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02/03/2015

às 18:55 \ Política & Cia

Oposição quer levar Dirceu, Cardozo e Vaccari à CPI do petrolão

(Foto: Renato Costa/Folhapress)

CPI da Petrobras começa a se movimentar: requerimentos para João Vaccari Neto e José Dirceu, entre outros (Foto: Renato Costa/Folhapress)

Na semana em que a lista de políticos citados no petrolão será finalmente conhecida, colegiado começa a se agitar: já são mais de 200 requerimentos

Por Marcela Mattos e Gabriel Castro, de Brasília, para VEJA.com

Na semana em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai enviar ao Supremo Tribunal Federal os pedidos de investigação contra políticos citados no petrolão, a CPI da Petrobras começa a se movimentar.

Nesta segunda-feira deputados de oposição começaram a protocolar uma lista de pedidos de audiência com autoridades e executivos. Figuram entre os requerimentos os nomes do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, do tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff, Edinho Silva, além dos mensaleiros Delúbio Soares e José Dirceu. Todas essas propostas de oitiva foram apresentadas em formato de convocação – ou seja, se aprovadas, os depoentes serão obrigados a comparecer à comissão.

Até a tarde desta segunda, foram protocolados mais de 240 requerimentos à secretaria da comissão de inquérito. A próxima reunião do colegiado será na próxima quinta, quando será apresentado o plano de trabalho pelo relator, o petista Luiz Sérgio (PT-RJ), e os requerimentos já podem ser votados.

A deputada Eliziane Gama (PPS-MA) quer que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu seja convocado para explicar sua menção como um dos beneficiários do esquema. Além de ter prestado consultoria para empreiteiras envolvidas no petrolão, ele é citado pelo doleiro Alberto Youssef como um dos favorecidos pelo pagamento de propina. O líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), também pediu a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico de Dirceu nos últimos dez anos.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) pediu convocação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Como VEJA revelou, ele se encontrou com o advogado da empreiteira UTC, Sérgio Renault, e assegurou que haveria uma reviravolta nas investigações.

Há ainda requerimentos de convocação da presidente da Caixa, Miriam Belchior, e de Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como lobista do PMDB no esquema. Na lista, estão também os empreiteiros e executivos presos na operação Lava Jato, delatores do esquema como o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Yousseff, e figuras como o ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró.

Os oposicionistas pediram também a convocação de três ex-presidentes da Petrobras: José Eduardo Dutra, José Sérgio Gabrielli e Graça Foster.

O primeiro requerimento protocolado, de autoria do PSDB, pede que sejam criadas três sub-relatorias dentro da CPI: uma de sistematização, uma para gerenciar a parte operacional e outra para lidar com o núcleo político do esquema.

Estratégia petista

Embora a maioria dos pedidos tenha sido feita por parlamentares de oposição, o PT também apresentou requerimentos nesta segunda – mas, como esperado, não pediu a audiência de nenhum nome diretamente ligado ao partido. A ação segue estratégia de tentar vincular os escândalos de corrupção na estatal aos executivos e empresários, blindando a cúpula da legenda no esquema que sangrou os cofres da Petrobras.

Com documentos assinados pelo deputado Afonso Florence (PT-BA), o partido pediu a audiência – mas apenas por meio de convite, quando a presença não é obrigatória – dos ex-presidentes José Sérgio Gabrielli e Graça Foster, e também do atual chefe da Petrobras, Aldemir Bendine. Por outro lado, Florence quer a convocação do ex-gerente da estatal Pedro Barusco e do ex-diretor Renato Duque.

Em outra frente para blindar o partido, o PT também trabalha para ampliar o escopo das investigações para o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. Requerimento de Afonso Florente pede que a comissão faça uma devassa nos contratos da estatal firmados a partir de 1997. O plano original da CPI prevê apenas a apuração entre 2005 e 2015 – ou seja, nos governo Lula e Dilma, quando o assalto aos cofres da estatal foi institucionalizado.

02/03/2015

às 17:20 \ Política & Cia

Jaques Wagner diz que o Brasil precisa de tranquilidade e “paz”. Paz, sim. Mas não a dos cemitérios

(Ilusração: stockfresh.com)

(Ilustração: stockfresh.com)

Não entendi muito bem as declarações do ministro da Defesa, Jaques Wagner, a respeito das investigações da Operação Lava Jato sobre o escândalo do petrolão.

