Blogs e Colunistas

24/05/2012

às 16:20 \ Política & Cia

Cobramos ética dos políticos, dos governantes, dos magistrados… Que tal falar da ética dos advogados?

Carlos Cachoeira e Marcio Thomaz Bastos (Foto: Getty Images)

O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, advogado de Carlinhos Cachoeira (que está à esquerda na foto), acena para um conhecido durante o comparecimento do malfeitor à CPI (Foto: Getty Images)

No Brasil 2012, cobra-se ética dos políticos.

Está certo, certíssimo.

Cobra-se ética dos governantes, de presidente e ministro até prefeitos de pequenas cidades.

Certíssimo.

Cobra-se ética dos magistrados.

Ótimo. Graças a Deus.

Mas que tal falar um pouco dos advogados?

Durante o depoimento que não foi depoimento de Carlinhos Cachoeira à CPI mista do Congresso que leva seu apelido, na terça-feira, 22, alguns deputados questionaram a correção ética do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos por defender, como advogado que é, o malfeitor.

Miro Teixeira: o deputado do PDT, que é advogado e aliado do governo, levantou a questão de o ex-ministro advogar para um malfeitor (Foto: oglobo.globo.com)

Um dos parlamentares que mencionou o tema não foi um inimigo do ex-ministro, nem do governo a quem ele serviu durante quatro anos, mas um importante aliado do governo lulo-petista que, não obstante, mantém independência de pensamento e de ação em vários temas: o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), ele próprio advogado de formação, além de jornalista.

Não resta a menor dúvida de que um dos princípios básicos, fundamentais, imprescindíveis de uma democracia como aquela em que pretendemos viver é conceder a qualquer réu, em qualquer instância, o direito à defesa e a um advogado.

Não se põe em questão que o ex-ministro não viola qualquer lei ao advogar para Cachoeira.

Uma discussão/reflexão saudável e necessária

O caso Márcio-Cachoeira, no entanto, se presta a algumas considerações que, normalmente, não se vê serem discutidas nos congressos da Ordem dos Advogados do Brasi (OAB), instituição, também ela, essencial à ordem democrática, com comprovados serviços prestados ao país.

A OAB é isso, mas também, inevitavelmente, guarda fortes traços de corporativismo.

No entanto, é saudável – e necessário – pelo menos REFLETIR sobre e DISCUTIR o papel, como advogados, de ex-ocupantes de cargos públicos relevantes que têm a ver com a área: ex-ministros da Justiça, ex-ministros do Supremo Tribunal Federal, ex-ministros do Superior Tribunal de Justiça, desembargadores aposentados, ex-procuradores-gerais da República – e por aí vai.

Não se quer impedir ninguém de ganhar o pão de cada dia com a profissão que conquistaram.

Influência direta ou indireta

Mas será que é correto vê-los, a todos, desfrutar de sua influência pretérita, de forma direta ou indireta, nos casos em que passam a atuar como advogados?

Há muitos escritórios que têm como sócios ministros aposentados do Supremo que advogam junto ao Supremo.

Há escritórios de filhos de ministros do Supremo que advogam junto ao Supremo.

Isso se repete nos Estados, com os tribunais de Justiça.

Não se está dizendo, aqui, que ocorrem falcatruas e maracutaias decorrentes dessas situações – mas PODEM OCORRER. Muito provavelmente ocorrem, aqui e acolá.

E aí cabe a pergunta: há transparência suficiente nessas situações?

Honorários pagos com o produto do crime. Pode?

Casos como o do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos envolvem outra questão séria, não suficientemente discutida.

Se se comprovar que Cachoeira é um criminoso, que obteve sua fortuna do crime, não será esse dinheiro – sujo – que honrará os honorários do ex-ministro?

É correto, é certo, não merece sequer DISCUSSÃO que criminosos comprovados, como traficantes de drogas, contratem advogadões caríssimos, que serão evidente e regiamente pagos com o produto do crime?

O que fazer, então? Deixar esses cidadãos sem advogado?

Não tenho a resposta aqui.

Não sei se existe resposta fácil e simples.

Advogados dativos? A OAB fixar como regra que nesses casos só se poderá cobrar a partir de uma tabela fixa, razoável? Se assim for, o dinheiro não continuará vindo do crime? Quem e como se controlará essas transações?

