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19/08/2014

às 23:37 \ Política & Cia

NA TVEJA: No horário eleitoral, Dilma se apresenta mais simpática que é na vida real e omite verdades sobre seu governo. Aécio faz um bom programa, mas ainda falta indignação

Na conversa com Joice Hasselmann, os primeiros programas do horário eleitoral obrigatório e as dúvidas sobre a candidatura Marina Silva

Na conversa com Joice Hasselmann, os primeiros programas do horário eleitoral obrigatório e as dúvidas sobre a candidatura Marina Silva

Pela TVEJA, comentei agora há pouco em conversa com Joice Hasselmann o início do horário eleitoral gratuito na TV — em especial os programas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB — e expressei interrogações a respeito da candidatura de Marina Silva pelo PSB, após a morte do cabeça de chapa, Eduardo Campos.

Para assistir ao vídeo, clique aqui.

 

19/08/2014

às 20:00 \ Política & Cia

Após 42 anos, Míriam Leitão revela as torturas assombrosas que sofreu durante a ditadura e questiona o ministro da Defesa sobre as ações do Exército

(Fotos: Reprodução/GloboNews)

Em entrevista feita em junho, Míriam Leitão confronta Celso Amorim, o homem agora responsável pelas Forças Armadas (Fotos: Reprodução/GloboNews)

A REPÓRTER PERGUNTA, O MINISTRO GAGUEJA

Por Luiz Cláudio Cunha

A mulher serena na frente do homem inquieto. A repórter experiente perante a autoridade calejada. A entrevistadora firme ante o ministro gelatinoso. A profissional de imprensa olho no olho com sua fonte.

Uma brasileira, presa e torturada na ditadura, frente a frente com o ministro da Defesa que hoje comanda o Exército que ontem, na ditadura, prendeu e torturou a mulher, a repórter, a jornalista, a brasileira que o questionava (leia abaixo o depoimento inédito de Míriam Leitão sobre as torturas que sofreu).

Esse dramático confronto de 22 minutos brilhou na tela da TV numa noite de quinta-feira, no final de junho passado, quando a jornalista Míriam Leitão, 61 anos, fez para a GloboNews uma notável entrevista com o ministro da Defesa, Celso Amorim, 72 anos.

Viu-se então uma aula prática do melhor jornalismo, confrontando a convicção com a dúvida, a energia com a tibieza, o categórico com o evasivo, a verdade com a mentira. A repórter se agigantando num diálogo em que o ministro se apequenava, acuado, hesitante, gaguejante.

Míriam fez o que o resto da grande imprensa, acomodada e preguiçosa, não fez. Foi a Brasília ouvir o chefe civil dos militares, apenas nove dias após a entrega à Comissão Nacional da Verdade (CNV) de uma insossa, imprestável sindicância de quatro meses realizada pelos três comandantes das Forças Armadas (FFAA).

Diante de questões objetivas com nomes, datas e locais de mortes e torturas apontadas pela CNV, os chefes da tropa responderam, num catatau de 455 páginas, que não registravam nenhum “desvio de finalidade” em sete centros militares do Exército, Marinha e Aeronáutica onde foram meticulosamente documentados casos de graves violações aos direitos humanos pelo regime militar de 1964-1985.

Os oficiais-generais das três Armas simplesmente negaram a ocorrência de abusos até mesmo nos sangrentos DOI-CODI da Rua Tutoia, em São Paulo, e da Rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, onde a CNV já constatou pelo menos 81 mortes por tortura. Os comandantes esqueceram até dos 22 dias de suplício no DOI-CODI paulistano a que sobreviveu em 1970 uma guerrilheira chamada Dilma Rousseff, hoje casualmente presidente da República e, como tal, comandante-suprema dos generais que omitem a crua verdade sobre a ditadura das FFAA.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

LEIAM TAMBÉM:

COMISSÃO DA VERDADE: Afinal, quem mente? Dilma ou os generais?

19/08/2014

às 19:15 \ Política & Cia

Em jingle, Aécio diz que ‘não depende de padrinho e não precisa de patrão’

(Foto: George Gianni/PSDB)

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves (Foto: George Gianni/PSDB)

Por Bruna Fasano, de São Paulo, para o site de VEJA

Os primeiros jingles de Aécio Neves foram distribuídos aos 27 coordenadores estaduais da campanha tucana à Presidência da República nesta segunda-feira.

Aécio divulgou um guia prático de como sua coligação, composta por nove partidos, deve produzir material publicitário. Junto com o guia, os coordenadores receberam um CD com fotos e santinhos.

