Blogs e Colunistas

24/05/2013

às 19:55 \ Política & Cia

Episódio da MP dos Portos mostrou Dilma mais dependente ainda do PMDB

Na MP dos Portos, "As distorções mais graves impostas pelos rebeldes aliados nas madrugadas de votação na Câmara, garantem as ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffman, serão extirpadas por vetos presidenciais" (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / ABr)

As ministras Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti com o ministro dos Portos, Leônidas Cristino: o episódio da MP dos portos mostrou o desprestígio da "coordenação política do governo" (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

Do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros

O JOGO POLÍTICO-PARTIDÁRIO FICOU MAIS DELICADO

As forças de informações governamentais dão como uma vitória do governo a aprovação, catimbadíssima como se diz na gíria esportiva, da MP dos portos, sem modificações “destrutivas” ao projeto original e ao parecer do senador Eduardo Braga (PMDB/AM).

As distorções mais graves impostas pelos rebeldes aliados nas madrugadas de votação na Câmara, garantem as ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffman, seriam extirpadas por vetos presidenciais.

É meio fato esta interpretação oficial. Ao final da maratona, o que se viu é que está totalmente desprestigiada a chamada “coordenação política do governo” e as relações do Palácio do Planalto com seus aliados.

O jogo político-partidário ficou mais delicado – II

Não funcionam nem as resistências de Dilma em não ceder mais do que ela entende do que seria razoável – ceder ela cede, basta ver o rosário de nomeações de aliados – nem ceder além disso, com verbas para as emendas parlamentares e outras promessas sendo liberadas de última hora.

O governo fica sempre a mercê do Congresso nos grandes momentos. Diz-se que o grande rebelde desta vez, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, foi derrotado pelas forças governistas. Ora, se o foi, por que a necessidade de vetos? E se os vetos podem gerar novas insatisfações e novos embates?

A realidade é que a presidente Dilma saiu deste embate, infelizmente para ela e para boa parte dos brasileiros, um pouco mais dependente do PMDB no Congresso. Na última hora o socorro veio para ela de Henrique Alves e, especialmente, de Renan Calheiros. Parecia até que o PMDB jogou afinado para valorizar seu passe: enquanto Eduardo Cunha e sua turma batiam, o comando peemedebista assoprava.

Com dois agravantes: o PT não gostou dessa afinação peemedebista. E uma parte do petismo não gostou nada do projeto aprovado. Dilma vai ter de mudar muito seu modo “político” de agir, tanto com o Congresso como internamente. Já começam a pipocar de todos os lados – e não apenas dos discursos da tímida oposição – críticas e observações negativas ao estilo presidencial de ser e de governar.

24/05/2013

às 18:46 \ Tema Livre

VÍDEO DESLUMBRANTE: Viajem pela mítica Bretanha, terra dos misteriosos menires, os monumentos pré-históricos de pedra

O esplendor de Armorica em uma viagem de tirar o fôlego

O esplendor de Armorica em uma viagem de tirar o fôlego

A música eletrizante de Peter Nanasi conduz o espectador nessa viagem deslumbrante de luz e movimento, oferecida pelo cineasta Tanguy Louvigny nesse curta Armorica.

Armórica, a terra de pedras eretas, é  o nome que na Antiguidade se dava à região que compreende, h0je, sobretudo a peculiaríssima paisagem da Bretanha, no oeste da França.

Luzes e movimentos da natureza – e do passar do tempo – exploram a terra onde se encontram menires, os monumentos-esculturas de pedra, muitas vezes gigantescos, restos de alguma antiga e misteriosa civilização, de mais de 5 mil anos.

O simpático Obelix e seu menir

O simpático Obelix e seu menir

Essas colunas, ou ”antas”, como também são conhecidas as pedras eretas, são frequentemente associadas a druidas celtas, magia e forças telúricas, mas ninguém sabe realmente por que e como foram colocadas ali…

Ninguém não, pois quem conhece Obelix, o enorme personagem dos franceses Albert Uderzo e René Goscinny, das aventuras de Asterix, não há mistério nenhum: os menires servem mesmo para achatar os persistentes romanos, que ousam cobrar impostos da corajosa aldeia gaulesa, e também para presentear a amada Falbalá.

