântico no assassinato de um cinegrafista?

A atriz Camila Pitanga, num desses vídeos da internet que anunciam o fim do mundo, não deu sorte: revelou seus temores de que “alguém” viesse a morrer uma hora dessas, mas quem matou foi a turma que ela julgava estar em perigo de vida.

Uma colega, no mesmo vídeo, disse que a destruição era justa porque visava a “alvos simbólicos”. Em Brasília, diante de uma tentativa do MST de invadir o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, foi à rua “negociar” com os chefes desse desatino.

Negociar o quê? Se poderiam, por gentileza, fazer o obséquio de não invadir o Supremo? Carvalho deu sua bênção à baderna. “Tem de pressionar mesmo”, disse ele. De que lado o homem está?

A OAB do Rio já deixou clara sua opção, ao anunciar a prodigiosa doutrina segundo a qual os “manifestantes” têm todo o direito de levar armas às ruas, para “defender-se da violência” policial.

O horizonte não parece promissor. Na arruaça de Brasília, houve 42 feridos; trinta eram da polícia. O marginal flagrado atacando um PM com um estilete, em São Paulo, está solto. Na verdade, após oito meses de agressão à ordem, há apenas um preso ó além dos dois assassinos de Andrade.

Mas a simpatia com a “nossa luta” continua de pé, como mostra o tratamento de celebridade dado à “ativista” Elisa Quadros, que frequenta a obscura fronteira entre o crime, a polícia e os arrabaldes de partidos nanicos da extrema esquerda. Ela exerce algum tipo de comando nos “black blocs”; também é chamada de Sininho e tida como “cineasta”, além de exercer as funções de “musa”.

A moça, entre outras coisas, sustenta que a culpa pela morte do cinegrafista foi, no fundo, dele mesmo, por não ter usado um capacete de proteção durante o quebra-quebra em que foi assassinado. Essa alucinação, acredite quem quiser, é levada a sério por muita gente — a começar pela OAB.

Lindo, não?

03/03/2014

às 16:00 \ Música no Blog

Música no Blog: “Manhã de Carnaval”, com Caetano Veloso e Luciano Pavarotti

Em 1999, Caetano Veloso participou do concerto “Pavarotti & Friends”, interpretando o clássico da MPB ”Manhã de Carnaval” (de Luiz Bonfá e Antônio Maria) ao lado de Luciano Pavarotti (1935-2007).

O concerto, realizado em Modena, cidade natal do tenor italiano, reuniu dezenas de estrelas. Entre elas, Natalie Cole, Elton John, Liza Minelli, Tracy Chapman, Stevie Wonder, Sting, Celine Dion, Lionel Richie, Gloria Estefan e Mariah Carey.

“Manhã de Carnaval”, juntamente com “Garota de Ipanema” (de Tom Jobim), são as duas músicas populares brasileiras mais tocadas no mundo.

01/02/2014

às 21:04 \ Política & Cia

Neil Ferreira: As notícias mais quentes deste século

"A 1ª notícia mais quente deste século até agora: Sir Paul McCartney, and Sir Ringo Starr, juntos no palco do Grammy 2014, quase mataram o véio aqui do coração" (fOTO: Matt Sayles / Invision / AP)

“A 1ª notícia mais quente deste século até agora: Sir Paul McCartney, and Sir Ringo Starr, juntos no palco do Grammy 2014, quase mataram o véio aqui do coração” (fOTO: Matt Sayles / Invision / AP)

Por Neil yeah yeah yeah Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

AS NOTÍCIAS MAIS QUENTES DESTE SÉCULO

Neil Ferreira

Neil Ferreira

A 1ª notícia mais quente deste século até agora: Sir Paul McCartney, a.k.a Macca, and Sir Richard Starkey, a.k.a Ringo Starr, Knights of the British Empire, (KoBE), juntos no palco do Grammy 2014, quase mataram o véio aqui do coração.

A 2ª notícia mais quente deste século: a temperatura média desta semana em São Paulo, de uns 40 graus com sensação térmica de uns 70 e tantos, que não mataram este véio que vos fala de canícula porque foi uma friagem perto da 1ª, que esquentou corações e mentes dos velhinhos da geração Flower Power, a mesma que deu um nó mais do que irônico numa campanha presidencial dos Estados Unidos.

