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26/09/2012

às 16:42 \ Política & Cia

Lya Luft: “Estamos carentes de excelência. A mediocridade reina, assustadora, implacável e persistente”

O mérito deve ser verificado pelo empenho e resultados dos alunos, considerando uma boa educação pública - mesmo que em forma de bolsas (Foto: Tiago Lubambo)

"As infelizes cotas (...) servem magnificamente para alcançarmos a mediocrização também do ensino superior" (Foto: Tiago Lubambo)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA que está nas bancas

 

BUSCANDO A EXCELÊNCIA

Lya Luft

Lya Luft

Quando falo em excelência, não me refiro a ser o melhor de todos, ideia que me parece arrogante e tola. Nada pior do que um arrogante bobo, o tipo que chega a uma reunião, seja festa, seja trabalho, e já começa achando todos os demais idiotas. Nada mais patético do que aquele que se pensa ou se deseja sempre o primeirão da classe, da turma, do trabalho, do bairro, do mundo, quem sabe? Talento e discrição fazem uma combinação ótima.

Então, excelência para mim significa tentar ser bom no que se faz, e no que se é. Um ser humano decente, solidário, afetuoso, respeitoso, digno, esperançoso sem ser tolo, idealista sem ser alienado, produtivo sem ser viciado em trabalho. E, no trabalho, dar o melhor de si sem sacrificar a vida, a família, a alegria, de que andamos tão carentes, embora os trios elétricos desfilem e as baladas varem a madrugada.

Estamos carentes de excelência. A mediocridade reina, assustadora, implacável e persistente. Autoridades, altos cargos, líderes, em boa parte desinformados, desinteressados, incultos, lamentáveis. Alunos que saem do ensino médio semianalfabetos e assim entram nas universidades, que aos poucos — refiro-me às públicas — vão se tornando reduto de pobreza intelectual.

As infelizes cotas, contra as quais tenho escrito e às quais me oponho desde sempre, servem magnificamente para alcançarmos este objetivo: a mediocrizaçâo também do ensino superior. Alunos que não conseguem raciocinar porque não lhes foi ensinado, numa educação de brincadeirinha.

E, porque não sabem ler nem escrever direito e com naturalidade, não conseguem expor em letra ou fala seu pensamento truncado e pobre. Professores que, mal pagos, mal estimulados, são mal preparados, desanimados e exaustos ou desinteressados. Atenção: há para tudo isso grandes e animadoras exceções, mas são exceções, tanto escolas quanto alunos e mestres. O quadro geral é entristecedor.

E as cotas roubam a dignidade daqueles que deveriam ter acesso ao ensino superior por mérito, porque o governo lhes tivesse dado uma ótima escola pública e bolsas excelentes: não porque, sendo incapazes e despreparados, precisassem desse empurrão. Meu conceito serve para cotas raciais também: não é pela raça ou cor, sobretudo autodeclarada, que um jovem deve conseguir diploma superior, mas por seu esforço e capacidade, porque teve ótimos 1º e 2° graus em escola pública e ou bolsas que o ampararam.

Além do mais, as bolsas por raça ou cor são altamente discriminatórias: ou teriam de ser dadas a filhos de imigrantes japoneses, alemães, italianos, que todos sofreram grandemente chegando aqui, e muitos continuam precisando de esforços inauditos para mandar um filho à universidade.

Em suma, parece que trabalhamos para facilitar as coisas aos jovens, em lugar de educá-los com e para o trabalho, zelo, esforço, busca de mérito, uso de sua própria capacidade e talento, já entre as crianças. O ensino nas últimas décadas aprimorou-se em fazer os pequenos aprender brincando.

Cotas, ainda mais por raça ou cor, "são altamente discriminatórias: ou teriam de ser dadas a filhos de imigrantes japoneses, alemães, italianos, que todos sofreram grandemente chegando aqui, e muitos continuam precisando de esforços inauditos para mandar um filho à universidade: (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / ABr)

Cotas, ainda mais por raça ou cor, "são altamente discriminatórias: ou teriam de ser dadas a filhos de imigrantes japoneses, alemães, italianos, que todos sofreram grandemente chegando aqui, e muitos continuam precisando de esforços inauditos para mandar um filho à universidade" (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / ABr)

 

Isso pode ser bom para os bem pequenos, mas já na escola elementar, em seus primeiros anos, é bom alertar, com afeto e alegria, para o fato de que a vida não é só brincadeira, que lazer e divertimento são necessários até à saúde, mas que escola é também preparação para uma vida profissional futura, na qual haverá disciplina e limites — que aliás deveriam existir em casa, ainda que amorosos.

