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Compra da Nokia coloca Microsoft na briga com Apple e Samsung

Com aquisição da empresa finlandesa, gigante do software ganha expertise no desenvolvimento de hardware para disputar mercado com líderes do setor

Por James Della Valle - 6 set 2013, 12h37

A Microsoft tem uma nova e complicada missão pela frente: reerguer a divisão de celulares da Nokia e transformá-la novamente em sinônimo de sucesso no setor de tecnologias móveis. Ao anunciar a aquisição de parte da companhia finlandesa na última segunda-feira por 5,44 bilhões de euros (o equivalente a 7,17 bilhões de dólares), a gigante do software ganhou fôlego e expertise para se aprofundar em um mercado hoje dominado por rivais de peso, como a sul-coreana Samsung e a Apple. De acordo com analistas de mercados, essa era a atitude correta, que deve ajudar a Microsoft a aumentar a popularidade da plataforma Windows Phone e, consequentemente, dos produtos da série Lumia.

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“Foi uma decisão bastante audaciosa da Microsoft, porém necessária. Para realmente entrar forte na briga global de dispositivos móveis, o gigante americano precisava de uma sinergia clara entre hardware e software, como faz a Apple, por exemplo”, afirma o analista sênior de mercado da Frost & Sullivan Fernando Belfort. “Acho que o namoro finalmente virou casamento. Depois desse anúncio, ninguém mais duvida de que a Microsoft deseje brigar pela liderança desse mercado.”

A aproximação entre Microsoft e Nokia começou em setembro de 2010, quando Etephen Elop, então chefe da divisão de negócios da Microsoft, assumiu o cargo de CEO da companhia finlandesa. A partir daquele momento, as linhas de smartphones com as plataformas Symbian e Asha ficaram de lado, abrindo espaço para novos produtos da série Lumia, lançados em parceria com a Microsoft. Em 2012, a Nokia sofreu um golpe ao perder o posto de principal fabricante de celulares do planeta para a Samsung. Mesmo assim, a empresa se concentrou em seus novos smartphones, apresentando vinte aparelhos ao mercado.

A estratégia está funcionando, pelo menos para a plataforma Windows Phone. De acordo com dados divulgados na última quarta-feira pela International Data Corporation (IDC), especialista em análise de mercados de tecnologia, até 2017, a plataforma deve conquistar uma fatia equivalente a 10,2% do mercado mundial, ante os 3,9% registrados até setembro de 2013. A mesma projeção aponta que, em cinco anos, o Android, do Google, deve cair de 73% para 68,3%, enquanto o iOS, da Apple, deve experimentar um pequeno crescimento: de 16,9% para 17,9%.

“A aquisição terá um impacto direto nas duas companhias, já que elas vão se concentrar em um único objetivo. Não se trata mais da Nokia tentando montar seu próprio ecossistema com base em algo que a Microsoft já fez”, afirmou Carolina Milanesi, analista da consultoria Gartner, ao lembrar que as equipes poderão trabalhar apenas em uma linha de dispositivos, assim como a Apple faz hoje com os iPhones. “Não existirão mais celulares da Nokia, e sim aparelhos Lumia da Microsoft. O gigante achou importante investir em mobilidade, e agora está determinada a entrar no mercado físico, de hardware.”

O hardware em questão pode envolver também uma nova linha de tablets com o sistema operacional Windows 8. Evidências apontam para um dispositivo chamado Sirius, com tela de 10.1 polegadas e que traz um design similar ao dos smartphones da séria Lumia.

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