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31/10/2014

às 18:02 \ Política & Cia

IMPORTANTE — URNAS ELETRÔNICAS: Entre todos os países que adotaram o voto eletrônico, o Brasil é o único que ainda utiliza urnas que podem ser manipuladas

(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Urnas eletrônicas com tecnologia ultrapassada são utilizadas apenas no Brasil (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Amigas e amigos do blog, este post foi originalmente publicado a 15 de julho passado e acabou sendo um dos mais acessados na história do blog.

No momento em que há uma grande interrogação sobre o que ocorreu no dia 26 de outubro — quando, devido à necessidade de esperar o fechamento das urnas no Acre antes da divulgação dos resultados para a Presidência, quando o TSE anunciou seus primeiros números Dilma já estava praticamente eleita –, achei importante republicar o post, que traz uma análise técnica sobre a fragilidade das nossas urnas eletrônicas.

Publicado originalmente a 15 de julho de 2014

AS URNAS BRASILEIRAS ESTÃO ULTRAPASSADAS

Texto de Walter Del Picchia, professor aposentado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e participante do Fórum do Voto Eletrônico

Um estudo publicado no site do voto eletrônico pelo engenheiro Amilcar Brunazo Filho, coordenador do Fórum do voto eletrônico e um dos maiores especialistas em segurança de dados, demonstra cabalmente que nossas urnas eletrônicas, endeusadas como a oitava maravilha do mundo, na realidade estão tecnicamente ultrapassadas pelas utilizadas nos dez países onde se realizam eleições informatizadas (Modelos e Gerações das máquinas de votar – Janeiro/2014).

Ele descreve os três modelos conhecidos (DRE, VVPAT e E2E), denominando-os como de Primeira, Segunda e Terceira gerações. Estas denominações traduzem o fato de que os três modelos surgiram como evolução, um após o outro, para resolver algum problema do modelo anterior.

Em todo o mundo onde se usa voto eletrônico, excluindo-se o Brasil, modelos de 1ª geração já foram abandonados, devido à sua inerente falta de confiabilidade e absoluta dependência do software (ou seja, modificações intencionais ou erros não detectados no software poderiam causar erros não detectados nos resultados da votação).

A 1ª Geração – DRE

Nas urnas de 1ª geração, conhecidas por DRE (Direct Recording Electronic voting machine — máquina de gravação eletrônica direta do voto), os votos são gravados apenas eletronicamente, não oferecendo possibilidade de auditoria por outros meios. Deste modo, a confiabilidade do resultado publicado fica totalmente dependente da confiabilidade do software instalado no equipamento.

Máquinas DRE foram usadas em eleições oficiais em 1991 na Holanda, em 1992 na Índia e desde 1996 no Brasil. O modelo brasileiro chegou também a ser usado em alguns países latino americanos entre 2002 a 2006.

A falta de confiabilidade do modelo DRE (utilizado no Brasil) fez com que, a partir de 2004, este modelo fosse substituído por outros mais evoluídos e confiáveis. De 2004 a 2012, a Venezuela, a Holanda, a Alemanha, os Estados Unidos, o Canadá, a Rússia, a Bélgica, a Argentina, o México e o Paraguai abandonaram o modelo DRE de 1ª Geração.

Em 2014, a Índia e o Equador adotarem modelos mais avançados, de maneira que restou apenas o Brasil ainda usando o modelo DRE de 1ª Geração em todo o mundo.

A 2ª Geração – IVVR ou VVPAT

A 2ª Geração foi proposta formalmente em 2000 (tese de doutorado da Ph.D Rebecca Mercury, disponível na internet). Na tese, foi proposta a possibilidade de auditoria contábil da apuração por meio de uma segunda via de registro do voto, além do registro eletrônico usual.

Este novo registro deveria ser gravado em meio independente que não pudesse ser modificado pelo equipamento de votação e deveria poder ser visto e conferido pelo eleitor antes de completar sua votação. Ela propôs o nome “Voter Verifiable Paper Audit Trail” (Documento de Auditoria em Papel Conferível pelo Eleitor), ou VVPAT.