Muitos dirão que não estou sendo simpática.

Não escrevo para ser agradável, mas para partilhar com meus leitores preocupações sobre este país com suas maravilhas e suas mazelas, num momento fundamental em que, em meio a greves, justas ou desatinadas, projetos grandiosos e seguidamente vãos — do improviso e da incompetência ou ingenuidade, ou desinformação —, se delineia com grande inteligência e precisão a possibilidade de serem punidos aqueles que não apenas prejudicaram monetariamente o país, mas corroeram sua moral, e a dignidade de milhões de brasileiros.

Está sendo um momento de excelência que nos devolve ânimo e esperança.

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45 Comentários

  1. wabner

    -

    25/05/2014 às 12:29

    Poxa, não tocou no assunto “concursos públicos”…

  2. Alexandre T. Bueno

    -

    21/05/2014 às 21:14

    Parabéns Lya Luft, excelente reflexão. Muito obrigado!!!

  3. Alex

    -

    21/05/2014 às 21:01

    Isso é repugnante. O pior é que não vejo força com o povo. É notório que não aceitamos… mas e daí, eles fazem. Uma reforma puramente política e eleitoreira. Quem perde? o país o qual terá menos profissionais altamente preparados para o mercado (ardil)o qual não precisa de brancos ou pardos .. mas de pessoas que tenham o conhecimento para ajudar um Pais a crescer (competindo com os alemães, coreanos, japoneses, chineses, americanos – será que por ações que eles são referência? tá bom!), e não uma tentativa de corrigir erros de uma política falível e infelizmente sinonima de “brasileira”. Por que temos que continuar a ser o bobo da corte?

  4. Claudia

    -

    21/05/2014 às 15:22

    Primeiro detonaram a escola pública do ensino fundamental e médio. Agora, querem acabar com o ensino superior, criando “guetos” – os cotistas e os não cotistas. Com esse sistema de cotas, o governo só reforça sua política assistencialista – dá o peixe, em vez de ensinar a pescar. Em vez de melhorar a base para dotar os alunos dos mesmos instrumentos para concorrerem com os alunos das escolas particulares, criam uma “ponte” e facilitam seu acesso à universidade, criando uma ilusão. É lógico que esses alunos, que não tiveram a base didática adequada nos ensinos básicos não terão condições para acompanhar os cursos superiores, e o resultado é lógico – largarão, deixando vagas em aberto nos anos seguintes. Enquanto isso, jogam-se milhares de alunos nas universidades particulares, enchendo de dinheiro os bolsos de seus donos. Pergunto: será que é mesmo aos pobres que interessa essa política ou é só discurso de socialista populista? E o pior ainda vem por aí: cotas para concurso públicos.

  5. dilson carlos dal bo

    -

    20/05/2014 às 23:24

    Brilhante como sempre, Lia Luft nosso pobre pais esta nas maos de mediocres que so conseguem aumentar mas nao tem competencia para crescer. Sera que o Mercadante leu a reportagem?

  6. dilson carlos dal bo

    -

    20/05/2014 às 23:10

    Brilhante como sempre, Lia Luft nosso pobre pais esta nas maos de mediocres que so conseguem aumentar mas nao tem competencia para crescer.

  7. MARTINHO SILVEIRA

    -

    17/05/2014 às 20:44

    O resultado da loucura que o governo pratica na educação já pode ser sentido no nível medíocre de profissionais que estão chegando ao mercado de trabalho.

  8. Natanael dos santos feitoza

    -

    19/03/2013 às 10:08

    Considerando sua Empresa portadora de reais condiçoesde proporcionar – Me uma vida profissional bastante rica em conhecimento , ambiente de trabalho e realixaçao ,envio meu curriculo para apreciaçao ,na expectativa de poder integrar-me aos ‘eu quadro de funcionarios.

