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Sexo seguro: o que é bom você saber em tempos de quarentena

Especialistas tiram dúvidas sobre a prática durante a pandemia de covid-19

Por Mariana Rosário - Atualizado em 26 mar 2020, 17h51 - Publicado em 26 mar 2020, 14h48

Com o distanciamento social e grande parte da população orientada a ficar de quarentena por causa da pandemia de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, o sexo tornou-se uma das condições da vida que passaram a requerer mais cuidados e despertar diversas dúvidas.

Para orientar como não correr riscos e propor alternativas interessantes aos casais — em tempos nos quais o contato físico pode trazer muitos problemas — VEJA consultou a infectologista Heloisa Ravagnani, presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito federal, para explicar sobre aspectos técnicos da transmissão de Covid-19; e Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenadora do programa de estudos sexuais da mesma universidade, para comentar sobre como a quarentena impacta na vida do casal. Confira:

Covid-19 é sexualmente transmissível?
Não há evidência científica de que seja uma doença transmitida por contato sexual, mas é sabido que a saliva, fezes e urina são transmissores da doença. Portanto, os beijos precisam ser evitados, assim como os contatos face a face, entre outros tipos de interação que possam aproximar o parceiro de secreções transmissoras do novo coronavírus.

Parceiros sexuais que vivem na mesma casa e estão de quarentena podem ter relações?

Nesses casos é indicado ter relações apenas se as pessoas envolvidas sentirem-se bem de saúde e não apresentarem sintomas característicos da infecção por Covid-19 (febre, tosse seca, coriza, dificuldades para respirar). Do contrário, a pessoa sintomática deve isolar-se e evitar todo tipo de contato (mesmo com parceiros frequentes). Aos casais saudáveis uma boa prática é tomar banho antes e depois da relação, evitar os beijos e, é claro, não espirrar nem tossir durante os momentos de proximidade. Pela falta de contato pode tornar-se uma relação mais mecanizada, mas trata-se da forma saudável de ter proximidade neste momento.

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Relações casuais, com novos parceiros ou com pessoas que vivem em outras casas devem ser evitadas?

Pessoas nesses casos ficam expostas a muitos riscos, pois não é possível saber se o parceiro teve sintomas de Covid-19 ou não, se tem feito corretamente os procedimentos de higiene para evitar o vírus e se teve contato com uma pessoa infectada. É melhor esperar a epidemia passar para retomar a essas atividades. Caso o desejo sexual seja grande, é possível estimular-se sozinho com a ajuda por meio de mensagens, vídeos, revistas ou dos próprios pensamentos.

Qual a forma correta de higienizar aparelhos e brinquedos utilizados durante o sexo?
Água, sabão e álcool 70%.

Como casais podem driblar a barreira da quarentena?
Os casais podem aproveitar para estimular-se por vídeos, mensagens de aplicativos ou por ligação de telefone. Sempre, é claro, tomando os devidos cuidados para não ter um conteúdo íntimo vazado. Aos distanciados pode ser também também uma boa oportunidade para falar sobre sexo, dizer o que tem vontade, discutir a relação. Ainda que seja uma época delicada para ter relações, é um bom período para falar sobre o assunto, construir mais intimidade e sintonia entre o casal.

A quarentena pode acabar com uma relação?
Há relatos na imprensa internacional de que a quarentena para conter o novo coronavírus foi o estopim para o aumento do número de divórcios na China. Casais em relações conflituosas podem encontrar na convivência excessiva mais razões para brigar e se desentender. Para todos os tipos de relação (em crise, ou não) é importante organizar-se para ter atividades durante o dia e manter-se ocupado, além de respeitar o período de home office, assim haverá maior equilíbrio na convivência. Por outro lado, a quarentena pode ser positiva para relações nas quais os envolvidos sejam muito atarefados e normalmente não tenham tempo para conversar ou fazer alguma atividade juntos.

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