Blogs e Colunistas

18/12/2014

às 20:30 \ Política & Cia

Retrospectiva TVEJA: os fatos que marcaram a política nacional em 2014

Colunistas de VEJA debatem os fatos que marcaram a política brasileira neste ano. Marco Antonio Villa, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes analisam a reeleição da presidente Dilma Rousseff, a disputa eleitoral mais acirrada desde a redemocratização do país, a morte de Eduardo Campos e até o vexame protagonizado pela seleção brasileira na Copa do Mundo. Estes e outros temas estão na pauta do ‘Aqui Entre Nós’ comandando por Joice Hasselmann.

18/12/2014

às 19:00 \ Vasto Mundo

Aos 95 anos, morre Nelson Mandela, um gigante do século XX, um líder raro e exemplar

Nelson Mandela, o libertador da África do Sul: um gigante do século XX, um estadista de verdade numa época de anões políticos

Post publicado originalmente a 5 de dezembro de 2013

Campeões-de-audiênciaCom a fisionomia abatida e a voz algo trêmula pela emoção, o presidente da África do Sul, Jakob Zuma, acaba de anunciar a morte, aos 95 anos, de Nelson Mandela — um estadista de verdade em uma época de anões políticos, um dos estadistas gigantes do século XX, Prêmio Nobel da Paz e o homem que trouxe a paz e a democracia para este grande país governado até 1994 por uma ditadura racista da minoria branca.

Diante dessa perda, que torna o mundo mais pobre, compartilho com os leitores um texto a respeito deste grande homem escrito em julho passado por alguém com muito mais talento do que eu — o jornalista e escritor peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010.

Artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo

ELOGIOS A MANDELA

Nelson Mandela, o político mais admirável destes tempos tumultuados, segue em um hospital de Pretória, após completar 95 anos na quinta-feira, 18 de julho.

Poderemos ter a certeza de que todos os elogios feitos a ele são justos, pois o estadista sul-africano transformou a história do seu país de uma maneira que ninguém imaginava concebível, e demonstrou com sua inteligência, habilidade, honestidade e coragem que, no campo da política, às vezes, os milagres são possíveis.

Tudo isso foi sendo gestado, antes mesmo que na história, na solidão de uma consciência, na desolada prisão de Robben Island, onde Mandela ingressou, em 1964, para cumprir pena de prisão perpétua e trabalhos forçados.

As condições em que o regime do apartheid mantinha seus presos políticos na ilha rodeada de um mar traiçoeiro e tubarões, em frente à Cidade do Cabo, eram atrozes.

Uma cela tão minúscula que parecia um nicho ou o covil de uma fera, uma esteira de palha, uma sopa de milho três vezes ao dia, mudez obrigatória, visitas de meia hora de duração a cada seis meses, e o direito de receber e escrever somente duas cartas ao ano, nas quais jamais deveriam ser mencionados temas políticos nem da atualidade.

A cela minúscula na prisão da ilha de Robben onde Mandela passou 27 anos – nove deles em total isolamento, ascetismo e solidão (Foto: cmisouthafrica.com)

Em tal isolamento, ascetismo e solidão transcorreram os primeiros nove anos dos 27 que Mandela passou na ilha.

Em vez de suicidar-se ou enlouquecer, como muitos companheiros de prisão, nos nove anos Mandela meditou, reviu suas próprias ideias e ideais, fez uma autocrítica radical de suas convicções e atingiu aquela serenidade e sabedoria que a partir de então guiariam todas as suas iniciativas políticas.

Embora nunca tenha compartilhado das teses dos resistentes que propunham uma “África para os africanos” e queriam atirar ao mar todos os brancos da União Sul Africana, em seu partido, o Congresso Nacional Africano, Mandela, assim como Sisulu e Tambo, os dirigentes mais moderados, estavam convencidos de que o regime racista e totalitário só seria derrotado mediante ações armadas, sabotagens e outras formas de violência, e para tanto formou um grupo de comandos ativistas chamado Umkhonto we Sizwe, que enviava para Cuba, à China Popular, à Coreia do Norte e à Alemanha Oriental jovens militantes para que se adestrassem.