Perguntas que precisam ser feitas

Este post, como se vê, encerra muito mais perguntas do que respostas.

Mas, creio, são perguntas que precisam ser feitas.

E que não me venham acusar de ser contra os advogados. Eu próprio me formei em Direito, sou filiado à OAB, sou filho de um grande advogado, infelizmente já falecido, minha mulher é advogada, e sou ainda irmão, sobrinho, primo e amigo de advogados.

Ainda assim, ou por isso mesmo, insisto nas perguntas.

24/05/2012

às 15:32 \ Tema Livre

Vídeo do gol e da comemoração do Corinthians: ainda há amor à camisa

Paulinho, depois de ser abraçado pelos companheiros, vai comemorar com a torcida o gol que classificou o Corinthians (Foto: AFP)

Vejam no vídeo abaixo, da transmissão do jogo de ontem contra o Vasco, no Pacaembu, que classificou o Corinthians para a semifinal da Copa Libertadores da América como ainda pulsa ou parece pulsar, no coração de profissionais de futebol, o amor ao clube.

Feito o gol por Paulinho nos minutos finais da partida, junto à explosão da torcida, o primeiro jogador que corre para abraçá-lo, à frente dos demais companheiros de time, é o goleiro Júlio César, afastado pelo técnico Tite depois de falhas que levaram à eliminação (injusta) do Corinthians do Campeonato Paulista, diante da Ponte Preta.

Em vez de afundar de depressão no banco de reservas, o jovem goleiro vibra com o gol como se estivesse em campo.

24/05/2012

às 12:00 \ Música no Blog

Encontro de gigantes: Tony Allen, Flea e Damon Albarn e o supergrupo Rocket Juice & the Moon

Rocket-Juice-Moon

Lendas de diferentes gerações: (a partir da esquerda) Damon Albarn, Tony Allen e Flea (Foto: divulgação)

Por Daniel Setti

Na música pop, o termo “supergrupo” serve para designar as bandas cujos integrantes provêm de outras formações previamente consagradas. E não poderia haver palavra mais adequada para descrever o Rocket Juice & the Moon, combo que começou a tomar corpo em 2008, estreou ao vivo em 2011 e lançou disco homônimo em março deste ano.

Sobram superlativos nos currículos dos componentes do time: do alto de seus 71 anos, o nigeriano Tony Allen é um dos maiores bateristas vivos, reputação que criou na década de 1970, quando forjou ao lado do lendário Fela Kuti (1938-1997) o gênero batizado afrobeat; já o australiano Flea (nome de batismo: Michael Balzary), que completa 50 anos em outubro, carrega nas costas, com seu baixo indomável e performance selvagem, os grooves do quarteto californiano Red Hot Chili Peppers há quase três décadas.

Fecha o trio o inglês Damon Albarn, 44 que, desde o boom do britpop na primeira metade dos anos 1990, quando atuava à frente do Blur, se estabeleceu não apenas como dono de uma das vozes mais reconhecíveis e inimitáveis do rock, mas também como um criador inconformista, sempre saltando de um novo projeto a outro (entre os quais os ótimos Gorillaz, de estrondoso sucesso mundial, e The Good The Bad & The Queen, na companhia de Allen).

Não por acaso, foi Albarn o responsável pela concepção do Rocketjuice , já que ele, Flea e Allen começaram a trocar figurinhas durante um voo a Lagos, Nigéria, onde participariam em um de seus projetos.

Boa parte das canções de Rocket Juice & the Moon é instrumental – o que abre espaço para o suíngue de Allen e Flea -, enquanto algumas canções trazem participações especiais como a da cantora Erykah Badu. Por hora, no entanto, ficamos com a quase balada “Poison”, em registro do grupo em show realizado em Marselha, França, no ano passado. Além de bonita, a faixa se destaca por soar bastante diferente tanto de Blur, quanto de Fela Kuti e do Red Hot Chilli Peppers.

Uma pena que, por causa da agenda lota dos músicos – principalmente a de Flea, que até 2013 estará em turnê com os Chili Peppers – Rocket Juice & The Moon não tenha concertos programados para esta temporada.

