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25/05/2013

às 19:00 \ Política & Cia

CHUTES NO NOSSO BRASIL

 

Dilma chuta a bola no Castelão, observada pelo governador do Ceará, Cid Gomes, e pelo ministro do Esporte, Aldo Rebelo: uma metáfora e tanto para tentando nos convencer de que o país está preparado para o que der e vier -- não apenas para a Copa do ano que vem (Foto: Portal da Copa / Ministério do Esporte)

Por Marli Gonçalves

Foram vários seguidos. Ela, com aquele jeito todo gracioso de andar, no meio do gramado, cercada de homens, pega a coitada da bola e chuta, inaugurando os estádios incompletos, para a foto, para acalmar aquele povo que queria chutar nossos traseiros e já funga no pescoço. Descobri um de nossos grandes problemas: os chutes. As coisas e obras e mudanças estruturais sendo chutadas o tempo todo para a frente ou para escanteio. Ou empurradas com a barriga. O chute, assim como o jeitinho, é coisa bem brasileira

Ora com a direita, ora com a esquerda. Sempre de rasteirinha. A presidente Dilma faz uma metáfora e tanto quando anda por aí chutando bola, inaugurando estádios, jogando para a torcida, correndo para a galera, e tentando nos convencer de que o país está preparado para o que der e vier. Para a Copa do ano que vem. Para essa Copa agora. Para as Olimpíadas. Para o papa, para o petróleo, para escoar a safra de grãos e desentupir os portos, para as crises econômicas do mundo todo, entre outras hecatombes, inclusive ambientais, que não devemos temer. Nada. A coisa está tão boa, mas tão boa, que dá para financiar hospital na Palestina, oferecer dinheiro na Etiópia, empregar médicos de Cuba, Espanha e Portugal.

Simples assim. Chuta.

Aliás, o chute está bem na moda e espero que vocês tenham reparado. Finalmente ele ultrapassa o limite barato do chute a gol do futebol e avança corajoso entre nós. Não foi com um chute só que o Vitor Belfort derrubou o opositor, Luke Rockhold, outro dia? Um só. No queixo. Nocaute.

É tanto chute que os aeroportos e outros pontos do país estão sendo forrados de cartazes verde e amarelo bem ufanistas, e mais um slogan federal criado em selo e prosa: “Brasil 2014 – A Pátria de chuteiras”. Chutaram até isso. Nelson Rodrigues, citado como inspiração para tal lampejo criativo, escreveu outra coisa. O título de sua coletânea de crônicas sobre o futebol é A Pátria em Chuteiras. Mas quem há de reparar?

Só nós, chatos de plantão, que não vemos as coisas boas, o progresso da nação, a entrada de milhões num sei aonde, saídos de uma linha da miséria, patati, patatá, blábláblá. Deve ser só na nossa casa, nas imediações de nossas casas ou onde escolhemos para fazer compras, que a inflação está corroendo tudo, onde, inclusive, todos os produtos da cesta básica que anunciaram que iam baixar, subiram. Que a gente não precisa mais nem usar saquinho de plástico e não é para não poluir – compramos tão pouco que carregamos nas mãos.

Chutam índices, chutam previsões, chutam projetos e decretos goela adentro da sociedade e de sua base aliada que agora nem mais lê! Prá quê? Chutam indicações, chutam mais que cartomante bandida na frente de rico. Chutam nossa paciência e o pouco de orgulho que ainda nos resta.

Aí a coisa pega, igual dominó, e quando você vê, se dá conta, percebe quanta coisa é chutada. O pastor chuta a santa; anos depois, infelicianamente, vem outro pastor e chuta nossa inteligência sem dó. Chutam a previsão do tempo, os resultados do jogo, os números de tudo, das passeatas, marchas e inclusive os da violência que está nos chutando mais para dentro de casa que para fora, no campo adversário. Ficamos recuados, na defesa, em nossas áreas, rezando para ninguém entrar chutando e matando.

Chutam as mulheres enquanto as estupram, vencidas.

Chutam as pessoas para intimidá-las, roubá-las nas ruas.

Estudantes chutam nas provas, e de repente acertam para continuar chutando em seus ofícios, ensinados aos chutes por professores que chutam o pau da barraca por causa de baixos salários. Chutam uns para os outros, como se a bola queimasse os pés, e ninguém quer estar com ela na hora do apito final, apontando-se uns aos outros, céleres, como dedos-duros, X-9: foi ele, não fui eu. Foi o outro governo, não o meu.

Chutam o pau da barraca, o cachorro morto e o cachorro vivo, que agora anda sobrando até para os coitadinhos, jogados de janelas, amarrados em linhas de trem, enterrados vivos por quem chuta qualquer coisa que apareça. Chutam latas, chutam macumba.

Chutam em inglês, espanhol, chinês, japonês. Chutam nosso português.

Chutam até que sabem o que estão fazendo. O problema real é nosso: nós é que não sabemos mais o que fazer para chutá-los para fora desse campo.

São Paulo, São Paulo, chutes e coices, 2013

Marli Gonçalves é jornalista – - Não chuta, tropeça. Sempre tem um balde ou obstáculo à frente

 

25/05/2013

às 18:00 \ Vasto Mundo

ESTADOS UNIDOS: Capital político de Obama se esboroa em maré de escândalos

CHUVA DE ESCÂNDALOS -- Obama, nos jardins da Casa Branca: perseguição da Receita Federal (Foto: Jason Reed / Reuters)

CHUVA DE ESCÂNDALOS -- Obama, nos jardins da Casa Branca: perseguição da Receita Federal (Foto: Jason Reed / Reuters)

Reportagem de André Petry, de Nova York, publicada em edição impressa de VEJA

ABUSO DE PODER

Numa maré montante de escândalos, Obama recorre à velha desconversa de alegar desconhecimento. Ai, ai, ai… Os brasileiros sabem que isso é um péssimo presságio

 

Involuntariamente diplomados em escândalos, os brasileiros têm as piores intuições no momento em que um presidente da República, acuado por falcatruas, vem a público dizer, candidamente, “eu não sabia”.

Na quinta-feira, 16, no decorrer da pior semana de sua gestão, o presidente Barack Obama apareceu diante da imprensa no Jardim das Rosas, na Casa Branca, debaixo de um guarda-chuva sustentado por um fuzileiro naval. Logo veio a tempestade de perguntas sobre o caso criminoso em que o IRS, a Receita Federal americana, foi usado para perseguir entidades conservadoras que pleiteavam isenção tributária.