Um dos jingles foi elaborado em ritmo de forró, e o outro, com levada pop (ouça abaixo).

No forró, a letra diz que Aécio é “sujeito de raiz” e lembra que ele é neto do ex-presidente Tancredo Neves.

Na versão pop, o tucano alfineta a presidente-candidata Dilma Rousseff, que tem em Lula seu principal fiador. A letra diz que “Aécio não depende de padrinho, não precisa de patrão”.

19/08/2014

às 18:32 \ Política & Cia

FIM DA VERGONHA: Ex-médico monstro, autor de 58 estupros e fugitivo da Justiça desde 2011, é finalmente preso no Paraguai

Roger Abdelmassih é preso no Paraguai (Foto: Secretaria Nacional De Antidrogas do Paraguai)

Roger Abdelmassih, um dos foragidos mais procurados do país, já algemado depois de preso no Paraguai, em operação conjunta das autoridades locais com a Polícia Federal  (Foto: Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai)

Condenado a 178 anos de prisão e foragido desde 2011, ex-médico foi preso em Assunção, no Paraguai. Ele era um dos 160 brasileiros na lista da Interpol

Por Laryssa Borges e Gabriel Castro, de Brasília, para o site de VEJA

O ex-médico Roger Abdelmassih, de 70 anos, um dos fugitivos mais procurados do país, foi preso na tarde desta terça-feira em Assunção, capital do Paraguai. Segundo o Ministério da Justiça, o médico foi detido em uma operação conjunta da Polícia Federal e a Secretaria Nacional Antidrogras paraguaia.

Abdelmassih será deportado imediatamente pelas autoridades paraguaias por estar na lista da Interpol. Ele tinha prevista chegada às 17h na cidade fronteiriça de Foz do Iguaçu (PR) e, provavelmente, será transferido para São Paulo.

Foragido da Justiça desde 2011, o médico foi condenado a 278 anos de prisão – foram 52 estupros e 4 tentativas contra 39 mulheres, pacientes de sua clínica especializada em reprodução assistida. De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), os crimes foram cometidos entre 1995 e 2008, nas dependências da clínica, localizada em um bairro nobre da capital paulista.

Abdelmassih chegou a ficar preso por quatro meses em 2009, mas foi solto por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). O então presidente da corte, ministro Gilmar Mendes, havia concedido habeas corpus em favor do médico por considerar que não havia risco à ordem pública.

Na avaliação do magistrado, como o registro profissional de Abdelmassih havia sido cassado, não haveria a possibilidade de reiteração dos abusos sobre as pacientes e não seria necessário manter o profissional preso. “A prisão preventiva releva, na verdade, mero intento de antecipação de pena, repudiado em nosso ordenamento jurídico”, disse Mendes na ocasião.

Em 2011, porém, a 2ª Turma do STF reformulou a decisão e cassou a liminar que permitia ao médico responder aos processos em liberdade. Na época, Roger Abdelmassih já era considerado foragido.

O caso – Na decisão de 194 páginas que o condenou, a juíza Kenarik Felippe, da da 16.ª Vara Criminal de São Paulo, narra em detalhes o ocorrido com cada uma das 39 vítimas do médico. Ao longo do processo judicial foram colhidos os depoimentos de 250 testemunhas vindas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná , Rio Grande do Norte, Piauí e Rio de Janeiro. O processo tem 37 volumes e 10.000 páginas.

As vítimas de Abdelmassih relataram à Justiça agressões sofridas na sala de consulta e de recuperação da clínica, especialmente após a coleta de óvulos, procedimento inicial para a reprodução assistida. Em muitos casos, as mulheres estavam saindo da sedação quando se viam envoltas pelo médico, que as beijava a boca, o pescoço e os seios, avançando, em mais de 50 casos, para relações sexuais forçadas.

As mulheres contaram ter escondido os episódios em um primeiro momento até mesmo de seus maridos, por vergonha ou medo que eles resolvessem fazer justiça com as próprias mãos. Elas se disseram intimidadas pela fama e o prestígio do médico. Muitas só decidiram denunciar os abusos após os primeiros casos serem divulgados pela imprensa.

A investigação contra Abdelmassih começou em maio de 2008 e veio a público em janeiro de 2009, provocando uma onda de novas denúncias de mulheres contra o médico. De agosto a dezembro do ano passado, ele ficou preso preventivamente, mas foi solto por decisão do Supremo.