  9. Marcello

    -

    18/01/2013 às 22:13

    Fabio Pereira, você é uma prova inconteste da estupidez de todos os que defendem as míseras cotas, sem nenhuma exceção. Tem um raciocínio tortuoso, incoerente, sem nenhuma lógica, além de cometer erros gramaticais crassos. Senão vejamos uns poucos exemplos. Hipócrita se escreve com h e toda palavra proparoxítona é acentuada (assuntos de primeiro grau). “As cotas são prejudiciais” e não prejudicial (concordância de número). “Pesquisa do IBGE realizada” e não realizado (concordância nominal). Música leva acento agudo pois a palavra é proparoxítona. Outrossim, aprenda a pontuar corretamente suas orações, fazendo uso, ao menos, de vírgulas. Depois de aprender o que ainda não aprendeu vá refletir mais profundamente sobre um assunto e, só então, opine.

  10. Joao Carlos

    -

    08/01/2013 às 13:19

    O Brasileiro em especial é tão desprovido de autoestima que se preocupa mais com as aparências do que com a essência. O problema do ser humano, como ja foi dito antes, é ser humano. Porisso na educação, confundismo paternalismo e profissionalismo e então tratamos os jovens nas salas de aulas como idiotas e desprovidos de capacidade de aprender com as dificuldades de qualquer ofício ou desafio, quanto mais a de se formar para a vida. Mediocrisamos pela conduta no processo de ensinar, sempre confundindo os papeis entre Professor e alunos, muito embora deva ter sim sempre um feedback que motivam mutuamente o ensinar e aprender. Mas formamos pessoas despreparadas emocionalmente para o desempenho dos respectivos ofícios. Mas, felizmente ainda sou otimista, embora sofra tambem esta ansiedade, o aluno faz a escola e não a escola faz o aluno.E existem sim uma minoria que ainda resiste as medicridades e não perdem o principal, a motivação e capacidade de sonhar.

  11. Fabiana

    -

    06/01/2013 às 19:17

    Perfeito!!! bom saber que tem gente que fala o que pensa de forma coerente abrangendo diversos pontos em apenas um tema citado…Parabéns Lya

  12. janete mauricio de mello

    -

    03/01/2013 às 19:24

    Sra. Luft eu acho que a concorrência o assusta não concordar ou concordar faz parte desta sociedade que ao invés de se manifestar não faz nada para mudar, continua votando em políticos sem se quer domar conhecimento da sua vida política, então fique calado, pois é melhor do que escrever estes absurdos.

  13. Marco Antonio

    -

    30/12/2012 às 16:23

    Sra. Luft acredita ainda na superioridade ariana. Triste sinto vergonha pela senhora ser segregadora.

  14. Maurus Fiedler

    -

    14/12/2012 às 21:51

    A partir do próximo semestre, vou entregar para cada acadêmico que eu tiver e que não me venham com “trabalhinho” para compensar nota baixa em prova ou declaração de empresa para abonar falta.
    Que façam as suas escolhas e arquem com elas!

  15. Samuel

    -

    06/12/2012 às 17:42

    Nunca vi negro ser contra cotas.

    Nunca vi branco ou pardo ser a favor de cotas.

    País privada, onde cada um defende o seu PRIVILÉGIO, sem se importar com o justo.

    Cotas são o retrato do racismo.
    Você Brasileiro, NÃO CONTRATE UM COTISTA, prefira uma pessoa que se esforçou e trabalhou duro para chegar onde está !

  16. Adrienne Machado Costa

    -

    21/11/2012 às 1:19

    Olá!!

    Concordo demais com o que diz em seu texto. Aliás, como educadora, nunca tive dúvidas em relação à verdadeira intenção das cotas – nivelar por baixo. Ainda assim, tenho visto alunos cotistas deixarem as faculdades por dificuldades imensas, sobretudo, pensar e estudar. Quando vejo meus alunos de escolas públicas municipais, aqui em Goiânia, me desespero; tenho pena; tento conscientizar os pais. A solução é melhorar o nível do ensino das escolas públicas, mas DE VERDADE.

    Parabéns, Lya!!!

  17. Ricardo Menconzin

    -

    11/11/2012 às 13:44

    Discordo totalmente da senhora,
    deve haver cotas, sim!
    O Brasil tem por direito/dever ajudar o povo da classe C e D.