Obama respondeu: “Eu não sabia”. Disse que não sabia o que ocorria no IRS e que só tomou conhecimento do resultado de uma investigação interna sobre o caso quando o conteúdo — devastador — saiu na imprensa: “Com certeza, eu não sabia de nada”.

A investigação revelou que, em março de 2010, um grupo de fiscais da Receita em Cincinnati, no estado de Ohio, onde se concentravam os 70 000 pedidos de isenção tributária no país, passou a perseguir entidades conservadoras que tentavam habilitar-se a benefícios fiscais.

O grupo selecionava as entidades por sinais exteriores de conservadorismo:

- por nomes (“tea party” ou “patriot”, comuns na designação de entidades dessa orientação política),

- por palavras de ordem (“tomar o país de volta”) ou

- por comentários políticos (“país mal governado”).

Steven Miller, degolado na semana passada (Foto: Nicholas Kamm / AFP)

Steven Miller, degolado na semana passada (Foto: Nicholas Kamm / AFP)

Os fiscais chegaram a examinar a atividade política dos membros dessas organizações, incluindo familiares e até o conteúdo de posts divulgados no Facebook. A perseguição durou dezoito meses. Mais de uma centena de entidades foi discriminada com base em critérios ideológicos. Algumas ficaram três anos na fila da isenção.

(Para os amigos, a vida era um doce: a Barack H. Obama Foundation, criada por um meio-irmão do presidente, Abon’go Malik Obama, teve seu pedido de isenção atendido em apenas um mês, em 2011. E ainda levou isenção retroativa a 2008.)

O caso veio a público na semana anterior, quando uma alta funcionária do IRS, lois lerner, numa reunião reservada da OAB americana, admitiu a perseguição e pediu desculpas às entidades prejudicadas. O comentário fazia parte de um plano de mitigar as consequências legais ainda imprevisíveis do crime, vazando-o controladamente. Deu errado.

O vazamento saiu do controle e o governo Obama entrou em uma zona de tiro livre dos adversários que, com toda a razão, querem explicações para o abuso de poder. Lerner disse que apenas fiscais de Cincinnati sabiam do esquema. Nenhum figurão do IRS nem o secretário do Tesouro, muito menos o presidente, tinham conhecimento.

A mentira durou um fim de semana. Na terça-feira, quando o relatório da investigação interna veio a público, soube-se que a própria Lerner participara de uma reunião que tratou das perseguições em junho de 2011. É verdade que ela tentou corrigir o rumo — e fracassou —, mas também é verdade que mentiu ao dizer que desconhecia o caso. Terá sido a única a enrolar-se na mortalha do eu-não-sabia?

Com a revelação dos crimes de abuso de poder, peças antigas começam a se juntar no quebra-cabeça. Em abril do ano passado, na campanha presidencial, uma entidade pró-casamento tradicional, a NOM, denunciou que o IRS vazara seus dados fiscais para uma entidade do campo oposto, a HRC, que defende os direitos dos gays.

O dado fiscal revelava que Mitt Romney, adversário presidencial de Obama, doara 10 000 dólares à NOM. A entidade disse que seus acusadores divulgaram os documentos fiscais sem atentar para um número — 100560209, estampado nas páginas na diagonal — que indicava a fonte. A acusação sumiu no zumbido eleitoral.

Revisitado agora, esse é mais um caso comprovado de uso da máquina governamental com fins políticos.

(Aos amigos, doce vida: o cabeça da HRC, Joe Solmonese, ganhou um alto posto no quartel reeleitoral de Obama.) » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

25/05/2013

às 17:00 \ Tema Livre

MESSI — Quero ser gigante

"Sempre disse que quero ganhar tudo com o Barcelona e com a Argentina, e o Mundial é algo que sonho ganhar" (Foto: Domenico Dolce)

"Sempre disse que quero ganhar tudo com o Barcelona e com a Argentina, e o Mundial é algo que sonho ganhar" (Foto: Domenico Dolce)

Reportagem de Ismael dos Anjos, publicada em edição impressa da revista Alfa

QUERO SER GIGANTE

Apenas mais um gênio ou um novo mito do futebol? O melhor jogador do mundo faz planos para responder a essa pergunta na Copa de 2014: “Não é só o Brasil que deseja ser campeão”

Foram cerca de quatro horas de sessão para que Lionel Andrés Messi tatuasse na perna esquerda, aquela responsável por mais de 60% dos seus gols, as mãos rechonchudas do seu filho, Thiago Messi Roccuzzo, nascido em novembro do ano passado.

O desenho não tem mais do que 15 centímetros de altura, uns 8 de comprimento, no máximo, mas há ali certa poesia, o instantâneo de tudo que ele alcançou até agora – a biografia de um jogador de futebol resumida em uma perna, marcada por gols dignos de videogame, dribles impressionantes, elogios sem fim, prêmios, marcas de botinadas dos adversários, e agora em uma tatuagem do seu filho.

Essa história, no entanto, ainda tem capítulos a serem escritos, um final aberto, uma incógnita. Quando Thiago crescer e tiver uma noção melhor de quem é seu pai, seu conto de ninar favorito pode ser este, a do jogador baixinho, nascido em Rosário, que se tornou o maior artilheiro da história de seu clube, superou o recorde de redes balançadas em uma mesma edição do Campeonato Espanhol, com 50, e da Liga dos Campeões, com 14 gols.

Ou pode ser a de um jogador ainda maior. A fábula de um mito.

 

As mãos do filhote na perna contam outro capítulo da história ainda inacabada de Messi (Foto: Juan Mabromata / AFP)

As mãos do filhote na perna contam outro capítulo da história ainda inacabada de Messi (Foto: Juan Mabromata / AFP)

Pelos próximos 14 meses, até a final da Copa do Mundo do Brasil no Estádio do Maracanã, lá pelas 18 horas do dia 13 de julho de 2014, Messi pode desenhar novos rumos para a sua perna esquerda e definir essa história de ninar para Thiago – será ele um jogador espetacular, como Johan Cruijff e Zico, ou uma lenda, um alienígena da bola, como Pelé e Maradona?

“Sempre disse que quero ganhar tudo com o Barcelona e com a Argentina, e o Mundial é algo que sonho ganhar”, disse ele em entrevista exclusiva para a Alfa.