Urna VVPAT brunazo.eng.br

Uma urna VVPAT — que produz “voto impresso conferível pelo eleitor” — fabricada na Espanha desde 2006 (Foto: brunazo.eng.br)

Posteriormente, a literatura técnica adotou também o nome “Independent Voter Verifiable Record” (Registro Independente Conferível pelo Eleitor), ou IVVR. No Brasil é comum ser chamado de “Voto Impresso Conferível pelo Eleitor”, ou VICE. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

31/10/2014

às 16:00 \ Política & Cia

POST DO LEITOR: Os 54 milhões de brasileiros que votaram em Dilma acreditaram na propaganda de que vivem na Finlândia, que tudo é perfeito e que nem roubalheira existe

(Foto: Ricardo Matsukawa)

Com a reeleição de Dilma Rousseff (PT), a festa foi grande, mas todos os brasileiros perderam, diz o leitor Mauro Pereira (Foto: Ricardo Matsukawa)

E OS FINLANDESES FORAM ÀS URNAS!

Post do amigo do blog Mauro Pereira

POST DO LEITORO resultado da eleição presidencial não se destacou apenas pela campanha eleitoral que o precedeu e que deixará como lembrança a sombria constatação de que ficará marcada nos anais de nossa história política como uma das mais sórdidas e rasteiras que a sociedade brasileira já testemunhou.

Deixou transparecer, também, um insólito fenômeno quase imperceptível mostrando que embora vivamos sob a égide da mesma bandeira e da mesma Constituição, dois povos distintos conviveram simultaneamente durante um pequeno lapso temporal realidades antagônicas nos grotões desse imenso território verde e amarelo.

De um lado, seduzidos pela notável capacidade de convencimento da candidata reeleita, 54 milhões de brasileiros e brasileiras acreditaram que eram finlandeses e que viviam na Finlândia, um dos países mais desenvolvidos do mundo e, por causa disso, reverenciado internacionalmente pelo elevado padrão de vida que oferece à sua população, além de se sobressair como uma das nações com os menores índices de corrupção do planeta.

Entorpecidos pela sensação inusitada, os lapões tupiniquins foram às urnas e não desperdiçaram a oportunidade de extravasar a extensão do seu contentamento com o poder central, outorgando à sua presidente mais um mandato de quatro anos.

E nem poderia ser diferente, afinal estavam convictos de que habitavam uma nação onde a miséria praticamente inexiste, o índice de criminalidade é ínfimo, a média do salário dos trabalhadores permanece consolidada bem próxima de três mil dólares mensais e a imensa maioria é valorizada com empregos decentes, tudo isso assentado em um crescimento econômico vigoroso e constante.

Em reconhecimento a números e dados de tamanha envergadura, decidiram, então, que tinham a obrigação moral de retribuir com o voto aos benefícios advindos do bem elaborado plano habitacional que assegura a praticamente 100% da população o acesso à casa própria, ao privilégio de terem à disposição um primoroso programa de assistência médica e hospitalar e à constatação de que os aposentados são homenageados com a contrapartida do salário digno.

Orgulham-se de seus governantes que durante todo o mandato conservaram intacto o imaculado manto da honestidade mantendo-o impermeável à prática nefanda da corrupção e que com habilidade reservada somente aos grandes estadistas conseguiram consolidar, sem precisar lançar mão da excrescência da cooptação ou de qualquer outra ilicitude, uma maioria sólida no Congresso Nacional suficientemente capaz de garantir a implementação de ousado e moderno projeto de governo concebido para atender as justas demandas do seu povo.

Não fazem questão de disfarçar o ufanismo incontido que lhes eleva a autoestima ao revelarem ao mundo a inatacável retidão de caráter de seus representantes no Executivo Federal, cujo exemplo de ética se evidenciou ao coibirem com veemência o uso da máquina do Estado no desenrolar da campanha não permitindo que o eleitor fosse achacado com a ameaça da perda de benefícios sociais caso votasse no candidato adversário e ameaçando, inclusive, exonerar qualquer ministro que se atrevesse a tirar proveito de sua privilegiada condição para angariar vantagens eleitorais.

