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27/07/2014

às 22:30 \ Vasto Mundo

No grupo de nações separatistas que existem hoje, a Escócia lidera em probabilidade de independência. O mundo ficará sabendo dia 18 de setembro

(Foto: Ivon Bartholomew)

Manifestações: em setembro do ano passado, milhares de escoceses foram às ruas exigir a independência do Reino Unido (Foto: Ivon Bartholomew)

Publicado originalmente a 25 de julho de 2014, às 14 horas

Por Tamara Fisch

Entre os mais barulhentos casos de separatismo da atualidade, um está próximo de atingir seu objetivo. Não se trata da Catalunha, na Espanha, que realizará um plebiscito informal — não previsto na Constituição e sem valor legal– a 9 de novembro. Tampouco do País Basco, em que há forças políticas há décadas defendendo a separação da Espanha e se declarando “uma nação sem Estado”, ou da Córsega, na França, onde movimento nesse sentido vem arrefecendo.

Estamos falando da Escócia, nação de 71 mil quilômetros quadrados e 5,3 milhões de habitantes que ocupa o norte da ilha da Grã-Bretanha. Em uma recente pesquisa de opinião realizada na Escócia, foi registrado o maior número de pessoas favoráveis a uma independência em relação ao Reino Unido desde que a questão começou a ser debatida mais seriamente, no final dos anos 1970. Em abril, 48% da população queriam a separação, mas a maioria — 52% — não.

O Partido Nacional Escocês, majoritário no Parlamento local, brigou duramente para que fosse realizado um referendo sobre a obtenção da independência total. Deu certo. Após prolongadas negociações entre o governo local escocês e o governo central, em Londres, regras foram estabelecidas para a consulta e a votação  marcada para o dia 18 de setembro.

O governo escocês, liderado pelo PNE, diz que essa é uma “chance única em uma geração”.

Desde 1999, quando o governo britânico aceitou o estabelecimento de um legislativo autônomo na Escócia, o país passou a ter uma grande série de temas a seu cuidado. Ficaram com o governo escocês questões envolvendo educação, saúde, crime, justiça, assuntos domésticos e desenvolvimento econômico, entre outros. Assuntos como relações internacionais, defesa, impostos, orçamento, imigração e energia nuclear continuam sob o comando do governo central, em Londres.

As maiores dúvidas em relação ao funcionamento de uma Escócia independente têm a ver com a economia.

A moeda, por exemplo. O Reino Unido decidiu não permitir que o país, nesse caso, continuasse a utilizar a libra esterlina, embora na prática nada impeça que o uso possa ser feito de forma não oficial.

Também é questionado se a Escócia seria forçada a adotar o euro caso se juntasse à União Europeia. Em teoria, a adoção da moeda comum é voluntária, mas é uma exigência do bloco que cada novo membro tenha um banco central, de forma a contribuir para o grupo em caso de necessidade, e a Escócia não poderia sediar bancos caso não tivesse uma moeda oficial. Em suma, ou o país independente poderia adotar o euro, ou teria de criar uma moeda própria, o que é absurdamente menos provável.

Outra questão é o próprio ingresso na União Europeia. A Escócia considera essenciais os benefícios trazidos pelo, mas nada está garantido, já que a nação, descolada do Reino Unido, teria de se candidatar ao título de membro como qualquer outro país.

O presidente da Comissão Europeia, João Manuel Barroso, já disse ser “extremamente difícil, se não impossível” que uma Escócia independente se filie à União Europeia, porque conseguir a obrigatória aprovação de todos os países membros seria um grande desafio para uma nação vinda de outra já pertencente ao bloco. O ingresso da Escócia certamente serviria de estímulo a nacionalismos incômodos para governos como os da Espanha (catalães e bascos), da França (bascos e corsos) ou da Itália (movimentos independentistas no norte).

Quanto à economia nacional, o governo escocês diz que a independência do Reino Unido apenas favoreceria a situação. O primeiro-ministro da Escócia, Alex Salmond, afirmou que, se a economia escocesa fosse independente, 8 bilhões de libras (cerca de 30 bilhões de reais) poderiam ter sido poupadas nos últimos cinco anos.

Há uma pesquisa, no entanto, que garante que o déficit orçamentário da Escócia é pior que o do resto do Reino Unido. O Instituto de Estudos Fiscais, órgão responsável pelo estudo, alerta que o governo escocês deve planejar a independência tomando cuidado com o otimismo exagerado.

Além da questão econômica, discute-se a crucial questão da defesa escocesa no caso de uma separação do Reino Unido. O PNE diz que montaria um novo sistema em cima das bases militares existentes — uma aérea e uma naval —, o que o secretário da Defesa britânico, Phillip Hammond, chama de “ridículo”, por insuficiente. O país independente não disporia da proteção da OTAN, a aliança militar ocidental, a não ser que decidisse aderir ao tratado que a formou — o que implicaria, entre outros pontos, em contribuir financeiramente e, em casos pontuais, com contingentes e equipamentos militares para a organização.