Primeiro, ele diz que a Lava Jato provocará “turbulências” — bem, a verdade é que a amostra do que temos já é uma considerável turbulência. Não há, portanto, novidade alguma em sua previsão. O que mais será que espera o ministro em matéria de “agitação” ou “desassossego”, sinônimos que o dicionário Aurélio oferece como sinônimos de “turbulência”?

Depois, porém, o ministro professoralmente disse — me lembrou de outros tempos — que o Brasil precisa de “paz e tranquilidade” para seguir adiante, para trabalhar.

O que será que se encerra nestas considerações? Que a Lava Jato é algo que perturbará a paz e a tranquilidade?

Seria então o caso de NÃO se investigar o petrolão, a roubalheira, a ladroagem que irrigou cofres de partidos políticos pró-governo com dinheiro da maior empresa brasileira, a Petrobras?

Wagner sabe muito bem que desde os filósofos gregos até encíclicas papais não se dissocia “paz” de justiça. Como se falar no conceito de “paz” coexistindo com a opressão, a iniquidade e tudo o mais que configura a injustiça?

A única paz que convive com a injustiça é a paz dos cemitérios.

E os brasileiros de bem esperam que, da Justiça — essa, com “j” maiúsculo, instituição inscrita na Constituição –, se produza algum tipo de justiça nesse escândalo descomunal.

Não mais que isso.

02/03/2015

às 16:25 \ Política & Cia

Senador Álvaro Dias diz que PSDB foi mantido de propósito fora da lista pró-CPI do HSBC, que vai assiná-la e que quer CPI também do BNDES

(Foto: Agência Senado)

Alvaro Dias: repudiando “insinuações malévolas”, lembra que assinou CPI até para investigar a suposta compra de votos durante o governo FHC, mesmo sendo senador do mesmo partido do presidente (Foto: Agência Senado)

Diante das inúmeras perguntas que vêm surgindo sobre por que senadores do PSDB não assinaram o pedido de CPI sobre as contas de brasileiros no exterior mantidas pelo banco britânico HSBC, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) diz “rechaçar e repudiar” o que chamou de “insinuações malévolas” sobre o fato, dizendo que o autor da proposição, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) não procurou nenhum senador tucano para colher sua assinatura — o que seria intencional.

Dias reagiu às críticas e rumores que circulam em certos veículos na web publicando nota em seu portal, que diz o seguinte:

“Surpreendido com a cobrança de muitos internautas que acompanham meu trabalho através das redes sociais, procurei informar-me sobre o noticiado requerimento propondo a “CPI do HSBC”.

“Soube que o autor do requerimento não o submeteu aos Senadores do meu partido. E segundo essa informação, a atitude teria sido intencional.

“Em minha trajetória política jamais me recusei a contribuir para viabilizar a instalação de qualquer CPI, instituto que considero desgastado pela maioria no Congresso Nacional, mas fundamental para que a tarefa fiscalizatória do Poder Legislativo seja cumprida com rigor.

“Muitos devem se lembrar que mesmo no governo do PSDB, assinei requerimento de instalação de CPI e sofri as consequências. [Mesmo sendo senador pelo partido, Alvaro Dias assinou o pedido de CPI para investigar a suposta “compra de votos” para favorecer a emenda constitucional que permitiu a reeleição de presidentes, governadores e prefeitos, beneficiando o então presidente Fernando Henrique Cardoso. A CPI não foi formada por falta de apoio suficiente.]

“Fui obrigado a me afastar do partido durante anos, com prejuízo eleitoral irrecuperável que comprometeu minha trajetória política.

“Por tudo isso, estou autorizado a rechaçar e repudiar insinuações malévolas que coloquem em dúvida minha conduta.

“Na próxima semana [esta semana] irei à Secretaria da Mesa do Senado pedir para assinar o requerimento, que segundo a imprensa, foi protocolado nesta sexta feira, 27.

“E continuarei cobrando as assinaturas que viabilizem a instalação da CPI BNDES. Porque não cobrar?