Brincadeiras à parte, esse belíssimo time-lapse, que brinca com luzes e sombras em um lugar já mágico, é algo que merece ser apreciado.

24/05/2013

às 17:46 \ Vasto Mundo

VENEZUELA: A herança podre de Maduro num país em que se mata três vezes mais do que no Brasil e 25 vezes mais do que no Chile

Rabecão recolhe cadáver no bairro de Altagracia, em Caracas: a Venezuela chavista tem os maiores índices de criminalidade da América do Sul (Foto: ultimasnoticias.com.ve)

A herança podre de Maduro

Por Nelson Motta

Publicado no jornal O Globo

Não há herança mais maldita do que governar o país mais violento da América do Sul.

Para enfrentar a criminalidade que mata por ano 75 pessoas por grupo de 100 mil (no Brasil selvagem morrem 26 e no Chile, três), o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, chamou os donos das três redes de televisão e denunciou a origem do mal:

“Por que as novelas têm de divulgar a deslealdade, a traição, o narcotráfico, a violência, a cultura das armas, a vingança?”

Os roteiristas venezuelanos estão em pânico. Como fazer uma novela sem traição, vingança, deslealdade, assassinatos, cobiça, ódio, inveja, e todas as coisas que Maduro diz que levam ao crime e à violência? Chávez já havia proibido videogames violentos há cinco anos, quando o país era bem menos violento.

Maduro assegura que a pobreza não é a única causa da delinquência, “porque a Venezuela tem os índices mais altos do mundo em superação da pobreza” (para matar Lula de inveja). Mas as mortes cresceram 15% de um ano para cá.

“Às vezes o que a escola faz em seis horas, um programa televisivo destrói em uma. Não vamos permitir programas que divulguem a prostituição, as drogas, a violência.” E bradou retumbante: “Vamos interromper o festim da morte.”

Maduro: tem crime? Então vamos censurar a TV (Foto: guardian.co.uk)

Algum passarinho precisa avisá-lo de que há muito mais consumo de programas com esses venenosos “antivalores do capitalismo” em países como o Japão e a Inglaterra do que na Venezuela, mas nenhum festim da morte: as vítimas de homicídios são de 0,4 (menos de meio japa) e 1,7 inglês por grupo de 100 mil. Como o marido traído, Maduro quer tirar a televisão da sala.

Como Chávez, o mexicano, o arguto lider chavista disse que como já sabe que quase 90% dos crimes ocorrem em 80 municípios, basta deslocar 3 mil soldados do Exército para as regiões violentas. E pronto.

O secretario Beltrame poderia informá-lo que quando uma UPP toma uma comunidade a bandidagem não vai vender artesanato, se muda para áreas menos policiadas.

Ver o ex-motorista de metrô Nicolás Maduro dirigindo a Venezuela é como imaginar o Brasil com Carlos Lupi na Presidência da Republica. Só que Lupi é mais esperto.

24/05/2013

às 16:22 \ Política & Cia

Fernando Gabeira: Que porto é esse, senhora dos navegantes?

"Se a classe média é reacionária e fascista, resta procurar uma classe social democrata e progressista, salvadora. Seriam os operários os portadores da nova moral? Lula, por exemplo, beijando a mão de Jader Barbalho e dizendo que Newton Cardoso é o Pelé da política?" (Foto: Marcos Pinto)

"Se a classe média é reacionária e fascista, resta procurar uma classe social democrata e progressista, salvadora. Seriam os operários os portadores da nova moral? Lula, por exemplo, beijando a mão de Jader Barbalho e dizendo que Newton Cardoso é o Pelé da política?" (Foto: Marcos Pinto)

Artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo

QUE PORTO É ESSE, SENHORA DOS NAVEGANTES?

Desembarco mareado nesta nova estação do progresso. Sou pela abertura dos portos e não vejo argumento mais forte do que centenas de caminhões engarrafados esperando o momento de exportar sua carga.