  18. PAMELA CRISTINA MARTINS

    -

    07/11/2012 às 0:26

    Cara, Lya.
    Gostaria que soubesse que adoro seus artigos, eles tem contribuido para minha formação academica. Concordo com suas colocações sobre educação brasileira.

  19. nico junior

    -

    04/11/2012 às 11:12

    Parabens, pela sua explanação.adorei quando diz que o melhor de todos , arrogabte e tolo.

  20. Aline Libarino

    -

    30/10/2012 às 17:11

    Esse artigo é muito interessante. Tenho uma professora que trabalha sempre com artigos da veja e esse foi um dos que mais me interessei. Muito bom fala a verdade sobre pessoas que se acham excelentes!

  21. Ithalo Iankel

    -

    19/10/2012 às 10:59

    A dificuldade do desenvolvimento do Brasil não se resolve apenas com a escolarização. O problema é bem mais vasto do que se pensa. Um exemplo disso é um filhinho de mamãe e papai de classe média alta, que é investe absurdamente na escola e não obtem os resultados satisfatórios. O problema por acaso é a cota ? NÃO !
    [ FICA A DICA ]

  22. Ithalo Iankel

    -

    19/10/2012 às 10:28

    É muito fácil sentar numa cadeira em um ambiente climatizado acompanhado de um bom café expresso e expor essas ideias que, infelizmente, não passa de uma tagarelice inconsequente, principalmente a respeito das cotas – o discurso acima é esplendido para quem nunca estudou numa escola pública. Não adianta expandir universidades por todo o Brasil, se não investimentos em sua qualidade, fato. As escolas de ensino público claro que poderiam ser as melhores em referencia de qualidade, porém as cotas jamais serão justificativas para a defasagem do ensino no Brasil. Um aluno de escola pública tem que se redobrar, triplicar para poder competir com um aluno burguês de escola escola particular.
    Concordo com o Fabio Pereira : ” Não é possível haver excelência sem haver igualdade para todos ”
    Portanto, não queiram propagandear esses pensamentos mediocres de que há condições competir com igualdade, porque NÃO HÁ.

  23. fabio pereira

    -

    10/10/2012 às 12:31

    Não é possível haver excelência sem haver igualdade para todos de acordo com a pesquisa do IBGE realizado entre 1999 a 2000 o numero de pessoas consideradas classe c que chegavam as faculdades eram insignificativos e totalmente desigual se comparado com hoje eu sei que o certo seria o governo investir na educação publica proporcionando uma disputa de igual com a rede particular mas isso levaria anos se as cotas e as bolsas nao existissem hoje, eu ate me lembraria daquela musica que fala em sua letra que o rico cada vez seria mais rico e o pobre cada vez mais pobre é como se os menos favorecidos fossem condenados a serem sempre assim.

  24. fabio pereira

    -

    10/10/2012 às 11:34

    A busca da exelência como fala o texto é mais ipocrita que as próprias justificativas de que as cotas são prejudicial ao país. digam me vocês que estudaram na escola pública é possível um aluno desta concorre de igual com um da particular eu acho muito complicado, por que conheço uma e outra, mas não foi estes atuais governos que atrasaram a escola publica não, estes estão tentando resolver o que os outros fizeram
    É praticamente impossível querer resolver um problema destes com uma simples reflexão e para finalizar quanto os que criticam eu aposto que filhos destes nunca estudaram em escolas publicas.

  25. Prado

    -

    08/10/2012 às 18:39

    Muito Bom

    rs

  26. Eder Dias Casola

    -

    06/10/2012 às 21:39

    Fantástico seu artigo. Concordo perfeitamente com sua análise.
    Estes dias estava numa sala de espera de um clínica, onde minha esposa iria passar por uns exames, e observava a quantidade de pessoas que ficam meses para serem atendidas por falta de médicos.
    Naquele momento me lebrei das malditas cotas, principalmente as raciais, e fiz alí um comentário: Ao invés do governo criar cotas, porque não criar universidades, e boas universidades, principalmente em setores que a sociedade está carente, para formarem pessoas que possam nos atender. Para mim não importa a cor do médico, o que me importa é saber se é um bom médico.
    Parabéns Srª Lya.