“Porque a maioria não deseja a CPI do BNDES?”

02/03/2015

às 14:00 \ Política & Cia

Manifesto de “intelectuais de esquerda” dóceis ao governo em “defesa” da Petrobras deixa de lado o principal — que a empresa está como está graças ao lulopetismo

(Foto: telegraph.co.uk)

(Foto: telegraph.co.uk)

VOZ DO BRASIL

O ofício intelectual não combina bem com manifestos. Dos intelectuais, espera-se o pensamento criativo, a crítica do consenso, a dissonância — não o chavão

Por Demétrio Magnoli, publicado no jornal O Globo

(Foto: O Globo)

(Foto: O Globo)

Eu sabia que eles assinariam um manifesto. Ingênuo, imaginei que, desta vez, seria um texto contra o pacote fiscal de Dilma Rousseff (culpando, bem entendido, o mordomo, que se chama Joaquim).

Contudo, eles desistiram de fingir: o inevitável manifesto, intitulado “O que está em jogo agora”, é tão oficialista como A Voz do Brasil dos velhos tempos.

Num lance vulgar de prestidigitação, o texto dos “intelectuais de esquerda”, assinado por figuras como Marilena Chaui, Celso Amorim, Emir Sader, Fabio Comparato, Leonardo Boff, Maria da Conceição Tavares e Samuel Pinheiro Guimarães, apresenta-se como uma defesa da Petrobras — mas, de fato, é outra coisa.

O ofício intelectual não combina bem com manifestos. Dos intelectuais, espera-se o pensamento criativo, a crítica do consenso, a dissonância — não o chavão, a palavra de ordem ou o grito coletivo. Por isso, eles deveriam produzir manifestos apenas em circunstâncias excepcionais.

Os “intelectuais de esquerda”, porém, cultivam o estranho hábito de assinar manifestos.

Vale tudo: crismar um crítico literário como inimigo da humanidade, condenar a palavra equivocada no editorial de um jornal, tomar o partido de algum ditador antiamericano, denunciar a opinião desviante de um parlamentar. O manifesto sobre a Petrobras é parte da série — mas, num sentido preciso, distingue-se negativamente dos demais.

A fabricação em série de manifestos é um negócio inscrito na lógica do marketing. De fato, pouco importa a substância do texto, desde que ele ganhe suficiente publicidade, promovendo a circulação do nome dos signatários.

Como os demais, o manifesto da Petrobras é uma iniciativa em proveito próprio. Mas, nesse caso, o proveito tem dupla face: além do marketing da marca, busca-se ocultar o fracasso de uma ideologia. Por isso — e só por isso! — ele merece a crítica de quem não quer contribuir, involuntariamente, com a operação mercantil dos “intelectuais de esquerda”.

Segundo o manifesto, a Operação Lava-Jato desencadeou uma campanha da mídia malvada para entregar a Petrobras, junto com nosso petróleo verde-amarelo, aos ambiciosos imperialistas.

A meta imediata da conspiração dos agentes estrangeiros infiltrados seria restabelecer o regime de concessão. Sua meta final seria remeter-nos “uma vez mais a uma condição subalterna e colonial”. A fábula, dirigida a mentes infantis, esbarra numa dificuldade óbvia: sem o aval do governo, é impossível alterar o regime de partilha.

A Petrobras não foi derrubada à lona pelo escândalo revelado por meio da Lava-Jato, que apenas acelerou o nocaute. Os golpes decisivos foram assestados ao longo de anos, pela política conduzida nos governos lulopetistas, sob os aplausos extasiados dos “intelectuais de esquerda”.

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01/03/2015

às 20:00 \ Política & Cia

BRICKMANN: Quem quer o confronto sempre perde

(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Em ato pela Petrobras, Lula pediu paz mas falou do “exército” de Stedile (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

ARMAI-VOS UNS AOS OUTROS

Notas da coluna de Carlos Brickmann publicadas em diversos jornais neste domingo

Carlos BrickmannNa lanchonete de um grande hospital, um ex-ministro petista é insultado a gritos e acaba tendo de se retirar. No Rio, onde se realizava um ato governista, um senhor de cabelos brancos, com camiseta pró-impeachment, é agredido a pontapés por manifestantes petistas. E os líderes partidários acirram as tensões.