Deve ter levado muito tempo – meses, anos – para convencer-se de que toda essa concepção da luta contra a opressão e o racismo na África do Sul era equivocada e ineficaz, e era preciso renunciar à violência e optar por métodos pacíficos, ou seja, buscar uma negociação com os dirigentes da minoria branca – equivalente a cerca de 12% do país, que explorava e discriminava de maneira iníqua os 88% restantes – e convencê-la de que permanecera no país porque a convivência entre as duas comunidades era possível e necessária, quando a África do Sul fosse uma democracia governada pela maioria negra.

Prisioneiros submetidos a trabalhos forçados quebram pedras no pátio da prisão, em foto de 1964. Mandela também foi submetido a isso (Foto: The Daily Telegraph)

Naquela época, final dos anos 60 e início dos 70, pensar semelhante coisa era um exercício mental distante da realidade. A brutalidade irracional com que a maioria negra era reprimida e os esporádicos atos terroristas com que os resistentes respondiam à violência do Estado haviam criado um clima de rancor e ódio que fazia prever, mais cedo ou mais tarde, um desenlace de dimensões cataclísmicas no país.

A liberdade só poderia significar o desaparecimento ou o exílio para a minoria branca, particularmente para os africânders [descendentes de colonos holandeses calvinistas e de outros europeus do mesmo credo estabelecidos nos séculos XVII e XVIII] , os verdadeiros donos do poder.

É espantoso pensar que Mandela, perfeitamente consciente das vertiginosas dificuldades que encontraria no caminho que traçara para si, decidiria empreendê-lo, e, mais ainda, que perseveraria nele sem sucumbir ao desalento um só instante, e, 27 anos mais tarde, concretizaria aquele sonho impossível: uma transição pacífica do apartheid para a liberdade, enquanto a maior parte da comunidade branca permanecia no país ao lado dos milhões de negros e mulatos sul-africanos que, convencidos por seu exemplo e suas razões, haviam esquecido os insultos e os crimes do passado, e perdoado.

Seria preciso recorrer à Bíblia, àquelas histórias exemplares do catecismo que nos contavam quando éramos crianças, para tentar entender o poder de convicção, a paciência, a vontade inquebrantável e o heroismo que Nelson Mandela deve ter demonstrado durante todos aqueles anos para persuadir, primeiramente seus próprios companheiros de Robben Island, depois seus correligionários do Congresso Nacional Africano e, por último, os próprios governantes e a minoria branca, de que não era impossível que a razão substituísse o medo e o preconceito, que uma transição sem violência era igualmente factível e ela assentaria as bases de uma convivência humana em lugar do sistema cruel e discriminatório imposto à África do Sul por séculos.

Creio que Nelson Mandela é ainda mais digno de reconhecimento por esse trabalho extremamente lento, hercúleo, interminável, graças ao qual suas ideias e convicções foram contagiando os seus compatriotas como um todo, do que pelos extraordinários serviços que prestaria depois, já no governo, aos seus concidadãos e à cultura democrática.

Formação

É preciso lembrar que o homem que assumiu essa admirável tarefa era um prisioneiro político, o qual, até o ano de 1973, quando foram abrandadas as condições carcerárias em Robben Island, vivia praticamente confinado numa minúscula cela e com apenas uns poucos minutos diários para trocar algumas palavras com os outros presos, quase privado de toda comunicação com o mundo exterior.

Contudo, sua tenacidade e sua paciência tornaram possível o impossível.

Mandela com o então presidente de minoria branca Frederik W. De Clerk, logo após sua libertação da prisão, em 1990. Num gesto de conciliação e grandeza do grande líder negro, De Klerk, ex-carcereiro de Mandela, tornou-se vice-presidente democraticamente eleito em sua chapa (Foto: Associated Press)

Enquanto na prisão já menos inflexível dos anos 70, pôde estudar e formar-se em Direito, suas ideias foram rompendo pouco a pouco os preconceitos totalmente legítimos que existiam entre os negros e mulatos sul-africanos e começou a ser aceita sua tese de que a luta pacífica na busca de uma negociação seria mais eficaz e permitiria alcançar a liberdade mais rapidamente.

Mas foi ainda mais difícil convencer de tudo isso a minoria que detinha o poder e julgava ter o direito divino de exercê-lo com exclusividade e para sempre. Esses eram os pressupostos da filosofia do apartheid proclamada por seu mentor intelectual, o sociólogo Hendrik Verwoerd, na Universidade de Stellenbosch, em 1948, e adotada de modo quase unânime pelos brancos nas eleições daquele mesmo ano.