(Mais sobre música neste link)

23/05/2012

às 20:34 \ Política & Cia

Estadão: Lula está “mais velho, mais sofrido — e nem por isso mais sábio”. E é “prisioneiro do ressentimento”

Na Câmara Municipal de São Paulo, onde fez novas declarações associando o mensalão a uma "tentativa de golpe", Lula exibe a Medalha Anchieta e o vereador José Américo (PT) o título de Cidadão Paulistano, ao lado da senadora Marta Suplicy (PT) (Foto: oglobo.globo.com)

Amigos, escreverei mais sobre o ressentimento de Lula ao longo desta semana, como fiz ontem. Por hoje, convido-os a ler o editorial do Estadão, em sua sempre rica, variada e inteligente seção de Opinião.

Mais velho, mais sofrido – e nem por isso mais sábio -, o ex-presidente Lula levou para a Câmara Municipal de São Paulo, onde receberia na segunda-feira o título de Cidadão Paulistano, as suas obsessões e os seus fantasmas: as elites e o mensalão.

Ao elogiar no seu discurso a gestão da prefeita Marta Suplicy, ele se pôs a desancar a “parte da elite” de cujo preconceito ela teria sido vítima “porque ousou governar para os pobres”. Marta fez os CEUs (centros educacionais unificados), exemplificou, para acolher crianças de favelas, algo inaceitável para aqueles que não querem que os outros sejam “pelo menos iguais” a eles.

O ressentimento de que Lula é prisioneiro o impede de aceitar que, numa megalópole como esta, há de tudo para todos os gostos e desgostos – e não apenas no topo da pirâmide social. Os que nele se situam, uma população que o tempo e as oportunidades de ascensão de há muito tornaram heterogênea, não detêm o monopólio do preconceito de classe.

Durante anos, até eleitores mais pobres, portadores, quem sabe, do proverbial complexo de vira-lata, refugaram a ideia de votar em um candidato presidencial que, vindo de onde veio e com pouco estudo, teria as mesmas limitações que viam em si para governar o Brasil.

Lula tampouco admite, ao menos em público, que dificilmente teria chegado lá se o destino não o tivesse levado a viver na mais aberta sociedade do País – que também abriga, repita-se, cabeças egoístas e retrógradas, mas onde o talento, o trabalho e a perseverança são os mecanismos por excelência de equalização social.

Em 1952, quando a sua mãe o trouxe com alguns de seus irmãos para cá, estava em pleno andamento, aliás, a substituição das tradicionais elites políticas paulistas por nomes que expressavam as mutações por que vinha passando desde a 2.ª Guerra Mundial o perfil demográfico da capital.

Pelo voto popular, chegaram ao poder descendentes de imigrantes e outros tantos cujas famílias, vindas de baixo, prosperaram com a industrialização, educaram os filhos e os integraram, à americana, na renovada estrutura política. O curso natural das coisas, pode-se dizer, consumou a metamorfose na pessoa do carismático torneiro mecânico pau-de-arara ungido presidente da República.

No Planalto, é bom que não se esqueça, ele vergastava as elites nos palanques e se acertava na política com o que elas têm de pior. Lula se amancebou com expoentes do coronelato do atraso, do patrimonialismo e da iniquidade – o mesmo estamento oligárquico que contribuiu para confinar à miséria incontáveis milhões de nordestinos.

Elas não lhe faltaram no transe do mensalão – “um momento”, repetiu pela enésima vez o mais novo cidadão paulistano, “em que tentaram dar um golpe neste país”.

Na sua versão da história, as elites, a oposição e a mídia só desistiram de destituí-lo de medo de “enfrentarem o povo nas ruas”.

Falso.

Lula ainda não havia completado o trajeto da contrição – “eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas” – à ameaça de apelar ao povo, quando a oposição preferiu não pedir o seu impeachment para não traumatizar o País pela segunda vez em 13 anos.

Pelo menos um dos homens do presidente, ministro de Estado, procurou os líderes oposicionistas para dissuadi-los da iniciativa.

O estopim foi o depoimento do marqueteiro de Lula, Duda Mendonça, na CPI dos Correios, em agosto de 2005. Ele revelou ter recebido em conta que precisou abrir no paraíso fiscal das Bahamas, a conselho de Marcos Valério, o publicitário que viria a ser o pivô do mensalão, a soma de R$ 10 milhões pelos serviços prestados três anos antes à campanha presidencial do petista e ao partido.

Afinal, parcela da bolada já estava no exterior e outra sairia do caixa 2 da agremiação – os famosos “recursos não contabilizados” que Lula admitiria existir na reunião ministerial que convocou para o dia seguinte da oitiva de Duda.