Palavra de Lula: “Quero paz e democracia, mas também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stedile colocar o exército dele nas ruas”. Frase perigosa – no dia 15, estão marcadas manifestações contra Dilma. Será levado para a política o clima das torcidas organizadas, que marcam brigas pela Internet?

Certas coisas ficaram claras com a declaração de Lula: o MST, como sempre disseram seus adversários, não é um movimento autônomo, mas tropa auxiliar do PT; e os sem-terra não são sem-terra, mas soldados do exército de João Pedro Stedile, comandante do MST, que pode ir às ruas a chamado de Lula. Tanto os radicais que agrediram verbalmente um ex-ministro (que sempre se comportou civilizadamente) quanto Lula, é este o futuro que desejam para o Brasil?

E vamos parar de besteiras, cavalheiros, a respeito da força de cada lado. Em 1964, havia Generais do Povo (um deles, o marechal Osvino Alves, era presidente da Petrobras), havia as Ligas Camponesas de Francisco Julião, havia os Grupos dos Onze de Leonel Brizola, havia os marinheiros amotinados, e era tudo fumaça. O governo caiu sem resistência. Perderam todos, de ambos os lados.

A hora é de calma. Ninguém deve ser Tiradentes com o pescoço dos outros. 

O ganha-perde

Dos três líderes civis do movimento vitorioso contra Jango, dois foram cassados, Lacerda e Adhemar, e um, Magalhães Pinto, que sonhava ser presidente, teve de contentar-se em ser chanceler (mais tarde, perderia até seu banco). O militar que iniciou a revolta, general Mourão Filho, foi encostado.

Do lado do governo, quem mais pedia luta não chegou a lutar: muitos foram exilados, inúmeros presos, muitos torturados, vários assassinados. O líder dos marinheiros amotinados, Cabo Anselmo, jogou dos dois lados. E nada ganhou de nenhum deles. Vive na clandestinidade, é malvisto, nem fortuna amealhou. 

Quem quer o confronto sempre perde. Vence quem não estava na briga. 

Mais longe, tão perto

Alguns dos movimentos de rua mais sanguinários, como os camisas pardas nazistas e os camisas negras fascistas, nasceram do recrutamento de marginais pagos. Depois reuniram oportunistas e prepotentes. Quem os comparar com esse pessoal que recebe 50 reais, sanduíche e tubaína, estará certo. Cuidado com eles.

01/03/2015

às 19:00 \ Vasto Mundo

Anti-EUA, anti-imigrante, anti-União Europeia, estatizante: esta mulher pode ser presidente da França

(Foto: Joel Sajet/AFP)

De olho na candidatura em 2017, Marine Le Pen prega o nacionalismo de forma radical (Foto: Joel Sajet/AFP)

UNIDOS PELO NACIONALISMO

A aversão ao liberalismo e o antiamericanismo da mulher que pode se tornar a próxima presidente da França são a prova de que a direita e a esquerda se encontram nos extremos

Entrevista a Nathalia Watkins, de Estrasburgo, publicada em edição impressa de VEJA

Marion Anne Le Pen, chamada de Marine, é a favorita nas pesquisas para as eleições presidenciais de 2017 na França, com 30% das intenções de voto. Advogada de 46 anos, ela comanda o partido Frente Nacional (FN), fundado por seu pai, Jean-Marie, em 1972. Marine despacha três dias por mês em seu escritório no Parlamento Europeu, do qual é deputada, em Estrasburgo, na França.

Na entrevista a VEJA, interrompida por baforadas em um cigarro eletrônico, ela se mostrou fortemente estatizante, antiamericana, protecionista e nacionalista. Embora situe no espectro de oposição à FN os políticos de esquerda (entre os quais os chavistas venezuelanos e os gregos do Syriza), ela não consegue esconder sua admiração por eles.

Podemos chamá-la de líder da extrema direita francesa?

A Frente Nacional não é um partido de extrema direita. Somos uma organização patriota, que preza o Estado-nação, o nacionalismo econômico, a independência diplomática em relação aos Estados Unidos e defende uma imigração controlada.