A fulgência desse cenário resplandecente apascenta suas consciências, uma vez que seus idosos são venerados, seus jovens têm garantido o acesso a uma educação de altíssimo padrão e suas crianças podem manifestar todo o saudável esplendor de sua morenitude nórdica, preservadas que são por uma intransponível malha protetora que as mantém incólumes à ação maléfica de fossas cépticas imundas, distantes de águas apodrecidas e salvas das barbáries da exploração sexual e do trabalho infantil.

Do outro lado, restou aos 51 milhões de miscigenados brasileiros orgulhosos dessa mistura, além de manifestarem sua brasilidade, assistirem com indisfarçável ponta de inveja a justa festa da vitória que recepcionou a madrugada inebriante iluminando-a com a exuberância dos fogos de artifícios que riscaram os céus da avatárica República Federativa da Finlândia dos Trópicos.

Felizmente, me mantive imune à sedução e, como prêmio, não fui convidado para essa comemoração!

Tomo por óbvio que, a bordo do trem-bala que a acomodou, essa multidão ainda viaja pelos trilhos da insolitude e curte inebriada as últimas paisagens dessa aventura pelo interior gelidamente ensolarado da Finlândia tropicana que se refugiou; entretanto, não me parece desonesto presumir que superada a festança, o êxtase se dissipará e a grande maioria dessa procissão composta por brasileiros que jamais tiveram o menor contato com o significado da palavra cidadania será remetida de volta à dura realidade que a cerca, obrigando-a a encarar novamente, e com a mesma submissão, a crueza do cotidiano que a mantém refém da chantagem oficial, vítima da pilantropia inescrupulosa do governante de plantão e escrava de sua triste ignorância.

Talvez na próxima eleição apareça alguém hábil o suficiente para reunir outros 54 milhões de eleitores e fazê-los sentirem-se finlandeses outra vez, nem que seja por um curto espaço de tempo. Quem sabe?

No Brasil real, lamentavelmente, entre brancos, nulos e abstenções feriram-se todos.

31/10/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Depois do aumento dos juros pelo Banco Central do governo Dilma, é ilustrativo rever este vídeo. Ela se dirigindo a Aécio: “Candidato,vocês sempre gostaram de plantar inflação para colher juros”

Será que preciso comentar? Dêem uma conferida?

31/10/2014

às 13:51 \ Política & Cia

Jornal ‘O Globo’ corrige nota que deu origem a boataria na internet sobre um eventual desmentido do doleiro Alberto Youssef a respeito de sua acusação de que Dilma e Lula sabiam da roubalheira na Petrobras

O  doleiro Alberto Youssef: segundo ele, Lula e Dilma sabiam de tudo sobre a roubalheira na Petrobras para rechear o caixa de partidos da base aliada do governo no Congresso. No curso do processo, ele precisará provar o que disse (Foto: Folhapress)

O doleiro Alberto Youssef: segundo ele, Lula e Dilma sabiam de tudo sobre a roubalheira na Petrobras para rechear o caixa de partidos da base aliada do governo no Congresso. No curso do processo, ele precisará provar o que disse (Foto: Folhapress)

De VEJA.com

O jornal O Globo corrigiu nesta quinta-feira uma nota que criou dúvidas indevidas sobre o depoimento que Alberto Youssef prestou à Polícia Federal e ao Ministério Público em 21 de outubro, em seu processo de delação premiada.

O jornal havia afirmado que no dia 22 de outubro, uma quarta-feira, um dos advogados do doleiro pediu para que ele fosse ouvido novamente, para retificar suas declarações. Nessa ocasião, instado pelo defensor, Youssef teria feito a afirmação de que a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, sabiam do bilionário esquema de corrupção na Petrobras.

Nesta quinta-feira, depois de ouvir o advogado Antonio Figueiredo Basto, O Globo se retratou. “Não existiu depoimento (de Youssef) na quarta, não existiu retificação, e os advogados não se manifestam”, afirmou Basto ao jornal.

A reportagem de capa de VEJA desta semana revelou o diálogo travado entre Youssef e os investigadores no dia 21.

Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção, o doleiro foi taxativo:

– O Planalto sabia de tudo!

– Mas quem no Planalto? — perguntou o delegado da Polícia Federal.

– Lula e Dilma — respondeu o doleiro.

A informação foi corroborada no dia seguinte por reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, que ouviram fontes próprias.

A divulgação da nota de O Globo na quarta-feira, postulando a existência do que nunca existiu – o “depoimento de retificação” –, ganhou repercussão na coluna do jornalista Janio de Freitas, da Folha de S.Paulo, e alimentou uma rede de boatos na internet, criando confusão e incerteza em torno das circunstâncias em que Youssef implicou Dilma e Lula no petrolão.

A confusão foi desfeita agora.

[Neste caso das declarações de Youssef, é sempre importante lembrar que elas não produzirão qualquer consequência jurídica para Lula, Dilma ou quem quer que seja -- e nem lhe acarretarão benefícios de réu colaborador, como redução da pena a que for condenado -- se ele não provar de forma cabal à Justiça que disse a verdade.]

30/10/2014

às 23:00 \ Política & Cia

O PMDB e os presidente do Senado e da Câmara podem ter todos os defeitos do mundo — mas não são liberticidas como o PT. E merecem o reconhecimento por se oporem com firmeza ao decreto bolivariano de Dilma, que já caiu na Câmara

(Fotos: Jane de Araújo/Agência Senado :: Rodolfo Stuckert/Agência Câmara)

Renan Calheiros, presidente do Senado, e Henrique Alves, presidente da Câmara: dando livre curso à tendência do Congresso de dizer “não” ao decreto dos “conselhos populares”(Fotos: Jane de Araújo/Agência Senado :: Rodolfo Stuckert/Agência Câmara)

Já perdi a conta das vezes em que critiquei neste blog o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Pois tenho que dar a mão à palmatória a ambos em razão da parede que estão ajudando a erguer para impedir a existência legal do decreto nº 8.243, de 23 de maio de 2014, pelo qual a presidente Dilma criou um tal “Sistema Nacional de Participação Social” — na prática, instituindo “conselhos populares” à moda de países bolivarianos, à margem das instituições de representação popular criados pela Constituição e que constituem uma ameaça a mais do PT à democracia.

Henrique Alves foi quem colocou em votação, anteontem, terça, 28, o projeto de decreto legislativo que derruba os “conselhos populares”. De forma mesquinha, setores do lulopetismo atribuíram o gesto do presidente da Câmara como uma desfeita ao Planalto e ao ex-presidento Lula, que, na eleição para governador do Rio Grande do Norte, em que Alves era candidato do partido nacionalmente aliado ao PT, apoiaram seu adversário do PSD, Robinson Faria, que acabaria sendo eleito.

Foi mais do que isso. Henrique Alves, com a experiência de quem é deputado há onze mandatos consecutivos, sabia desde o início que a Câmara, a despeito de vergar-se ao lulopetismo em uma série de temas, abrigava uma forte oposição ao decreto bolivariano. Ele próprio chegou a expressar reservas à medida.

(Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Ministro Gilberto Carvalho, que Augusto Nunes chama de “coroinha de missa negra”: ironizando o Congresso e levando contravapor do presidente do Senado (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Quanto a Renan, presidente do Senado, suas declarações desta quarta-feira não deixam muita margem a dúvidas sobre de que lado está. Ele anunciou, sem meias palavras, que a Casa vai derrubar o decreto do governo e deu como certo que os senadores vão acompanhar a decisão da Câmara e aprovar a resolução que anula o decreto. “Já havia um quadro de insatisfação com relação a essa matéria”, afirmou. “O decreto ser derrubado na Câmara não surpreendeu, da mesma forma que não surpreenderá se for — e será — derrubado no Senado”, disse.

Notem este “e será”. O próprio Renan, em conversas privadas com interlocutores, deixa clara sua oposição e sua má-vontade contra o decreto de Dilma, mas, matreiro, nega que a decisão da Câmara seja um sinal de insatisfação pós-eleitoral na base parlamentar governista. “Essa dificuldade [de aprovar o decreto] já estava posta antes das eleições, apenas se repete. Essa questão da criação de conselhos é conflituosa, não prospera consensualmente no Parlamento e deverá cair”, previu.

