Bateu o bom senso na Petrobras: foi cancelada agora licitação para a conta de publicidade da estatal, uma dinheirama que chega a 500 milhões de reais por dois anos de contrato, a ser dividido por três agências. (Na semana passada, o resultado vazou num site especializado horas antes da divulgação oficial, lançando no ar suspeitas de fraude e favorecimento).
(Atualização, às 15h33: O bom senso refere-se à decisão de fazer outra licitação, começando tudo do zero. Mas acaba aí.
A nota oficial que explica a decisão é um show de malabarismo retórico, tentando insistir que nada havia de anormal no processo. Leia a nota oficial que a estatal preparou para anunciar suspensão do processo licitatório:
“A Petrobras informa que cancelou a licitação para escolha das agências de publicidade. A Petrobras reafirma que a divulgação antecipada dos resultados por um site especializado não comprometeu a análise das propostas técnicas, pois ocorreu três dias após o encerramento desta fase. O processo licitatório apócrifo (sem identificação do proponente), desenvolvido pela Petrobras em 2007, é inovador e referência para licitações públicas de publicidade. As propostas técnicas são identificadas por número, que é de conhecimento apenas de cada agência proponente. “
Ora, se “a divulgação antecipada dos resultados por um site especializado não comprometeu a análise das propostas técnicas”, por que diabos a Petrobras abortou a licitação?
Pelo andar da carruagem, as suspeitas de favorecimento não serão investigadas - o que é lamentável. A oposição não parece interessada e, evidentemente, muito menos a Petrobras. As suspeitas parecem destinadas a ser enterradas abaixo da camada do pré-sal)
(Atualização, às 15h49: a decisão da Petrobras acontece um dia depois da decisão tomada pelas quinze agências prejudicadas de entrar com um mandado de segurança para que o processo sob suspeita fosse suspenso.)
(Atualização, às 20h59: a Petrobras entra em contato para dizer que revogou o processo licitatório para que não “pairassem dúvidas sobre a lisura do proceso”)