Será a terceira tentativa de Messi, agora líder absoluto da seleção alviceleste, de levar seu país ao topo do futebol mundial. “A diferença é que muitos de nós chegamos com mais experiência para competir, e isso é algo a mais. Temos bastante clareza de que o Brasil joga em casa e tentará ficar com esse prêmio. Mas não é só o Brasil que o deseja, e faremos todo o possível para sermos campeões.”

Mais maduro, menos tímido, mais seguro de si e ainda mais genial com a bola nos pés, Messi parece pronto para assumir esse papel.

Para o fanático torcedor brasileiro, esta reportagem não tem muitas boas notícias, sejamos sinceros logo de início. Messi é um jogador melhor hoje do que era ontem, e isso se repete desde seus 16 anos de idade, quando debutou em um amistoso contra o Porto, na inauguração do Estádio do Dragão, em novembro de 2003.

Um jogador criado para ser genial desde a infância, quando saiu da Argentina para jogar no Barcelona (Foto: Barcelona)

Um jogador criado para ser genial desde a infância, quando saiu da Argentina para jogar no Barcelona (Foto: Barcelona)

E, nesta escalada, promete chegar tinindo à estreia da Argentina na Copa do Mundo para tentar virar lenda. “Seu futebol mudou muito pouco, mas ele cresceu muitíssimo”, diz Ivan San Antonio, jornalista responsável pela cobertura do Barcelona no jornal catalão Sport.

Principal jogador de uma geração de craques, como Cristiano Ronaldo, Zlatan Ibrahimovic e Falcao García, o baixinho chamava a atenção desde as categorias de base. Para San Antonio, Messi joga, hoje, como jogava quando era juvenil.

A diferença é que está absurdamente mais seguro, assumindo confortavelmente o papel de craque. “Seu futebol era espetacular com 13, 14, 15, 16, 20, assim como é agora, com 25 anos de idade”, conta. “Me lembro de que, quando ele era juvenil, era um desastre na zona de imprensa. Todas as respostas eram monossilábicas: `Sí. No. Sí. No’. Com 15 anos, você pode até ser um grande futebolista, mas não uma pessoa madura. Mais velho, ele formou uma personalidade, assumiu sua responsabilidade dentro da equipe e, hoje, sabe que é seu líder.”

Números não faltam para botar medo até no mais otimista dos brasileiros.

Coletivamente, La Pulga, como é chamado carinhosamente pelos argentinos, conquistou três Ligas dos Campeões da Europa, dois Mundiais de Clubes, seis campeonatos espanhóis e uma medalha de ouro com a Argentina nas Olimpíadas de Pequim.

Com as vitórias – e o tempo -, o garoto tímido de 15 anos deu lugar a um homem de 25, que, mesmo com poucas palavras, se converteu em um capitão natural e um pai de família que já pensa em legado e posteridade. “A timidez é uma situação do próprio crescimento”, explica Messi. “Ainda que, muitas vezes, se confunda o respeito com a timidez. De toda maneira, isso nunca foi problema para mim.”

 

Com o filho, o pequeno Thiago: Messi está mais experiente, e hoje é um pai de família (Foto: Chroma Press)

Com o filho, o pequeno Thiago: Messi está mais experiente, e hoje é um pai de família (Foto: Chroma Press)

Esse novo Messi, mais maduro e seguro, pode ser visto não apenas nos jogos de futebol. Garoto-propaganda de marcas como Adidas, Procter & Gamble e até Herbalife, o bom moço já amealhou, em oito anos de carreira, uma fortuna de mais de R$ 400 milhões, entre salários, contratos de patrocínio e bonificações.

Um dos parceiros comerciais mais ativos de Messi, a grife italiana Dolce & Gabbana viu na paixão que o jogador desperta nos estádios uma forma de ultrapassar as passarelas. “Ele é o novo ícone da atualidade. É jovem e conhecido no mundo inteiro, mas é um cara simples, com valores fortes e tradicionais”, diz Stefano Gabbana.

É da marca, por exemplo, o smoking negro de bolinhas brancas que Messi vestiu para receber o prêmio de melhor do mundo da Fifa em janeiro. “Mesmo tão novo, ele tem uma noção clara sobre quem é, o que faz e o que representa”, explica Domenico Dolce, responsável pelos cliques do jogador em um hotel em Barcelona, que ainda garante: o modelo foi escolha do próprio Messi. “Para nós, isso significa ter personalidade.”

“AFETO DOS ARGENTINOS”

 

"A timidez é uma situação do próprio crescimento. De toda maneira, isso nunca foi problema para mim" (Foto: Domenico Dolce)

"A timidez é uma situação do próprio crescimento. De toda maneira, isso nunca foi problema para mim" (Foto: Domenico Dolce)

O último desafio de Messi foi conquistar os seus compatriotas, que sempre olharam com dúvidas para o jogador por ele ter partido tão cedo para a Espanha (em busca de uma chance no futebol e de um tratamento para a deficiência hormonal de crescimento que apresentava aos 13 anos de idade) e por não repetir o futebol vitorioso do Barcelona.

Em La Plata, na província de Buenos Aires, torcedores chegaram a pichar os muros da cidade em 2009: “Messi não é argentino”. Nessa relação tão complicada como um tango, os jornais argentinos criticavam as atuações e até o fato de ele não cantar o hino nacional. Mas, no ano passado, o meia-atacante ganhou de vez o respeito em seu país.

Com 12 gols marcados – três deles apenas contra o Brasil -, o camisa 10 igualou em um só ano o recorde de tentos que Gabriel Batistuta havia estabelecido em 1998, e ajudou a colocar uma renovada seleção azul e branca no topo das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo.

“É a realização de um desejo, pois todos nós queremos ser bem tratados pelo nosso povo”, diz Messi. “Eu me sinto querido pelas pessoas de Barcelona, mas me faltava o afeto dos argentinos.”

 

No Barcelona, com o tutor Ronaldinho Gaúcho (Foto: Luis Gene / AFP)

No Barcelona, com o tutor Ronaldinho Gaúcho (Foto: Luis Gene / AFP)

Adaptado ao protagonismo, Lionel Messi também tomou para si a faixa de capitão do elenco comandado por Alejandro Sabella e assumiu de bom grado o encargo de líder futebolístico do país. “A seleção não é uma coisa em que você coloca a camisa e já sabe como jogar, em qualquer lugar. Tem jogos nas eliminatórias que são muito difíceis pelas circunstâncias”, afirma o ex-jogador e comentarista Juan Pablo Sorín, ídolo dos argentinos e capitão de Messi durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

“O mais admirável de Messi não é seu talento, sua velocidade com a bola e a história de ser um jogador de Playstation. Para mim, o ponto fundamental é que ele é um cara que vai se superando, incluindo aí a dificuldade de não jogar tudo o que podia pela seleção. Depois de eu ter sofrido em minha época com brasileiros como Ronaldo e Ronaldinho, fico feliz de ter visto crescer esse pedaço de jogador e de ter um argentino, com a humildade que ele tem e o tipo de pessoa que ele é, como o melhor do mundo”, completa Sorín.