Como não podia deixar de ser, o ministro Gilberto Carvalho, o “Gilbertinho” — ex-seminarista que meu amigo Augusto Nunes costuma chamar de “coroinha de missa negra” –, que, de acordo com o decreto, seria o coordenador desses conselhos bolivarianos escolhidos a dedo, sem eleição, chiou, e ironizou a Câmara dos Deputados. “É uma vitória de Pirro”, sentenciou a caixa-preta de Santo André, “quando (sic) o Congresso, de maneira persistente, insistente, acabou criando um decreto legislativo que derrota o decreto da presidente”.

E acrescentou: “Nada mais anacrônico, contra os ventos da história, nada mais do que uma tentativa triste de se colocar contra uma vontade irreversível do povo brasileiro, que é de participação”.

Quem é o ministro para dar lições ao Congresso? Ele não foi eleito para nada, vive há anos e anos dependurado na administração pública por ser do PT, não tem mandato, não dispõe de eleitores, não representa ninguém — quem sabe, algo dos “movimentos sociais” do qual é o interlocutor do governo, sempre passando a mão na cabeça de entidades como o MST quando enveredam pela baderna.

Em resposta ao ministro, Renan sapecou:

– Mais uma vez o ministro Gilberto Carvalho não está sabendo nem do que está falando.

Então, para concluir, eis o que penso sobre o episódio e o que ele revela.

O PMDB pode ter todos os defeitos do MUNDO. Já critiquei o partido no primeiro post publicado neste blog, em sua inauguração, quando chamei o partido de “uma jiboia faminta e insaciável, acostumada, há décadas, a triturar e digerir aliados – e a querer mais, sempre mais”. É uma coligação de interesses regionais, é um conjunto de caciques, não tem ideologia definida, não tem um projeto de Brasil, quer participar (e o faz) de todos os governos — seja de que tendência for –, é em grande parte fisiológico, quer sempre uma “boquinha” etc etc etc.

Mas tem uma grande, enorme qualidade para quem erige, como os democratas, a liberdade como supremo bem: o partido, em toda a sua existência, nunca propôs nada que arranhasse os direitos e garantias individuais, a liberdade de expressão de pensamento, a liberdade de organização, a liberdade de manifestação, a liberdade de imprensa.

Renan Calheiros e Henrique Alves têm folhas corridas políticas bastante acidentadas, para dizer o menos — mas, igualmente, jamais atentaram contra as liberdades públicas no exercício de suas funções.

Já o PT é um partido com setores de forte corte stalinista, um partido hegemônico, que pretende estender os tentáculos sobre as instituições, um partido com vocação liberticida.

Só para lembrar: em 2004, o lulalato tentou emplacar um Conselho Federal de Jornalismo idealizado por jornalistas domesticados e destinado a “orientar, disciplinar e fiscalizar” o exercício da profissão e a atividade do jornalismo — censurá-lo, em suma –, recuando diante da enorme reação do Congresso e de vários setores da sociedade.

Em 2010, gestou um projeto autoritário e proto-fascista de criar uma estatal Agência Nacional de Comunicação (ANC) proposto pelo então ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, que previa a aplicação de multas por programação considerada “ofensiva, preconceituosa ou inadequada ao horário” transmitidos por emissoras de TV e rádio e era tão ruim que recebeu o contra até de entidades alinhadas ao PT, como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Até hoje continua insistindo em calar a imprensa, como vimos em vídeo que já publiquei e republiquei e que trago de novo para os amigos do blog, em que o deputado José Guimarães, vice-presidente do partido, acusa a mídia de ter “passado dos limites” e que eles, petistas, terão que “reagir a essa ação orquestrada [da imprensa] que tem como único objetivo prejudicar o PT”.

