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27/11/2014

às 20:17 \ Vasto Mundo

VER PARA CRER: Angola imita a China e também cria cidade fantasma novinha em folha — cabem lá meio milhão de pessoas, mas não tem ninguém

Angola novinha em folha, e vazia, vazia (Foto: m.publico.pt)

A cidade de Kilamba, projetada para 500 mil habitantes: 3,5 bilhões de dólares de gastos, e praticamente sem moradores (Foto: m.publico.pt)

Post publicado originalmente a 23 de agosto de 2012

Com a crise financeira, as atenções do mundo neste aspecto estão invariavelmente voltadas para as enormes dificuldades da Europa, o papel central jogado pela China ou se é firme e vai continuar a recuperação do gigante norte-americano.

Pouca, pouquíssima gente presta atenção em Angola, a ex-colônia que Portugal sugou durante cinco séculos, até 1975, e que desde sua independência até 2002 esteve envolta numa guerra civil que reduziu o país a escombros.

Pois bem, Angola, país de 1,2 milhão de quiômetros quadrados e 18 milhões de habitantes, está literalmente explodindo de crescimento. E a dinheirama proveniente do petróleo — é um dos 20 maiores produtores mundiais, com quase 2 milhões de barris diários — nem sempre está sendo bem gasta. Vejam o caso da cidade de Kilamba, a 30 quilômetros da capital, Luanda, construída para abrigar meio milhão de pessoas mas na qual só vivem… algumas centenas de habitantes!

Angola novinha em folha, e vazia, vazia (Foto: m.publico.pt)

Kilamba vista de outro ângulo: o preço dos apartamentos os torna inacessíveis à maioria esmagadora da população (Foto: m.publico.pt)

Posta em pé em menos de três anos com dinheiro público pelo governo corrupto do ditador José Eduardo dos Santos, foi programada para abrigar mais de 20 mil apartamentos, numa primeira fase, e cinco mil casas populares. Seus imóveis, porém, que custam entre 150 mil e 200 mil dólares, são inacessíveis para a esmagadora maioria da população, que vive com entre 2 e 3 dólares por dia.

Erguida pela estatal chinesa China International Trust and Investment Corporation a um custo de 3,5 bilhões de dólares, Kilamba é uma cidade fantasma — tais como tantas que existem na própria China, já mostradas pelo blog.

Em Angola, as ruas vazias

Ruas e avenidas, meio-fios, iluminação pública, sinais de trânsito — mas nada de movimento (Foto: bbc.com)

Com 750 edifícios já prontinhos, a maioria de oito andares, dotados de acesso à internet e ar condicionado, Kilamba possui 24 creches, nove escolas primárias, oito secundárias e cinquenta quilómetros de vias de acesso, ruas e avenidas — mas não tem gente. Nas ruas, praticamente não há carros, nem caminhões, nem ônibus.

Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos (Foto: Já Imagens)

O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, lança a pedra fundamental das 5 mil casas “sociais” que pretende entregar em Kilanga (Foto: jaimagens.com)

A abundância de petróleo permite que o governo de José Eduardo dos Santos, ex-dirigente comunista transformado em entusiasta do capitalismo de Estado, possa apresentar números de crescimento rigorosamente espantosos: do ano 2000 – ainda com a guerra civil em curso – até o ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu a uma inacreditável média de 11,52% anuais.

A partir de 2005, já sobre uma economia mais sólida e com o país parcialmente reconstruído, o PIB bateu por duas vezes o índice de 20%!!! O prognóstico para este ano, com boa parte do mundo desenvolvido em recessão ou estagnado, é de que cresça 8%.

A economia vai bem, o povo nem tanto, e a verdade dos fatos muito menos. O vídeo abaixo mostra uma Kilanga que não existe, repleta de gente feliz, com as escolas cheias de alunos etc etc. Segundo a BBC de Londres, os supostos moradores mostrados são atores contratados.

Vale a pena conferir:

LEIAM TAMBÉM:

Vídeo ESPANTOSO: na China, cidades inteiras, novinhas em folha, construídas para ninguém morar. Há 64 milhões de imóveis vazios, e centenas de milhões de pessoas sem ter onde morar

O paradoxo de haver 64 milhões de imóveis vazios na China

27/11/2014

às 18:32 \ Política & Cia

No Brasil, as estatais sofrem com o abuso de seu acionista majoritário: o governo federal

(Imagem: Thinkstock/VEJA)

“Não é preciso inventar a roda para pôr fim ao descalabro que se instalou nas sociedades de economia mista e nas empresas públicas brasileiras”, dizem Armínio Fraga e Marcelo Trindade (Imagem: Thinkstock/VEJA)

SOBRE A GOVERNANÇA DAS ESTATAIS

Artigo de Armínio Fraga* e Marcelo Trindade** publicado no jornal O Estado de São Paulo

Já não é de hoje que as estatais, especialmente as listadas em bolsa, carecem de profunda revisão em sua governança corporativa. Veja-se o caso da cogitada indicação do governador da Bahia, Jaques Wagner, para a presidência da Petrobras. O governador certamente tem tido sucesso em sua carreira política, mas isso não o qualifica para assumir a presidência de uma empresa, muito menos de uma empresa enorme e complexa como a Petrobras.