  27. Maria do Socorro

    -

    06/10/2012 às 18:49

    Como uma sua admiradora, sinto-me confortada,ao ler esta análise, que eu não saberia colocar tão bem. Sou mãe de um aluno que foi substituído por um que tirou menos de 50% de sua nota, aqui no Espiríto Santo , onde as cotas , ao meu ver , foram impostas de uma maneira brutal e a pouco meses do vestibular. Senti-me como, aqueles gansos, que sofrem quando lhe são “enfiados” goela abaixo uma super- alimentação para engordar o fígado e, assim, fazer o foie gras carésimo para os que podem pagar, comê-lo pagando um preço absurdamente alto.
    Sinto-me entalada até hoje mas aliviada quando vejo intelectuais como a sra., a quem admiro, pensar como eu penso.
    Se observarmos , tudo passou a ser uma mera ferramenta política, o que importa é a impressão de expansão educacional, é o volume que conta, quando o que deveria haver é uma melhora na qualidade do ensino público (para que esses alunos não se iludam) e tenham condições de competir de igual para igual.
    Acho que é uma injustiça para nós da classe média que deixamos de fazer alguma especialização, ou curso, deixamos qualquer espécie de lazer e de viagens para investirmos na educação de nossos filhos, que é caríssima para acontecer esta rasteira na hora do vestibular. Foi assim como me senti, traída, derrubada por uma grande rasteira.

  28. Edgar

    -

    03/10/2012 às 9:29

    Lya, excelente seu texto, pois traduz exatamente o que eu penso. Conheço muita gente que sai da faculdade cometendo muitos erros de português e que não possui o mínimo de cultura geral. E não estou falando de pessoas humildes, mas daquelas que sempre tiveram condições de estudo acima da média. Cada vez mais vejo funcionários “tartaruga em cima da árvore”, que estão lá em cima, mas não se sabe como subiram. Continue seu excelente trabalho Lya.

  29. JACQUELINE ROSO

    -

    29/09/2012 às 15:38

    Lia, sempre fantástica em suas colocações. Parabéns!!!

  30. camila

    -

    28/09/2012 às 22:07

    Eu seibem como é isso, tenho 16 anos e minha vida se tornou uma frustração pelo fato de eu ter que ir pra escola fazer um “H”.Todo dia vou a aula apenas para assistir filmes de pessima qualidade.

    Vejo propaganda do governo federal dizendo que a educação esta melhorando, mas aqui é que não está,
    eu tó cansada de ter que ir pra escola esperando receber conteudo e na verdade encontra professores cansados e frustrados que não estão nem um pouco afim de dar aula,e pior é que maioria dos outros alunos aprova esse tipo de situação, tenho medo do que vai acontecer quando a minha geração estiver no poder.

    Puxa vida, Camila, seu depoimento é preocupante — e mostra como você já é madura e consciente.

    Boa sorte. Espero que as coisas mudem.

    Abraços e volte sempre ao blog.