A campanha, chupada de Henri de Bourbon, da França, não o Louis 51, que você sabe quem é, prometia aos famintos sans-culottes “Uma galinha em cada panela”, em francês, na língua alonsanfã. Na campanha , o slogan era o mesmo em inglês, eu estava lá. Os marqueteros apareceram com a tradução: “A chick em every pot”, a mesma “Uma galinha em cada panela”.

Os hippies destroçaram essa promessona, nível Miss Piggy, aqui na Banânia Mãe do Pac, Programa de Ajuda a Cuba, sendo Pai o notório Louis 51.

Com o slogan invertido, que foi parar nos noticiários de TV do fim da tarde, do horário nobre às 8h e 9h da noite, das “late news” da meia noite e os da manhã do dia seguinte, a ripongada gritava “A pot em every chick”; eu vi.

“A pot in every chick” é “Uma dose em cada galinha”, sendo “pot” uma “dose” do quer que alguém enfiasse na corrente sanguínea pra ir bater no cérebro, desde a Mary Juana, aos moranguitos (strawberries), aos brownies turbinados. “Chick” , galinha, também significava a menina enturmada (“groupie”) que dava pra todo mundo.

“Uma dose em cada galinha (cada menina)” acabou com o slogan “Uma galinha em cada panela”, com o humor e o teatro das ruas, usados como armas da revolução da inteligência. Como toda revolução da inteligência, essa também deu em nada.

“Interdit d´Interdire “, maio de 68 em Paris, acabou numa canção medíocre do Caetano Veloso, quem diria. Dany Le Rouge virou verde, Dany Le Vert, não mais barricadas na Rue de La Sorbonne, com Jean Louis Barrault como cumpanhero de lutas; verde politicamente correto, longe dos guerrilheiro das ruas. Nossos verdes, segundo meu entendimento, também não fedem nem cheiram, como se diz na cidadezinha onde nasci.

Eu me lembro das passeatas contra a guerra do Vietnã; dos “buttons” e cartazes “War is good business, invest your son”, “Guerra é bom negócio, invista seu filho” e “Oh Lee Harvey Oswald, where are you now we need you sou much” – “Oh Lee Harvey Oswald, onde você está agora que precisamos tanto de você”, este claramente contra o Presidente Lyndon Johnson.

Há nas redações um ditado interessante: “Quando um cachorro morde um homem não é notícia; quando o homem morde o cachorro é notícia”. Há outro: “Quando o cachorro balança o rabo não é notícia; quando o rabo balança o cachorro é notícia”.

O cachorro aqui mordeu o Chicão; e o rabo do cachorro aqui balançou o cachorro aqui, sob a violenta emoção que me assaltou e me domina até agora. Vimos ao vivo, eu e metade do universo, os dois Beatles remanescentes. Isso sim é que é notícia, não uma certa presidente mordendo cachorros por causa da sua foto com olheiras profundas, me lembrei do filme “Eyes Wide Shut”, “De olhos Escancaradamente Fechados” (1999, Kubrick). É o que ela deveria fazer, fechar os olhos e cair fora de fininho.

Separados há muitos anos, os dois ex-Beatles juntaram-se de “surpresa” para uma canja que colocou ajoelhados de puro êxtase meus olhos e ouvidos.

Vi ambos entrarem ao mesmo tempo, Sir Ringo vindo da esquerda do palco, lépido, feliz, nos seus mais de 70 anos e Sir Macca vindo da direita, ainda não chegado aos 70 , sob uma tempestade de aplausos das feras da música pop contemporânea e de big stars de todas artes. Até a Bruxa Japonesa do Mal Absoluto teve a cara de pau de ir à primeira fila chacoalhar seus ossos buchenwaldianos, especialmente pra me fazer uma desfeita pessoal; fez.

Esses músicos cresceram como eu envelheci: ouvindo e se perguntando o que esses caras têm que ninguém mais tem. Nem Elvis, nem Michael Jackson, nem Jagger, embora eu escute os Stones com os olho cheios d’água, cantando “She´s a rainbow” que me faz chorar por uma canção como quando era jovem.

Bob Dylan era e é o meu bardo; fantástica a “Tweeter and the Monkey Man”, que ele fez com os “Traveling Wilburys”, uma banda de gênios que durou apenas dois álbuns; perda irreparável.