A revelação do assalto aos cofres da Petrobras, perpetrado sob os olhos de administrações indicadas por critérios políticos, serviu também para dar enorme e merecido destaque ao fato de que a companhia se transformou em palco de péssimas decisões empresariais, como a aquisição da refinaria em Pasadena (no Texas, EUA) e o gigantesco estouro do orçamento do projeto da refinaria de Abreu e Lima (PE).

Este último empreendimento foi levado a cabo a despeito de sua inviabilidade econômica, demonstrada pela área técnica a cada etapa de sua execução, mas ignorada pela alta administração da empresa e pelas lideranças políticas do país.

Adicionalmente, a Petrobras foi vítima do quixotesco esforço de controlar a inflação por meio de controles de preços, uma sempre malsucedida empreitada, que no caso em tela teve como consequência um enorme aperto de caixa na empresa, que a transformou numa das mais endividadas no mundo, no exato momento em que dela se exigia um grande esforço de investimento.

Infelizmente, a Petrobras não é a única estatal que vem sendo vítima de abuso de seu acionista controlador, o governo federal. A Eletrobras submeteu-se à truculenta Medida Provisória 579, que desordenou de vez o setor elétrico brasileiro, com enorme prejuízo para seus acionistas. E o Banco do Brasil viu o número de cargos de direção da empresa aumentar de 13 em 2003 para 37 em 2013!

Esse é um quadro que merece reflexão. As três empresas mencionadas aqui são de economia mista, ou seja, controladas pelo governo, mas com participação de acionistas privados. Além das sociedades de economia mista, a Constituição da República permite a atuação do Estado no setor privado por intermédio de empresas públicas, nas quais o poder público detém a totalidade do capital – como a Caixa Econômica Federal e o BNDES, por exemplo.

O que justifica a atuação dessas empresas no setor privado é a presença de um interesse público, seja o de estimular a competição, seja o de explorar uma atividade considerada fundamental, ou qualquer outro tido como legítimo pela lei que autoriza sua criação. Mas elas não se confundem com o poder público.

Ao contrário, a Constituição é expressa ao dizer que elas devem sujeitar-se “ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários”.

Em outras palavras: as empresas estatais podem e devem cumprir a finalidade de interesse público que justifica a sua criação, mas isso em nada se confunde com administrá-las sem compromisso com a eficiência e com metas de gestão. A gastança desenfreada e a roubalheira escondem-se atrás do discurso de que o prejuízo é justificado pelo interesse público. Mas evidentemente não é.

Não é preciso inventar a roda para pôr fim ao descalabro que se instalou nas sociedades de economia mista e nas empresas públicas brasileiras. De um lado, é preciso cumprir a Constituição, e sujeitá-las aos princípios de administração responsável, eficiente e profissional que a própria Lei das Sociedades por Ações impõe aos administradores de qualquer companhia: o dever de atuar como “homem ativo e probo”, “para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa”.

De outro, é preciso explicitar no orçamento os subsídios que beneficiem legitimamente a atuação das empresas estatais. E isso não apenas em atenção aos seus sócios e concorrentes, mas principalmente em respeito à sociedade, evitando que a farra da má administração encontre refúgio demagógico no discurso difuso do interesse social.

*Armínio Fraga é sócio da Gávea Investimentos e foi presidente do Banco Central
**Marcelo Trindade é sócio da Trindade Sociedade de Advogados e foi presidente da Comissão de Valores Mobiliários

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27/11/2014

às 17:00 \ Política & Cia

Dilma confirma Joaquim Levy na Fazenda e Nelson Barbosa no Planejamento

(Foto: Paulo Giandalia/Estadão Conteúdo)

Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro Nacional, sucede Guido Mantega no Ministério da Fazenda (Foto: Paulo Giandalia/Estadão Conteúdo)

Governo anunciou nesta quinta seu novo time econômico. Alexandre Tombini seguirá à frente do Banco Central. Cerimônia de posse não foi agendada

Por Marcela Mattos, de Brasília, para VEJA.com

A presidente Dilma Rousseff oficializou nesta quinta-feira os nomes que vão compor sua nova equipe econômica: Joaquim Levy comandará o Ministério da FazendaNelson Barbosa chefiará a pasta do Planejamento e Alexandre Tombini seguirá à frente do Banco Central.