Na França, a direita e a esquerda desenvolveram uma mesma e frouxa política. São responsáveis pelos mesmos números elevados de imigração. Por isso, a divisão entre esquerda e direita aqui não existe. É uma miragem. A verdadeira separação é aquela entre os que defendem a nação, como nós, e os que, em benefício do comércio global, advogam o desaparecimento das nações, a abolição das fronteiras e o fim das identidades nacionais.

O atentado à redação do Charlie Hebdo, em Paris, fortaleceu o seu movimento?

Os atentados não tiveram vencedores. Só perdedores. O certo é que nós fomos os únicos que há muito tempo advertimos que tudo o que estava sendo feito no país só aumentava o poder do fundamentalismo islâmico e punha em risco nossa segurança interna.

A senhora é favorita nas pesquisas de intenção de voto para o pleito de 2017. Qual seria sua primeira medida como presidente da França?

Devolver aos franceses seus direitos, sua soberania. Hoje, com a União Europeia (UE), nossos direitos foram retirados. Não controlamos nossas fronteiras. Nosso orçamento e nossas leis são inferiores àqueles impostos pelos tecnocratas europeus. Quero o poder para devolvê-lo ao povo. Para isso, pretendo organizar um referendo sobre a saída da UE, que é um modelo totalitário.

Que dados justificariam a saída da França da UE?

Um dos continentes mais ricos do mundo está falido. Isso começou com o euro. O desemprego e a pobreza explodiram. Nossas economias estão em crise. As políticas de austeridade criaram um sofrimento imenso. Hoje a UE é sinônimo de guerra. O conflito na Ucrânia, as disputas em Kosovo, a luta econômica que coloca os povos uns contra os outros e elimina direitos sociais. Isso criou o que chamo de “dumping social”, que agora se torna também ambiental e monetário.

O que é exatamente o “dumping social”?

É a eliminação dos direitos sociais locais que exacerba a concorrência entre os trabalhadores, produzindo um efeito do qual apenas algumas multinacionais se aproveitam.

Não foi justamente o fim dos nacionalismos e do protecionismo econômico, dois pilares da UE, que garantiu tantas décadas de paz na Europa?

Isso é uma grande mentira. Foi a paz que permitiu a construção da UE, e não o contrário.

Então o que produziu a paz, em sua opinião?

Foram a vontade das nações e o aprendizado com os erros das guerras do passado que evitaram novos conflitos. Na Ucrânia, o que está acontecendo hoje é resultado da influência americana. Para defenderem seus interesses, os Estados Unidos mostrara­m-se dispostos a lançar uma guerra no seio da Europa depois de terem feito o mesmo por todo o Oriente Médio.

O que a senhora acha da coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos, para combater o Estado Islâmico (Isis)?

A França está indo atrás dos americanos, que estão deslegitimados naquela parte do mundo. Eles são responsáveis pelo desequilíbrio da região, pela ascensão do Isis e do fundamentalismo islâmico. Quero a França com uma diplomacia independente. Antes, tínhamos reputação e influência. Isso foi perdido. Estamos submissos à diplomacia americana. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

01/03/2015

às 18:02 \ Política & Cia

José Serra informa que não assinou pedido de CPI sobre o HSBC porque não foi procurado — e só soube pelos jornais que o número necessário de assinaturas fora atingido. Outros senadores tucanos também

(Foto: Bobby Yip/Reuters)

(Foto: Bobby Yip/Reuters)

O senador e ex-presidenciável José Serra (PSDB-SP) me informou hoje porque ele e outros senadores tucanos não assinaram o pedido de CPI para investigar a atuação do banco britânico HSBC de supostamente acobertar mais de 6 mil contas bancárias de brasileiros no exterior, eximindo-os de comprovar a origem dos recursos ou de pagar obrigações fiscais.

