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Kylie admitiu ter preenchido os lábios. Pode?

Com apenas 17 anos, a irmã da socialite americana Kim Kardashian levanta questões sobre os riscos de realizar intervenções estéticas muito cedo

Por Giulia Vidale - 17 maio 2015, 19h16

“Os adolescentes são facilmente influenciáveis pela opinião de amigos e pelo padrão de beleza imposto. É uma onda. Recebo muitas meninas com desejo de realizar procedimentos estéticos só porque uma amiga já fez — e não necessariamente porque têm algum defeito que de fato incomoda ou causa algum dano psicológico”, diz Carolina Marçon, dermatologista especialista da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Kylie Jenner – irmã de Kim Kardashian e uma das protagonistas do reality show americano Keeping Up With The Kardashians – tem apenas 17 anos e admitiu, pela primeira vez, ter feito preenchimento labial. A jovem é bastante influente nas redes sociais, com mais de 20 milhões de seguidores no Instagram. Por algum tempo, Kylie tentou manter o assunto em segredo e despistava os fãs, afirmando que seus lábios estavam mais carnudos graças aos batons que utilizava. Não colou. A revelação finalmente foi feita na semana passada durante o novo episódio do programa. “Eu faço preenchimento labial temporário. É uma insegurança minha”, disse. Especialistas são categóricos ao afirmar que procedimentos estéticos invasivos são contraindicados em adolescentes.

A grande preocupação é que a adolescência é um período marcado por transformações no corpo, nos hormônios e também no comportamento. Nessa fase, é comum a insatisfação com a própria imagem e o desejo constante de mudanças e correções. “Os adolescentes são facilmente influenciáveis pela opinião de amigos e pelo padrão de beleza imposto. É uma onda. Recebo muitas meninas com desejo de realizar procedimentos estéticos só porque uma amiga já fez – e não necessariamente porque têm algum defeito que de fato incomoda ou causa algum dano psicológico”, diz Carolina Marçon, dermatologista especialista da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

No Brasil, não há uma lei que proíba cirurgias estéticas em menores de idade. Recomenda-se que sejam realizados apenas os procedimentos que se enquadrem como problemas de saúde, como correção de lábio leporino, orelha de abano, rinoplastia para melhorar a respiração, além da redução das mamas quando há comprometimento da coluna. Apesar disso, não são apenas esses motivos que levam os jovens aos consultórios de cirurgia plástica. A cirurgia para a colocação de próteses de silicone e lipoaspiração também estão entre os procedimentos procurados pelos adolescentes. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o número de operações realizadas em pessoas na faixa entre 14 e 18 anos mais que dobrou em quatro anos – passando de 37.740 procedimentos em 2008 para 91.100 em 2012. Vale ressaltar que os responsáveis precisam acompanhar seus filhos em todas as consultas e, no caso da realização da cirurgia, assinar uma autorização.

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O cérebro adolescente

Embora as intervenções sejam contraindicadas na maioria dos casos, há exceções. “Muitos adolescentes têm problemas psicológicos graves por causa da imagem e um procedimento simples pode solucionar isso. Sendo assim, embora procedimentos para fins estéticos em adolescentes sejam exceção e não regra, eles podem ser realizados desde que sejam seguros e tragam um benefício social para o paciente”, explica Eduardo Kanashiro, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

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Não se sabe ao certo qual produto Kylie utilizou para preencher os lábios. Acredita-se, contudo, que o preenchimento dérmico tenha sido feito com ácido hialurônico. A substância é segura e frequentemente utilizada pelos médicos. Mas não está isenta de efeitos colaterais como hematomas, inflamação, infecção e alergia. “A maioria dos procedimentos estéticos mais simples é reversível. O preenchimento labial com ácido hialurônico, por exemplo, pode durar até um ano e meio”, diz Carolina.

Atestar somente a segurança do produto, contudo, não é suficiente para submeter um jovem a um procedimento estético. “É necessário fazer uma análise do perfil psicológico do paciente e das suas reais motivações para fazê-lo”, afirma Carolina. Estudos mostram que a busca pela perfeição tem levado adolescentes a desenvolver transtorno dismórfico corporal – um problema de saúde mental em que o indivíduo tem uma preocupação excessiva e patológica com os defeitos percebidos em sua aparência.

Pesquisador da Universidade Emory, nos Estados Unidos, o dermatologista Adilson Costa alerta para um outro risco: “É preciso respeitar a faixa etária para que não ocorra uma erotização precoce do jovem.”

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