Levy e Barbosa, contudo, não assumirão os cargos imediatamente: a dupla ficará instalada em uma sala no terceiro andar do Palácio do Planalto, a poucos metros da presidente, numa espécie de “equipe transição” com o ministro demissionário da Fazenda, Guido Mantega. Nesse período, a ideia é que seja feita uma radiografia das contas públicas.

Uma das principais críticas à atual equipe econômica é a falta de transparência nos números e a consequente perda de credibilidade. Por isso, a avaliação dos dados na transição chegou a ser chamada nos bastidores do Planalto de “due dilligence”, termo usado para auditorias em negociações empresariais.

A localização da “sala de transição” no terceiro andar do Palácio do Planalto, o mesmo de Dilma, e não no quarto, onde fica o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, também tem simbolismo: Levy e Barbosa terão canal direto com a presidente, sem precisar da intermediação do “primeiro-ministro”, como Mercadante foi apelidado – e aprovou – por assessores.

Desde a noite de segunda-feira, o futuro ministro da Fazenda deixou o comando do Bradesco Asset Management, braço de fundos do banco, e trabalha em Brasília e participa de reuniões com a própria Dilma ou com técnicos do governo. Levy também tem conversado com economistas de dentro e de fora do governo.

Repercussão — Desde a semana passada, quando o nome de Levy passou a ser noticiado como futuro titular da Fazenda, o mercado tem reagido positivamente. “[As nomeações de Levy e Barbosa] Abrem uma boa perspectiva para o país”, disse o presidente do Itaú, Roberto Setúbal, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Ex-integrante da equipe do Plano Real, o economista Edmar Bacha disse ser fundamental uma nova postura de Dilma.

“Não é tanto a qualidade dos nomes, mas saber se o fato especificamente de ela nomear Joaquim Levy para a Fazenda indica que ela mudou, que ela está disposta a fazer uma política econômica mais parecida com Lula 1 do que com Dilma 1″, afirmou. “Ela sabe com quem está tratando. Se ele (Levy) não tiver espaço para fazer, vai embora para casa, e isso vai ser muito ruim.”

Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco e primeiro nome de Dilma para assumir a Fazenda, afirmou em nota que os nomes da nova equipe econômica representam “pilares de credibilidade”. “Eles se complementam e dão unidade de ação a um governo que almeja o controle da inflação, a austeridade fiscal e a elaboração de um conjunto de reformas estruturais modernizadoras”, afirmou o banqueiro.

Já Murilo Portugal, presidente de Federação Nacional dos Bancos (Febraban), disse que o anúncio deixa o mercado mais otimista. “Estamos mais otimistas com o próximo ano, esperando que estas indicações contribuam para a retomada da confiança o que, como os mercados indicam, já começou a ocorrer”, afirmou.

O fator Dilma — Se a biografia do novo ministro da Fazenda agrada ao mercado, o mesmo não se pode dizer do PT. O partido, principalmente sua ala mais à esquerda, a Democracia Socialista (DS), da qual faz parte o secretário do Tesouro Arno Augustin, desaprova a nomeação justamente devido ao perfil ortodoxo do novo chefe.

Dilma terá adiante a tarefa de equalizar o descontentamento de alguns caciques do partido e controlar sua própria ânsia de executar uma política econômica que amplie as dificuldades do país. Os ajustes que se mostram necessários — e que já foram feitos por Levy no governo Lula — contrariam sistematicamente tudo o que presidente pregou ao longo dos últimos anos. Difícil será crer numa mudança drástica de postura de Dilma. O que se espera é que ela, ao menos, deixe o ministro ser o comandante de sua pasta — e não um mero coadjuvante, como Mantega o foi em muitas ocasiões.

A visão genuína da presidente sobre diversas questões econômicas, como as contas públicas, por exemplo, foi exacerbada durante a última campanha eleitoral, na qual Dilma criticou abertamente os ajustes feitos no período de Fernando Henrique Cardoso. Agora, o discurso (felizmente) parece mudar. Tanto é que Dilma recorre ao economista justamente para que seu governo retome o equilíbrio fiscal.

As incoerências entre discurso e prática não param por aí. No fim das contas, depois de demonizar o setor bancário durante a campanha, a presidente foi buscar nos bancos o seu ministro da Fazenda.

