Blogs e Colunistas

22/07/2014

às 16:00 \ Tema Livre

J. R. GUZZO: O futebol, a Seleção e a imensa resistência do Brasil em ser adulto

(Foto: facho.br)

A obsessão com o “país do futebol” não nos deixa ver que, pelo menos agora, não somos os melhores do mundo (Foto: facho.br)

COM MUITO ORGULHO

Artigo de J. R. Guzzo publicado em edição impressa de VEJA

Nunca antes na história deste país tinha acontecido nada igual. Não só na história deste país: o que se viu no 8 de julho de 2014, um dia que viverá para sempre, jamais tinha ocorrido em 100 anos de existência da seleção nacional de futebol. Também não havia acontecido em toda a história da Copa do Mundo desde a sua criação, em 1930 – não num jogo de semifinal, disputa privativa de gigantes da bola.

Pois aconteceu: a Alemanha enfiou 7 a 1 no Brasil, comprovando uma vez mais que tudo o que não é impossível pelas leis da natureza é, por definição, possível de acontecer um dia qualquer.

Quem poderia imaginar um resultado desses? Seria mais fácil o velho camelo da Bíblia passar pelo buraco de uma agulha. Mas os camelos do futebol, como se vê no mundo das realidades, são bichos capazes de fazer as coisas mais incríveis. Fizeram de novo, no Estádio de Minas Gerais.

Fim de linha para a seleção e para o “hexa”, por falência de múltiplos órgãos.

E daí? E daí nada, realmente – apenas uma derrota esportiva, risco que existe em toda competição e do qual está livre só quem não compete.

Numa sociedade razoavelmente adulta, capaz de separar futebol de honra nacional, felicidade do povo, “vergonha na cara” e outros valores, reais ou imaginários, o massacre que o time do Brasil viveu no Mineirão seria uma derrota horrenda, constrangedora e francamente exótica – mas uma derrota num jogo de bola, só isso, sem nenhum prejuízo material para ninguém, para o país ou para o equilíbrio psicológico de quem quer que seja.

Acontece que o Brasil tem uma imensa resistência em ser adulto, e aí a coisa complica. Como resultado da pressão neurótica aplicada ao futebol pelos meios de comunicação e pelo noticiário esportivo, autoridades públicas, políticos em geral, departamentos de marketing de grandes empresas, agências de publicidade e interesses econômicos que envolvem bilhões de dólares, constrói-se sistematicamente no Brasil um ambiente artificial de histeria que contamina a sociedade quase inteira, quando se trata de futebol e de Copa do Mundo.

Assim ficam estabelecidas exclusivamente duas possibilidades, ambas falsas: a vitória que transforma a nação num paraíso de coragem, competência e superioridade sobre todos os demais povos do mundo; ou, então, a derrota que nos reduz ao pó, com vergonha, choro e ranger de dentes.

É assim que se criou, entre outras invenções cultivadas com obsessão, a extraordinária lenda segundo a qual o Brasil sofreu um “trauma” sem limites ao perder no jogo final contra o Uruguai no Maracanã, em 1950, na primeira Copa aqui disputada.

A derrota é vendida como uma “tragédia” sem igual na história brasileira, um momento de desgraça que jamais poderíamos viver de novo e que clamava aos céus por redenção e vingança – a ser providenciadas, enfim, em 2014, pela graça dos 23 rapazes convocados para a seleção do técnico Luiz Felipe Scolari e dos cartolas da CBF.

Mas não existe trauma nenhum – como poderia existir, se apenas os brasileiros hoje com mais de 70 anos estavam vivos em 1950, em idade para entender minimamente o que aconteceu? Ninguém sofre, na vida real, por contrariedades que jamais experimentou.

Mas aí está: impõe-se ao país o disparate segundo o qual uma partida de futebol disputada 64 anos atrás, o “Maracanazo”, foi uma bomba atômica jogada no Rio de Janeiro, e que “jamais o Brasil iria permitir” que a calamidade se repetisse nesta segunda Copa sediada pelo Brasil. No jogo contra a Alemanha aconteceu muito pior do que uma repetição: um “Mineirazo”, com inéditos 7 a 1 no lombo.

