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Covid-19: Sputnik V tem 95% de eficácia após segunda dose, diz Rússia

O custo divulgado para cada dose será menor que 10 dólares; o país afirmou que o medicamento não apresenta efeitos adversos

Por Mariana Rosário Atualizado em 24 nov 2020, 10h50 - Publicado em 24 nov 2020, 10h31

A Rússia anunciou nesta terça-feira, 24, que sua vacina Sputnik V contra a Covid-19, desenvolvida pelo Centro de Pesquisas Gamaleya de Moscou, tem eficácia “acima de 95%” 21 dias após a aplicação da segunda dose.

Estes são resultados preliminares obtidos com voluntários 42 dias após a aplicação da primeira dose e 21 dias após a segunda, indicam em um comunicado conjunto o centro Gamaleya, o ministério russo da Saúde e o Fundo Soberano russo envolvido no desenvolvimento da vacina. Os dados ainda são preliminares e não foram divulgados em revista científica.

Em nota, o instituto afirmou que o cálculo foi baseado na análise de dados de 18.794 voluntários que receberam a primeira e a segunda doses da Sputnik V ou placebo. Do total, 39 pessoas testaram positivo para Covid-19, de acordo com o protocolo de ensaio clínico. Oito pessoas vacinadas foram detectadas com a infecção, enquanto no grupo do placebo este número foi de 31. O que permitiria o cálculo de eficácia.

Os dados preliminares de voluntários obtidos 42 dias após a primeira dose (corresponde a 21 dias após a segunda dose) indicam uma eficácia do imunizante “acima de 95%”, afirmou o comunicado. Antes deste prazo, a eficácia medida sete dias após a segunda dose (e 28 dias após a primeira) ficaria em torno de 91,4%. O instituto, no entanto, não disponibilizou dados em que seja possível observar os 95% de eficácia, somente os 91,4%.

Até agora, 40.000 voluntários estão participando do estudo de fase 3, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo na Rússia. Mais de 22.000 voluntários já receberam a primeira dose e mais de 19.000 receberam a segunda, diz o comunicado.

“O preço de uma dose da Sputnik V no mercado internacional será inferior a 10 dólares”, anunciou em um comunicado separado o Fundo Soberano russo, enquanto para os cidadãos russos a vacina será gratuita.

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Elogiada pelo presidente Vladimir Putin, a Rússia pouco explicou a documentação científica para a vacina, mas seus criadores reiteraram nesta terça-feira que os dados da pesquisa serão publicados em breve “em uma das principais revistas médicas do mundo e revisados por seus pares”.

Trata-se de uma vacina de “vetor viral”, que utiliza duas injeções de dois adenovírus (um tipo de vírus muito comum, que provoca resfriados, por exemplo) modificados com uma parte do vírus responsável pela Covid-19.

Quando o adenovírus modificado penetra nas células das pessoas vacinadas, estas produzem uma proteína típica do novo coronavírus, o que permite ao sistema imunológico reconhecer o vírus e combatê-lo, de acordo com o centro Gamaleya.

A concorrência é intensa para desenvolver uma vacina que freie a pandemia que afeta o mundo desde o início do ano.

O grupo farmacêutico britânico AstraZeneca e a Universidade de Oxford publicaram na segunda-feira que sua vacina tem eficácia média de 70%, podendo chegar a até 90% de acordo com a maneira que for ministrado.

O fármaco desenvolvido pela americana Pfizer e alemã BioNTech tem eficácia de 95%, segundo os resultados completos do teste clínico em larga escala, anunciados na semana passada. A empresa americana Moderna anunciou resultados similares (94,5% de eficácia).

A Rússia está disposta a lutar pela liderança na corrida pela vacina e, já em agosto (antes mesmo dos testes clínicos em larga escala), anunciou que a Sputnik V era muito eficaz, o que provocou dúvidas da comunidade científica internacional.

(Com AFP)

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