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Vacina para gripe suína pode ter causado narcolepsia em crianças na Europa

A vacina Pandemrix H1N1, produzia pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK), pode ter causado cerca de 800 casos da doença

Cerca de 800 crianças na Suécia e outros países da Europa desenvolveram narcolepsia, um distúrbio do sono incurável, depois de terem sido imunizadas com a vacina contra a gripe suína Pandemrix H1N1, produzia pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK) em 2009.

Países como Finlândia, Noruega, Irlanda e França também relataram casos da doença após a aplicação na vacina. De acordo com informações da GSK de 2011, mais de 30 milhões de doses da vacina foram administradas, em 47 países. No mesmo ano, a farmacêutica informou que 335 casos de narcolepsia haviam sido registrados em pessoas que tomaram a vacina. De acordo com a agência de notícias Reuters, esse número atualmente chega a 795.

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NARCOLEPSIA

Distúrbio do sono que se caracteriza por episódios recorrentes e incontroláveis de sono durante o dia, além de fraqueza (cataplexia), paralisia do sono (paralisia temporária do corpo imediatamente após o despertar) e alucinações.

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, a Pandemrix não foi utilizada na rede pública ou em campanhas de vacinação.

Restrição do uso – Em 2011, o Comitê de Produtos Medicinais Para Uso Humano (Committee for Medicinal Products for Human Use – CHMP) da Agência de Medicamentos Europeus (European Medicines Agency’s – EMA) recomendou que a vacina fosse aplicada apenas em pessoas com mais de 20 anos, devido aos casos de narcolepsia relatados em crianças e adolescentes.

Norman Begg, médico chefe da divisão de vacinas da GSK, disse à Reuters que a farmacêutica estaria comprometida a investigar a questão, mas que ainda não existem evidências suficientes para sugerir uma relação de causa entre a vacina e a ocorrência de narcolepsia.

Por outro lado, Emmanuel Mignot, especialista em narcolepsia da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, apesar de concordar que mais pesquisas devem ser realizadas, acredita que as evidências já mostram de forma clara tal relação.

A vacina compensa? – De acordo com a Reuters, estudos realizados por equipes de pesquisadores independentes publicaram artigos sobre a Suécia, Finlândia e Irlanda, mostrando que o risco de desenvolver narcolepsia após a campanha de imunização de 2009-2010 era 13 vezes maior em crianças que receberam a Pandemrix. A agência ainda informa que um estudo britânico sobre o assunto deve ser publicado em breve, mostrando um padrão similar ao dos outros países.

Para os pesquisadores, as causas desse acontecimento ainda não são claras. Alguns sugerem que o adjuvante (composto utilizado na fabricação da vacina), denominado AS03, poderia ser o responsável pelo aparecimento da doença. Outra hipótese é que o próprio vírus H1N1 poderia provocar a narcolepsia em pessoas com uma variação genética que as torna mais suscetíveis.

As estimativas variam, mas para Goran Stiernstedt, diretor de saúde pública da Suécia, a vacinação em massa pode ter evitado a morte de 30 a 60 pessoas por gripe suína no país, mas desde que a pandemia acabou, 200 casos de narcolepsia foram registrados no país. Por essa razão, Stiernstedt considera a situação uma “tragédia médica”.

David Salisbury, diretor de imunizações do governo britânico, considera que diante de uma pandemia, o risco de morte é mais grave do que o risco do desenvolvimento de narcolepsia. Par ele, se o governo tivesse passado mais tempo testando a vacina, mais pessoas teriam morrido.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2009 e 2010 a pandemia de gripe suína matou cerca de 18.500 pessoas.