A clínica do médico era a mais conceituada em reprodução assistida do país. Abdelmassih foi o responsável pela inseminação artificial de filhos de famosos como Pelé, Tom Cavalcante, Gugu Liberato e Carlos Alberto de Nóbrega.

19/08/2014

às 17:14 \ Política & Cia

Irritação de petistas contra consultoria que classificou de “medíocre” o governo Dilma é ridícula — e altamente medíocre

Ilustração: desmotivar.com

Ilustração: desmotivar.com

Não resisto e preciso comentar o impacto que teve na cúpula do PT um relatório enviado pela consultoria econômica Rosenberg Associados a clientes — repito, a CLIENTES — em que, mirando o cenário da eleição presidencial antes da morte de Eduardo Campos, a empresa chegava à conclusão que, “visto de hoje”, o cenário mais provável seria a reeleição de Dilma.

E a eventual reeleição foi classificada como “a continuidade da mediocridade, do descompromisso com a Lógica, do mau humor prepotente do poste que se transformou em porrete contra o senso comum”.

Grotescamente, figuras do PT “acusaram” a Rosenberg Associados de se “alinhar à oposição”. O vice-presidente do partido, deputado José Guimarães (CE) — aquele do assessor dos dólares na cueca — chegou a proferir a estupidez segundo a qual a empresa, dirigida pelo economista Luís Paulo Rosenberg, ex-assessor econômico da Presidência durante o governo Sarney (1985-1990) e ex-vice-presidente de marketing do Corinthians, “é mais uma das empresas de consultoria que estão a serviço das teses neoliberais encabeçadas pelo PSDB”.

O que é que gente do PT tem a ver com que uma consultoria escreve para seus clientes — bancos, grandes empresas do setor alimentício, empresas petroquímicas e outros gigantes?

Esse espernear é patético, ridículo e… medíocre.

A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Zara, responsável pela análise, compartilhada por três outros colegas, respondeu com simplicidade à Folha de S. Paulo, dizendo o óbvio: o texto foi feito para clientes, que “pagam pela nossa independência”.

Ou seja, a linguagem eventualmente desabrida que possa ser utilizada pela consultoria, embora baseada em dados concretos (como as pesquisas de intenção de voto e os números do desempenho econômico do governo) é um exercício da plena liberdade de opinião assegurado pela Constituição — e pelo jeito agrada aos clientes. Caso contrário, já teria sido alterada.

E não custa lembrar que quem criou o termo “poste” para candidatos que ele jura que elege foi o próprio Lula.

Os petistas certamente implicaram com outro trecho do documento em que, analisando o quadro eleitoral em São Paulo — onde o candidato do partido, Alexandre Padilha, está atolado em 5% dos votos e mendiga à Rede Globo mais cobertura de suas andanças à cata de eleitores –, diz, a certa altura, que o Estado “tem tudo para continuar sendo o bastião da resistência ao bolivarianismo, com uma provável vitória convincente do tucano [Geraldo] Alckmin”.

A respeito do titular do Palácio dos Bandeirantes, o texto diz ser “muito profunda a admiração do povo pelo seu governador discreto”.

19/08/2014

às 16:14 \ Política & Cia

ELEIÇÕES: Ao recusar a ideia de ser vice de Marina, Renata Campos teve mais juízo do que os políticos do PSB

Renata Campos, cercada por quatro dos cinco filhos, na entrevista em que anunciou que fará campanha por Marina e pelo candidato a governador de Pernambuco pelo PSB (Foto: Marcos Fernandes/Estadão Conteúdo)

Renata Campos, cercada por quatro dos cinco filhos, na entrevista em que anunciou que fará campanha por Marina e pelo candidato a governador de Pernambuco pelo PSB (Foto: Marcos Fernandes/Estadão Conteúdo)

Com 47 anos recém-completados, mãe de família e funcionária de carreira licenciada do Tribunal de Contas de Pernambuco, Renata Campos, a viúva do falecido candidato do PSB à Presidência Eduardo Campos, foi assediada mesmo durante o velório do marido com a mosca azul de tornar-se candidata a vice na chapa que deverá, agora, ser encabeçada pela até agora aspirante ao posto, Marina Silva.

Depois do sepultamento de Campos, no domingo, as conversas sobre a viúva integrar a chapa de Marina se intensificaram e passaram a ser uma hipótese concreta dentro do PSB, entre outras coisas pelo temor do partido de que a candidata, agora, escape de uma série de compromissos que, junto com Eduardo, haviam assumido e que interessam muitíssimo aos socialistas manter.