Essa mesma lavagem cerebral nos força a ficar repetindo que o Brasil é “o país do futebol”, que nenhuma outra nação chega perto da nossa habilidade sobrenatural com a bola e que vamos ganhar sempre por causa da ginga, do jogo de cintura, da malandragem etc., pois amarramos “o coração na chuteira”, somos “brasileiros com muito orgulho” e outras tolices. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

22/07/2014

às 15:00 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Promessa de Eduardo Campos de dar passe livre a estudantes custaria no mínimo 41 bilhões de reais POR ANO — e é demagógica, inviável e absurda

E  a dinheirama para financiar o passe livre? Mais  recursos públicos para o ralo... (Ilustração: tiktalking.com)

E a dinheirama para financiar o passe livre? Mais recursos públicos para o ralo… Com o dinheiro do passe livre, daria para construir mais de 5 mil km de ferrovias (Ilustração: tiktalking.com)

Estava demorando, mas chegou: a primeira promessa claramente demagógica da campanha.

Curiosamente, surgiu de um candidato que se quer “moderno” — Eduardo Campos, do PSB, que tem a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva como companheira de chapa.

Essa proposta de passe livre para estudantes em transporte público está provocando reações contrárias até do PT, imaginem!

E chovem críticas sobre o candidato, inclusive de uma prima, vereadora em Recife.

Adversários lembram que ele teve mais de 7 anos como governador de Pernambuco para adotar medida semelhante em seu Estado — e nada.

É o tipo da promessa irresponsável, que traz preocupação sobre outros temas que o candidato aborda.

Querem ver?

* Seriam beneficiados 20 milhões de estudantes. Repito: 20 MILHÕES.

* Logo de cara, Campos precisaria combinar com os 5.561 prefeitos de cidades brasileiras — porque transporte público nas cidades é atribuição dos municípios, segundo a Constituição.

* Depois, Campos precisaria combinar com empresas privadas, que respondem pela esmagadora maioria do transporte coletivo nas cidades, empregam centenas de milhares de trabalhadores e não vivem de brisa.

* Finalmente, há que combinar com o Congresso de onde vai tirar a colossal dinheirama: como cada estudante realizaria, por baixo, por baixo, 60 viagens por mês, seriam 1,2 BILHÕES de viagens por mês e 14,4 BILHÕES de viagens por ano. A um preço de, digamos, 2,85 reais cada viagem — é a tarifa em Belo Horizonte –, a brincadeira de Campos custaria aos cofres públicos da União 41 BILHÕES DE REAIS por ano.

Daria para construir metade dos 11 mil quilômetros de ferrovias que, por meio da Empresa Brasileira de Logística, a presidente Dilma Rousseff prometeu mas que não saíram do papel.

A promessa de Eduardo Campos, além de demagógica, é inviável e, como se constata pelo parágrafo anterior, absurda.

22/07/2014

às 13:50 \ Tema Livre

Dunga chega na retranca: ‘Assumo culpa e estou pronto para receber críticas’

Dunga, em entrevista na sede da CBF, no Rio: em busca de mudanças na relação com a imprensa (Foto: Reprodução/TV)

Dunga, em entrevista na sede da CBF, no Rio: em busca de mudanças na relação com a imprensa (Foto: Reprodução/TV)

Treinador disse que vai mudar sua relação com a imprensa, que sempre foi tumultuada

Do site de VEJA

Ao reassumir o cargo de técnico da seleção brasileira nesta terça-feira, Dunga quis evitar de cara novos desgastes com a imprensa, fato comum durante sua passagem entre 2006 e 2010. O treinador pediu desculpas aos jornalistas e prometeu uma relação mais aberta.

“Uma pessoa dificilmente muda no que diz respeito à ética, ao caráter e ao trabalho, mas sei que tenho de melhorar muito no contato com os jornalistas. Fiz uma reflexão nos últimos anos e assumo minha culpa. Estou pronto para receber críticas e sugestões, em favor da seleção. Tudo o que for bom para a seleção, estaremos abertos para trocar ideias e obter o resultado.”

Leia também:
CBF confirma retorno de Dunga e Gallo para a seleção olímpica
As apostas de Dunga, nem sempre vencedoras, na seleção

CBF quer usar Dunga como escudo para dirigentes
Gilmar Rinaldi é o novo coordenador geral da CBF

Dunga, no entanto, discordou de um repórter que perguntou se sua missão seria resgatar a beleza do jogo da seleção pentacampeã.

“O que é o futebol arte? Uma boa defesa do goleiro, uma interceptação do goleiro também é futebol arte. O que não podemos é querer que exista um Pelé a cada dia, achar que será como no passado. Um ídolo não se cria de uma hora para a outra. Temos talento, mas temos de aliá-lo ao comprometimento, ao equilíbrio emocional, organização.”

O treinador ainda comentou sobre as pesquisas nesta semana que apontaram enorme rejeição a seu retorno. “Respeito as enquetes, mas na minha viagem de São Paulo ao Rio encontrei pessoas que me apoiam, não sinto essa rejeição no supermercado, nos aeroportos por onde passo. Mas é como numa eleição, nem sempre ganha o favorito nas pesquisas e tenho de buscar força nesses que me dão suporte e tenho de conquistar o restante que não me apoia.”

