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Coronavírus: os sintomas pouco conhecidos da infecção

Além de sintomas raros, relatos médicos em diversos países revelam que o vírus consegue atacar outros órgãos do corpo e causa danos muito além dos pulmões

Por Da Redação - Atualizado em 27 abr 2020, 18h42 - Publicado em 16 abr 2020, 17h15

Já se sabe que o novo coronavírus causa sintomas semelhantes aos da gripe, incluindo febre, cansaço, tosse seca e falta de ar (em casos mais graves). Dor de garganta, perda de olfato e paladar também podem estar presentes. Mas existem alguns sintomas causados pela infecção que são menos conhecidos, pois acometem uma quantidade menor de pessoas. Eles incluem conjuntivite, náusea e dores musculares.

Um estudo publicado no periódico científico The Lancet mostrou que dor de cabeça é um sintoma reportado por cerca de 8% dos pacientes com quadros clínicos de Covid-19. Tontura e dor no peito também foram relatados por alguns pacientes, de acordo com informações do centro médico americano Cleveland Clinic.

Problemas gastrointestinais, como diarreia e náusea, têm sido cada vez mais associados a infecções por coronavírus. Estudos chineses apontam diarreia como um sintoma presente em 3% a 30% dos pacientes com Covid-19. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), náusea foi um sintoma relatado por 5% dos infectados.

Em alguns casos, o Covid-19 pode se apresentar como mal-estar, desorientação ou exaustão. Esses são os sintomas atípicos mais comumente relatados, geralmente associado a outros sinais mais frequentemente relatados, como tosse ou febre. Vale lembrar que esse sintomas também podem ser causados por stress e ansiedade devido à quarentena e ao distanciamento social.

Entretanto, se houver confusão grave, incapacidade de acordar ou de estar alerta podem ser sinais de alerta, deve-se procurar atendimento médico imediatamente. Em especial se isso vier acompanhado de outros sinais críticos, como lábios azulados, dificuldade para respirar ou dor no peito, de acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).

Dores musculares e calafrios também são sintomas relatados por alguns pacientes. Segundo a OMS, o calafrio esteve presente em 11% dos casos e a dor muscular em 14%. É importante ressaltar que esses podem ser sintomas precoces de infecção por coronavírus. Portanto, na presença deles, vale fazer um auto-isolamento, descansar, tomar muita água e contatar um médico – de preferência por telefone ou telemedicina.

Embora seja um sintoma bem menos frequente de Covid-19, a coriza esteve presente em alguns pacientes com a doença. Em geral, o sintoma é mais comum em quadros de alergias ou gripes comuns, mas segundo a OMS, esse sintoma está presente em 5% dos pacientes.

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Outro sintoma pouco comum, mas que pode ser manifestada em alguns casos é a conjuntivite. A Academia Americana de Oftalmologia publicou uma alerta sobre a presença desse sintoma na infecção pelo novo coronavírus após vários relatos sugerirem que o vírus pode causar conjuntivite e possivelmente ser transmitido pelo contato com a conjuntiva. A conjuntivite causada pelo novo coronavírus seria como qualquer outra e, por isso, pode passar despercebida com um dos sintomas da doença. No caso de Covid-19, a conjuntivite está associado a outros sintomas da doença, como febre e tosse.

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Vale lembrar que esses sintomas menos frequentes também estão presentes em outras doenças ou problemas menos graves que a Covid-19. Portanto, apresentar um ou mais deles não significa que você está infectado. Antes de se preocupar, o ideal é consultar um profissional de saúde.

Ataque aos órgãos

O novo coronavírus ataca os pulmões e bloqueia o suprimento de oxigênio do corpo. Alguns relatos, porém, revelam que o vírus pode atacar vários outros órgãos, como os rins, o coração, o cérebro e atrapalhar o sistema de circulação do sangue.

É importante frisar que as suspeitas são baseadas em relatos de médicos observados em pacientes que testam positivo para a Covid-19 e apresentam sintomas graves. Nenhum dos relatórios contém uma verdade absoluta, porque, por se tratar de uma doença nova, as conclusões ainda necessitam de mais estudos aprofundados.

O jornal americano The Washington Post publicou uma reportagem que revela que médicos de todo o mundo estão encontrando evidências de que o vírus pode causar inflamação do coração, doença renal aguda, mau funcionamento neurológico, coágulos sanguíneos, danos intestinais e problemas no fígado. O desenvolvimento dessas complicações atrapalha no tratamento e a recuperação dos pacientes com quadros mais graves da Covid-19.

Segundo a publicação, a Escola de Medicina de Yale, nos Estados Unidos, quase metade dos pacientes tratados por eles apresentaram sangue ou proteínas na urina, o que sugere que o novo coronavírus atacou as células dos rins. Nas cidades de Wuhan, onde a pandemia começou na China, e Nova York, um dos principais focos da doença no mundo, quase 30% dos pacientes em terapia intensiva precisam de diálise ou algum tratamento de reposição renal.

Nos dois países, os médicos também encontraram danos no coração. Os relatos são de miocardite, uma inflamação no músculo cardíaco, e de alterações no ritmo cardíaco, o que pode levar a uma parada do órgão.

Com relação aos efeitos no cérebro, um artigo feito por médicos de Detroit, nos Estados Unidos, e publicado na revista Radiology registrou o primeiro esboço sobre pacientes da Covid-19 que sofreram de encefalopatia necrosante aguda, uma condição rara conhecida por acompanhar outras doenças virais, como a influenza, e que ainda não havia sido relacionada ao novo coronavírus. Os pacientes podem sofrer com sintomas como derrames, convulsões prolongadas e perda de olfato.

Com a falta de literatura sobre o tema, os cientistas divergem sobre se os danos do cérebro e em outras partes do corpo são causados diretamente pelo coronavírus ou por uma resposta do sistema imunológico chamada de tempestade de citocinas, uma reação do organismo que ataca o corpo e pode causar danos graves em múltiplos órgãos. As respostas necessitam de tempo de pesquisa e mais informações sobre o que a doença causa nos pacientes infectados.

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