Felizmente, a própria Renata brecou essa insensatez, dizendo precisar dedicar-se aos cinco filhos, embora haja prometido que vai trabalhar “por dois”, tanto na candidatura de Marina como na do nome que Eduardo havia escolhido para concorrer ao governo de Pernambuco, seu ex-secretário da Fazenda, Paulo Câmara, que concorre com o senador Armando Monteiro Neto, empresário, senador e veterano de uma dinastia de políticos tradicionais. A tarefa não vai ser fácil, porque Monteiro tem 47% das intenções de voto, contra 13% de Câmara.

A atitude da viúva de Campos foi mais sensata do que a dos políticos experientes que a cercaram. Vice é uma coisa séria. Sim, é verdade que, em geral, o vice-presidente é reduzido a uma situação de joão-ninguém na maioria dos governos, o que levou um ocupante do cargo nos Estados Unidos a classificá-lo, com a franqueza rude daqueles tempos, como “tão importante quando um balde de cuspe”.

Ao mesmo tempo, porém, na poética (e terrível) expressão usada nos EUA, o vice está a apenas “uma batida de coração” da Presidência. Desde que George Washington foi eleito, em 1788, nada menos que 12 dos 44 presidentes americanos foram vices que acabaram assumindo de vez, só um deles pela renúncia do titular. Vejam bem, DOZE! Vários teriam um papel crucial na História.

Para só ficar com dois casos dramáticos: o obscuro ex-governador do Tennessee Andrew Johnson sucedeu a um gigante, Abraham Lincoln, com a imensa tarefa de juntar os pedaços de um país dilacerado pela Guerra Civil (1861-1865) e pelo assassinato do presidente.

Um ex-senador jeca e pouco conhecido do Missouri chamado Harry S. Truman teve que substituir em 1944 outro colosso, Franklin D. Roosevelt, falecido em plena fase final da II Guerra Mundial – e a Truman caberiam algumas decisões que moldaram o século XX, como o lançamento de duas bombas atômicas contra o Japão, em 1945, e o estabelecimento do Plano Marshall, que reergueu a Europa das cinzas.

No Brasil, desde o nascer da República, em 1889, temos vivido o que se poderia chamar de “o paradoxo do vice”: a circunstância segundo a qual ele não tem importância nenhuma, até o momento em que passa a ter total importância.

Na República Velha, pelo menos três vices governaram, começando, já de cara, pelo primeiro, Floriano Peixoto, que por meio de várias manobras, ao suceder Deodoro da Fonseca, em 1891, reinou virtualmente como ditador. Excetuando-se juntas militares e um presidente que chegou ao poder no bojo de uma revolução, a de 1930 (Getúlio Vargas), até 1930 outros dois vices governaram por morte do titular, no posto ou antes de assumir: Nilo Peçanha (1909-1910) e Delfim Moreira (1916-1919).

Na República surgida da Constituição de 1946, dois dos seis presidentes até o golpe de 1964 foram vices que assumiram, Café Filho (1954-1955) e João Goulart (1961-1964). Após a redemocratização, em 1985, tivemos quatro presidentes eleitos, mas – nem é preciso lembrar – DOIS vices governaram, José Sarney (1985-1990), e Itamar Franco (1992-1995).

Com a frequência com que vices, aqui e alhures, assumem e governo, seria uma enorme temeridade incluir na chapa de Marina alguém com zero de experiência administrativa e que, em matéria política, só tinha experiência por conviver intensamente com um marido que foi deputado, secretário da Fazenda e duas vezes governador. É muito pouco.

Renata mostrou que tem juízo. Certos políticos, que não têm nenhum.

19/08/2014

às 15:15 \ Política & Cia

Debate na TVEJA analisa entrevista de Dilma e candidatura de Marina Silva

Joice Hasselmann, Reinaldo Azevedo, Marco Antonio Villa e eu comentamos o desempenho da presidente e candidata Dilma Rousseff no Jornal Nacional de ontem. O enterro de Eduardo Campos e a postura de Marina Silva também foram assuntos na estreia do “Aqui entre nós”.

19/08/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Globo erra feio ao aceitar entrevistar Dilma no Alvorada, e não no estúdio. Com isso, favoreceu a presidente em relação a Aécio Neves e Eduardo Campos

A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff é entrevistada pelo Jornal Nacional no Palácio da Alvorada (Foto: Reprodução/Rede Globo)

A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff é entrevistada pelo “Jornal Nacional” no Palácio da Alvorada (Foto: Reprodução/Rede Globo)

Não estou entre as fileiras dos jornalistas que adoram falar mal da Globo. Considero a emissora uma das melhores do planeta na geração de programação própria de entrenimento e em criatividade visual, e que seu jornalismo — tão contestado em outras fases da história do país — é ágil, atento, cobre temas importantes e vem progressivamente se tornando mais independente ao longo dos anos.