DE FRENTE PARA O GOL

 

Na seleção argentina, disputando a bola com Neymar -- "Me faltava o afeto dos argentinos" (Foto: Rich Schultz / Getty Images)

Na seleção argentina, disputando a bola com Neymar -- "Me faltava o afeto dos argentinos" (Foto: Rich Schultz / Getty Images)

Com duas participações em mundiais de seleções, Messi chega à Copa do Mundo com a melhor chance da carreira para levantar a taça mais cobiçada do mundo.

Se alguém tem que estar preocupado, é Luiz Felipe Scolari, técnico da seleção brasileira desde novembro do ano passado. Felipão tem nas costas o peso de comandar o escrete canarinho em casa, em um país pouquíssimo tolerante com fracassos – não ser campeão do mundo aqui, talvez caindo para a Argentina, vai ser pior, muito pior, do que o Maracanazo de 16 de julho de 1950, quando o Brasil perdeu a final da Copa para o Uruguai por 2 a 1.

Mas o técnico não parece perder noites pensando em Messi. “Vejo a vontade de ganhar uma Copa como uma situação normal de um atleta que joga em uma excelente seleção — que já foi campeã do mundo — e tem excelentes jogadores ao lado. Se o jogador disser que `vou lá, mas não vou ganhar’, não tem nem que ser convocado”, diz Felipão.

“Mas, para uma seleção ser campeã do mundo, não pode depender de um só jogador. Neste momento, a Argentina é uma equipe muito homogênea. Atenção especial só merecem os jogadores da nossa seleção que, por acaso, não tiverem essa mesma gana. Aí, sim, a gente pode ficar preocupado.”

 

Juan Pablo Sorín: "O mais admirável de Messi não é seu talento, sua velocidade com a bola e a história de ser um jogador de Playstation. Para mim, o ponto fundamental é que ele é um cara que vai se superando, incluindo aí a dificuldade de não jogar tudo o que podia pela seleção"  (Foto: Domenico Dolce)

Ronaldinho Gaúcho: "Messi preocupa toda seleção e todo time que vão jogar contra ele, porque é o melhor do mundo" (Foto: Domenico Dolce)

Autor da assistências para o primeiro gol de Messi – em um jogo contra o Albacete, em maio de 2005 -, Ronaldinho Gaúcho, atualmente no Atlético-MG, lembra o apoio aos primeiros passos do argentino como profissional. “Como chegou muito novo, sempre procurei fazê-lo se sentir à vontade, tentando ajudar nas coisas do futebol. Fico feliz em ter participado desse começo da carreira porque é um grande amigo”, afirma.

Para Messi, a proteção do gaúcho e também do meia Deco, com quem jogou no Barcelona por quase quatro anos, foi fundamental. “Sempre vou me lembrar dos dois. São duas pessoas excelentes, me ajudaram muito a crescer esportivamente.” Hoje um possível concorrente ao título que Messi pretende vencer em 2014, Ronaldinho é mais realista: “Messi preocupa toda seleção e todo time que vão jogar contra ele, porque é o melhor do mundo”.

Enquanto os adversários bolam retrancas e os argentinos sonham com um terceiro representante de Dios, depois de Maradona e do novo papa, Jorge Mario Bergoglio, La Pulga segue escrevendo sua biografia com dribles e chutes canhotos.

“Messi é um gênio do futebol, alguém que Deus tocou com uma varinha mágica e disse: Você vai ser o melhor jogador de futebol da história”, diz o jornalista Ivan San Antonio. “Para mim, não lhe falta ganhar um Mundial, mas entendo que, se ganhar o Mundial do Brasil, não restará dúvida alguma sobre ele. Será coroado por todo o mundo e ninguém poderá discutir que é o melhor futebolista.”

Thiago com certeza terá boas histórias para ninar.

DISCUSSÃO SEM FIM

 

Ivan San Antonio: "Messi é um gênio do futebol, alguém que Deus tocou com uma varinha mágica e disse: Você vai ser o melhor jogador de futebol da história" (Foto: Harold Cunningham / Getty Images)

Messi segundo Ivan San Antônio, jornalista catalão: "É um gênio do futebol, alguém que Deus tocou com uma varinha mágica e disse: Você vai ser o melhor jogador de futebol da história" (Foto: Harold Cunningham / Getty Images)

Uma disputa entre os números de Messi, Maradona e Pelé

É difícil comparar épocas distintas, mas é possível compreender a efetividade que cada jogador teve em sua carreira. Os índices separados por Alfa levam em conta os números dos jogadores aos 25 anos, 9 meses e 6 dias, idade de Messi ao fim de março de 2013

 

- Messi tem 32 gols pela Argentina – Faltam 2 para superar Maradona

 

- Messi já conquistou 12 títulos pelo Barcelona* – Maradona e Pelé respectivamente tinham 4 e 9 em seus clubes

 

- Com a mesma idade de Messi, Pelé havia feito 815 gols em sua carreira – Messi, “apenas” 343 gols

 

Uma disputa entre os números de Pelé, Messi e Maradona (Fotos: Ag. Globo :: Reuters :: Press Lamina)

Uma disputa entre os números de Pelé, Messi e Maradona (Fotos: Ag. Globo :: Reuters :: Press Lamina)

- Maradona tem uma média de 0,37 gol por jogo pela Argentina – Messi tem média de 0,41 gol

 

* Apenas campeonatos nacionais e internacionais com mais de dois participantes

25/05/2013

às 16:00 \ Vasto Mundo

Roberto Pompeu de Toledo: A “revolução bolivariana” e a falta de papel higiênico

 

(Foto: freeimagestyle.co.uk)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

A REVOLUÇÃO E O PAPEL HIGIÊNICO

A revolução falou grosso, na semana passada, na Venezuela. O ministro do Comércio, Alejandro Fleming, cobriu-se da mais heróica das faces, ajustou a mais resoluta das vozes, e anunciou: “A revolução trará ao país o equivalente a 50 milhões de rolos de papel higiênico!”.