Sir Ringo e Sir Macca fizeram em dueto mágico “It don´t come easy” um hino dedicado pelos ex-beatles Sires Paul, George e Lennon ao ex-Beatle Sir Ringo, para seu primeiro álbum solo, de 1972.

Era mais uma vez o humor contando uma história séria. Ao ser formada a banda que se transformaria nos Beatles pelos pouco mais que adolescentes Paul, George e Lennon, diz a lenda urbana que Paul e Lennon eram os líderes, singers song writers; George o talento musical e Ringo apenas disse “sim” quando procuravam um baterista.

Descobriu-se que Ringo deu um duro danado pra ser baterista dos Beatles, o que não é mole. É o que digo em casa cada vez que um problema duro de resolver se apresenta e ameaça os ânimos: “It dont come easy”, “Não é moleza”.

Sir Macca e Sir Ringo estão tão afinados como se tocassem juntos há 50 anos; e tocam. Por falar em 50 anos: eles gravaram uma participação no show de 50 anos de sua primeira aparição nos Estados Unidos, então apresentada no programa de Ed Sullivan. Esse show receberá o título de “A Noite que Mudou a América”; e mudou o resto do mundo.

Ofereço algumas lágrimas a “Hey Jude”, de Sir Paul, meu hino e de quem conhece o meu coração. Escrevo pra mim mesmo, eu mesmo ouço: “Hey Jude, don´t carry the world upon your shoulders”.

Não ligo a mínima se uma certa presidente torra nossos $urreais em Davos e em banquetes em Lisboa, berrando que paga suas contas. Paga, com o nosso dinheiro. Que se lixem pelo menos agora, que estou em estado de graça, amém.

01/02/2014

às 20:03 \ Disseram

Caetano Veloso, e seu palavrório abobalhado

“Só a palavra ‘rolezinho’ (…) é já uma grande beleza. (…) Os rolezinhos são a sociedade brasileira se mexendo.”

Caetano Veloso, compositor e cantor, na Folha de S.Paulo

23/11/2013

às 15:00 \ Política & Cia

PAULO CESAR DE ARAÚJO, autor da biografia proibida de Roberto Carlos: “Pá de cal em 1968″

SÃO CENSORES, SIM -- A passeata contra a guitarra elétrica (Foto: Wilman / UH / Folhapress)

SÃO CENSORES, SIM — A passeata contra a guitarra elétrica (Foto: Wilman / UH / Folhapress)

Reportagem de Paulo Cesar de Araújo, publicada em edição impressa de VEJA

PÁ DE CAL EM 1968 

O autor da biografa proibida de Roberto Carlos faz um balanço da atividade dos artistas da MPB que se mobilizaram pela censura e conclui: é o fim de um mito

A mobilização de um grupo de artistas contra biografas não autorizadas é o episódio mais constrangedor da MPB desde a chamada “passeata contra as guitarras elétricas”, em 1967. Naquele ano, na tarde de 17 de julho, astros e estrelas de nossa música saíram pelas ruas de São Paulo com palavras de ordem contra um dos símbolos do “imperialismo ianque”.

Do ato participaram nomes como Gilberto Gil, Edu Lobo, Elis Regina, Geraldo Vandré, Jair Rodrigues e Zé Kéti, além de integrantes dos conjuntos Zimbo Trio e MPB4. de bandeirinha do Brasil na mão, os artistas entoavam o Hino da Frente Única, tema do programa que apresentavam na TV Record:

“moçada querida / cantar é a pedida / cantando a canção da pátria querida / cantando o que é nosso / com o coração”.

Na época, Roberto e Erasmo Carlos, ídolos da Jovem Guarda, estavam do outro lado do ringue e procuraram manter distância dos manifestantes. “Fiquei escondido dentro de casa, debaixo da cama, porque se eu aparecesse ali eles poderiam até me linchar”, brincou Erasmo, ao recordar o episódio.

Embora fosse do grupo da MPB, Caetano Veloso não participou da passeata, guiado pela lucidez da cantora Nara Leão. “Hoje, é muito óbvio, mas na hora não tanto assim, e Nara me ajudou a compreender o absurdo daquela posição.” Segundo Caetano, que acompanhou a passeata da janela de um hotel, Chico Buarque ameaçou desfilar, mas desistiu: “Chico chegou a caminhar um pouquinho na rua. Ele deu uma idazinha rápida e saiu”.