Principais trechos da entrevista:

Trabalho – O torcedor está machucado, mas vamos reconquistar o carinho do público através de resultados.  O torcedor e a imprensa já me conhecem, não vou vender um sonho, a realidade é que precisamos de muito trabalho. Não podemos achar que somos os melhores, já fomos os melhores, mas temos de ser humildes e reconhecer que outras seleções trabalharam muito para chegar onde estão.

Retranca – O futebol muda a cada instante, a cada dia. Todos falam de futebol ofensivo e acham que basta colocar quatro atacantes na frente, mas o que se viu na Copa foram atacantes que marcam. Se em 2010 tivéssemos essa atitude, iriam dizer que era um futebol defensivo.

Agora, em 2014, dizem que isso é ser ofensivo. O importante é chegar no ataque com vários homens, com movimentação. Vimos craques participando o jogo todo, como Robben e Müller. Vimos até o goleiro Neuer jogando como líbero, com os pés, isso não acontecia antes. Temos de seguir por este caminho.

Alemanha – Parece que o mundo descobriu a Alemanha só agora. Eles sempre foram organizados, sempre tiveram centros de treinamento, deram apoio às categorias de base. O que aconteceu é que a Alemanha encontrou uma geração de jogadores ótimos, conseguiu encaixar as peças, teve tempo, e não obteve resultados nos primeiros campeonatos. A Alemanha foi vencedora com amplo merecimento.

Concorrentes – Vimos seleções sul-americanas crescerem, justamente nesta mescla entre jovens talentos e jogadores experientes. O futebol mudou, antes só brasileiros e argentinos iam para a Europa, mas hoje vemos jogadores de vários países se destacando. A Eliminatória será muito difícil.

Retrospecto – A camisa brasileira e a argentina são respeitadas e sempre serão. Mas os adversários nos respeitam tanto que querem sempre ganhar de nós, porque vencer o Brasil é notícia no mundo todo. Não podemos achar que vamos ganhar um jogo pelo peso da camisa, na véspera.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

21/07/2014

às 19:53 \ Tema Livre

Galvão Bueno: ‘Sou um vendedor de emoções.’ Narrador desistiu de se aposentar e tem contrato com a Globo até 2019

Galvão Bueno: 'Tenho contrato até depois da Copa de 2018. Não tenho motivos para parar agora' (Foto: Marcelo Correa)

Galvão Bueno: ‘Tenho contrato até depois da Copa de 2018. Não tenho motivos para parar agora’ (Foto: Marcelo Correa)

O locutor esportivo mais famoso do Brasil diz que vive ‘no fio da navalha’, equilibrando-se entre a missão de ‘animar a brincadeira’ e ser inteiramente fiel à ‘realidade dos fatos’

Entrevista a Pedro Dias LeiteBela Megale publicada em edição impressa de VEJA

Desde 1974, o Brasil ouve Galvão Bueno narrar a Copa do Mundo. Foram onze até hoje. E, se depender dele, outras virão. O locutor esportivo chegou a anunciar que não narraria mais Mundiais, mas mudou de ideia e acaba de renovar contrato com a Rede Globo até 2019.

Nesta entrevista, ele diz que a derrota épica do Brasil para a Alemanha e a perda do hexa em casa não abalam a mística do país do futebol e que não pode ser acusado de elogiar demais — seja a seleção, o Felipão ou o Neymar. “As pessoas esquecem que estou lá para animar o espetáculo.”

Galvão Bueno recebeu VEJA para a conversa que se segue pouco antes de embarcar para a Alemanha, onde vai narrar o Grande Prêmio de Fórmula 1 deste fim de semana.

Derrotado em casa, humilhado pela Alemanha e ultrapassado pela Argentina — o Brasil ainda pode ser chamado de o país do futebol?

Não há dúvida de que a derrota para a Alemanha foi humilhante e que fomos ultrapassados pela Argentina. Mas a mística da seleção não sofre impacto. O mundo todo ainda nos ama e nos vê como o país do futebol por tudo o que fizemos nestes quase 100 anos, pela maneira com que sempre jogamos. Quem teve Garrincha e Pelé?

O que precisa ser feito é uma revisão de valores, para que se possa retomar o caminho certo. Não se pode confundir o desempenho de um time com a riqueza de uma história.

A reação à derrota para a Alemanha por 7 a 1 foi exagerada? O apresentador Luciano Huck, seu colega, chegou a dizer que aquilo foi o nosso 11 de Setembro.