Chego mareado não pelo balanço das ondas, mas pelo espetáculo agitado em terra firme. Um longo psicodrama que não pude acompanhar em todos os detalhes por causa das tarefas cotidianas. Mas já o pressentia. Para articular seu governo na nave do Congresso, a senhora escolheu Ideli Salvatti.

Com as características da nova ministra, a escolha a transformaria rapidamente de Salvatti em Afundatti: independentemente de suas qualidades, simplesmente não é a pessoa para o cargo. Pode ser amiga, fiel, apaixonada pela causa, mas, que diabo, isto é uma República! Em vez de elevar o nível da política, como se pede a uma presidenta, ela a joga no chão e a pisoteia com o salto alto.

O mais impressionante, à distância, é o reality show no Congresso. Conheço alguns personagens, da política fluminense, e não acreditava no que lia: Eduardo Cunha, guerrilheiro que obriga o governo a recuar. Como assim? Eduardo Cunha fazendo emboscadas, dispersando quando o inimigo se concentra, concentrando-se quando o inimigo se dispersa?

Eduardo Cunha, o líder do retrocesso, diziam algumas outras notas. Será? Cunha não se bate pelo progresso nem pelo retrocesso. Seus parâmetros são outros. Lembro-me de uma sessão que ele presidia. Discutimos e tive a sensação de que não estava me olhando. Disse: “Por favor, olhe para mim”. E ele: “Estou olhando”. Percebi, subitamente, que olhava sem olhar. Ele falava de dentro de uma caverna.

Garotinho, pensando em Cunha, chamou a emenda dos portos de emenda dos porcos. Foi sua contribuição. Saiu quase ileso no outro dia, quando Ronaldo Caiado afirmou que ele, Garotinho, tinha cheiro de porcos.

Nada como o tempo para serenar os ânimos. Cheirar não é ser. Abre espaço para um acidente, ter passado por um chiqueiro, posado para uma foto com porquinhos no colo.

Imaginem essa confusão numa atmosfera fechada, uma espécie de abrigo antiaéreo onde se entra e sai sem ver a passagem do dia para a noite, o próprio amanhecer. Pizzas, frangos, um batalhão de alimentos entra pelos corredores e deságua na cantina abarrotada. Cochilos, intervalos para o futebol, é verdade isso que a imprensa mostrou. E, naturalmente, os gases: 500 pessoas reais concentradas no mesmo espaço, disputando os mesmos sofás. O que importam esses detalhes para a história da modernização dos portos? Se o preço de distribuir renda é degradar a política, por que não usar o mesmo raciocínio para desatar o nó no comércio exterior?

Pelo rádio ouço uma comentarista lembrar que a emenda dos portos seria aprovada mais rapidamente no Senado, pois os senadores, mais velhos, não aguentariam a maratona. Como apenas seis horas bastaram para rever algo que os deputados levaram dias para concluir, supõe-se que têm uma invejável juventude intelectual. Falsa suposição. Os senadores fazem o que quer o governo. Garantidos suas verbas e seus cargos, nada têm a temer, exceto um colapso do serviço de chá.

O episódio da emenda dos portos mostrou mais uma vez o descompasso entre o crescimento econômico e a qualidade política. Acho esse caminho insustentável. Mas posso estar equivocado, aplicando uma visão dinâmica a algo que tende a sobreviver, se essa for mesmo a escolha nacional, por comodismo ou indiferença.

Confrontado com as expectativas da redemocratização, o processo político brasileiro degradou-se. Se as previsões falharam no passado, de que adianta renová-las? Pensar o futuro, só recorrendo à ficção científica. Que bichos ocuparão as denúncias na tribuna? Antes havia o dinossauro, que se tomou simpático, o veado, que perdeu sua conotação negativa. O porco é o bicho do momento, mas o próximo pode ser a iguana, a barata ou o dromedário? Tudo é possível na enorme fazenda petista, onde os bichos se acalmam só quando sentem o cheiro do dinheiro no ar.