A unidade que faltou no episódio da passeata seria conseguida mais de quatro décadas depois, na defesa de uma ideia ainda mais reacionária: a necessidade de autorização prévia e de pagamento de royalties (ou dízimos) para escrever biografas no Brasil.

“A liberdade de expressão, sob qualquer circunstância, precisa ser preservada. Ponto. No entanto…” essas frases de Djavan, o primeiro artista do Procure Saber a se manifestar sobre o tema, no início de outubro, deram a senha do que seria a atuação de todos no episódio.

O que se viu a partir daí foi uma série de justificativas frágeis, inconsistentes, algumas contraditórias, seguidas de recuos ou mudanças de tom que culminaram na saída de Roberto Carlos do grupo e em pedidos de desculpa de Chico Buarque e de perdão de Caetano Veloso.

A tese do Procure Saber foi a mesma usada por Roberto Carlos contra mim em 2007: meu livro era não autorizado e o artista não estava recebendo nenhum dividendo pela vendagem de Roberto Carlos em Detalhes.

Que um ídolo como Roberto pensasse assim já seria um absurdo. Que essa ideia fosse também abraçada por artistas de vanguarda deixou a todos perplexos. “Apenas se Chico vier a público afirmar que apoia essa causa é que isto será fato. Por enquanto, só é possível crer que estão usando o nome dele em vão”, disse, incrédulo, o jornalista Luiz Fernando Vianna.

Roberto Carlos, em um vídeo do Procure Saber: episódio constrangedor da MPB (Foto: Reprodução / Procure Saber)

Roberto Carlos, em um vídeo do Procure Saber: episódio constrangedor da MPB (Foto: Reprodução / Procure Saber)

 

O próximo a se manifestar não foi Chico, e sim Caetano Veloso, contra a pecha de censores atirada sobre eles. “Censor, eu? Nem morta!”, afirmou, embora confirmasse que se alinhava aos colegas “que submetem a liberação das obras biográficas à autorização dos biografados”.

Em seguida, Gil argumentou que, no confronto entre o interesse público e o privado, o último é que deve prevalecer — a mesma opinião, aliás, expressa na sentença do juiz Maurício Chaves de Souza Lima em liminar que proibiu minha biografa de Roberto, em 2007.

Quando Chico Buarque finalmente se manifestou, o que se viu foi mais constrangimento. Ele considerou justo as herdeiras de Garrincha receberem dinheiro pela biografa não autorizada do jogador.

“Se defende que as filhas do Garrincha recebam pelo trabalho árduo do biógrafo, já pensou em remunerá-las por ter citado o Mané junto com Pelé, Didi, Pagão e Canhoteiro? O Futebol, sua música, não tem também ‘fins comerciais’?” — perguntou o jornalista Mário Magalhães, biógrafo de Marighella, referindo-se à canção de Chico que cita todos esses jogadores.

Sem argumentos consistentes, a proposta do Procure Saber começava a fazer água. Os artistas decidiram mudar o tom, parecendo agora mais flexíveis. Isso se explicitou no dia 29 de outubro, com a divulgação de um vídeo em que afirmam querer afastar toda e qualquer hipótese de censura prévia. “Não somos censores”, diz, ali, Roberto Carlos — afirmação, porém, que se choca com o fato de sua biografa não autorizada continuar banida.

As estrelas do Procure Saber e diversos líderes políticos do Brasil fazem parte da mítica geração de 1968. Na introdução de 1968 — O Ano que Não Terminou, Zuenir Ventura diz que, embora aquela geração não tivesse conseguido realizar seu sonho de revolução total, havia deixado um importante legado: “arriscando a vida pela política, ela não sabia, porém, que estava sendo salva historicamente pela ética. O conteúdo moral é a melhor herança que a geração de 68 poderia deixar para um país cada vez mais governado pela falta de memória e pela ausência de ética”.

Bem, o livro de Zuenir foi publicado em 1988, quando o presidente era Sarney e a oposição do PT e do recém-fundado PSDB tinha a ética como uma de suas principais bandeiras. Hoje, após tantas e tenebrosas transações, esse legado da ética na política já não cola tanto na geração de 68.

