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Parto prematuro é, pela primeira vez, a principal causa de morte de crianças

Em 2013, 1,1 milhão de crianças de até cinco anos morreram por complicações do parto que ocorre antes das 36 semanas de gestação

Por Da Redação 17 nov 2014, 19h22

Pela primeira vez, as principais causas de morte de crianças abaixo de cinco anos no mundo não são doenças como sarampo e pneumonia. Em 2013, o parto prematuro assumiu a liderança do ranking, em países ricos e pobres. Essa foi a constatação de um estudo global publicado nesta segunda-feira no periódico The Lancet.

De 2000 a 2013, a mortalidade de crianças de até cinco anos caiu 3,9% ao ano. A maior parte da redução se deve a avanços no combate a pneumonia, diarreia, aids, sarampo e tétano. A mortalidade relacionada ao parto prematuro – aquele que ocorre antes de 36 semanas de gestação, quando começa o oitavo mês – diminuiu em ritmo menos acelerado. Em 2013, 1,1 milhão de crianças abaixo de cinco anos morreram por nascer antes do tempo adequado.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Global, regional, and national causes of child mortality in 2000-13, with projections to inform post-2015 priorities: an updated systematic analysis​

Onde foi divulgada: periódico The Lancet

Quem fez: Li Liu, Shefali Oza, Daniel Hogan, Jamie Perin, Igor Rudan, Joy E Lawn, Simon Cousens, entre outros.

Instituição: Faculdade de Saúde Pública Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e Organização Mundial da Saúde (OMS).

Resultado: Complicações do parto prematuro são as principais causas de morte de crianças abaixo de cinco anos de idade.

Como o pulmão é o último órgão do feto a ser totalmente formado, as mortes costumam estar relacionadas à fraqueza do pulmão do recém-nascido, que fica exposto a infecções bacterianas e a qualquer outro agente externo.

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De acordo com a pesquisa, em média 17,4% das mortes de crianças abaixo de cinco anos são relacionadas ao parto prematuro. Os países proporcionalmente com as maiores taxas são Macedônia (51%), Eslovênia (47,5%), Dinamarca (43%), Sérvia (39,8%), Grã-Bretanha (38,7%) e Hungria (37,4%). Na América Latina, o Brasil tem a maior proporção: 21,9%, correspondente a cerca de 9 000 óbitos anuais.

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Pesquisas – Quatro iniciativas de pesquisa estão em andamento e visam a descobrir as causas e a prevenção do problema. Elas se concentram em cinco linhas de investigação: doenças ginecológicas e infecciosas, neonatologia, genética e imunologia.

“Há uma preocupação mundial com esse assunto, principalmente porque nós não conhecemos as causas diretas do parto prematuro”, disse ao site de VEJA José Belizán, uma das maiores autoridades no assunto, pesquisador do Departamento de Investigação em Saúde da Mãe e da Criança do Instituto de Eficácia Clínica e Sanitária, na Argentina.

Fatores como obesidade, idade da gestante, tabagismo e pressão arterial elevada são conhecidos por aumentar o risco do parto prematuro. Mas eles não explicam, sozinhos, os números inflados. Estima-se que mais da metade dos partos anteriores à 36.ª semana ocorra de forma espontânea. Os estudiosos sabem que o problema é proporcionalmente mais incidente em países ricos do que pobres. Por isso, além de elementos como pobreza e nutrição, investiga-se a possibilidade de o stress antecipar o parto.

Prevenção – No momento, os esforços para prevenir mortes são baseados em planejamento familiar, uso de corticoides em mães que têm algum fator de risco de parto prematuro e prevenção de infecções com uso de antibióticos nos recém-nascidos.

Além disso, há uma técnica que se baseia em transformar a mãe numa espécie de incubadora do filho, a chamada Mãe Canguru. Em vez de o recém-nascido passar os primeiros meses de vida em um aparelho de uma UTI neonatal, ele é colocado em contato direto com a pele da mãe, para se manter aquecido e mamar continuamente. “A mortalidade caiu muito em lugares onde esse procedimento foi adotado. Colômbia e países do sul da África utilizam essa técnica que é barata e eficaz”, diz Belizán.

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