Tecnicamente, o PT poderia ter o seu registro cassado, e o presidente poderia ser afastado, se as elites quisessem levar a ferro e fogo o combate político.

Se conspiração houve, em suma, foi para “deixar pra lá”.

 

Leia também:

Lula delira de novo, diz que mensalão foi “tentativa de golpe” — desqualificando o procurador-geral e o Supremo –, mas ainda não explicou porque pediu desculpas aos brasileiros em 2005. Espante-se com as declarações e reveja o vídeo das desculpas

23/05/2012

às 19:41 \ Vasto Mundo

Vídeo: a grande gafe do governador da Flórida, que começa conversa com o Rei da Espanha falando de matança de elefantes. (E o Rei quer ouvir falar do diabo, mas não disso…)

Juan Carlos (dir.) e um amigo diante de um elefante morto, em 2006, em Botswana: a caçada deste ano provocou um escândalo e abalou a monarquia na Espanha

O governador republicano da Flórida, Rick Scott, tem cara, físico e jeito de astronauta — e, pelo visto, caiu direto da Lua para a audiência que manteve com o Rei da Espanha, Juan Carlos I, no Palácio de la Zarzuela, em Madri.

No vídeo abaixo, você vai ver (com legendas em espanhol) como foi. O governador entra no gabinete do Rei que, aparentemente para explicar por que não foi recebê-lo na porta, como costuma fazer com visitantes, começou a mencionar sua recente cirurgia de prótese de quadril.

A cirurgia, como se recorda, foi resultado de uma queda em Botswana, na África, onde o Rei teve a infelicíssima ideia de ir caçar elefantes em plena brutal crise econômico-financeira que assola seu país – e ainda por cima com o surgimento, na história, de uma bela princesa alemã que fazia parte de sua comitiva. O fato causou escândalo nacional, abalou os alicerces da monarquia constitucional na Espanha e levou o Rei a um inédito pedido de desculpas.

Pois bem, no Palácio, mal o rei menciona seu quadril, o governador começa a dizer que já montou em elefantes, mas nunca atirou neles. Poderia ter parado por aí, já que o Rei deu a deixa, dizendo “Governador, muito prazer” etc etc. Em seguida, porém, Scott menciona exatamente Botswana — o local do enorme embaraço do Rei — para contar o que se passou ali quando, num jipe, estava acompanhado de sua mulher, Ann, e um elefante resolveu investir contra o veículo.

Vejam o vídeo, e como o Rei tentou estoicamente fingir que não estava acontecendo nada:

23/05/2012

às 18:00 \ Política & Cia

Da série “Sem Comentários”: Copa do Mundo de 2014 no Brasil

A reforma do Maracanã está no estágio de construção de arquibancadas e camarotes (Foto: Governo do Estado do Rio de Janeiro)

 Sugestão do grande amigo do blog Marco Stefani, começo hoje uma série de posts em cujo título sempre haverá as palavras “sem comentários ” — porque nem é preciso comentar.

Começo, hoje, transcrevendo trecho de reportagem do site de VEJA sobre a Copa do Mundo de 2014 no Brasil:

“A cerca de dois anos para o início da Copa do Mundo de 2014, 41% das obras previstas para o Mundial ainda não saíram do papel.

É o que mostra balanço do governo federal divulgado nesta quarta-feira. Os dados foram atualizados até abril deste ano. Segundo o ministro do Esporte, Aldo Rebelo – o mesmo que afirmou no mês passado que os atrasos eram apenas “impressão” -, dos 101 empreendimentos previstos, apenas 5% foram concluídos.

Outros 32% estão em fase licitação ou em estágio mais incipiente, na fase de elaboração de projetos.”

Como consta do texto do site de VEJA, 41% das obras previstas para o Mundial “ainda não saíram do papel”.

Sem comentários.

23/05/2012

às 16:46 \ Vasto Mundo

Deixe a página carregar, clique em “Iniciar” e tenha uma experiência curiosa — e também assustadora — sobre o tamanho do Universo

Por Rita de Sousa

Quando esta página carregar, clique em “Iniciar” e, em seguida, use a barra deslizante na parte inferior do quadro, ou a rodinha do seu mouse, para ter uma experiência curiosa sobre o tamanho do universo – e o que conhecemos dele.