A aura de resistentes e transgressores, porém, ainda pairava em torno de figuras da cultura como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Depois do episódio das biografas, essa imagem também ficou arranhada.

Nesse sentido, podemos dizer que o ano de 1968 finalmente terminou — em 2013. E, até aqui, de forma melancólica.

16/11/2013

às 19:10 \ Política & Cia

LOBÃO: Estamos na era do rebelde chapa-branca

Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso - "rebeldes chapa-branca de longa data" (Foto: Procure Saber / Divulgação)

Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso – “rebeldes chapa-branca de longa data” (Foto: Procure Saber / Divulgação)

Artigo publicado em edução impressa de VEJA

 A ERA DO REBELDE CHAPA-BRANCA

lobaoVivemos um momento histórico de uma vulgaridade, obscurantismo e insipidez sem precedentes que, por várias razões entrelaçadas, propiciou a eclosão de um personagem patético, insólito, abundante e que ficará marcado como a expressão máxima deste triste período: o rebelde chapa-branca.

Sim! É ele o protagonista em todas as rodinhas, redes sociais, botequins, universidades e passeatas. Revela-se por duas características inseparáveis: é revoltado contra o sistema e, ao mesmo tempo, chancelado por ele.

Vamos a alguns exemplos. O MST é subvencionado pelo governo, tem o respaldo do governo e, no entanto, não para de reclamar, invadir e destruir terras produtivas.

No rap, há um sem-número de rebeldes chapa-branca, mas seu ícone são os Racionais. Fazem campanha para o governo, sobem nos palanques, têm o beneplácito da mídia oficial bancada pelo governo e, mesmo assim, são revoltadíssimos contra o sistema!

No seu último videoclipe, Marighella, eles aparecem prontos para assaltar a Rádio Nacional, numa reconstituição de época, exibindo inúmeros trabucos de grosso calibre e conclamando à luta armada, incorporando aquela mímica marrenta um tanto canastrona que lhes é peculiar.

O detalhe é que eles estão no poder. Eles são o poder. Eles são a situação.

No aniversário da morte do nosso Che Guevara tupiniquim, a Comissão da Verdade comemorou a data com solenidade e deferência. Marighella pode ter arrancado a perna de uns, matado outros e lutado para implementar uma ditadura sanguinolenta no Brasil, mas os rebeldes cha­­pa-branca chancelam a festa, impõem a farsa com mão de ferro e ai de quem piar.

Na semana passada, o tal Procure Saber implodiu com a defecção do rei, deixando desnorteados Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque – rebeldes chapa-branca de longa data. O Gil acabou no comando do Ministério da Cultura, onde foi aninhando sua cria, o Fora do Eixo, que tem como ponta de lança Pablo Capilé, um rapaz que afirma ser contra o direito autoral, contra o autor, contra o livro e é pupilo de Zé Dirceu.

Tira dos artistas para entregar de mão beijada aos magnatas das redes sociais como o Google, o YouTube e o Facebook. Isso porque não estamos ainda perguntando para onde foi toda a grana que ele recebeu através das leis de incentivo à cultura. É um típico rebelde chapa-branca.

Racionais, em cena do clip "Marighella"

Racionais, em cena do clip “Marighella” — “O detalhe é que eles estão no poder. Eles são o poder. Eles são a situação”

Mas o Caetano acha “muderno” esse retrocesso estúpido e desonesto. O Chico, lá da França, assina carta de apoio ao Genoíno. São os nossos coronéis chapa-branca solando de cavaquinho.

Temos de ressaltar também a performance fulminante da presidente do Procure Saber, esta sim uma rottweiler de incontestável pedigree, Paula Lavigne. Descontrolada, vem cometendo lambança atrás de lambança, incluindo um ataque covarde à colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo.

E o que dizer de sua performance no Saia Justa com a Barbara Gancia? Há um mês, ela invadiu o meu Twitter, acompanhada por uma centena de integrantes da seita black bloc, me chamando de nazista, ex-músico, ex-Lobão, amante da ditadura, decadente (tem gente me chamando de decadente há uns trinta anos). Depois de algumas trocas de gentilezas, fui obrigado a bloqueá-la.