Houve reações exageradas, sim. No caso do Luciano, eu falei na hora para ele: “Pois é, Luciano, são coisas diferentes. Lá as consequências foram outras”. Mas quem não erra na vida? Já falei um monte de bobagem.

Nas eliminatórias da Copa de 1990, eu me atrapalhei e narrei um gol errado. E comecei a dar desculpas. No dia seguinte, o Armando Nogueira (jornalista esportivo morto em 2010) me chamou e disse: “Você perdeu a maior chance da sua vida de ter sido simpático com o telespectador e reconhecer o seu erro em vez de ficar dando desculpas”. Daquele dia em diante, cada vez que erro, e sei que errei, reconheço e peço desculpas.

O senhor foi acusado de ter elogiado o técnico Luiz Felipe Scolari durante todo o torneio e passado a criticá-lo para valer só depois do 7 a 1. Isso foi um erro?

Desde o primeiro jogo desta Copa, o Casagrande, o Ronaldo e eu sempre fizemos críticas à forma como a seleção estava jogando. Eu disse, em alguns momentos, que o trabalho do Felipão era coerente. Mas em momento algum elogiamos a seleção nem dissemos que era uma maravilha.

Entre as muitas coisas que aprendi com o Armando Nogueira é que devemos elogiar sem bajular e criticar sem ofender. Eu pauto a minha vida com base nisso. Nunca fiz uma crítica que carregasse ofensa pessoal. E nunca fiquei babando ovo para ninguém.

Mas no jogo contra Camarões, quando o Ronaldo criticou a seleção, o senhor perguntou se ele não estava sendo “exigente demais”.

Você não pode esquecer que eu também tenho o papel de animador da brincadeira. Sou um vendedor de emoções que anda no fio da navalha. De um lado, tem a emoção que você tem de vender e, do outro, a realidade dos fatos.

Na Copa do Mundo, mesmo que o time não tenha feito uma grande partida, tem a festa, todo aquele envolvimento das pessoas. Mas em momento algum nós dissemos que a seleção jogou um grande futebol.

O que eu disse foi: a comissão técnica tomou um caminho na Copa das Confederações e acertou em cheio. Persistiu nesse caminho na Copa do Mundo e o trabalho não funcionou. O erro, pareceu-me, foi a falta de humildade de reconhecer que a Alemanha era melhor. E acabar jogando com pouca cautela.

Os jogadores brasileiros choram demais?

Nunca vi uma seleção que chorasse tanto. Criou-se um clima um pouco exagerado em cima desta Copa no Brasil. Acho que isso tem a ver com essa coisa do hino cantado a capela. Era emocionante mesmo. Nas primeiras vezes que ouvi, fiquei com lágrimas nos olhos. Mas não precisava ser algo levado a um nível tão extremo. Tenho minhas dúvidas se isso não abalou o emocional do time.

Houve um exagero na contusão do Neymar também, aquela coisa meio fúnebre, de levar a camisa dele no jogo contra a Alemanha. Tinha visto isso na Copa das Confederações, quando morreu o jogador de Camarões, em 2003. Pode ter prejudicado também.

Fala-se muito em time de guerreiros, grupo de guerreiros, mas futebol é um esporte. O Brasil criou a fama do futebol dele com arte, não com um time de guerreiros. É um momento de retomada desse caminho.

Foi a Copa das Copas?

Esse termo “Copa das Copas” é fruto de um interesse político que não me interessa nem me agrada. Mas foi uma Copa especial, disputada com intensidade, como poucas vezes eu vi. Teve a Colômbia, os Estados Unidos, a Costa Rica… Foi uma Copa de superações.

A de 1982 talvez tenha sido, de todas de que participei, a mais fantástica, pelo time que o Brasil tinha, pelo fato de ter sido batido pela Itália. Esta foi uma Copa de muita emoção. Não vou dizer que tenha sido a mais bela ou a mais técnica.

Agora virou moda dizer que o futebol brasileiro precisa mudar. Quais as mudanças necessárias, na sua opinião?

No que diz respeito à seleção, acho que deve existir um gestor, um sujeito com experiência e conhecimento do futebol internacional, que saiba como se trabalha na França, na Itália, na Espanha, no Brasil. É alguém para se preocupar menos com o dia a dia e mais com os caminhos a ser seguidos.

Na minha opinião, ninguém está mais bem preparado neste momento para assumir essa tarefa do que o (ex-jogador) Leonardo. É um sujeito que fala cinco idiomas, foi campeão na França e na Itália e tem formação de técnico e gestor.

E, para o técnico, concorda com a tese de que ele deveria ser um estrangeiro?