– Eu não fui procurado para assinar apoio a essa CPI — disse Serra. — E, pelo que me disse o líder da bancada do PSDB no Senado, Cassio Cunha Lima (PB), nenhum dos outros senadores tucanos foi procurado. Nem ele, nem Tasso [Jereissati, PSDB-CE], Aécio [Neves, PSDB-MG], presidente do partido]ou Aloysio [Nunes Ferreira, PSDB-SP].  Aliás, eu soube do requerimento da CPI depois que os jornais publicaram que já tinha numero suficiente de assinaturas”

Serra (à dir.) com o senador Aloysio Nunes Ferreira: nenhum senador tucano foi procurado para apoiar pedido de CPI, e ele próprio não sabia nem que estava sendo feita uma coleta de assinaturas (Foto: Moreira Mariz/Agência Senado)

Serra (à dir.) com o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP): nenhum senador tucano foi procurado para apoiar pedido de CPI, e ele próprio não sabia nem que estava sendo feita uma coleta de assinaturas (Foto: Moreira Mariz/Agência Senado)

A iniciativa de propor a CPI foi do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que recolheu 32 assinaturas de apoio para viabilizar o grupo de investigação.

O novo escândalo surgiu a partir das revelações do especialista em informática do HSBC Hervé Falciani, que tornou pública a atuação irregular do banco. De acordo com ele, entre as milhares de contas suspeitas da instituição financeira, 6.606 delas são controladas por brasileiros e movimentaram cerca de 7 bilhões de dólares só entre o período de 2006 e 2007.

01/03/2015

às 17:00 \ Bytes de Memória

PARA AMENIZAR UM POUCO TANTO ASSUNTO PESADO: Ruy Castro não conseguiu fazer a barba no barbeiro de Sevilha. Eu cortei o cabelo lá

"O Barbeiro de Sevilha", de Rossini, apresentado pela Companhia Brasileira de Ópera

“O Barbeiro de Sevilha”, de Rossini, apresentado no Brasil pela Companhia Brasileira de Ópera

Post publicado originalmente a 24 de março de 2011

Meu querido amigo Ruy Castro publicou o seguinte e delicioso texto na Folha de S. Paulo dia 6 de novembro de 2010:

“A uma lua de 40º

A montagem de O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, pela Companhia Brasileira de Ópera, dirigida pelo maestro John Neschling, em São Paulo, pode me redimir de uma frustração sofrida em julho último, quando, por circunstâncias, vi-me justamente em Sevilha, linda cidade da Andaluzia, na Espanha, e achei que seria engraçado fazer a barba com um legítimo barbeiro de Sevilha.

No que me decidi, toca a procurar nas ruas uma barbearia — e era lícito supor que o que não faltasse em Sevilha fossem barbearias, daquelas tradicionais, com três ou quatro cadeiras e um barbeiro de prontidão na porta do estabelecimento, tesoura e pente no bolso do jaleco branco. Mas, neca. Durante uma tarde inteira, a uma lua de 40ºC, subi e desci calles, paseos e carreteras, perguntei em bancas de jornais, consultei mapas — e nada.

Na busca de um barbeiro em Sevilha — qualquer um servia –, varejei os lugares que nosso cônsul João Cabral de Melo Neto palmilhou nos anos 50 e 60 e transformou em poesia: “A cidade mais bem cortada/ que vi, Sevilha;/ cidade que veste o homem/ sob medida”. Aliás, numa das ruas, julguei reconhecer a mulher que ele descreveu como “carne do campo de Sevilha;/ carne de terra adentro,/ carnal, jamais marisca”. Só não achei o barbeiro.

Nos dias seguintes, invadindo propriedades particulares, embarafustei-me pelos pátios em que Buñuel fez Angela Molina seduzir e torturar Fernando Rey em Esse Obscuro Objeto do Desejo (1977), filmado lá. Em vão. Inconformado, contornei a Giralda e o Alcázar, explorei os arredores de catedrais góticas e cristãs, revirei a cidade — e nem um único barbeiro em Sevilha.

Bem, à falta do original, sempre restará o de Rossini, não? Ou quem sabe não será por isso mesmo que os barbeiros debandaram de Sevilha? Para não ser importunados o ano todo por turistas com humor de ópera bufa?”

Fui cobrir a Copa de 1982 na Espanha

Agora volto eu: jornalista é tudo igual. Tive a mesma idéia de Ruy quando, encarregado de chefiar a equipe de VEJA que foi cobrir a Copa do Mundo de futebol de 1982, na Espanha, passei quase um mês em Sevilha acompanhando aquela Seleção inesquecível de Telê Santana com Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e outros grandes craques.