Os dados, naturalmente, são assustadores, pela imensidão inimaginável das escalas e pela constatação da pequenez ínfima do planeta em que vivemos.

Não esqueça de clicar nos objetos que aparecem.

 

You need a more recent version of Adobe Flash Player.

 

Não bastasse o aplicativo em si ser muito legal - se seu sistema operacional for compatível com flash você certamente achará impressionante -, então fique sabendo que os autores de “Escala do Universo 2″ são os garotos Cary e Michael Huang, gêmeos de 14 anos de idade, ambos alunos da sétima série em Moraga, Califórnia, nos Estados Unidos.

michael-cary-huang-escala-universo

Michael e Cary Huang: autores da escala do Universo (Foto: Arquivo pessoal)

Os irmãos tiveram como inspiração uma aula de ciências, ao assistirem a um vídeo que fazia comparação de grandezas a partir de células. O resultado, que não foi produto de tarefa escolar — para os irmãos, foi diversão –, levou um ano e meio para ficar pronto.

23/05/2012

às 15:14 \ Política & Cia

Ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, advogado de Cachoeira: delação premiada está fora de cogitação

O ex-ministro cochicha com o malfeitor, seu cliente, durante a CPI (Foto: Agência Senado)

Da Agência Senado

O advogado Márcio Thomaz Bastos afirmou que não há possibilidade de um acordo de delação premiada entre Carlinhos Cachoeira e o Ministério Público. Nesse tipo de acordo, o acusado que aceita colaborar com a investigação e revelar informações sobre outros envolvidos recebe benefícios legais, como redução da pena.

– Isso não está em cogitação – disse o ex-ministro da Justiça nesta terça-feira, 22, em entrevista após a reunião da CPI que investiga Cachoeira.

A sugestão foi feita por parlamentares durante a reunião da CPI em que Cachoeira seria ouvido. Orientado pelo advogado, como se sabe, o investigado usou o direito constitucional de permanecer calado para não produzir provas contra si e não respondeu às questões sobre a possibilidade de delação premiada feitas pelos integrantes da comissão.

Delegado licenciado da Polícia Federal, o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) afirmou que Cachoeira poderia ajudar o país a “passar a vassoura” no Congresso Nacional e na política dos estados caso aceitasse um acordo. A sugestão também foi feita pelo deputado Domingos Sávio (PSDB-MG).

– Pense na delação premiada. E que seu advogado considere isso. Nós vamos acompanhar de perto. Não havendo a delação, não poderá ser reduzida uma fração do que o senhor terá de pagar – sugeriu.

Miro questionou se não há problema ético no fato de um ex-ministro da Justiça defender um acusado perante CPI (Foto: Agência Senado)

Há problema ético em defender Cachoeira?

Questionado sobre a possibilidade de haver “problema ético” no fato de defender Cachoeira, Thomaz Bastos negou qualquer constrangimento. Durante a reunião, os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Miro Teixeira (PDT-RJ) ressaltaram o fato de o advogado ter sido Ministro da Justiça no governo Lula.

– Passei 45 anos de minha vida como advogado, fiquei quatro anos no Ministério e faz cinco anos que saí de lá. Portanto, não há nenhum impedimento – disse.

Ante o silêncio de Cachoeira na CPI, Miro Teixeira, que foi ministro das Comunicações também no governo Lula, disse esperar reencontrar Márcio Thomaz Bastos em uma “situação mais agradável”.

(…)

22/05/2012

às 20:06 \ Política & Cia

Lula delira de novo, diz que mensalão foi “tentativa de golpe” — desqualificando o procurador-geral e o Supremo –, mas ainda não explicou porque pediu desculpas aos brasileiros em 2005. Espante-se com as declarações e reveja o vídeo das desculpas

Lula, ao lado do vereador José Américo (PT), com a Medalha Anchieta e o título de Cidadão Paulistano: o ex-presidente volta ao delírio de que mensalão foi "tentativa de golpe" (Foto: abril.com.br)

O ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, que apresentou em 2006 denúncia contra os envolvidos no escândalo do mensalão ao Supremo Tribunal Federal, é um golpista.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que recebeu (aceitou) a denúncia sobre o mensalão em 2007, é um golpista.

O atual procurador-geral da República, Roberto Gurgel, é um golpista.