Não sou dessa linha. Primeiro, devemos pensar no caminho a tomar. Veja bem, eu sou um narrador e não tenho de opinar sobre nome de técnico. Cito alguns nomes agora, mas apenas como detentores de certas características, como o perfil adequado para o momento. Como técnico, você tem o Tite, o Muricy, o Abel Braga, o Luxemburgo, grandes nomes do Brasil.

Vamos enfrentar uma eliminatória duríssima, talvez a mais difícil do futebol brasileiro, e por isso esse trabalho tem de ser muito bem pensado.

Sem mudanças no comando da CBF, o senhor acha possível darmos um salto como deu a Alemanha a partir da derrota na Eurocopa de 2000?

Tem um presidente eleito, não vejo como mudar. Isso é uma coisa muito complicada de discutir e de responder numa frase. Tivemos, todo mundo sabe, uma série de problemas na gestão do Ricardo Teixeira, que foi excessivamente longa e deixou sombras que o obrigaram a renunciar. Mas foi uma gestão com várias conquistas esportivas. Seria muito melhor que elas tivessem acontecido sem as sombras.

Está respondido? Não tenho poder de decisão sobre a CBF, mas gostaria, sim, que ela se modernizasse e se modificasse.

Nas redes sociais, o senhor ganhou o apelido de “Neymarzete”. Acha que exagera nos elogios ao jogador?

Cada um fala o que quer, mas eu não concordo. Acho até que em certos momentos critiquei excessivamente o Neymar. Casagrande e eu temos a tese de que ele deve prender a bola na área, porque lá não vão cair em cima dele.

Quando o Neymar prende a bola lá atrás, toma pancada o tempo todo. Agora, ele é a nossa estrela, é quem mais brilhava, e as pessoas não podem esquecer que eu estou lá para animar o espetáculo, para vender emoções. E, para aqueles que dizem que exagero, gostaria que ouvissem narrações de locutores de outros países. Sou até contido.

A atuação do Ronaldo como comentarista na Copa foi bastante criticada. Como o senhor a avalia?

Essa reação é absolutamente normal. Quando o Pelé começou a trabalhar com a gente, nos anos 80, as pessoas esperavam que ele pegasse o microfone e desse o show que dava como jogador. Com o Ronaldo é a mesma coisa. Ele foi um dos maiores atacantes da história do futebol mundial. Daí, as pessoas imaginam que, como comentarista, ele vai pegar o microfone e se sair como Frank Sinatra. Não é assim, são coisas diferentes.

No início da Copa, ele foi, entre nós, o primeiro a criticar a seleção de forma mais incisiva.

E a Patricia Poeta, com quem o senhor fez dupla? Ela teve um papel difícil, substituir o que a Fátima Bernardes fez em Mundiais anteriores, quando conseguiu uma empatia forte com jogadores, telespectadores.

Ela foi muitíssimo bem. Preparou-se intensamente para ter domínio sobre o assunto e conseguimos fazer um contraponto da notícia com a opinião. Por isso, inclusive, o nosso espaço no telejornal foi aumentando. Ontem fui lá dar um abraço no William Bonner, porque o editor-chefe do jornal, quem pagina o jornal, é ele. E o Bonner nos deu espaço, incentivou-nos o tempo todo.

O senhor está para lançar um livro de memórias…

Nestes quarenta anos de carreira convivi com todos os grandes personagens do esporte brasileiro. Então, conto minhas histórias com Pelé, Ayrton Senna, Nelson Piquet, Fittipaldi, Rivellino, Zico.

O senhor vai revelar alguma coisa sobre esses jogadores famosos ou sobre o piloto Ayrton Senna que até hoje ninguém ficou sabendo?

O Ayrton tinha aquela cara de bonzinho, mas era muito sacana. Ele tem duas comigo que não se faz. Uma vez, fomos embarcar para Miami e ele prendeu três cadeados nas passadeiras da minha calça, sem que eu percebesse. Evidentemente, eu fui barrado no raio X. E eu dizia: “Mas como vou tirar isso daqui se não tenho a chave?”. E o Ayrton falava para o americano do controle que estava me barrando: “Ele é maluco, não deixa esse louco entrar no avião”.

A outra vez foi no avião para o Japão. Tirei o paletó e a camisa, fiquei de camiseta, e deixei lá. Quando fui me vestir, minha camisa estava sem gola, sem botão e sem punho, que ele tinha cortado. Desci num calor danado e todo tapado com o paletó, e o Ayrton dizia para o japonês da imigração: “Manda ele tirar o paletó que você vai perceber que ele não pode entrar no país porque é maluco”.