Depois do açúcar, dos laticínios, das carnes, da farinha de milho (com a qual se faz a sagrada arepa, o pão de cada dia na mesa do venezuelano), do sabonete e da pasta de dentes, a crise de desabastecimento que assola o país chegara ao vaso sanitário. Não se alvorocem os imprudentes, porém. La revolución, enérgica e vigilante, fará chover papel higiênico, abarrotará com ele as prateleiras, fartará o mais exigente intestino, “para que nosso povo se tranquilize”" — acrescentou o ministro — “e compreenda que não se deve deixar manipular pela campanha midiática de que há escassez”.

Faltar papel higiênico não é de chamar atenção, na quadra que atravessa a Venezuela. Também não surpreendem nem o anúncio de que haverá importação do produto, nem o vezo de negar o desabastecimento. Digno de nota é o ministro invocar o santo nome da “revolução”. Não é o simples e reles “governo” que vai importar papel higiênico. É la revolución!

Já faz dois séculos e meio que a palavra “revolução” paira, como sonho ou como pesadelo, sobre os processos políticos, mundo afora. Os eventos fundadores do fenômeno são a Revolução Americana e, principalmente, a Francesa. Com os franceses, “revolução” virou sinônimo de refundação do mundo. Tanto eles acreditaram nisso que revogaram o antigo calendário e instituíram um novo. Impunha-se que o tempo começasse de novo, do zero.

O caráter refundador da “revolução” radicalizou-se com as revoluções comunistas, no século XX, a começar da Bolchevique. E ganhou acentos místicos com a promessa de criação de um mundo novo, marcado pela paz, pela generosidade e pela fraternidade, e povoado por um “homem novo”. “Revolução” passava a equivaler a purgação dos pecados e renascimento. O marxismo ateu irmanava-se às religiões ao prometer um futuro de bem-aventurança, e ganhava delas ao localizá-lo não no Céu, mas na Terra mesmo.

O problema é que as revoluções, segundo indicaram os fatos, nestes últimos dois séculos e meio, abrigam em si o germe da destruição. Não demorou e os franceses retornaram ao velho e bom calendário gregoriano. Era o reengate com o tempo antigo. Dali para a frente, a história da França é uma contínua demonstração de que a força da continuidade supera a da ruptura.

Nas décadas finais do século XX veio o colapso dos regimes comunistas, expondo a fragilidade das revoluções que prometiam. Avançaram de modo mais consistente, inclusive na direção da igualdade, regimes que, em vez de prometer uma nova aurora, operaram na rotina realista das miudezas do dia a dia e das medidas tópicas, no quadro favorável que só o respeito à lei e a solidez das instituições proporcionam.

Para voltar à ideia de calendário, o germe que destrói as revoluções é a ambição de atalhar o tempo. As revoluções socialistas, ao se proporem a revogar o capitalismo, investem contra um tempo histórico que é o do capitalismo. Não é de admirar que o “processo revolucionário” da Venezuela, assim como outros, antes dele, tenha resultado em desabastecimento.

Produção de bens é algo que o capitalismo sabe fazer. O socialismo, como o comprova o legado dos países que o experimentaram, não sabe. La revolución, na Venezuela, boicota a iniciativa privada e demoniza o modo de produção capitalista. Tudo bem se houvesse algo para pôr no lugar. Não há.

Por essas e outras o conceito de “revolução” soçobra, neste século XXI. Menos na América Latina, e em especial nesta Venezuela surrealista, onde os pajaritos trazem recados dos mortos. O ministro do Comércio informou que o consumo mensal de papel higiênico no país é de 125 milhões de rolos. Não há “deficiência na produção”, acrescentou, mas sim um momento de “sobre demanda” que, para ser satisfeita, exige “uns 40 milhões adicionais”.

Impressiona o rigor estatístico, num país em que poucas estatísticas funcionam, mas o ministro não esclarece o que teria determinado a tal “sobredemanda”. Uma súbita aceleração dos processos digestivos do povo venezuelano? Seja como for, la revolución cuidará disso.

E assim o conceito de revolução, graças à contribuição venezuelana, passa de um sentido a outro, tão diferentes, da palavra “escatologia” — do sentido de aurora de um profético tempo novo ao de estudo dos excrementos.

25/05/2013

às 15:00 \ Vasto Mundo

COREIA DO NORTE: Não basta escapar do inferno — a vida, para os refugiados da ditadura comunista, continua muito difícil mesmo em liberdade

BARREIRA -- Grades impedem que foragidos da Coreia do Norte (ao fundo, a cidade de Sinuiju) entrem na China pelo rio Yalu, que separa os países (Foto: Adam Dean)

BARREIRA -- Grades impedem que foragidos da Coreia do Norte (ao fundo, a cidade de Sinuiju) entrem na China pelo rio Yalu, que separa os países (Foto: Adam Dean)

Reportagem de Thais Oyama, da Ásia, publicada em edição impressa de VEJA

 NÃO BASTOU ESCAPAR DO INFERNO

Fugir da Coreia do Norte, um dos regimes mais brutais do planeta, exige sacrifícios extremos.

Mas, ao chegarem ao mundo livre, os refugiados se veem diante de outro tipo de dificuldade: aprender a usar a escada rolante, a fazer compras e a conviver com a discriminação e a descoberta de que passaram a vida toda enganados pelo governo

Poucos lugares no mundo reúnem almas tão desafortunadas quanto o centro Hanawon, em Seul, de apoio a refugiados da Coreia do Norte. Ser um dos seus 400 moradores significa ter crescido sob um dos mais brutais regimes do planeta, passado boa parte da vida na escuridão, visto ao menos um parente próximo morrer de fome e nunca ter lido um único texto não produzido pela propaganda oficial do governo.

Significa ainda ter crescido aterrorizado com a possibilidade de ser mandado para um gulag por ter, por exemplo, deixado de usar o tratamento honorífico obrigatório para se referir a um dos membros da dinastia Kim – Kim Il-sung é o Sol da Humanidade; Kim Jong-il é o Querido Líder; e Kim Jong-un, neto e filho dos Kim anteriores, é o Supremo Líder.