  31. EDUARDO BARBOSA CUNHA

    -

    28/09/2012 às 21:29

    A antiga Livraria Civilização Brasilçeira do Rio de Janeiro, estampava em letras garrafais o ditado que seria de autoria de Monteiro Lobato: “Quem não lê, mal fala, mal ouve , mal vê”. E não é assim? Mais, um ex-presidente que se gaba de nunca ter lido um livro e propalar a sua ignorância como razão do seu sucesso, o que se poderia esperar da educação? É essa lástima a que assistimos. Já não bastasse a completa inversão de valores sedimentada na sociedade, onde o que há de pior é divulgado as escancaras, entrevistas com pessoas sem qualquer qualificação, lastro, experiência a ser admirada, a falta de educação crônica, um vazio completo de cultura, o resultado não poderia ser outro.
    Vejamos o comentário de Claude Lévy-Strauss em Tristes Trópicos, Edições 70, às pág. 97/8, relatando a sua experiência como professor da Universidade de São Paulo, em 1935, integrante de um grupo de professores franceses convidados para a sua fundação naquele ano: “… Quanto aos nossos estudantes, queriam saber tudo; qualquer que fosse o campo do saber, só a teoria mais recente merecia ser considerada. Fartos dos festins intelectuais do passado, que de resto só conheciam de ouvido, pois nunca liam as obras originais, mostravam um entusiasmo permanente pelos novos pratos. Seria preciso, no que lhes diz respeito, falar de moda e não de cultura, idéias e doutrinas não apresentavam aos seus olhos um valor intrínseco, eram apenas considerados por eles como instrumentos de prestígio, cuja primazia tinham de obter. O fato de partilhar uma teoria, já conhecida por outros era o mesmo que usar um vestido pela segunda vez; corria-se o risco de um vexame. Em contrapartida, verificava-se uma concorrência encarniçada, com grande reforço de revistas de divulgação, periódicos sensacionalistas e manuais, com o fito da obtenção do exclusivo modelo mais recente no campo das idéias. Produtos selecionados dos “grupinhos” acadêmicos, os meus colegas e eu sentíamo-nos por vezes embaraçados: treinados para respeitarmos apenas as idéias amadurecidas, víamo-nos às voltas com os assédios de estudantes que manifestavam uma ignorância total quanto ao passado mas que mantinham sempre um avanço de alguns meses, em relação a nós, quanto à informação. Todavia, a erudição, para a qual não sentiam vontade nem tinham método, parecia-lhes, apesar de tudo, um dever; e por isso as suas dissertações consistiam sempre, fosse qual fosse o tema tratado, numa evocação da história geral da humanidade, a partir dos macacos antropóides, para terminarem, após algumas citações de Platão, Aristóteles e Comte, com uma paráfrase dum polígrafo viscoso cuja publicação tinha tanto mais valor quanto mais obscuro era e, portanto, maiores as possibilidades de não ser conhecido por mais ninguém. …” Vejam que , passados mais de 75 anos, governos e ministros de educação e cultura de todos os matizes, mudou alguma coisa? Sim, para pior! Ao invés de procurar a excelência e rigidez nas instituições de ensino federais, como exemplo a ser seguido por essas faculdades e universidades particulares, verdadeiros balcões de negócios de todo tipo, facilita-se o ingresso de qualquer um, não se exige competência, inteligência nem cultura. O importante é o diploma e acabou, mesmo que comprado como é feito, usualmente, em grande número de entidades particulares.
    Quando só havia o vestibular o funil era invertido em relação às grandes universidades do exterior. O sujeito que passava pelo lado estreito do funil, tinha garantido o seu diploma, salvo raras exceções. Porque nas universidades estrangiras o normal é aceitar todos que passam por análise de desempenho escolar e testes rígidos e exigir-se muito para o sujeito sair com um diploma delas. Por isso, são valorizadas e respeitadas.
    Agora, por aqui, não é mais um funil de acesso, é um cilindro amorfo, em que todo mundo entra, por vários subterfúgios que agride o bom senso e inteligência e, todo mundo sai bacharelado. Uma vergonha! Universidade não é para qualquer um nem para todos, essa a realidade. O resto é demagogia e hipocrisia. Coisas do tal politicamente correto! Nos países desenvolvidos a grande massa de formandos vêem de escolas técnicas para atender as necessidades das empresas.
    Inclusive, o que tínhamos que estar perseguido é que todos os bacharelados, de todas as profissões, tinham que se submeter a exames do tipo da ordem da OAB se quisessem se manter em atividade, e a cada quatro ou cinco anos teria que fazer um exame de proficiência para provar que estaria capacitado e atualizado para continuar a exercer a profissão ou não. Dessa forma, todos teriam que estudar frequentemente, para poder trabalhar em pé de igualdade com os recém formados.

  32. Eduardo Ferreira da Silva

    -

    28/09/2012 às 21:06

    Efetivamente tenho que concordar com você. Lembro-me de uma conversa informal com uma pedagoga, professora doutora da Unicamp que, na época estava em Uberlândia para conferenciar. “A cada ano que passa recebemos uma leva de alunos cada vez menos preparados para o ingresso no ensino superior”. Ela ainda disse que a universidade estava necessitando trabalhar conceitos básicos antes de realmente entrar nos conteúdos ditos superiores. Notadamente devo concordar com o trecho: “Estamos carentes de excelência. A mediocridade reina, assustadora, implacável e persistente.” Essa observação fica explícita nesta época de eleições e de candidatos medíocres. Com capacidade limitada pela falta de vontade e cultura. Esse termômetro cultural me deixa bastante preocupado. Sei que temos uma forte tendência de migração de mão-de-obra qualificada para assumir cargos relevantes no mercado interno. E, caso não façamos algo para solavancar a educação brasileira seremos, em pleno século XXI, excluídos em nosso próprio país e relegados aos serviços menos valorizados monetária e socialmente.