Uma das características dos rebeldes chapa-branca é o uso da técnica do espantalho: criam uma figura caricatural, colocam frases fora de contexto (quando não inventadas) em sua boca e tentam fazer acreditar que essa figura patética é você! Um vodu de psicopata.

Uma jornalista chapa-branca de uma revista bancada pelo governo declarou, num momento de búdica inspiração, que é a favor de fuzilamento para determinados casos (quais seriam?). É o tipo de comportamento visto com simpatia e condescendência pelo rebelde chapa-branca, pois a visão assimétrica do mundo, com um peso para duas medidas, é outra marca registrada dele.

Estou inaugurando com muito orgulho e entusiasmo minha coluna em VEJA. Não é fortuito o nosso encontro, assim como não é por acaso que se percebe a sociedade civil começando a se organizar para repensar a nossa condição atual.

Tentarei tratar dessa miséria que nos assola como se estivesse praticando um novo esporte: épater la gauche. Essa turma está imprimindo o ridículo em sua própria história. E desse vexame não escapará.

10/11/2013

às 20:09 \ Disseram

Caetano Veloso, sobre Roberto Carlos: “Apanhamos muito da mídia e das redes, ele vem de Rei”

“RC (Roberto Carlos) só apareceu agora, quando da mudança de tom. Apanhamos muito da mídia e das redes, ele vem de Rei. É o normal da nossa vida”

Caetano Veloso, tratando da questão das biografias em sua coluna dominical no jornal O Globo; dois dias depois, Roberto Carlos, por meio de seu empresário, Dodi Sirena, anunciou que se desligava da asociação Procure Saber

26/10/2013

às 12:05 \ Música no Blog

In-Edit, ótimo festival de documentários musicais realizado há cinco anos no Brasil, em andamento agora em Barcelona: verdades sonoras em tempos de Procure Saber

Cena de "Narco Cultura", um dos documentários do festival In-Edit 2013 em Barcelona (Foto: divulgação)

Cena de “Narco Cultura”, um dos documentários do festival In-Edit 2013 em Barcelona (Foto: divulgação)

Por Daniel Setti

A 11ª edição do In-Edit, festival de documentários musicais inaugurado na última quinta-feira (24 de outubro) em Barcelona e que durará até o próximo domingo (3 de novembro), traz este ano 49 filmes, exibidos em três salas de cinema do centro da cidade catalã. Palestras e entrevistas com alguns dos diretores das obras exibidas completam o programa.

Entre os destaques despontam Narco Cultura, sobre a cena musical que louva traficantes do norte do México, de Shaul Schwarz,  A Life in the Death of Joe Meek, de Howard S. Berger e Susan Stahman, a respeito do mítico produtor inglês Joe Meek (1929-1967), e uma série de curta-metragens do cineasta Dick Fontaine que enfocam jazzistas históricos como Ornette Coleman e Sonny Rollins, entre muitos outros. Como já virou costume, produções brasileiras estão representadas (em 2013, Música Serve Para Isso, de Bel Bechara e Sandro Serpa, sobre a dupla paulistana Os Mulheres Negras)

O eclético evento, sempre excelentemente curado, tornou-se uma das obrigatoriedades do calendário cultural barcelonês. Há tempos gera também repercussão mundial, com direito a expansão a três outras “filiais” anuais.

No Brasil foram realizadas, desde 2009, cinco edições em diferentes cidades – a última, em maio deste ano, incluiu São Paulo e Salvador -; Santiago do Chile possui ainda mais tradição, e atualmente prepara sua décima montagem para dezembro, com extensão à cidade de Concepción; e Berlim sediou dois In-Edit, em 2011 e 2012.

Gênero em expansão – ou não

Representantes do Procure Saber, entre os quais Carlinhos Brown, Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Fafá de Belém e CAetano Veloso, encontram com a presidente Dilma Rousseff (Foto: André Coelho - Agência O Globo)

Representantes do Procure Saber, entre os quais Carlinhos Brown, Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Fafá de Belém e Caetano Veloso, encontram com a presidente Dilma Rousseff (Foto: André Coelho – Agência O Globo)

O crescimento do interesse do público pelo gênero é nítido: segundo a produção do festival em Barcelona, desde sua fundação os resultados de bilheteria só melhoram, começando com simbólicos 1.200 cinéfilos musicais em 2003 e atingindo 31.062 no ano passado. Um sucesso que só poderia incentivar a rodagem de mais e melhores documentários baseados em música.