A Escócia faz parte do Reino Unido desde 1707, quando foi assinado o Ato da União, sob o reinado de Ana (rainha entre 1702 e 1714). Mesmo na época, muitos escoceses não aprovaram a decisão de juntar os países.

(Foto: PA)

Sobre a independência, o país ainda está dividido entre apoiadores, indecisos e opositores (Foto: PA)

Hoje, há mais integração do que parece. O próprio primeiro-ministro britânico, David Cameron, por exemplo, é de família escocesa e faz campanha para que a Escócia permaneça na união. “Estas ilhas realmente significam algo mais do que a soma de nossas partes, elas representam ideais maiores, causas mais nobres, valores melhores”, declarou Cameron.

Na lista de primeiros-ministros do Reino Unido desde 1707, nada menos do que onze foram escoceses — inclusive os dois antecessores de Cameron, Tony Blair (1997-2007) e Gordon Brown (2007-2010).

Várias celebridades adotaram a causa de ambos os lados. A escritora J. K. Rowling, autora da série Harry Potter, recentemente doou um milhão de libras para a campanha “Better Together” (Melhor Juntos), que apoia a unidade. Nascida na Inglaterra, Rowling é casada com um escocês e mora no país há muitos anos.

Outros artistas que defendem que a Escócia permaneça no Reino Unido são o cantor David Bowie, o ator Mike Myers e Alex Ferguson, legendário ex-treinador por 25 anos e hoje dirigente do Manchester United. Na direção oposta, os atores Sean Connery e Brian Cox apoiam fervorosamente a independência.

Nos últimos meses, têm sido feitas comparações entre o referendo ilegal realizado na Crimeia e o que deve ocorrer este ano na Escócia. A associação, no entanto, não é minimamente apropriada, já que a votação na Ucrânia foi inconstitucional e não ofereceu uma opção real de dizer “não” à anexação à Rússia. Sem contar que em nenhum dos dois países se pode dizer que haja uma democracia remotamente semelhante à britânica.

O referendo escocês é algo exigido por uma parcela significativa da população e apoiado pelo partido no poder, além de oferecer dois caminhos claros: permanecer integrante do Reino Unido ou se separar por completo.

É difícil dizer o que acontecerá em 18 de setembro. Os números estão próximos demais para determinar o resultado provável, então há especulações sobre se haverá algum tipo de mudança mesmo caso a Escócia decida permanecer no Reino Unido, pois terá ficado claro que parte do eleitorado não desejava isso.

Uma pesquisa do site What Scotland Thinks (O Que a Escócia Pensa) mostrou que, em 11 de julho, 63% dos escoceses achavam que, diante desse resultado, o parlamento nacional deve se tornar responsável também por decisões a respeito de impostos e benefícios sociais.

Uma pesquisa de opinião do mesmo site mostrou que, no momento, a maior parte dos questionados prefere que a Escócia mantenha o status quo — 45%, contra 34% que querem a independência.

Com a flutuação constante dos números, resta apenas esperar. No entanto, uma coisa parece evidente: o referendo, para um ou outro lado, não deixará para trás uma Escócia igual à de antes.

27/07/2014

às 19:20 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN: vândalos, vikings e a política dos herdeiros

(Foto: Armando Paiva/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

Sininho: a baderneira e protagonista de um “romance revolucionária” que iria incendiar a Câmara dos Vereadores do Rio (Foto: Armando Paiva/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

Os vândalos, quem diria, são vikings

Notas de Carlos Brickmann publicadas neste domingo em diversos jornais

carlos_brickmannSão ferozes como os vikings e, como os vikings, acreditam no poder da destruição: os vândalos ferem, destroem e já mataram pelo menos uma pessoa.

São unidos como os vikings, e desta união extraem sua força: a coordenação que mantiveram deixou os inimigos, os policiais, desarvorados. E, quem diria, a moda viking, aquele famoso capacete com chifres, expôs sua maneira de agir.

Uma integrante do grupo de vândalos, Anne-Josephine Louise Marie Rosencrantz, descobriu que seu namorado Luiz Carlos Rendeiro Jr., Game Over, pai de seu filho, era partilhado por outra ativista, Elisa Quadros Pinto Sanzi, Sininho.

A traída se vingou traindo: Anne-Josephine foi à Polícia e prestou depoimento sobre a ação dos vândalos. Começou informando como Sininho admitiu o namoro com Game Over: “Sininho diz que ela e Game Over tinham um romance revolucionário”. E apresentou as denúncias – entre elas, diz, a tentativa, liderada por Sininho, de incendiar o prédio da Câmara dos Vereadores do Rio.

Segundo Anne-Josephine, este incêndio não fazia parte dos planos dos manifestantes, e Sininho, aos gritos, pedia que lhe levassem gasolina para iniciar o fogo. Conforme diz Anne-Josephine, foi Game Over que conseguiu controlá-la.

De acordo com a Polícia, Anne-Josephine detalhou ainda as funções dos principais lideres dos vândalos e – oh, novidade! – relatou o uso de drogas por eles.

E daí? Daí que todos os detidos por vandalismo, inclusive os acusados por Anne-Josephine, foram libertados por ordem do desembargador Siro Darlan.

Os herdeiros – Presidência

A primeira tentativa de organização administrativa do Brasil foram as capitanias hereditárias, criadas por D. João III, rei de Portugal, em 1534. O sistema foi extinto pelo Marquês de Pombal em 1759.

Eduardo Campos, candidato à Presidência, e seu avô, Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco — um dos herdeiros nestas eleições (Foto: PSB)

Eduardo Campos, candidato à Presidência, e seu avô, Miguel Arraes, ambos ex-governadores de Pernambuco: Campos é um dos herdeiros nestas eleições (Foto: PSB)

Mas, na prática, a capitania hereditária, em que o poder passa de pai para filho, ainda existe.

A candidata do PSOL à Presidência, Luciana Genro, é filha do governador petista Tarso Genro, candidato à reeleição no Rio Grande do Sul.

Aécio Neves, PDSB, é neto do governador mineiro Tancredo Neves, que morreu sem tomar posse na Presidência; Eduardo Campos, PSB, é neto do três vezes governador pernambucano Miguel Arraes, já falecido.

Os herdeiros – Governos

O candidato do PMDB no Maranhão, Lobão Filho, é filho do ministro das Minas e Energia e ex-governador Édison Lobão.

No Pará, o candidato do PMDB é Hélder Barbalho, filho do ex-governador, ex-deputado e senador Jader Barbalho (político famoso, que até preso já esteve), e da ex-deputada federal Elcione Barbalho.

Renan Filho, PMDB, Alagoas, é filho do presidente do Senado, Renan Calheiros, sobrinho dos ex-deputados federais Olavo e Renildo, sobrinho do ex-prefeito de Murici, Remi Calheiros.

Lobãozinho e Renanzinho descendem de um tronco mais antigo: José Sarney, padrinho de seus pais.

Zé Filho, PMDB, candidato à reeleição no Piauí, é sobrinho do ex-governador Mão Santa. Nelsinho Trad, PMDB, Mato Grosso do Sul, é filho do deputado federal Nelson Trad. Marcelo Miranda, PMDB, Tocantins, é filho do deputado estadual Brito Miranda e foi governador por dois mandatos.

Henrique Alves, PMDB, Rio Grande do Norte, é filho dos governadores e ministros Aluísio Alves e Garibaldi Alves Filho. Vital do Rego, PMDB, Paraíba, é neto do ex-governador Pedro Gondim, irmão de Veneziano Segundo Neto, ex-prefeito de Campina Grande, e filho da deputada federal Nilda Gondim.

Filhos, filhos

Moraes Moreira canta que “todo menino é um rei”. E todo mundo é fidalgo – na versão original da palavra, “filho de algo”, filho de alguém.

E boa parte dos candidatos, admitamos, é mesmo filho de algo.

27/07/2014

às 18:00 \ Uncategorized

NEIL FERREIRA: Chega de chorar ao ler os jornais

(Foto: Jack Guez/AFP/Getty Images)

“Escrevo cansado de ver nos jornais o placar do Oriente Médio”, diz Neil (Foto: Jack Guez/AFP/Getty Images)

MAIS QUANTOS MORREM ENQUANTO ESCREVO ESTE TEXTO?

Neil sob intenso bombardeio da mídia Ferreira

Artigo publicado nas páginas de opinião do Diário do Comércioda Associação Comercial de São Paulo

neil-ferreiraAntes Scriptum: Mais 3 vagas na ABL, conheço bem 2 delas: João Ubaldo e Ariano Suassuna. João Ubaldo, sem contar seus livros deliciosos, um deles deixado incompleto, encantava seus leitores dos jornais, aqui em São Paulo no Estadão, Caderno 2, aos domingos.

Suassuna, inesquecível por seu “Auto da Compadecida”, que transformou João Grilo num artista na arte de mentir, e o para mim quase incompreensível “A Pedra do Reino”, cujo volume (que tenho) para em pé de tão grosso. Três lágrimas sentidas para eles e pra vaga que não conheço (NF).

Escrevo cansado de ver nos jornais o placar do Oriente Médio: Israel mais de 800, na maioria civis indefesos, dos quais sei que 147 são crianças e 74 mulheres x Palestinos 39, talvez entrem na conta as 3 crianças israelenses sequestradas e massacradas. Sei que os palestinos cutucaram o dragão com vara curta, então que paguem a conta, é isso? (É).

Vejo que Israel falou que o Brasil é um “país irrelevante”; e é. Mas não só pela nossa diplomacia, momentaneamente contrária aos interesses israelenses.

Acho e aviso que Israel não l falou do jeito que estou falando agora: o Brasil irrelevante mesmo. E um “anão diplomático”, que também acho que é.

Pelo menos alguém teve a coragem de falar a verdade : “país irrelevante” e “anão diplomático”, talvez não pelos mesmos motivos que Israel teve, mas pelos que nós temos.

País que tem Dilma como quase reeleita nas pesquisas só pode ser “irrelevante” e a se levar em conta os últimos Ministros das Relações Exteriores, é “anão diplomático”, sim. Israel atirou no que viu e acertou no que não viu.

Que fique claro: também momentaneamente não aprovo a política externa de Israel, mas quem sou eu pra me meter a sebo de aprovar ou desaprovar qualquer coisa que seja.

Como Jeovah, Allah e Deus, brimos entre si segundo o Livro de Abraão, permitem semelhante mortandade entre seus herdeiros, também primos entre si?

E a ONU? Cada vida que se perde, uma que seja, de qualquer lado que seja, é demais; uma vida perdida não volta, uma criança de qualquer um dos lados é para ser chorada até o fim dos tempos.

As 3 crianças israelenses e as 147 crianças palestinas, sacrificadas no altar da insânia: esses números vão aumentar, isso é quase uma certeza, só tendem a aumentar. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

27/07/2014

às 17:00 \ Tema Livre

VÍDEOS: Espetaculares piscinas que podem desaparecer de repente

Uma "piscina escondida":  luxo e versatilidade (Foto: Hidden Water Pool Cost) Montagem: This is Why I'm Broke)

Uma “piscina escondida”: luxo e versatilidade (Foto: Hidden Water Pool Cost / Montagem: This is Why I’m Broke)

Muitas vezes, na hora de uma família decidir se constrói ou não uma piscina, o principal critério para a tomada de decisão é o espaço.

Afinal, uma piscina que valha minimamente o investimento precisa no mínimo comportar decentemente os donos da casa e propiciar uma certa profundidade e área para um número aceitável de braçadas, no caso de alguém se anime a nadar.

Bom, pelo menos isto costuma ser uma questão para os simples mortais apreciadores de momentos de lazer.

Não é o caso, porém, de certos arquitetos cuja ousadia parece driblar a lei da física segundo a qual “dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço”.

Nos vídeos abaixo, disponíveis no You Tube, são exibidas três piscinas com capacidade de “desaparecer”, ou de “serem tragadas pela terra”, dando uma grande versatilidade aos jardins onde foram concebidas. A brincadeira não sai barata – a partir de US$ 25 mil -, mas o resultado pode ser impressionante. Confiram:

Autor: Agor, de Israel

Autor: Hidden Water Pool Cost, dos EUA

Autor: desconhecido

 

27/07/2014

às 16:00 \ Tema Livre

HERALDO PALMEIRA: Com a nova era do futebol brasileiro, continuaremos deprimidos de quatro em quatro anos

(Foto: Jamie McDonald/Getty Images)

O alemão Schürrle comemora seu segundo gol contra o Brasil, nos 7 a 1 da Alemanha, com Júlio César caído. Segundo Heraldo Palmeira, “a morte por corpo mole da Seleção Brasileira, assassinada pela Geração Tóis” (Foto: Jamie McDonald/Getty Images)

DEPRESSÃO PÓS-PARTO

Por Heraldo Palmeira*

A Copa do Mundo de 2014 ofereceu ao mundo o estilo de acolhimento dos brasileiros. Não restou espaço para ninguém se meter a dono da festa, para nenhum pateta comer superamendoim e tirar onda de superpateta.

O cartunista Ziraldo, eterno menino maluquinho, encheu o pé: “Está tudo num verso mínimo de Manuel Bandeira, nosso grande poeta: ‘Tão Brasil!’. Tudo que ia dar errado (merda) deu certo! Existe coisa mais brasileira que isso?”.

Pelo visto, o oposto também foi fato. Muito do que ia dar certo deu merda. A julgar pelas reclamações de hoteleiros, taxistas, comerciantes e até representantes de grandes shoppings, que viram o faturamento encolher. A julgar pela quantidade de obras de mobilidade urbana que ficaram incompletas, desmoronaram ou sequer saíram do papel.

Já se vibrou o suficiente com a vitória germânica. Também se tentou diminuir com argumentos risíveis a conquista dos campeões. Muitas viúvas ainda choramingam à míngua os quase gols hermanos de uma quase vitória que não veio.

Para falar de quase gol, melhor lembrar a pintura de Pelé contra o Uruguai na Copa de 1970. Um drible de corpo no goleiro Ladislao Mazurkiewicz passou à história da bola, por justíssima licença poética, como um dos gols mais bonitos de todos os tempos. Só ficou faltando a bola entrar trave adentro e beijar a rede.

Sem contar que na súmula do jogo consta Brasil 3 x 1 Uruguai. Algo muito além de um reles Gonzalo Higuaín atordoado jogando fora um gol feito para um time que não fez nenhum outro. Portanto, esse papo de quase gol argentino já deu preguiça.

E nem devemos começar a conversa de campeão moral, porque o assunto morre na Seleção Brasileira na Copa de 1982. Que foi assassinada por um bonde chamado Cerezo. Não adianta: justo ou não, resultado é aquele que consta na súmula do jogo.

Já se disse tudo o que podia ser dito a respeito da morte por corpo mole da Seleção Brasileira, assassinada pela Geração Tóis, definitivamente amaldiçoada pelos deuses da bola e merecidamente execrada na história do nosso futebol. Foi um parto de ouriço atravessado que massacrou uma pátria-mãe subtraída de um sonho possível: o sexto filho.

Neymar, o Tóis-mor, deverá seguir seu rumo de Robinho passado a limpo pela turma do marketing – ou a ridícula entrevista ao Fantástico teve outra função a não ser tentar salvar o mascate da falência da loja de horrores de Felipão?

O Tóis-histriônico Dani Alves, filósofo da internet nas horas vagas, foi informado de que o novo técnico Luis Enrique está curiosíssimo para “conhecer suas aspirações” no Barcelona. Precisa apresentar correndo algo além do fashion-ridículo que adora ostentar.

O resto dos canarinhos sem penas seguirá arrastando pela vida a pena do silêncio de quem não sabe cantar. Nem voar.

A anunciada renovação do futebol brasileiro é a depressão pós-parto. Gilmar Rinaldi?! Dunga?!

O jornalista Raphael Gomide escreveu: “Após o vexame brasileiro na Copa do Mundo, a CBF anuncia um agente de jogadores sem experiência internacional como coordenador de seleções”. O jornalista Reinaldo Azevedo completa a jogada balançando a rede: “Dunga é a contramão da modernidade; é o atraso orgulhoso, machão e, lamento muito, meio abestado”.

O próprio Gilmar, depois da derrota para a Holanda e ainda defendendo a permanência de Felipão e sua “família” de chorões, deixou no Twitter uma boa pista do estilo que poderá pontuar a Era Dunga II: “…direcionar as coisas na direção certa”.

Agora, temos dois caminhos: contar com um milagre para ninguém direcionar as coisas na direção errada, ou escolher uma segunda seleção para torcer depois dos nossos apagões. E não custa lembrar que, antes de sonhar com técnicos estrangeiros de primeira linha, é bom ter em mente que eles sabem perfeitamente a roubada que é treinar a Canarinho. Ainda mais porque o ninho dela é essa CBF repleta de falcões.

O jornalista Fernando Gabeira liquida a fatura: “Podemos ser um país melhor. Antes teremos de perder esse espírito de fodões de que com tóis ninguém pode, vem quente que estou fervendo. Ele favorece os apagões, nas semifinais da Copa ou na noite de núpcias. Foi-se o tempo em que pensávamos que os alemães eram limitados porque eram apenas organizados e bem treinados. São tudo isso e têm talento. É a única combinação que leva à vitória ou, ao menos, a uma derrota honrosa”.

No mais, a seguir como está, ficaremos desfiando tangos e tragédias, apostando em milongas e jeitinhos, transformando jogos de futebol em partos de ouriços atravessados. E sofrendo de depressão pós-parto por quatro anos, de quatro em quatro anos.

*Heraldo Palmeira é documentarista e produtor musical.

27/07/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Fernão Mesquita, a propósito do aniversário da Revolução de 1932: “São Paulo resistiu sozinho a Getúlio; São Paulo vem resistindo quase sozinho ao PT”

(Foto: Arquivo/AE)

Getúlio Vargas adiou a convocação de uma Constituinte e nomeou títeres como governadores dos Estados até que São Paulo se levantasse contra sua ditadura não declarada, a 9 de julho de 1932 (Foto: Arquivo/Agência Estado)

Que fique bem claro: publico com gosto o excelente artigo do jornalista Fernão Mesquita, mas discordo inteiramente dele no trecho em que aborda o que chama de “contragolpe de 1964″.

Texto de Fernão Lara Mesquita publicado no jornal O Estado de S. Paulo

São Paulo comemorou este mês o 82.º aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, que muito pouca gente, no Estado e no resto do Brasil, sabe o que foi. É impróprio, aliás, usar verbos no passado para tratar deste assunto, pois a luta de 1932, que começara pelo menos 50 anos antes com o Movimento Abolicionista, que desaguou na República e se confunde com a história do jornal O Estado de S. Paulo, é exatamente a mesma de hoje.

Gira em torno da seguinte pergunta: onde se quer instalar a sociedade brasileira emancipada, no campo da civilização ou no da barbárie?

No Estado de Direito, com a lei igual para todos, ou nas variações do caudilhismo populista, onde fala quem pode e obedece quem tem juízo?

Numa meritocracia, em que só a educação e a dedicação no trabalho legitimam a diferença, ou no sistema em que a cooptação e a cumplicidade com a corrupção são os únicos caminhos para o poder e para a afluência?

O Movimento Abolicionista é o primeiro na história do Brasil a surgir nas ruas, não nos palácios, e a tomar o país inteiro numa avassaladora mobilização cívica. Nasceu sob inspiração direta da Revolução Americana.

Muitos de seus principais líderes brancos e negros frequentaram as mesmas “lojas maçônicas” lá, nos Estados Unidos, onde a elite do Iluminismo fugida do absolutismo monárquico europeu, regime sob o qual viviam o Brasil e o resto do mundo de então, iniciou o debate que resultaria no desenho das instituições da democracia moderna.

Tratava-se de uma humanidade escaldada por 2 mil anos dormindo sob o risco de sua majestade acordar de mau humor e mandar torturá-la até a morte sem ter de dar explicações a ninguém.

Para garantir que nunca mais fosse assim, aqueles conspiradores estabeleceram os princípios fundamentais da democracia que até hoje não se instalou por aqui: o império incontestável da lei, inclusive e principalmente sobre os governantes; a vontade popular, democraticamente aferida, como única fonte de legitimação dessa lei, e o mérito no trabalho como única fonte de legitimação do poder econômico; a descentralização do poder para garantir a fiscalização mais direta possível dos representados sobre os representantes, concentrando nos municípios todas as decisões e os serviços públicos que pudessem ser prestados no âmbito deles; nos Estados, apenas as que se referissem aos assuntos que envolvessem mais de um município; e na União, só as que não pudessem ser resolvidos por essas duas instâncias, mais as relações internacionais.

Para reduzir ainda mais o espaço para que as tentações do mando não produzissem os efeitos que sempre produzem no caráter dos homens, determinou-se que cada uma dessas instâncias de governo fosse dividida em três Poderes autônomos e independentes entre si, uns encarregados de fiscalizar os atos dos outros.

Não foi à toa, portanto, que os brasileiros oprimidos que testemunharam esse verdadeiro milagre se tivessem encantado a ponto de dedicar sua vida a fazê-lo acontecer também no Brasil.

Foi em nome desses princípios que nasceu a República. E foi para preservá-los que foram feitas a Revolução de 1930, a Revolução de 1932, a redemocratização de 1945, o contragolpe de 1964 e a redemocratização de 1985.

"Getúlio criou os sindicatos pelegos sustentados pelo estado; Lula e o PT são o produto direto deles" (Foto: Arquivo/AE)

“Getúlio criou os sindicatos pelegos sustentados pelo estado; Lula e o PT são o produto direto deles” (Foto: Arquivo/AE)

Getúlio traiu, como Lula, a bandeira da “ética na política”, que levou os dois ao poder, em 1930 e em 2002. Getúlio, adiando a convocação de uma Constituinte e nomeando títeres como governadores dos Estados até que São Paulo se levantasse contra a sua ditadura não declarada, em 1932; Lula, aliando-se a todos os “carcomidos” da política, que se elegeu atacando, para se perenizar no poder.

Foram 87 dias de uma guerra desigual contra os Exércitos da União. São Paulo foi derrotado militarmente, mas teve uma vitória moral tão indiscutível que Getúlio, depois de devolver o governo do Estado a lideranças paulistas (na pessoa de Armando Salles de Oliveira), sentiu-se constrangido a convocar finalmente a Constituinte que deu ao Brasil, em 1934, a única Constituição verdadeiramente democrática que o país teve.

Tão democrática que o caudilho não conseguiu conviver com ela e “fechou” o país, em 1937, impondo a sua própria lei e reinstalando a ditadura. Um movimento semelhante ao que o PT repetiu agora com o Decreto 8.243, que segue vigendo, recorde-se, e determina que nossas leis passarão a ser feitas não mais exclusivamente por um Congresso legitimado pelo voto de todos os brasileiros, mas pelos “movimentos sociais” que o partido escolher.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

27/07/2014

às 14:00 \ Tema Livre

FOTOS: Mais uma amostra de que as imagens feitas por satélite também produzem arte

Veneza, a cidade mais bonita do mundo, também vista de cima (Fotos: Global Digital)

Veneza, a cidade mais bonita do mundo, também vista de cima (Fotos: Global Digital)

Às vezes, o avanço tecnológico traz entre os seus benefícios a rara capacidade de produzir arte. Mesmo que involuntária.

Aqui neste blog já vimos isso neste post e também neste outro.

Fundada em 1992, a empresa Digital Globe, radicada no estado americano de Nevada, é referência em matéria de satélites, tendo entre seus clientes empresas e instituições, militares ou civis, relacionadas a setores como Indústria, Mineração e Arquitetura.

A companhia fornece, diariamente, uma foto captada por seus satélites para o site Daily Overview, que tem como missão mostrar as particularidades, incluindo a beleza, de lugares moldados pela ação humana. De ângulos nunca vistos.

Os resultados são espetaculares:

Vinhedos em Huelva, na Espanha

Vinhedos em Huelva, na Espanha

Venture Out RV Resort, Mesa, Arizona

O “resort” turístico Venture Out RV em Mesa, Arizona, EUA

Desert Shores, em Las Vegas, Nevada, EUA

Desert Shores, em Las Vegas, Nevada, EUA

Reserva New Bullards, Yuba County, Califórnia

A reserva New Bullards, em Yuba County, Califórnia, EUA

Puente de Vallecas, distrito de Madri, Espanha

Puente de Vallecas, distrito de Madri, Espanha

Bairros insulares de Palm Island e Hibiscus Island, em Miami Beach, Flórida, EUA

Bairros insulares de Palm Island e Hibiscus Island, em Miami Beach, Flórida, EUA

O desmatamento da Floresta Amazônica, Pará

O desmatamento da Floresta Amazônica, no Pará

Muralha da China

A Muralha da China

Floresta Nacional Eldorado, Georgetown, Califórnia

Floresta Nacional Eldorado, Georgetown, Califórnia, EUA

Durrat Al Bahrain, Bahrain

A ilha artificial Durrat Al Bahrain, no Bahrein

Central de irrigação, Ha'il, Arábia Saudita

Central de irrigação, em Ha’il, Arábia Saudita

Cemintério de la Almudena, Madri

Cemintério de la Almudena, em Madri, Espanha

A cidade de Boca Raton, Flórida, EUA

A cidade de Boca Raton, Flórida, EUA

Arrozais, Yuanyang County, Yunnan

Arrozais na província de Yunnan, China

309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group, Arizona

O conjuntos de instalações da Força Aérea dos EUA conhecido com 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group, no estado de Arizona

Central Park

O Central Park, em Nova York, EUA

27/07/2014

às 1:29 \ Política & Cia

ELEIÇÕES 2014: Tucano Beto Richa perde terreno em seu grande reduto, Curitiba, onde Requião já empata na disputa pelo governo do Paraná

Richa (PSDB), Requião (PMDB) e Gleiti (PT): pesquisas já dão o ex-governador pemedebista empatado com o governador tucano (Fotos: Blog da Joice)

Richa (PSDB), Requião (PMDB) e Gleiti (PT): pesquisas já dão o ex-governador pemedebista empatado com o governador tucano (Fotos: Blog da Joice)

Desde que o senador e ex-governador Roberto Requião (PMDB) “melou” convenção de seu partido que decidiu apoiar o governador Beto Richa (PSDB), ganhou na Justiça o direito de nova convenção e teve seu grupo vencedor, mudou o cenário para a disputa do governo do Paraná.

O que parecia reeleição certa e tranquila de Richa contra a ex-chefe da Casa Civil e senadora Gleisi Hoffmann, candidata do PT, complicou-se com a entrada de Requião no páreo.

O ex-governador agora conseguiu empatar com Richa nas pesquisas de intenção de voto no próprio reduto original do governador, Curitiba, de que foi prefeito.

Leiam detalhes no blog mais bem informado sobre política no Paraná, o da jornalista Joice Hassellmann, clicando aqui.

26/07/2014

às 21:15 \ Política & Cia

Com dois disparos pelo Twitter, Dilma assassina o sobrenome de Ariano Suassuna

01Do blog de Augusto Nunes

O ex-presidente Lula é atormentado pela azia quando tenta folhear jornais e nunca leu um livro.

Sempre afinada com o chefe, como atesta o vídeo que registra um dos melhores-piores momentos de Dilma Rousseff, a sucessora é incapaz de lembrar o título e o autor do livro que jura estar lendo.

É também capaz de errar nomes de escritores que até Lula consegue recitar sem tropeções.

Nesta quarta-feira, ao saber da morte de Ariano Suassuna, Dilma sacou o Twitter do coldre para homenageá-lo com disparos de vogais e consoantes.

Como informam os textos acima reproduzidos, o primeiro atingiu atingiu na testa o sobrenome do homenageado e o segundo consumou o assassinato.

Enquanto o Brasil que pensa se despedia de Ariano Suassuna, o neurônio solitário derramava lágrimas de esguicho por um certo Ariano SUASSUANA.

26/07/2014

às 20:00 \ Tema Livre

ROBERTO POMPEU DE TOLEDO: Como no comércio internacional, o Brasil se tornou exportador de matéria-prima no futebol

(Foto: AP Photo/Felipe Dana)

“Do lado brasileiro, o grande craque da Copa foi o Cristo Redentor” (Foto: AP Photo/Felipe Dana)

RESCALDO DO RESCALDO

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

Um anúncio da safra da Copa… anúncio de quê, mesmo? Houve tempo em que os anúncios iam direto ao ponto – “Beba Coca-Cola”. Hoje a criatividade sufoca as marcas.

Houve um anúncio da safra da Copa, sabe-se lá do quê, em que um homem, de costas, vinha e depositava no chão a maleta que trazia no braço, na pose de quem chegava a algum lugar. “O futebol está voltando para casa”, dizia o locutor. E não é que o futebol voltou mesmo para casa? Voltou para a querida Europa de nascença.

País do futebol, hoje, 100 anos depois de o kaiser Guilherme II dar o pontapé inicial à I Guerra Mundial, 91 anos depois do putsch de Munique, 75 anos depois do início e 69 do fim da II Guerra Mundial, 53 depois da construção e 25 da derrubada do Muro de Berlim, nove anos depois da eleição e um depois da renúncia do papa Ratzinger, é a Alemanha.

É lá que se joga um futebol alegre e bonito. No Brasil, joga-se um futebol “de resultados” dotado da singular característica de não produzir resultados.

Do lado brasileiro, o grande craque da Copa foi o Cristo Redentor. Durante a transmissão da final, a televisão fez seguidas tomadas do Cristo com o Maracanã ao fundo, ou com a Lagoa Rodrigo de Freitas e a orla de Ipanema ao fundo. A Copa no Brasil teve obras superfaturadas, estádios destinados à ociosidade, promessas de obras viárias não cumpridas, viaduto desabado e operários mortos, mas no momento final apareceu o Cristo para segurar as pontas.

O milagre que faltou no gramado veio do alto, como é próprio dos milagres. O Redentor entrou em campo, em transmissão ao vivo captada até os confins do universo, para marcar um gol mais bonito do que o de Robben contra a Espanha.

A vitória do Brasil na Copa de 1958 iniciou uma revolução copernicana na geopolítica do futebol. A vitória de 1970, a terceira em quatro Copas, consolidou a convicção de que subdesenvolvidos, em futebol, eram os europeus. A Copa de 2014 repõe as coisas em seus lugares. Rico é rico, pobre é pobre, e rico fala mais alto e mais grosso que pobre em tudo.

Tal qual ocorre no geral do comércio internacional, subdesenvolvido é o exportador de matéria-prima. O Brasil, no futebol, virou exportador de matéria-prima, e não se vislumbra como possa escapar dessa sina.

Há uma coisa chamada mercado, em primeiro lugar. Em segundo, há internamente uma engrenagem reunindo cartolas, técnicos, empresários, olheiros e outros agentes mancomunados no grande negócio, ilícito em boa parte, da exportação de jogadores. Em terceiro, de modo cruelmente insidioso, já se introjetou no moleque das peladas o sonho de jogar no Barcelona, não no Corinthians ou no Flamengo.

Angela Merkel assistiu ao jogo inaugural da Alemanha, contra Portugal, e, mostrada várias vezes na TV, festejou cada um dos quatro gols do seu time. Voltou para assistir à final, contra a Argentina, e festejou a conquista do torneio. Como diria o Ancelmo Gois, deve ser terrível viver num país onde o futebol é explorado para fins políticos.

Dois turistas alemães foram presos por roubar uma escultura alusiva ao futebol no saguão do Aeroporto de Guarulhos. Deve ser terrível a criminalidade naquele país.

O craque alemão Schweinsteiger, depois da conquista, fez uma “saudação especial” a Uli Hoeness, ex-presidente do Bayern de Munique, hoje cumprindo pena por evasão fiscal. Deve ser terrível viver num país em que se incentiva o crime.

Dia do jogo Brasil x Alemanha, num bairro central de São Paulo. O vizinho amanhece já tocando sua vuvuzela. Jogo do Brasil é assim. A festa começa muitas horas antes. Há um clima de eufórica espectativa no ar. Vuvuzelas, buzinas, bandeiras. O clamor da vuvuzela do vizinho intensifica-se à medida que vai chegando a hora.

Aí começa o jogo. Um a zero para a Alemanha, dois, cinco a zero. Vuvuzela calada. Seis a zero, sete a zero. Então, aos 45 minutos do segundo tempo, Oscar escapa, engana o goleiro Neuer e marca. Gol do Brasil!!! A vuvuzela dispara. Fica-se imaginando o vizinho levantando do sofá, aturdido, arrasado, mas atento ao chamado do dever.

Nem Oscar comemorou. Mas quem possui uma vuvuzela assumiu com ela um compromisso moral, mesmo que seu grito esganiçado àquela altura soasse como um gemido.

 

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