Confiram:

30/10/2014

às 22:00 \ Política & Cia

PSDB, em ação inédita desde a volta das diretas, pede auditoria sobre o resultado da eleição presidencial

O deputado Carlos Sampaio (SP), que é promotor de Justiça de carreira:

O deputado Carlos Sampaio (SP), que é promotor de Justiça de carreira: “dúvidas desde o processo de votação até a totalização do resultado” (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Abr)

Partido cita “denúncias das mais variadas ordens”, descrença da sociedade manifestada em redes sociais — e quer que TSE crie comissão para avaliar sistema utilizado no pleito

Quatro dias depois das eleições, o PSDB ingressou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira com um pedido de auditoria sobre o resultado das eleições presidenciais.

[É a primeira vez, desde a volta das eleições diretas, em 1989, que um partido político importante adota esta medida.]

O partido, derrotado pela presidente Dilma Rousseff por uma diferença de três pontos, quer que a Corte crie uma comissão especial formada por representantes indicados pelos partidos políticos para avaliar a fiscalização dos sistemas utilizados no pleito.

Na ação, o coordenador Jurídico Nacional do PSDB, o deputado federal Carlos Sampaio (SP), ressaltou que, passadas as eleições, surgiram uma série de denúncias e desconfianças por parte da população. [O deputado Carlos Sampaio, professor de Direito, é promotor de Justiça de carreira do Ministério Público do Estado de São Paulo.]

“Nas redes sociais, os cidadãos brasileiros vêm expressando, de forma clara e objetiva, a descrença quanto à confiabilidade da apuração dos votos e a infalibilidade da urna eletrônica, baseando-se em denúncias das mais variadas ordens, que se multiplicaram após o encerramento do processo de votação, colocando em dúvida desde o processo de votação até a totalização do resultado”, diz.

Tendo em vista “dissipar quaisquer dúvidas”, Sampaio pede uma auditoria nos sistemas de votação com base em diversos documentos, como as cópias de boletins de urnas de todas as sessões eleitorais do país e dos logs originais e completos das urnas, além de todas as ordens de serviços e registros técnicos sobre atualização e manutenção do sistema e acesso aos programas e todos os arquivos presentes nas urnas eletrônicas.

O TSE ainda não se manifestou sobre o pedido.

30/10/2014

às 20:39 \ Política & Cia

Não existiu “retificação” da declaração do doleiro Youssef segundo a qual Lula e Dilma sabiam do esquema de roubalheira na Petrobras. O advogado do doleiro diz que “querem desmoralizar a delação de meu cliente”

O doleiro Alberto Youssef em um de seus depoimentos ao Congresso: a informação de que Lula e Dilma tinham ciência do Petrolão não foi desmentida por ele (Foto: Estadão Conteúdo)

O doleiro Alberto Youssef em um de seus depoimentos ao Congresso: a informação de que Lula e Dilma tinham ciência do Petrolão não foi desmentida por ele (Foto: Estadão Conteúdo)

O lulopetismo está inundando as redes sociais com uma pequena nota do jornal O Globo de ontem segundo a qual o advogado do doleiro Alberto Youssef — que, conforme VEJA publicou na edição que está nas bancas, revelou à Polícia Federal na terça-feira, dia 21, que Lula e Dilma tinham ciência da roubalheira na Petrobras para beneficiar o PT e outros partidos da base do governo — “retificou” as declarações publicadas pela revista, em um suposto depoimento ocorrido dia 22.

Entre outros veículos e jornalistas, o colunista Janio de Freitas, hoje, na Folha de S. Paulo, vai na mesma direção.

O problema com essa versão é um só: ela não é verdadeira. Para saber disso, bastaria, tanto para o repórter do Globo responsável pela notinha como para os demais que a ela se associaram, ter feito o elementar: telefonar para o advogado e indagar se a informação procedia, ou perguntar à própria Polícia Federal se era verdade.

Mas ninguém fez isso.

Na verdade, o advogado desmente que houve retificação ou depoimento na quarta, dia 22, como noticiou O Globo. Diz que se trataria de uma armação para tentar desqualificar a delação.