  33. Fernando Barros

    -

    28/09/2012 às 16:51

    Concordo inteiramente com você. Outro dia mesmo, conversando com a professora de minha filha, disse-lhe que o desenvolvimento da habilidade da leitura seria fundamental ao sucesso do processo de ensino-aprendizagem. Para facilitar o entendimento de meus argumentos, disse-lhe inexistir via de aprendizagem que não passasse, necessariamente, pela leitura. Portanto, desenvolver o hábito da leitura, a capacidade de interpretação e a habilidade para a organização das idéias, as próprias e as dos outros, seria essencial para que a criança pudesse entender o processo de criação e ser, ela própria, um dos motores da criatividade. Não sei dizer se ela, a professora, entendeu e processou, adequadamente, a minha mensagem.
    No tocante ao sistema de cotas, de fundo racial ou econômico, peço licença para fazer um adendo: trata-se, o sistema de cotas, de política assistencial e, mesmo no campo assistencial, de eficácia e mérito duvidosos. Naturalmente, as cotas implicam invasão do campo que deveria ser reservado à política educacional, notadamente ao desenvolvimento da excelência acadêmica e à premiação do mérito. O que estamos, de fato, perdendo com as cotas?
    Em primeiro lugar, perdemos o sentido da verdade, pois não é verdade que as cotas, na condição de um sistema de doação de vagas, possam resgatar a educação de qualidade perdida por quem não a teve desde os primeiros anos de escola. Quando muito, estamos diante de uma educação postiça e, por isso mesmo, ilusória, pois ele, o sistema de cotas, não devolve ao cidadão os membros que lhe foram amputados.
    Também perdemos o sentido básico de todas as coisas. O que, de fato, perdemos quando não temos acesso a uma boa educação de base? apenas a chance de ingressar numa instituição pública de ensino superior? Obviamente que não apenas isso. Ou melhor: obviamente que muito mais que isso. Perdemos a chance de desenvolver a capacidade de raciocínio, de dedução, de aprender e de criar. E isso, essas características, o sistema de cotas não devolverá a quem dele se beneficiar.
    Perdemos, por fim, a chance de dizer aos nossos jovens, especialmente às crianças, que elas importam. Que estamos, realmente, preocupados com elas e devotados ao projeto de proporcionar-lhes um futuro brilhante e feliz. Não. A mensagem que transmitimos é essencialmente negativa. Reconhecemos, com as cotas, a falência do ensino básico e médio e oferecemos passes-livres para a sessão da tarde nas universidades federais.
    Sei lá. Sinto-me estranho às idéias que vêm presidindo este nosso país.

  34. Terezinha

    -

    28/09/2012 às 14:48

    Incompetência e inflexibilidade são as marcas dos responsáveis pela educação no Brasil.Nós professores somos sempre ignorados (em todos os sentidos). O que sentimos, o que pensamos, o que sabemos, nada importa a eles que continuam com seus planos e projetos com a mesma falata de senso crítico. Desede que os rankings e metas foram instituídos, estamos assim, sendo obrigados a nivelar o ensino por baixo para que os índices sejam bons e tudo pareça lindo nos gráficos e números. Até quando teremos que suportar isso?

  35. Suzi Gonçalves Correa

    -

    27/09/2012 às 20:59

    Lya Luft sempre nos presenteia com suas palavras. Ela é a excelência em pessoa. E aprendemos muito com os temas abordados por ela.