Um jornalista sueco disse que, em uma entrevista no começo do mês, o senhor teria afirmado que era tão famoso quanto Bono Vox. Acha mesmo isso?

Não falei aquilo em hipótese alguma. Esse rapaz escreveu um livro. Eu concordei em dar uma longa entrevista a ele. Foi ele quem ficou impressionado com o assédio em torno de mim. Isso é uma coisa que veio dele. Nem li o livro ainda.

Não sou idiota de falar isso, de me comparar com quem quer que seja do tamanho de um Bono Vox. Se tivesse dito isso que ele me atribui, eu mesmo seria o primeiro a me considerar um idiota total.

Em uma entrevista a VEJA em 2010, o senhor disse que a Copa de 2014 seria a sua última. Agora, renovou contrato com a TV Globo até 2019. Desistiu de se aposentar?

O que eu disse foi que não me via fazendo outra Copa do Mundo fora do Brasil. E naquele momento não me via mesmo. Mas a vida é dinâmica. Não se esqueça de que nós tivemos uma mudança de gestão na Rede Globo, muito relacionada à minha área.

Eu me sinto extremamente feliz hoje trabalhando. É um novo desafio. Fo­ram-me propostas coisas novas. Cheguei à conclusão de que é o que eu gosto de fazer, o que sei fazer, é onde eu realmente me realizo. E tem uma história de quarenta anos. Enquanto me sentir bem, com saúde e em condições de fazer o trabalho, e a Globo entender que eu sou importante nesse trabalho, vou ficar. Tenho contrato até depois da Copa de 2018.

Então, respondendo à sua pergunta, voltei atrás, sim. Não tenho motivos para parar agora. Então, por que parar?

21/07/2014

às 19:00 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Palocci desembarca da arrecadação de fundos para a campanha de Dilma — e os primeiros resultados negativos já aparecem

(Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)

Não tão bons amigos: Palocci se ressente da falta de apoio de Dilma e de dirigentes petistas no episódio que o levou a deixar a Casa Civil da presidente (Foto: André Dusek/Estadão Conteúdo)

DE BRAÇOS CRUZADOS

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

O PT disputará a corrida presidencial desfalcado de um de seus principais articuladores — e não se trata de José Dirceu, que cumpre pena de prisão no processo do mensalão.

Ministro da Fazenda no governo Lula e chefe da Casa Civil na gestão Dilma Rousseff, Antonio Palocci não comandará, nem nos bastidores, a arrecadação de contribuições para a campanha.

A amigos, disse que quer continuar fora de cena e se preservar.

Ele também revelou mágoa da presidente da República e de alguns dirigentes petistas, que não teriam lhe dado o apoio necessário para continuar no Planalto depois da revelação de que seu patrimônio crescera vinte vezes entre 2006 e 2010.

O governo já sentiu os efeitos do desembarque de Palocci.

Os produtores de álcool sediados em Ribeirão Preto (SP), cidade que foi administrada duas vezes por Palocci, abandonaram a campanha de Dilma à reeleição.

21/07/2014

às 17:38 \ Política & Cia

“Presidenta, adeus.” (…) “É o fim da aventura petista (…)”. Vídeo divertido comemora queda de Dilma nas pesquisas

Está no canal de vídeos de Hanna Louis no YouTube um vídeo com imagens divertidas e uma canção que celebra a queda das intenções de voto na presidente Dilma nas pesquisas dos institutos especializados.

O título do vídeo é “Dilma em queda desvairada!”

Confiram:

21/07/2014

às 16:25 \ Tema Livre

SELEÇÃO: Escolha de Dunga tem que ser analisada técnica e politicamente — não com superstições idiotas ligadas ao passado

(Fotos: EFE/Kim Ludbrook :: Arquivo Folha)

Perdedor em 2010, Dunga volta agora. Os treinadores que voltaram ao cargo, como Zagallo, não deram certo. Mas e daí? Não é esse tipo de bobagem que precisa ser analisado no caso do novo técnico da Seleção (Fotos: EFE/Kim Ludbrook :: Arquivo Folha)

Já vou dizendo de início: não acho que Dunga seja o pior técnico do planeta para dirigir a Seleção, mas sua escolha também não me entusiasma nem um pouco.

Agora, é francamente ridículo o balanço que vem sendo feito em diferentes veículos, por diferentes comentaristas, sobre o “azar” que propiciaria uma escolha de um técnico para dirigir a Seleção uma segunda vez. Ah! — relembram –, Vicente Feola levou o Brasil a vencer uma Copa pela primeira vez em 1958, na Suécia, mas fracassou redondamente em 1966, na Inglaterra. Zagallo ganhou em 1970, no México, afundou diante dos holandeses em 1974, na Alemanha, e voltaria a perder contra os franceses, em 1998, em Paris. Telê Santana montou uma Seleção que encantou o mundo em 1982, na Espanha, mas não venceu. Voltou em 1986, na segunda Copa do México, e também caiu. E por aí vão os “levantamentos”.