Quem está em Hanawon arriscou-se a levar uma bala nas costas na tentativa de alcançar a China, conseguiu atravessar aquele país sem ser mandado de volta à Coreia do Norte pela polícia local e pôde chegar a uma nação não comunista que teve a caridade de enviá-lo para Seul. Para recomeçarem a vida em liberdade, os moradores de Hanawon venceram todos esses obstáculos. Mas vão descobrir em breve que, para quem teve o infortúnio de nascer sob a tirania dos Kim, até ser livre tem um preço.

Anos de uma dieta famélica fizeram com que os norte-coreanos ficassem em média 11 centímetros mais baixos e 10 quilos mais magros do que os capitalistas do sul. Mas as diferenças físicas são menores do que o abismo cultural a separar hoje os povos que até 1945 eram um só.

Na década de 90, com a ruína da União Soviética e o fim da mesada mandada pelos camaradas, o sistema educacional da Coreia do Norte se desmantelou, ao mesmo tempo em que se deteriorou o sistema estatal de saúde e distribuição de comida. Hoje, na maior parte das cidades norte-coreanas, uma criança em idade de cursar o fundamental tem sorte se conseguir ir à escola algumas vezes por ano (a exceção é Pyongyang, a capital e vitrine do país, onde só se mora com a permissão do regime).

Enquanto isso, um aluno da ultracompetitiva Coreia do Sul estuda em média sete horas por dia e está matriculado em pelo menos mais dois cursos extracurriculares. A Coreia do Sul ocupa o primeiro lugar no ranking de consumo per capita de aço do mundo – mais de 1 tonelada por habitante. Já no depauperado norte, até a energia elétrica é um luxo, o que obriga as famílias que não moram em Pyongyang a ir dormir assim que o sol se põe, igualzinho na Idade Média.

UMA MENINA E UM SEGREDO -- A norte-coreana Joo, de 21 anos, fugiu há um ano de seu país. Ao chegar a Seul , espantou-se ao constatar que a cidade não era um antro de mafiosos, como ela imaginava, dado que as únicas informações que tinha sobre o mundo exterior vinham de um filme sul-coreano a que ela assistia escondido, "Minha mulher é uma gângster". Joo trabalha agora como garçonete e esconde do namorado que nasceu na Coreia do Norte (Foto: Adam Dean)

UMA MENINA E UM SEGREDO -- A norte-coreana Joo, de 21 anos, fugiu há um ano de seu país. Ao chegar a Seul , espantou-se ao constatar que a cidade não era um antro de mafiosos, como ela imaginava, dado que as únicas informações que tinha sobre o mundo exterior vinham de um filme sul-coreano a que ela assistia escondido, "Minha mulher é uma gângster". Joo trabalha agora como garçonete e esconde do namorado que nasceu na Coreia do Norte (Foto: Adam Dean)

Hanawon funciona como uma espécie de câmara de descompressão, na qual o refugiado do norte vai aos poucos sendo exposto à nova realidade. A uma hora de Seul, o centro fica isolado em uma região rural parcamente habitada. É guardado por seguranças e não pode ter seu endereço divulgado. As precauções visam a dificultar a ação de espiões norte-coreanos infiltrados na Coreia do Sul para localizar dissidentes importantes para o regime. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

25/05/2013

às 14:00 \ Tema Livre

IMAGENS PRECIOSAS: entrando no clima da nova versão para as telas de “O Grande Gatsby” pelas lendárias capas originais da revista “Vanity Fair”

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A capa da "Vanity Fair" original de dezembro de 1927: glamour e hedonismo típicos dos anos 1920 e presentes em "O Grande Gatsby" (Imagens: Condé Nast Store/Vanity Fair)

Como em Romeu e Julieta (1996), Moulin Rouge (2001) e outras produções de seu diretor, o australiano Baz Luhrmann, O Grande Gatsby, filme que estreia no Brasil em 14 de junho, surpreende os mais ortodoxos.

Nunca é unânime a opção do cineasta por tratar textos de época com técnicas cinematográficas e trilha sonora pop atuais, mas seu estilo também não costuma passar desapercebido.

No caso de Gatsby, a quinta versão para as telas de um dos maiores clássicos da literatura americana, publicado em 1925 por F. Scott Fitzgerald (1896-1940), escutamos Jay-Z, Amy Winehouse e Lana Del Rey em festanças dos anos 1920 organizadas pelo protagonista (Leonardo Di Caprio).

Glamour hedonista da aristocracia

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Cartaz do novo "O Grande Gatsby" (Imagem: reprodução)

No entanto, se o tracklist parece viajar no tempo, o espetacular figurino e a impecável ambientação se mantêm amarados ao glamour hedonista daquele período pré-Grande Depressão.

Em tributo à chegada às salas de O Grande Gatsby e o sucesso que vem experimentando, a revista americana Vanity Fair, cuja primeira encarnação – existente entre 1913 e 1936 – captou aquela cultuada época na linha de frente, compilou e republicou em seu site algumas de suas capas mais “gatsbynianas”.

Todas são ilustradas com personagens muito parecidos aos aristocratas descritos por Fitzgerald em seu livro, e que DiCaprio, Tobey Maguire e a lindíssima Carey Mulligan dão vida na releitura de Luhrmann. Imagens perfeitas para entrar no clima antes de conferir O Grande Gatsby nos cinemas. Confiram:

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Capa da edição de setembro de 1924

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Outubro de 1927

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Novembro de 1924

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Março de 1920

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Março de 1922

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Março de 1928

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Julho de 1929

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Janeiro de 1927

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Agosto de 1927

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Abril de 1923

24/05/2013

às 19:55 \ Política & Cia

Episódio da MP dos Portos mostrou Dilma mais dependente ainda do PMDB

Na MP dos Portos, "As distorções mais graves impostas pelos rebeldes aliados nas madrugadas de votação na Câmara, garantem as ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffman, serão extirpadas por vetos presidenciais" (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / ABr)

As ministras Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti com o ministro dos Portos, Leônidas Cristino: o episódio da MP dos portos mostrou o desprestígio da "coordenação política do governo" (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil)

Do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros

O JOGO POLÍTICO-PARTIDÁRIO FICOU MAIS DELICADO

As forças de informações governamentais dão como uma vitória do governo a aprovação, catimbadíssima como se diz na gíria esportiva, da MP dos portos, sem modificações “destrutivas” ao projeto original e ao parecer do senador Eduardo Braga (PMDB/AM).

As distorções mais graves impostas pelos rebeldes aliados nas madrugadas de votação na Câmara, garantem as ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffman, seriam extirpadas por vetos presidenciais.