O drama dos portos ocorre num momento de comemoração do partido dominante, que se orgulha publicamente de elevar milhões de pessoas à classe média. Na festa, a filósofa Marilena Chaui disse que odeia a classe média por suas posições fascistas e conservadoras. Então, elevam a vida das pessoas para melhor conseguirem odiá-las?

Se a classe média é reacionária e fascista, resta procurar uma classe social democrata e progressista, salvadora. Seriam os operários os portadores da nova moral? Lula, por exemplo, beijando a mão de Jader Barbalho e dizendo que Newton Cardoso é o Pelé da política?

Com seu talento filosófico, Chaui poderia até nos convencer da tese de Lula de que não existiria poluição se a Terra não fosse redonda. Como a Terra gira e a Lusitana roda, slogan que sempre marcou o negócio das mudanças no Rio, o poluído planeta, pelo menos, está em movimento. Cedo ou tarde essa mistificação que vê o fascismo só nos outros e veste de pureza um partido corrompido até a medula pode ser desmascarada.

O discurso de Chaui, no entanto, é sintomático. Depois de impor a ideia de que a degradação política é essencial para mover o País, está tudo pronto para tratar as pessoas como se tratam os deputados no plenário. O sadomasoquismo nacional entra em nova fase. Os brasileiros da classe média são roubados de dia e insultados à noite nas tertúlias literárias do PT. Se gostam ou não, é problema deles.

Desde o início da democratização me bati pela liberdade de escolha em questões delicadas, incluída essa de gostar de apanhar. Se os eleitores preferem um Parlamento cheio de Cunhas e os empresários adoram tratar suas questões com eles, temos somente de nos resignar e esperar que combatam entre si e sejam devorados pela própria cobiça.

Aos poucos, vamos compondo um novo e inquietante dístico para a Bandeira Nacional: “Barbárie e Progresso”. Salve, salve.

24/05/2013

às 15:00 \ Vasto Mundo

Arqueólogos comprovam: habitantes da primeira colônia inglesa nos EUA recorreram ao canibalismo para sobreviver à ineficiência do sistema coletivista em que viviam

A caveira de Jane, com marcas de faca na testa (à dir.), e o seu rosto reconstituído (à esq.)

A caveira de Jane, com marcas de faca na testa (à dir.), e o seu rosto reconstituído (à esq.) (Fotos: Carolyn Kaster / AP)

Texto de Duda Teixeira, publicado em edição impressa de VEJA

OS OSSOS DO SOCIALISMO

Os habitantes da primeira colônia inglesa nos Estados Unidos recorreram ao canibalismo para sobreviver à ineficiência do sistema coletivista em que viviam

Aos 14 anos, a jovem Jane chegou em um navio de suprimentos a Jamestown, a primeira colônia inglesa na América, em 1609. A causa de sua morte, meses depois, é um mistério, mas sabe-se que seu cadáver foi desmembrado para ser devorado por um grupo de colonos. Seu crânio foi aberto e a carne do seu rosto foi destrinchada por uma pessoa sem experiência com a faca, o que pode ser constatado pela hesitação das marcas deixadas na testa e na mandíbula.

A tíbia foi descarnada por alguém com maior conhecimento do ofício. Esses ossos, encontrados no ano passado no que sobrou do porão de uma antiga cozinha, são o primeiro indício arqueológico do canibalismo nas colônias pioneiras, onde hoje fica o estado americano de Virgínia. Essa prática já havia sido registrada em cartas e outros relatos históricos. A descoberta foi revelada no início deste mês.

O horripilante destino de Jane, como a garota foi batizada pelos arqueólogos, é uma exceção, restrita à penúria enfrentada pelos moradores de Jamestown no inverno do fim de 1609 e início de 1610. Uma anomalia daquelas que só acontecem quando o ser humano atravessa condições
extremas o bastante para fazer desmoronar qualquer tabu.

Jane foi devorada por seus pares como consequência do fracasso do modelo de produção coletiva implantado nos primeiros anos da colonização dos Estados Unidos. A propriedade era comunitária, e o fruto do trabalho era dividido igualmente entre todos. Era, portanto, uma experiência que antecipava os princípios básicos do comunismo. Deu no que deu.

Pintura do século XVIII que mostra a construção de Jamestown (Foto: Getty Images)

Pintura do século XVIII que mostra a construção de Jamestown (Foto: Getty Images)

Sem estímulo para o trabalho, os habitantes de Jamestown eram incapazes de produzir um excedente de alimentos para os períodos de estiagem ou de inverno. No ano em que Jane foi canibalizada, seis de cada dez colonos sucumbiram à fome. A tragédia levou os primeiros americanos a rever o modelo econômico e a instituir a propriedade privada.

A partir desse momento, quem trabalhasse melhor ganharia mais e poderia se resguardar para os períodos de vacas magras. Foi essa mudança, nascida do trauma de um inverno em que os colonos caíram na selvageria, que permitiu aos Estados Unidos se tornar o maior gerador de riqueza do planeta e o berço do capitalismo moderno.

Jamestown, um forte triangular nas proximidades do Rio James, foi fundada em 1607. No início, a relação entre os ingleses e os integrantes da tribo powhatan era amigável. Os índios davam-lhes alimentos em troca de peças de metal. “Não havia moeda naqueles tempos. Tudo era feito por escambo”, diz o arqueólogo americano William Kelso, que encontrou os ossos de Jane.

Foi naquele período que uma menina de 11 anos, Pocahontas, se enamorou do capitão John Smith, que liderava os colonos. A relação entre os dois, edulcorada recentemente em desenho animado pela Disney, acabou em 1609, quando o capitão foi ferido e retornou à Europa. Os colonos já não tinham nada para oferecer aos índios em troca de comida.

Findo o comércio, começaram as hostilidades. “Os índios sitiaram o forte. Ninguém podia sair para conseguir alimentos”, diz Kelso. Situação parecida aconteceu em outra colônia, Plymouth, fundada pelos colonos que chegaram no navio Mayflower e que também adotaram a propriedade comunitária. Eles venderam a roupa do corpo aos índios em troca de milho. Outros roubaram grãos dos índios. Alguns se tornaram seus escravos.

No auge da penúria de 1609, em Jamestown, centenas de novos habitantes chegaram em navios de suprimento, entre os quais Jane, e comeram todo o alimento disponível em três dias. A fome veio em seguida. Segundo um relato posterior do então governador, George Percy, os moradores
devoraram cavalos, cachorros, gatos e ratos. Depois, comeram sapatos e todo o couro que encontraram.

Quando as opções se esgotaram, começou o canibalismo. Percy contou que ordenou a execução de um dos seus homens, que matou e canibalizou a esposa grávida. Se não fosse o sistema de produção fracassado, a situação dificilmente teria chegado a esse ponto. O coletivismo fora implantado
pela Companhia da Virgínia, empresa responsável pela empreitada em Jamestown, por temor de que, se os colonos tivessem sua própria terra do outro lado do Atlântico, deixariam de enviar o que produziam para Londres.

Apesar do solo fértil, da abundância de peixes, das matas ricas em veados e perus, porém, os homens não encontraram estímulos para trabalhar. “Os colonos não tinham o mínimo interesse na terra”, escreveu o historiador americano Philip Bruce no fim do século XIX. A paz e a prosperidade só começaram a se tornar realidade em Jamestown a partir de 1611, com a chegada do administrador inglês Thomas Dale.

Ele se surpreendeu ao notar que, em meio à fome, os homens dedicavam-se a vagabundear pelas ruas. A raiz do problema, ele percebeu, era o sistema comunitário. Dale então determinou que cada homem deveria receber três acres de terra e só precisaria trabalhar um mês por ano para a matriz. A decisão despertou os traços hoje bem conhecidos do capitalismo americano: o empreendedorismo e a aptidão para a competição.

Localização de Jamestown, no estado norte-americano da Virgínia

Localização de Jamestown, no estado norte-americano da Virgínia

Mais produtivos, os colonos passaram a vender milho aos índios em troca de peles de animais. O comércio trouxe a paz. Em 1775, a economia americana já era 100 vezes maior do que em 1630. Os americanos, nesse tempo, também já eram mais altos que os ingleses. Antes, chegaram ao máximo da degradação humana.

24/05/2013

às 14:00 \ Vasto Mundo

Medo do governo de Cristina Kirchner faz argentinos recorrerem ao dólar. Vejam os números

Na Argentina, os dólares ficam embaixo do colchão (Foto: StockPhoto)

Na Argentina, os dólares ficam embaixo do colchão (Foto: StockPhoto)

3 de cada 5 dólares que os argentinos possuem não são declarados.

Com medo da inflação e do caos econômico do governo Cristina Kirchner, eles guardam esse dinheiro em contas no exterior, em cofres privados ou o escondem em casa

170 bilhões de dólares, o equivalente a 35% do PIB da Argentina, é o valor dessa reserva paralela.

Ela é quatro vezes maior que as reservas do Banco Central argentino, o Banco de la República. Na semana passada, Cristina prometeu que anistiaria quem repatriasse dólares não declarados mantidos no exterior

700.000 argentinos, ou 1,6% da população, alugam cofres particulares.

De cada cinco cofres do vizinho Uruguai, um está alugado para um cidadão argentino

(Texto publicado na seção “Panorama” da edição de VEJA que está nas bancas)

23/05/2013

às 18:52 \ Tema Livre

VÍDEO PARA INEBRIAR: O encanto e a magia da Lua

Silhuetas na lua cheia

Silhuetas na lua cheia

Por Rita de Sousa

O fotógrafo neozelandês Mark Gee é um apaixonado pelo seu trabalho. Os anos passados envolvido na fotografia de filmes longa-metragens o condicionaram a manter constante atenção aos detalhes, sempre procurando ângulos diferentes e lançando mão de muita criatividade. Mas com esse vídeo, essas imagens da lua, ele se superou.

Foram alguns meses de preparação, tentativas fracassadas, e eis que fica pronto um vídeo que ele, Mark Gee, jura que não houve manipulação, nem corte, nada: Full Moon Silhouettes, ou Silhuetas na lua cheia, em tradução livre. Para conseguir isso, a partir do Mirante Monte Vitória , em  Wellington, na Nova Zelândia, Gee armou seu aparato fotográfico a 2,1 km do local, do outro lado da cidade, no nascer da lua do dia 28 de janeiro de 2013.

A trilha sonora é Tenderness, de Dan Phillipson.

 

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23/05/2013

às 18:38 \ Política & Cia

Posição em favor do terrorista Battisti é, a meu ver, mancha no currículo do novo ministro do Supremo

O advogado Luís Roberto Barroso. Escolha foi elogiada pelos ministros do STF (Foto: Folhapress)

O advogado Luís Roberto Barroso. Escolha foi elogiada pelos ministros do STF. Não tenho ideia de como ele se comportará no caso do mensalão, mas lamento que haja contribuído para que o terrorista Battisti ficasse no Brasil (Foto: Folhapress)

O site de VEJA publicou as primeiras repercussões sobre o nome que a presidente Dilma vai indicar ao Senado para integrar o Supremo Tribunal Federal. Vejam em seguida as informações, e depois minha opinião:

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) elogiaram a escolha do advogado Luís Roberto Barroso para ocupar a vaga deixada pelo ex-ministro Carlos Ayres Britto, que se aposentou em novembro. A escolha de Barroso foi anunciada nesta quinta-feira pela Presidência.

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, afirmou, durante um intervalo de uma sessão, que considera Barroso uma escolha “excelente”. “Não só pelas qualidades técnicas, como pessoa, mas também pelo fato de que somos colegas da Universidade do Rio de Janeiro”, disse o presidente à Agência Brasil.

Já o ministro Marco Aurélio Mello afirmou que o advogado “será recebido de braços abertos como um grande estudioso do direito, um profissional digno de elogios”.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também elogiou a escolha de Barroso. “É um jurista consagrado e que certamente trará ao Supremo uma preciosa e valiosa contribuição”. Gurgel disse que o advogado poderá participar do julgamento dos recursos do processo do mensalão caso se considere preparado.

“Na verdade o julgamento dos embargos é um novo julgamento. A princípio não há dificuldade”, disse Gurgel. O novo ministro deverá ser sabatinado pelo Senado antes de ser empossado no STF.

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Meu colega e amigo Reinaldo Azevedo lembrou, hoje, que, como advogado, Barroso atuou em favor da pesquisa com células-tronco embrionárias, união civil de homossexuais e do aborto de anencéfalos.

Ele acha isso ruim.

Como, aqui em VEJA, vivemos em uma democracia, minha opinião é oposta à dele: que bom que é termos no Supremo um ministro aberto para essas questões contemporâneas.

Do que não gosto nem um pouco é o fato, também ressaltado pelo Reinaldo, de o ministro ter atuado em favor do terrorista italiano Cesare Battisti junto ao Supremo. Assassino confesso, procurado por seus crimes pela Justiça de um país democrático e amigo do Brasil como é o caso da Itália, até hoje não me conformo com sua acolhida no Florão da América, como se esse criminoso estivesse sofrendo, na Itália, perseguição política de parte de  um regime autoritário.

Essa decisão cobriu o país de vergonha, nos transformou em uma República de bananas e ter no Supremo alguém que não apenas considera correto o resultado final como também lutou por ele, a meu ver, não engrandece o tribunal.

Especula-se sobre como Barroso atuará no julgamento do mensalão — até o procurador-geral da República, naturalmente instigado por jornalistas, acabou colocando sua colher no assunto.

Não tenho a mais remota ideia. Para mim, o que pesa, no nome de Barroso, é sua postura em favor de Battisti. Para mim, uma mancha no currículo.

(CONFIRAM O SITE PESSOAL DO FUTURO MINISTRO)

23/05/2013

às 16:26 \ Política & Cia

Santo Deus! Tá tudo dominado! Teremos um acusado de 3 crimes perante o Supremo ocupando a Presidência: Renan Calheiros

Renan Calheiros: presidente da República, sim, senhor! (Foto: veja.abril.com.br)

Amigas e amigos do blog, se é que faltava alguma coisa para justificar essa grande República de bananas metida a gente grande que é o nosso país, não falta mais.

Informa o repórter do site de VEJA Gabriel Castro, de Brasília, o seguinte:

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Nesta sexta-feira, a Presidência da República será comandada por alguém que responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) e que já esteve perto de ter o mandato cassado.

Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado e terceiro na linha sucessória, assumirá o comando do Executivo por um dia.

É o que manda a Constituição: a presidente Dilma Rousseff viaja para a Etiópia, o vice Michel Temer estará no Equador e o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), está nos Estados Unidos.

Renan já havia ocupado a Presidência interinamente em maio de 2006, quando Luiz Inácio Lula da Silva era o chefe do Executivo. [Na época, não pesavam as acusações que levaram o senador a renunciar ao cargo de presidente do Senado no ano seguinte, envolvido num escândalo revelado por VEJA que incluía, entre outros problemas, o pagamento, por parte de uma empreiteira, de despesas da mãe de uma filha havida fora do casamento por Renan].

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Como não acredito em Papai Noel, no Coelhinho da Páscoa, na Mula sem Cabeça ou em certas coincidências em política, fica claro que a mesa foi posta para o Planalto fazer um agrado a Renan, esse presidente do Senado tão prestativo ao lulopetismo.

Se a presidente Dilma quisesse evitar o constrangimento de ter um denunciado pelo Ministério Público Federal perante o Supremo ocupando sua cadeira, por 24 horas que fosse, poderia perfeitamente articular a viagem do vice Michel Temer para outra ocasião, ou gestionar junto ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, para que mudasse as datas de sua ida aos Estados Unidos — até transferir, com delicadeza diplomática, sua visita à Etiópia, que com absoluta certeza não é a coisa mais urgente sobre a face da Terra.

Qualquer jornalista que haja passado perto dos gabinetes de Brasília sabe que tal questão é absolutamente simples de resolver.

Mas, não. Vai estar lá o homem, empoleirado no cargo.

E, para refrescar a memória dos leitores, vamos lembrar o que aflige o senador junto ao Supremo Tribunal. No dia 1º de fevereiro passado, uma sexta=feira, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, confirmou o que já vinha circulando em Brasília: ele apresentara denúncia contra o senador perante o Supremo pelos crimes de peculato (quando servidor público utiliza o cargo para desviar dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documento falso.

Gurgel explicou na ocasião que a acusação de peculato contra o presidente do Senado baseia-se, “essencialmente”, no suposto uso de notas frias para comprovar despesas da verba de representação do gabinete. “Ele comprovou isso com notas frias”, afirmou Gurgel. “Os serviços [contidos nas notas], na verdade, não foram prestados. Isso caracteriza o peculato”. O procurador-geral alegou que os documentos apresentados na prestação de contas do senador não foram utilizados com a finalidade que as notas fiscais identificavam, mas para justificar renda. “Para justificar renda, ele usou de recursos da verba de representação e comprovou com notas frias. A prova documental é farta nesse sentido”.

O Código Penal prevê pena de 2 a 12 anos de cadeia para o crime de peculato. Se chegar a haver uma condenação pelos três crimes de que é acusado, Renan está sujeito a um total de penas que pode se situar entre 5 a 23 anos de prisão, além de multa que a decisão do tribunal cominaria.

23/05/2013

às 16:00 \ Vasto Mundo

O horror na Síria não exclui nem ato de canibalismo

Matou, comeu o coração, filmou tudo e colocou como "exemplo" no youtube (Foto: AFP)

Matou, comeu o coração, filmou tudo e colocou como "exemplo" no youtube (Foto: AFP)

Nota de Vilma Gryzinski publicada em edição impressa de VEJA

PEGA, MATA, COME E FILMA

Ato de canibalismo confirma: na Síria, tudo pode sempre ficar pior ainda

O teatro de horrores que se torna a cada dia mais hediondo na Síria é produto da mentalidade de guerra tribal de extermínio mútuo e do uso dos meios eletrônicos contemporâneos como instrumento de propaganda.

Nessa guerra do YouTube, contingentes do regime e combatentes sublevados não apenas filmam as próprias atrocidades como esperam que sua divulgação inspire terror ao inimigo. Até por esses padrões, o vídeo em que Abu Sakkar, nome de guerra de um ex-camelô transformado em monstro, arranca o coração e o fígado de um soldado morto e tira um naco com a boca, prometendo que vai aplicar o mesmo princípio a outros seguidores do tirano Bashar Assad, provoca engulhos.

Falando à revista Time, o Hannibal Lecter de barba confirmou que é ele mesmo o protagonista. Aliás, tem até mais um vídeo em que usa uma motosserra para “picar em pedaços grandes e pequenos” outro shabiha, a designação dada aos integrantes das milícias governistas formadas por alauitas, a minoria religiosa à qual pertence Assad.

A “assinatura” dos shabihas apareceu em outro vídeo de horror, mais tristemente convencional no sentido de que mostra civis massacrados, incluindo uma bebezinha com as pernas e os pequenos pés incinerados.

Mas, num nível mais simbólico, o mais espantoso vídeo da semana talvez tenha sido o que mostra Assad, todo bonitão de camiseta preta justinha, entrando num Porsche com a igualmente sorridente Asma, sua mulher.

As forças assadistas parecem estar tomando a dianteira, deixando a Síria com duas opções horríveis: ou continua, na maior parte, sob domínio do tirano ou cai nas mãos dos fundamentalistas muçulmanos que hoje controlam praticamente todas as forças da rebelião.

O tipo de gente para a qual comer o fígado do inimigo não é absolutamente uma força de expressão. Seriam os canibais no poder.

 

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