A Seleção primeiro passou uns dez dias em Portugal, para se aclimatar ao verão europeu — embora, ironicamente, fizesse um frio danado quando o Boeing da Varig aterrissou no Aeroporto Portela de Sacavém, em Lisboa. Fui conferir na torre de controle e os termômetros lá marcavam 14,3 graus.

Encerrados os treinamentos em Portugal, o avião fretado levou a Seleção e alguns jornalistas que pagaram pela viagem — inclusive eu — diretamente a Sevilha, sem passar por Madri. A partir daí, trabalhei como operário de mina de sal, sem folgar um único dia, ao lado de dois dos maiores fotógrafos brasileiros, na época em VEJA: Pedro Martinelli, o “Pedrão”, e Ricardo Chaves, o “Kadão”. Contarei a história dessa cobertura em um futuro post.

Enfim, um dia só para flanar

O fato é que, depois de quase um mês em Sevilha, sob um calor inacreditável — o bafo do Saara atravessa o Mediterrâneo e castiga a região espanhola da Andaluzia no verão –, que às vezes chegava a 44 ou 45 graus e fazia a Seleção treinar à noite, mas ainda com plena luz, a delegação embarcou bem cedo para Barcelona, onde não teria programação naquele dia.

Cupom fiscal da barbearia Victorio: o barbeiro de Sevilha existe

Meus dois companheiros fotógrafos decidiram ir também para Barcelona. Exausto por não ter tido um dia, uma manhã, uma tarde de folga, resolvi, porém, só viajar no dia seguinte, refrescar a cabeça e enfim fazer o que não pudera até então: prestar atenção na esplêndida, luminosa cidade.

Dei um grande passeio a pé pela magnífica terra natal de Trajano, o primeiro imperador romano a não nascer em Roma, flanei à beira do rio Guadalquivir, que atravessa Sevilha, apreciei do lado de fora a plaza de toros mais linda do mundo — La Maestranza, do século XVIII –, visitei o belíssimo bairro da Judería, entrei rapidamente na impressionante catedral gótica onde estaria o túmulo de Colombo, almocei muito bem e… resolvi cortar o cabelo num barbeiro de Sevilha.

A prova está aí acima: foi na Peluquería Victorio, na calle Carlos Cañal, número 5, e custou 800 pesetas, algo como 7 dólares à época.

Mas barba, como queria o Ruy Castro, acabei não fazendo.

01/03/2015

às 15:00 \ Política & Cia

MAÍLSON DA NÓBREGA: A menos que apareçam novos fatos, não é uma boa ideia procurar o impeachment de Dilma

(Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

Dilma está perdendo popularidade e tem escândalos de sobra, mas continua com maioria no Congresso (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

SOBRE O IMPEACHMENT

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

Conversas e especulações sobre um eventual impeachment de Dilma aumentaram com a forte queda de sua popularidade, que se explica pelos desastres derivados de má gestão. Sobressaem o escândalo na Petrobras,o risco de racionamento de energia e os maus resultados na economia.

Apesar disso, a menos que novos fatos venham a justificá-la, não parece boa a ideia de buscar a interrupção de seu mandato.

Em estudo de 2006, Kathryn Hochstetler examinou as tentativas de interrupção do mandato de presidentes eleitos na América do Sul após a redemocratização das décadas de 70 e 80 (Rethinking presidentialism: challenges and presidential falls in South America). Até 2003, dezesseis presidentes enfrentaram tentativas de impeachment e nove deixaram governo antes do fim do mandato. Apenas um impeachment se concretizou, o do brasileiro Fernando Collor. Os demais fracassaram por outros motivos.

A autora lista três fatores que motivaram tentativas de impeachment na região: 1) insatisfação com a política econômica, 2) acusações de corrupção e 3) governo minoritário no Congresso. Adicionalmente, os protestos de rua representam um forte determinante. Na ausência de um desses fatores ou de movimentos de rua, os presidentes concluíram mandato.

Foi assim no Brasil nas tentativas de impeachment de Getúlio Vargas e Fernando Henrique. O caso de Vargas (1954) teve por motivação atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, que resultou na morte do major-aviador Rubens Vaz. O mandante do delito, Gregório Fortunato, era chefe da guarda pessoal de Vargas. O pedido de impeachment foi apresentado pelo deputado Afonso Arinos, mas Vargas era majoritário no Congresso. A proposta foi rejeitada por 136 votos a 35.