Mas a Globo errou feio ontem à noite, ao concordar em fazer a primeira entrevista de candidata da presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada — território inteiramente de domínio da atual moradora, que não deixa de impor um certo temor reverencial a jornalistas e, portanto, muito diferente dass condições em que foram entrevistados os outros dois candidatos que figuraram até agora na telinha da emissora, Aécio Neves (PSDB) e o recentemente falecido em circunstâncias trágicas Eduardo Campos (PSB).

Os dois ficaram aguardando nos estúdios da Globo o momento em que, com o Jornal Nacional no ar, e com centenas de jornalistas e técnicos (fora da tela) de olho em ambos, sentaram-se na bancada de William Bonner e Patrícia Poeta, tendo, ali sim, a exata sensação de estarem sendo assistidos, ao vivo, por dezenas de milhões de brasileiros.

Estando “em casa”, por mais que Bonner e Patrícia tentassem interromper o monótono desfiar de trivialidades da presidente, praticamente sem sucesso, Dilma foi empurrando a conversa com a barriga, de olho no relógio para fazer passar os 15 minutos (prorrogados um pouco pela emissora, sem grande resultado) e esquivando-se com lugares-comuns das perguntas mais espinhosas.

Embora o Tribunal Superior Eleitoral já tenha decisão consolidada de que, sim, um presidente pode conduzir reuniões eleitorais  e conceder entrevistas como candidato no Alvorada porque, enquanto está no poder, o Palácio é sua residência, Dilma lançou mão de uma esperteza intolerável para escapar de uma das perguntas mais embaraçosas para o lulopetismo: se não era condescendência com a corrupção, por parte do PT, da qual ela é a pricipal figura, tratar os criminosos condenados pelo mensalão como verdadeiros heróis.

A esperteza intolerável foi que, candidata, ela usou a condição de presidente para fugir da pergunta.

Como presidente, ela talvez não devesse apreciar decisões da Justiça, como foi o caso. Como candidata, TINHA A OBRIGAÇÃO de fazê-lo. Muito corretamente, Bonner e Patrícia Poeta só se dirigiam a ela chamando-a de “candidata”.

Leiam agora a parte da entrevista em que Dilma foge para tudo quanto é lado para não responder a uma das principais questões sobre o lulopetismo:

William Bonner: Então, me deixa agora perguntar à senhora. E em relação a seu partido? O seu partido teve um grupo de elite de pessoas corruptas, comprovadamente corruptas, eu digo isso porque foram julgadas, condenadas e mandadas para a prisão pela mais alta corte do Judiciário brasileiro. Eram corruptos. E o seu partido tratou esses condenados por corrupção como guerreiros, como vítimas, como pessoas que não mereciam esse tratamento, vítimas de injustiça. A pergunta que eu lhe faço: isso não é ser condescendente com a corrupção, candidata?

Dilma Rousseff: Eu vou te falar uma coisa, Bonner, eu sou presidente da República. Eu não faço nenhuma observação sobre julgamentos realizados pelo Supremo Tribunal, por um motivo muito simples: sabe por que, Bonner? Porque a Constituição ela exige que o presidente da República, como exige dos demais chefes de Poder, que nós respeitemos e consideremos a importância da autonomia dos outros órgãos.

William Bonner: Então a senhora condena a postura do PT nesse caso? 

Dilma Rousseff: Eu não julgo ações (sic) do Supremo. Eu tenho as minhas opiniões pessoais.

William Bonner: Mas e a ação do seu partido, a senhora condena essa ação?

Dilma Rousseff: Enquanto eu for presidente, eu não externo opinião a respeito de julgamento do Supremo. E vou te dizer, Bonner, não é a primeira vez que eu respondo isso. Eu, durante o processo inteiro, não manifestei nenhuma opinião sobre o julgamento. Até porque respeito o julgamento.

William Bonner: Mas candidata, a pergunta que eu lhe fiz foi sobre a postura do seu partido. Qual sua posição a respeito da postura do seu partido?

Dilma Rousseff: Eu não vou tomar nenhuma posição que me coloque em confronto, conflito, ou aceitando ou não. Eu respeito a decisão da Suprema Corte brasileira. Isso não é uma questão subjetiva. Para mim (sic) exercer o cargo de presidência, eu tenho de fazer isso.