Como convencê-los de que estavam equivocados, de que deviam renunciar não apenas a semelhantes ideias, mas também ao poder, e resignar-se a viver numa sociedade governada pela maioria negra?

O esforço durou muitos anos, mas, no final, como a gota persistente que fura a pedra, Mandela foi abrindo portas na cidadela de desconfiança e temor, e, um dia, o mundo inteiro descobriu estupefato que o líder do Congresso Nacional Africano saía às vezes de sua prisão para ir tomar civilizadamente o chá das cinco com os que seriam os dois últimos mandatários do apartheid, Botha e De Klerk.

Quando Mandela subiu ao poder, sua popularidade na África do Sul havia se tornado indescritível, tanto na comunidade negra quanto na branca (lembro ter visto, em janeiro de 1998, na Universidade de Stellenbosch, o berço do apartheid, uma parede coberta de fotos de alunos e professores recebendo a visita de Mandela com entusiasmo delirante).

Esse tipo de devoção popular mitológica costuma atordoar quem a recebe e fazer dele – como no caso de Hitler, Stalin, Mao, Fidel Castro – um demagogo e um tirano.

Mas Mandela não se deixou envaidecer; continuou sendo o homem simples, austero e honesto que sempre foi e, para surpresa do mundo todo, negou-se a permanecer no poder, como seus compatriotas pediam.

Aposentou-se e foi passar os seus últimos anos na aldeia indígena de onde se originara sua família.

Mandela é o melhor exemplo que temos – aliás muito raro nos nossos dias – de que a política não é apenas a tarefa suja e medíocre que tantos imaginam, da qual os malandros se valem para enriquecer e os vagabundos para sobreviver sem fazer nada, mas uma atividade que pode também melhorar a vida, substituir o fanatismo pela tolerância, o ódio pela solidariedade, a injustiça pela justiça, o egoísmo pelo bem comum, e que alguns políticos, como o estadista sul-africano, tornam o seu país, e o mundo, muito melhor do que como o encontraram.

18/12/2014

às 18:00 \ Política & Cia

O pior está por vir

“A Rússia está entrando em declínio.”

Mikhail Kasyanov, ex-primeiro-ministro russo e opositor do governo de Vladimir Putin, ao afirmar que o presidente deveria organizar eleições livres para sair do poder

18/12/2014

às 17:00 \ Política & Cia

ZUENIR VENTURA: Num dia você diz “não é possível”; no outro, fica ainda pior. Esse é o Brasil em que vivemos

(Imagem: Reprodução/Fabiocampana.com.br)

Depois de mensalão e petrolão, está certo o ministro Jorge Hage: “não me assusto com mais nada”, disse (Imagem: Reprodução/Fabiocampana.com.br)

EM CASA COM O INIMIGO

Artigo publicado no jornal O Globo

carinha_colunista_zuenir_venturaDepois de 12 anos como ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, órgão de fiscalização do governo, Jorge Hage, saturado, desabafou: “Não me assusto com mais nada.” Mesmo sem ter investigado cartéis, quadrilhas, esquemas e escândalos, como ele, posso dizer que no meu caso o que acabou foi a surpresa. Temo não me espantar com mais nada.

Muitos leitores já estão assim: blasés, cínicos. É tamanha a overdose de mais do mesmo todo dia que pode estar ocorrendo uma certa anestesia após as reações iniciais.

Primeiro, os escândalos produziram choque; em seguida, indignação; depois, apatia; e agora, impotência, como se nada pudesse ser feito. A política tornou-se um espetáculo tristemente enfadonho, alternando personagens e proezas que se superam diariamente: os de hoje são mais incríveis do que os de ontem, e certamente menos do que os de amanhã.

Num dia você diz “não é possível”, ao ler que o desvio no petrolão é seis vezes maior do que o do mensalão. No dia seguinte, são os e-mails de uma ex-funcionária mostrando que a cúpula da empresa, incluindo a presidente, fora alertada sobre uma série de graves irregularidades antes do início da Operação Lava-Jato. E assim por diante.

Um gerente se compromete a devolver US$ 100 milhões desviados, e ninguém explica como um gerente — não um diretor — conseguia acumular essa fortuna sem que um superior percebesse, numa empresa com hierarquia e níveis de comando e de controle?

A geração que nos anos 50 saiu às ruas gritando “O petróleo é nosso” jamais podia imaginar que o inimigo não estaria fora, mas dentro da estatal, e que o orgulho nacional um dia viraria caso de polícia ou, como disse um procurador da República, “uma aula de crime”. De fato, o vocabulário a ela associado passou a ser o da crônica policial: propina, suborno, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, desvio, roubo.

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18/12/2014

às 15:30 \ Política & Cia

Lula bate recordes de cinismo e descaramento ao se declarar campeão de combate à corrupção diante de uma plateia de mensaleiros condenados pela Justiça e de ministros demitidos por corrupção

Lula com Dilma no evento em que se declarou campeão em tudo, até no combate à corrupção: cara de pau e cinismo (Foto: Folhapress)

Post publicado originalmente a 21 de fevereiro de 2013

Campeões-de-audiênciaO descaramento do lulopetismo e de seu sumo sacerdote não tem limites.

Vejam vocês, esse tal evento de ontem comemorando 10 anos de governo do PT num hotel de São Paulo.

Como escreveu muito corretamente o repórter Jean-Philip Struck, do site de VEJA, tratava-se de “um evento com a presença de mensaleiros condenados pela Justiça e ex-ministros defenestrados por envolvimento em escândalos de corrupção” — e Lula, com a cara de pau costumeira, voltou a riscar do mapa tudo o que seus antecessores fizeram, atacou a oposição e lançou Dilma (oh, surpresa!) como candidata à reeleição.

Mas cara de pau brilhava mesmo, lustrosa, neste trecho relatado pelo repórter. Vejam só o descaramento do “deus” de Marta Suplicy e do lulalato:

“Nós não temos medo da comparação, inclusive no debate da corrupção”, disse Lula, sem citar o maior escândalo de desvios de recursos públicos ocorridos no país, o MENSALÃO, ocorrido justamente durante o seu governo. Na plateia, mensaleiros condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como seu ex-ministro e “ex-capitão do time”, José Dirceu, e os deputados José Genoino (SP) e João Paulo Cunha (SP) aplaudiram. Lula também não citou a recente operação da Polícia Federal, batizada de Porto Seguro, que flagrou sua mulher de confiança, a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha, como integrante de uma quadrilha especializada em fraudes de pareceres técnicos em órgãos federais.

Justamente ontem, completavam-se 89 dias de absoluto silêncio de Lula — que, como sabemos, fala pelos cotovelos, e sobre tudo — a respeito do escândalo protagonizado por sua protegida Rosemary, a “Rose”. Como indica, implacável, o blog de Augusto Nunes, hoje estamos, pois, no 90º dia de silêncio absoluto do grande campeão anticorrupção que Lula tem o cinismo de se considerar.

Até o José Dirceu estava lá — e aplaudindo, feliz, enquanto aguarda os trâmites finais do Supremo antes de passar longa temporada na cadeia!

O ato de celebração do PT foi um acinte aos brasileiros de bem, esta é que é a verdade. Gente que irá em breve para penitenciárias cumprir pena não apenas se aboletava na plateia como ostentava o mandato de deputado federal. Até onde a pouca-vergonha nacional vai chegar?

18/12/2014

às 14:00 \ Política & Cia

A charge de SPONHOLZ: Doze anos de reprises

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17/12/2014

às 20:15 \ Tema Livre

FOTOS CHOCANTES: a degradação física e moral de usuários de crack em São Paulo

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Fotógrafo italiano passou um ano frequentando a cracolândia, em São Paulo, para registrar os estragos que o crack causa nos usuários (Foto: Alessio Ortu)

Post publicado originalmente a 29 de janeiro de 2014

Campeões-de-audiênciaO fotógrafo italiano Alessio Ortu passou um ano visitando a cracolândia, em São Paulo, para registrar os sinais de degradação física, mental e moral em que vivem os usuários de crack aglomerados em um setor do centro da cidade.

O resultado é o livro Simulacrum Praecipitii – A visão do abismo; uma exposição – que já foi montada em setembro, no Palácio da Justiça, em São Paulo – e o documentário Simulacrum Praecipitii – A visão do abismo, dirigido por Humberto Bassanelli e apresentado no último festival É Tudo Verdade.

As fotos mostram uma realidade crua e dolorosa, cheia de desesperança, dor, miséria e sujeira. Mesmo abandonados e renegados pela sociedade, alguns usuários retratados ainda se mostraram capazes de gestos de amizade, carinho e fé.

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Mãos — mãos sujas, escalavradas, maltratadas, sofridas – são um tema recorrente na série de fotos feitas na cracolândia: o estrago do crack é mais visível nelas (Foto: Alessio Ortu)

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Cinco reais é a quantia que geralmente os usuários pediam em troca da autorização para a foto. Com dez reais, compra-se uma pedra de crack (Foto: Alesso Ortu)

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Cigarro, isqueiro e pedra, símbolos do fundo do poço (Foto: Alessio Ortu)

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O fotógrafo conseguiu também captar alguma coisa de fé e a esperança em meio a drogas, lixo e degradação (Foto: Alessio Ortu)

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Cachimbo usado para fumar pedra de crack (Foto: Alessio Ortu)

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Esse é Gabriel, um jovem de 17 anos (Foto: Alessio Ortu)

Danielle e Sabrina, as duas com 19 anos -- algumas meninas se prostituem para conseguir o crack (Foto: Alessio Ortu)

Danielle e Sabrina, as duas com 19 anos — algumas se prostituem desde meninas para conseguir o crack (Foto: Alessio Ortu)

Júnior, de 24 anos, fumando crack no centro de São Paulo (Foto: Alessio Ortu)

Júnior, de 24 anos, fumando crack à luz do dia, no centro de São Paulo
(Foto: Alessio Ortu)

Giuliano, de 16 anos, cobre o rosto para ser fotografado (Foto: Alessio Ortu)

Giuliano, de 16 anos, cobre o rosto para ser fotografado. Mesmo sem mostrar o rosto, parece uma pessoa de 40, 50 anos (Foto: Alessio Ortu)

Jerson, de 34 anos, limpa o rosto de Jonatas, de 25 -- cenas de carinho e amizade na cracolândia (Foto: Alessio Ortu)

Jerson, de 34 anos, limpa o rosto de Jonatas, de 25, que é cego — apesar de tudo, há cenas de carinho e amizade na cracolândia (Foto: Alessio Ortu)

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A presença de adolescentes na cracolândia impressionou o fotógrafo italiano (Foto: Alessio Ortu)

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Onde vamos parar? Estão falsificando até os ilegais “arrebites” que caminhoneiros tomam — e isso causa mortes!

17/12/2014

às 18:30 \ Vasto Mundo

Estados Unidos e Cuba reatam laços diplomáticos rompidos em 1961

(Foto: Reuters)

Obama e Castro: relações foram retomadas, mas ambos deixaram claro que seus problemas não estão resolvidos (Foto: Reuters)

Obama anunciou a normalização das relações diplomáticas com a ilha dos irmãos Castro. Papa Francisco teve papel-chave na negociação entre os países

De VEJA.com

O governo dos Estados Unidos iniciou nesta quarta-feira uma aproximação histórica de Cuba, ao anunciar a normalização das relações diplomáticas plenas e o alívio de diversas sanções em vigor há mais de meio século, desde 1961, informou o presidente Barack Obama em um pronunciamento na Casa Branca.

O presidente americano manteve na terça-feira uma longa conversa telefônica com o ditador cubano, Raúl Castro, disse a fonte, e ambos acordaram a abertura de embaixadas “nos próximos meses”. Obama anunciou “fim de uma política obsoleta” em relação a Cuba e que “fracassou durante décadas”.

Em um acordo costurado durante dezoito meses de negociações secretas hospedadas em grande parte no Canadá e encorajado pelo papa Francisco, que organizou uma reunião final no Vaticano, o presidente Obama e o ditador Raúl Castro de Cuba concordaram em deixar de para trás décadas de hostilidade para construir uma nova relação entre os EUA e a ilha comunista que fica a apenas noventa minutos da costa americana.

Em seu pronunciamento, Obama agradeceu ao papa Francisco e ao Canadá.

Leiam também:
EUA e Cuba trocam prisioneiros. Obama vai anunciar mudanças nas relações com a ilha 

Em Havana, em um pronunciamento lido ao vivo na TV estatal, Raúl Castro anunciou o restabelecimento de relações diplomáticas com os EUA, “mas isso não quer dizer que o principal está resolvido” – ressaltou o ditador.

“Propomos a adoção de medidas mútuas por parte dos dois países. Reconhecemos que temos profundas diferenças, como em questões de soberania e direitos humanos, mas queremos melhorar as relações. Os progressos já obtidos demonstram que é possível encontrar soluções para muitos problemas”. Assim como Obama, Castro também agradeceu ao Canadá e ao Vaticano.

Os Estados Unidos vão aliviar as restrições bancárias sobre as remessas de dinheiro para Cuba, e de viagens. Havana se comprometeu a libertar 53 cubanos identificados como presos políticos por parte do governo dos Estados Unidos. Embora o embargo americano sobre Cuba permaneça em vigor, o governo sinalizou que gostaria de negociar com o Congresso o alívio das sanções.

Os republicanos reagiram com indignação à iniciativa da administração Obama para a normalizar as relações com Cuba. O senador Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos e um provável candidato presidencial republicano, prometeu tentar inviabilizar a iniciativa da Casa Branca. “Satisfazer os irmãos Castro só irá motivar outros tiranos, de Caracas a Teerã e Pyongyang, para que eles possam tirar proveito da ingenuidade do presidente Barack Obama”, disse Rubio.

Preso libertado – O funcionário terceirizado do governo americano Alan Gross chegou nesta quarta à base militar de Joint Andrews, no Estado de Maryland (EUA). Ele foi posto em liberdade por Cuba após passar cinco anos preso em Havana.

Gross, um funcionário da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) de 65 anos, foi preso em Cuba em 3 de dezembro de 2009 e condenado a 15 anos de prisão por importar tecnologia proibida e tentar estabelecer um serviço clandestino de internet para judeus cubanos. Ele perdeu mais de 45 quilos na prisão e está com a saúde frágil. Gross iniciou uma greve de fome de nove dias em abril e disse a parentes que estava pensando em se matar se não fosse libertado.

Segundo o jornal The Washington Post, Gross foi solto em uma troca humanitária de prisioneiros – que, oficialmente, é considerada pelo governo americano como uma ação separada. Outro agente de inteligência, que não foi identificado, apenas apontado como um ‘cubano’ mantido atrás das grades em Cuba por quase duas décadas, foi oficialmente envolvido no acordo de troca de prisioneiros.

Os três cubanos libertados em troca de Gross fazem parte do chamado Cuban Five, um grupo enviado pelo então ditador de Cuba, Fidel Castro, para espionar no sul da Flórida. Eles foram condenados em 2001 em Miami sob as acusações de conspiração contra o governo americano.

17/12/2014

às 17:00 \ Política & Cia

No PT, o “partido que muda o Brasil”, acredita quem quer

(Foto: André Coelho/O Globo)

“Mais uma vez, os petistas apostam tudo na propaganda como forma de construção da realidade” (Foto: André Coelho/O Globo)

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo

O Partido dos Trabalhadores (PT), envolvido nos maiores escândalos de corrupção do Brasil na última década, está preocupado com sua imagem. Conforme dirigentes do partido discutiram em recente reunião da corrente majoritária da legenda “Partido que Muda o Brasil”, o PT precisa agir para resgatar a aura “ética” que criou e cultivou nos primeiros anos de sua existência.

Mais uma vez, os petistas apostam tudo na propaganda como forma de construção da realidade. No entanto, está cada vez mais claro que a imagem de partido que abriga corruptos não está associada ao PT à toa – e será preciso muito mais do que golpes de marketing para alterar essa percepção.

“É preciso passar o PT a limpo”, disse Jorge Coelho, um dos vice-presidentes do partido, durante o encontro. A recomendação é pertinente, mas é difícil de acreditar que haverá qualquer esforço autêntico para que essa limpeza seja realmente realizada. Não se trata de ceticismo, mas de constatação: basta lembrar que os principais dirigentes do partido envolvidos no escândalo do mensalão, por exemplo, foram tratados pela militância e pelos líderes petistas como “presos políticos” e “guerreiros do povo brasileiro”.

Agora, com a roubalheira na Petrobras sendo exposta em detalhes sórdidos, para dar a impressão de que não tolera corrupção, o PT aprovou uma resolução segundo a qual os filiados envolvidos em falcatruas serão expulsos. Tal disposição para lidar com os malfeitores como se deve, dizem os dirigentes petistas, ficou comprovada pela posição adotada pelo partido no processo contra o deputado André Vargas na Câmara.

A bancada do PT foi orientada a votar a favor da cassação do ex-petista, denunciado por sua ligação com o doleiro Alberto Youssef, pivô do escândalo da Petrobras. “Quando o PT pede a cassação do André, dá um exemplo concreto”, disse o presidente nacional do partido, Rui Falcão.

A singela narrativa petista, contudo, tem falhas de roteiro. A principal é que Vargas estava havia mais de 20 anos no partido, sendo uma de suas principais lideranças. Por essa razão, é preciso muito esforço para crer que, na cúpula petista, ninguém soubesse de suas traquinagens.

O fato é que Vargas perdeu apoio no PT somente quando o escândalo que o envolvia começou a ameaçar os planos eleitorais do partido – e então ele foi pressionado a abandonar a legenda à qual prestou tantos serviços, entre os quais desqualificar os ministros do Supremo Tribunal Federal que condenaram os caciques petistas à prisão no caso do mensalão.

Como o resgate da imagem “ética” do PT não pode ter contradições como essa, o partido decidiu criar uma TV na internet para dar a sua versão dos fatos. O projeto se alinha à tese segundo a qual foi a imprensa que criou o mito da corrupção petista e que é necessário mostrar ao país que, ao contrário do que sugere o noticiário diário, o PT não é conivente com as fraudes e os desvios de dinheiro público.

A esse propósito – e fica aqui a sugestão de pauta para a TV petista -, seria interessante conhecer a versão do partido para a manutenção de João Vaccari Neto como seu tesoureiro, a despeito das inúmeras denúncias de seu envolvimento com o escândalo da Petrobras.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

17/12/2014

às 15:35 \ Tema Livre

Sorteio da FIFA: a campeã foi Fernanda Lima

Fernanda Lima sobe ao palco na Costa do Sauipe: não teve pra ninguém (Foto: Sérgio Moraes / Reuters)

Fernanda Lima sobe ao palco na Costa do Sauipe: não teve pra ninguém (Foto: Sérgio Moraes / Reuters)

Post publicado originalmente a 6 de dezembro de 2013

Campeões-de-audiênciaEstava (quase) todo mundo lá: do incomparável Pelé ao grande Zidane, do técnico campeão do mundo, Vicente del Bosque, a astros do passado mais ou menos recente como Matthäus, Cannavaro ou Fernando Hierro, da presidente da República à uma vasta cartolagem e mais Bebeto, Ronaldo Fenômeno, a ótima e superpremiada Marta… mas, de novo, a FIFA não conseguiu fazer uma festa de verdade no grande evento de hoje da Costa do Sauipe, na Bahia.

Quem assiste às sonolentas entregas anuais da Bola de Ouro, que, com os recursos financeiros da entidade, sede em Mônaco e versando sobre um esporte que toca na alma de toda a Humanidade poderia e deveria ser uma festa espetacular, já deveria estar pelo que vimos pela TV.

Um show apenas mediano, diante da coruscante riqueza musical que o país tem a exibir, o pouco aproveitamento de sempre do caudal de celebridades do futebol que poderiam ter algum tipo simpático de protagonismo no evento — o capitão do tri, Carlos Alberto, foi mostrado em fugaz imagem de TV, bem como o técnico da sempre grande Alemanha, Joachim Löw, ou seu antecessor, o ex-artilheiro Klinsmann, Zagalo nem isso… e por aí vai.

A coreografia toda do evento tinha a rigidez da Suíça em que tem sede a FIFA.

Nem Pelé, há mais de meio século lidando com multidões e eventos, parecia à vontade. Todo mundo hirto, seguindo marcações rígidas e monótonas — menos ela.

Fernanda Lima foi dez: linda num vestido dourado insinuante, falando excelente inglês, simpática e desembaraçada, fazendo virar as cabeças dos craques que subiram ao palco. O marido e colega apresentador, Rodrigo Hilbert, não fez feio. Mas Fernanda esteve em casa durante todo o evento. Não teve pra ninguém.

 

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