No caso de Fernando Henrique (1999), a iniciativa foi do PT, no início do segundo mandato do presidente. FHC enfrentava queda de popularidade com a desvalorização da moeda, que durante a campanha pela reeleição ele prometera não realizar. O PT mobilizou protestos de rua sob o lema “Fora FHC!”. Os movimentos, porém, não se encorparam. Havia insatisfação com a política econômica, mas inexistiam escândalos. governo não era minoritário. Não houve processo de impeachment.

No escândalo do mensalão (2005), falou-se em impeachment de Lula, mas a oposição temeu a interrupção do mandato de um líder tão popular. Preferiu apostar numa agonia lenta, que acarretaria a derrota nas eleições do ano seguinte. Acontece que a expansão da economia, do emprego e da renda contribuiu para a recuperação da popularidade de Lula. O impeach­ment abortou.

Há quem, na oposição, se lembre do caso para defender a tese de que agora não se deveria contemporizar. A contínua deterioração da economia e os desdobramentos do petrolão disparariam protestos. Caberia à oposição atiçar os movimentos de rua que já se esboçam, desgastar a presidente mediante ações no Congresso e, assim, criar o ambiente para instaurar o processo.

O impeachment é um recurso legítimo e constitucionalmente válido para descontinuar más administrações. É um processo político. Não requer prova inequívoca, típica dos casos que envolvem crime. Indicações de que o dinheiro da corrupção na Petrobras serviu para financiar a campanha eleitoral de Dilma bastariam.

Ocorre que buscar o impeachment poderia não ser a estratégia mais conveniente. Mesmo que protestos de rua acontecessem em escala crescente, o governo ainda reuniria condições para manter a maioria no Congresso.

Embora improvável de acontecer, no decorrer do seu mandato normal a presidente ainda tem a oportunidade de reconhecer erros, reformular políticas, desenvolver habilidades no exercício do novo governo e melhorar a qualidade de sua equipe, recuperando a confiança na sua administração e na economia.

A eventual interrupção do mandato presidencial eliminaria as chances de reversão, pela própria Dilma, dos erros cometidos no primeiro governo. Permitiria, além disso, que os petistas utilizassem o processo de impeachment para posar de vítimas das elites, acusando-as de liderar um golpe contra o PT. Não se aproveitaria também o efeito pedagógico do julgamento de um fracasso pelos eleitores nas urnas.

01/03/2015

às 14:00 \ Tema Livre

VÍDEO SURPREENDENTE: Um clipe inteiro, de mais de 3 minutos, filmado em apenas 5 segundos

unconditional rebel - siska from Guillaume Panariello on Vimeo.

À primeira vista, o vídeo acima não parece ser nada inovador; afinal, a filmagem em câmera lenta que ilustra uma canção é algo bastante ultrapassado. Essas imagens específicas, no entanto, foram produzidas de forma surpreendente: em apenas um take de meros 5 segundos.

O clipe da música Unconditional Rebel, da cantora francesa Siska, é assinado pelo cineasta Guillaume Panariello, seu compatriota.

A produção do vídeo foi feita em um dia de outono no ano passado e não tomou muito tempo dos câmeras ou dos atores. Distribuídos ao longo de 80 metros de uma estrada de terra em uma região industrial da França, os 80 figurantes foram instruídos a realizar atividades variadas enquanto um carro passava com a câmera a 50 km/h. Segundos depois — não é força de expressão –, praticamente todos os que aparecem no vídeo foram dispensados.

A filmagem foi feita em alta velocidade — 1000 frames por segundo. O propósito disso era que, quando a velocidade de exibição fosse diminuída para 24 imagens por segundo (como normalmente são gravados e reproduzidos vídeos), o filme tivesse cerca de 3 minutos e meio. O resultado foi uma cena com características surreais, como em um sonho.

Após a captura das imagens, algumas outras foram adicionadas digitalmente, mas a grande maioria do que se vê no clipe aconteceu naqueles 5 segundos de produção. O diretor chamou o evento de “a filmagem mais curta da história”.

 

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