Eis o que o advogado Antônio Augusto Figueiredo Basto afirma, enfático:

– Não houve nada do que está escrito no jornal O Globo. É matéria falsa. Nesse dia [quarta-feira, 22] não houve depoimento no âmbito da delação. Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada na quarta-feira. Não houve retificação alguma. Ou a fonte da matéria mentiu ou isso é má-fé mesmo. A acusação contra os advogados é covarde e absurda. Estão atacando a defesa para tentar desmoralizar a delação do meu cliente.

A rede lulopetista na web está usando a declaração do advogado para confundir. O advogado, como se viu, desmente que tenha havido depoimento na quarta (22). A rede lulopetista agora espalha que ele está desmentindo que tenha havido o depoimento que VEJA noticiou como tendo sido prestado na terça (21), no qual o doleiro afirma que Dilma e Lula tinham ciência do esquema da petrorroubalheira.

30/10/2014

às 19:50 \ Política & Cia

O Banco Central aumenta os juros, preocupado com a marcha da inflação — aquela mesma que Dilma, na campanha, disse que estava “inteiramente sob controle”. Quem é que diz a verdade, afinal?

(Ilustração: american.org)

O símbolo quase universal da inflação, o dragão: ué, por que aumentar os juros se ela está “sob controle”, como diz Dilma (Ilustração: american.org)

A mesma inflação que a presidente Dilma reassegurou algumas dezenas de vezes estar “sob controle” ou “sob absoluto controle” — inclusive nos debates transmitidos pela TV– é vista de forma bem diferente pelo Banco Central, cujos diretores foram, todos, nomeados pela mesma Dilma.

Ao decidir, ontem, subir de 11% para 11,25% a taxa básica de juros da economia, a chamada taxa Selic, o Conselho de Política Monetária do BC (Copom) justificou a elevação assinalando que a alta recente do dólares, entre outros fatores, terá impacto nos preços pagos pelo consumidor e que subir os juros neste momento seria uma forma de garantir que a inflação seja mantida em níveis adequados nos próximos dois anos.

Na linguagem arrevezada, quase impenetrável, em que são redigidos seus comunicados, o BC afirmou:

“Para o comitê [o Copom], desde sua última reunião, entre os outros fatores, a intensificação dos ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável”.

Em português claro, a correria pelo aumento de preços aumentou os riscos de a inflação continuar subindo.

Então, vem à tona a velha questão: qual Dilma fala a verdade? A Dilma da campanha, segundo a qual a inflação não constituía problema, ou a Dilma cujo BC eleva juros porque a inflação preocupa?

30/10/2014

às 17:33 \ Política & Cia

Aécio volta terça a Brasília, retorna ao Senado e presidirá grande reunião do PSDB já como principal líder da oposição no país

Aécio aclamado ao ser eleito presidente do PSDB, em       (Foto: Gazeta do Povo)

Aécio aclamado ao ser eleito presidente do PSDB, em maio de 2013 (Foto: Gazeta do Povo)

O ex-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, ainda não viajou para descansar da campanha eleitoral.

Na próxima terça-feira, dia 4, retoma seu mandato no Senado da República (que se estende até fevereiro de 2019).

No dia seguinte, quarta-feira, 5, como presidente do PSDB, presidirá reunião da Executiva Nacional do partido com todos os governadores, senadores e deputados federais tucanos eleitos, assumindo, na prática, o papel de líder inequívoco da oposição, após obter 51 milhões de votos na disputa pelo Planalto.

“Começa a nova e firme oposição”, avisa uma das pessoas mais próximas do senador.

30/10/2014

às 16:00 \ Política & Cia

A história do PT: como o poder corrompe um partido

(Ilustração: colegioweb.com.br)

“Movimento que poderia ser virtuoso, se aberto a todos, pois seria a consequência do desenvolvimento social. Mas, na prática, vem sendo uma odiosa discriminação, pois é processo atado à filiação partidária”, diz Zander Navarro (Ilustração: colegioweb.com.br)

A TRAGÉDIA PETISTA

Artigo de Zander Navarro* publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Peço licença, inicialmente, para um breve relato pessoal. Nos anos 1980 contribuí mensalmente com parte do meu salário para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os depósitos duraram de dois a três anos, quando a campanha foi encerrada, por falta de adesão. Com sacrifício, cheguei a oferecer até 10% do meu ganho e ainda guardo os recibos.

Por que fiz isso? Naqueles anos, saindo do ciclo militar e ansioso pela democracia, ingenuamente entendi ser o MST uma força que renovaria a oligárquica política rural. Como os seus militantes passaram a ameaçar as famílias em assentamentos, o sonho desmoronou e retornei à vida universitária.

Na época, quase todos nós apoiávamos o PT, mesmo não sendo filiados. Imaginávamos que o partido também forçaria transformações em alguma direção positiva. Ou a reforma social ou, ao menos, a democratização da sociedade.

Vivíamos então um período febril de debates plurais e de experiências práticas. Lembram-se do “modo petista de governar”? Era simbolizado pelo orçamento participativo, que prometia a livre participação dos cidadãos em decisões públicas sobre os orçamentos municipais. Na campanha de 2002, contudo, o candidato petista mal falou do assunto e, no poder, o tema se esfumaçou.

O assombroso escândalo da Petrobras, que nos deixa estupefatos, é apenas o efeito inevitável da história do Partido dos Trabalhadores. A causa original é um mecanismo que o diferencia das demais agremiações partidárias. Trata-se de um processo de mobilidade social ascendente, inédito em sua magnitude. Movimento que poderia ser virtuoso, se aberto a todos, pois seria a consequência do desenvolvimento social. Mas, na prática, vem sendo uma odiosa discriminação, pois é processo atado à filiação partidária.

O núcleo pioneiro do PT recrutou segmentos das classes baixas e mais pobres, mobilizados pelo campo sindical, pelos setores radicalizados das classes médias, incluindo parte da intelectualidade, e pela esquerda católica, ampliando nacionalmente o grupo petista inicial. À medida que o partido, já nos anos 90, foi conquistando nacos do aparato estatal, vieram os cargos para os militantes e, assim, a chance arrebatadora de ascender às vias do dinheiro, do poder, das influências e do mando pessoal. Esse foi o degenerativo fogo fundador que deu origem a tudo o que aconteceu posteriormente.

Inebriados, cada vez mais, pelo irresistível prazer do novo mundo aberto a essas camadas, até mesmo impensáveis formas de consumo, todos os sonhos fundacionais de mudança foram sendo estilhaçados ao longo do caminho, incluídos a razoabilidade e os limites éticos.

O PT gerou dentro de si uma incontrolável ânsia de mobilidade, uma voragem autodestruidora inspirada na monstruosa desigualdade que sempre nos caracterizou. Conquistado o Planalto, não houve nem revolução nem reforma e o fato serviu, particularmente, para saciar a fome histórica dos que vieram de baixo.

Instalou-se, em consequência, o arrivismo e a selva do vale-tudo: foi morrendo o padrão Suplicy e entrou o modelo Delúbio-Erenice. Logo a seguir, ante a inépcia da ação governamental, também foi necessário impor a mentira como forma de governo.

Por fim, o PT mudou de cabeça para baixo o seu próprio financiamento. Abandonou o apoio miúdo e generoso dos milhões que o sustentaram na primeira metade de sua história, pois se tornara mais cômodo usar o atacado para ancorar-se no poder. Primeiro, o mensalão e, agora, os cofres da Petrobrás.

Nessa espiral doentia de mudanças, a partir de meados dos anos 1990 o partido enterrou o seu passado. Sua capacidade de reflexão, por exemplo, deixou de existir e o imediatismo passou a prevalecer. Assim, um projeto de nação ou uma estratégia de futuro não interessavam mais. O pragmatismo tornou-se a máxima dessa nova elite e sob esse caminho o subgrupo sindical e seus militantes vêm pilhando o que for possível dentro do Estado.

Examinados tantos escândalos, invariavelmente a maioria veio do campo sindical. E foi assim porque da tríade original dos anos 80, a classe média radicalizada e os religiosos abandonaram o partido. Deixaram de reconhecê-lo como o vetor que faria a reforma, sobretudo moral, da política brasileira.

*Zander Navarro é sociólogo e professor aposentado da UFRGS

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