Pergunto: e daí? De que vale esse bestialógico?

Entre as muitas pragas do futebol brasileiro — claro que não se situa entre as mais importantes — estão as superstições idiotas como essa, os chamados “tabus”.

Ninguém se lembra mais, mas no México, em 1970, havia um tabu que durava 40 anos, desde a criação das Copas, em 1930, no Uruguai: quem fazia o primeiro gol na final, perdia o título. Como se fosse uma maldição. Havia até malucos que torciam para que sua seleção NÃO abrisse a contagem numa final.

Pois bem, Pelé, o Rei, no auge do esplendor de seu futebol, foi lá e, logo aos 18 minutos de jogo contra a fortíssima Itália, numa cabeçada espetacular contra o goleiro Albertosi, estufou as redes esmagou o tabu. Placar final, como se sabe: 4 a 1 para a Seleção.

Uma bobagem qualquer é um “tabu” até que, de repente, de um piparote, deixa de ser — e ninguém mais fala no assunto.

A charge de Sponholz: será que Dunga e Marin ajudam Dilma na eleição?

A charge de Sponholz: será que Dunga e Marin ajudam Dilma e Lula na eleição?

O que é preciso fazer é analisar a escolha sob o ponto de vista técnico e o, digamos, político.

Do ponto de vista técnico Dunga tem, sim, virtudes: foi um excelente jogador — ele atuou em meu time, o Corinthians, clube pelo qual mais vezes jogou no Brasil, e Deus sabe como a torcida gostava –, defendia como poucos volantes fazem e, sim, sabia muito bem passar a bola, ao contrário do mito. Era um líder em campo, nos times cuja camisa envergou no Brasil, na Itália, na Alemanha, no Japão e também na Seleção, e mesmo seus críticos mais ácidos não podem negar que envergava com galhardia a faixa de capitão.

Dunga sabe montar um esquema tático, sabe levar os jogadores a segui-lo, sabe comandar um grupo.

As dúvidas sobre um Dunga treinador, porém, não são poucas. É certo que ele levou a Seleção a vencer uma Copa das Confederações e uma Copa América, mas o fiasco de Felipão na Copa 2014 mostrou o quanto essas vitórias podem ser ilusórias. É verdade que, com ele, a Seleção foi mais longe em 2010 do que seria em 2014. Seu currículo como técnico, porém, é magérrimo – pouco mais de cinco anos, sendo quase todos na Seleção e um ano bastante sofrível no Inter. Não se sabe o quanto ele acompanha o futebol internacional. Como treinador, sempre fugiu de inovações — é turrão e conservador, algo complicado para uma Seleção que anseia por uma reviravolta. Ademais, ele não tem perfil de garimpador de talentos.

Do ponto de vista político, a escolha parece ter sido pinçada em microscópio pelo decrépito presidente da CBF, José Maria Marin, e por seu sucessor “eleito”, o atual vice Marco Polo Del Nero, com a função de atrair as atenções e a ira do público e da mídia para um treinador talhado para isso –teimoso, agressivo e com traços persecutórios, Dunga, como se sabe, mantém relações muito difíceis com a imprensa, que é a intermediária entre a Seleção e a torcida.

Os mesmos cartolões que escolheram um agente de jogadores para gerir a Seleção, como Gilmar Rinaldi, estão por trás da ressurreição de Dunga, e isso não é o melhor dos mundos. Além do mais, tendo sido homem de absoluta confiança do hoje auto-exilado Ricardo Teixeira, Dunga é alguém “da casa”, de copa e cozinha com a CBF, suas mumunhas e caixas-pretas, a despeito de sua reconhecida honradez pessoal.

São fatores assim que importam na escolha de um treinador da Seleção — e não as asneiras sobre tabus e feitiçarias.

21/07/2014

às 15:00 \ Música no Blog

Interessante: números revelam que indústria fonográfica americana continua despencando, mas o vinil está mais em alta do que nunca

A volta do vinil continua firme e forte (Foto: Nick Alvarado - Stock Xchng)

A volta do vinil continua firme e forte (Foto: Nick Alvarado – Stock Xchng)

Os altos executivos das gravadoras já estão acostumados. A cada seis meses, quando saem os novos relatórios de vendas da Nielsen, empresa especializada em contabilizar estatísticas da Indústria Fonográfica dos EUA, eles sabem que quase seguramente lerão números piores do que os do levantamento anterior.