- – - – - – - – - -

Não foi por falta de tentativa do âncora William Bonner, como se vê. O fato, entretanto, foi que a presidente escapuliu da pergunta, como conseguiu enrolar em seu linguajar monótono outros temas.

Ela levou vantagem em relação aos candidatos entrevistados anterioremente.

Espera-se que, em futuras entrevistas, a Globo se recuse a entrevistá-la se ela, como todos os mortais, não comparecer aos estúdios da emissora, no Rio.

(PARA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA, CLIQUEM AQUI)

19/08/2014

às 11:00 \ Política & Cia

A charge de SPONHOLZ: começa hoje!!!!!

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18/08/2014

às 23:49 \ Política & Cia

ELEIÇÕES: Dilma faz uso perfeito do “dilmês” no “Jornal Nacional” e não responde a qualquer pergunta mais dura

Dilma na telinha da Globo:

Dilma na telinha da Globo:

Presidente-candidata abusou de frases longas e rodeios e esquivou-se dos temas mais espinhosos – em alguns casos, simplesmente porque não respondeu

Do site de VEJA

Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, nesta segunda-feira, a presidente-candidata Dilma Rousseff lançou mão do mais puro dilmês: frases longas e confusas, engatadas umas nas outras. Por mais de uma vez, ela insistiu em concluir suas longas explanações: ”Só um pouquinho, Bonner”, dizia.

Dilma ultrapassou em quase 50 segundos o tempo de 15 minutos destinado a ela. Mas desta vez o dilmês pode ter jogado a seu favor. Numa sala do Palácio da Alvorada, e não nos estúdios da Rede Globo, os entrevistadores — além de Bonner, Patricia Poeta — só conseguiram lhe fazer quatro perguntas.

Se da entrevista não resultou nenhum slogan de campanha, ela tampouco será lembrada por uma frase negativa, com o reconhecimento de um erro ou malfeito. Diante das interpelações mais duras, Dilma se escondeu atrás de sua barragem de frases.

Na primeira pergunta, William Bonner tratou dos muitos escândalos do governo petista e perguntou se era difícil escolher pessoas honestas para preencher os cargos do governo.

A presidente não respondeu diretamente: optou por tratar das instâncias de combate à corrupção. “Nós fomos o governo que mais estruturou os mecanismos de combate à corrupção, a irregularidades e malfeitos”, disse ela, que também minimizou os escândalos. “Nem todas as denúncias de escândalo resultaram em realmente a constatação que a pessoa tinha de ser punida e seria condenada”.

A petista também se escudou convenientemente no cargo e foi evasiva quando o apoio do PT aos mensaleiros condenados por currupção pelo Supremo Tribunal Federal foi colocado em pauta: “Eu não vou tomar nenhma posição que me coloque em confronto, conflito, ou aceitando ou não (sic). Eu respeito a decisão da Suprema Corte brasileira. Isso não é uma questão subjetiva”.

Em seguida, Dilma afirmou que a troca de César Borges por Paulo Sérgio Passos no Ministério dos Transportes – uma exigência do PR, envolvido em casos de corrupção na própria pasta, para apoiar a reeleição da petista – foi feita com base na integridade do nome indicado pela sigla. “Os partidos podem fazer exigências. Mas eu só aceito quando considero que ambos são pessoas íntegras e não só integras, são competentes”, afirmou.

Quando o assunto foi economia, a tática foi a mesma: William Bonner perguntou se o governo não havia errado em nenhum momento na reação à crise internacional.

A resposta foi o discurso-padrão apresentado pela presidente nos últimos meses: ”Nós enfrentamos a crise pela primeira vez no Brasil não desempregando, não arronchando salário, não aumentando tributos e sem demitir”, disse ela.

Em um dos poucos momentos significativos da entrevista, a presidente acabou admitindo que a saúde não está em padrões minimamente razoáveis: “Não acho”, disse ela, antes de desandar a falar sobre o Mais Médicos, uma das bandeiras de sua campanha.

Já com o tempo estourado, Dilma ainda tentou pegar carona na comoção que tomou o país com a morte do candidato do PSB, Eduardo Campos, cuja frase final no Jornal Nacional – “Não vamos desistir do Brasil” –virou lema do PSB. ”Eu acredito no Brasil”, disse Dilma, que foi interrompida uma última vez enquanto tentava pedir votos aos eleitores.
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