É meio fato esta interpretação oficial. Ao final da maratona, o que se viu é que está totalmente desprestigiada a chamada “coordenação política do governo” e as relações do Palácio do Planalto com seus aliados.

O jogo político-partidário ficou mais delicado – II

Não funcionam nem as resistências de Dilma em não ceder mais do que ela entende do que seria razoável – ceder ela cede, basta ver o rosário de nomeações de aliados – nem ceder além disso, com verbas para as emendas parlamentares e outras promessas sendo liberadas de última hora.

O governo fica sempre a mercê do Congresso nos grandes momentos. Diz-se que o grande rebelde desta vez, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, foi derrotado pelas forças governistas. Ora, se o foi, por que a necessidade de vetos? E se os vetos podem gerar novas insatisfações e novos embates?

A realidade é que a presidente Dilma saiu deste embate, infelizmente para ela e para boa parte dos brasileiros, um pouco mais dependente do PMDB no Congresso. Na última hora o socorro veio para ela de Henrique Alves e, especialmente, de Renan Calheiros. Parecia até que o PMDB jogou afinado para valorizar seu passe: enquanto Eduardo Cunha e sua turma batiam, o comando peemedebista assoprava.

Com dois agravantes: o PT não gostou dessa afinação peemedebista. E uma parte do petismo não gostou nada do projeto aprovado. Dilma vai ter de mudar muito seu modo “político” de agir, tanto com o Congresso como internamente. Já começam a pipocar de todos os lados – e não apenas dos discursos da tímida oposição – críticas e observações negativas ao estilo presidencial de ser e de governar.

24/05/2013

às 18:46 \ Tema Livre

VÍDEO DESLUMBRANTE: Viajem pela mítica Bretanha, terra dos misteriosos menires, os monumentos pré-históricos de pedra

O esplendor de Armorica em uma viagem de tirar o fôlego

O esplendor de Armorica em uma viagem de tirar o fôlego

A música eletrizante de Peter Nanasi conduz o espectador nessa viagem deslumbrante de luz e movimento, oferecida pelo cineasta Tanguy Louvigny nesse curta Armorica.

Armórica, a terra de pedras eretas, é  o nome que na Antiguidade se dava à região que compreende, h0je, sobretudo a peculiaríssima paisagem da Bretanha, no oeste da França.

Luzes e movimentos da natureza – e do passar do tempo – exploram a terra onde se encontram menires, os monumentos-esculturas de pedra, muitas vezes gigantescos, restos de alguma antiga e misteriosa civilização, de mais de 5 mil anos.

O simpático Obelix e seu menir

O simpático Obelix e seu menir

Essas colunas, ou ”antas”, como também são conhecidas as pedras eretas, são frequentemente associadas a druidas celtas, magia e forças telúricas, mas ninguém sabe realmente por que e como foram colocadas ali…

Ninguém não, pois quem conhece Obelix, o enorme personagem dos franceses Albert Uderzo e René Goscinny, das aventuras de Asterix, não há mistério nenhum: os menires servem mesmo para achatar os persistentes romanos, que ousam cobrar impostos da corajosa aldeia gaulesa, e também para presentear a amada Falbalá.

Brincadeiras à parte, esse belíssimo time-lapse, que brinca com luzes e sombras em um lugar já mágico, é algo que merece ser apreciado.

24/05/2013

às 17:46 \ Vasto Mundo

VENEZUELA: A herança podre de Maduro num país em que se mata três vezes mais do que no Brasil e 25 vezes mais do que no Chile

Rabecão recolhe cadáver no bairro de Altagracia, em Caracas: a Venezuela chavista tem os maiores índices de criminalidade da América do Sul (Foto: ultimasnoticias.com.ve)

A herança podre de Maduro

Por Nelson Motta

Publicado no jornal O Globo

Não há herança mais maldita do que governar o país mais violento da América do Sul.

Para enfrentar a criminalidade que mata por ano 75 pessoas por grupo de 100 mil (no Brasil selvagem morrem 26 e no Chile, três), o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, chamou os donos das três redes de televisão e denunciou a origem do mal:

“Por que as novelas têm de divulgar a deslealdade, a traição, o narcotráfico, a violência, a cultura das armas, a vingança?”

Os roteiristas venezuelanos estão em pânico. Como fazer uma novela sem traição, vingança, deslealdade, assassinatos, cobiça, ódio, inveja, e todas as coisas que Maduro diz que levam ao crime e à violência? Chávez já havia proibido videogames violentos há cinco anos, quando o país era bem menos violento.

Maduro assegura que a pobreza não é a única causa da delinquência, “porque a Venezuela tem os índices mais altos do mundo em superação da pobreza” (para matar Lula de inveja). Mas as mortes cresceram 15% de um ano para cá.

“Às vezes o que a escola faz em seis horas, um programa televisivo destrói em uma. Não vamos permitir programas que divulguem a prostituição, as drogas, a violência.” E bradou retumbante: “Vamos interromper o festim da morte.”

Maduro: tem crime? Então vamos censurar a TV (Foto: guardian.co.uk)

Algum passarinho precisa avisá-lo de que há muito mais consumo de programas com esses venenosos “antivalores do capitalismo” em países como o Japão e a Inglaterra do que na Venezuela, mas nenhum festim da morte: as vítimas de homicídios são de 0,4 (menos de meio japa) e 1,7 inglês por grupo de 100 mil. Como o marido traído, Maduro quer tirar a televisão da sala.

Como Chávez, o mexicano, o arguto lider chavista disse que como já sabe que quase 90% dos crimes ocorrem em 80 municípios, basta deslocar 3 mil soldados do Exército para as regiões violentas. E pronto.

O secretario Beltrame poderia informá-lo que quando uma UPP toma uma comunidade a bandidagem não vai vender artesanato, se muda para áreas menos policiadas.

Ver o ex-motorista de metrô Nicolás Maduro dirigindo a Venezuela é como imaginar o Brasil com Carlos Lupi na Presidência da Republica. Só que Lupi é mais esperto.

24/05/2013

às 16:22 \ Política & Cia

Fernando Gabeira: Que porto é esse, senhora dos navegantes?

"Se a classe média é reacionária e fascista, resta procurar uma classe social democrata e progressista, salvadora. Seriam os operários os portadores da nova moral? Lula, por exemplo, beijando a mão de Jader Barbalho e dizendo que Newton Cardoso é o Pelé da política?" (Foto: Marcos Pinto)

"Se a classe média é reacionária e fascista, resta procurar uma classe social democrata e progressista, salvadora. Seriam os operários os portadores da nova moral? Lula, por exemplo, beijando a mão de Jader Barbalho e dizendo que Newton Cardoso é o Pelé da política?" (Foto: Marcos Pinto)

Artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo

QUE PORTO É ESSE, SENHORA DOS NAVEGANTES?

Desembarco mareado nesta nova estação do progresso. Sou pela abertura dos portos e não vejo argumento mais forte do que centenas de caminhões engarrafados esperando o momento de exportar sua carga.

Chego mareado não pelo balanço das ondas, mas pelo espetáculo agitado em terra firme. Um longo psicodrama que não pude acompanhar em todos os detalhes por causa das tarefas cotidianas. Mas já o pressentia. Para articular seu governo na nave do Congresso, a senhora escolheu Ideli Salvatti.

Com as características da nova ministra, a escolha a transformaria rapidamente de Salvatti em Afundatti: independentemente de suas qualidades, simplesmente não é a pessoa para o cargo. Pode ser amiga, fiel, apaixonada pela causa, mas, que diabo, isto é uma República! Em vez de elevar o nível da política, como se pede a uma presidenta, ela a joga no chão e a pisoteia com o salto alto.

O mais impressionante, à distância, é o reality show no Congresso. Conheço alguns personagens, da política fluminense, e não acreditava no que lia: Eduardo Cunha, guerrilheiro que obriga o governo a recuar. Como assim? Eduardo Cunha fazendo emboscadas, dispersando quando o inimigo se concentra, concentrando-se quando o inimigo se dispersa?

Eduardo Cunha, o líder do retrocesso, diziam algumas outras notas. Será? Cunha não se bate pelo progresso nem pelo retrocesso. Seus parâmetros são outros. Lembro-me de uma sessão que ele presidia. Discutimos e tive a sensação de que não estava me olhando. Disse: “Por favor, olhe para mim”. E ele: “Estou olhando”. Percebi, subitamente, que olhava sem olhar. Ele falava de dentro de uma caverna.

Garotinho, pensando em Cunha, chamou a emenda dos portos de emenda dos porcos. Foi sua contribuição. Saiu quase ileso no outro dia, quando Ronaldo Caiado afirmou que ele, Garotinho, tinha cheiro de porcos.

Nada como o tempo para serenar os ânimos. Cheirar não é ser. Abre espaço para um acidente, ter passado por um chiqueiro, posado para uma foto com porquinhos no colo.

Imaginem essa confusão numa atmosfera fechada, uma espécie de abrigo antiaéreo onde se entra e sai sem ver a passagem do dia para a noite, o próprio amanhecer. Pizzas, frangos, um batalhão de alimentos entra pelos corredores e deságua na cantina abarrotada. Cochilos, intervalos para o futebol, é verdade isso que a imprensa mostrou. E, naturalmente, os gases: 500 pessoas reais concentradas no mesmo espaço, disputando os mesmos sofás. O que importam esses detalhes para a história da modernização dos portos? Se o preço de distribuir renda é degradar a política, por que não usar o mesmo raciocínio para desatar o nó no comércio exterior?

Pelo rádio ouço uma comentarista lembrar que a emenda dos portos seria aprovada mais rapidamente no Senado, pois os senadores, mais velhos, não aguentariam a maratona. Como apenas seis horas bastaram para rever algo que os deputados levaram dias para concluir, supõe-se que têm uma invejável juventude intelectual. Falsa suposição. Os senadores fazem o que quer o governo. Garantidos suas verbas e seus cargos, nada têm a temer, exceto um colapso do serviço de chá.

O episódio da emenda dos portos mostrou mais uma vez o descompasso entre o crescimento econômico e a qualidade política. Acho esse caminho insustentável. Mas posso estar equivocado, aplicando uma visão dinâmica a algo que tende a sobreviver, se essa for mesmo a escolha nacional, por comodismo ou indiferença.

Confrontado com as expectativas da redemocratização, o processo político brasileiro degradou-se. Se as previsões falharam no passado, de que adianta renová-las? Pensar o futuro, só recorrendo à ficção científica. Que bichos ocuparão as denúncias na tribuna? Antes havia o dinossauro, que se tomou simpático, o veado, que perdeu sua conotação negativa. O porco é o bicho do momento, mas o próximo pode ser a iguana, a barata ou o dromedário? Tudo é possível na enorme fazenda petista, onde os bichos se acalmam só quando sentem o cheiro do dinheiro no ar.

O drama dos portos ocorre num momento de comemoração do partido dominante, que se orgulha publicamente de elevar milhões de pessoas à classe média. Na festa, a filósofa Marilena Chaui disse que odeia a classe média por suas posições fascistas e conservadoras. Então, elevam a vida das pessoas para melhor conseguirem odiá-las?

Se a classe média é reacionária e fascista, resta procurar uma classe social democrata e progressista, salvadora. Seriam os operários os portadores da nova moral? Lula, por exemplo, beijando a mão de Jader Barbalho e dizendo que Newton Cardoso é o Pelé da política?

Com seu talento filosófico, Chaui poderia até nos convencer da tese de Lula de que não existiria poluição se a Terra não fosse redonda. Como a Terra gira e a Lusitana roda, slogan que sempre marcou o negócio das mudanças no Rio, o poluído planeta, pelo menos, está em movimento. Cedo ou tarde essa mistificação que vê o fascismo só nos outros e veste de pureza um partido corrompido até a medula pode ser desmascarada.

O discurso de Chaui, no entanto, é sintomático. Depois de impor a ideia de que a degradação política é essencial para mover o País, está tudo pronto para tratar as pessoas como se tratam os deputados no plenário. O sadomasoquismo nacional entra em nova fase. Os brasileiros da classe média são roubados de dia e insultados à noite nas tertúlias literárias do PT. Se gostam ou não, é problema deles.

Desde o início da democratização me bati pela liberdade de escolha em questões delicadas, incluída essa de gostar de apanhar. Se os eleitores preferem um Parlamento cheio de Cunhas e os empresários adoram tratar suas questões com eles, temos somente de nos resignar e esperar que combatam entre si e sejam devorados pela própria cobiça.

Aos poucos, vamos compondo um novo e inquietante dístico para a Bandeira Nacional: “Barbárie e Progresso”. Salve, salve.

 

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