  36. Vinicius L. Beserra

    -

    27/09/2012 às 19:35

    É impressionante como nossas elites tem o poder de detonar esse país. Nosso maior entrave para sermos uma grande potência é essa falta de pensamento reto, da falta de massa cinzenta. Poderíamos ser a maior Potência da Terra, mas o nosso loco cultura, nossos princípios e valores são um tiro na testa. Sou professor e já vi o desenho dessa tragédia a qual chamo aqui onde moro de tragédia cultural do trópico úmido se desenhando. O que será do futuro desse país, tão rico e ao mesmo tão pobre. A questão não é a quantidade de dinheiro investido na educação, mas, sim a falta de uma cultura de excelência como afirmado pela escritora. Essa cultura de desexcelência é o fruto de uma civilização imediatista que não amadureceu ainda certos processos mentais. E assim vamos escrevendo uma história de medíocridade diante de outros povos.

  37. Fernando

    -

    27/09/2012 às 16:09

    Fiquei com a sensação de que a mediocridade só diz respeito aos alunos das cotas. E como bem disse o Rafael: “é hipocrisia falar em mérito quando nem todo mundo tem um bom ponto de partida.”

  38. Heloisa Igreja

    -

    27/09/2012 às 15:49

    Querida Lia
    O seu sentimento também é o meu, tristeza profunda de ver como nosso País caminha nas mãos da mediocridade, da injustiça das cotas, vergonha
    que serviu para dividir as pessoas em negros e brancos, mais uma vez a raça negra sofre um retrocesso e perde o seu valor por aceitar as cotas, um erro não se corrige com outro erro maior. Obrigada Lia por você existir.

  39. Silvia

    -

    27/09/2012 às 11:45

    Excelente este artigo. Entendo perfeitamente por que, estou a uns 3 vestibulares tentando entrar em uma universidade publica e não consigo, sei que muitos brasileiros estão na mesma situação que eu. as vezes penso em desistir, mas vou insistir, persistir e nunca desisitir um conseguirei.

  40. Rafael

    -

    27/09/2012 às 10:35

    Esse texto é um lamento contra as cotas, mas esquece que é hipocrisia falar em mérito quando nem todo mundo tem um bom ponto de partida.

  41. Rosilda

    -

    26/09/2012 às 21:04

    Excelente artigo. Onde está a busca por excelência da nossa juventude? Aa maioria, hoje, preza mais o “status”, o andar na moda a buscar conhecimento para sua formação intelectual que deixou de ser prioridade, é apenas um detalhe. É lamentável ver os nossos jovens desperdiçando suas horas de lazer com baladas regadas a bebidas quando deveriam dedicar parte do seu tempo livre às atividades culturais. Isso tudo é retrato de uma geração que não tem visão de futuro e não vê o estudo como forma de transformação do meio em que vive.

  42. Teresinha

    -

    26/09/2012 às 19:09

    Excelente análise e fechamento.
    Se observarmos friamente, tudo passou a ser uma mera ferramenta política, o que importa é a impressão de expansão educacional, é o volume que conta, qualidade não é preocupação. Quem quiser qualidade que procure no exterior e aí uma vez mais os brasileiros comuns perderão.

  43. junior

    -

    26/09/2012 às 18:47

    ótimo artigo !

  44. selminha

    -

    26/09/2012 às 17:02

    Prezado Setti,
    Já havia lido este artigo na Veja (sou assinante), e também o considero um primor. Lya toca fundo no nosso principal problema. O país está emburrecendo.Não há mais interesse pelo conhecimento. A maior preocupação de grande parte dos estudantes universitários (UNIVERSITÁRIOS!) é passar na prova,e não aprender com consistência. E estou falando de jovens da classe média, média alta. É uma tristeza. Na sua formação profissional, eles buscam apenas as ferramentas necessárias para trabalhar, o que é importante, mas não é tudo. Falta CULTURA. Ninguém mais lê um livro que preste, ou ouve boa música. Aliás, a qualidade da música que a garotada ouve, no mundo inteiro, é um triste exemplo da deterioração de suas mentes. Não há incentivo por parte dos pais, que têm “coisas mais importantes a fazer” do que dialogar e orientar seus filhos. E como isto é importante. Orgulho-me de dizer que um de meus filhos, após começar a trabalhar, usou seus primeiros salários para comprar um piano, onde ele toca tudo que é bom, de música clássica a bossa-nova, beatles etc. Ele diz que é o seu alimento da alma.

  45. Marco

    -

    26/09/2012 às 16:59

    Dom Setti: Vou corrigir o título da Lia; Quando os talentos são um perigo tem q se burlar a excelência, de forma visível!
    Abs.

 

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