Em franco declínio desde o início do milênio após a revolução digital, o business dos discos encolhe quase sistematicamente, com poucas exceções, diante da opção de muita gente por outras formas de consumir música, que em muitos casos significa simplesmente não pagar nada em troca do benefício.

Existem muitos dados para ilustrar a decadência, como por exemplo o fato de que, em 2000, os americanos compraram 730 milhões de CDs, enquanto uma década depois, sairiam das prateleiras menos de um terço, 239,9 milhões.

Nem os álbuns digitais escapam

Os dados presentes no último relatório, que abrange a comercialização no período entre 30 de dezembro de 2013 e 29 de junho de 2014, mantêm a saga desoladora.

O “número total de álbuns vendidos”, conceito que atualmente inclui não só os produtos propriamente físicos, mas também os donwloads e streamings legais, foi de 227,1 milhões, 14,9% menor que os 235 milhões do que o primeiro semestre de 2013. Foram registradas também quedas nos índices de comercialização de CDs (19,6% a menos, parando em 62,9 milhões) e até no de álbuns digitais (11,6% a menos, ficando nos 53,8 milhões)

Ressurgimento do vinil

Entretanto, nem todas as cifras do estudo são negativas.

Particularmente o setor da produção de discos de vinil vive, na verdade, um ressurgimento espetacular. Foram vendidos, no primeiro semestre deste ano, 4 milhões de LPs, contra 2,9 milhões do mesmo período de 2013.

Claro que, em proporção ao bolo total do mercado, o produto que a indústria dera como morto na década de 1990 só representa 1,76%, mas não se pode ignorar o seu aumento anual, de nada menos que de 40,4 %.

As razões para a retomada vão desde a qualidade de som – que os adeptos classificam como mais encorpada e “quente” que no CD ou no MP3 – às possibilidades oferecidas por um encarte bem maior.

Para quem ama não só o formato das apreciadas “bolachas”, mas também o bom e velho rock, vale ressaltar que o gênero é o predileto dessa nova geração de compradores: Jack White, Arctic Monkeys e Beck foram, nesta ordem, os reis do LP até o meio de 2014.

O vinil não foi o único destaque favorável do estudo. Os streamings de áudio e vídeo “sob encomenda”, ou seja, usufruíveis pelo pagante, mas que não envolvem descargas, cresceu ótimos 42% (de 49,515 milhões passou a 70,295 milhões).

Confiram o relatórios completos da Nielsen aqui.

21/07/2014

às 14:00 \ Política & Cia

A charge de SPONHOLZ: Dilma e suas boas companhias

a charge putin

21/07/2014

às 12:33 \ Tema Livre

NOSSA ENQUETE: Grande maioria dos leitores culpa pelo fiasco da Seleção a CBF, a Comissão Técnica e o time. ​10%, porém, salvam os jogadores. E vote na nossa nova enquete, já no ar

Os leitores votaram: quem teve culpa pelo fracasso da Seleção na Copa não foi apenas Felipão, os jogadores ou a Comissão Técnica, nem mesmo José Maria Marin -- foram todos juntos (Fotos: CBF)

Os leitores votaram: quem teve culpa pelo fracasso da Seleção na Copa não foi apenas Felipão, os jogadores ou a Comissão Técnica, nem mesmo José Maria Marin — foram todos juntos (Fotos: CBF)

Após o fim da Copa, perguntamos aos leitores quem consideravam responsável pelo desempenho trágico da Seleção. Seis opções de resposta foram dadas: Carlos Alberto Parreira, Felipão, José Maria Marin, todos da comissão técnica, todos da lista exceto os jogadores, todos os jogadores, e todos os anteriores juntos.
Conforme o esperado, a opção mais votada foi a última: todos juntos. A resposta recebeu 1 674 (ou 59%) dos 2 830 votos que a enquete computou enquanto esteve aberta.
Se considerarmos apenas culpados específicos, o grande vencedor (ou perdedor, dependendo do ponto de vista) foi Felipão, com 320 votos (11% do total), seguido da opção “todos desta lista, menos os jogadores”, que arrecadou 297 (10%).
O que escapou com menos culpa foi o coordenador técnico da Seleção, Carlos Alberto Parreira, com apenas 16 votos, mísero 1% do total.
Agora que Felipão já deu adeus ao posto de técnico e Dunga foi apontado para preencher seu lugar, perguntamos: vocês aprovam a escolha?
A nova enquete já está no ar, no lugar de sempre, à direita desta coluna. VOTEM!

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados