Blogs e Colunistas

24/04/2015

às 21:57 \ Tema Livre

Amigos do blog, chegou a hora do adeus. Levarei a lembrança desses quase cinco anos no coração

adeus

Amigas e amigos, conforme anunciei desde o mês passado, hoje é meu último dia neste blog que estreou a 13 de setembro de 2010.

54,3 milhões de acessos, 12.275 posts e 242.438 comentários depois, deixo o blog.

Da mesma forma como fiz no primeiro anúncio, repito: não se trata, absolutamente, de nada relacionado à Editora Abril ou a VEJA, pois ambas me trataram de forma principesca desde que voltei pela terceira vez à empresa — terceira vez porque trabalhei na edição escrita de VEJA durante uma década, entre os anos 70 e 80, mais tarde atuei por um ano e meio, entre 1985 e 1986, em outra revista, retornei em 1992 para ocupar diferentes funções de direção e, em 2001, depois de combinar com meus chefes com grande antecedência, decidi deixar a Abril, deixar de ser executivo e passar a ser mais dono de meu nariz.

A decisão de deixar o blog é estritamente pessoal, uma decisão de vida, que levei já em setembro do ano passado ao diretor de Redação de VEJA, Eurípedes Alcântara — autor do convite para que eu fizesse este blog.

Ele entendeu minhas razões com simpatia e generosidade. A ele, entre incontáveis gentilezas, devo a alegria e o prazer de haver caminhado para o final da carreira justamente na sua ponta mais moderna — a internet. Para tanto, o diretor de Redação do site de VEJA, Carlos Graieb, igualmente gentil e generoso, colaborou de forma decisiva.

Completei em março 50 anos em redações. Comecei cedo, antes de chegar aos 19 anos, e daí para a frente nunca mais desliguei as antenas do que estava acontecendo. A maior parte dos jornalistas acaba incorporando essa atitude mental de forma permanente. Ela nos fornece uma enorme adrenalina, mas também exige muito, abrangendo as pessoas queridas que nos cercam mais de perto: a família.

Quero mudar isso de vez. Disponho da melhor das razões: toda a minha família reside fora do país, em Barcelona, na Espanha, e quero ter com eles a convivência que, mesmo com visitas frequentes, a distância não permite. Minha filha, que é jornalista, e o marido lá vivem há 14 anos. Meu filho, que é jornalista e músico — e pai do meu netinho –, com a mulher, está há oito anos na cidade. Minha mulher já seguiu para lá há alguns meses, e me faz enorme falta, como todos.

Como costumo brincar com a família e os amigos, a areia da minha ampulheta já escorreu muito da parte de cima para a de baixo. Espero que o estoque ainda dure muito mais, mas é hora de aproveitar mais a vida e sobretudo de cultivar mais e melhor os muitos afetos. Por esta razão, virei com frequência ao Brasil, já sem o peso do trabalho fixo, para estar com meus irmãos, meus sobrinhos, meus primos, os muitos amigos.

Aos amigos eventualmente interessados no trabalho que desenvolvi ao longo de minha trajetória profissional antes do blog em VEJA, por meio de reportagens, entrevistas, artigos, editoriais, notas em colunas, livros, fotos, vídeos e áudios, deixei anteriormente neste espaço o link de meu site — já bastante recheado, mas ainda em construção –, mas não custa repetir: é www.ricardosetti.com

O site não é um arquivo morto, uma vez que venho acrescentando, a cada dia, bastidores nunca revelados anteriormente de fatos que cobri ou de situações que vivi durante a trajetória profissional. Mais adiante, a home page será alterada para poder abrigar atualizações frequentes.

obrigado okQuero exprimir aos leitores, neste post final, meu imenso sentimento de gratidão pelo prestígio e a generosidade da audiência, pela intensa participação por meio dos comentários — e aqui incluo, naturalmente, os comentários críticos –, pela alegria diária que me proporcionaram com sua presença em minha tela de computador.

Levarei no coração, para sempre, a lembrança desses quase cinco anos.

Que vocês todos sejam muito felizes! E, de novo, obrigado!

24/04/2015

às 20:55 \ Política & Cia

Com Sarney já fora do Senado, proposta sua de mudança na Constituição termina com a absurda data de 1º de janeiro para a posse de presidentes. O problema é que, na prática, se aprovada, a emenda daria 15 dias mais de mandato para Dilma

Sarney, como presidente do Senado, sentado num sofá centenário trazido da velha sede do Rio: emenda restaura um mínimo de bom senso (Foto: Agência Senado)

Sarney, como presidente do Senado, sentado num sofá centenário trazido da velha sede do Rio: emenda restaura um mínimo de bom senso (Foto: Agência Senado)

O propósito do ainda senador José Sarney (PMDB-AP) em 2011 era ambicioso: queria, com a proposta de emenda constitucional 38, de 2011 (PEC 38/2011), mexer no grande vespeiro que é a questão do tamanho dos mandatos de presidentes da República, de governadores de Estado e de prefeitos, que desejava fixar em cinco anos.

Depois de longa tramitação por comissões do Senado, relatores e revisores, a proposta foi podada da questão dos cinco anos, se tornou mais modesta e, como já está pronta para ser votada, poderá acabar com um dos muitos pontos ridículos da Constituição de 1988: aquele que, por alguma razão ignorada, e que passou despercebida pelos principais cabeças da Constituinte, fixa em 1º de janeiro a data da posse do presidente da República e dos governadores de Estado.

Ora, escolher o primeiro dia do ano, feriado em quase todo o planeta, e dia seguinte aos festejos do réveillon, revelou-se uma péssima opção. Para os presidentes eleitos, tornou praticamente inviável conferir à cerimônia mais majestade, com a presença de chefe de Estado ou governo de grandes países. Para os governadores eleitos, virou um pesadelo: como todos pretendem comparecer à posse do novo presidente, à tarde, em Brasília, a maioria é empossada às pressas, na correria, para poder chegar a tempo em Brasília. Governadores de Estados mais distantes geograficamente, como os do Acre e do Amazonas, chegam a tomar posse de madrugada.

É uma mancada e, ao mesmo tempo, um vexame.

A PEC proposta por Sarney, e depois assinada por outros 33 senadores, estabelece posse do presidente da República em 15 de janeiro; de governador e prefeito em 10 de janeiro; e de deputados estaduais e distritais em 1º de fevereiro, mesma data já atualmente prevista para a dos deputados federais e senadores.

Como já passou por cinco sessões de discussão na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, a matéria aguarda apenas a inclusão na ordem do dia para ser votada pelo conjunto de senadores. A coisa pode enroscar, porém, em um ponto: para acertar os relógios das posses, a PEC previa em 2011 — e assim continua — que a presidente Dilma deixará o poder a 15 de janeiro de 2019, ganhando 15 dias de mandato de graça. Os governadores e prefeitos ganham dez dias.

Tudo seria mais simples se o projeto fosse alterado para valer para o presidente seguinte a Dilma, e aos governadores e prefeitos eleitos em 2018. Não haveria, assim, prorrogação de mandatos, por poucos dias que seja, mas o estabelecimento, em caráter excepcional, de 4 anos e 15 dias como o mandato de um futuro presidente, em uma única vez. Não haveria mudança das regras durante o jogo.

24/04/2015

às 19:45 \ Política & Cia

IMPORTANTE: Em ordem do dia sobre o Dia da Força, general Villas-Bôas deixa claríssimo que o Exército é “democrático” e “apartidário” — e afirma que ideais de liberdade e democracia são “caros ao povo brasileiro”

O general Eduardo Dias da Costa Villas-Bôas, no ano passado, ao receber o título de cidadão de Manaus. Ele na época era o comandante militar da Amazônia (Foto: Tiago Correa/CMM)

O general Eduardo Dias da Costa Villas-Bôas, no ano passado, ao receber o título de cidadão de Manaus. Ele na época era o comandante militar da Amazônia (Foto: Tiago Correa/CMM)

Em celebração do Dia do Exército, 19 de abril, domingo, o comandante da Força, general Eduardo Dias da Costa Villas-Bôas, emitiu uma Ordem do Dia que adquire importância especial nos temos que vivemos.

O general aborda o que chama de “o novo Exército”, saúda os militares que cumprem seu dever em diferentes regiões e relaciona as missões que lhe competem. Em dois trechos, deixa claro compromissos do Exército com o país e com a democracia, sem qualquer engajamento político-partidário.

Vejam só este aqui:

“Uma nova Força Terrestre para o mesmo Exército, sempre democrático, apartidário e inteiramente dedicado ao serviço da
Nação, desenvolvendo suas atividades em ambiente respeitoso, humano, fraterno, digno, honesto, disciplinado, responsável e solidário.”

E este outro, referindo-se a uma data que se aproxima:

“No próximo dia 8 de maio, celebraremos (…) os 70 anos da vitória na memorável campanha da Força Expedicionária Brasileira
na Segunda Guerra Mundial, construída por homens e mulheres comuns, mais uma vez negros, índios, pardos e brancos, enviados para
lutar em solo estrangeiro, muito longe da Pátria e em defesa dos ideais de liberdade e democracia tão caros ao povo brasileiro.”

Para ler a íntegra da Ordem do Dia, basta clicar na continuação.

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24/04/2015

às 15:00 \ Política & Cia

A charge de SPONHOLZ: Dom Quixote

a charge dom quixote

24/04/2015

às 14:00 \ Política & Cia

VÍDEO: Senador Ronaldo Caiado (DEM) acha que decisão do TCU sobre manobras fiscais do governo abre espaço para iniciar processo de impeachment contra Dilma. E chama o governo de “corrupto, criminoso e incompetente”

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que tem sido uma das vozes mais fortes a proclamar a necessidade de se decretar o impeachment da presidente Dilma, defendeu em discurso a tese de que a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) enquadrando o governo em crime de responsabilidade abre espaço para instaurar um processo contra presidente Dilma Rousseff.

O Tribunal de Contas, como se sabe, aprovou por unanimidade o voto do ministro José Múcio Monteiro em que conclui que manobras fiscais do governo para tentar segurar o rombo nas contas públicas, ao atrasar repasses a bancos públicos, desrespeita a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), Lei Complementar 101/2000.

Caiado declarou que a decisão do TCU reflete o que setores da oposição já vêm denunciando há muito tempo, além do sentimento das ruas, que — segundo o líder do DEM no Senado — protesta contra “um governo, corrupto, criminoso e incompetente”.

23/04/2015

às 19:41 \ Política & Cia

LULA, ENFÁTICO: “O povo tem legitimidade para tirar presidente do poder”. Só que ele disse isso… em 1995. E agora, mudou de opinião?

Ah… nada como um dia após o outro.

Pois não é que o Lula, o mesmo Lula que hoje faz de tudo nos bastidores para manter o lulopetismo no poder, o mesmo Lula cujo partido classifica de “golpismo” a defesa do impeachment da presidente Dilma, o mesmo Lula chefão do partido que desqualifica as gigantescas manifestações de protesto contra o governo Dilma, o mesmo Lula de sempre, enfim, já defendeu, clara e expressamente, a tese de que o povo tem legitimidade para afastar presidente da República?

Foi em 1995, no programa Altas Horas, de Serginho Groisman, na TV Globo.

23/04/2015

às 18:41 \ Política & Cia

CPI: executivo admite encontros com Vaccari e “doação” ao PT a pedido de Duque, então na Petrobras

Augusto Mendonça: Vaccari, o tesoureiro do PT, lhe telefonava para cobrar o pagamento das propinas (Foto: Agência Câmara)

Augusto Mendonça: Vaccari, o tesoureiro do PT, lhe telefonava para cobrar o pagamento das propinas (Foto: Agência Câmara)

Diretor da Toyo Setal disse ainda que propina na Diretoria de Serviços era generalizada. E que diretores da estatal se associaram ao clube do bilhão a partir de 2005

Por Gabriel Castro e Marcela Mattos, de Brasília, para VEJA.com

O executivo da Toyo Setal, Augusto Mendonça, um dos delatores do esquema do petrolão, falou por mais de sete horas nesta quinta-feira à CPI da Petrobras. Ele admitiu que fez doações eleitorais ao PT a pedido de Renato Duque, então diretor de serviços da Petrobras – e que, segundo o próprio Mendonça, também cobrava propina em contratos da estatal. Também afirmou ter se reunido com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, aproximadamente dez vezes.

O primeiro dos encontros, segundo o empresário, se deu em 2008, quando Vaccari ainda não ocupava a Secretaria de Finanças do partido. O executivo reconheceu que Duque lhe pediu que procurasse especificamente por Vaccari na sede do PT em São Paulo, para tratar de doações eleitorais.

Além de confirmar as doações feitas ao PT a pedido de Duque, o executivo afirmou que esses valores eram descontados da contabilidade da propina cobrada pelo então diretor. “Os pagamentos que eu identifiquei no meu depoimento e somam aproximadamente 24 milhões foram feitos a pedido de Renato Duque. Esses pagamentos eram vinculados a valores que eu deveria passara para ele”, afirmou o depoente.

Ele disse ainda que João Vaccari Neto lhe telefonava para cobrar os pagamentos quando havia atraso de doações prometidas. “Do lado da diretoria de Serviços foram feitos pagamentos, a maior parte deles no exterior, e foram feitas contribuições ao Partido dos Trabalhadores a pedido de Renato Duque”, afirmou o executivo.

“Duque nunca verbalizou ‘se você não contribuir vou te atrapalhar’, mas era uma coisa muito visível, muito evidente. A contribuição ali era no sentido de não ser atrapalhado”, afirmou o depoente, que fechou acordo de delação premiada com a Justiça. As informações confirmam a tese dos investigadores, de que parte da propina que circulava no esquema foi paga via contribuições eleitorais legais em 2010.

Ainda sobre a campanha daquele ano, Mendonça afirmou ter se encontrado com o ex-presidente Lula. “Naquela oportunidade, conversei com todos os candidatos à Presidência. Com a Dilma também estive algumas vezes”, disse o executivo. Ele ainda informou que se reuniu com o ex-ministro e mensaleiro condenado José Dirceu “algumas vezes” para tratar de assuntos do mercado offhore.

Augusto Mendonça também confirmou que sua companhia repassou 2,5 milhões de reais para a gráfica Atitude, ligada ao Sindicato dos Bancários de São Paulo. Oficialmente, o valor foi usado para a compra de um espaço publicitário em uma revista. Os investigadores da Lava Jato estão convencidos de que a Atitude era usada por Vaccari para receber propina de empresas como a Toyo Setal.

Diante das revelações sobre os encontros com Vaccari antes mesmo do petista se tornar tesoureiro do partido, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) sentenciou: “Em 2008 ele era agente de propina. Ele era assaltante da Petrobras. E foi nessa condição que o senhor falou com ele”. Vaccari sempre negou ter arrecadado recursos para o PT antes de assumir o cargo de tesoureiro, em 2010.

Cartel - Em seu depoimento, Augusto Mendonça também afirmou que o cartel de empreiteiras formado para combinar o resultado de licitações da Petrobras só se associou a diretores da estatal a partir de 2005, durante o governo Lula. O empresário disse que o chamado “clube do bilhão” surgiu na segunda metade dos anos 1990 – mas, naquela época, não havia conluio com diretores da estatal. Isso só ocorreria anos depois, já durante a administração petista.

“Lá pelo ano de 2005, 2006 o grupo foi ampliado e ganhou efetividade. Ou seja, tinha mais condição de funcionar a partir do instante em que houve uma combinação, com os diretores da Petrobras, das empresas que seriam convidadas para participar das licitações”, disse ele.

O depoente afirmou também que a cobrança de propina se dava de forma generalizada dentro das diretorias de Serviços, comandada por Renato Duque, e de Abastecimento, sob o comando de Paulo Roberto Costa. “Essas duas diretorias só conseguiram fazer isso porque atuavam em conjunto”, disse ele. Além dos dois diretores, ele afirmou que tratava de propina com Pedro Barusco, que era gerente sob o comando de Duque. “Essas três pessoas são as pessoas que eu sei que estavam envolvidas dentro da Petrobras”.

Embora afirme não saber de desvios em outras áreas da Petrobras, o depoente admitiu que o sistema de contratação deixava brechas. “Não tenho a menor dúvida de que, dentro desse relacionamento entre a Petrobras e as empresas fornecedoras, existem diversas oportunidades de corrupção”, disse ele.

O executivo também disse que começou a pagar propina depois de ser procurado pelo ex-deputado José Janene (PP-PR), por volta de 2007. “Ele se colocou como o responsável pela indicação do Paulo Roberto Costa e afirmou que, se nós não fizéssemos uma contribuição a ele ou ao Paulo Roberto em nome dele, nós seríamos duramente penalizados”, disse ele. Mendonça relatou que o então deputado, que morreu em setembro de 2010, indicou o doleiro Alberto Youssef como o responsável pelo recebimento da propina.

23/04/2015

às 17:03 \ Política & Cia

Mais uma vergonha do lulopetismo: Secretaria dos Direitos Humanos, que deveria ter posto de honra no governo, serve como moeda de troca — para dar emprego a “companheiros”

(Fotos: ABr :: Pedro Ladeira/Folhapress :: Marcelo Brandt/Câmara dos Deputados)

Ideli Salvatti, Luiz Sergio, Pepe Vargas: ocupando uma secretaria nobre para quebrar um galho (Fotos: ABr :: Pedro Ladeira/Folhapress :: Marcelo Brandt/Câmara dos Deputados)

Post publicado originalmente no dia 10 de abril de 2015, e que repito porque… confesso que gostei muito!

Cogitações imaginárias — na verdade, não imaginárias assim — do que passa pela cabeça da presidente Dilma e de seus conselheiros mais próximos:

A Ideli não consegue se eleger lá em Santa Catarina? Então, sabe de uma coisa? De repente ela pode ser ministra da Pesca. Ah, tá bom? Então botamos ela lá. Beleza.

Passa-se um tempo e…

Mas acho que o Luiz Sergio não está dando muito certo como ministro das Relações Institucionais. Ninguém conhece o camarada, ninguém dá bola para ele, virou “garçom” lá no Congresso, como ocorreu com antecessores — só leva pedidos de parlamentares ao Planalto e volta com respostas, ou sem elas.

Não articula nada. Acho que não dá, não.

E que tal trazer a Ideli pro lugar do Luiz Sergio? Afinal, ela já foi senadora, conhece o pessoal…  E aí mandamos o Luiz Sergio, que não pode ficar desempregado, pro lugar da Ideli.

Se ele entende de pesca? Acho que não, porque afinal ele era metalúrgico. Mas, de repente, tendo sido prefeito de Angra dos Reis, que fica à beira-mar… E depois, será que tem mesmo que entender? O bispo Crivella, da Igreja Universal, já não foi ministro da Pesca também? — e, pra dizer a verdade, nunca perguntei a ele se já viu antes, na vida, um anzol.

Mais algum tempo e…

O diabo é que a Ideli não está funcionando nessa tal coordenação política das Relações Institucionais. A gente achou que daria certo, só que…

Então não é melhor a gente trazer o Ricardo Berzoini? Ele é durão, tentou criar na marra o Conselho Federal de Jornalismo, lembra?

O tempo passa mais um pouco, e então…

Agora, porém, temos um mandato novo. Foi por pouco, né? Bem, estamos aqui e vamos precisar do Berzoini nas Comunicações, ministério grande, cheio de dinheiro.

Só que… santo Deus, e a Ideli? O que é que a gente vai fazer com ela? Deixar na chuva é que não dá.

Ah, tem os Direitos Humanos. Vamos colocá-la ali. A Maria do Rosário não precisa mais, foi reeleita deputada lá no Rio Grande do Sul. Mais do que nomear a Ideli, vamos fazer mais ainda: confirmar que ela continuará nos Direitos Humanos durante todo o segundo mandato.

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, só que tem uma coisa: essa ideia de colocar o Pepe Vargas nas Relações Institucionais não tá funcionando, gente. Ele também virou garçom.

Precisamos de alguém melhor pro lugar dele. Quebramos a cabeça e achamos que, diante do tamanho da encrenca em que estamos metidos, a solução realmente é trazer o Temer — afinal, o cara é vice-presidente da República e presidente do PMDB. Se ele não resolver a coordenação política com os cupinchas Eduardo Cunha e o Renan, quem haverá de?

E o Pepe Vargas, minha gente? Sujeito bom, companheiro antigo lá do Rio Grande, foi prefeito de Caxias. Jogá-l0 na rua? Acho que não… Sabe de uma coisa? Tira a Ideli lá daqueles Direitos Humanos e bota o Pepe Vargas.

Chii… E agora, a Ideli, minha Nossa Senhora? Ela não tem voto em Santa Catarina, não se candidatou a nada no ano passado, confiou nos cumpanhêro. Temos que dar um jeito na situação.

Sabe de uma coisa: vamos mandá-la comandar os Correios. Ela é física de formação, foi professora, militou muitos anos como sindicalista. Não sabe nada de administrar um negócio enorme como os Correios, mas pelo menos não fica sem emprego.

E os Correios? Sei lá… A Ideli acaba dando um jeito.

 

José Gregori: um que honrou o cargo (Foto: O Globo)

José Gregori: um que honrou o cargo (Foto: O Globo)

PS — E pensar que o primeiro ocupante da Secretaria dos Direitos Humanos, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda não subordinada diretamente à Presidência, foi um homem do porte do jurista José Gregori.

Ex-presidente da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, trabalhou, com discrição mas firmeza e coragem, durante a ditadura militar, ao lado do cardeal-arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns.

Ele foi secretário dos Direitos Humanos de 1997 a 2000, sob FHC, e honrou o posto que ocupou. Entre outras coisas, foi o autor do projeto de lei que FHC enviou ao Congresso, sendo aprovado, que reconhecia a responsabilidade do Estado brasileiro pelos mortos e desaparecidos durante a ditadura. (Leiam mais aqui.)

Deixou a secretaria para ser ministro da Justiça.

23/04/2015

às 0:19 \ Política & Cia

VÍDEO: Aécio Neves diz que juristas do PSDB estão trabalhando para verificar viabilidade de um impeachment de Dilma

22/04/2015

às 15:15 \ Política & Cia

Queda de braço entre Polícia Federal e Ministério Público ameaça Operação Lava Jato

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Um dos motivos de fricção entre as duas instituições é a ressurreição de uma proposta de emenda constitucional que confere alto grau de autonomia à Polícia Federal (Foto: Estadão Conteúdo)

Por Gabriel Castro, de Brasília, para VEJA.com

Não é de hoje que Polícia Federal e Ministério Público se estranham.

Uma queda de braço ocorreu durante a discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37, de 2011. A medida restringiria à Polícia Federal a atribuição de conduzir inquéritos. O MP se movimentou e conseguiu barrá-la.

Na semana passada, veio um golpe na direção contrária. A pedido do procurador geral da República Rodrigo Janot, sete dos 26 inquéritos relacionados à Operação Lava Jato que tramitam no Supremo Tribunal Federal foram suspensos antes que a PF pudesse colher depoimentos agendados.

Em nota publicada na noite de segunda-feira, o presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal, Marcos Leôncio Souza Ribeiro, disse repudiar “a tentativa do Ministério Público Federal de interferir nas apurações da Polícia Federal”.

E poderia se tratar do enredo de sempre não fosse a entrada em cena de outra proposta de emenda constitucional: a PEC 412/2009, que confere autonomia funcional e orçamentária à PF.

O documento foi desengavetado no Congresso em fevereiro, e isso pôs a pulga atrás da orelha de muitos procuradores.

– Quando o Ministério Público tem uma investigação chave que pode ter graves consequências políticas, reaparece no Congresso uma proposta delirante de autonomia da Polícia Federal. Qual foi o tipo de persuasão de que eles se valeram para conseguir a ressurreição dessa proposta? – questiona o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Alexandre Camanho.

Combine-se o questionamento de Camanho com as alegações do MP, segundo o qual a PF estava ignorando o cronograma de oitivas definido pelos procuradores que conduzem a Lava Jato – um movimento que poderia levar, lá na frente, à anulação das investigações, especialmente em um caso que atinge pessoas com foro privilegiado.

A rixa entre as corporações começa a ganhar contornos de guerra.

 

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