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27/11/2014

às 15:30 \ Tema Livre

Assuste-se com o vídeo: os 10 aeroportos mais perigosos do mundo

O aeroporto de Tenzing-Hillary, em Lukla, no Nepal: pensou em um problema, ele tem (Foto: K. S. Ngon)

Post publicado originalmente a 22 de março de 2012

Campeões-de-audiênciaÉ de arrepiar esse material, que mistura vídeos reais com animação e imagens de simuladores de voo. Os pilotos internacionais podem divergir em um ou outro caso, mas veja quais são os aeroportos geralmente considerados mais perigosos do mundo, e por quê.

O vídeo é em inglês, mas resumo aqui os problemas de cada um, pela ordem de aparição — os mais perigosos ficam para o fim:

Lindbergh Field, San Diego, Califórnia, EUA: a cidade cresceu em volta do aeroporto original, obrigando os pilotos a manobrarem em meio a um paliteiro de prédios, sem contar o enorme edifício-estacionamento do próprio aeroporto.

Aeroporto de Funchal, Ilha da Madeira, Portugal: um espanto — o terreno é tão escasso que foi preciso esticar a pista do aeroporto, sobre pilotis, mar adentro. Não bastasse isso, as montanhas produzem um vento encanado fortíssimo que atrapalha pousos e decolagens.

Eagle County Airport, Vail, Colorado, EUA: é cercado por montanhas, parte das Rochosas, e sua altitude torna menos denso o ar e obriga a um acionamento específico de turbinas tanto na decolagem como na aterrissagem.

Courchevel, França: a pista dessa estação de esqui parece uma montanha russa, que fará o avião saltar antes da hora. A previsão do tempo muitas vezes não é precisa.

Kai Tak, Hong Kong, China: espremido em meio a um maciço de prédios, pista curta — de tal forma que, para deixar bem claro quando ela acaba, havia uma parede pintada em xadrez branco e vermelho. Acabou sendo desativado.

Gibraltar, território britânico encravado na Espanha, na entrada do Mediterrâneo: além de ficar justo ao lado do imenso rochedo de Gibraltar, sofre o efeito de ventos fortíssimos, é cercado de prédios altos e a pista, por falta de espaço, atravessa uma rodovia, com semáforo para os automóveis e tudo.

Princess Juliana Airport, Saint Marteen, Antilhas Holandesas: em 1943, a deliciosa ilha, que a Holanda compartilha com a França — com soberania sobre St. Martin, metade do território –, tinha apenas um hotel. Hoje, com a mesma pista de aeroporto, são cerca de 3 mil. Os aviões, para descer, passam a dezenas de metros das cabeças dos frequentadores de uma das praias mais populares.

Saint Barthélemy, Caribe francês: um dos destinos mais caros e exclusivos do mundo continua tendo um aeroporto de pista minúscula, no qual os aviões fazem proezas para não acabar na areia da praia.

Aeropuerto de Toncontin, Tegucigalpa, Honduras: outro de pista curta demais que, além do mais, termina num pedaço de montanha.

Tenzing-Hillary Airport, Lukla, Nepal: encravado na cadeia dos Himalaias, concentra várias dificuldades que fazem o pesadelo de pilotos — do ar rarefeito à quantidade de montanhas ao redor, da propensão a turbulências até problemas de visibilidade e ventos fortes, além de uma pista tão curta que, tomada a decisão de aterrissar, não há retorno possível, pois não há como arremeter o aparelho novamente.

NÃO PERCAM O VÍDEO, VEJAM SÓ:

27/11/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Vejam os desatinos que o governador do Ceará, Cid Gomes, tem cometido

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Cid Gomes: ataque aos professores, constrangimentos a Dilma e tentativa de criar uma “área de segurança”  a seu redor aonde quer que ele fosse (Foto Agência Brasil)

Post publicado originalmente a 31 de agosto de 2011

Campeões-de-audiênciaO que será que anda acontecendo com o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB)? (Ou vai ver que ele sempre foi assim…).

O homem tem cometido alguns desatinos e destravado a língua — para o mal –de tal forma que parece querer seguir os passos do irmão, Ciro, que colocou a perder suas boas chances na disputa pela Presidência em 2002 por falar e fazer, sucessivamente, o que não devia. (Para os que não se lembram, durante os primeiros meses de campanha Ciro Gomes esteve disparado na frente de Lula e Serra).

Professor, para ele, não trabalha pelo salário

Irritado com as exigências dos professores cearenses em greve desde o começo do mês por causa dos péssimos salários — 1,3 mil por 40 horas semanais no início de carreira, por exemplo –, o governador soltou esses dias a seguinte pérola:

– Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado.

Posso estar no mundo da lua, mas acho imoral, obscena uma declaração desse tipo, partida de um governador de Estado. E dirigida à sacrificadísima classe dos professores de escola pública.

Os professores da rede pública cearense querem, além de reajuste salarial — ganham em média metade do salário dos professores do Distrito Federal –, melhores condições de trabalho e eleições diretas para a direção das escolas. “A declaração do governador só fez jogar combustível na greve. A adesão no interior nunca foi tão grande”, disse ao site Brasil 247 o secretário-geral do Sindicato Associação dos Professores de Estabelecimentos Oficiais do Ceará (Apeoc), Juscelino Linhares. “A declaração é ainda mais infeliz se levarmos em conta que as escolas privadas do estado pagam ainda menos que o governo”.

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Professores em greve no Ceará: para Cid Gomes, eles não trabalham pelo salário — que está entre os 5 menores entre os professores estaduais do país (Foto: Robson Martins)

Depois da frase estapafúrdia sobre os professores públicos, Cid Gomes constrangeu a presidente Dilma Rousseff numa solenidade pública ao fazer referências grosseiras a um procedimento médico essencial para o sexo masculino — o exame de próstata, cujo câncer é o de maior incidência entre pacientes homens no país. (Leia mais detalhes no blog de Reinaldo Azevedo.)

Como se fosse um faraó ou um semideu

O cúmulo do delírio, porém, é o projeto de lei que enviou à Assembléia criando uma “área de segurança institucional” em seu benefício. O texto inicial da proposta, sensatamente expurgado pela Assembleia Legislativa, pretendia criar uma “área de segurança transitória” ao redor do governador aonde quer que ele fosse. Uma espécie de “área de exclusão aérea”, que grandes potências ou a ONU decretam ao redor de determinados países conflituados — como ocorreu na Líbia — e onde o avião do país em questão que ousar levantar vôo será abatido.

Haveria um espaço virtual ao redor da sacrossanta figura do governador socialista, como se ele fosse um faraó ou um semideus, dentro da qual ninguém poderia penetrar ou se aproximar sem passar pelo crivo de sua segurança.

Cid acabou também recuando de dispositivo que estabelecia como “área de segurança institucional” o espaço compreendido no raio de 250 metros ao redor do Palácio da Abolição, sede do governo estadual, mas a lei fixou, de todo modo, um espaço considerável nas imediações do palácio e da residência oficial no qual o governador poderá impor restrições. A área inclui prédios públicos e particulares e até residências.

Entre os 46 deputados estaduais, apenas 3 — 1 do PSB e 2 do PV — votaram contra a maluquice, argumentando, acertadamente, que ela interfere no direito de ir e vir dos cidadãos, garantido pela Constituição.

LEIA TAMBÉM

* “Profesora da rede pública do Ceará relata uma dura rotina: ameaças, alunos drogados, marginais que fazem baderna, alunos especiais sem acompanhamento e salários baixos”

* “Cid Gomes torce para o ditador Kadafi?

26/11/2014

às 20:30 \ Política & Cia

Após longa espera, nova equipe econômica será anunciada amanhã

(Foto: Reuters)

Novo ministro da Fazenda será anunciado nesta quinta-feira pela presidente Dilma Rousseff (Foto: Reuters)

Por Carolina Farina, de São Paulo, para VEJA.com

O governo federal confirmou nesta quarta-feira que a nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff será anunciada na quinta-feira.

De acordo com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann, contudo, não haverá cerimônia de posse – os atuais ocupantes dos cargos vão, portanto, seguir em suas funções. Os novos ministros vão despachar no Palácio do Planalto durante esse período de transição.

O time econômico vai ser formado por Joaquim Levy na Fazenda, Nelson Barbosa no Planejamento e Alexandre Tombini no Banco Central. A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) será anunciada como titular da Agricultura e o senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE) será o novo ministro do Desenvolvimento.

26/11/2014

às 18:30 \ Tema Livre

Ira de Deus ou portões do inferno: veja fotos desses incríveis buracos gigantes

Post publicado originalmente a 20 de dezembro de 2011

Campeões-de-audiênciaIra de Deus, ou portões do inferno, não importa como os chamem. Os intrigantes buracos gigantes encontrados em algumas partes do mundo têm

explicações na verdade  simples: muitos são resultados da intervenção humana, como escavações para mineração, outros de causas naturais, como movimentos de placas tectônicas.

Imensos, atraem legiões de turistas e aventureiros para locais como a gélida Sibéria, na Rússia, o Turcomenistão, a Guatemala, a África do Sul, o Canadá ou os Estados Unidos.

Vejam só:

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Darvaza, ou “portões do inferno”, no Turcomenistão

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Outra visão dos “portões do inferno”, no Turcomenistão

 

 

Darvaza – ou “portões do inferno”, Turcomenistão

Um enorme depósito subterrâneo de gás natural foi descoberto por geólogos em 1971 neste país da Ásia Central, na época parte da União Soviética. A precária tecnologia soviética de então levou a que a plataforma de perfuração desabasse.

Para que os gases venenosos não escapassem do buraco, atearam foro ao que jorrava do buraco — resultado que não poderia ser mais desastroso, pois os gases continuam queimando até hoje, quase 40 anos depois.

 

Kimberley Big Hole, África do Sul

É considerada a maior escavação feita por mãos humanas em todo o mundo. Para render mais de 3 toneladas de diamante até o encerramento das atividades extrativistas, em 1914, ficou com mais de 1 quilômetro  de profundidade – com cerca de 22,5 milhões de toneladas de terra removidas.

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Kimberley Big Hole, na África do Sul

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Visto mais do alto, de novo o Kimberley Big Hole, na África do Sul

Chuquicamata, Chile

Mina a céu aberto no norte do Chile, é detentora do título de maior produção total de cobre do mundo. Com mais de 850 metros de profundidade, está em segundo lugar em tamanho, atrás da Bingham Canyon Mine, no Estado de Utah, EUA.

 

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Mina de Chuquicamata, no Chile

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Vista mais de longe, a mesma mina de Chuquicamata, no Chile

 

Diavik, Canadá

Mina de diamantes localizada a 300 km de Yellowknife, no gelado extremo norte do Canadá, é tão grande que conta com um aeroporto próprio, capaz de comportar um Boeing 737. A água que rodeia a enorme mina vira gelo durante a maior parte do ano.

 

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Mina Diavik, no Canadá

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Mais à distância, a Mina Diavik, no Canadá

 

Udachnaya Pipe, Rússia

Esta antiga mina de diamantes situada no extremo norte da Rússia, perto do Círculo Polar Ártico, foi explorada entre 1955 e 2010 e tem mais de 600 metros de profundidade.

 

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Udachnaya Pipe, na Rússia

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 Em foto tomada a mais distância, Udachnaya Pipe, na Rússia

 

Mirny, Sibéria, Rússia

Com 525 metros de diâmetro e 1200 de profundidade, esta é considerada a maior abertura/mina de diamantes em todo o mundo. Aviões e helicópteros não podem sobrevoar o local, pois algumas aeronaves já foram sugadas pelo buraco.

 

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A gigantesca mina de diamantes Mirny, na Sibéria, Rússia, faz o enorme caminhão parecer uma formiga na foto

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A mina Mirny fez nascer uma cidade, Udachny, a seu lado

 

Glory Hole, Monticello, Califórnia, EUA

O “buraco da glória” é uma espécie de ralo colossal que entra em ação quando a água da barragem de Monticello ultrapassa seu nível máximo de segurança e precisa ser drenada do reservatório. Tem capacidade de esvaziar o reservatório à razão de 408 mil litros por segundo.

 

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Glory Hole, em Monticello, Califórnia, EUA

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O Glory Hole em plena ação

 

Bingham Canyon,  Utah, EUA

A escavação deste buraco começou em 1863, e o poço continua aumentando de tamanho até hoje.  Atualmente as medidas do poço são de mais de 5,5 mil metros de profundidade e 4 mil metros de largura.

 

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Mina Bingham Canyon, Utah, EUA

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Vista de maior distância, e cercada pela neve, a  Bingham Canyon, Utah, EUA

 

Great Blue Hole, Belize

A quase 100 quilômetros mar adentro da Cidade de Belize, em Belize, na América Central, está este incrível buraco azul – adorado por mergulhadores -, o maior e também tido como o mais bonito do mundo (sim, existem vários buracos-azuis nos oceanos).

Com forma de um círculo perfeito, tem pouco mais de dois quilômetros de largura e atinge 145 metros de profundidade.

 

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Great Blue Hole, Belize

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Great Blue Hole, Belize

 

Grande cratera da Guatemala

Este é o mais novo desta coleção de curiosos e gigantescos buracos: ele aconteceu em meio à Cidade da Guatemala, destruindo e engolindo casas, prédios e pessoas, em junho de 2010.

São cerca de 20 metros de diâmetro e 30 de profundidade. Segundo o Centro Geológico dos EUA, o problema ocorreu devido à área estar sobre terrenos calcários, rochas carbonáticas ou solos com muito sal que podem dissolver-se facilmente com a circulação de água nos lençóis freáticos.

A população acusou estar sentido e ouvindo movimentos e barulhos estranhos desde 2005.


 

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A grande cratera urbana na Cidade da Guatemala

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A cratera vista de cima: 20 metros de diâmetro, 30 de profundidade


26/11/2014

às 17:00 \ Política & Cia

O governo do PT decidiu perguntar ao povo o que fazer no país. Não deveria um partido ter a capacidade de convencer seu eleitorado da qualidade de suas propostas?

(Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

A técnica das pesquisas sobre a atuação do governo acaba com a capacidade de liderança de um governo (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

A PATÉTICA PESQUISA DO PT

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Depois do segundo triunfo do presidente Lula nas urnas, apesar do fardo do mensalão que ele carregava, líderes tucanos começaram a se perguntar por que o partido não havia conseguido capitalizar contra o seu principal beneficiário o que até então constituía o maior escândalo político da democracia brasileira.

A esse fracasso se somou outro: o definhamento do PSDB no Congresso Nacional. Em 1998, na esteira da consagradora reeleição do presidente Fernando Henrique, a legenda viu a sua bancada na Câmara dos Deputados ampliar-se de 62 para 99 cadeiras. Com o advento da era Lula, porém, começou o longo declínio tucano: os 99 caíram a 70 em 2002 e a 66 daí a quatro anos.

Na esperança, afinal frustrada, de pelo menos estancar a hemorragia em 2010, um perplexo dirigente paulista da agremiação propôs numa reunião o que poderia se revelar um primeiro passo em busca da luz no fim do túnel. Por que, perguntou ele aos interlocutores, não encomendamos uma pesquisa para saber o que o eleitorado gostaria que fosse o nosso programa?

O tucano decerto não se deu conta de que isso representaria uma abdicação: embora pesquisas periódicas sobre políticas que mexem com o sentimento popular tenham se incorporado em toda parte às práticas partidárias, o que se espera de uma sigla é que seja capaz de persuadir o público de que as suas propostas são as que mais bem atendem o interesse geral. A isso se chama liderança.

A ideia, logicamente, não foi adiante. Serve, em todo caso, como lembrete de que não há partidos imunes a iniciativas cujos autores podem achar o máximo da modernidade, mas que são apenas patéticas. Agora, quem diria, o inimigo mortal dos tucanos, o PT, resolveu perguntar aos brasileiros por que se tornou tão mal-amado.

O fato, em si, é inconteste. Não só a presidente Dilma Rousseff escapou por muito pouco de ser desalojada do Planalto – obtendo uma vitória eleitoral que não a poupou de sair politicamente derrotada da campanha -, como o partido retrocedeu em todas as disputas. No primeiro turno do pleito presidencial, a sigla teve 4,3 milhões de votos a menos do que em 2010. Na segunda rodada, a perda foi de 1,2 milhão, embora nesses quatro anos tenham surgido 7 milhões de novos eleitores.

No ABCD paulista, onde nasceram o PT e a CUT, Dilma só derrotou Aécio Neves em Diadema – e por uma diferença aquém de 8%. A bancada federal petista encolheu de 88 para 70 membros. As bancadas estaduais, de 149 para 108. A agremiação não conseguiu reeleger nem o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, que não chegou ao segundo turno, nem o do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que chegou, mas acabou goleado.

O estigma de promotor da corrupção que o partido fez por merecer, a fadiga de amplos setores do eleitorado com 12 anos de poder petista, a virtual estagnação econômica e, não menos importante, a percepção da incompetência da presidente explicam a rejeição ao petismo, que chega a ser avassaladora em São Paulo.

Pois bem. Como se isso não fosse evidente, a legenda mandou fazer uma sondagem em âmbito nacional, acompanhada de pesquisas qualitativas, para ouvir da sociedade o que os seus grãos-companheiros saberiam por conta própria, não fosse a cegueira de que foram acometidos, há muito, pela fantasia de serem os exclusivos portadores do progresso nacional e da redenção do povo injustiçado.

Eis por que, antes até de receber das urnas as más notícias que os desconcertaram, ficaram aturdidos com o desgosto, também por eles, dos manifestantes de junho de 2013, não raro acompanhado de agressivo antipetismo. A memória do mensalão, o colapso dos serviços públicos – debitado em primeiro lugar à administração federal – e a ojeriza ao sistema político, sem distinguir o PT do conjunto dos partidos execrados, estilhaçaram a profana ignorância do apparat petista sobre o que germinava em surdina no país.

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26/11/2014

às 15:30 \ Vasto Mundo

Vejam as fotos de mulheres soldados de diversos países. É uma conquista, mas problemas e preconceitos continuam a existir

Post publicado originalmente a 25 de fevereiro de 2011

Campeões-de-audiênciaFardadas e de fuzil na mão, as mulheres podem passar despercebidas no meio de uma tropa, embora estejam conquistando cada vez mais espaço dentro das Forças Armadas em diferentes países do mundo.

Em países como Alemanha, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Finlândia, Israel, Noruega, Nova Zelândia, Suécia e Suíça, por exemplo, elas podem participar, inclusive, da linha de frente dos combates. No Brasil, só podem ser combatentes, por enquanto, as mulheres pilotos de caça da Força Aérea Brasileira (FAB), como é o caso da tenente-aviadora Daniele Lins, primeira na galeria de fotos abaixo.

Só nos Estado Unidos, entre 2003 e 2009, mais de 200 mil mulheres serviram no Oriente Médio, principalmente no Iraque. Entre elas, cerca de 600 ficaram feridas e pouco mais de 100 morreram em combate. Na França, de acordo uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Defesa, entre os cerca de 340 mil soldados no país, há mais de 50 mil mulheres.

Um email que circula na internet mostra militares de diversos países com seus respectivos uniformes.

As bonitas fotos que selecionamos, entretanto, não mostram um dado alarmante: elas continuam sofrendo preconceito dentro das Forças Armadas e os casos de estupro são freqüentes. Por exemplo: cerca de 3 mil militares norte-americanas sofreram violência sexual em 2008, 9% a mais do que no ano anterior. Dentre as que estavam servindo no Iraque e no Afeganistão, o número subiu para 25%.

Em 2009, segundo dados do Exército americano divulgados pelo site da BBC, 30% das mulheres foram estupradas durante o serviço militar, 71% foram vítimas de violência sexual e 90% de assédio sexual.

Isso sem consideram os casos não divulgados. Um relatório do Government Accountability Office, organismo investigativo do Congresso dos EUA, concluiu que 90% das agressões sexuais não são notificadas, na maioria dos casos, devido ao receio das vítimas de serem perseguidas.

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26/11/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Um mero caso de conta de água, a coisa vai para a Justiça e, daí, 7 recursos, 11 anos para decidir — e num tribunal superior

A burocracia da nossa legislação e do Judiciário conseguem infernizar a vida quotidiana do brasileiro

A burocracia da nossa legislação e do Judiciário conseguem infernizar a vida quotidiana do brasileiro

Post publicado originalmente a 16 de novembro de 2010

Campeões-de-audiênciaUma história pessoal atravessou meu caminho e servirá aos amigos do blog como um entre milhões de exemplos de como a burocracia da nossa legislação e do Judiciário conseguem infernizar a vida quotidiana do brasileiro.

Uma pessoa de minha família tem um pequeno apartamento, de 45 metros quadrados, num edifício situado em bairro de classe média alta em São Paulo. Sala, quarto, banheiro, mini-cozinha, pequena varanda.

Lá pelas tantas, em 1999, a estatal de saneamento do estado, Sabesp, resolveu recadastrar o prédio de residencial para “comercial”, uma vez que parte dos apartamentos eram flats, regidos por legislação especial. O condomínio entrou em juízo e os moradores passaram a contribuir mensalmente com uma quantia em dinheiro para o caso de perderem a ação e terem que pagar a diferença nas contas atrasadas da Sabesp.

O condomínio perdeu a ação em primeira instância.

Recorreu ao Tribunal de Justiça – e ganhou.

Ambas as partes ingressaram no tribunal com uma medida denominada embargos de declaração, por razões distintas. Os embargos do condomínio foram julgados procedentes, os da Sabesp, não.

A Sabesp ingressou com recurso especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

Ou seja, uma causa de conta de água de um condomínio consegue chegar até o segundo tribunal mais importante na hierarquia do país, com seus 33 ministros.

O STJ negou provimento ao recurso da Sabesp.

A empresa não desistiu: ingressou com novo tipo de recurso, o chamado agravo de instrumento.

O STJ negou.

A estatal insistiu: interpôs outro recurso, admitido por nossa legislação, o agravo regimental – se contarmos bem, o sétimo recurso em uma causa sobre conta de água.

O STJ negou por unanimidade.

Passado determinado prazo, o caso transitou em julgado – ou seja, ficou definitivamente resolvido.

A estatal reembolsará o condomínio em pouco mais de 1 milhão de reais por contas cobradas a mais desde 1999. O dinheiro será dividido por 136, número de apartamentos. Quem possuir mais de um, fica com uma quota adicional dos 7 mil e poucos reais que caberão a cada um.

Uma ação, sete recursos e onze anos para resolver o caso.

Este pequeno exemplo individual mostra como a multiplicidade de recursos propiciada pela legislação inferniza a vida do cidadão. Por que não apenas limitar o caso, tão simples, a uma sentença do juiz de primeira instância e, decidida em grau de recurso pelo Tribunal de Justiça do estado, tornar-se decisão final?

O pequeno exemplo também mostra outra razão da superlotação dos tribunais: quando governos ou estatais são parte em processos, utilizam todos os recursos possíveis e imagináveis para empurrar com a barriga o momento de pagar a conta a que o cidadão (ou a empresa privada) tem direito.

 

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