A lógica, porém, não necessariamente vale para o Brasil, território de centenas de personalidades, gêneros e movimentos musicais dignos de biografias decentes. Sobretudo se considerarmos a fervorosa discussão em voga no país atualmente, envolvendo a criação do grupo Procure Saber, por meio do qual figurões da MPB como Caetano Veloso, Chico Buarque e Roberto Carlos pretendem controlar quem escreve ou não suas histórias.

Muitas vezes baseados em biografias (autorizadas ou não), os melhores documentários musicais são os parentes mais próximos dos livros que repassam vida e obra dos artistas. Podem constituir em árduos trabalhos que envolvem reportagens, pesquisas e entrevistas. Segundo o raciocínio dos integrantes do Procure Saber, portanto – embora o debate não envolva diretamente produções biográficas audiovisuais -, estes filmes também deveriam priorizar a intimidade dos retratados em detrimento da abordagem jornalística.

Sendo assim, provavelmente não é casualidade o fato de que, até hoje, nenhum dos grandes cantores partidários da iniciativa tenha o seu documentário definitivo, independente, no qual iluminação artística e podres da vida pessoal dividem espaço na edição.

Bob Dylan filmado por D. A. Pennebaker no clássico "Don't Look Back" (1967) (Foto: divulgação)

Bob Dylan filmado por D. A. Pennebaker no clássico “Don’t Look Back” (1967) (Foto: divulgação)

O mesmo não pode ser dito a respeito de um sem-fim de ícones musicais de outras paragens, entre os quais Bob Dylan (retratado como o gênio que é, mas um gênio esnobe e mal-humorado em Don’t Look Back, de 1967, dirigido por D. A. Pennebaker).

Se há uma lição deste exemplo, é a de que Dylan sobreviveu intacto ao olhar cru e não complacente de Pennebaker; sua música também. E a película é, além de documento importante, uma obra-prima que, ano após ano, continua enchendo salas de festivais como o In-Edit.

25/10/2013

às 17:47 \ Política & Cia

QUEM DIRIA? Chico, Caetano, Gil e outros defensores da censura a biografias unem-se no mesmo balaio escuro de políticos como Collor e Sarney: querem negar aos brasileiros o direito à própria história

Sarney e Collor: os ex-adversários ferozes de outrora hoje cordialmente conspiram contra a liberdade de conhecermos nossa própria História

Confesso que não consigo entender como pessoas criativas e inteligentes do nível de Chico Buarque, Caetano Veloso ou Gilberto Gil não atinam para a bobagem que cometem e o mal que fazem ao país ao apoiarem o movimento que, na prática, quer censurar as biografias não-autorizadas — quer dizer, independentes — de personagens públicos.

Não é possível que eles não percebam a enormidade do prejuízo que isso, se mantido como estão os dispositivos do Código Civil que permitem à Justiça na prática impedir o lançamento desses trabalho, causará à memória do país.

É triste constatar que essas figuras notáveis da cultura brasileira, e não apenas elas, juntam-se, no mesmo balaio dos que pretendem impedir aos brasileiros o conhecimento da própria história, a figuras da pior política que temos, como os ex-presidentes e senadores José Sarney e Fernando Collor.

Não sei se vocês se lembram, mas, durante a discussão do projeto de lei complementar nº 41, de 2010, que pretendia regulamentar o acesso a “informações de interesse coletivo produzidas ou custodiadas pelo Estado”, Collor e Sarney, outrora inimigos ferrenhos, uniram-se com enorme determinação em postura favorável ao sigilo eterno de determinados documentos em poder do governo.

Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Roberto Carlos (Foto: Roberto Teixeira / Rio News :: Conteúdo Estadao :: Manuela Scarpa / Rio News :: André Muzell / AgNews)

Caetano, Gil, Chico Buarque e Roberto Carlos: no mesmo balaio escuro em que já estiveram Collor e Sarney  (Foto: Roberto Teixeira / Rio News :: Conteúdo Estadao :: Manuela Scarpa / Rio News :: André Muzell / AgNews)

Sim, é isso mesmo: sigilo eterno. Sarney citava como exemplos de informações a permanecerem para sempre secretas, entre outras, as contidas nos documentos relativos a fronteiras negociadas pelo patriota e maior diplomata da história do país, o Barão de Rio Branco (1845-1912).