Os delegados e agentes da Polícia Federal que chegaram à conclusão, em inquérito, de que houve dinheiro público no escândalo do mensalão, são golpistas.

Essa é a conclusão a que se chega diante das delirantes, absurdas, espantosas declarações de Lula no final da noite de ontem, após receber o título de Cidadão Paulistano e a Medalha Anchieta na Câmara Municipal da capital.

O ex-presidente, felizmente, curou-se do câncer graças ao tratamento e à medicação que recebeu.

Agora, precisa de algo para a cabeça, sobretudo para a memória.

As declarações patéticas do ex-presidente foram divulgadas já perto da meia-noite, pela Folha On-line.

Reproduzo aqui:

Às vésperas de o STF (Supremo Tribunal Federal) julgar a ação penal do mensalão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer, nesta segunda-feira (21), que o escândalo foi uma “tentativa de golpe” contra seu governo (2003-2010).

“O PT era mais atacado do que hoje por grande parte dos políticos da oposição e por uma parte da imprensa brasileira. Na verdade, era um momento em que tentaram dar um golpe neste país”.

Lula afirmou que a oposição foi forçada a recuar diante do apoio que recebeu dos movimentos sociais. Ele também citou artistas populares como o apresentador de TV Raul Gil e o cantor e vereador Agnaldo Timóteo (PR).

“Eu disse: ‘Não vou me matar como Getúlio [Vargas] e não vou fugir obrigado como o João Goulart. Só tem um jeito de eles me pegarem aqui. É eles enfrentarem o povo nas ruas deste país.’”

O ex-presidente disse que a oposição se intimidou depois de ele receber apoio de movimentos populares em visita ao Palácio do Planalto.

“Aquilo foi a coisa que mais deixou eles com medo de continuar na luta pelo impeachment”, afirmou.

Lula discursou após receber homenagem da Câmara Municipal de São Paulo. Ele ganhou o título de cidadão paulistano e a medalha Anchieta.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Agora, sou eu de novo escrevendo.

Lula, incorrigível, procura uma vez mais borrar a história, como fazem tantos petistas. Sua memória frágil, necessitada de estímulos, apagou o famoso discurso transmitido pela TV a 12 de agosto de 2005, em que, constrangido, apalermado, abatido, sem saber para onde dirigir o olhar, levemente trêmulo, o então presidente da República declarou perante a o país que fora “traído” e mencionou “desculpas”.

Nesse discurso, gravado na Granja do Torto, em Brasília, antes de uma reunião ministerial, Lula não explicou quem o traiu — nunca explicou, aliás, e com o tempo foi ficando cada vez mais desmemoriado, esquecido completamente do assunto, a ponto de, ontem à noite, novamente haver delirado e falado em “golpe”.

A alegação da traição ficou, insiste em ficar, e continua latejando. O líder supremo do lulalato também não esclareceu até hoje, e parece que nunca o fará, porque, exatamente, pediu desculpas aos brasileiros.

Se Lula fez o discurso da traição durante o escândalo, é claro que se destinava a, de alguma forma, apresentar uma explicação ao país sobre a espantosa sucessão de bandalheiras que a cada dia vinham à tona — uma explicação frouxa, gaguejante, canhestra, reticente e vazia, mas uma explicação.

Se Lula proferiu o discurso e denunciou a traição, ocorreu naquele momento um explícito reconhecimento de que o mensalão não apenas existiu, mas teria propiciado esse seríssimo agravo ao presidente da República.

Como, depois disso, sem mais nem porquê, de repente não existiram a montanha de dinheiro, a CPI no Congresso, os depoimentos no Supremo e, sobretudo, o discurso? Tudo teria sido uma “farsa” e uma tentativa de “truncar o mandato de um presidente democraticamente eleito”, como o desmemoriado sumo sacerdote do lulalato definiria, mais de uma vez, a bandalheira?

E como fica a tão elogiada Polícia Federal e sua atuação durante o lulalato?

Bem, melhor do que tudo o que escrevi é relembrar o discurso.

É curtinho — mas altamente revelador. Revejam:

22/05/2012

às 19:58 \ Política & Cia

Atenção, amigos: o post sobre o silêncio de Cachoeira na CPI, abaixo, por falha técnica estava fechado para comentários. É um dos mais acessados hoje no blog. AGORA, VOCÊS PODEM COMENTAR. Desculpem pela mancada


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados