Blogs e Colunistas

25/05/2012

às 18:57 \ Vasto Mundo

Egito: presidente saído das eleições de hoje terá que enfrentar a “república dos generais aposentados”

Egyptian election results point to a run-off between Mohammed Morsi (Irmandade Muçulmana) and Ahmed Shafik (ex-primeiro Ministro). Photograph: EPA / AP

Eleição no Egito será decidido entre Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana, e Ahmed Shafik (ex-primeiro Ministro) (Foto: EPA / AP)

Seis décadas de ditadura e de generais, mais de um ano de agitações políticas e de um governo de junta miliar após a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro do ano passado, 50 milhões de eleitores, 13 candidatos, 10 outros impedidos de participar do pleito por várias razões — e o maior país do mundo árabe, o Egito, finalmente e a muito custo, realizou suas eleições presidenciais livres.

De todo o processo, ficaram para a disputa do segundo turno, conforme informações ainda não oficiais divulgadas no Cairo, Mohammed Morsi, o candidato da Irmandade Muçulmana, organização islâmica que já foi radical e caminhou para a moderação, e Ahmed Shafid, ex-primeiro-ministro do ditador Mubarak.

Vença quem vencer, não faltarão problemas ao novo presidente, que lidará com uma Assembleia Popular da qual dois terços dos 508 deputados são de partidos islâmicos: pobreza extrema entre a maioria dos 85 milhões de egípcios, as tradicionais carências brutais nas áreas de educação, saúde, saneamento básico, infraestrutura etc, sem contar com a discriminação existente contra os egípcios cristão do rito copta (4 milhões de cidadãos).

Generais do Egito: uma elite com grande poder, inclusive econômico (Foto: Al Ahram)

Do ponto de vista político, além da complexidade que será tratar com a Assembleia e suas dezenas de partidos, o futuro presidente, se quiser levar em frente a multidão de ideais que impulsionou a “primavera árabe” no país, terá como enorme desafio para a real democratização da sociedade enfrentar o poder militar. Além do poder das armas, as Forças Armadas (e principalmente o Exército) constituem, também, uma tentacular potência política e econômica no país.

Significativamente, ao longo da campanha em que se engalfinharam candidatos islamistas, laicos, pró-ocidentais ou hostis ao Ocidente e até veteranos da “revolução” que derrubou a monarquia, em 1952, não se tocou no assunto da desmilitarização do Estado egípcio.

Em célebre artigo que escreveu durante a ditadura no Brasil, o falecido (e corajoso) jornalista Arnaldo Pedroso d’Horta realizou um levantamento sobre o número de militares que ocupavam cargos públicos civis e concluiu afirmando que tinha general cuidando até de merenda escolar.

No fim da carreira, belos cargos ganhos de presente

No Egito, é muito pior. O Egito é uma verdadeira república de generais da reserva.

É praxe, consolidada ao longo de quatro ditadores oriundos dos quarteis desde 1952 — o general Mohammed Naguib, o coronel e criador do Movimento Não-Alinhado Gamal Abdel Nasser, o general Anuar el Sadat e o general da Força Aérea Hosni Mubarak –, que os altos oficiais, ao irem para a reserva, ganham de presente belos cargos como a presidência de indústrias do setor bélico, o governo de província, diretorias de empresas petrolíferas e outras, o que inclui uma instituição fundamental para a economia do Egito, como a estatal que administra o Canal de Suez.

As Forças Armadas, e principalmente o Exército, possuem empresas nos setores de construção civil, alimentação e transportes, entre outros, todas dirigidas por militares. A elite militar goza de todo tipo de privilégio e raro é o caso de um alto oficial que não seja muito rico.

O novo presidente tomará posse no próximo dia 30 de junho.

25/05/2012

às 18:03 \ Tema Livre

Fotos e vídeo de uma aventura ousadíssima: com barco a remo, caiaque e bicicleta, a inglesa Sarah Outen está dando a volta ao mundo “no braço”

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Sarah Outen na cabine de Gulliver, seu barco a remo: volta ao mundo remando e pedalando (Fotos: sarahouten.com)

Há 420 dias, a aventureira inglesa Sarah Outen, 26, se acomodou dentro de Nelson, seu inseparável caiaque, e ganhou as águas do rio Tâmisa, em pleno centro de Londres. O objetivo: retornar ao mesmo ponto, dois anos e meio depois, tendo acumulado mais 32 mil quilômetros percorridos em uma volta ecológica ao mundo envolvendo Europa, Ásia e América do Norte.

Sim, ecológica. Sarah viaja sem o auxílio direto de sequer um mísero motor. Utiliza na empreitada, além do apoio financeiro e logístico de 65 patrocinadores e a cooperação de uma equipe de dez pessoas – incluindo médico e cinegrafista -, exclusivamente o esforço físico, recorrendo apenas a meios de transporte não-motorizados. Faz tudo, portanto, “no braço”.

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A bordo de "Nelson", o caiaque, Sarah atravessa o Canal da Mancha, o turbulento trecho de mar entre a Grã-Bretanha e a França

Além de Nelson (responsável pelo trecho Londres-França via Canal da Mancha e posteriormente Leste da Rússia-Japão), lhe são fiéis escudeiros no giro global, batizado London2London, também o muito bem equipado barco a remo Gulliver (o responsável pelo trecho atual da caravana, entre Japão e Canadá, e que depois levará Sarah de volta ao Reino Unido, em um total de 7.500 milhas náuticas), e a bicicleta Hercules, que já lhe acompanhou nos 16 mil quilômetros necessários para cruzar Europa Central, China e o Deserto de Gobi, na Rússia, e que voltará à cena na travessia do Canadá.

sarah-expedicao

Deixando o Japão rumo ao Canadá

Sarah, que no momento se encontra no Oceano Pacífico, a leste do Japão, rumo à América do Norte, já percorreu mais de 17 mil dos 32 mil quilômetros almejados. Mesmo reclamando do enjoo que sente ao digitar no computador quando está a bordo, ela relata religiosamente a odisséia, com fotos, vídeos, gravações em áudio, blog e twitter, no bom site oficial do projeto http://www.sarahouten.com/.

A página também exibe um interessante aplicativo que mostra, em um mapa, a localização atual da valente desbravadora, com um contador que registra a quantidade de dias, horas, minutos e segundos que dura a expedição.

Sarah relatando suas andanças: nem os frequentes enjoos são obstáculo

O saldo de sua aventura, descrita por Sarah, até agora, é:

- 420 dias de viagem (faltam 830)

- 2 oceanos, 7.500 milhas náuticas

- 3 continentes, 14 países de bicicleta

- 300 milhas náuticas de caiaque

- 6 – 8.000 calorias perdidas por dia

- Até 11 meses no mar, sozinha

- 2 novas rodas, 10 pneus novos e dez câmaras de ar novos até agora

- 2 pares de sapatos até a data

- Percurso mais longo em bicicleta até o momento: 267 km durante a noite em Sakhalin (ilha pertencente à Rússia)

- Percurso mais longo em caiaque até o momento: 38 milhas náuticas em 12 horas entre Sakhalin e o Japão

- Piores estradas: Cazaquistão e Rússia

- Melhor apreciação de vida selvagem: urso de Brown, numa praia na Rússia

- Alguns ataques de intoxicação alimentar

- 3 propostas de casamento

- Milhares de crianças inspiradas

Roubada? Sarah pedala sob a neve em Sakhalin, Rússia

Roubada? Sarah pedala sob a neve em Sakhalin, Rússia

No vídeo abaixo (infelizmente sem legendas), a simpática Sarah mostra um pouco de Gulliver e conta um pouco sobre o seu dificílimo percurso atual: mais de 4 mil milhas náuticas entre Japão e Canadá. Como ela descreve, será necessário o esforço equivalente de “uma maratona por dia por cinco ou seis meses”:

httpv://www.youtube.com/watch?&v=IFrawGXXvAg

25/05/2012

às 17:00 \ Política & Cia

Boa notícia: avança no Senado aplicação da Lei da Ficha Limpa para nomeações no serviço público

O senador Pedro Taques, autor da proposta: "princípios republicanos e honestidade cívica" no serviço público (Foto: Agência Senado)

Da Agência Senado

Condenados pela Justiça em segunda instância, e até profissionais cassados por conselhos profissionais, como o de medicina, poderão ser impedidos de assumir cargos em comissão no serviço público, com base na Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135/2010).

Cargo em comissão é aquele preenchido por nomeação de autoridades como prefeitos, ministros, parlamentares e presidente da república, sem a necessidade de aprovação em concurso público.

Nesta quarta-feira,23, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado aprovou proposta de emenda à Constituição (PEC 6/2012) que proíbe o provimento, a investidura e o exercício nestes cargos e funções de brasileiros enquadrados na inelegibilidade da Ficha Limpa por atos de improbidade administrativa.

A proposta é do senador Pedro Taques (PDT-MT), e recebeu parecer favorável do relator, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Segue agora para o Plenário do Senado, onde será submetida a dois turnos de votação.

Segundo Taques, a PEC 6/2012 impõe essa restrição na contratação de servidores comissionados e de confiança pelos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios.

E adiantou que a Controladoria Geral da União (CGU) já estuda a edição de um decreto aplicando o critério de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa na nomeação de servidores públicos federais condenados pela Justiça.

- Essa PEC traz princípios republicanos, traz honestidade cívica ao serviço público – realçou Taques.

Na justificação da proposta, o senador afirma pretender resguardar o princípio constitucional da moralidade na administração pública, e não de buscar uma punição antecipada do cidadão convocado para cargo comissionado ou função de confiança. O princípio da não-culpabilidade estaria preservado, acrescentou, pelo fato de a inelegibilidade definida na Lei da Ficha Limpa só alcançar os condenados por órgão judicial colegiado ou definitivamente pela Justiça.

Ao analisar o mérito da PEC 6/2012, o relator a considerou “um importante passo para garantir a ética, probidade e moralidade no âmbito da administração pública nos níveis federal, estadual e municipal”.

- A Lei da Ficha Limpa representou significativo avanço democrático, com o escopo de evitar a participação, em cargos eletivos, de pessoas que não atendem às exigências de moralidade e probidade. Do mesmo modo, a adoção da ficha limpa na nomeação de ocupantes de cargo em comissão ou função de confiança no serviço público, como ora se propõe, contribuirá sobremaneira para extirpar da Administração Pública aqueles que cometem ilícitos envolvendo o dinheiro e os demais bens públicos – destacou Eunício Oliveira na leitura do parecer.

Os senadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Luiz Henrique (PMDB-SC), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Armando Monteiro (PTB-PE) reconheceram a importância da proposta para o aperfeiçoamento institucional e a melhoria dos padrões éticos no serviço público.

25/05/2012

às 16:00 \ Vasto Mundo

Corrigindo um erro que cometi: sim, o novo governo italiano, pela primeira vez, está taxando as propriedades da Igreja

O primeiro-ministro Mario Monti com o papa Benedito XVI: taxação inédita dos imóveis da igreja (Foto: mwnews.it)

Errei ao publicar um post há algumas semanas dizendo que o arrocho fiscal e as medidas de austeridade promovidas pelo primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, imitaram governos anteriores e deixaram fora de taxação os milhares de imóveis pertencentes à igreja católica e não dedicados ao culto – cujo número, conforme estimativas de diferentes fontes, varia de 50 mil a 100 mil propriedades.

O leitor Daniel Peccini Correa, a quem agradeço o toque, me advertiu para o erro.

Se errei, preciso corrigir. É minha obrigação.

O post foi publicado no dia 2 de abril. Deixei de levar em conta que dias antes, a 24 de março, o Parlamento aprovou a chamada “lei de conversão” nº 27/2012, que modifica uma lei de 1992, na qual se elencam os casos de isenção do IMU (imposto municipal único, equivalente ao nosso IPTU).

Só não estão suscetíveis ao imposto os imóveis “utilizados por entidades não-comerciais destinadas exclusivamente ao desenvolvimento sem objetivo de lucro de atividades assistenciais, previdenciárias, sanitárias, didáticas, culturais, recreativas, esportivas e de religião ou culto”.

A lei chega a detalhar sobre como proceder no caso, que não é raro, de uso misto (comercial e não comercial).

O percentual básico do IMU é de 0,76% sobre o valor do imóvel, podendo variar conforme uma série de situações.

O novo imposto estará em fase experimental de arrecadação até o final de 2014, e entrará em vigor em caráter definitivo a partir de 2015.

Diferentemente do que se passou com seus antecessores, o primeiro-ministro Mario Monti (um economista sem partido, ex-comissário da União Europeia — espécie de ministro da UE –, chefe de um governo de técnicos que tenta debelar a crise econômica até as eleições de abril de 2013) quebrou o tabu de não tocar no patrimônio da igreja católica.

25/05/2012

às 15:15 \ Tema Livre

Vídeo divertido para refrescar a sexta-feira: respeito no trânsito é bom — e nós gostamos…

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Travessia organizada (Imagem: Maurício de Sousa / Divulgação)

Organização e liderança são atributos muito desejáveis por homens e mulheres de negócio, e poucos se sobressaem por apresentá-los naturalmente. Universidades oferecem caríssimas disciplinas para quem deseja se aperfeiçoar nessa arte.

Deviam aprender com os bichos do vídeo abaixo.

Eles são conhecidos por seu senso de organização e são bons em liderança. Inclusive a formação em V, que costumam fazer no ar, no caso dos selvagens, são fontes de inspiração em aulas de administração.

Vejam que cena exemplar:

25/05/2012

às 13:25 \ Política & Cia

Seios siliconados, mansões, apartamentos pagos em dinheiro vivo, joias, secretárias particulares: as mulheres de bandidos cariocas que cumprem pena gastam dinheiro a rodo — e ajudam os maridos a tocar seu negócio criminoso

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Mulheres herdam poder e fortuna de traficantes presos

(Reportagem de Leslie Leitão publicada na edição impressa de VEJA)

 

Bandidos

HERDEIRAS DO TRÁFICO

 

Os inquéritos policiais não deixam dúvida: as mulheres dos chefões da bandidagem carioca, hoje presos, usufruem à vontade suas fortunas e são essenciais para garantir a continuidade dos principais redutos do crime no Rio

O grupo de mulheres a seguir vem acumulando dinheiro e poder nos principais QGs da bandidagem carioca depois que seus maridos, figuras do alto escalão na hierarquia do crime, foram parar na prisão.

Do lado de fora, são elas que zelam pelo patrimônio que eles amealharam e continuam a acumular, mesmo encarcerados – em alguns casos, há anos.

A lógica da reprodução do dinheiro sujo não varia muito de um caso para o outro. Essas mulheres encabeçam verdadeiras “lavanderias” constituídas de pequenos negócios fincados nas favelas onde vivem e mandam, não raro com mãos de ferro. Também esparramam os tentáculos dos impérios criminosos que representam pelo mercado imobiliário, comprando e revendendo imóveis no Brasil inteiro com a ajuda de redes de laranjas. E servem de leva-e-traz da prisão.

Mesmo na cadeia, os grandes bandidos cariocas continuam mandando no tráfico

“As primeiras-damas do tráfico são, em geral, guardiãs zelosas e aplicadas dos impérios erguidos por seus maridos, quando não ocupam posição de destaque nas quadrilhas”, diz o delegado de polícia Luiz Alberto Andrade, que investigou quatro das cinco mulheres que aparecem nestas páginas e levou três à prisão.

Elas aguardam em liberdade o andamento de processos que se arrastam na Justiça, quase sempre sob a acusação de lavagem de dinheiro e, às vezes, também de associação com o tráfico. Suas histórias, bem detalhadas nos inquéritos aos quais VEJA teve acesso, não só desvendam sua trajetória no mundo do crime como escancaram uma realidade incômoda.

Mesmo na prisão, os grandes bandidos cariocas permanecem no comando do tráfico nas favelas, inclusive naquelas recém-ocupadas pelas Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs, como Rocinha e Complexo do Alemão. Com uma vida cercada de luxos, elas ajudam a garantir aos marginais com quem se uniram o essencial: a continuidade.

Conheça algumas dessas mulheres de bandidos:

A “juíza”

 

Flávia dos Santos Lima, mulher do traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB

Flávia dos Santos Lima, mulher do traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB: seios de silicone, correntes de ouro, maços de dinheiro vivo na bolsa

Flávia dos Santos Lima, 37 anos, nunca se preocupou em esconder os sinais da riqueza que acumulou como “primeira-dama” de Vila Cruzeiro, favela da Zona Norte, um dos mais lucrativos redutos do crime no Rio de Janeiro. Ao contrário.

A mulher do bandido que ordenou o abate de um helicóptero da Polícia Militar, Fabiano Atanásio da Silva, o FB, hoje preso, adora ostentar suas correntes de ouro, várias ao mesmo tempo, e exibir pilhas de dinheiro vivo no meio da rua. Certa vez, apareceu em uma concessionária disposta a sair de carro novo. “Em questão de minutos, ela pagou 100 000 reais em espécie por uma caminhonete preta”, conta um dos investigadores, que prendeu a moça dois meses atrás.

Assídua cliente de clínicas de estética

FB continua na prisão, mas a mulher, que responde a um processo por associação com o tráfico e lavagem de dinheiro, já está livre, cuidando e usufruindo do patrimônio do marido, com quem tem dois filhos. Seu nome consta da clientela assídua de clínicas de estética povoadas por celebridades e sobrenomes da alta sociedade carioca (Flávia não nega: fez lipoescultura, pôs silicone nos seios e aplicou Botox). » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

24/05/2012

às 22:00 \ Política & Cia

Pedro Simon pede mobilização diante do Congresso para cobrar medidas da CPI do Cachoeira

Senador Pedro Simon: jovens deveriam pressionar a CPI do Cachoeira para quebrar os sigilos da Delta Construtora e convocar governadores citados nas investigações da Polícia Federal (Foto: Agência Senado)

Da Agência Senado

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) convocou os jovens do país para estarem à frente do Senado, na próxima terça-feira,29, a fim de pressionar os integrantes da CPI que investiga esquema de jogos ilegais e corrupção a aprovar os requerimentos de quebra de sigilo da Delta Construtora e de convocação dos governadores citados nas investigações.

Em pronunciamento hoje, quinta-feira, o senador afirmou que só uma mobilização popular, com ajuda das redes sociais, pode dar força aos trabalhos da CPI.

– Seria muito bom se na terça-feira os jovens das redes sociais estivessem aqui, na frente do Senado, como estiveram quando o Senado votou a Lei da Ficha Limpa. Ninguém pode saber como será a votação [dos requerimentos]. Mas eu garanto: com os jovens aqui na frente, será uma coisa, sem eles, vai ser diferente – argumentou o senador.

Críticas à CPI e ação popular para suspender a venda da Delta Construtora

Pedro Simon destacou a iniciativa dos senadores Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) de apresentar uma ação popular à Justiça pedindo a suspensão da venda da Delta Construtora, assim como a nomeação de um interventor para administrar a empresa e evitar transferências de recursos a seus sócios-proprietários.

Para o senador, a medida deveria ter sido a primeira a ser tomada pela CPI, em vez de surgir da ação individual de três parlamentares, um mês depois da instalação da comissão.

– Isso não foi aprovado na comissão, os três parlamentares precisaram fazer em nome deles porque a comissão não aceitou. Deixou para votar na terça-feira. Meus cumprimentos aos três nobres integrantes da CPI. Eles salvaram a comissão, o Senado e o Congresso Nacional – afirmou Simon.

Em aparte, o senador Randolfe Rodrigues reforçou o pedido por mobilização social para pressionar os integrantes da comissão parlamentar. O senador ressaltou que, sem a pressão das ruas, a CPI não vai avançar.

Simon discordou de Randolfe quanto ao termo “avançar”. Para o senador, a CPI não precisa avançar e, sim, tomar cuidado para não “recuar exageradamente”. Isso porque boa parte das investigações sobre o esquema de corrupção aliado ao jogo ilegal já foi feita pela Polícia Federal.

A CPI do Cachoeira, ao contrário das que a antecederam, não precisaria “sair correndo para buscar os fatos”, mas apenas analisá-los.

24/05/2012

às 20:00 \ Política & Cia

Demétrio Magnoli comenta calúnias de Collor e escancara a face escura do jornalismo chapa branca

Depois de sair com desonra da Presidência, Collor -- na foto cumprimentando o malfeitor Carlinhos Cachoeira na CPI -- , hoje porta-voz de Dirceu, calunia jornalista de VEJA por vingança

Depois de sair com desonra da Presidência, Collor -- na foto cumprimentando o malfeitor Carlinhos Cachoeira na CPI -- , hoje porta-voz de Dirceu, calunia jornalista de VEJA por vingança

Os bons companheiros

(Artigo do sociólogo e doutor em Geografia Demétrio Magnoli publicado em O Globo de hoje)

 

Demétrio Magnoli (Foto: veja.abril.com.br)

De “caçador de marajás”, Fernando Collor transfigurou-se em caçador de jornalistas.

Na CPI do Cachoeira, seu alvo é Policarpo Jr., da revista VEJA, a quem acusa de associar-se ao contraventor “para obter informações e lhe prestar favores de toda ordem”. Collor calunia, covardemente protegido pela cápsula da imunidade parlamentar.

Os áudios das investigações policiais circulam entre políticos e jornalistas ─ e quase tudo se encontra na internet. Eles atestam que o jornalista não intercambiou favores com Cachoeira. A relação entre os dois era, exclusivamente, de jornalista e fonte ─ algo, aliás, registrado pelo delegado que conduziu as investigações.

Jornalistas obtêm informações de inúmeras fontes, inclusive de criminosos. Seu dever é publicar as notícias verdadeiras de interesse público. Criminosos passam informações ─ verdadeiras ou falsas ─ com a finalidade de atingir inimigos, que muitas vezes também são bandidos.

Critérios de ética jornalística rigorosamente seguidos

O jornalismo não tem o direito de oferecer nada às fontes, exceto o sigilo, assegurado pela lei. Mas não tem, também, o direito de sonegar ao público notícias relevantes, mesmo se sua divulgação é do interesse circunstancial de uma facção criminosa.

Os áudios em circulação comprovam que Policarpo Jr. seguiu rigorosamente os critérios da ética jornalística. Informações vazadas por fontes diversas, inclusive a quadrilha de Cachoeira, expuseram escândalos reais de corrupção na esfera federal. Dilma Rousseff demitiu ministros com base naquelas notícias, atendendo ao interesse público. A revista na qual trabalha o jornalista foi a primeira a publicar as notícias sobre a associação criminosa entre Demóstenes Torres e a quadrilha de Cachoeira ─ uma prova suplementar de que não havia conluio com a fonte.

Depois da renúncia com desonra, Collor, agora porta-voz de Dirceu, quer vingança

Quando Collor calunia Policarpo Jr., age sob o impulso da mola da vingança: duas décadas depois da renúncia desonrosa, pretende ferir a imprensa que revelou à sociedade a podridão de seu governo.

A vingança, porém, não é tudo. O senador almeja concluir sua reinvenção política inscrevendo-se no sistema de poder do lulopetismo. Na CPI, opera como porta-voz de José Dirceu, cujo blog difunde a calúnia contra o jornalista. Às vésperas do julgamento do caso do mensalão, o réu principal, definido pelo procurador-geral da República como “chefe da quadrilha”, engaja-se na tentativa de desqualificar a imprensa ─ e, com ela, as informações que o incriminam.

O mensalão, porém, não é tudo. A sujeição da imprensa ao poder político entrou no radar de Lula justamente após a crise que abalou seu primeiro mandato. Franklin Martins foi alçado à chefia do Ministério das Comunicações para articular a criação de uma imprensa chapa-branca e, paralelamente, erguer o edifício do “controle social da mídia”.

Jornalismo financiado por estatais

Contudo, a sucessão representou uma descontinuidade parcial, que se traduziu pelo afastamento de Martins e pela renúncia ao ensaio de cerceamento da imprensa. Dirceu não admitiu a derrota, persistindo numa campanha que encontra eco em correntes do PT e mobiliza jornalistas financiados por empresas estatais. Policarpo Jr. ocupa, no momento, o lugar de alvo casual da artilharia dirigida contra a liberdade de informar.

No jogo da calúnia, um papel instrumental é desempenhado pela revista Carta Capital. A publicação noticiou falsamente que Policarpo Jr. teria feito “200 ligações” telefônicas para Cachoeira. Em princípio, nada haveria de errado nisso, pois a ética nas relações de jornalistas com fontes não pode ser medida pela quantidade de contatos.

Entretanto, por si mesmo, o número cumpria a função de arar o terreno da suspeita, preparando a etapa do plantio da acusação, a ser realizado pela palavra sem freios de Collor. Os áudios, entretanto, evidenciaram a magnitude da mentira: o jornalista trocou duas, não duzentas, ligações com sua fonte.

Durante a ditadura, um capitulo sombrio do jornalismo brasileiro

A revista não se circunscreveu à mentira factual. Um editorial, assinado por Mino Carta, classificou a suposta “parceria Cachoeira-Policarpo Jr.” como “bandidagem em comum”.

Editoriais de Mino Carta formam um capítulo sombrio do jornalismo brasileiro.

Nos anos seguintes ao AI-5, o atual diretor de redação de Carta Capital ocupava o cargo de editor de VEJA, a publicação na qual hoje trabalha o alvo de suas falsas denúncias.

Os editoriais com a sua assinatura eram peças de louvação da ditadura militar e da guerra suja conduzida nos calabouços. Um deles, de 4 de fevereiro de 1970, consagrava-se ao elogio da “eficiência” da Operação Bandeirante (Oban), braço paramilitar do aparelho de inteligência e tortura do regime, cuja atuação “tranquilizava o povo”.

O material documental está disponível no blog do jornalista Fábio Pannunzio, sob a rubrica “Quem foi quem na ditadura”.

Na VEJA de então, sob a orientação de Carta, trabalhava o editor de Economia Paulo Henrique Amorim.

Patrocínio estatal da calúnia

A cooperação entre os cortesãos do regime militar renovou-se, décadas depois, pela adesão de ambos ao lulismo.

Hoje, Amorim faz de seu blog uma caixa de ressonância da calúnia de Carta dirigida a Policarpo Jr.

O fato teria apenas relevância jurídica se o blog não fosse financiado por empresas estatais: nos últimos três anos, tais fontes públicas transferiram bem mais de um milhão de reais para a página eletrônica, distribuídos entre a Caixa Econômica Federal (R$ 833 mil), o Banco do Brasil (R$ 147 mil), os Correios (R$ 120 mil) e a Petrobras (que, violando a Lei da Transparência, se recusa a prestar a informação).

Dilma não deu curso à estratégia de ataque à liberdade de imprensa organizada no segundo mandato de Lula. Mas, como se evidencia pelo patrocínio estatal da calúnia contra Policarpo Jr., a presidente não controla as rédeas de seu governo ─ ao menos no que concerne aos interesses vitais de Dirceu.

A trama dos bons companheiros revela a existência de um governo paralelo, que ninguém elegeu.

24/05/2012

às 18:30 \ Tema Livre

Vídeo sensacional: o lançamento do primeiro foguete com a primeira cápsula espacial totalmente feitos por uma empresa

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O lançamento do foguete Falcon-9, carregando consigo a cápsula espacial Dragon: tudo feito por uma empresa privada (Foto: SpaceX / Divulgação)

Amigos, reproduzo a interessante reportagem de Alexandre Salvador que VEJA publicou, em sua edição impressa, contando os detalhes de como, agora, a iniciativa privada — empresas — começa a entrar firme na exploração especial.

A reportagem foi feita antes do lançamento bem-sucedido do foguete Falcon-9, que levou consigo uma cápsula espacial com suprimentos para os astronautas que estão na Estação Espacial Internacional, mas explica muito bem a novidade de como se dá o ingresso de empresas na corrida espacial.

NÃO PERCA, NO FINAL DO TEXTO, O SENSACIONAL VÍDEO DO LANÇAMENTO.

Dragon

O PRIMEIRO VOO FRETADO

 

O lançamento do foguete Falcon 9, levando a cápsula Dragon, marca o início da era em que cabe à iniciativa privada o transporte de carga e astronautas à órbita da Terra

Um novo capítulo na exploração espacial deve ocorrer na próxima semana. No sábado 19, se não houver imprevistos de última hora, o foguete Falcon 9 partirá da Flórida levando a cápsula Dragon rumo à Estação Espacial Internacional (ISS). [Ocorreram imprevistos: os computadores detectaram um problema em um dos motores do foguete e o lançamento ocorreu na terça, 22].

A missão é patrocinada pela Nasa, a agência espacial americana, mas o foguete e a cápsula são os primeiros produzidos por uma empresa privada, a SpaceX, a viajar para a ISS. Até agora, o percurso era feito pelos ônibus espaciais, aposentados em julho do ano passado, e pela nave russa Soyuz.

Oficialmente, o lançamento da Dragon será mais uma viagem de testes, mas desta vez é para valer: a cápsula levará suprimentos aos seis astronautas que hoje vivem na ISS. Futuramente, deverá transportar também os astronautas. A viagem desta semana inaugura a era em que a Nasa passa a explorar com equipamento próprio apenas regiões distantes do cosmo, legando a empresários de espírito aventureiro – e com muito dinheiro no bolso – as missões à órbita terrestre.

A trajetória da SpaceX, comandada pelo sul-africano Elon Musk, que ficou rico ao criar o sistema de pagamento on-line PayPal, tem sido meteórica. Até o lançamento desta semana, a SpaceX já havia feito dois testes com seus foguetes Falcon 9, um deles com a Dragon acoplada. O êxito das fases anteriores fez com que Musk e a Nasa decidissem antecipar o cronograma e combinar duas viagens de demonstração em apenas uma. A missão atual deve durar três semanas (veja os detalhes no quadro) e, caso seja bem-sucedida, servirá de aval para que a Dragon entre em operação regular. “Pode não ser algo tão espetacular quanto chegar à Lua pela primeira vez, mas estamos em via de comercializar o espaço e, num futuro próximo, promover também o turismo espacial”, diz Mike Horkachuck, executivo da Nasa encarregado do projeto da Dragon.

 

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Estágio de separação: Falcon 9 e a cápsula Dragon se despedem no espaço (Foto: SpaceX / Divulgação)

A SpaceX é uma das duas empresas que fazem parte do programa Cots (sigla em inglês para Serviço Comercial de Transporte Orbital) da agência espacial americana, lançado em 2006. A empresa já tem firmado com a Nasa um contrato de 1,6 bilhão de dólares, que prevê doze viagens de carga à estação espacial.

Embora tenha usado as naves Soyuz, o governo dos Estados Unidos nunca esperou depender do programa espacial de outra nação, mas queria entregar as missões à iniciativa privada americana.

O sucesso da SpaceX serve de incentivo a outras empresas, como a Orbital, que também faz parte do programa Cots, a Blue Origin, do bilionário Jeff Bezos, dono da Amazon, e a Boeing. Todas estão desenvolvendo projetos de espaçonaves tripuladas capazes de fazer o mesmo serviço da Dragon. “A SpaceX tem os melhores preços de lançamento espacial, e acho difícil alguém batê-la”, gaba-se Elon Musk.

Uma missão de carga da Dragon sai por um terço do que custava cada missão dos ônibus espaciais da Nasa.

Os cortes de orçamento propostos pelo presidente Barack Obama para a agência espacial americana mostram que os tempos são de austeridade e que cabe à iniciativa privada tornar a exploração espacial mais barata e eficiente.

VEJA AGORA O VÍDEO DO LANÇAMENTO

24/05/2012

às 18:00 \ Política & Cia

Anulada prévia do PT no Recife. Alô, alô, Humberto Costa

Humbrto Costa: comando do PT o quer na disputa no Recife (Foto: Agência Senado)

Do Blog de Ricardo Noblat

Está anulada a prévia realizada no Recife no último domingo para a escolha do candidato do PT a prefeito da cidade. Disputada por Maurício Rands, deputado federal e secretário do governo Eduardo Campos (PSB), e o atual prefeito João da Costa, a prévia foi decidida por pouco menos de 600 votos de diferença – em favor do prefeito, aspirante à reeleição.

Daqui a pouco, em São Paulo, a Comissão Executiva Nacional do PT anunciará que Rands e João da Costa desrespeitaram normas estabelecidas pelo partido para a realização de prévias. Em seguida, tentará convencer os dois a abrirem mão de concorrer a uma nova prévia para apoiar um candidato de consenso. Que poderá ser Humberto Costa, líder do PT no Senado.

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