Ambos defenderam ferozmente a tese de que era necessário manter eternamente secretos até documentos sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870), aos quais nem sequer historiadores de renome jamais puderam ter acesso.

O mesmo sigilo eterno sobre a vida de importantes figuras públicas vai ocorrer se vingar — mas não vingará! — o que desejam os que pensam como Chico, Caetano e Gil.

E vamos lembrar da dupla que queria censurar a história, para ficar mais constrangedora a companhia que a eles fazem esses ídolos da cultura nacional. Quando Collor, então governador de Alagoas, emergiu para a política nacional, em 1989, era o anti-Sarney: fez boa parte de sua campanha à Presidência naquele ano com críticas pesadíssimas ao então presidente, a quem em mais de uma ocasião chamou publicamente de “ladrão” e para o qual, em comícios, chegou a pedir “cadeia”.

Duas décadas mais tarde, como se nada tivesse ocorrido antes, sorridentes colegas de Senado, conspiraram juntos contra  liberdade de informação.

(Foto: passionsaving.com)

(Foto: passionsaving.com)

Sarney e Collor fizeram o possível para atrapalhar a aprovação do projeto, mas felizmente a Lei de Acesso à Informação — que, justiça se faça, foi proposta por Lula e defendida pela presidente Dilma junto ao Congresso — acabou sendo aprovada. Sarney e Collor, na ocasião, e os que estiveram ao lado de ambos na época, na prática prestavam-se a recusar aos brasileiros um direito básico, elementar, de que não se pode abrir mão de forma alguma: o direito de conhecer a própria história.

Na polêmica de agora sobre biografias, será que não passou pela cabeça de Chico, Caetano, Gil e outros, por exemplo, o buraco gigantesco que existiria sobre o acontecimento mais importante do século XX, talvez o mais importante de todos os tempos — a II Guerra Mundial –, se não pudessem ser publicadas biografias de dezenas de seus grandes protagonistas?

Como o trabalho monumental do jornalista e historiador norte-americano William Shirer (Ascensão e Queda do III Reich, que inclui, na vastidão de seus quatro volumes em português, várias biografias)? Ou as centenas de biografias de Adolf Hitler, começando pelas que são provavelmente as mais completas, a do alemão Joachim Fest e do norte-americano John Toland? Ou as inúmeras de sir Winston Churchill, do presidente Franklin Delano Roosevelt, dos generais Dwight Eisenhower, Omar Bradley, George S. Patton e dos marechais Erwin Rommel, sir Bernard Montgomery e Georgy Zhukov?

No Brasil, se fosse necessário percorrer toda a descendência do presidente Getúlio Vargas, Lira Neto poderia ter escrito os dois volumes já publicados da excelente obra Getúlio? Seria viável, nas mesmas circunstâncias, que Claudio Bojunga iluminasse uma das Presidências mais importantes da história do país com seu JK, o Artista do Impossível?

Levada a extremos a interpretação dos partidários da censura a biografias, Laurentino Gomes jamais poderia haver escrito dois livros que ajudaram muito a matar a sede dos brasileiros por conhecer o processo de formação do Brasil, como 18081822 e 1889. Já pensaram o jornalista ter que correr atrás de toda a família ex-imperial, os Orleans e Bragança, para obter autorizações a fim de contar a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, fugindo de Napoleão Bonaparte, e posteriormente a independência do país, proclamada pelo imperador Pedro I? Ou descobrir descendentes dos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, ou de figuras como Benjamin Constant, para poder narrar o surgimento da República?

A lista de temas e personagens não acaba mais.

Custa a crer que, em nome de uma suposta “privacidade” — que, se ferida, acarreta punições já previstas em lei aos responsáveis — defenda-se algo inteiramente contrário ao interesse público.

Caetano, Chico, Gil e outros — capitaneados pela produtora cinematográfica Paula Lavigne, que por sinal não corre risco algum de alguém vir a escrever sua biografia não autorizada — estão na contramão da história e da liberdade de expressão.

Suas teses surpreendentemente retrógradas não triunfarão.

 

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